domingo, janeiro 28, 2018

Palavra de Honra

De memória penso tratar-se de um tema que em tempos terei aqui desenvolvido. Com tanto tema que já aqui trouxe nestes 14 anos começa a ser complicado encontrar assuntos novos. E a probabilidade de abordar temas antigos é elevada.
Ainda faço parte da geração para quem a "palavra" ou "palavra de honra" conta. E muito. Para mim, quando me dizem tal, assumo logo que a pessoa é séria e dou ali, logo ali, um voto de confiança. E o acordo é selado com um aperto de mão. Aqui sim, está o pacote completo.
Não tenho tido más experiências neste tema. Na generalidade das vezes, o acordo é realizado presencialmente. E se firmado com o tal aperto de mão, é irreversível. Aliás, se se reverter, corto para todo o sempre aquela pessoa da minha lista de pessoas sérias ou confiáveis. Uma pessoa não pode dizer "palavra de honra" e depois mais à frente desdizer. Isso não há. Simplesmente porque não utilizo a conjugação de "palavra de honra" em vão. Sei bem o significado e gosto que as pessoas que o dizem também o conheçam.
Há naturalmente as pessoas que fogem desta realidade. Pessoas sem coluna vertebral e que preferem a mentira fácil para a obtenção de determinado objectivo num determinado momento. Naturalmente que para mim, a serem descobertas, passam imediatamente a ser pessoas sem carácter e que não merecem o meu tempo ou consideração.
Ontem mostrei o meu jipe a um potencial comprador. Gostou do carro. Ficou interessado. E no final da conversa disse-me que ficava com o carro. Perguntou-me se queria que sinalizasse a compra. Eu disse que não. Que não precisava. Confiei na pessoa. E ele em mim, na medida em que sabe que não vou vender o carro a outra pessoa. Até Sexta-Feira próxima. Irei cumprir a minha parte. Firmámos o compromisso com um aperto de mão forte. Como se quer. Não vou falhar. Espero que o comprador também não.

domingo, janeiro 21, 2018

Jornal Expresso - Versão digital: 1as Impressões

Cá em casa sempre houve o jornal "Expresso". Desde todo o sempre. Reconheço que possa ter havido algumas semanas em que não tenham sido compradas as edições respectivas, mas globalmente, posso dizer que houve sempre este jornal semanal cá por casa. Importa também dizer que houve um período em que se comprava o "Sol", na medida em que o antigo Director do "Expresso" tinha abraçado aquele novo projecto - e na medida em que aprecio a sua frontalidade e o não ter papas na língua - também comprava. Contudo, tornou-se um jornal pouco interessante ao longo dos anos. E em vez de comprar 2 jornais semanais, retornei ao "velho-Expresso". Apenas e só.
Gosto de ler o "Expresso". E demoro a lê-lo. É um semanário denso e que aborda os vários temas semanais que têm relevo e que são desenvolvidos pelos colunistas dos vários quadrantes políticos que, ainda que tentem redigir artigos da forma mais isenta possível, não conseguem, na medida em que haverá sempre o "DNA" que os identifica e caracteriza. Não deixa de ser louvável e notório o seu esforço. 
Resumindo, trata-se de um jornal de referência. Quer queiramos quer não. Basta perceber que está a perfazer os 45 anos de existência. Por alguma razão. E que nunca deixou de existir. Lembro-me bem que numa aula qualquer do ciclo preparatório se falou deste jornal e ter retido, até hoje, o nome do seu formato: tablóide, à semelhança de alguns jornais britânicos, por exemplo. A questão que se coloca é: Podia ser mais pequeno e maneiro? Podia, mas deixaria de ter a sua identidade. Penso que isso é algo que nunca terá sido pensado genuinamente por quem detém o jornal. Exactamente porque iria descaracterizar o mesmo e passaria a ser "mais-um-jornal" qualquer e desinteressante. Ou que  poderia passar a ser lido tranquilamente na praia sem pedir ajuda ao/à vizinho/a para segurar a outra metade. Mas não dá. E essa será uma das razões pela qual muito raramente levo este jornal para ler na praia. Detesto as folhas a enrolar com a brisa. Ou alternativamente, ter de dobrar o jornal como se de um bilhete do metro se tratasse para conseguir ler!
Com a chegada (e cada vez mais assumida) utilização do meu iPad, resolvi experimentar a versão digital do jornal. Esta semana que passou. Gostei. A primeira impressão é bastante positiva. Os artigos estão lá ao alcance de um deslize de dedos. Para baixo para continuar a ler o mesmo artigo e para o lado para ler um artigo novo. Simples. Ao alcance de qualquer pessoa que minimamente perceba o funcionamento básico de um "tablet". Há uma coisa que não muda: o tempo para ler este semanário (que digitalmente mantém os 3 cadernos) - o tempo. É verdade. Demora (bastante) tempo para ler os artigos atentamente e conseguir reter, processar e consolidar a informação lida. Daí, desculpar-me-ão, mas tenho de ir ler mais um bocado. No iPad, claro - sim, continuo a não usar papel, a não ser estritamente necessário! 

