domingo, maio 03, 2020

Quarentena - Semana 7

Mais uma semana que correu dentro da normalidade. Estamos desde as 2400H de hoje em estado de calamidade pública, depois de ter sido decretado duas vezes o estado de emergência.

Conheço algumas pessoas que continuam a "fritar a cabeça" por estarem em casa. Pessoas que estão habituadas a fazer uma vida fora de casa, começam nesta altura a ressentir-se. Com teletrabalho, e os filhos pequenos e o ter de estar 24/7 com a "cara metade", as coisas não estarão fáceis. 

A partir de amanhã são levantadas algumas medidas de confinamento social. A saber, e uma das mais faladas, a prática desportiva individual. O que me leva a pensar como será controlada a contaminação das pessoas que sejam praticantes de desportos aquáticos (e.g. surf ou bodyboard). Na medida em que há contacto social antes e depois de estarem na água. Sendo normal e expectável que o mar fique cheio de praticantes destas modalidades, independentemente de haver (ou não) ondas!

Não posso deixar de comentar as comemorações do 1º Maio, na Alameda. Ainda que com o devido distanciamento social e coordenação com a DGS, não entendi (ainda) muito bem, porque razão foi esta comemoração devidamente autorizada pelo Governo e não podem, por exemplo, os familiares das pessoas que têm falecido, acompanhar os mesmos até à sua última morada. Confesso que tenho alguma dificuldade em entender esta dualidade de critérios. Talvez me seja possível interiorizar boa explicação entretanto...Mas há algo que tenho (bem) presente na minha mente. O carácter excepcional do momento que vivemos não pode, nem deve, toldar aquele que deverá ser o raciocínio justo e equitativo, assim estejam garantidas todas as questões de segurança sanitária. Ou seja, é necessário que o Governo seja sensato nas decisões que toma por forma a que haja o mesmo grau de justiça na avaliação de cada caso. Para concluir este ponto, há funerais - aqueles em que é possível que os familiares assistam - que têm sido realizados com os  mesmos a metros de distância do caixão. Penso que consegui partilhar o meu ponto de vista.

Relativamente à TAP - outro assunto que está na ordem do dia. Este é o momento chave para se fazer alguma coisa pela nossa transportadora de bandeira. Nacionalizar e pôr os privados de lá para fora, poderá ser um caminho viável, ainda que signifique um retrocesso. Fui funcionário TAP há muitos anos e conheço bem a realidade da organização. Ordenados principescos para alguns - em linha com o praticado na indústria aeronáutica - mas desalinhados com a realidade portuguesa. E promovendo um fosso interno entre classes de trabalhadores. Afinal, e sempre defendi, tem tanta importância um piloto que está aos comandos de um avião, como um mecânico que garante que tal é possível, ou seja, que certifica que esse avião está em boas condições para voar. Há também a questão de haver um grupo de trabalhadores da empresa - curiosamente também accionistas da empresa - que entende que está acima de tudo e todos. E que nesta altura tem condições de remuneração em regime "lay-off" diferentes dos demais trabalhadores - penso que há aqui matéria para um "furo" de alguma jornalista que queira pôr o "dedo na ferida"...
A companhia está moribunda. Há vários anos. Com a injecção de capital por parte dos privados, houve também uma aposta expansionista - em rotas e frota. O que agora, e nesta altura particular apregoa a Administração, é manifestamente incomportável. Contudo, importa não esquecer que nos últimos anos a companhia não tem lucro. Só prejuízo. E a desculpa de em tempos de investimento não pode haver lucro, avançada pelo nosso Primeiro Ministro, é forçar a opinião pública a envederar por uma linha de pensamento que poderá não ser a mais correcta. Afinal, os fins não justificam os meios, neste caso concreto.
Há compromissos e obrigações desta empresa, como em todas as demais, que terão de ser honrados. Veremos como e a que custo para o contribuinte português que, como se sabe, é quem paga esta (e outras) contas. Importante também não esquecer que há outros operadores aéreos nacionais que, presumo eu, estejam atentos à forma como o Estado vai gerir toda esta situação. Espero que o Governo consiga, de uma vez por todas, perceber que a estrutura é/está pesada. Infelizmente, é necessário que haja despedimentos. E haja redução da frota (à semelhança do feito noutros países que viveram situações como a que a TAP vive neste momento) e ainda, seja substituída urgentemente a actual gestão de topo. Por outra gestão nova e na qual o Governo tenha assento permanente na tomada de decisões e ainda na definição de linhas orientadoras para o futuro da Companhia.

Em termos profissionais, tudo na mesma. Foi renovada a minha condição de "lay-off" por mais um mês, com um percentual de trabalho específico afecto. É mais fácil manter esta condição por mais este mês - e quiçà, o próximo - do que estar a encerrar esta condição e chamar ao trabalho pessoas que estão em "lay-off" total. Foi a explicação que me venderam e que comprei tranquilamente.

Os treinos têm continuado. Pela primeira vez, esta semana, optei por seguir um treino na internet. Não correu bem. O iPad não tinha posição (estava sempre a ter de a mudar a sua orientação derivado à incidência da luz solar, a imagem era pequena e o áudio péssimo). Penso que o vídeo também não era excelente. Nem tampouco os meus conhecimentos tecnológicos, em última análise!
Num dos treinos seguintes desta semana, e derivado do facto de estar a treinar quase todos os dias, consegui dar um jeito no "gémeo" da perna direita. O resultado de "overtraining" (ou treino excessivo) e do intervalo curto para a recuperação. Já ontem, durante o treino e tentando poupar a perna direita, tive uma cãibra na perna esquerda o que me roubou alguns minutos para concluir o treino. Hoje é dia de descanso total e espero ficar totalmente recuperado disto tudo!

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