quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A necessidade do inglês

Estava a ouvir um comentário na rádio (sim, fora de Portugal continuo a ouvir rádios portuguesas - bendita internet), onde um dos entrevistados era espanhol. E basicamente, os entrevistadores tinham de falar pausamente o português, para que o "nuestro hermano" pudesse entender.
Sobre este tema algumas considerações que tenho vindo a fazer ao longo dos anos... Diz um dos ditados populares "Em Roma sê romano". Ou seja, e aplicando à comunicação oral, é importante que a comunicação seja fluente e perceptível entre emissor e receptor. Em Israel, onde me encontro agora, utilizo o inglês. Não sei falar israelita, mas o inglês é perfeitamente entendido, e regra geral, todos (as) os (as) interpelados (as) entendem e fazem-se entender. Menos um problema, num País que não é o nosso.
Uma coisa que tenho reparado, em algumas viagens que tenho oportunidade de fazer, é que há Países (tendo em consideração as pessoas com quem tive oportunidade de estabelecer comunicação), que pura e simplesmente não se esforçam por comunicar na mesma língua. Mesmo aqui, alguns tipos mais velhos, não sabem, ou não querem falar o inglês. Mas falam entre eles israelita. E fico a apanhar do ar, claro. O mesmo meu aconteceu recentemente em Espanha...com o perigo para os espanhóis de que algumas coisas do que eles dizem nós portugueses, entendemos..
Opto por falar o inglês em todo o lado, quando saio de Portugal. Lamentavelmente, não sou poliglota. O inglês, hoje em dia, é a língua comummente aceite em qualquer canto do globo. Melhor ou pior, a comunicação é passível de ser feita. Ainda que existam alguns resistentes, como os que mencionei acima. Mas na generalidade, é possível comunicar.
Em Portugal, coloca-se outra questão. Porque razão terei eu de dar informações de orientação em italiano, espanhol, ucraniano, moldavo ou paquistanês? Ninguém até hoje me deu as mesmas em português quando necessitei das mesmas estando no estrangeiro...
Donde...um conselho...aprendam inglês!!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Fotografia de Portugal

