domingo, dezembro 17, 2017

domingo, dezembro 10, 2017

A loja do chinês

Por ocasião do almoço (de um dos 3 dias) do estágio do Krav Maga - sobre o qual escrevi a semana passada - teve lugar a troca de prendas. Aqueles que me conhecem saberão bem o que acho deste tipo de coisas - palhaçada. Ao nível do "amigo secreto" que tantas empresas insistem em perpetuar todos os anos e que me provoca um sentimento próximo das náuseas que costumo ter quando ando de barco.
Contudo, dado que 8 dos meus colegas que foram ao estágio comigo acordaram em levar uma prenda até 5,00€, não quis ser o  "razinga" e aquele que ía furar o esquema. Um pouco contrafeito, concordei em participar.
Confesso que não consigo imaginar muitas coisas que custem tão pouco. Invariavelmente, vem à minha memória os blocos de "post-its" amarelos, afia-lápis ou um conjunto de marcadores fluorescentes. Penso serem os primeiros pensamentos que me ocorrem. Entretanto, a caminho de casa no final do primeiro dia de estágio - o tal almoço era no dia seguinte - lembrei-me do bazar do chinês que há aqui perto de casa.
Depois do merecido e reconfortante banho, lá fui eu ao tal bazar. De memória penso lá ter ido uma vez há uns dois anos. Mas tipo entrar e sair. Desta vez foi diferente.
Entrar num espaço destes é ser imediatamente invadido com uma mescla de cheiros: borracha, incenso e cortinas plásticas das casas de banho. Não me ocorre outra analogia melhor. É um mundo  ou uma dimensão nova, se preferirem. Além dos produtos correntes e de outros que podem ser necessários à última hora, há toda uma variedade que assumimos que aquela loja não teria, mas tem. E faz com que pensemos que se calhar poderá dar jeito em algum momento no futuro. Uma lata de 15 litros de tinta pastel ou por exemplo um tapete a imitar Arraiolos para a sala de jantar.
Depois de ter gasto tempo a explorar 89 coisas que não precisava, e ter dado umas 4 voltas ao espaço comercial, acabei por optar por uma caixa de madeira com um saco de papel. E tudo com um valor total inferior ao valor que referi acima - no dia seguinte, já na troca de prendas, calhou-me um VW carocha preto, de plástico (miniatura) que acabei por me esquecer no restaurante - espero que tenha feito a alegria de alguma criança.
Não quis vir embora da loja sem pregar uma partida ao asiático que estava na loja. Pedir algo que imaginei que não tivesse. Um porta-cartões daqueles com fita, para trazer ao peito um cartão de identificação. Em menos de 3 segundos mostrou-me onde estavam uns 100. Arrumei a viola, paguei os 4,60€ e vim-me embora plenamente convencido que as lojas do chinês têm tudo.

domingo, dezembro 03, 2017

Estágio Krav Maga

Realizou-se mais um estágio de Krav. Desta vez o do Inverno quase em simultâneo com o final do ano.
Os estágios são bons momentos para aperfeiçoamento de técnicas específicas bem como para a confraternização com alunos de outras escolas desta modalidade. No final do dia, penso que ganham todos, com a experiência e partilha de conhecimento.
Este ano foi um pouco atípico, pela carga horária que teve associada. Senão vejamos: tive a aula normal de 5F à noite, na minha escola, e 6F começou o estágio, da parte da tarde. Sábado foi todo o dia e Domingo foi da parte da manhã. Na 2F tive novamente aula normal, à noite, na minha escola. Feitas as contas, treinei mais de 20H e 5 dias seguidos. É dose.
Como não podia deixar de ser, há episódios que marcam estes momentos. Em todos os estágios há alguns minutos dedicados ao combate entre dois atletas. Este, em boa verdade, é aquela altura em que todos os atletas podem pôr em prática o que aprendem nas respectivas escolas e claro, no estágio. Quando nos é dada a instrução de calçar luvas e colocar os protectores das tíbias já sabemos para o que é. E usualmente choca-se com a luva na luva de alguém ao nosso lado, aleatoriamente, para fazer uns minutos de combate connosco.
A primeira pessoa com quem combati foi um rapaz (mais novo e mais pequeno que eu) de uma escola do Algarve. Retraí-me um grande bocado porque tinha medo de acertar e magoar. E não é esse o objectivo, naturalmente. Entretanto, mudança de parceiro de combate. Mais uma vez, choque na primeira luva que encontrei. E calhou-me desta vez um colega angolano. Curiosamente manco e com um olho inchado, possivelmente derivado de um golpe anterior desferido por alguém. Aqui sim, o colega de treino era mais forte, mais encorpado e mais conhecedor. A prova disso foram os dois "milhos" que apanhei logo. Quase de imediato e quase seguidos. Um no olho (de raspão) e outro nos dentes. Sim, é verdade, não tinha a boquilha (protecção dentes) posta. Não me magoou verdadeiramente. Foi mais o impacto que qualquer outra coisa. Mas faz parte. Afinal, se tivesse defendido bem não tinha entrado qualquer um dos golpes.
Para o ano há mais. E espero voltar a participar. Mais forte ainda. E a saber amparar melhor os golpes!

domingo, novembro 26, 2017

Pagamentos devidos

Creio que todos estaremos de acordo que devemos receber o que nos é devido. Crescemos nessa realidade. Se me perguntarem se não corro atrás do dinheiro que me devem, é claro que a resposta só poderá ser uma: sim. Se me perguntarem se não gosto de ver a minha conta bancária com o crédito mensal do meu merecido vencimento, a resposta será igual. Mas o meu ponto não é no que toda a gente sabe ou percebe ou mesmo concorda comigo. É um pouco diferente.
Mais uma vez as promessas eleitorais. O que é dito para angariar votos. Para apelar ao lado humano das pessoas. Para lhes tocar no coração: Quem é que no seu juízo perfeito irá dizer que não quer mais poder de compra (i.e. ganhar mais) ou melhorar a qualidade de vida que tem? Pois. É por aí.
E aqui chegamos a mais uma "bota-complicada-de-descalçar": os professores. Com toda a legitimidade reclamam o que é seu por direito. Contudo, estas manifestações irão ter um efeito similar a um fósforo numa seara bem seca. Sendo a seara todas as outras classes profissionais que perderam direitos durante o período da austeridade e quem foram prometidas benesses, assim que houve a "troca de cadeiras", leia-se "troca de Governo". Assim sendo, não auguro bons ventos para este Governo. Aliás, nem para este nem para o próximo. A questão basilar, neste caso em concreto, será a forma como este Governo vai resolver a questão dos Professores. E, a partir daí, a questão dos militares, das polícias e dos Magistrados. Deus me dê saúde para ver as saídas e soluções encontradas. E começar em quem vou votar. Em breve.

domingo, novembro 19, 2017

Método e Disciplina

Método e disciplina são duas características que me são intrínsecas. Se alguém me perguntasse do nada, sem aviso prévio, que características mais aprecio em mim, estas duas figurariam entre as "top 5". Sem qualquer hesitação ou pestanejar de olhos. Passo a explicar as razões das minhas escolhas. Por favor, acompanhem-me.

Método

Sem método não consigo funcionar. Há pessoas que conseguem. Por método entendo possuir, entre outras características, um raciocínio sistemático. Aqui entrará a parte mais técnica (formação em engenharia). Ficariam surpresos(as) com a facilidade com que um texto corrido pode ser transformado numa tabela de duas entradas para uma mente técnica. Ou como os fluxogramas florescem com toda a pujança. Método, para mim, é isto mesmo. De forma sistemática, com um padrão definido de trabalho, encetar esforços para a consecução de um determinado objectivo ou resultado. Há vários métodos de trabalho. Tenho o meu há muitos anos como outras pessoas terão o seu. Poderá não ser o melhor, mas é aquele com que me identifico e até à data, não me dei mal. É necessário que haja método em tudo o que se faz. Sem método, a probabilidade de ocorrência do "caos" ou desorganização é enorme. Pode ser causada, por exemplo, pela falta de rigor. Pelo desleixo ou mesmo pela não capacidade de definição de uma escala de prioridades. Estranho, não é? Também concordo. Mas acreditem quem 90% das pessoas não conseguem definir uma escala de prioridades diária. E isso tem associada uma falta de método flagrante. Com método (quase) tudo de consegue. Basta saber como usar o mesmo.

Disciplina

Conheço poucas pessoas como eu. Muito poucas, ou nenhumas, na verdade. Desde há muitos anos que esta será, penso eu, "a" característica mais vincada em mim. Falo de horários. Falo de pouca flexibilidade ou uma ínfima capacidade de adaptação ao improviso. Mas uma coisa é certa: missão dada é missão cumprida. Umas vezes com mais facilidade, outras vezes com menos. Mas o que é certo é que as coisas são conseguidas. Com esforço, dedicação, empreendorismo e resiliência. 
Há uns anos atrás escrevi aqui sobre a corrida. Quando comecei a correr. É verdade, há bastante tempo. E lembro-me bem dessa altura. Da(s) aplicação(ões) que saquei para começar a correr. Dos treinos que desenhei para mim mesmo, baseado em artigos escritos por especialistas que li na internet. E comecei a correr. Levado para a corrida por uma das minhas primas...apenas tive a companhia dela uma única vez. Maldito "fungo-da-unha-do-dedão-do-pé" que a atirou para o estaleiro!! E fez-me correr sozinho. Corri muito sozinho. E não foi só na Primavera e com temperaturas amenas. Foi de Verão com temperaturas tórridas. E de Inverno com muita chuva e com temperaturas polares, que em muitos momentos me fez pensar que tinha perdido as pontas dos dedos das mãos e dos pés. No entanto, em momento algum vacilei ou pensei em desistir ou furar o meu plano de treino. Impensável. Seria ser fraco. E seria também o princípio do fim. Na medida em que a partir desse momento, ter-me-ía de alguém sem disciplina.
Falta muita disciplina às pessoas. Vivemos na era do "nacional-porreirismo" em que 5 minutos, na cabeça da generalidade das pessoas, não mata ninguém. É certo que não mata, mas também é certo que as pessoas não têm qualquer respeito pelas pessoas que fazem esperar ou pelas instituições que se regem por horários exactos. É essa mesma falta de disciplina que faz com que alguém que dá um toque acidental num carro se vá embora sem deixar um bilhete a identificar-se e prontificar-se para suportar a reparação. Ou alguém que encontra uma carteira num qualquer centro comercial, primeiro veja se tem dinheiro e só depois entrega ao segurança mais próximo.
Irritam-me as pessoas que nunca têm coragem para enfrentar os problemas de frente. Afinal nunca é nada com elas. Chamo a isto indisciplina mental. Mente retorcida e cheia de filosofias baratas que não levam a lado algum. Fico com babas no corpo inteiro só de pensar nesta falta de disciplina e coragem. Enfim. A lista de situações reveladoras de indisciplina é longa. E levar-me-ía a escrever muito. Mesmo muito. Vou vivendo o melhor que posso. Dentro da minha disciplina.

