domingo, novembro 26, 2017

Pagamentos devidos

Creio que todos estaremos de acordo que devemos receber o que nos é devido. Crescemos nessa realidade. Se me perguntarem se não corro atrás do dinheiro que me devem, é claro que a resposta só poderá ser uma: sim. Se me perguntarem se não gosto de ver a minha conta bancária com o crédito mensal do meu merecido vencimento, a resposta será igual. Mas o meu ponto não é no que toda a gente sabe ou percebe ou mesmo concorda comigo. É um pouco diferente.
Mais uma vez as promessas eleitorais. O que é dito para angariar votos. Para apelar ao lado humano das pessoas. Para lhes tocar no coração: Quem é que no seu juízo perfeito irá dizer que não quer mais poder de compra (i.e. ganhar mais) ou melhorar a qualidade de vida que tem? Pois. É por aí.
E aqui chegamos a mais uma "bota-complicada-de-descalçar": os professores. Com toda a legitimidade reclamam o que é seu por direito. Contudo, estas manifestações irão ter um efeito similar a um fósforo numa seara bem seca. Sendo a seara todas as outras classes profissionais que perderam direitos durante o período da austeridade e quem foram prometidas benesses, assim que houve a "troca de cadeiras", leia-se "troca de Governo". Assim sendo, não auguro bons ventos para este Governo. Aliás, nem para este nem para o próximo. A questão basilar, neste caso em concreto, será a forma como este Governo vai resolver a questão dos Professores. E, a partir daí, a questão dos militares, das polícias e dos Magistrados. Deus me dê saúde para ver as saídas e soluções encontradas. E começar em quem vou votar. Em breve.

domingo, novembro 19, 2017

Método e Disciplina

Método e disciplina são duas características que me são intrínsecas. Se alguém me perguntasse do nada, sem aviso prévio, que características mais aprecio em mim, estas duas figurariam entre as "top 5". Sem qualquer hesitação ou pestanejar de olhos. Passo a explicar as razões das minhas escolhas. Por favor, acompanhem-me.

Método

Sem método não consigo funcionar. Há pessoas que conseguem. Por método entendo possuir, entre outras características, um raciocínio sistemático. Aqui entrará a parte mais técnica (formação em engenharia). Ficariam surpresos(as) com a facilidade com que um texto corrido pode ser transformado numa tabela de duas entradas para uma mente técnica. Ou como os fluxogramas florescem com toda a pujança. Método, para mim, é isto mesmo. De forma sistemática, com um padrão definido de trabalho, encetar esforços para a consecução de um determinado objectivo ou resultado. Há vários métodos de trabalho. Tenho o meu há muitos anos como outras pessoas terão o seu. Poderá não ser o melhor, mas é aquele com que me identifico e até à data, não me dei mal. É necessário que haja método em tudo o que se faz. Sem método, a probabilidade de ocorrência do "caos" ou desorganização é enorme. Pode ser causada, por exemplo, pela falta de rigor. Pelo desleixo ou mesmo pela não capacidade de definição de uma escala de prioridades. Estranho, não é? Também concordo. Mas acreditem quem 90% das pessoas não conseguem definir uma escala de prioridades diária. E isso tem associada uma falta de método flagrante. Com método (quase) tudo de consegue. Basta saber como usar o mesmo.