Neste momento escrevo estas linhas longe de Portugal. Mais concretamente num dos países que mais tem ocupado as páginas dos jornais. Sim, Israel mesmo. Deixarei os meus comentários relativos a este País para outro momento. Em que tentarei colocar algumas fotos e quiça, até documentar fotograficamente a minha estadia.
Não obstante, tenho acompanhado de perto o que se passa em Portugal. A internet, sem qualquer dúvida, é uma poderosíssima ferramente, e em menos de nada, sabemos o que queremos. À distância de um clique.
Em Portugal, tenho por hábito folhear diariamente o "Público", e semanalmente o "Expresso" e o "Sol". São os três jornais a quem concedo credibilidade, e assim sendo, aqueles que sigo com mais atenção. Especialmente os semanais. Contudo, e estando longe, opto por consultar numa base diária o primeiro. Até porque a sua página é mais rica, com mais substância, e creio que será actualizada com mais regularidade. E as notícias são mais detalhadas. Não visualizo com tanta frequência as páginas dos outros dois jornais.
Basicamente, e após quase 1 mês fora, continua tudo na mesma. Sem tirar nem pôr. As mesmas fantochadas, as mesmas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, e o País sem rumo. Sim, sem rumo.
Parece-me, claramente, que chegámos há algum tempo, a um ponto em que é necessário ver a fibra de quem tem o poder nas mãos. Alguém com poder, com pulso, que seja capaz de tomar as rédeas do País. E não me parece que neste momento exista. Note-se que não faço este comentário com qualquer tipo de conotação política. Falo objectivamente de quem neste momento está no Executivo e falo da Oposição - que resumidamente não existe.
Com recessão económica assumida, com contenção de custos, com problemas vários no cumprimento de metas acordadas no Parlamento Europeu, parece-me evidente uma clara deriva e um desvio substancial daquilo que é necessário e verdadeiramente importante.
É preferível, segundo a óptica dos media, perceber que o nosso PM tem um tio que até esteve ou foi parte interessada no caso Freeport. Tio e primo. Que aquando do processo de licenciamento do terreno para edificação da supramencionada área comercial, houve conluio e interesses vários - tráfico de influências. Enquanto engenheiro, e especializado na componente ambiental, preocupa-me de sobremaneira saber que houveram duas avaliações ambientais, sendo uma delas positiva e outra negativa. Feitas por funcionários a quem se requer, na minha perspectiva, alguma credibilidade, idoneidade e troca de informação. Não me parece razoável que existam duas avaliações opostas para a mesma realidade.
Há medidas que têm vindo a ser tomadas que são, naturalmente, o apelo ao voto dos indecisos. Aqueles que não sabem se querem continuar a viver com dificuldades, aqueles que há muito que não acreditam no sistema político português, aqueles que não se sentem minimamente motivados para ir às urnas por altura do acto eleitoral. Lamentavelmente.
Há promessas que foram assumidas durante as eleições do actual Executivo. Poucas foram aquelas que foram cumpridas. Dois exemplos simples: postos de trabalho (efectivos, as estatísticas dos centros de emprego para o trabalho temporário não contam), e a questão do aumento da taxa do IVA. Duas questões que foram debatidas, faladas, questionadas, e não foram cumpridas as várias promessas relativas às mesmas. Muito pelo contrário...falhou-se nos postos de trabalho, e aumentou-se o IVA..
O saldo do actual Executivo é mau. É importante também avaliar a situação económica internacional, e que como será razoável admitir, torna difíceis as condições de governação. Contudo, há ou tem de haver lugar ao diálogo. À tentativa de encontrar soluções, promovendo a discussão inter-partidos da oposição e no seio do próprio partido. Evitar clivagens (internas e externas). Ser dada importância ao que realmente importa (más condições de vida de muitos portugueses, em detrimento de se continuar qual autista com a ideia obstinada das obras públicas de valores astronómicos, e para os quais os portugueses não podem, não devem e decerto não querem pagar a factura. Tal como tiverem, têm e terão de pagar os estádios de futebol que foram construídos por altura do último evento desportivo ocorrido cá em Portugal. Cada vez que me recordo disto, vem-me à memória o que aconteceu com Sevilha...após a exposição ficou deserta. Mas Espanha, como sabemos, tem uma economia diferente da nossa. Mais consolidada, mais forte e sobretudo, com uma melhor e maior capacidade de recuperação da recessão, como começa aliás a dar sinais.
A ver vamos. Não quero com este tipo de comentários dizer que está tudo mal. Talvez a vida me tenha ensinado a ser mais crítico, observador e sobretudo mais preocupado com soluções para os problemas e não com a questão de levantar problemas. Mas a minha contribuição será feita aqui, para aqueles que me lêem. Deverá ser sem qualquer hesitação o trabalho dos deputados da nossa AR. Aqueles que fazem parte dos partidos da Oposição. A esses, é imputada essa responsabilidade. É a esses que Portugal deposita a sua confiança para a resolução dos problemas preementes.
Não é com plenários em que se perdem 60 minutos ou mais com acusações ao Executivo que se resolvem os problemas. É tempo perdido. Tempo sem qualquer tipo de utilidade, quando poderia ser utilizado melhor, discutindo o que realmente interessa, e sobretudo, apresentando soluções.

O Regresso

E cá estou de novo. Porque recebi alguns comentários de leitores (as) que me fizeram rever a ordem de prioridade das minhas tarefas diárias, e porque não escrevia desde Setembro passado.

Basicamente, tentarei que a escrita seja mais regular, bem como a paciência (e tempo) assim o sejam, por forma a permitir que existam textos novos com uma periodicidade mais regular.

O meu obrigado a todos (as) os (as) leitores e tentarei cumprir a promessa!

João

quinta-feira, setembro 18, 2008

Os meliantes

Com a galopante onda de violência, somos diariamente brindados com notícias de captura de meliantes. Ou amigos do alheio. Conforme apetecer melhor a quem me lê. Há uma extensa adjectivação que poderá ser utilizada. E os nossos meliantes na rua.