domingo, novembro 12, 2017

Forças de Segurança

Não há no mundo inteiro ninguém que defenda mais as forças de segurança do que eu. É humanamente impossível. E considero forças de segurança, para que estejamos todos na mesma página, quer as forças armadas e autoridades policiais. Este enorme grupo de profissionais é responsável pela manutenção da ordem, cumprimento da Lei e ainda pela segurança dos cidadãos.
O último acontecimento partilhado nos meios de comunicação social (i.e. agressão a um agente da PSP num conhecido miradouro da cidade de Lisboa) por um tipo já referenciado - conhecido - das autoridades policiais. E isto remete-me para outro tipo de discussão: quem são os actuais agentes policiais?
Não é possível responder à questão acima, sem antes falar das provas de admissão às forças policiais (e mesmo forças armadas). E posso falar com conhecimento de causa, na medida em que num passado longínquo também eu realizei provas de admissão para uma instituição militar. E desde então, se a memória não me falha, continuam as mesmas. Sem qualquer alteração. O que não é necessariamente bom ou abonatório quer para a imagem desta instituição quer para outras similares.
Quando refiro que as provas de admissão são as mesmas, refiro-me objectivamente à questão da não adaptação das provas à realidade contemporânea. Ou seja, se as actuais provas de admissão das autoridades policiais forem as mesmas que eram há 30 ou 40 anos atrás, alguma coisa estará mal. A altura e compleição física de um homem de 20 anos nos dias de hoje é naturalmente diferente da compleição física de um homem com a mesma idade em 1972. Esta é para mim uma realidade incontornável.
As provas de admissão servem precisamente para possibilitar às várias instituições a realização de uma triagem, dos candidatos "aptos" e "não aptos" ao exercício de determinada função. O meu ponto, é que não basta perfazer a corrida dos, 12 elevações e 20 abdominais, ou seja, os mesmos critérios que eram utilizados para avaliar a robustez física de alguém há 40 anos! É preciso mais. A minha prima com 12 anos consegue fazer todas as provas de admissão. Sem qualquer problema. Se calhar até o faz em menos tempo. Mas a realidade é que a minha prima não vai fazer patrulhamento nas (complicadas) ruas da cidade de Lisboa. Nem terá de pontualmente, ter de possuir alguma compleição física para deter um agressor do seu tamanho - melhor dos cenários - e maior, no pior dos cenários.
Enquanto houver uma resposta da Tutela no sentido de formar mais agentes fazendo "vista grossa" ao critério da compleição física, muita coisa vai correr mal. Ou ignorar a necessária formação em disciplinas como seja a defesa pessoal, ministrada de forma continuada, para fazer face às situações do quotidiano.E com isto, a opinião pública irá tendencialmente ficar no domínio do descrédito naquelas forças que são responsáveis pela segurança dos cidadãos portugueses. Com os riscos que daí são advenientes...

domingo, novembro 05, 2017

Liderança

Tenho para mim que para se ser líder, são necessárias duas características nucleares: ter pulso e ter coragem. O resto é acessório.
Já lidei com vários tipos de liderança. Algumas com as quais me identificava mais, outras com as quais me identificava menos. O tema é vasto e obriga-nos, inevitavelmente, a aludir a características intrínsecas das pessoas e que podem ser trabalhadas com treino. 
Por um lado, há os traços de personalidade comuns que encontramos nos líderes. O ter pulso, o ter coragem para liderar em tempos difíceis e com equipas desmotivadas - daí ser preponderante a capacidade de motivação. O conhecimento das características individuais dos membros das suas equipas, o ser elemento agregador, possuir experiência de coordenação de equipas, entre tantas outras características que tipicamente são perceptíveis nos bons líderes.
Por outro lado, não havendo os tais traços "normais" e desejáveis, é necessário que seja tornado possível incutir ou, através de treino específico possibilitar haja meios alternativos para a consecução do mesmo objectivo. Reformulando, se uma determinada pessoa (enquanto líder) não se consegue impôr ou fazer valer o seu ponto de vista perante algumas pessoas com quem trabalha, deverá ter formação ou treino especializado para que lhe seja possível o reforço dessa sua característica.
Questão: o que acontecerá se dermos as chaves de um Ferrari a um macaco? Teoricamente, nada. Refiro propositadamente o "teoricamente", porque com treino talvez pudesse haver uma acção que fosse ao encontro das nossas pretensões.
Como já vem sendo natural em mim, consigo perceber duas formas de abordar a questão: pessoas que não tendo perfil de líder foram designadas como tal - tipicamente pessoas que têm experiência profissional relevante para a função e como tal são elegíveis para a mesma - e que nunca serão bons líderes, por via de não terem as tais características ou o perfil de líder. São bons executantes. Só isso, sem mais. E este é o grosso dos líderes que temos por cá (Portugal). Pessoas que ocupam cargos de responsabilidade só porque...trabalharam em algo parecido (experiência profissional). Mas sem todo o necessário complemento e bagagem para ser líder. Com uma grande probabilidade de até ser a antítese (i.e. tímido, ansioso, inseguro, falta de confiança em si, etc.).
Por outro lado, há pessoas designadas como líderes e que têm experiência profissional nula ou perto disso. Bom, o "caminho das pedras" nestes casos será naturalmente mais complicado. Para começar, designar um líder numa organização em que há outras possibilidades válidas para esse cargo, pode causar algum ruído e mal estar. Ainda derivado desta situação, a aquisição de conhecimento não será fácil porque o conhecimento detido por outras pessoas não será partilhado e consequentemente a conquista do "espaço" e reforço da posição será demorado. Se é que tal será possível.
Hoje em dia há no mercado empresas de formação com profissionais especificamente vocacionados para treino de pessoas que têm atribuições profissionais de líderes. Contudo, há uma fortíssima aversão ou relutância por parte das organizações em cabimentar verba para este tipo de formação. À boa maneira portuguesa, as organizações entendem que as tais características se tiverem de ser melhoradas, que o farão por si. Erro crasso. E está à vista o resultado...

domingo, outubro 29, 2017

Lidar com os imponderáveis

Estou certo que não é a primeira vez que desenvolvo o tema. E mais certo ainda estarei que não será a última.
O ponto é simples. Para pessoas que têm a vida mentalmente organizada ou estruturada - como é o meu caso - lidar com os imponderáveis ou imprevistos da vida, se preferirem a terminologia, revela-se uma tarefa (muito) desafiante. Profissionalmente poderá ser, por exemplo, o pedido de elaboração de um relatório que surge meia hora antes do final do dia de trabalho. Em casa, por exemplo, a necessidade de ir ter com um amigo ou amiga que ficou com o carro avariado às 2330H numa das piores noites do ano, com chuva e frio. Dois pequenos exemplos que poderão espelhar bem o que falo.
É natural que as coisas acabam por ser conseguidas. O relatório é produzido e ajudamos o tal amigo ou amiga. A minha questão é a forma como se lida com isso. Pessoalmente falando, não é fácil. Porque o meu "mindset" terá de ser alterado e adaptado a uma nova situação. A necessidade de produção do tal relatório deveria ter surgido mais cedo. Ou se o carro já estava a ameaçar que ía parar um dia, não deveria ter sido utilizado. Parece simples, esta forma linear e imediata de ver as coisas. Mas não é possível determinar de forma tão peremptória as coisas na nossa vida. E aqui surge a utilização da palavra "imprevisto". Algo que não estávamos à espera.
Ainda que sendo uma pessoa pouco receptiva a mudanças que podem alterar significativamente a minha forma de estar (afinal um relatório produzido em pouco tempo poderá não ser a referência em termos de qualidade ou a probabilidade de apanhar uma gripe das antigas ser enorme, ao sair de casa a desoras com mau tempo), o que é certo é que as coisas acontecem. Pode demorar um pouco mais a "mudar a agulha", mas acontece. Quase sempre bem. Porque o empenho e dedicação acaba por ser o mesmo. Mas conheço pessoas cuja capacidade de dar resposta aos imprevistos é nula. Por via de bloqueios naturais ou incapacidade de se adaptarem a novas situações. Tenho para mim que a nossa sociedade de brandos costumes acaba por "proteger" estas pessoas. Profissionalmente, na medida em que é conhecida a sua incapacidade para dar resposta à tal solicitação do tal relatório, alguém o fará. Na vida pessoal, se todos os amigos(as) souberem que é uma pessoa que dificilmente sairá de casa numa má noite para ajudar, o telefone daquela pessoa não tocará. Infelizmente ocorrem-me vários nomes. E curiosamente de pessoas bem próximas.

domingo, outubro 22, 2017

Caracas e Curaçao

A semana passada, em trabalho tive de me deslocar a Caracas (Venezuela) e a Curaçao. O objectivo era auditar duas empresas de manutenção e ainda dar formação a mecânicos locais.

Caracas

Começando pela Venezuela. Caracas tem o típico clima que detesto: muito quente e abafado, juntamente com uma humidade altíssima. Resultado? Basta sair do hotel, de banho tomado, para se ficar a suar de novo. No presente momento, a Venezuela tem uma inflacção que ronda os 800%. Os preços de alguns produtos (i.e. bens essenciais) sofrem aumentos todos os dias. 
A título de curiosidade, no dia 17.10.17, o salário mínimo na Venezuela era de 325.544 Bolívares (Bs) - moeda oficial da Venezuela.  Comparativamente à nossa moeda (€) a correspondência é de 1 € = 39.000 Bs. Isto no mercado oficial. Há um imenso mercado paralelo (ou mercado negro) onde o valor sobe exponencialmente. Agora, e para se ter uma ideia do preço dos produtos: 36 ovos custam 36.000 Bs, 1kg de carne tem um custo de 50.000 Bs, 1 pão são 7.000 Bs, 1 Kg tomates são 15.000 Bs e um 1kg de arroz tem um preço de 15.000 Bs. Por descargo de consciência tentem realizar o exercício de preparar uma refeição (ou duas) com o salário mínimo. Complicado, certo? Também me parece.
A Venezuela vive presentemente um momento complexo. Politicamente complexo. Foi sujeito a um sufrágio (acto eleitoral) muito recentemente sendo que o actual partido político - e responsável pela depressão que o país vive actualmente -  conquistou (curiosamente) 17 dos 23 centros eleitorais. Curioso, não? Pois. O povo venezuelano também acha o mesmo e avança com manipulação de resultados à boca das urnas. O mais grave, e agora falando do meu sector (aviação), é que muitos operadores internacionais que voavam para Caracas, deixaram de o fazer por via da insegurança que se vive e da instabilidade social sentida nas ruas. Como consequência deste êxodo ou não investimento na rota de Caracas há uma natural contribuição para o agravamento da situação económica do País.
O mais curioso é que a Venezuela é um país riquíssimo. Com riqueza natural abundante, como seja petróleo e aço. Entre outros. Com 90,00€ podia-se, à data que referi acima, encher 1.200 vezes o depósito do meu carro. É verdade. O custo do litro de combustível é ridiculamente baixo. 

