domingo, janeiro 17, 2016

Novo Governo...Novas Políticas

Tem-se assistido nas últimas semanas a uma série de iniciativas (populares) conduzidas pelo actual Executivo. Ainda que possam parecer medidas correctas e adequadas, a verdade é que não é assim.

Justiça

Uma das áreas em que é (e será sempre) necessária uma atenção muito especial. Destaco duas situações recentemente tornadas públicas: a reabertura de alguns tribunais e a não publicação da lista de pedófilos. Não entendo por muito que tente. Então se os tribunais foram encerrados em sequência de uma tentativa de centralização de recursos humanos (leia-se afectação de mais magistrados para determinados círculos) tendo como objectivo o abreviar a resolução de alguns processos fará sentido reverter aquela decisão tomada pelo Governo anterior? Quanto à questão da lista dos pedófilos o meu melhor comentário é....não conseguir perceber qual é a razão de não serem publicamente conhecidas as pessoas que  têm prazer sexual molestando crianças. Sinceramente, e à semelhança de outras tantas coisas, dá ideia que há (?) muito boa gente com o rabo preso e daí não ser interessante divulgar a tal lista sem um escrutínio cirúrgico dos nomes que nela constam. E enquanto essa avaliação não finda...continua a devassidão, pouca vergonha e a não punição destes desequilibrados mentais.

TAP

Outro tema quente. Bruxelas "obrigou" o anterior Governo a preparar (entre outras) a privatização da TAP. Tenho acompanhado com atenção este dossier. Começando e acabando pelo facto de ter trabalhado naquela empresa, bem como estar ligado ao sector da aviação. O que se percebe (e é público) é que a TAP tem um passivo de 1.000 milhões de euros. E que este passivo é conhecido em Bruxelas. Numa análise simplista, mantendo a empresa nacionalizada, e para manter os postos de trabalho actuais, haveria um momento em que seria necessária uma injecção de capital na mesma. Como aliás sempre foi feito nestes anos à custa do erário público. Com a adopção das medidas de austeridade ficou claro que a companhia aérea teria de ser privatizada. 
Houve alguns concorrentes (sendo que um foi preterido por não reunir as condições necessárias e entendidas pelo anterior Governo) e alguns desistiram da corrida na medida em que o passivo era altíssimo e obrigava a um "músculo financeiro" tal...que tornava o negócio desinteressante. E por último surgiu o actual consórcio com quem foi feito negócio e que agora perde uma posição maioritária. A minha questão é simples: como é que tal é possível? Então foi feita uma injecção de capital, vai ser modernizada a frota (tem subjacente mais custo), mantém-se a mesma estrutura organizacional (custos fixos obscenos) e reverte-se a privatização sendo que o tal consórcio...deixa de ter uma posição dominante ou maioritária?? O que tem sido publicado é isto. Eventualmente haverá mais informação que não é tornada pública. Mas......façam-se mais privatizações!! Porque afinal são boas...para o Estado Português. Que basicamente, e no final do dia, foi quem ganhou! Este tipo de negociata "turca" vai dar mau resultado. Para começar pela instabilidade que provoca nos mercados internacionais. E na falta de idoneidade que fica associada a negócios que deviam ser transparentes. Veremos qual será o desfecho.


Educação

Mais uma área sensível. Todo o trabalho que foi feito pelo anterior Ministro da Educação....é agora desfeito em pouco mais de um mês. Deixa de haver exames nos vários níveis de escolaridade. Acho óptimo. Se já havia (muitas) pessoas que não sabem escrever e conseguem terminar uma licenciatura...agora então vai ser lindo. É com tristeza que vejo este tipo de medida ser adoptada. Tudo o que foi feito para permitir um acompanhamento mais próximo dos alunos (e quiçá uma avaliação dos professores) é abandonado. Deixou de fazer sentido. E no final, contrariamente ao que muitos possam pensar, quem paga a factura serão as crianças. Quem ninguém pense o contrário.