Se em tempos, e ainda verificável em alguns países, aquele que comete a ilicitude é (ou era) castigado publicamente, "por cá", a realidade é diferente. Diferente ao ponto dos criminosos serem postos em liberdade, não havendo o flagrante delito. O que me parece ser um verdadeiro atentado às boas famílias. Aos que pagam impostos. Aos que se levantam cedo para ir trabalhar, e chegam tarde depois de um dia de trabalho. Enfim...aqueles que quando cometem uma infracção de trânsito (estacionamento em cima do passeio, têm de largar quase 200 euros para levantar o carro do parque da polícia ali nas Galinheiras...). E os nossos meliantes na rua.

Hoje, mais uma notícia no jornal da noite (TVI), que um gang da "inbicta" tinha sido capturado. Uns três tipos. Novos. Com bom corpo para o obral...Mas que optaram pelo caminho "A" num dado "cruzamento" da sua vida. O mais fácil, naturalmente. Aquele que contempla o carjacking, homicídios, agressão física, drogas, armas, etc. Aquele que permite o obter dinheiro fácil e sem grande cansaço. Mental, pelo menos. E os nossos meliantes continuam na rua.

E aqui chegamos a um ponto que entendo ser revestido de um mistério grande...se um criminoso é capturado, porque não podem os demais saber quem é? Porque razão teimam em tapar a cara? Alguns, quando assaltam, quando violam, quando matam...têm a cara descoberta...mas na altura do julgamento, tapam-na...nunca entendi muito bem porquê. E os nossos meliantes continuam na rua.

Esta é uma dúvida que me tem feito perder alguns minutos do meu pensamento diário...Mas julgo que não há uma resposta. Ou não haverá uma explicação lógica. Talvez, eventualmente, seja uma questão cultural, comparativamente com os países árabes. E os nossos meliantes continuam na rua.

A escalada da violência continua...

...E os nossos meliantes na rua.

sábado, agosto 02, 2008

Silly Season

Como habitualmente, por esta altura do ano, Portugal "vai a banhos". Durante algum tempo, esquecem-se os problemas, o TGV, o novo aeroporto, o preço do barril do petróleo, o aumento (ou não) da taxa de inflacção, o tendencial e crescente endividamento público...e por aí fora.

Lamento, que durante um ano, poucas ou nenhumas decisões se tomem, por quem de direito. Talvez por ser demasiado exigente. Talvez por ser prático. Talvez por nunca ter tido um cargo político, em que me fosse solicitada uma (ou mais) decisões. Julgo que esse será um dos maiores problemas que existe. Quem tem de tomar decisões, não as toma. É preferível discutir-se em plenário, vezes sem conta, as mesmíssimas coisas. Ir repescar acusações antigas, e como vem sendo hábito, quando as coisas não correm mesmo de feição, falar em legados políticos, falar em Governos antigos. Basicamente, aplica-se a máxima de "quando não sabemos dançar, dizemos que o chão está torto".

Não entendo muito bem como é que há pessoas que conseguem ter calma e abstrair-se dos problemas actuais. Da mesma forma que não entendo como é que há pessoas, com a actual conjuntura sócio-política, que continuam a praticar o mesmo estilo de vida que praticavam há sensivelmente 15 anos, em que Portugal não tinha problemas económicos (como aliás nunca teve, na douta opinião de alguns). Basta para isso, perder algum tempo e ver que se continua a viver acima das possibilidades, se continua a contrair empréstimos para pagar férias, se continua com a eterna ideia da "galinha da vizinha é melhor que a minha", aplicando a mesma à compra de móveis e imóveis. Infelizmente, diga-se em abono da verdade.