A arquitectura e as ruas dificilmente poderia ser pior. A zona do nosso hotel era calma e com harmonia arquitectónica na envolvente, mas os demais locais por onde passámos, não o eram. No primeiro dia que chegámos a Caracas fomos aconselhados a não andar a pé pelas ruas para nossa segurança. Para se ter uma ideia, há 12 homicídios diários nesta cidade. E quem já viu o "Narcos", série original da Netflix, irá ver muitos "lugares comuns". Motorizadas com dois ocupantes sem capacete e muita pobreza na rua. Uma réplica da Colômbia, portanto, País com quem a Venezuela faz fronteira. Deixei a Venezuela com sentimento de pena, pelo facto de ser um País com imensas potencialidades, mas onde a corrupção fala mais alto. E daí haver uma disparidade tão grande entre classes sociais e uma inflacção asfixiante. 

Curaçao

Uma ilha. Com mais contras que pontos a favor, naturalmente. Foi uma colónia da Holanda pelo que é usual ver-se muitos holandeses na ilha. Fica a cerca de meia hora de Caracas e não podia ser mais diferente.
Curaçao é sem dúvida um destino turístico. Nota-se bem o investimento em infra-estruturas (i.e. hotelaria) e também no centro da cidade numa tentativa de tornar um destino mais apelativo. Refiro propositadamente o centro da cidade, porque aparte desta zona da ilha, tudo o resto, em redor, é muito similar ao que vi em Caracas. Um pouco melhor, mas igualmente pobre e (quase) abandonado. Ou seja, um pouco diferente das fotos de praia com areia branca e água verde - que há, atenção! Mas..não é só isso que se vê!


Por via de ser um destino de férias dos holandeses, o custo de vida na ilha é substancialmente mais caro que em Caracas. As moedas aceites são o "florim" e o dólar americano e claro que os preços são devidamente ajustados. O hotel em que fiquei hospedado não deixa qualquer saudade. Os quartos mal limpos, a humidade no tecto do WC e uma alcatifa com aspecto de não ser bem limpa desde....que o hotel era novo, ou seja, final da década de 80!

Tive a oportunidade de ir ao centro de Curaçao. Interessante. Salta à vista os edifícios com cores vivas. A razão pela qual isso acontece - e que me venderam - é que houve em tempos um "Governador" (que no caso seria o equivalente ao nosso Presidente da República) uma vez terá dito que sempre que abria as janelas via só branco e que tal o deprimia. Daí, haver as várias cores:

Pessoalmente até consigo achar alguma piada. Notei igualmente uma grande presença de americanos na minha curta estadia. Basicamente, e para estes turistas, trata-se de um destino com bom clima, e com um custo de vida bastante aceitável (para não dizer baixo, tendo em consideração os vencimentos). Para um europeu como eu, e proveniente de um país do Sul da Europa, a realidade não será bem a mesma. Mas mesmo assim, com alguma ponderação é possível passar-se uma boa temporada. Por exemplo, o nosso cicerone disse-nos logo que o hotel em que tínhamos ficado não tinha piada alguma e mais tarde mostrou-nos aquele em que podíamos ter ficado se tivéssemos efectuado a reserva por ele. E...tinha sido bem melhor!! E mais barato.

A viagem foi muito cansativa, especialmente no regresso a Lisboa. Viemos via Miami. Depois de Miami, rumámos a Madrid e depois de Madrid, finalmente Lisboa. Com tudo isto, saímos de Curaçao no Sábado às 1600H e chegámos a Lisboa à mesma hora, mas no dia seguinte (hoje). Amanhã terei de folgar para que o meu organismo recupere desta viagem intensa e para retomar o trabalho!  

domingo, outubro 15, 2017

Viagem

Em trabalho, terei de ir à Venezuela e a Curaçao. Não tenho grande expectativa para qualquer um dos destinos. A única coisa que sei é que será uma viagem muito cansativa. Mais detalhes na semana que vem!

domingo, outubro 08, 2017

Troca de carro

É verdade. Mais uma vez. Vou trocar a carrinha por um outro menino. Bonito, "raçudo". Diferente. 
O negócio foi fechado ontem de manhã. Pelo meio, a habitual negociata, quer com vendedores, quer com pessoas conhecidas que desde sempre manifestaram interesse na compra do carro, mas quando confrontadas directamente passaram a achar caro. Acho engraçado. Só engraçado. Nota: Certamente quereriam que o desvalorizasse de tal forma que no final do dia ficasse eu a perder e eles a ganhar. Lindo.
Com o passar dos anos e a experiência de vida capitalizada, negociar automóveis passa a ser uma valência importante (tipicamente) do homem adulto. No sentido de não ser (tão) gamado. Na hora da compra de um carro, os vendedores tornam-se os nossos melhores amigos. Na hora da retoma, nem tanto. A menos que se queira trocar por outro carro que está a vender! Afinal, é tudo uma gestão (hábil) da chamada "margem de lucro". E o quão dispostos estão a esmagá-la para ficar com o negócio.
Informei-me com várias pessoas acerca deste negócio. Se no início pareceu-me pouco interessante, em termos de valor, com alguma tenacidade (e cedência) da minha parte, fui levando a água ao meu moinho. No final do dia não será "o" negócio da minha vida, mas tenho a certeza de ter feito um negócio justo. Avaliando o facto de ser uma retoma e o valor que está a ser pago, é um bom negócio.
A questão que certamente paira neste momento nas vossas cabeças será...porquê trocar um carro (sim, o carro que estou a trocar tem 4 anos). Por várias razões.
Em primeiro lugar porque o carro que estou a entregar tem um bom valor comercial neste momento. Mais baixo do que inicialmente pensei, mas ainda assim um valor simpático. Sendo que estou certo que o não terá daqui por mais 2, 3 anos. Em segundo lugar, porque começa a haver algum tipo de "movimentações" nos grandes fabricantes automóveis no sentido da adopção das tecnologias limpas: veículos híbridos ou eléctricos. O que representará uma mudança de paradigma para entidades que têm estruturas e tecnologia de ponta no desenvolvimento de motores a gasolina e gasóleo. Por imposição da Comissão Europeia, terão os construtores automóveis de começar a pensar em tecnologias limpas e alternativas. Na minha perspectiva, a curto prazo haverá uma aposta dos mesmos nos veículos híbridos, posteriormente 100% eléctricos e mais tarde o recurso ao Hidrogénio.  Tudo faseado. E afirmo isto tendo presente o desenvolvimento tecnológico e as soluções que actualmente há e estão na calha no horizonte temporal dos próximos 2-3 anos.
Consequentemente, e em pouco tempo, as "baterias" vão virar-se para os carros mais poluentes actualmente existentes. Como se sabe, é representada pelos carros a gasóleo. O que acho que vai acontecer é que o mercado de usados vai ficar inundado com estes carros (gasóleo). Excedente. Que acontece quando há muita oferta e pouca procura? O custo baixa. Ou seja, o valor dos carros vai diminuir. Concluindo, um carro a gasóleo que vale hoje "X" não manterá esse valor. Claro que com os anos se perderá sempre valor comercial, é certo, mas a perda será (ainda) mais acentuada, é o que quero dizer.
Em terceiro lugar, a utilização do carro a gasóleo. Aqui realizo um acto de contrição. Também eu embarquei durante muitos anos - houve uma interrupção em 2005 em que tive um carro a gasolina - na febre dos carros a gasóleo. Teve início em início da década de 90 com a importação da sucata automóvel da Alemanha, Bélgica e França. Estes países, principalmente. Contudo, a realidade destes países é naturalmente antípoda à nossa. Extensões geográficas maiores, o que justifica, só por si, a escolha do gasóleo. Em Portugal, e a menos que se faça 20.000 quilómetros / ano, não se justifica esta escolha. São carros mais caros, motores mais pesados e embora visitem menos a oficina, quando o fazem, o preço da manutenção é mais oneroso.
Havia duas vantagens: custo do combustível / consumo e valor de retoma. Quanto ao preço de combustível essa é uma realidade que hoje em dia tende a ficar cada vez menos flagrante. Os preços estão praticamente os mesmos. O mesmo acontece com os consumos. Há inclusive carros a gasolina, do mesmo segmento, que consumem menos que as motorizações a gasóleo. Aliado a um custo de combustível praticamente o mesmo, não será uma escolha racional nos dias que correm. O valor de retoma do carro a gasóleo poderá ser ainda apetecível, mas durante pouco tempo. Mais um ou dois anos. E depois começa a desvalorização (que falo acima) destes carros.
Para concluir, moro perto do local onde trabalho. Os meus carros não aquecem num percurso que com trânsito demora 5 minutos. Carros a gasóleo que perfazem continuamente trajectos curtos vão ter em algum momento da sua vida um problema: filtro de partículas, que não é mais componente dos carros a gasóleo que filtra as partículas em suspensão do fumo de escape). O filtro de partículas actual tem associada uma temperatura de funcionamento que, de forma simplificada, decorre do tempo de utilização ou funcionamento do motor. Se um carro só fizer trajectos curtos ou funcionar em curtos períodos de tempo, é provável (sem ser matemático) que possa vir a ter problemas com este componente.
Estou feliz pela minha escolha. E contente por ter conseguido uma escolha equilibrada e justa.

domingo, outubro 01, 2017

Subserviência

Fui educado no sentido de, entre outras premissas, tentar manter sempre uma base de respeito com os demais. Dirigir-me a pessoas mais velhas com a respectiva e desejável deferência. Ou a pessoas que não conheço e com quem não privo habitualmente. Tentar manter sempre uma distância de respeito. E um nível seguro de educação.
Ao longo dos anos mantive-me fiel a isto. Que sustenta quem sou. Por muito que possa causar incómodo a algumas pessoas. Porquê? Porque digo o que não deve ser dito. Porque incomodo. Porque sou não raro repreendido por ser "fracturante" ou "incisivo" em demasia. 
Contudo, tenho-me deparado com pessoas que vivem a vida de forma diametralmente oposto à minha. Que de forma flagrante e quase obscena prestam vassalagem a outras pessoas. Que são desprovidos de coluna vertebral com o intuito de conseguirem o que querem. Isso "é só" um reflexo de alguém menos honesto. E que naturalmente, em termos de carácter da pessoa em causa, diz tudo. 
As regras, procedimentos e normas da vida quotidiana são para serem cumpridas. Se por exemplo, ao chegar ao carro estiver um polícia a autuar-me por estar mal estacionado - e se estiver numa zona de paragem e estacionamento proibido - na minha concepção das coisas, não tenho absolutamente nada de estabelecer qualquer tipo de conversa com o agente da autoridade. Nem tampouco pedir-lhe desculpa por ter abusado da sua bondade. Não me faltava mais nada! Identifico-me como proprietário do carro e aguardo pacientemente que acabe de passar a multa - esperando que não cometa nenhum erro ortográfico ou imprecisão nos dados. Na primeira oportunidade e no mais curto espaço de tempo pago ao Estado a minha dívida por desleixo. Outras pessoas começariam a apelar ao lado bom do agente da autoridade. Não há paciência. Como este exemplo que dei, há milhões. E muitos deles bem próximos de nós...