E poderia continuar aqui a comentar os últimos acontecimentos. Em jeito de conclusão não faz qualquer sentido pensar desta forma. Portugal, em 3 ou 4 meses, não deixou comutou de uma situação de falência para uma situação de conforto que lhe permita a adopção destas medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo que (ilegitimamente) está à frente de Portugal. Se durante os últimos anos foram tomadas muitas medidas impopulares..com grande sacrifício de todos nós, não faz sentido que neste momento se viva um momento de descomprometimento com as mesmas. Nada, repito, nada mudou e continuaremos a fazer equilibrismo no fio da navalha. Com a agravante que a brincadeira poderá sair muito cara a Portugal. A todos nós.

1 comentário:

Ana disse...

Os exames nacionais apenas permitiam aferir os conhecimentos dos alunos nas áreas da língua portuguesa e de matemática. Ora, aquilo que se verificou é que apenas 2% dos alunos não conseguiam transitar de ano devido aos baixos resultados obtidos nos exames. Pouco peso tinham os exames e pouco valor lhes davam os alunos que, por vezes, até os boicotavam. Mas..... Tudo bem!
Os exames nacionais não refletem grande parte das vezes os resultados obtidos pelos alunos ao longo do ano . Há que saber que aquando da avaliação dos alunos na disciplina de português, por exemplo, há critérios exigidos pelo Ministério da Educação que não são tidos em conta nos exames nacionais. Nomeadamente, há que saber que, ao longo dos períodos, os professores de português (só falo deles, porque estou dentro do assunto) devem ter em conta a avaliação do domínio cognitivo e a avaliação do domínio socio-afetivo. Dentro do domínio cognitivo, que pode ir de 70% a 80%, dependendo das escolas e dos anos letivos ( mais uma aberração) entra a expressão oral, a compreensão auditiva, a leitura e a parte escrita, ou seja os testes. A parte do socio-afetivo, inclui aspetos tais como: as atitudes, o comportamento, a realização do trabalho de casa, o trabalho manifestado na aula e outros aspetos que irão depender da escola.
Ora bem, no exame nacional, a avaliação do aluno recai exclusivamente no teste, no exame em si.
Quando se avaliam os alunos, numa determinada disciplina, há critérios que nos temos em consideração que não são tidos em conta nos exames nacionais. Um aluno que realiza os trabalhos de casa, que participa na aula, que até consegue fazer o teste de compreensão auditiva; que consegue ler corretamente e falar sobre um assunto à frente de toda a gente, pode alcançar, durante o ano uma média de 4/5 ou 16/20, apesar de na escrita, mais especificamente, nos testes escritos, não ter alcançado mais de 3/5 ou 12/20.
Conclusão, para que os resultados obtidos nos exames estivessem em sintonia com os resultados obtidos a nível interno, ao longo do ano letivo, os critérios usados deveriam ser idênticos e não o são.
Por isso, eu considero que estes exames, não fazem sentido. Não avaliam as aprendizagens dos alunos que são exigidas nos programas que os professores devem seguir à risca sob pena de levar um processo em cima,por parte do Ministério. É-nos exigida uma grelha de Excel em que estejam discriminados os vários critérios. Essa grelha deve ser apresentada caso um Encarregado de Educação ponha em causa a avaliação do seu educando. Nela devem constar todos os resultados dos alunos em todos os domínios, cognitivos e socio-afetivos. E fazemo-la, sem qualquer problema!
Os exames não refletem a realidade e, por mais que concorde que esta reviravolta deste governo em vários domínios não vai ser boa para o país, considero que o facto de terem eliminado os exames até é positivo!
Quero acrescentar que não serão certamente os exames que permitirão avaliar a eficiência ou não de um professor! Mas isso, daria muito que escrever e vou trabalhar para a escolinha, porque, amanhã, dou aulas!



ça. Por que motivo só as disciplinas de português e de matemática são sempre a