Detesto o Verão. Por variadíssimas razões pessoas, que poderei elencar noutra altura. A silly season é o protótipo de época/altura em que aqueles que pouco ou nada fazem, se vangloriam dos destinos de férias para onde foram. Apraz-me ver pessoas que sei que nada produzem profissionalmente, começar a pensar em Janeiro, nas férias que têm em Agosto. E vivem isso intensamente. Sendo que, durante o intervalo de tempo que medeia os dois meses, produzem zero. "Bola". E após o seu regresso, têm tema de conversa para os próximos meses. Bem como uma prestação (mais uma), numa banco para pagar o empréstimo que contrairam para ir às Maldivas.

Quanto à classe política, pouco ou nada se me oferece dizer. Não sendo objectivo, dá-me ideia que é tudo um grupo de amigos que jogam em equipas diferentes. E quando assim é, pouco ou nada se resolve. Gentleman Agreement parece-me ser uma prática corrente na Assembleia. Havendo pouca discordância (ou concordância), não haverá muito a discutir. A não ser aqueles temas mais "quentes"... E mesmo nesses...tenho as minhas verdadeiras dúvidas que algo seja feito na realidade.

Contudo...toda a gente se sente esgotada e a necessitar de férias...para os vizinhos verem!

Silly people!

sábado, julho 26, 2008

Leituras

Desde tenra idade, sempre houve o hábito da leitura lá em casa. Desde a leitura mais "despreocupada", que acompanhou a infância (Patinhas, Astérix, Michel Vaillant, and so on), passando pelos famosos "Cinco" e "Uma Aventura na..", (que suspeito ter lido todos os livros) durante a pré-adolescência..até à idade pré-adulta e adulta. E aqui a análise é outra.

Será esta fase da vida em que o sentido crítico, entre outras coisas, fica mais apurado. A personalidade acaba por estar (idealmente falando) formada, e poucas ou nenhumas variações decorrerão. Tive a sorte (ou azar) de ter um círculo de amigos onde existia (e existe) o prazer da leitura, e naturalmente, não existem atritos, ou comentários despropositados.

Há livros que marcam. Dostoiévski é um exemplo com "Os Irmãos Karamazov". Aconselho vivamente a quem goste de literatura densa. Interessante, mas densa. "Conversas com Deus", de Neale Walsch, igualmente denso. Não me agrade de todo o tipo de escrita de Saramago. Não só porque não o vejo como português, como detesto um tipo de escrita sem pontuação. Irrita-me. Tira-me do sério. Mas há quem aprecie. E temos de respeitar.

Actualmente, tenho um tipo de literatura diferente na mesinha de cabeceira (quando não estão no carro). "A Arte da Guerra", de Sun Tzu e "Princípios da Guerra", de Carl von Clausewitz. Em ambos os casos, a estratégia militar direccionada para a gestão das organizações/pessoas. E agradam-me muito, quer um, quer outro.

Entristece-me que as pessoas da minha geração não leiam mais..alegando que falta de tempo. Custa-me a acreditar que não tenham 10 minutos diários para a leitura. Mas deixei de me preocupar com isso, e aconselhar este ou aquele título. Não vale a pena quando não há vontade..

Contudo, e para mal dos meus pecados (e de tantos outros puristas da língua camoniana), vejo autênticos atropelos gramaticais, pontapés fortes nas construções frásicas e/ou discursos orais que me fazem pensar duas vezes se o acordo ortográfico veio para ficar (ao qual não aderirei jamais)...

Até breve..



domingo, setembro 30, 2007

Mediatizações

Não será de agora que entendo que os media têm uma facilidade enorme (e que lhes é atribuída conscientemente) de catalagar alguém de "bestial" a "besta" em menos de nada. Falo objectivamente das últimas manchetes dos diários/semanários, e mesmo tempo de antena das várias estações televisivas. Vejamos por ordem de "importância":

1) Caso Maddie

Sem dúvida um episódio que teve início envolto num misticismo enorme. Sem qualquer margem para dúvidas, qualquer pessoa, desde Portugal, passando pela China recôndita e terminando no Canadá, ficou sensibilizada para este flagelo. Há cinco meses, naturalmente. As provas indiciaram outros aspectos menos explorados na investigação, em consequência da utilização de cães pisteiros, especialmente treinados para detectar odor de cadáveres. Como não poderia deixar de ser, e tendo uma confirmação de sensivelmente 80% que apontava inquestionavelmente na culpabilidade dos pais, veio noticiado que nem sempre os cães são eficazes. Curioso, no mínimo;