domingo, setembro 24, 2017

Fim do Verão

É verdade. Para mim, são algumas as coisas que estão intimamente associadas ao final desta estação do ano: o aparecimento dos dias mais pequenos (e da mudança da hora associada), o arrumar a roupa do Verão e os dias mais frescos e húmidos. Mais tarde, chuvosos.
Este Verão, como aqui dei conta, foi marcado pelo meu regresso à praia, depois de 1,5 ano de interregno. É verdade. Lá terei as minhas razões, mas posso referir sem problema algum que encontrei a fórmula de sucesso: ir para a praia mais cedo e voltar à hora de almoço ou ao final do dia, como aconteceu numa das últimas vezes que fui à praia e aqui também partilhei.
Só por si, o regresso à praia era suficiente para "ter ganho" o Verão. Aproveitei melhor os fins de semana com excelentes passeios a pé. À excepção de um fim de semana, consegui, desde finais de Maio até agora (finais de Setembro) usar sempre calções ao fim de semana. E se me soube /sabe bem...
As temperaturas que se fizeram sentir não foram abusivamente altas, o que me agradou particularmente. Foi um bom Verão, este!

domingo, setembro 17, 2017

Falta de tempo

Já aqui escrevi umas linhas sobre a falta de tempo e as nossas prioridades. Para quem me conhece e começa já a dizer que não com a cabeça, o texto também se aplica a mim - um acto de contrição, se quiserem.
Costumo dizer que todos temos uma "agenda": a nossa família, o nosso trabalho e as nossas relações (independentemente do grau de afeição que possa haver nas mesmas). Contudo, a priorização que estabelecemos das nossas agendas é diferente de pessoa para pessoa e não raro, há expectativas que saem goradas.
A palavra certa é essa mesma : expectativas. Por exemplo, o imaginarmos que em algum momento entendemos que uma determinada pessoa vai agir de certa forma. Uma forma que entendemos (na nossa ideia) que seria a correcta. E por alguma razão as coisas não correm dessa forma. Daí advém facilmente o sentimento da frustração. Quem não passou já por isto? Pois.
Intimamente associado a tudo isto está a questão da falta de tempo. Ninguém gere a sua agenda de tal forma eficiente que consiga acudir a todas as solicitações. E acredito que sejam muitas e das mais variadas origens!
As boas notícias são que..é bom que hajam solicitações. Sejam de que tipo forem. Afinal somos importantes e alguém lembra-se de nós. A partir daí, e mais uma vez, "apenas" temos de gerir prioridades. As más notícias é que há um risco enorme de, pelo caminho, defraudarmos as expectativas de alguém. E acredito (e sei) que isso acontece com uma facilidade assustadoramente grande. Pelo facto da ordem de prioridades de duas pessoas não ser necessariamente a mesma. Esta constatação leva-me inevitavelmente a pensar que a vida é curta. Passa depressa. E que nada acontece por acaso. E que por vezes as coisas passam-nos ao lado...para não mais voltar a passar. Dá que pensar. Até ao próximo Domingo!

segunda-feira, setembro 11, 2017

Passeio Douro Vinhateiro

De memória, penso que foram raras as vezes que aqui falei do Norte de Portugal. Devo ter feito uma ou outra alusão ao Porto, mas de resto, pouco ou nada. O que acaba por ser normal, na medida em que mais nada conhecia além do Porto, até este final de semana.
Foram dois dias que dificilmente irei esquecer. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque fiz uma das coisas que mais gosto de fazer: todo-o-terreno. Em segundo lugar, porque pude experimentar a sério o jipe e não podia ter ficado mais contente com as prestações do mesmo, depois de tanto revés, como aqui fui partilhando. Em terceiro e último lugar porque fui brindado não só pela magnífica paisagem, bem como pelo facto de ter estado um fim de semana com um tempo espectacular.
Não tive muita oportunidade de lidar com as pessoas do Douro. Este evento foi milimetricamente organizado e sem grande tempo para se poder socializar com estas pessoas. Imaginem o que seria se cada um dos participantes se pusesse na conversa com os locais...facilmente se percebe que o mesmo talvez durasse até às Janeiras de 2018 - sim, eram muitos participantes!
As paisagens são lindíssimas. A visita a Foz Côa é obrigatória. A subida do Douro a barco e a descida de comboio usando a linha do Tua é obrigatória para quem quer realmente perceber a beleza nas margens do rio. E claro, não podia deixar de falar de Trancoso, que já conhecia do meu passeio a Santiago de Compostela.
Visitar o Douro Vinhateiro e não falar do vinho é quase um sacrilégio. Contudo, e infelizmente, não sou apreciador. Prefiro os vinhos do Alentejo. Se calhar não tão frutados ou não tão encorpados como os vinhos da região do Douro, mas mais do meu agrado. São gostos, no final do dia.
Quando se faz um passeio (bem) organizado, não só não há muito tempo livre - por forma a optimizar a agenda do evento - bem como já está tudo programado. Especialmente os locais onde se vai pernoitar e visitar e onde, naturalmente, se come. E aqui uma pequena nota de tristeza, porque os menús eram simples e daqueles que se podem comer em qualquer parte do País. Ou seja, sem serem de gastronomia típica. Globalmente, adorei o fim de semana. Óptimo e para repetir, com mais calma para poder usufruir em pleno de tudo o que esta região do País nos pode oferecer. Próximo destino...Alentejo! Claro!

domingo, setembro 03, 2017

Programas não programados...

Há programas que fazemos que têm um sabor diferente quando não são combinados. 
ão tenho tantos exemplos quanto isso, mas os que tenho são, sem qualquer sombra de dúvida, únicos.
Tudo começou com uma combinação de uma ida à praia. Sim, é verdade...eu (quem diria) a combinar uma ida à praia com um dos meus melhores amigos (um dos Jõoes - já aqui falei dele).
Muito resumidamente, o que sucedeu foi que em vez de aparecer só o João e a respectiva mulher e filha, apareceram também os irmãos (irmã e irmão e apêndices respectivos). Ou seja, em menos de nada, tinha um grupo na praia como há muito tempo não tinha e na qual fiquei na praia até desoras. Como há muito não ficava e se foi um dia bem passado!
A seguir à praia todo o grupo foi para "o petisco" e cheguei a casa já passava da meia-noite. Excelente programa (não programado) e em excelente companhia!!

domingo, agosto 27, 2017

Boxe

Há dias teve lugar o tão aclamado "combate de boxe do século". Ainda que alheado do mundo do boxe, resolvi encher-me de coragem e naquele início de madrugada, cheio de vontade, despachei-me cedo (2400H) para começar a seguir atentamente tudo o que se passava.
Os combates de boxe importantes têm algumas particularidades: são caros e movem multidões. Só com estes dois detalhes e rapidamente chegamos a valores movimentados / gerados na casa dos 7 algarismos significativos. Em menos de um fósforo.
Este combate em particular era  nem mais nem menos do que um desafio. Simplificando, um atleta de uma outra modalidade (MMA, desporto que congrega várias artes marciais e não só) desafiou um pugilista profissional com um "curriculum" isento de derrotas. Mais precisamente, 49 vitórias. Algo notório e invejável, portanto. E que naturalmente avivou o mundo das apostas. Muita gente deve ter apostado...e deve ter tido um retorno que lhe permitirá estar com um sorriso proporcional ao montante apostado. Ou seja, durante uns largos meses.
Para quem como eu que muito recentemente começou a treinar boxe (sim, é verdade) e que de forma esforçada tenta apreender as várias técnicas que há, foi com confessa e reconhecida curiosidade que "abanquei" na sala de estar para ver o combate com todo o conforto e calma. 
Pensei eu que conseguia ver nas calmas os 6 ou 7 combates que foram transmitidos antes "do" combate. Combates de somenos importância. Escusado será dizer que não foi possível chegar até às 2430H sem adormecer umas 4 vezes. E ainda não tinha começado a noite....
O combate propriamente dito teve 10 rondas (rounds no inglês) num total máximo de 12 acordados previamente. Ou seja...quem aguentasse mais pancada de pé, ganhava. Claro que o "desafiador" foi previamente avisado quanto à não permissão de utilização de uma série de golpes que utiliza habitualmente nas suas lutas e não são autorizados no boxe profissional. Sob pena de ter de sofrer sanções (e multas). E claro que o "desafiado", macaco velho em final de carreira, geriu o cansaço do outro (que está habituado a resolver as coisas em 2 rounds). E cansou-o até ao 10º. Os resultados são óbvios. 
Para não me adiantar muito mais no texto, vou resumir a minha apreciação. Não gostei do que vi. O combate começou eram 0500H e fui dormir eram 0635H. Nem nas minhas noites mais loucas  em que saía (e isto desde sempre) fiquei acordado até tão tarde. Fui deitar-me com um amargo de boca. Afinal, tanta coisa para nada. Um pugilista em final de carreira, com 40 e poucos anos de idade que quis sair em grande. E trabalhou para isso. Um atleta de "MMA" com 29 anos que quis mostrar ao mundo que era capaz de desafiar o melhor do mundo noutra modalidade. No final do dia, o pugilista encaixou 300 milhões de dólares na sua conta bancária e o outro atleta, 100 milhões de dólares. No meio disto tudo, demorei uma semana inteira a recuperar o sono.