Disciplina

Conheço poucas pessoas como eu. Muito poucas, ou nenhumas, na verdade. Desde há muitos anos que esta será, penso eu, "a" característica mais vincada em mim. Falo de horários. Falo de pouca flexibilidade ou uma ínfima capacidade de adaptação ao improviso. Mas uma coisa é certa: missão dada é missão cumprida. Umas vezes com mais facilidade, outras vezes com menos. Mas o que é certo é que as coisas são conseguidas. Com esforço, dedicação, empreendorismo e resiliência. 
Há uns anos atrás escrevi aqui sobre a corrida. Quando comecei a correr. É verdade, há bastante tempo. E lembro-me bem dessa altura. Da(s) aplicação(ões) que saquei para começar a correr. Dos treinos que desenhei para mim mesmo, baseado em artigos escritos por especialistas que li na internet. E comecei a correr. Levado para a corrida por uma das minhas primas...apenas tive a companhia dela uma única vez. Maldito "fungo-da-unha-do-dedão-do-pé" que a atirou para o estaleiro!! E fez-me correr sozinho. Corri muito sozinho. E não foi só na Primavera e com temperaturas amenas. Foi de Verão com temperaturas tórridas. E de Inverno com muita chuva e com temperaturas polares, que em muitos momentos me fez pensar que tinha perdido as pontas dos dedos das mãos e dos pés. No entanto, em momento algum vacilei ou pensei em desistir ou furar o meu plano de treino. Impensável. Seria ser fraco. E seria também o princípio do fim. Na medida em que a partir desse momento, ter-me-ía de alguém sem disciplina.
Falta muita disciplina às pessoas. Vivemos na era do "nacional-porreirismo" em que 5 minutos, na cabeça da generalidade das pessoas, não mata ninguém. É certo que não mata, mas também é certo que as pessoas não têm qualquer respeito pelas pessoas que fazem esperar ou pelas instituições que se regem por horários exactos. É essa mesma falta de disciplina que faz com que alguém que dá um toque acidental num carro se vá embora sem deixar um bilhete a identificar-se e prontificar-se para suportar a reparação. Ou alguém que encontra uma carteira num qualquer centro comercial, primeiro veja se tem dinheiro e só depois entrega ao segurança mais próximo.
Irritam-me as pessoas que nunca têm coragem para enfrentar os problemas de frente. Afinal nunca é nada com elas. Chamo a isto indisciplina mental. Mente retorcida e cheia de filosofias baratas que não levam a lado algum. Fico com babas no corpo inteiro só de pensar nesta falta de disciplina e coragem. Enfim. A lista de situações reveladoras de indisciplina é longa. E levar-me-ía a escrever muito. Mesmo muito. Vou vivendo o melhor que posso. Dentro da minha disciplina.

domingo, novembro 12, 2017

Forças de Segurança

Não há no mundo inteiro ninguém que defenda mais as forças de segurança do que eu. É humanamente impossível. E considero forças de segurança, para que estejamos todos na mesma página, quer as forças armadas e autoridades policiais. Este enorme grupo de profissionais é responsável pela manutenção da ordem, cumprimento da Lei e ainda pela segurança dos cidadãos.
O último acontecimento partilhado nos meios de comunicação social (i.e. agressão a um agente da PSP num conhecido miradouro da cidade de Lisboa) por um tipo já referenciado - conhecido - das autoridades policiais. E isto remete-me para outro tipo de discussão: quem são os actuais agentes policiais?
Não é possível responder à questão acima, sem antes falar das provas de admissão às forças policiais (e mesmo forças armadas). E posso falar com conhecimento de causa, na medida em que num passado longínquo também eu realizei provas de admissão para uma instituição militar. E desde então, se a memória não me falha, continuam as mesmas. Sem qualquer alteração. O que não é necessariamente bom ou abonatório quer para a imagem desta instituição quer para outras similares.
Quando refiro que as provas de admissão são as mesmas, refiro-me objectivamente à questão da não adaptação das provas à realidade contemporânea. Ou seja, se as actuais provas de admissão das autoridades policiais forem as mesmas que eram há 30 ou 40 anos atrás, alguma coisa estará mal. A altura e compleição física de um homem de 20 anos nos dias de hoje é naturalmente diferente da compleição física de um homem com a mesma idade em 1972. Esta é para mim uma realidade incontornável.
As provas de admissão servem precisamente para possibilitar às várias instituições a realização de uma triagem, dos candidatos "aptos" e "não aptos" ao exercício de determinada função. O meu ponto, é que não basta perfazer a corrida dos, 12 elevações e 20 abdominais, ou seja, os mesmos critérios que eram utilizados para avaliar a robustez física de alguém há 40 anos! É preciso mais. A minha prima com 12 anos consegue fazer todas as provas de admissão. Sem qualquer problema. Se calhar até o faz em menos tempo. Mas a realidade é que a minha prima não vai fazer patrulhamento nas (complicadas) ruas da cidade de Lisboa. Nem terá de pontualmente, ter de possuir alguma compleição física para deter um agressor do seu tamanho - melhor dos cenários - e maior, no pior dos cenários.
Enquanto houver uma resposta da Tutela no sentido de formar mais agentes fazendo "vista grossa" ao critério da compleição física, muita coisa vai correr mal. Ou ignorar a necessária formação em disciplinas como seja a defesa pessoal, ministrada de forma continuada, para fazer face às situações do quotidiano.E com isto, a opinião pública irá tendencialmente ficar no domínio do descrédito naquelas forças que são responsáveis pela segurança dos cidadãos portugueses. Com os riscos que daí são advenientes...