Flagrante também será a avaliação da Polícia Judiciária em todo este caso, feita pela imprensa estrangeira. Considerada uma das melhores polícias mundiais, e estando a envidar todos os esforços no sentido de dar resposta a um caso mediático com a projecção deste, já foi alvo de muitas críticas pela imprensa estrangeira, muitas delas sem qualquer tipo de substracto. Talvez por agir segundo o procedimento, talvez pelo facto de não querer levantar falsos testemunhos, optando por uma via mais sensata, mais ponderada, e explorando todos os ângulos das suspeitas, antes de emitir comunicados ou dar conferências de imprensa;
Quanto aos pais, não tenho muito a dizer. Espero sinceramente que consigam justificar cabalmente o porquê do sangue dentro de casa, o sangue no carro e que efectivamente justifiquem de forma coerente, sustentada e acima de tudo genuína alguns aspectos menos claros, como sejam as versões divergentes dos amigos relativamente aquela noite, bem como o facto desses mesmos amigos se terem remetido ao silêncio.
2) Caso Mourinho

Detesto futebol. Abomino, mesmo. Mas entendo que seja um desporto que possa dar prazer assistir, e que seja motivo de conversa para uma semana inteira. Desde que mais de 3 décadas que sei que assim é. E sei disso. Não gostando de futebol, respeito quem gosta, e admito que algumas combinações possam ter de ser adiadas para um horário "pós-jogo", na medida em que aqueles que gostam do desporto rei saciem o teu gosto. Parece-me pacífico.

O que não me parece razoável é que um treinador de futebol de um clube qualquer, seja capa dos principais jornais. Menos razoável ainda me parece, e me suscita alguma curiosidade, em perceber a razão de jornais como o "The Times", tidos como perfeitamente conservadores fazerem capa desta notícia. Basicamente, um clube inglês que conquistou um título que há 50 anos não conquistava...e? Não será essa a obrigação do treinador, enquanto responsável pelo treino de uma equipa, e ao serviço de um determinado clube? Não será isso que está implícito contratualmente? Não entendo. Faz-me uma grande espécie.

Pior ainda, quando um comentador televisivo é convidado a partilhar a sua visão relativamente a um determinado assunto, que por sinal até diz respeito à realidade nacional, na medida em que só por acaso até versava a questão das eleições internas do maior partido político da oposição. Não acho normal que interrompam o directo da entrevista, para veicular a notícia do supracitado treinador a chegar ao aeroporto. Acho deprimente, e sinceramente, creio que há uma inversão de valores. Não creio, tenho a certeza, até porque o responsável pela grelha da informação deste canal televisivo, desvalorizou a reacção do comentador televisivo, aludindo ao carácter intempestivo e desproporcionado. Não me parece que tenha sido. Muito pelo contrário. Foi adequado.
Preocupa-me que este tipo de exemplos possam massificar-se. Preocupa-me que as temáticas realmente importantes sejam relegadas para um plano secundário, em prol da obtenção do "share" ou mesmo negligenciadas com vista à obtenção de tiragens referenciais.
Acredito que a solução não passe pelo "lápis encarnado", mas creio que em alguns casos, deveria existir um organismo regulador deste tipo de situação. Aliás, tem mesmo de existir, porque assim não sendo, existe o real risco de que o panorama de descontrole e desresponsabilização dos orgãos de comunicação social, derivado de uma má prioritização dos blocos noticiosos.

segunda-feira, julho 30, 2007

A Amizade

Faltam apenas 4 dias. É verdade. Um dos meus melhores Amigos vai viver para Espanha, junto daquela que escolheu para ser sua companheira. Encaro este gesto como sendo um acto corajoso, heróico, e sobretudo nobre. Nobre na medida em que é consubstanciado por uma boa causa, e que demonstra o tal espírito empreendedor e que movido pelo amor...não há barreiras.