domingo, agosto 20, 2017

Aplicações GPS

Sou uma daquelas pessoas que em décadas deverá ter usado o GPS umas dez vezes. No máximo. Sou do tempo de usar um aparelho que se colocava no vidro da frente do carro, com um "chip" comprado à parte com mapas. E assim eram feitas as viagens.
Alguns anos mais tarde, os próprios carros começaram a disponibilizar este equipamento como extra - hoje em dia a generalidade já traz como equipamento de séria. E já tive alguns carros com GPS. E finalmente o advento dos"smartphones".
Já aqui falei - embora de forma passageira - sobre a potencialidade destes pequenos aparelhos (hoje em dia pequenos outrora do tamanho de tijolos de alvenaria). Falarei com mais profundidade dos mesmos num próximo texto dedicado.
Com a chegada destes aparelhos, e legítimo dizer-se que só se perde quem quer. Ou porque não sabe o que é um GPS ou porque não tem um telefone esperto. Em jeito de acto de contrição, aqui o escriba andou uns bons anos sem perceber a funcionalidade que tinha à distância de 2 cliques e que lhe permite em menos de nada obter as direcções para qualquer ponto no planeta Terra. Estamos a falar de algo que tem associada uma precisão muito elevada (i.e. georeferenciação por satélite) e em alguns casos com um erro inferior a 1 metro!
O texto de hoje é escrito pelo facto de há algumas semanas atrás ter visto um "flash" de velocidade numa conhecida artéria periférica à cidade de Lisboa. É verdade. Não ía muito depressa, mas para aquela via estava em velocidade excessiva. Possivelmente receberei um postal em casa. A ver vamos. Bom, e o que tem uma coisa a ver com outra? Eu explico.
Há actualmente aplicações para os nossos telefones que ajudam (e muito) o condutor. Seguem o princípio de interacção dos condutores com a própria aplicação, em detrimento de uma solução "fechada" como havia no antigamente. Basicamente, os vários condutores que têm este tipo de aplicações instaladas nos telefones, usam-nas para ajudar todos os outros. Todos ganham. Desde segmentos no percurso de "A" para "B" onde é expectável mais trânsito, desde ter uma ideia de qual a hora de chegada tendo em consideração a fluidez do mesmo, eventos durante o trajecto (e.g. carros parados na berma, acidentes, trânsito intenso) e claro, as alternativas propostas para o trajecto inicial, por forma a não demorarmos 2 semanas a chegar ao mesmo, enfim, muitas vantagens.
Mas há uma funcionalidade que também está disponível em algumas destas aplicações e que podia ter evitado que tivesse visto o tal clarão naquela noite: a localização de radares de controlo de velocidade. É verdade. Trata-se nem mais nem menos do que a localização exacta dos pontos onde estão instalados os radares de controlo de velocidade. Não acho mal. O controlo de velocidade é tipicamente realizado em locais onde a probabilidade de ocorrência de acidentes é superior (i.e. histórico de acidentes ao longo dos anos num determinado ponto). Sendo instalados estes radares nestes pontos, há um propósito claro de minimizar a probabilidade de ocorrência dos acidentes nos pontos. No final do dia, se numa determinada zona, o condutor tiver conhecimento que há instalado um radar de controlo de velocidade, abrandará o seu ritmo e consequentemente deixa de haver "tanto" perigo e talvez seja evitado mais um acidente. Pelo menos causado pela velocidade... Mas era necessário a instalação destes radares? Sim. Por um lado pela receita extraordinária que representa para os cofres do Estado. Quem prevarica, paga - e agora fica sem pontos na carta de condução. Por outro lado e sem haver a sanção ou coima associada, ninguém respeita os limites de velocidade. Tem de haver uma responsabilização dos condutores. E já não vai lá com campanhas de sensibilização rodoviária.
Desde o dia em que vi o "flash" passei a usar uma conhecida aplicação. Não vou dizer o nome para não fazer publicidade, mas há várias aplicações que fazem este tipo de serviço. A grande desvantagem é mesmo o consumo de bateria. No caso do meu telefone, que não é certamente uma referência pela autonomia, vai-se num instante. Mas ando informado. Depois de ter "visto a luz". Casa roubada, trancas à porta.

domingo, agosto 13, 2017

Férias grandes

Na Sexta-Feira, depois do trabalho, fui ter com o Afonso à Terceira. É indescritível a felicidade com que ficou de me ver. E isso é impagável, naturalmente.
Durante os próximos dias vai estar comigo. Noto uma enorme evolução e cada vez mais interactivo.
Continuando a reforçar a minha decisão de fazer praia este ano, é claro que o meu "compincha" irá fazer parte das minhas idas. Muita brincadeira. Jogatanas de bola e raquetes. Corridas. Idas à água. Jogos de tabuleiro. Fichas (pré-escolares), entre tantas outras coisas. Vão ser umas férias bem boas, garantidamente!! Boas férias a quem não gozou e como eu vai ainda gozar!!

domingo, agosto 06, 2017

Treinadores de Bancada

Há umas semanas atrás, como já aqui tive oportunidade de referir, intervi num artigo da internet sobre um tema da aviação e concretamente uma companhia de aviação bem conhecida. Não sou especialista na matéria, bem sei, mas saberei um pouco mais do tema que o comum dos mortais. E em especial dos jornalistas "pára-quedistas" que querem "o" furo da vida.
Não tenho qualquer ligação a este piloto ou à companhia de aviação visada. Mas custa-me bastante ver uma pessoa ser crucificada pela opinião pública em consequência de um artigo jornalístico mal escrito, impreciso e com uma linha de condução do mesmo verdadeiramente surreal. E intervi, em prol da reposição da verdade no tema e apontando as lacunas no artigo. Dezenas de pessoas deram-me razão.
A falta de temas não pode, em circunstância alguma, justificar o mau jornalismo. Em nada dignifica esta classe. Nada mesmo. Costuma-se dizer - e uso muitas vezes este chavão- que é preciso muito pouco para alguém passar de bestial a besta. Segundos. E com o jornalismo é algo que acontece de forma muito simples. Basta um artigo tendencioso. Ou, fora do jornalismo, uma partilha verbal de algo que não corresponde à verdade. O também chamado boato.
Em todo o caso, qualquer que seja a situação, aparecem logo os "Doutores-da-razão". Pessoas que não têm mais nada que fazer do que opinar sobre assuntos que não sabem. Desconhecem, mas querem dar a sua opinião, na generalidade das vezes, infundada e até gratuitamente ofensiva. É só mau. Faz-me lembrar os camelos que abrandam (e param) para orçamentar os sinistros que acontecem nas nossas estradas. Haja paciência!!

domingo, julho 30, 2017

Anglicismos

Assisti ontem, à hora do almoço, a um programa no primeiro canal do Estado que tem o nome de "Provedor do telespectador". Para quem não sabe, é um programa dedicado aos telespectadores. Basicamente, opiniões e queixas que podem ser enviadas para esta pessoa (Provedor dos telespectador) que depois escolherá e abordará semanalmente nesta rubrica televisiva.
Já tinha visto este programa há uns meses. Lembro-me na altura de não ter achado nada de especial, mas, por alguma razão que me escapa agora, tinha-me abstido de o comentar aqui. Ou porque me esqueci ou porque simplesmente não tinha intenção de o fazer.
Da primeira vez que assisti ao mesmo, fiquei com a ideia de se tratar de mais um daqueles programas destinados aos telespectadores com (muito) tempo livre e zero preocupações. Ou seja, pessoas tipicamente com idades mais avançadas e para quem a televisão (e este canal em particular) é uma companhia. Pessoas que apontam num papel o que acham que está mal e depois elas mesmas (ou alguém a seu pedido) faz chegar essas anotações a este Provedor dos telespectadores.
A escolha do apresentador deste programa não poderia ser pior. Não sei como o encontraram ou de que prateleira da RTP o foram tirar. Imaginem uma pessoa circunspecta e que não mostra os dentes (não sorri e muito menos ri). Com um modelo de óculos (para ler) mais antigo que os da minha avó Filomena e com um figuro muito, mas muito forçado. Para uma pessoa destas, que parou no tempo, e ser do estilo conservador, ter um "blazer" e uma camisa sem gravata "só" lhe deve causar arrepios durante todas as gravações do programa. Demasiado forçado. E percebe-se claramente que a apresentação televisiva não é o seu forte. Coordenação forçadíssima e péssima com as câmaras. Pouco à vontade. Enfim, sofrível.
O tema do programa de ontem era a utilização dos anglicismos - utilização de termos inglês. Deve ter havido alguém que se queixou, em algum momento, da utilização profusa dos termos ingleses. Houve a participação de uma convidada, professora de línguas, que rapidamente se percebeu que também não estava particularmente à vontade com as câmeras. Mesmo assim melhor que o Provedor. 
Por muito que seja defensor da língua portuguesa (escrita e falada), tenho de admitir que utilizo muito, mas muito o inglês no meu léxico. Para começar, derivado da minha profissão e depois porque o inglês facilita a vida às pessoas. Ninguém (no seu juízo normal) diz que comer "comida rápida" faz mal. Ou que perdeu a ligação com "a rede global virtual" (internet). Entre milhões de exemplos que poderia dar de palavras perfeitamente enraizadas na nossa língua.
Com a saída do Reino Unido da União Europeia, não perspectivo que se deixe de recorrer aos anglicismos. Vieram para ficar. E no final do dia...facilitam a nossa vida! See you next week!

domingo, julho 23, 2017

Casamentos

Não sou uma pessoa de casamentos. Não está em causa o ser ou não católico. Não é disso que falo. Compreendo e aceito (mais este) sacramento da Igreja.
A minha questão é outra. A festa. Acho uma seca. A sério. Claro que devo ser a única pessoa do mundo que não acha piada alguma (já estou habituado), mas é um facto perfeitamente líquido e claro para mim.
Para começar, e nem percebo bem o porquê, 99% dos casamentos a que fui, tiveram lugar no Verão. Ora, ir a um casamento no Verão com fato vestido e gravata é só péssimo. Não que tenha qualquer problema em vestir um fato (até gosto). A questão é ter de o vestir o fato e a gravata no Verão. Para uma pessoa como eu, que "adora-o-calor", ir a um casamento no Verão (de fato e gravata) é quase o mesmo que me pedir que vá até à praia de sobretudo. Exactamente ao mesmo nível.
Vou saltar a parte da espera das 2 horas e meia que os noivos demoram a tirar as fotos. Exasperante. Às vezes dou comigo a pensar se serão fotos tiradas apenas com os convivas ou, se por alguma razão, também se tiram fotos com os 90 empregados de serviço no copo d'água. Talvez seja essa uma da(s) razões/razão da demora.
Este texto surge na sequência de um casamento a que fui ontem, no Norte de Portugal. E claro, Verão, embora o tempo estivesse de feição. Quente, mas não abusivamente. E por isso suportei melhor. Mas há detalhes que não consegui abstrair-me.
O facto de, por exemplo, se rasparem os restos de comida dos pratos ao lado das mesmas, quando os mesmos são recolhidos roça o surrealismo. Ou falta de profissionalismo - mas não de simpatia dos empregados, no caso do casamento de ontem. Ou seja, os empregados foram/são ensinados dessa forma (errada) de o fazer. Talvez em todos os casamentos aconteça isto. É uma forma de serem evitadas 900 idas e voltas à cozinha. Mas trata-se apenas um detalhe. 
O "melhor", para mim, é precisamente a abertura da pista após a dança dos noivos. Aqui sim. É como se chegasse um novo grupo de pessoas. Transfiguram-se. E vêem-se espectáculos que roçam o ridículo. Não, e não é o meu mau feitio a falar. É mesmo uma questão de bom senso e gosto. No meu caso, particularmente refinado (e crítico) quando o "DJ-de-serviço" aposta em ritmos latinos (i.e. Daniela Mercury, Gipsy Kings, etc.). Já pensei em filmar e colocar no "youtube". Ainda ganhava umas massas valentes com isso.
Moral da história: Espero tão cedo não ter de ir a casamentos.

