domingo, maio 14, 2017

Aquarius + Visita do Papa + Mata Leão

Aquarius 
 
Comecei há relativamente pouco tempo a seguir (mais uma) série. Chama-se "Aquarius", tem cerca de 2 anos e é, essencialmente, sobre a vida de Charles Manson.
Muito resumidamente, esta personagem - ainda vivo e condenado a prisão perpétua - é considerado o fundador e líder de um grupo de culto nos anos 60, nos USA. A história tem duas personagens principais: o detective Sam Hodiak (muito bem interpretado pelo já nosso conhecido David Duchovny) e o próprio Charles cujo papel é interpretado pelo (para mim desconhecido) Gethin Anthony. E em resumo é uma história que se desenrola em torno destas duas personagens, o grupo de seguidores de Charles e mais 3 ou 4 personagens que dão forma e consistência a esta história. Muito interessante, e para quem gosta do género de enredo para se perceber um pouco a mente deste criminoso.

Visita do Papa

Sem  dúvida o melhor dos Papas dos últimos anos. Elemento agregador e conciliador. Corajoso. É aceite pelos vários líderes religiosos e todos os líderes das nações ao nível internacional. Esteve em Portugal por ocasião do 13 de Maio. Excelente momento para os cristãos católicos (e não só) que puderem presenciar a aura que este representante da Igreja Católica tem ao vivo. Muitos portugueses (emigrados) vieram mais cedo a Portugal para poder ver, na sua Pátria, o Papa em Fátima. 

Mata Leão

O mata leão é uma técnica de estrangulamento utilizada em algumas artes marciais. Trata-se de uma técnica muitíssimo poderosa, na qual o agressor apenas e só tem de se preocupar em executar bem a técnica e a vítima em saber defender-se da mesma. Não é fácil. E falo por experiência própria, na medida em que sei executar a técnica e conheço a defesa. 
Este estrangulamento é, logicamente, tanto mais eficaz quanto melhor fôr executado. Umas das consequências é efectivamente o desmaio.
A razão do desmaio em consequência deste estrangulamento está associada mais ligada com a alteração da vascularização cerebral do que com a diminuição do fluxo de ar para os pulmões. 

O cérebro tem uma actividade bastante intensa, sendo responsável, em repouso, por cerca de 20% da energia consumida por todo o nosso organismo. Para a manutenção dessa actividade, é necessário que o aporte de sangue seja bastante elevado para o fornecimento da energia e de Oxigénio. 

Um estrangulamento bem realizado dificulta naturalmente a ventilação dos pulmões e a troca de ar através da respiração, mas também se sabe que um indivíduo saudável (não-treinado) consegue  manter-se em apneia (sem respirar) por um período médio de tempo de 60 a 120 segundos sem perder a consciência, já que a concentração do Oxigénio transportado pelas hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) vai caindo lentamente após a interrupção da respiração. 

Por outro lado, ao exercermos uma pressão sobre ambas as laterais do pescoço de um oponente em um estrangulamento bem feito, promovemos com que ocorra uma interrupção imediata da circulação cerebral por compressão das artérias carótidas e veias jugulares, cessando abruptamente todo o aporte de energia e de Oxigénio ao cérebro. Por esta razão, a interrupção da circulação, por apenas 10 segundos, já é suficiente para levar à uma alteração do funcionamento do tecido cerebral que tem, como consequência, o desmaio.

Tudo isto serve para partilhar a minha opinião sobre o vídeo do cidadão brasileiro e do militar da GNR. Estou 100% de acordo com a acção do militar. Afinal, trata-se de um cidadão que desobedece a uma ordem de um agente da autoridade - identificado como tal - e que regressou à repartição de finanças depois de ter sido escoltado pelo militar até ao exterior. Até aqui estou de acordo. A acção do militar foi atempada. 

O que não posso concordar é precisamente com a utilização do "mata leão" para uma pessoa que não ofereceu resistência (e.g. lutou) ou seja, não configurava uma ameaça tal que justificasse a aplicação desta técnica de estrangulamento. E posso dizer isto, como refiro acima, com conhecimento de causa. 

Para a situação em causa, o militar tinha ao seu dispôr outro tipo de medidas dissuasoras disponíveis. Basicamente, o que aconteceu foi não ter sido efectuada uma leitura correcta da ameaça. E que este militar, em concreto, sendo praticante de artes marciais, teria de ser conhecido o tempo de prática cada uma delas. Mas nunca a técnica do mata leão deveria ter sido utilizada nesta situação em particular. 

Agora, resta saber o que  irá acontecer ao militar, na medida em que o código da GNR (revisto em 2014) é claro na forma como estas situações concretas têm de ser abordadas pelos militares.

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