Há já algum tempo tinha escrito sobre a Amizade. Tenho poucos Amigos, e muitos conhecidos, ou "amigos". Não me vou alongar muito sobre a diferença de semântica subjacente, até porque já existe neste blog um texto alusivo a essa temática. Remeto-os(as) para a leitura do texto. :)

Os poucos Amigos, foram ficando ao longo dos anos. Muita ondulação, muita discussão, muitas alegrias, angústias e tristezas partilhadas. Ainda que em alguns casos não tenha existido uma convivência tão próxima quanto eu gostaria (fruto das vidas profissionais, planos afectivos, entre outras), o relacionamento esteve sempre lá. E quando foi necessário, "estavam lá". É bom ter essa consciência e percepção. Laços cimentados há mais de 10 anos, especialmente com meia dúzia de pessoas. Desta meia dúzia de pessoas, destaco 4, que ao longo destes anos todos, viveram comigo muitos episódios, como sejam finais de ano, fins-de-semana, kartadas, paintball, férias de Verão...entre muitas outras coisas.

A idade avança, a ambição e opções de vida estreitam-se, e a dada altura, opta-se por determinado tipo de caminhos que parecem ser os melhores, os mais certeiros. E tenho a certeza que o serão, atendendo às pessoas que são. Tenho pensado que poderão constituir "alavancas" para uma plataforma de melhoria e reconhecimento profissional.

Estas linhas são escritas com alegria e algo saudosismo pelo facto dos meus melhores Amigos estar de partida para Espanha, dentro de 4 dias. Vai viver e trabalhar no país vizinho. Outro dos meus melhores Amigos já está na Holanda. Em menos de um mês, dois Amigos "zarparam" para fora de Portugal, e valha-me o facto de manter cá outros dois...que me são mais próximos. Os outros dois restantes, são muito especiais, mas não têm o lugar que estes têm.

Acredito que com uma distância maior entre nós, os laços sejam ou fiquem mais cimentados. Quero acreditar que os laços de Amizade se irão fortalecer, mantendo o mesmo carácter genuíno que sempre mantiveram até à data. Como alguém dizia há uns anos atrás "As Amizades são como as plantas..têm de ser regadas." E acredito que estas vão ser alimentadas.

Resta-me desejar a ambos o melhor deste mundo e "do outro". Sei que vão ler estas frases e achar lamechice, e algo "abichanado". Mas não me incomoda minimamente. Já dei muita prova do contrário (a qualquer um dos dois). :)

De qualquer das formas, aqui fica, para a posteridade o meu agradecimento por vos poder ter como Amigos. Boa sorte a ambos!!

domingo, julho 29, 2007

Verão 2007

O Verão é daquelas épocas do ano que não adoro particularmente. Por toda uma série de razões, que passam pelo calor excessivo (e consequente má disposição| irritação| aumento da ansiedade), e adicionando o trânsito diário, o cocktail não poderia ser mais explosivo...

Também é marcado pelo culminar da actividade política e início da temporada futebolística. Se neste último caso iniciar ou terminar sugere-me a mesmíssima coisa (ou seja, nada, porque detesto futebol), já no primeiro caso é algo que sigo com alguma atenção. E estou atento aos últimos pormenores, veiculados pelos media. Falo objectivamente das eleições intercalares, falo do "desnorteio" do maior partido da oposição, do clima de censura/medo vivido no interior do partido do Governo e partilhado num artigo de opinião da semana passada redigido pelo Manuel Alegre. Curiosamente, uma pessoa que tem vindo a conquistar o meu apreço, não só pela sua frontalidade e à vontade para debater questões intrínsecas ao partido, mas também pelo resultado expressivo obtido nas últimas presidenciais, enquanto independente.