domingo, julho 16, 2017

A liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Ou seja, em bom rigor, é algo que qualquer cidadão português tem seu, independentemente do seu sexo, idade, credo ou raça.
Até aqui não há novidade. Também me parece líquido que uma pessoa - pública ou não - que partilha a sua opinião publicamente (e.g. entrevista televisiva, jornal ou mundo virtual) se sujeita à crítica do cidadão anónimo (ou não).
Este meu espaço (blog) é um local de partilha das minhas opiniões e convicções. Partilho - com quem me lê habitualmente - as minhas ideias/opiniões. Há pessoas que lêem um dos meus textos e se calhar não regressam a este espaço e outras que me têm seguido. Algumas há vários anos. Não gosto de utilizar a palavra "seguidores" para não parecer pretensioso. Prefiro..."pessoas-que-gostam-do-que-lêem-e-voltam". Será um pouco o equilíbrio que se cria entre os leitores que vêm (e não voltam) e os que vêm e se mantêm fiéis. Tal como acontecerá com vários outros milhares de "bloggers" por esse mundo virtual fora.
Tenho defendido que a liberdade de expressão é um pau de dois bicos. Por um lado, assusta-me verdadeiramente a facilidade com que alguém passa de "bestial a besta" em menos de um fósforo. É verdade. Já aqui falei disso. A falta de profissionalismo / investigação gritante em imensas peças jornalísticas, a pressão que penso que haverá nas redacções para que os artigos saiam rapidamente para a rua só pode ter como resultado artigos maus. Pobres. Com inverdades e reveladoras que o profissional do jornalismo escreve um artigo sentado à secretária "googlando" - sendo que há muita informação disponível falsa e sem qualquer fundamento. E por isso mesmo, ainda há dias partilhei uma opinião pessoal / técnica num espaço público com uma parte para comentários. Tratava-se de umm assunto relativo ao tema da aviação. Não sou de comentar artigos, mas confesso que foi mais forte que eu. E tudo isto em prol da reposição da verdade. E quase que vestindo a capa de defensor daquele visado no artigo, que foi crucificado (sem o saber) em hasta pública por um jornalista.  
Mas há outro tipo de atropelo da liberdade de expressão. Reside no facto de alguém não poder partilhar publicamente o que e como sente. O princípio peca por ser perverso e reduz substancialmente (e quase anula) o alcance da palavra democracia conquistada há 43 anos. Falo, naturalmente das opiniões pessoais de figuras públicas. Sendo que algumas, sem qualquer problema partilham o que pensam. Tipicamente as pessoas que nada devem a quem quer que seja. E cujas opiniões nem sempre são aceites ou percebidas pela opinião pública. 
A nossa sociedade é um pouco a sociedade do "faz de conta". É mais conveniente (cai melhor) dizer que tenho amigos "gays", ou que gosto do futebolista "A" ou "B" e que percebo perfeitamente a contestação que há em determinadas minorias étnicas do que o contrário. Afinal, tudo isto (aparte do futebolista) configura ou sugere tolerância e abertura de espírito. Todos diferentes, todos iguais. Mas a nossa realidade não é essa. As estatísticas acabam por ser manipuladas e não revelam os números verdadeiros. E as sondagens pecam por ser construídas com base em amostras que não são verdadeiramente reveladoras do que quer que seja para se discutir interna e seriamente, como por exemplo, a homossexualidade ou o racismo. E é precisamente essa análise que tem de ser realizada com toda a frontalidade. Alguém terá dúvidas que uma amostra de opinião sobre estes dois temas terá resultados diferentes entre jovens (18-35 anos) e a faixa etária dos 40-60 anos? Ou sou só eu quem percebe isso? É precisamente esse tipo de discussão que tem de haver. É esse tipo de conversa pública que não há. 
Estou perfeitamente à vontade para abordar estes tema porque, como aqui já referi neste espaço (sendo que fui duramente criticado na altura) fui educado de determinada forma (independentemente de ser a certa ou não) e hoje em dia a compreensão que tenho dos mesmos é outra. Contudo, a minha forma de pensar e de estar na vida actual não reflecte de todo, e mais uma vez, a forma de pensar / estar da nossa sociedade. Da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera. E enquanto uma pessoa não puder exprimir livremente a sua opinião sem que aqueles que discordam da mesma o/a "apedrejem", não se pode falar em liberdade de expressão.

domingo, julho 09, 2017

Casa nova

É verdade. Depois de alguns anos sem dedicar especial atenção ao tema, decidi, recentemente, voltar à carga na questão da compra de uma casa. Sem grandes urgências e sem grandes correrias. Nas calmas.
A escolha será feita tendo por base um natural e expectável equilíbrio entre o campo racional e o campo emotivo.
A compra de uma casa, para mim, é algo que tenho como sendo um investimento. Penso que neste ponto ninguém terá uma opinião diferente. Se durante vários anos - e até há bem pouco tempo - a compra de carros revelava-se como algo prioritário e acabava inevitavelmente por realizar compras por impulso, o presente momento é outro. E a compra de uma casa passou a ter mais da minha atenção.
Emotivamente falando, creio que se aplicará um critério (entre vários) que me caracteriza. A casa tem de me dizer algo. E perspectivo que será uma escolha bem difícil. Preciso de "sentir" a casa. Ainda que seja necessário fazer obras (poucas ou muitas) preciso de "sentir" que aquele é o meu espaço e que tem potencial / margem para que eu me possa identificar. Experiência sensorial a trabalhar! Irei dando notícias! :)

domingo, julho 02, 2017

Responsabilização Política

Que Portugal é um País de brandos costumes, ninguém tem dúvidas. E os últimos acontecimentos mais mediáticos mostram precisamente isso.
Destaco os dois que me parecem ser bons exemplos disso mesmo: o fatídico incêndio de Pedrogão e o roubo de material militar de Tancos.
Há vários exemplos de Países - por exemplo Norte da Europa - que quando deparados com situações do género, em que há uma falha, têm como acção imediata o afastamento do responsável máximo de determinada pasta até que seja concluída a investigação e apuramento da responsabilidade. Por cá é precisamente o contrário. Primeiramente há um "empolanço" da notícia sem precedentes. Como se o mundo fosse terminar daí a duas horas. Depois, atiça-se a opinião pública com alguns detalhes mais podres. E naturalmente que a opinião pública pede a sangue. Depois há como que um trabalho de redacção, dos "media", que consiste em orientar a opinião pública para determinados pormenores mórbidos, dessa pessoa e aludindo à inacção por parte do Executivo face a factos. Para terminar...como os "barões" do Executivo (e fora dele) entendem que não é altura dessa pessoa sair, não sai. São dadas orientações às redacções para acabar com o "achincalhamento" e consequentemente cai-se no esquecimento. Afinal, há notícias todos os dias para fazer manchetes!! 
Os dois exemplos que dei atrás eram motivo suficiente e o bastante para que os responsáveis tivessem de imediato colocado o seu lugar à disposição até que fosse apurada a cabal responsabilidade. Afinal, tutelam pastas que revelaram deficiências graves. E são em primeira análise quem responde pelas mesmas. Mas continua tudo na mesma. Com os mesmíssimos brandos costumes e o tão característico nacional porreirismo!!

domingo, junho 25, 2017

A descoordenação dos "media"

Não há jornal ou bloco noticioso que não tenha realizado uma manchete relativa ao infeliz acontecimento que a semana passada ceifou a vida a quase 70 pessoas. O que em alguns casos, até consigo, com algum esforço, perceber (e não rotular) como sendo uma ferramenta ardilosa para o aproveitamento ou ainda um "meio-para-obter-share". E antes que comecem as vozes dissonantes, eu explico.
Já aqui tenho feito referência por várias vezes à grande diferença entre o bom e o mau jornalismo. O bom jornalismo dá trabalho. O mau jornalismo não. O bom jornalismo demora tempo porque sugere ou porque requer investigação. O mau jornalismo capta a atenção do público em geral por via de alguma parangona sensacionalista. Neste 2º tipo de jornalismo (i.e. mau), a maioria das notícias é infundada. Baseada em falácias e em imprecisões técnicas, por vezes gritantes.
Há um bom exemplo recente de há poucos dias. Numa altura em que os portugueses querem e precisam (avidamente) de informação quanto ao que se passou em Pedrogão Grande na semana passada - bem como o que falhou - surgem a notícia de governantes cercados por um fogo descontrolado ou ainda uma outra notícia que dava conta de um avião que tinha caído aquando do combate numa determinada frente de incêndio. Mais tarde veio a confirmar-se ter sido ou "roulotte" que se incendiou e não um avião que se tinha despenhado. E os governantes estavam de perfeita saúde.
Não me ocorre uma fórmula perfeita para que se consiga prevenir este tipo de questões. Irá haver sempre estas notícias e esta tornada possível diferenciação. Por um lado, uma clara e certa pressão enorme nas redacções com vista à obtenção de tiragens máximas e picos de audiência. Por outro lado, antipodamente, uma consolidação do jornalismo de investigação. E até concebo que possam existir os 2 tipos de jornalismo na mesma redacção!
A uma semana de distância de mais um episódio que marca a história de Portugal, é notória uma clara tentativa de responsabilização de alguém por este acontecimento. Tenho lido, com atenção, artigos de opinião em vários jornais bem como assisto a alguns comentários televisivos alusivos ao tema. Mais uma vez, Portugal quer sangue. Quer crucificar alguém na praça pública em detrimento de perceber um claro desordenamento territorial perpetuado há décadas. Interesses económicos profundamente enraizados na economia portuguesa. Ou aceitar que tudo tenha acontecido....naturalmente. Algo provocado pela natureza e assim, localmente, estivessem reunidas as condições óptimas para que tudo tivesse acontecido como aconteceu. Não falo obviamente da subsequente descoordenação dos meios de combate. Falo só da causa de tudo isto. Pelo meio ficam 70 famílias que perderam entes queridos e que assistem incrédulas à lavagem da roupa suja que se tem feito. Pior é difícil.

domingo, junho 18, 2017

Incêndio Pedrogão Grande

Mais um ano e mais um texto meu relativo aos incêndios. Todos os anos escrevo sobre este tema. O que revela que as coisas, infelizmente, estão (quase) na mesma.
Portugal acordou com a notícia de - números apurados à hora desta manhã de Domingo - 43 pessoas que perderam a vida no incêndio de Pedrogão Grande. Naturalmente que é de lamentar a perda destas vidas humanas, mas também é o momento certo para serem apuradas as responsabilidades.

