domingo, setembro 06, 2015

O regresso do Sócrates

Não podia deixar de partilhar a minha opinião quanto ao regresso a cena do amigo Sócrates.
Tentarei segmentar a minha opinião em três prismas: a) mediatismo em torno da sua libertação; b) A recorrente dúvida dos motivos que levaram o Juíz a manter a medida de prisão preventiva todo este tempo e c) O momento da libertação a menos de um mês das eleições legislativas.
a) Mediatismo da Libertação: à semelhança de outros momentos em que critiquei o oportunismo dos "media" não posso deixar de partilhar a minha revolta quando no presente momento se assiste ao fenómeno migratório dos refugiados no seio da União Europeia (UE) e se dá mais importância à libertação do camarada. Este fenómeno migratório que, na minha opinião, vai fazer com que muita tinta ainda vá correr na medida em que urge uma clara definição por parte dos Estados Membros no que deverá ser o entendimento global na UE para pôr fim a esta situação. Pessoalmente, entendo que se deve atacar o problema na sua raíz. Na Síria. E não em resolver o problema a jusante. Ou ainda encontrar soluções em países que já têm problemas de sobra (e.g. Grécia) que já está a acolher uma cota significativa de refugiados.
b) Razões da Prisão preventiva: Nunca entendi bem as dúvidas que há em torno desta medida de coacção decidida pelo Magistrado encarregue deste processo. As provas que o mesmo teve/tem e o perigo de contaminação da investigação determinaram que o camarada Sócrates ficasse em prisão preventiva. E? Que mal há nisso? Em momento algum há a obrigação dessas provas serem tornadas públicas!! Por outro lado, tenho muitas reservas no facto destas provas não terem sido comunicadas aos advogados da defesa. Violaria em bom rigor um bom princípio (do conhecimento). E sempre tive para mim que é mais conveniente passar a informação que não são conhecidas as provas (i.e. as que não interessa que sejam aprofundadas) do que dizer que as provas são "a" e "b". Uma questão táctica, pois claro.
c) Eleições legislativas: este momento de libertação do Sócrates pode funcionar como catalisador da candidatura do António Costa. Para o bem e para o mal. A motivação para que aconteça um ou outro cenário será sem dúvida a vontade do Sócrates em ir para Belém. Não tenho dúvida alguma. Se quiser mesmo candidatar-se a Belém, interessar-lhe-á que a campanha do António Costa decorra sem sobressaltos derivados da sua libertação. Se entender que está morto politicamente...aí o cenário será diferente. E com o tempo de antena que lhe é devido (e depois de ter passado 9 meses a vitimizar-se) poderá dar algumas entrevistas e acabar sumariamente com a candidatura do António Costa (de lembrar que durante todo o tempo em que esteve preso Sócrates nunca foi visitado pelo pretenso amigo).
A ver vamos. 

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