domingo, janeiro 08, 2017

A morte do Pai do João

O João é um dos meus melhores amigos. Conheço-o há mais de 20 anos, por ocasião da minha (longa) estadia no ISEL. Ainda que não tenha concluído nesta faculdade o curso de engenharia, é daquelas amizades que ficam. Assim como mais duas ou três dali. Para sempre.
Nem sempre a minha amizade com o João teve um registo tranquilo. Houve momentos em que deixámos de falar. Arrufos. Motivados por aspectos que eu valorizei na altura e que foram desvalorizados por ele. A vida é isto mesmo. Nem todos gostamos do azul. Ou do amarelo. Mas acabam por ser as diferenças que aproximam as pessoas. Ou as afastam por incompatibilidades incontornáveis.
Desconfiei logo quando recebi o telefonema de manhã cedo. Afinal, o João é daquelas pessoas que gosta de dormir ao Sábado de manhã. Mas aquela hora, deu para desconfiar de imediato. E pensei logo o pior. Quando atendi e senti o choro compulsivo, percebi que algo de grave tinha acontecido. E foi quando me disse que o pai tinha falecido e que nada havia a fazer. A sucessão de acontecimentos a seguir foi, naturalmente, o que se espera de um dos melhores amigos. Acompanhar o processo todo até ontem, dia em que teve lugar a missa do 7º dia.
Apenas e só por ser o pai do João fui ao velório, funeral e missa do 7º dia. Usualmente fujo destas momentos por achar que me fazem mal. Muito mal. Bem sei que são um mal necessário, mas também sei que lido mal com a dôr dos outros e porque não posso fazer nada, ali, naquele momento, para a minimizar. É um pouco por aqui.
Sinto que cumpri parte do meu papel. O restante papel será agora e daqui para a frente, acompanhar o João nesta fase. Ajudá-lo naquilo que fôr preciso e no que estiver ao meu alcance. É por isso que o considero um dos meus melhores amigos e é esse o meu papel.

Nota: Não estou a escrever o texto no dia em que era suposto. Estou a escrever passada uma semana e um dia (usualmente escrevo ao Domingo, como é sabido). Nestes dois Domingos que passaram, o da semana passada e o de ontem não me apeteceu escrever por razões óbvias.

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