Ou seja, espero sinceramente que este seja um evento isolado e que mereça a melhor das atenções por parte de quem governa a nossa Nação. O meu coração estão com as famílias de quem perdeu entes queridos neste infeliz e fatídico momento. Portugal está de luto. Paz às almas dos que partiram.

terça-feira, junho 13, 2017

Regresso à Praia

Calma. Regressar à praia não significa que tenha passado a adorar a praia. Não aconteceu e não irá acontecer. Ir à praia tem associado algumas variáveis que, devidamente conjugadas, conduzem a um resultado que normalmente não me é favorável. Demasiado calor (naqueles dias em que não corre brisa), vento (que levanta a areia), lixo na areia, água fria e pessoas mal-educadas são algumas dessas variáveis que me mantêm, não raro, afastado da praia. Contudo, este ano, o paradigma e abordagem (minha) para com a praia foi alterada.
Para começar, vou para a praia de manhã, cedo. E saio da praia à hora a que tantas vezes cheguei. Faz a diferença toda. Não fico parado na toalha. Circulo. Vou andar a pé. Espairecer. Desopilar. Ver as vistas. E escuso de ficar a torrar na toalha. Vamos ver como corre a partir daqui. Com esta nova forma de estar.

domingo, junho 04, 2017

87ª Feira do Livro de Lisboa

Mais um ano e mais uma visita à Feira do Livro de Lisboa. Desde que me conheço que vou à Feira do Livro. E se não estou em erro, devo ter falhado uma ou duas edições.
Ontem fui à Feira do Livro deste ano. A 87ª Edição, para ser mais preciso. Quem, com eu, já tem vindo a acompanhar as várias edições, pode, com segurança ter um padrão de comparação e perceber o que tem melhorado. Ou nem tanto.
A Feira do Livro é mais do que um evento em que se reúnem vários livreiros, editoras e alfarrabistas. É um momento em que as famílias, por exemplo, quer de dia (parte da tarde) quer à noite, podem usufruir de uma pequena "faixa verde" (Parque Eduardo VII) enquanto procuram um determinado livro (ou as últimas edições de um(a) determinado(a) autor(a)).
Percebe-se facilmente que são várias as editoras que não estão presentes nesta edição da Feira do Livro. Ou porque resolveram não participar ou porque deixaram de existir (i.e. falência) ou ainda porque foram absorvidas pelos grandes grupos. Em todo o caso, o resultado final, é precisamente não haver representantes (barracas) acima de metade do Parque Eduardo VII. Ainda sou do tempo de haver barracas em toda a extensão deste Parque. Mas também é certo que havia menos "condensação" de barracas. Havia 2 filas de barracas em cada corredor do Parque (4 no total). Actualmente há 8 filas de barracas o que faz com que se tenha de "ziguezaguear" entre as 4 filas de barracas de um lado e as 4 do lado oposto para ver as coisas com calma. Talvez seja este o porquê de não haver uma mancha de barracas mais dispersa como houve até há uns anos atrás e que permitia perceber uma mancha colorida em todo o Parque.
Outro aspecto menos bom é a presença da restauração. Um fenómeno que tenho vindo a perceber com mais atenção desde há 3 anos a esta parte. A cada 5 metros que se percorre há uma "roulotte" com cachorros ou hambúrgueres dos "franchisings" que agora estão na moda. E é aflitiva esta realidade em contraponto com a existência de uma ou duas casas de bifanas e pregos de há 25 anos atrás. A tendência será qualquer dia haver mais soluções para comer do que para comprar um livro. E isto desvirtua por completo o conceito do evento.
Espero para o ano não ficar com a sensação que tenho este ano. Que a Feira do Livro tem vindo a perder qualidade.

domingo, maio 28, 2017

Visita surpresa + Cansaço

Visita surpresa

Na 6F passada (26.05) foi mais um aniversário da minha mãe. E que teve uma visita surpresa: meu irmão e família.
Tenho para mim que para a generalidade das pessoas talvez seja complexa a realização de um exercício simples: imaginar que algum familiar/ente querido está longe, e objectivamente com um oceano pelo meio. Não conheço muitas pessoas na mesma condição. Mas é o que acontece. Bem sei que hoje em dia a viagem para os Açores é rápida, mas, como concordarão comigo, era mais fácil estar tudo no mesmo pedaço de terra, ainda que a 2H de distância! 
Eu já tinha conhecimento desta surpresa. O meu irmão tinha-me dito no início da semana passada que viriam no final do dia de 6F para jantar connosco. Assim sendo, organizei-me por forma a sair do trabalho, ir comprar um ramo de flores e ir a casa entregar. Passados 20 minutos, o meu irmão enviou "sms" a informar que tinha acabado de aterrar. Nesse compasso de tempo (espera pela bagagem do porão), fui ao supermercado comprar um bolo e duas velas para o Afonso entregar à avó. Fui ao aeroporto buscá-los. Voltei para casa e assisti ao ar de deleite da minha mãe, com esta surpresa. Deixei cunhada e princesa em casa e fui com meu irmão e Afonso buscar o jantar - afinal a minha mãe não estava preparada para esta surpresas - nem tampouco desconfiava. No final do dia, no momento em que escrevo estas linhas, tenho cá a família. Na mesma região geográfica. O que é simplesmente único.

Cansaço

No seguimento do texto anterior, partilho convosco que chego a esta altura do meio do ano de língua de fora. Cansado. Os treinos, o pouco intervalo de descanso e uma actividade profissional marcada nos últimos meses por alguns picos de trabalho, conduzem a que esteja verdadeiramente cansado. Por outro lado, neste momento, estou lesionado: na zona do peito (desde há duas semanas que ao fazer uns exercícios no crossfit me magoei). E passados alguns dias dessa lesão no peito, magoei-me no ombro direito numa das aulas de Krav. É a velhice! Tenho aproveitado estas últimas semanas para repousar - só do crossfit por ser mais intenso e trabalhar com pêsos. No próximo final de semana tenho um evento de Krav e quero estar (quase) a 100% pelo que faz sentido não abusar da sorte nestes dias. E tenho sentido menos cansaço. Mas ainda assim...algum!

Boa semana para todos(as)!

domingo, maio 21, 2017

Restauração sem crianças + Tribunal

Restauração sem crianças

Já tenho lido várias vezes sobre o tema e embora já me tivesse ocorrido aqui desenvolver o mesmo, por razões diversas (incluindo o esquecimento) ainda não tinha aqui escrito.
Para início de "conversa", partilho já que adoro crianças. Há aspectos na nossa vida que não têm valor e o amor que as crianças sentem por nós (e vice-versa) é uma delas e naturalmente impagável. Mas a minha questão não é esta nem é isso que me interessa desenvolver, de tão óbvio que é.
Há uma filosofia relativamente recente por cá, em Portugal, da não aceitação de crianças em restaurantes e hotéis. Acredito que as pessoas que estão à frente destes estabelecimentos sejam também pais e adorem crianças. Não será o ponto.
Há duas formas de abordar a questão: a) Descanso e b) Pessoas que não gostam de crianças -  e pagam um preço alto (literalmente) por isso mesmo.
O tema "descanso" parece-me óbvio. Basicamente, pessoas que têm filhos e que por alguns dias..."não querem ter". Descanso dos filhos. Acho que todos pensam nisso, mas poucos o assumem. Faz parte. E, sem querer desenvolver muito profundamente o tema, compreendo e até acho normal. Claro está que os filhos teriam de ficar com quem garantisse a segurança dos mesmos. Lógico.
O outro aspecto, "pessoas que não gostam de crianças" é bem mais controverso. Tipicamente são pessoas que optaram por não ter filhos. E a vontade dessas pessoas terá de ser respeitada. Da mesma forma que se respeita o medo que alguém possa ter de um cão. Mas são pessoas que pagam para ter essa privacidade. E que não querem ouvir o berreiro dos filhos ou serem incomodados(as).
Em qualquer um dos casos, este tipo de estabelecimento seguidor desta filosofia é, por via da exclusividade, inacessível à bolsa do comum mortal. E com mais aderentes, a cada dia que passa.

Tribunal

Esta semana foi marcada, no início, por uma ida minha a tribunal, enquanto testemunha / perito num processo lá do trabalho.
Desta vez fui inquirido pela parte contrária, ou seja, pelos advogados da outra parte (acusação).
As questões foram colocadas, curiosamente, por uma advogada que é minha amiga de adolescência. 
Como em tudo em que me envolvo, estudei bem a lição. Além do facto da minha inquirição ser sobre um tema que domino e lido diariamente. E estava atento às questões. Muito atento mesmo.
O resultado para quem coloca as questões, quando apanha uma testemunha com a preparação que tinha, não podia ser pior ou mais desastroso. Entre desmontar por completo algumas teses frágeis até corrigir alguns aspectos...é mau. E retira credibilidade ao trabalho realizado - penso eu que mal - pela parte contrária. Teria de ser feito um trabalho muito melhor, mais exaustivo - o que é perfeitamente impossível para alguém que não lida com estes temas numa base regular. Aí residiu o meu ponto forte.
Saí de lá com um "Pode ir à sua vida" proferido pelo Sr. Dr. Juíz. E com o sentimento de dever cumprido.

domingo, maio 14, 2017

Aquarius + Visita do Papa + Mata Leão

Aquarius 
 
Comecei há relativamente pouco tempo a seguir (mais uma) série. Chama-se "Aquarius", tem cerca de 2 anos e é, essencialmente, sobre a vida de Charles Manson.
Muito resumidamente, esta personagem - ainda vivo e condenado a prisão perpétua - é considerado o fundador e líder de um grupo de culto nos anos 60, nos USA. A história tem duas personagens principais: o detective Sam Hodiak (muito bem interpretado pelo já nosso conhecido David Duchovny) e o próprio Charles cujo papel é interpretado pelo (para mim desconhecido) Gethin Anthony. E em resumo é uma história que se desenrola em torno destas duas personagens, o grupo de seguidores de Charles e mais 3 ou 4 personagens que dão forma e consistência a esta história. Muito interessante, e para quem gosta do género de enredo para se perceber um pouco a mente deste criminoso.

Visita do Papa

Sem  dúvida o melhor dos Papas dos últimos anos. Elemento agregador e conciliador. Corajoso. É aceite pelos vários líderes religiosos e todos os líderes das nações ao nível internacional. Esteve em Portugal por ocasião do 13 de Maio. Excelente momento para os cristãos católicos (e não só) que puderem presenciar a aura que este representante da Igreja Católica tem ao vivo. Muitos portugueses (emigrados) vieram mais cedo a Portugal para poder ver, na sua Pátria, o Papa em Fátima. 

Mata Leão

O mata leão é uma técnica de estrangulamento utilizada em algumas artes marciais. Trata-se de uma técnica muitíssimo poderosa, na qual o agressor apenas e só tem de se preocupar em executar bem a técnica e a vítima em saber defender-se da mesma. Não é fácil. E falo por experiência própria, na medida em que sei executar a técnica e conheço a defesa. 
Este estrangulamento é, logicamente, tanto mais eficaz quanto melhor fôr executado. Umas das consequências é efectivamente o desmaio.
A razão do desmaio em consequência deste estrangulamento está associada mais ligada com a alteração da vascularização cerebral do que com a diminuição do fluxo de ar para os pulmões. 

O cérebro tem uma actividade bastante intensa, sendo responsável, em repouso, por cerca de 20% da energia consumida por todo o nosso organismo. Para a manutenção dessa actividade, é necessário que o aporte de sangue seja bastante elevado para o fornecimento da energia e de Oxigénio. 

Um estrangulamento bem realizado dificulta naturalmente a ventilação dos pulmões e a troca de ar através da respiração, mas também se sabe que um indivíduo saudável (não-treinado) consegue  manter-se em apneia (sem respirar) por um período médio de tempo de 60 a 120 segundos sem perder a consciência, já que a concentração do Oxigénio transportado pelas hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) vai caindo lentamente após a interrupção da respiração. 

