domingo, julho 16, 2017

A liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Ou seja, em bom rigor, é algo que qualquer cidadão português tem seu, independentemente do seu sexo, idade, credo ou raça.
Até aqui não há novidade. Também me parece líquido que uma pessoa - pública ou não - que partilha a sua opinião publicamente (e.g. entrevista televisiva, jornal ou mundo virtual) se sujeita à crítica do cidadão anónimo (ou não).
Este meu espaço (blog) é um local de partilha das minhas opiniões e convicções. Partilho - com quem me lê habitualmente - as minhas ideias/opiniões. Há pessoas que lêem um dos meus textos e se calhar não regressam a este espaço e outras que me têm seguido. Algumas há vários anos. Não gosto de utilizar a palavra "seguidores" para não parecer pretensioso. Prefiro..."pessoas-que-gostam-do-que-lêem-e-voltam". Será um pouco o equilíbrio que se cria entre os leitores que vêm (e não voltam) e os que vêm e se mantêm fiéis. Tal como acontecerá com vários outros milhares de "bloggers" por esse mundo virtual fora.
Tenho defendido que a liberdade de expressão é um pau de dois bicos. Por um lado, assusta-me verdadeiramente a facilidade com que alguém passa de "bestial a besta" em menos de um fósforo. É verdade. Já aqui falei disso. A falta de profissionalismo / investigação gritante em imensas peças jornalísticas, a pressão que penso que haverá nas redacções para que os artigos saiam rapidamente para a rua só pode ter como resultado artigos maus. Pobres. Com inverdades e reveladoras que o profissional do jornalismo escreve um artigo sentado à secretária "googlando" - sendo que há muita informação disponível falsa e sem qualquer fundamento. E por isso mesmo, ainda há dias partilhei uma opinião pessoal / técnica num espaço público com uma parte para comentários. Tratava-se de umm assunto relativo ao tema da aviação. Não sou de comentar artigos, mas confesso que foi mais forte que eu. E tudo isto em prol da reposição da verdade. E quase que vestindo a capa de defensor daquele visado no artigo, que foi crucificado (sem o saber) em hasta pública por um jornalista.  
Mas há outro tipo de atropelo da liberdade de expressão. Reside no facto de alguém não poder partilhar publicamente o que e como sente. O princípio peca por ser perverso e reduz substancialmente (e quase anula) o alcance da palavra democracia conquistada há 43 anos. Falo, naturalmente das opiniões pessoais de figuras públicas. Sendo que algumas, sem qualquer problema partilham o que pensam. Tipicamente as pessoas que nada devem a quem quer que seja. E cujas opiniões nem sempre são aceites ou percebidas pela opinião pública. 
A nossa sociedade é um pouco a sociedade do "faz de conta". É mais conveniente (cai melhor) dizer que tenho amigos "gays", ou que gosto do futebolista "A" ou "B" e que percebo perfeitamente a contestação que há em determinadas minorias étnicas do que o contrário. Afinal, tudo isto (aparte do futebolista) configura ou sugere tolerância e abertura de espírito. Todos diferentes, todos iguais. Mas a nossa realidade não é essa. As estatísticas acabam por ser manipuladas e não revelam os números verdadeiros. E as sondagens pecam por ser construídas com base em amostras que não são verdadeiramente reveladoras do que quer que seja para se discutir interna e seriamente, como por exemplo, a homossexualidade ou o racismo. E é precisamente essa análise que tem de ser realizada com toda a frontalidade. Alguém terá dúvidas que uma amostra de opinião sobre estes dois temas terá resultados diferentes entre jovens (18-35 anos) e a faixa etária dos 40-60 anos? Ou sou só eu quem percebe isso? É precisamente esse tipo de discussão que tem de haver. É esse tipo de conversa pública que não há. 
Estou perfeitamente à vontade para abordar estes tema porque, como aqui já referi neste espaço (sendo que fui duramente criticado na altura) fui educado de determinada forma (independentemente de ser a certa ou não) e hoje em dia a compreensão que tenho dos mesmos é outra. Contudo, a minha forma de pensar e de estar na vida actual não reflecte de todo, e mais uma vez, a forma de pensar / estar da nossa sociedade. Da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera. E enquanto uma pessoa não puder exprimir livremente a sua opinião sem que aqueles que discordam da mesma o/a "apedrejem", não se pode falar em liberdade de expressão.

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