domingo, outubro 28, 2018

Estudo

Estudar nunca foi, durante todo o meu tempo de escola, liceu, faculdade(s) e pós-graduação algo que  possa, em consciência, dizer que tenha gostado. Nunca. Contrariamente ao meu irmão que estudava pouco - porventura por estar atento nas aulas - já eu tinha de estudar bem mais. Talvez por isso as notas do mais novo fossem raramente abaixo do "Muito bom" ou "Excelente" e as minhas fossem "Bom" e "Suficiente", dependendo da disciplina em causa. Penso que o facto de eu falar nas aulas, a converseta, se preferirem, não ajudava nada.
Concluído o curso superior veio a pós-graduação. Em regime pós-laboral e na altura optei pelas aulas ao Sábado. O dia todo. Desconfio que pior que isso, só mesmo o que tenho agora, que passa por ter as aulas depois de um dia de trabalho. Todos os dias. Quer num caso, quer no outro, 95% das pessoas que estão nas aulas são, tal como eu, trabalhadores estudantes e que merecem a minha total compreensão e respeito, quanto mais não seja pelo facto de estarem ali, naquele momento, depois de um dia de trabalho e em busca de um objectivo comum.
Voltar a estudar neste altura da minha vida, é diferente. Outra idade. Outra maturidade. É pedir para falarem mais baixo ou mandar calar nas aulas. É colocar as coisas em perspectiva, ou seja, definir prioridades. E sim, sem dúvida, abdicar de algumas coisas, em particular, todo o tempo livre passa a ser utilizado para estudar e para me actualizar. E será assim durante os próximos tempos. Sem sombra de dúvida. E já o começou a ser. Já são alguns fins de semana (ainda poucos) em que me dedico ao estudo e tenho reservado um pouco do final do dia de Sábado para ir espairecer.
Com o tempo vou melhorar, certamente alguns processos que já são meus conhecidos. A concentração elevada leva a que haja um alheamento do mundo à minha volta. Como tal, uma pressão auto-induzida superior e consequentemente mau humor. Respostas bruscas. Intolerância. Pouco poder de encaixe e paciência. E sofre quem comigo se relacionada. Invariavelmente e inevitavelmente. Mas estou genuinamente interessado em melhorar isso. Só tenho a ganhar e todos, por inerência.

domingo, outubro 21, 2018

Semana preenchida

Com o abraçar deste meu novo desafio penso recorrentemente que o dia devia ter mais de 24H. É verdade. Entre treinos, trabalho, aulas e as aulas em regime pós-laboral, sobra o tempo para ir jantar fora ao Sábado, ir a um cinema (sessão das 2130H) e pouco mais. É a minha realidade e será durante os tempos mais próximos.
Em boa verdade, gosto de semanas assim. Preenchidas. Ocupadas. Em que o tempo passa depressa. Pelo caminho fica naturalmente uma vida mais boémia, de há uns anos a esta parte em que me esticava mais ao fim de semana. Pouco mais, é certo, mas o suficiente para chegar a casa até às 3 badaladas do relógio do cuco. Lamentavelmente (ou não), não consigo mais fazer isso. Aliás, quem me acompanha neste meu espaço de opinião, já terá entendido que noitadas e discotecas não fazem parte da minha vida há algum tempo. Contar-se-ão pelos dedos de uma (meia) mão as vezes que saí até tarde nos últimos tempos (anos).
Para quem trabalha, estudar à noite é complexo. Uma das coisas que obriga, sem dúvida, é que haja método e disciplina. De nada vale ir para as aulas dormir. Os professores compreendem, mas não deixam de dar a matéria por isso. Importa portanto, a montante, prevenir isso. Como? Deitando cedo e dormindo bem na noite anterior. Só assim se poderá aguentar os dias longos. Assim, obrigo-me a deitar pouco depois das 2200H todos os dias. Ao fim de semana, como referi acima, dá para ir para a cama um pouco mais tarde. Mas nada de muitoooo mais tarde. A minha capacidade de recuperação de uma noitada não é a mesma que alguém com 19-20 anos. A idade começa a pesar, pois claro. Outra questão que decorre do estudo à noite é a necessidade de termos de colocar em perspectiva as nossas prioridades pessoais. Claro que todas as pessoas gostam de ir passear ao fim-de-semana e fazer 1001 programas com os amigos após uma semana de trabalho. Ir almoçar fora. Passar a tarde invernosa a ver filmes ou uma qualquer série. Mas a minha realidade actual não passa tanto por aí. Comecei a aproveitar o tempo livre ao fim de semana para actualizar o estudo. Para procurar informação. Para ler apontamentos dos professores e consequentemente actualizar os meus cadernos. Só assim me sinto confiante e com o dever da missão cumprida que estou certo que trará bons resultados mais à frente. Como costumo dizer (parafraseando algo que não é da minha autoria) - "O único sítio onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário". Faço disto um (dos vários) lemas de vida.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Esperar pela vez

Se há coisa que me irrita, é precisamente a falta de respeito que há nas filas do supermercado (ou noutras filas). Passo a explicar.
Penso que ninguém discordará de mim se referir que as senhas das filas de espera existem para que a própria da espera se faça ordeiramente. E que as pessoas esperem pela vez. Parece-me óbvio.
Acontece que por vezes, quando a fila é grande, tira-se a senha e vai-se adiantando outras compras. Acho lógico. O que não me parece aceitável é que quem está à espera da sua vez tenha de esperar um pouco mais porque entretanto apareceu a senha que já foi chamada - e que entretanto deixou passar a vez por estar noutra secção. E outra senha. E mais uma. Aconteceu-me isto há pouco tempo. E foi quando tive de mergulhar no telefone, à procura de e-mails novos que não existiam para não me saltar a tampa.
É tudo uma questão de respeito por quem está na mesma fila. Se toda a gente tirar a senha e for à sua vida e quiser ser atendido(a) quando vier - e já tiver passado a vez - de nada serve a senha. Apenas a minha opinião.