Por outro lado, ao exercermos uma pressão sobre ambas as laterais do pescoço de um oponente em um estrangulamento bem feito, promovemos com que ocorra uma interrupção imediata da circulação cerebral por compressão das artérias carótidas e veias jugulares, cessando abruptamente todo o aporte de energia e de Oxigénio ao cérebro. Por esta razão, a interrupção da circulação, por apenas 10 segundos, já é suficiente para levar à uma alteração do funcionamento do tecido cerebral que tem, como consequência, o desmaio.

Tudo isto serve para partilhar a minha opinião sobre o vídeo do cidadão brasileiro e do militar da GNR. Estou 100% de acordo com a acção do militar. Afinal, trata-se de um cidadão que desobedece a uma ordem de um agente da autoridade - identificado como tal - e que regressou à repartição de finanças depois de ter sido escoltado pelo militar até ao exterior. Até aqui estou de acordo. A acção do militar foi atempada. 

O que não posso concordar é precisamente com a utilização do "mata leão" para uma pessoa que não ofereceu resistência (e.g. lutou) ou seja, não configurava uma ameaça tal que justificasse a aplicação desta técnica de estrangulamento. E posso dizer isto, como refiro acima, com conhecimento de causa. 

Para a situação em causa, o militar tinha ao seu dispôr outro tipo de medidas dissuasoras disponíveis. Basicamente, o que aconteceu foi não ter sido efectuada uma leitura correcta da ameaça. E que este militar, em concreto, sendo praticante de artes marciais, teria de ser conhecido o tempo de prática cada uma delas. Mas nunca a técnica do mata leão deveria ter sido utilizada nesta situação em particular. 

Agora, resta saber o que  irá acontecer ao militar, na medida em que o código da GNR (revisto em 2014) é claro na forma como estas situações concretas têm de ser abordadas pelos militares.

domingo, maio 07, 2017

Resgate de Viaturas no TT

O TT (Todo-o-Terreno) ou o fora de estrada, é uma actividade de lazer que reúne cada vez mais adeptos. Afinal, é algo pode ser praticado durante todo o ano, na medida em que há centenas de passeios organizados para esse fim e, claro está, sendo praticado por várias pessoas, há uma necessidade imperiosa de haver a adopção de algumas práticas seguras.
Realizei ontem um curso de resgate de viaturas TT. Resumidamente, um curso que permitiu perceber a abordagem correcta das várias técnicas utilizadas neste tema (resgate de viaturas TT) para que um passeio entre amigos não fique estragado marcado por alguma técnica mal realizada. Ou que não se passem horas intermináveis a executar algo que pode ser resolvido de forma célere. Ou, e o mais importante de tudo isto, poder evitar algum acidente grave.
Este curso, entre tantos outros que espero vir a realizar, complementa a minha formação no TT. Quando me iniciei há alguns anos devia de imediato ter tido este tipo de acção de formação. Não que tenha tido necessidade de aplicar muitas das técnicas que aprendi ontem...mas sim porque aquelas que vi realizar, poderiam ter sido realizadas em ambiente de segurança. E na generalidade das vezes não o são.
Como se costuma dizer, o saber não ocupa lugar. E nunca é tarde para aprendermos aquilo que poderá fazer a diferença em situações concretas! E em casos pontuais, poderá mesmo ser a condição necessária para a preservação da nossa vida.

domingo, abril 30, 2017

Novo Desafio

Este é um dos temas que (para já) não posso desenvolver muito. O que posso aqui e agora partilhar é que o facto de alguém se ter lembrado do meu nome para me lançar um novo desafio pessoal. A seu tempo, e caso se concretize, partilharei mais dados e, naturalmente, falarei um pouco mais do tema. Para já, e neste momento, pouco mais posso dizer.  Tenham mais um pouco de paciência!

domingo, abril 23, 2017

Passeio de Sábado

Ontem foi dia de passeio longo. Fiz algo que já queria ter feito há muito tempo e que, aqui entre nós, adoro fazer. Ir à Baixa a pé. Tive a sorte de ter um dia de feição pelo que o passeio ainda correu melhor. Nem muito frio nem muito calor, com uma agradável brisa.
Ir à Baixa é algo que vai buscar as minhas memórias de infância. O apanhar o táxi (ou o autocarro de dois andares) no Rossio. O andar a pé (eu e o irmão a passar as passas do Algarve) e entrar em todas as lojas que a minha mãe queria entrar. Pior que isso só mesmo levar uma martelada com toda a força no dedo mindinho da mão esquerda. Mas fazia parte.
A ideia do passeio de ontem não era tanto o visitar lojas, mas sim o passear um pouco a pé na Baixa. Saí no Saldanha e desci tudo até à Avenida da Liberdade, passei pelo Chiado, Largo de Camões e fui até ao Cais do Sodré. E depois fiz o caminho inverso até ao Saldanha (estação de metro onde cheguei e onde parti para voltar para casa).
Nesta altura do ano a Baixa é "assaltada" pelo turismo. Muitos, muitos mesmo. Aliás, começa nesta altura e deverá durar até cerca de Setembro ou Outubro, a época "alta". As lojas estão abertas até tarde e as esplanadas cheias. O tempo é convidativo e, pela primeira vez, vi não só uma organização clara desta zona da cidade (tendo por objectivo o atrair e bem receber o turista) bem como uma clara oferta de "tuc tuc". Isto sim. Nunca imaginei que houvesse tanta, mas tanta oferta. Chego a pensar que a oferta é superior à procura...para ser sincero.
Gostei muito deste passeio. Nas calmas. Sem pressas. Foi um dia inteiro muito bem passado.

domingo, abril 16, 2017

Páscoa

Mais uma Páscoa. Não há muito a dizer sobre o dia, a não ser uma repetição de todo uma série de rituais próprios da época. Não podia deixar de aqui vir e deixar uma Santa Páscoa a todos(as) os meus seguidores(as).

domingo, abril 09, 2017

Final das Férias

O final das férias é, normalmente, um momento nostálgico. Durante "n" dias não há horários, e não raro podemos dormir até não aguentar mais.
Nesta semana de férias tive os miúdos comigo. Ele muito mais interactivo e, mais do que nunca, cúmplice. É giro perceber isso e naturalmente explorar esse ângulo, provocando uma série de momentos a dois em que aumenta significativamente a partilha de experiências. Ela ainda muito dependente dos pais e a querer colo dos mesmos. Noto uma evolução imensa, na medida em que já anda imenso, mas ainda não está naquele ponto que permita ir dar um passeio.
Não sendo a minha praia, consegui arranjar dois convites para a exposição das motas na FIL e acabei por ir com o Afonso. Eu gosto de motas, como é sabido, mas não é uma paixão como aquela que tenho com os carros. Mas era (mais) um momento em que podia usufruir da companhia do meu cúmplice. E correu tudo optimamente bem. Sendo que foi quando já estávamos a sair da exposição  lembrou-se de tirar fotos em cima das motas. E acho muito bem. Não estava era ter de ver a exposição toda de novo e tirar cerca de 50 fotos. Mas faz parte. A seguir às motas fomos comer um gelado - claro que ele teve mais olhos que barriga e só comeu metade - e terminámos a tarde com uma volta de teleférico. 
Fica sempre uma sensação de vazio quando os miúdos não estão por cá. Penso que o facto de interagirem cada vez mais faz com que a presença seja mais efectiva e a sua ausência mais sentida.

domingo, abril 02, 2017

1ª Semana de Férias

A 1ª semana de férias deste ano vai ser com os meus sobrinhos. Vêm cá por ocasião do aniversário do meu irmão. Esperemos que dê para passear com eles (especialmente com o mais velho, na medida em que está mais autónomo e não dependente dos pais). Depois coloco aqui a experiência.

domingo, março 26, 2017

Estreia no TT

Teve lugar no dia de ontem a estreia do meu "menino" no Todo-o-Terreno (TT). Comigo, claro. A ocasião foi um curso de aperfeiçoamento de técnicas de condução fora de estrada, e, sinceramente, melhor era impossível.
Não partilho o texto pelo facto de ser um (orgulhoso) proprietário de um veículo da marca nipónica. Partilho sim, pelo facto de ter tido outro jipe, de outra marca concorrente e conseguir, com conhecimento de causa e propriedade comparar a utilização que fiz com o passado e aquela que faço agora, bem como as prestações de um jipe e do outro.
Bom, para começar, as dimensões exteriores. O meu actual jipe deverá ser cerca de duas vezes superior na cota de comprimento. Já na cota da largura, mais um palmo e meio. E por último, em altura, deve ser ela por ela. Significa isto, grosseiramente falando, que tenho um "tanque de guerra".
Para quem conhece os princípios básicos do TT, há 3 ângulos que é necessário serem tidos em consideração nesta actividade - ver figura abaixo exemplificativa: a) Ângulo de Ataque, b) Ângulo Ventral e c) Ângulo de Saída. Não irei dissertar muito sobre os mesmos até porque não é meu objectivo entrar num detalhe muito técnico. O que interessa reter é que os ângulos de a) e c) estão relacionados com a abordagem de obstáculos, quer de frente e na saída dos mesmos, respectivamente, e o de b) com a transposição dos mesmos (altura da barriga do jipe ao solo):

Comparativamente com o jipe anterior, o actual perde em quase todos os ângulos. Razão? Tem mais plásticos (i.e. pára-choques dianteiro e traseiro), estribos (para facilitar a entrada para o habitáculo) - aspectos que o outro jipe não tinha - e consequentemente há um maior compromisso na abordagem de alguns obstáculos - ainda que não tenha sentido durante este curso, na medida em que o mesmo foi pensado numa óptica de transposição facilitada dos vários obstáculos. O "pisar" sim, é diferente. Por "pisar" entenda-se o quão filtrado pode ser o contacto entre o solo e o que se sente no interior do carro - por mim e pelos ocupantes, claro. E aqui sim, o actual jipe é muitíssimo superior. É um carro mais pesado e mais largo, pelo que a estabilidade é necessariamente superior. Na transposição de alguns aspectos, onde eventualmente teria algumas reservas com o meu anterior jipe (ainda que fosse perfeitamente capaz de os ultrapassar), aqui sinto confiança. Determinação. Segurança quando o faço. Em termos de conforto não há qualquer comparação possível. Estamos perante um carro anterior facilmente conotado com carro de trabalho (e obviamente espartano em termos de equipamento) e um carro que já foi o topo de gama da marca nipónica e com equipamento consequentemente mais luxuoso.
Foi quase tirada a ferros a minha ida ao curso. O jipe só me foi entregue na noite do dia anterior ao curso, porque houve um atraso significativo na chegada de umas peças (i.e sistema de travagem). Consequentemente, e perante todo o atraso, fui avaliando a situação com o mecânico e, em alternativa à não realização do curso, optámos por voltar a montar tudo (o carro tinha sido desmontado entretanto) e fui fazer o curso. Terei agora de o ir entregar de novo para realizarem o trabalho que ainda está por fazer.
O saldo não podia ser melhor. Venham mais passeios/cursos!