Numa altura em que se assiste em Portugal àfase exponencial da propagação do vírus Covid-19, o País adopta uma velocidade de "meio gás". A determinação do período de quarentena. O teletrabalho. O encurtamento dos períodos de funcionamento de estabelecimentos comerciais, etc.
Tenho lido bastante sobre este vírus. E também tenho visto debates televisivos. Oiço especialistas partilharem as suas opiniões para uma população portuguesa que, sendo leiga, absorve tudo o que lhes é dito. E que tem alterado (na generalidade dos casos) comportamentos que passaram a ser tidos como de risco, como seja o frequentar espaços densamente povoados. Ou o desvalorizar determinados sintomas - até porque alguns deles são muito similares a uma simples constipação ou gripe - e o lidar de forma desprotegida com pessoas de grupos de risco (i.e. com idades acima dos 60 anos) - sistema imunitário mais debilitado, ou por outra, com uma capacidade de resposta inferior a esta ameaça externa, em particular.
Soube no final da semana passada que a namorada de um dos meus colegas de sala teve contacto com uma pessoa que deu positivo, no despiste ao vírus. Donde, e desde 6F passada (13.Mar.2020) foi-me recomendada a quarentena - bem como os meus colegas. O que me foi recomendado irá acontecer à generalidade das pessoas. Sim, também a quem está a ler estas linhas neste preciso segundo. A comunidade científica defende que todos nós já contactámos ou iremos contactar com pessoas infectadas. Daí, e quando há esse tipo de conhecimento, recomenda-se a quarentena. Por forma a verificar o desenvolvimento (ou não) do quadro sintomático associado.
Deixo abaixo algumas considerações que já partilhei com pessoas próximas.
Cuidados a ter
Os cuidados que a Direcção Geral de Saúde recomenda, não são diferentes do que é usualmente recomendado para protecção do vírus da gripe sazonal. Higiene pessoal, reclusão social, o evitar o contacto físico (e.g. cumprimentar), situação que se torna complicada num País como o nosso, latino, e em que se privilegia o toque. Entre outras recomendações amplamente divulgadas pela comunicação social.
Virulência
O que torna o vírus particularmente perigoso é a questão de atacar os dois pulmões em simultâneo, o que o torna perigoso de forma ímpar em particular para doentes crónicos, oncológicos, etc. Outro aspecto (muito) importante é a forma de contágio. Basta conversar com alguém para se ficar contagiado.
Quarentena
O título do texto de hoje e, penso eu o que será mais complicado de respeitar. Já referi acima que somos um País de afectos. De toque. Do "passou bem". Dos beijos e abraços, etc.. Abdicar disto é só estranho. Que dizer do não se poder ir tomar um café despreocupadamente? Ou do ir ao ginásio? Ou a um espectáculo? Ou cumprimentar familiares a amigos? E tantos outros exemplos que podia aqui referir. Este vai ser, para mim, o grande desafio. Mas só com o isolamento se evita a propagação deste vírus.
Economia global
Como seria de esperar, a grande incógnita. Países como os EUA, China e alguns países europeus (como sejam a vizinha Espanha, Alemanha e outros) têm uma capacidade de resposta que não existe em Portugal, por via de terem, naturalmente, economias mais fortes. Por cá, aposta-se numa contenção da propagação e na quarentena para que a disseminação/propagação do vírus seja o menos sentida possível. Contudo, quarentena, significa perda de produção em alguns sectores económicos. A médio prazo poderemos estar perante algumas empresas que terão de fechar portas - particularmente as ligadas ao turismo e restauração. O actual Executivo terá de, aqui, neste ponto em concreto, mostrar o que vale. Está em causa a continuidade de milhares de postos de emprego.
A interiorização da gravidade da pandemia
Infelizmente, nem todos percebemos a gravidade do tema da mesma forma. Poucos dias depois de se terem encerrado algumas escolas, foi ver as praias e centros comerciais ficarem à pinha. Ou ainda os estabelecimentos nocturnos terem receitas extraordinárias em dias da semana atípicos. E sinceramente, não entendo. Numa altura em que se fala de pandemia, em que se diz tanta vez que há pessoas que podem ser transmissores sem que tenham tido sintomas, que o vírus se propaga pelo ar (sem que haja, como noutros vírus, o contacto mais próximo), as pessoas pensam que estão de férias? A sério? Sem mais comentários.
Despiste da infecção pelo Covid-19
A namorada do meu colega não pode fazer os exames. Porquê? Porque não tem os sintomas. Ou seja, o despiste (kits) são utilizados nos casos em que há já um quadro sintomático confirmado. O que me leva a pensar se, nessa altura em que é realizado o despiste, não estaremos já perante um estado avançado de infecção. Senão vejamos: o período de incubação e externalização dos sintomas pode ir até 14 dias. Se só ao fim de 14 dias houver o despiste - porque até lá não houve sintomas - quantas foram as pessoas contactadas? Podem não haver sintomas, mas o vírus (i.e. carga viral) está lá! Ainda que reconheça que são exames caros - fala-se entre 100,00€ e 300,00€, dependendo da instituição que o faz - há países que já determinaram que os mesmos são gratuitos. Seria bom que a mesma boa prática fosse seguida por cá.
É de toda a importância que nesta altura se desenvolva "kits" de despiste rápido para que possa distribuir pela população em geral. Falo de "kits" análogos aos da gravidez ou do VIH. Estou convicto que a amostra de população já infectada (e em muitos casos sem sintomas) é significativamente inferior, sendo confirmado que basta uma conversa para se ficar infectado...
É de toda a importância que nesta altura se desenvolva "kits" de despiste rápido para que possa distribuir pela população em geral. Falo de "kits" análogos aos da gravidez ou do VIH. Estou convicto que a amostra de população já infectada (e em muitos casos sem sintomas) é significativamente inferior, sendo confirmado que basta uma conversa para se ficar infectado...
Teletrabalho
Há muitos, muitos anos que o defendo. É significante a economia para as organizações. A poupança. Contudo, colide frontalmente com uma mentalidade profundamente enraizada nas organizações que, quem não está no local de trabalho está a ser pago e a fazer tudo menos a trabalhar. É a mentalidade por cá e pela generalidade dos países ao nível internacional. Não todos, claro. Mas a generalidade. Penso que haverá formas que permitam perceber se é um modelo que funciona (ou não). Começando por este momento. Em que de forma "forçada" terá de se perceber. Contudo, acredito que de forma inequívoca e sem que interfiram com a liberdade individual de cada um de nós, será possível aferir as reais vantagens do teletrabalho. Acima de tudo, é necessária a disciplina e a responsabilidade de cada um. Uma reunião semanal presencial ou, porque não, vídeoconferência. Custa ao início, mas acaba por ser o caminho. Nota: Depois de algumas peripécias, consegui instalar o meu pc da empresa em casa. Durante os próximos tempos será, à semelhança de tantos portugueses, será desta forma que irei trabalhar.
Netflix
Pois. Esta é a parte boa. Mais tempo em casa significa mais utilização deste tipo de plataformas. Tenho pensado que seria interessante que se quantificasse quantas adesões foram feitas nos últimos dias, quer à Netflix quer à congénere HBO!!
Já me alonguei muito. Desejo-vos a todos(as) a melhor das sortes. Independentemente de estar na Europa, EUA, Brazil ou África. É uma questão de tempo até o Corona chegar aí. Estejam atentos aos sintomas que têm vindo a ser passados na comunicação social. Respeitem a quarentena. Iremos ultrapassar este ataque!
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