domingo, abril 19, 2020

Quarentena - Semana 5

Mais uma semana em casa. O que se traduz em mais teletrabalho, mais exercício físico caseiro e  claro, o visionamento de mais séries. Pouco mais de minhas novidades há a partilhar nesta semana.

A generalidade das pessoas com quem tenho tido oportunidade de falar, e que tem seguido as instruções do confinamento, começa agora (notoriamente) a ceder. Não ajuda em nada o facto de, sempre que o Sol espreita,  passarem imagens na televisão de outras pessoas que "furam" as mesmas instruções e vão fazer ginástica para a rua. Parece-me portanto lógico o surgimento do sentimento de revolta e frustração naqueles que estão fechados em casa há mais de 1 mês. Enquanto que uns cumprem o que é pedido pelas Autoridades da Saúde, outros entendem que são diferentes e conseguem manter a distância social enquanto fazem as caminhadas. Inqualificável.

Esta ansiedade de sair de casa e voltar a trabalhar tem uma explicação: Governo. Que começa a perceber o quão cara custa esta situação em que 1,5M de portugueses está em regime de "lay-off". É uma questão que obrigará, a seu tempo, que Portugal tenha de rever o Orçamento de Estado recentemente apresentado/aprovado e ainda que tenha de produzir um caderno complementar ao mesmo. Isto por um lado. Por outro, há outros temas "quentes" que mais cedo ou mais tarde teriam de ser equacionados. As empresas - com toda a razão e legitimidade - querem agora liquidez. Dinheiro. Afinal, com os trabalhadores sem trabalhar, foram muitas as empresas que não facturaram em Março. E Abril segue pelo mesmo caminho. Pelo que, com esta novidade do levantamento do estado de emergência e um retorno gradual à actividade, haverá muita coisa que terá de ser garantida. Nomeadamente vencimentos, que em algumas realidades poderão não ser possíveis de pagar. Este parece-me ser o grande desafio do nosso Governo. Conseguir que se retome a produtividade sem que sejam tomadas as medidas de austeridade que o nosso Primeiro Ministro sempre condenou no anterior Executivo. E que aliás lhe deu a vitória nas urnas. Veremos pois, como ficará a sua popularidade quando os portugueses virem mais impostos e o regresso das medidas da austeridade. 

Governar com dinheiro e estabilidade política é fácil. Governar em cenários como o actual, constitui um desafio ímpar e que, na minha humilde opinião coloca (infelizmente para todos nós) condições económicas em muito similares aquelas que viveu o anterior Executivo de Direita. Serão os próximos meses indicadores da "fibra" do actual Primeiro Ministro e permitirão também mostrar o quão acertada foi a escolha dos Portugueses. Afinal, o anterior Executivo, com medidas impopulares conseguiu aforrar para que o actual Executivo se aproveitasse e governasse sem constrangimentos orçamentais. As contas ficaram equilibradas - grande parte do trabalho já tinha sido feito e foi apenas governar habilmente e consolidar ou um outro ponto. A imagem desgastada ficou para o antigo Governo e com um desafogo financeiro, os Portugueses respiraram de alívio, o que se traduz, naturalmente em confiança política. Iremos poder assistir agora, em cenário de guerra e que todos os economistas auguram como sendo algo que não sucedia há 44 anos, se comporta o actual Governo. E sem medidas de austeridade, como já disse várias vezes o Primeiro Ministro. Deus me dê saúde para ver como o irá conseguir. E particularmente quando se vislumbram no horizonte processos de nacionalização nos próximos tempos...

Não me vejo como o profeta da desgraça. Contudo, acho que começar a achar que tudo vai ser resolvido até Maio, é perigoso. Muito. E tem sido alimentado, de alguma forma, pelo Governo. Nota-se bem que o discurso do Primeiro Ministro não está minimamente alinhado com a Ministra da Saúde, bem mais sensata e cautelosa nas estimas e previsões. Penso que a decisão do levantamento das medidas de confinamento, tem de ser bem balizada e pensada por parte de quem decide. Para começar, pelo número de pessoas não testadas e infectadas. O perigo de contágio é naturalmente um dado que se desconhece neste momento e, infelizmente, poderá só ser conhecido nessa altura. O que não é bom. Porque facilmente se percebe que podem ser contagiadas pessoas que não só não são imunes bem como integrem grupos de risco (i.e. idade avançada ou que padeçam de outras doenças). Já não falando da - cada vez mais assumida - segunda vaga da pandemia que terá lugar com com o início do Outono/2020. Há portanto estas e outras considerações que têm de ser bem analisadas antes de serem adoptadas algumas medidas que afectam directamente a população de Portugal!

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