domingo, fevereiro 07, 2016

Promessas eleitorais

A política é uma coisa engraçada. Diz-se, não raro, que a política é o "ópio do povo". Se durante muitos e muitos anos não percebi esta associação, agora, que me interesso mais pelo tema, consigo compreender o alcance.
Basicamente é tudo uma questão de saber prometer. Sim, não basta prometer. É necessário saber fazê-lo. Ser determinado. Acreditar no que se diz. E acima de tudo, adoptar a táctica de agregar votos nas classes sociais mais baixa e média. Porquê? Porque é onde está situado o eleitorado mais influente no sentido de voto e o maior medo de qualquer político: a abstenção.
Ao que interessa, as promessas eleitorais. Num País marcado pela austeridade nos últimos anos, qualquer promessa eleitoral sustentada em pilares como sejam a determinação e a assertividade é vista como um balão de Oxigénio, É lógico. Principalmente no que toca aquele segmento de eleitorado que..., no final do dia, acaba por pagar a conta.. Já aqui disse, e não é novidade para ninguém, que os pobres não têm dinheiro e os ricos compram formas de fugir. Quem não consegue fugir? A classe média. Claro.
Quando foram avançadas pelo actual Executivo as várias medidas "populares" torci o nariz. Pensei numa frase que uso muito: Não há almoços grátis.
Afinal tinha razões para pensar desta forma que de resto me é tão característica. As promessas eleitorais plasmadas no Orçamento de Estado (OE) apresentado em Bruxelas, não foram aceites. E com razão. Houve dois apontamentos que terão passado ao lado da generalidade das pessoas, mas que retenho como fortes indicadores que teremos uma governação seguida de forma muito próxima pela Comissão Europeia: em primeiro lugar o comentário da chanceler alemã relativo ao trabalho desenvolvido pelo anterior Governo (legitimamente) eleito. Como quem diz...depois de terem feito tanta coisa, de terem feito os portugueses passar por tanto...vão agora estragar o trabalho feito? A segunda (e não menos importante) foi o comentário de um comissário europeu face ao OE apresentado esta semana e que resumidamente fala do "elevado risco de Portugal entrar em incumprimento". Concluindo, o OE não passou sem que o Governo tivesse que justificar muitas das medidas "populares" e ainda comprometer-se com tantas outras (impopulares) para garantir um valor de défice inferior. Que começam agora a ser timidamente ventiladas, com receio da (natural e mais que lógica) contestação social.
Veremos quanto tempo vai aguentar este Governo sem ter greves e paralisações. Ou sem ter a extrema esquerda a começar a deitar as unhas de fora reclamando mais medidas. E mais palco.

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