domingo, abril 26, 2020

Quarentena - Semana 6

Tenho partilhado com algumas pessoas com quem tenho falado nos últimos dias, que ainda está longe o fim desta pandemia. Algumas das pessoas com quem partilho esta minha opinião dizem que tal não é possível. Noto desespero. Noto impaciência de quem já está confinado há muito tempo e quer uma solução rápida. Para ontem. E não vê isso a acontecer. Pelo contrário, fala com alguém que lhe avança precisamente o contrário.
Reconheço a lógica e necessidade vital da retoma económica. Ninguém tem dúvidas que país algum consiga perpetuar indefinidamente uma interrupção da actividade económica e, nesse sentido, está na ordem do dia, o levantamento das medidas de confinamento. Chegado aqui, a minha opinião tem dois ângulos: a pandemia sanitária e a pandemia económica.
Pandemia Sanitária
Não vejo, à distância de dias, a informação clara e objectiva quanto ao modo como terá lugar esse levantamento das medidas de restrição de circulação e de contacto/confinamento social. Há várias medidas para a restauração - que vejo como investimento por parte dos empresários desta área - mas que não terão o retorno esperado. Porquê? Porque os portugueses têm medo de morrer. Porque é complicado pedir a um grupo de 10 pessoas que vá jantar a um sítio qualquer e fique distanciado cerca de 2 metros do seu amigo. A nova realidade de cohabitação com o "Corona" até que surja a vacina terá de ser interiorizada pelos portugueses e não será algo que seja conseguido de imediato. Exactamente porque é uma alteração substancial de hábitos e costumes enraizados e depois de meses em casa, não me parece que as pessoas queiram ir para um restaurante com tanta medida restritiva. Alternativa? Reuniões em casa uns dos outros.
Mas há outro aspecto, eventualmente mais perigoso. Ninguém consegue garantir - e afirmo isto porque não percebi ainda as tais medidas que o Governo já terá gizado (?) - que iremos ter um novo pico pandémico de pessoas contaminadas. Porquê? Porque as pessoas que estiveram/estão actualmente em casa, irão estar em contacto com outras pessoas assintomáticas. Estas novos casos de pessoas infectadas, e com o levantamento das medidas de confinamento, irão contactar com pessoas do grupo de risco, o que me leva a  antever dois cenários possíveis: por um lado, um lógico aumento de óbitos. Por outro lado, um Sistema Nacional de Saúde (SNS) que poderá não ter capacidade de responder a um volume tão grande de novos casos de pessoas infectadas. O que nos levará, irremediavelmente, ao decretar de um novo estado de emergência com as medidas que já conhecemos.
Resumindo, a decisão pelo levantamento das medidas tem de ser muito bem pensada. Itália, um dos países europeus que mais óbitos regista, já avançou com meia dúzia de medidas que permita o retorno gradual da actividade económica: teletrabalho, uso de máscara obrigatória, turnos de trabalho desencontrados, etc.. Penso que haverá aqui algumas linhas orientadoras que serão seguidas pela generalidade dos países do bloco europeu. A ver vamos.
Pandemia Económica
Outro aspecto importante é, efectivamente, a forma como vai a Europa reagir a isto. Se cada país por si (não havendo o necessário consenso e aí deixa de fazer sentido continuar a falar em Europa) ou se de forma concertada. A chanceler alemã reconhece que deverá haver um fundo europeu comum para ajudar os vários países, mas nega que o caminho passe pela emissão conjunta de dívida (nos últimos dias denominado coronabonds) na medida em que tal sugere uma alteração de tratados económicos dos vários países o que significaria uma morosidade não inferior a 2-3 anos. O que como é lógico, não é solução. É este o tema "quente" em cima da mesa dos vários ministros das finanças do continente europeu e que requer consenso para que haja uma solução boa para todos.
Mantenham-se sãos e seguros!

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