domingo, junho 07, 2015

Mad Men

“Mad Men” é uma série criada por Matthew Weiner que conta a história de publicitários nova-iorquinos (sendo que a sigla Mad é uma alusão à Madison Avenue em Nova Iorque onde está situada uma famosa agência de publicidade, mas também podendo ser lida como Mad de loucos) durante uma década, do início dos anos 60 até os idos dos 70. 
A série gira em torno de Don Draper (Jon Hamm), um director de arte genial com fama que o precede, tanto pelos seus talentos quanto por suas obsessões e vícios - especialmente no campo da sedução do sexo oposto. 

Através de Don, conhecemos personagens como Peggy Olson (Elizabeth Moss), uma secretária que busca ser algo mais, e Betty Draper (January Jones), esposa de Don, que por muitas vezes recalca seus próprios desejos e dúvidas em prol de seu casamento e seus filhos – nos primeiros episódios das primeiras temporadas, pelo menos.

A série começa num dos primeiros meses de 1960. Estados Unidos e União Soviética, durante a intensa Guerra Fria, já se degladiam  na corrida espacial, que em 1961 lançaria o primeiro homem, o soviético Yuri Gagarin, a orbitar a Terra.
Está muito presente a questão racial nos Estados Unidos que se intensifica e figuras como Malcolm X e Martin Luther King aparecem e, posteriormente, são mortos e saem de cena – sendo que todos esses actos, assim como o Ato dos Direitos Civis de 1964, têm impacto real nos personagens da série. O assassinato de John F. Kennedy, retratado nesta magnífica série, também tem impacto directo na vida dos publicitários e familiares.
O sexismo da sociedade naquela época também está reflectido durante toda a série, principalmente nas figuras de Peggy Olson e Joan Holloway (Christina Hendricks), ambas figuras femininas desta série que lutam para ir além do que é esperado e imposto a elas: a eterna e clássica figura da secretária, que não raramente inclui serviços "especiais" com clientes e patrões. O fato de Peggy e Joan não vergarem a partir de determinada altura da série e não aceitarem o "status quo" serve precisamente para contrastar com as demais mulheres na série que cedem à pressão da sociedade – como aquelas (várias) que passam pela cama de Don Draper.
A questão musical também nos mostra o momento do tempo da serie. E são estes elementos se desenvolvem com maestria ao longo dos episódios, sempre permitindo uma localização "onde" – ou melhor, quando – nos encontramos e, principalmente, mostrando como a geração de Don se distancia cada vez mais do público que um dia precisará conquistar com seus comerciais.
A série “Mad Men” é um retrato perfeito de uma época, e assim é por ser muito mais do que a soma de suas partes. É simultaneamente uma reflexão sobre o que é relevante para nós e para o mundo; é uma análise comparativa do mundo que já vivemos no passado e o mundo que temos agora – e de que forma evoluímos muito menos do que gostamos de pensar, é um revisitar que provoca uma nostalgia doentia por uma época de fortes contrastes e que infelizmente não vivi.
É preciso encarar esta série não como uma aula só de televisão, mas de vida, mostrando que o simples ato de viver implica em consequências e perdas ao longo do caminho, e que muitas coisas ficarão inexplicadas – ou que serão inexplicáveis – ao longo da estrada, mas que no final a escolha de seguir em frente apesar do passado ou deixar o passado nos encher de pesar é toda nossa.

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