domingo, outubro 07, 2018

Casamento em Elvas

Sábado passado foi dia de casamento de uma das minhas primas. Por sinal, uma das mais novas.
Não obstante ter sido uma cerimónia engraçada, começou "só" 2H15m mais tarde do que era suposto.  O que, como devem imaginar, fez-me ficar logo bem disposto. Acontece que as coisas não correram de feição. Nada mesmo.
Em primeiro lugar pelo local do casamento. Elvas. Sendo que há família espalhada por todo o País, em particular Lisboa, naturalmente que houve muita gente que preferiu ficar por casa a ter de ir ao interior de Portugal, e ainda ter de suportar despesas de deslocação, combustível, alojamento e alimentação. Para famílias com crianças seria um fim de semana caro. Logo, algumas dezenas de pessoas - só do nosso lado, da noiva - não foram.
Em segundo lugar, o calor que se fez sentir e o atraso da noiva. Meia hora de atraso é o aceitável, tolerável, se quiserem. Uma hora é abusivo. Duas horas é inqualificável. No dia anterior ao casamento tinha feito o reconhecimento do local. Fi-lo para para ver onde era a capela e para ver como seria quanto ao estacionamento. A razão prende-se com o facto de não ter ficado alojado em Elvas, mas sim em Campo Maior. Ou seja, a cerca de 17 quilómetros do local do casamento. E claro que não me apetecia chegar ao casamento, no próprio do dia do evento, e ter de procurar lugar para estacionar, engravatado, debaixo de perto de 40º C! Pelo meio, perguntei o caminho para a capela a um tipo que estava a lavar o telhado que me mandou seguir por uma rua. Hoje realizo que talvez me tenha enganado na rua que ele me disse. Porque por onde me meti...dificilmente passava um mini pequeno (dos antigos). E ainda estou para perceber como passou o meu carro. Tenho de ver se as dimensões não ficaram....reduzidas!!
Em terceiro lugar, a cerimónia. Aqui sim, vários apontamentos. A cerimónia em si foi...desinteressante. De 0 a 10, eu não consigo avaliar mais do que um 3. E fraco. As palavras do Padre foram pouco interessantes. Piadas secas. A Igreja tinha pouca ventilação. O coro...médio. Mas engraçado. Talvez o melhor de tudo na cerimónia.
Na medida em que a minha prima chegou com todo aquele atraso, todos os restantes eventos foram empurrados para a frente. E claro que apanhou a missa das 1700H (no convite era feita menção ao início da celebração às 1530H). A confusão.
No copo de água, mais tarde, e onde chegámos quase de noite (anoitece bem mais tarde nesta altura do ano), a organização falhou em vários pontos. Para começar, a escolha dos noivos recaiu numa herdade que vai ser vendida em breve - presumo, pelo que percebi, que a mesma fosse de uma amiga da minha prima. E daí o interesse em fazer o copo de água por lá. A distância entre o local onde ficaram os carros estacionados e a herdade era quase 1 ha. Ou seja, a distância de um campo de futebol à séria. Não que me incomode em especial, mas é importante reter que os convidados, como referi antes, não era só jovens. Se para mim que gosto de andar a pé - e não me incomoda - não faz confusão, há outras pessoas a quem terá feito.
Os acessos de uma herdade no Alentejo interior não foram idealizados a pensar em pessoas com mobilidade reduzida. Consigo aceitar isso. Já não consigo aceitar que tal facto não tenha sido perfeitamente integrado pelos noivos. Ou então não convidavam pessoas com dificuldades na locomoção. Rampas entre pisos em mármore com declive bem acentuado, escadas bem íngremes ou sectores sem luz são alguns bons exemplos. Já não falando no facto de ter se me aliviar (urinar) quase de porta escancarada - não fechava.
Entendo com facilidade que a generalidade das pessoas tenha um perfil de diversão diferente do meu. Tenho um semblante mais carregado e pouco sorrio ou rio. Também sei disso. Mas não aprecio casamentos em que os padrinhos (neste caso eram 7, os do noivo) passem o tempo todo a beber e aos urros. Cansa. E muito. É irritante. É desnecessário. Há ali pessoas que vão ao casamento para se divertir e conseguir falar com outras pessoas que não vêem há muito tempo. Sem que necessariamente tenham de compreender ou aceitar este tipo de comportamento de quem mora numa caverna e é convidado para um casamento de vez em quando. O tempo médio para se conseguir uma bebida, se estivéssemos à espera paciente e ordeiramente da nossa vez, não era inferior a 1H. É verdade. Num casamento dos mais pequenos em que já estive, mas talvez aquele onde as pessoas tinham mais receio que todo o álcool do mundo desaparecesse naquela noite.
O resto é o habitual. Uma parte da sala onde teve lugar o jantar dedicada aqueles que queriam dar um pezinho de dança. Dancei um pouco e passado meia hora estava a caminho de casa. Nunca ansiei tanto por uma 2F para poder esquecer tudo isto. Valha-me ter atestado o depósito do carro em Badajoz e ter poupado 0,31 cents / L!

Pandemia - Semana 14

As semanas passam e Portugal, que muito recentemente era tido como um dos países referência no reduzido número de casos de pessoas infectad...