domingo, janeiro 14, 2018

Liderança do PSD

Já aqui referi que cada vez me sinto mais apartidário. Se quiserem, costumo dizer que não voto nos partidos, mas sim nas pessoas. Não estou sozinho nesta frase. Há cada vez mais pessoas que pensam como eu e que assumem publicamente essa determinação. E como não podia deixar de ser, as eleições para a Direcção do PSD são um bom exemplo disso.
Muita tinta já correu sobre o tema, é certo. A campanha eleitoral terá tido uma duração de 4 meses, mas só senti a mesma no último mês. O que de resto é normal neste tipo de acontecimento.
A liderança do maior partido da oposição é um momento importante. E os portugueses deviam perceber isso. Por várias razões, e nomeadamente, pelo facto das coisas estarem "aparentemente" bem, mas não estão. Se me permitem, o que aconteceu nos últimos anos foi o mesmo que acontece às pessoas que ficam engripadas durante 2 semanas e quando ficam bem, vão fazer a maratona da EDP com chuva e frio. Estavam bem quando saíram de casa. Aparentemente bem de saúde. Mas com o clima invernoso rigoroso, ficam mal. Nada de anormal, até aqui.
Portugal viveu um clima de austeridade até há bem pouco tempo. Para quem não se recorda, estivémos próximo da bancarrota. Só a adopção de medidas impopulares e castradoras como o aumento da carga fiscal, as contribuições extra, a mexida nos escalões do IRS, etc., permitiram que todos nós conseguíssemos ultrapassar ou inverter a tendência negativa e fosse tornado possível o resgate financeiro, ou seja, conseguir que a União Europeia nos emprestasse dinheiro. Facto.
Não vou aqui falar do facto do actual Governo não ter sido sujeito a sufrágio universal - acto eleitoral onde, democraticamente, o povo português vota num partido. Normalmente ganha o mais votado. Não foi o que aconteceu. Mas esse será um pequeno (grande) detalhe.
Naturalmente que é fácil governar quando as pessoas sentem a carteira "mais pesada". Ninguém tem dúvida disso. Mais. Ninguém tem dúvida que a adopção de medidas populares como seja o aliviar (ainda mais) da carga fiscal ou a revisão das pensões, significa mais votos nas urnas. Basicamente estamos a falar dos 2 maiores grupos que votam: população activa contributiva e pensionistas. A fórmula é simples. E também me parece simples e lógico que as pessoas votem naqueles que lhes dão (de novo) a qualidade de vida e não a obliteram, como fez o anterior Governo, no cumprimento escrupuloso de um programa de austeridade assumido ao nível europeu. Mas o ser humano não pensa dessa forma. Pensa, de forma confortável, no imediato. No curto termo. E não no meio ou longo termo.
O que vai acontecer, dizem alguns comentadores políticos neste momento, é que o actual Governo (a geringonça) será um fortíssimo candidato à continuidade ou à manutenção à frente dos desígnios do País. Mais do mesmo. E em menos de nada estaremos numa situação delicada em menos de nada. Mais uma vez, a probabilidade de tal acontecer é tão elevada como o Futebol Clube do Porto alterar a táctica de jogo depois de ter avançado com a teoria peregrina das bancadas em risco de ruir no estádio do Estoril. Vai alterar, naturalmente, porque estava a perder. E porque conhece o jogo adversário. Onde já chegámos! Nota: Não estou com isto a querer dizer que sou a favor da permissão de utilização de bancadas em perigo de ruir - ou que possam infligir ferimentos ou mesmo mortes. Estou apenas e só a dizer que isso devia ter sido verificado antes. Não durante o jogo. E quando a equipa visitante estava a perder. Coincidências, dirão alguns. Talvez. Continuo a não gostar de bola na mesma...
Daí serem importantes as eleições para a liderança do PSD. Para que o maior partido da oposição se possa re-organizar (ou coligar, agora que está na moda). Se possa dotar dos meios e das armas para o combate. Se prepare de forma consistente. Que estude os vários dossiers e que não tenha qualquer problema em discutir os cadernos mais quentes: Administração Interna, Justiça, Saúde e Educação. 
É aqui que faz sentido pensar em Rui Rio (RR). Desde logo uma pessoa antipodamente diferente de Pedro Santana Lopes (PSL) em vários aspectos, especialmente na forma de estar e de ser. E isso viu-se bem no 1º debate televisivo. Em que PSL - um animal política de craveira - quase tão bom como aquele 1º Ministro que esteve preso com o número 44 na cadeia de Évora (e que para mim continua a ser a referência em termos de preparação para debates e réplica) ganhou, sem qualquer margem para dúvidas.
Percebeu-se claramente que a dimensão de acção de RR tem sido até agora o Município. Teve a tal questão de ter sido Vice-Presidente do PSD - que se sabe agora não correu assim tão bem quanto possa ter parecido (foi avançado nos debates televisivos, para espanto de PSL).
Já o outro candidato à liderança tem outra preparação e experiência política. Para começar o facto de ter sido 1º Ministro durante uns tempos. Quer queiramos quer não, dá outro traquejo, ainda que tenha sido Sol de pouca dura!
Há contudo algo que ambos têm:  legado. No caso de RR, um bom legado. Obra feita. Uma fama que o precede de incorruptível e de luta feroz e determinada contra os interesses instalados - basta ver, por exemplo, que enquanto edil da Câmara Municipal do Porto proibiu as celebrações das vitórias da equipa de futebol da cidade nesta instituição camarária. Quebrou uma tradição longa. E isso valeu-lhe muitas animosidades. Em particular por parte dos poderosos do Norte...
Já PSL tem um passado diferente. Não necessariamente bom. Para começar o facto de ter sido destituído do cargo de 1º Ministro pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio. Ou de ser mulherengo (ainda que daí não venha mal ao mundo)...Mas não abona nada em seu favor junto do eleitorado mais conservador. Outro aspecto que importa reter, penso eu, será relacionado com o fazer o seu mandato, mal ou bem, mas até ao fim. E depois ser avaliado. Outra coisa é interromperem o mesmo por não reunir as condições necessárias à desejável harmonia e continuidade. E percebeu-se bem a melhor (e natural) preparação de PSL face a RR, no 1º debate televisivo. A prosa foi fluida. Assertiva e contundente. Já RR, deu ideia de estar pouco à vontade. E até algo impreparado.
Já o segundo debate foi diferente. Enquanto que PSL ficou ancorado e preocupado com as amizades e almoços que RR frequentou, este preparou-se mais e melhor. E certamente terá sido aconselhado por pessoas próximas a melhorar alguns aspectos na entrevista que vinha a seguir - e notou-se bem que a sua postura foi bem diferente. Mais mordaz, acutilante e cirúrgico. E terá sido isso, aliado ao tal legado que falei anteriormente, que determinou a vantagem subsequente nas urnas.
Na minha opinião, RR é superior a PSL. Como dizia o outro, deixem-no trabalhar. Há muito trabalho a ser feito se se quiser inverter a tendência de voto expectável nas próximas legislativas.