domingo, novembro 05, 2017

Liderança

Tenho para mim que para se ser líder, são necessárias duas características nucleares: ter pulso e ter coragem. O resto é acessório.
Já lidei com vários tipos de liderança. Algumas com as quais me identificava mais, outras com as quais me identificava menos. O tema é vasto e obriga-nos, inevitavelmente, a aludir a características intrínsecas das pessoas e que podem ser trabalhadas com treino. 
Por um lado, há os traços de personalidade comuns que encontramos nos líderes. O ter pulso, o ter coragem para liderar em tempos difíceis e com equipas desmotivadas - daí ser preponderante a capacidade de motivação. O conhecimento das características individuais dos membros das suas equipas, o ser elemento agregador, possuir experiência de coordenação de equipas, entre tantas outras características que tipicamente são perceptíveis nos bons líderes.
Por outro lado, não havendo os tais traços "normais" e desejáveis, é necessário que seja tornado possível incutir ou, através de treino específico possibilitar haja meios alternativos para a consecução do mesmo objectivo. Reformulando, se uma determinada pessoa (enquanto líder) não se consegue impôr ou fazer valer o seu ponto de vista perante algumas pessoas com quem trabalha, deverá ter formação ou treino especializado para que lhe seja possível o reforço dessa sua característica.
Questão: o que acontecerá se dermos as chaves de um Ferrari a um macaco? Teoricamente, nada. Refiro propositadamente o "teoricamente", porque com treino talvez pudesse haver uma acção que fosse ao encontro das nossas pretensões.
Como já vem sendo natural em mim, consigo perceber duas formas de abordar a questão: pessoas que não tendo perfil de líder foram designadas como tal - tipicamente pessoas que têm experiência profissional relevante para a função e como tal são elegíveis para a mesma - e que nunca serão bons líderes, por via de não terem as tais características ou o perfil de líder. São bons executantes. Só isso, sem mais. E este é o grosso dos líderes que temos por cá (Portugal). Pessoas que ocupam cargos de responsabilidade só porque...trabalharam em algo parecido (experiência profissional). Mas sem todo o necessário complemento e bagagem para ser líder. Com uma grande probabilidade de até ser a antítese (i.e. tímido, ansioso, inseguro, falta de confiança em si, etc.).
Por outro lado, há pessoas designadas como líderes e que têm experiência profissional nula ou perto disso. Bom, o "caminho das pedras" nestes casos será naturalmente mais complicado. Para começar, designar um líder numa organização em que há outras possibilidades válidas para esse cargo, pode causar algum ruído e mal estar. Ainda derivado desta situação, a aquisição de conhecimento não será fácil porque o conhecimento detido por outras pessoas não será partilhado e consequentemente a conquista do "espaço" e reforço da posição será demorado. Se é que tal será possível.
Hoje em dia há no mercado empresas de formação com profissionais especificamente vocacionados para treino de pessoas que têm atribuições profissionais de líderes. Contudo, há uma fortíssima aversão ou relutância por parte das organizações em cabimentar verba para este tipo de formação. À boa maneira portuguesa, as organizações entendem que as tais características se tiverem de ser melhoradas, que o farão por si. Erro crasso. E está à vista o resultado...

Pandemia - Semana 14

As semanas passam e Portugal, que muito recentemente era tido como um dos países referência no reduzido número de casos de pessoas infectad...