Conto já com uma semana e meia de casa - saio apenas para os passeios higiénicos do Paco - e o teletrabalho é agora uma realidade incontornável. A minha conta da Netflix foi renovada até perto do final do ano. O exercício físico em casa é agora mais variado e focado em grupos musculares diferentes, nas três vezes que treino por semana cá em casa. E sim, também tenho explorado o meu lado de "Chef"! Ontem à noite preparei para o jantar um creme de legumes (o primeiro da minha vida), um bolo de banana e 1L de limonada. E quero continuar a experimentar pratos novos!
Tenho dito a alguns amigos e amigas com quem falo com regularidade via "Zoom", e que começam agora a quebrar, que o truque de levar tudo isto "um pouco melhor" (note-se que não escrevi propositadamente a palavra bem), é ter um ou mais focos. Passar o dia a ver tv ou ler as notícias na "internet" sobre a pandemia, não é bom. É muito mau. E pior. Passar os dias a ler as notícias sobre a pandemia e sobre a crise económica que aí vem não só não faz bem como precipita também más energias e o sofrimento antecipado. Calma.
Bem sei que escrever (falar) é fácil. Também sei que tenho menos encargos e obrigações que a generalidade das pessoas. Mas, e porque é de dinheiro que estou a "falar", projectar situações nesta altura, com tanto pela frente, e que nesta altura é desconhecido, é algo estéril. E pouco sensato. E não passa de um exercício de futurologia, na medida em que não sabemos o que aí vem!
Do (pouco) que vejo nos telejornais a que assisto, no horário das refeições, percebo que países como EUA, Itália, Reino Unido e Espanha estão a braços com uma crise pandémica sem precedentes na História. Falo destes países em particular porque são aqueles que registam o maior número de vítimas mortais em consequência da infecção pelo CoVid-19. No Reino Unido, em particular, o Primeiro Ministro teve um teste ao vírus positivo. Para alguém que defendeu que o importante era a sociabilização (!!!) para que os organismos ganhassem anticorpos, vamos ver quão imune está o seu organismo e como reagirá - esperemos que bem, tendo em conta a sua idade.
A idade. Algo que veio baralhar as contas dos cientistas. Se até há duas semanas atrás se imaginava que o grupo de pessoas de risco era o aquele com pessoas com mais de 65 anos de idade, actualmente percebe-se que não é bem assim. Ou melhor, que não será o único grupo de risco. Eu substituiria "risco" por "vulnerabilidade". No final do dia são palavras que até estão associadas, bem sei. O vírus ataca portanto qualquer idade. E, infelizmente, há cada vez mais casos mortais a lamentar em grupos de indivíduos que inicialmente não eram tidos como grupos de risco. Resumindo, o grau de infecção numa pessoa será inversamente proporcional à fortaleza do seu sistema imunitário. Quanto mais forte e saudável for alguém, menor será a sua probabilidade de infecção. O que não quer dizer que essa pessoa, ainda que saudável, não possa ser um potencial transmissor do vírus...
Para concluir o texto de hoje (que vai longo), mais duas notas.
A primeira, relacionada com a questão da não comunicação dos casos de pessoas infectadas às Autoridades (i.e. Protecção Civil, PSP e GNR). É errado, na minha perspectiva. Ouvi ontem numa notícia que o Ministério da Saúde / Administração Regional de Saúde do Norte não partilhou esta informação a pedido de um autarca - que também acumula, por acaso, o cargo de alto dirigente da Protecção Civil daquela zona do País. Não me parece o caminho correcto, a falta de transparência e sonegação de informação neste momento.
A segunda nota tem que ver com o contínuo "furar" do estado de emergência por parte dos portugueses. Numa altura em que é tão necessária a reclusão e o distanciamento social, não consigo perceber como há pessoas que teimam em ser diferentes (quiçá mais espertos) e passeiam pela rua, como se nada fosse com elas. Confundindo o estado de emergência com férias da Páscoa. Chamo a isto desrespeito e desconsideração pelas pessoas que também gostavam de ir passear e aproveitar o Sol que tem feito por estes dias. Chamo a isto negligência pelo facto de poder estar a haver infecção e contágio de outras pessoas - mais uma vez, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem os sintomas...
E é isto que tenho para vos dizer esta semana. Para a semana há mais! Força e mantenham-se seguros e saudáveis..em casa!
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