domingo, janeiro 07, 2018

Resoluções para 2018

O início de cada ano é caracterizado pela definição de uma série de resoluções pessoais. Ou intenções. Toda a gente sabe disso. E claro que toda a gente sabe disto enquanto engole as passas e as empurra com espumante, desejavelmente  antes das 12 badaladas. Faço aqui um acto de contrição e partilho convosco que há alguns anos a esta parte não faço nada isso. Prefiro pôr as passas todas na boca e engolir tudo de uma vez com dois bons golos de espumante. Dá menos trabalho e não testo a minha paciência! Por vezes engasgo-me, mas faz parte do momento.
Entre as várias resoluções para o presente ano, há algumas que transitam do ano que finda e para o que agora tem início. A clássica e já conhecida de todos "saúde, paz, amor e dinheiro". Em boa verdade tenho saúde e paz. O resto nem por isso. Daí ser quase automático pedir anualmente. Por outro lado, alguns traços de personalidade que comecei a trabalhar o ano passado e que quero continuar a trabalhar. Não são novos. São os mesmos. 
A grande novidade é estar determinado em deixar de usar o papel e a caneta. É verdade. Estou quase a abandonar o "Moleskine" e a caneta de vez. Para todo o sempre.  Estou a horas de receber o meu iPad. Se bem que tive um, da 1ª geração - no longínquo ano de 2009 - não lhe dei grande uso. Eventualmente porque o vi mais como um "gadget" do que qualquer outra coisa. Não como uma ferramenta de trabalho/lazer como quero que este seja. O compromisso de deixar de usar papel - a não ser o estritamente necessário - é, desta vez, para ser levado a sério. Aliás, é mesmo minha intenção não andar com papel atrás para evitar "bengalas" e tentações de "deixa-lá-apontar-aqui-só-desta-vez-porque-não-sei-bem-como-trabalhar-com-isto". Diz o adágio popular que a "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" e vai furar. Garanto-vos. Se não souber fazer algo tenho de fazer por saber. Azar o meu, só. A necessidade aguça o engenho. Só assim é possível evoluir e aprender as coisas. Posso também partilhar que nunca li tanto sobre aplicações específicas ou vi tanto tutorial, como agora. A razão prende-se com o facto de querer instalar uma aplicação específica no iPad e querer estar bem informado. À minha maneira, portanto. Ou seja, ler tudo o que há para ler. E ver tudo o que há para ver. Tornar-me especialista na matéria, em resumo. Ganham as árvores, no final do dia. E eu passo a ter muita informação comigo, à distância de um clique. 
Há outras resoluções, é certo, mas estas são aquelas que destaco este ano. Espero que todos os meus seguidores e seguidoras tenham tido uma excelente entrada neste ano que agora começa. Que os vossos desejos se concretizem. Haja saúde, paz e alguém (que não eu, pelos vistos) tenha muito amor e dinheiro! 

Pandemia - Semana 14

As semanas passam e Portugal, que muito recentemente era tido como um dos países referência no reduzido número de casos de pessoas infectad...