domingo, julho 10, 2016

Final Europeu 2016

Começo por dizer que nunca esperei que Portugal conseguisse chegar a uma final deste Europeu de futebol. Bem sei que percebo mais da produção de azeite que de futebol, mas também acho que consigo perceber se um tipo chuta ou não chuta bem um esférico. Não me parece que seja preciso ter um doutoramento para ser possível perceber isso.
À semelhança de tantos outros eventos do género, mais uma vez Portugal pára (literalmente) para ver a sua Selecção de futebol jogar. Seria inédito e não corresponderia à verdade dizer que não gostei da vitória de Portugal frente à Hungria ou à Polónia. Confesso que até hoje estou para perceber como. Especialmente com estas duas equipas que em campo foram incontornavelmente superiores. Mas a sorte esteve do lado de Portugal. E no final do jogo, o resultado foi-nos favorável. Ainda bem,
Este tipo de situação leva-me a outro tipo de considerações. A sorte. Sem querer ser saudosista, sou levado a pensar que há 30 ou 40 anos, sorte era algo que não existia. Havia sim talento para jogar à bola ou não. Sem muito mais. Se uma Selecção soubesse jogar à bola ganhava o jogo. Se não soubesse jogar, era afastada da competição e voltava para casa mais cedo. Mas nos poucos filmes que há daquela época, vejo raça. Vejo "nerv" (termo inglês que será sinónimo de raça, fibra) e vejo o mesmo foco que até há hoje: a vitória. Mas actualmente não percebo isso na nossa Selecção. Há sim uma grande mediatização de tudo (o que não deixa de ser normal face ao avanço dos tempos e tecnologias) e há uma pressão esmagadora em alguns jogadores. 
Estou perfeitamente à vontade para, mais uma vez, falar de futebol como sendo algo que me estimula menos que um documentário no National Geographic sobre a reprodução dos hipópotamos que vivam continente africano profundo. Esta é a minha verdade. Contudo, quando me lembro, não deixo de deitar o olho (quando me lembro que Portugal joga) e invariavelmente fico enfadado. 
Esta Selecção de futebol não reflecte a fibra dos jogadores de outros tempos e que efectivamente jogavam um futebol diferente (e melhor). Naturalmente que esses mesmos jogadores, e em abono da verdade, não tinham jogado antes em campeonatos exigentes o que levava a um cansaço acrescido. Mas não é disso que estamos a falar, certo? Um atleta de futebol profissional tem de aguentar este tipo de vida / solicitação. Será isso que também justifica o seu salário.
Ainda assim desejo que Portugal ganhe à França. Boa sorte.

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