O primeiro ministro José Sócrates tem vindo a perder algum protagonismo nos últimos tempos. Não só pela questão do seu diploma universitário (que curiosamente deixou de ser falado), bem como a questão da avaliação e desmobilização direccionada para a função pública, o famosíssimo "Caso Charrua" e ainda a questão da contratação das crianças para o tema relacionado com o Plano Tecnológico para as escolas portuguesas. (Apenas um pequeno apontamento na medida em que acho que quem criticou o Governo, deveria antes pensar na exploração/trabalho infantil dos actores que contracenam nas novelas portuguesas. Faz sentido que o façam, ao invés de inusitadamente criticarem sem que exista qualquer tipo de sustentação lógica e enquadrada).
É visível o cansaço de Sócrates nos últimos tempos, numa altura em que decorre um evento muito importante em Lisboa, e para o qual Sócrates mobilizou todos os esforços. A postura de político que controla tudo e todos, tem os dossiers todos sabidos, de fio a pavio...começa a adquirir outro tipo de contornos. A par e passo, a equipa de trabalho começa também a denotar algum cansaço. E a curto/médio prazo poderá dar sinais de debilidade.


Relativamente às eleições intercalares em Lisboa, a vitória esperada do PS. António Costa é um "peso pesado" que sai do partido, para assumir os desígnios da Câmara de Lisboa. Ainda que existam naturais ligações que certamente serão facilitadas pelos canais privilegiados de comunicação, tendo em conta a ligação que tem com o Governo, não tem tarefa fácil pela frente. A ver vamos, e o tempo mostrará como leva o seu projecto e compromisso avante.
Surpresa das surpresas, foi o resultado obtido pelo Professor Carmona Rodrigues. Lamentavelmente, e com uma taxa de abstenção das maiores desde sempre (62%) conquistou um valor bastante expressivo, que aponta para uma vitória pessoal. Não entrando Negrão na corrida, certamente que António Costa teria alguma dificuldade em ganhar as eleições.
Relativamente à crise interna do PSD, pouco mais há a dizer sobre o tema. Dos candidatos à liderança, não reconheço notoriedade no Marques Mendes. Falta-lhe "nervo", protagonismo, audácia. Tem um bom perfil de político, mas começa a ficar cansado. Tem como vantagem a associação dos pesos pesados do partido. Pinto Balsemão, Manuela Ferreira Leite, entre outros. Aguiar Branco desistiu a meio da corrida. Falta de apoio (tinha o de Morais Sarmento e de Arnaut), mas entendeu que não será este o momento certo para avançar. Luís Filipe Menezes parece-me ser um bom político. Contudo, terá o mesmo handicap que Marques Mendes tem. Não tem projecção, não tem "fibra", não tem o perfil necessário e exigido neste momento para ser o líder da oposição. Bons candidatos seria a Manuela Ferreira Leite ou mesmo Rui Rio. Mas não estão disponíveis neste momento. Infelizmente.

A ver vamos que nos reserva a reentrée...



domingo, dezembro 24, 2006

Natal 2006

É certo que muito se passou desde que aqui deixei algumas linhas...Mais certo ainda que iniciei uma nova fase na minha vida, que me toma bastante tempo, e que naturalmente me impossibilita de aqui vir..com a regularidade que julgo ser necessária para ir dando conhecimento de algumas opiniões relativas a temas actuais.

O Natal sempre teve um significado especial para mim. Desde miúdo, confesso. Envolto numa aurea de misticismo, envolto em mistério, cheiros característicos (fritos, pinheiro, papel de embrulhos....), entre outros tantos odores característicos desta quadra...

Contudo, e creio já ter focado esta minha apreensão, não entendo o porquê de muita gente celebrar uma quadra que afinal...diz respeito ao nascimento de Jesus Cristo, sendo naturalmente motivo de alegria para a religião católica. Ou seja, uma festa para os católicos. Faz-me alguma confusão pensar que todos aqueles que se dizem ateus durante o resto dos 11 meses, troquem prendas, que não significa mais do que a alusão das oferendas dos Reis Magos para o filho de Deus...Chamo a isto hipocrisia. Ou heresia. Conforme preferirem. Igualmente me faz alguma confusão pensar que todas estas pessoas celebram os feriados religiosos. Em bom rigor, e sendo coerentes consigo mesmos, não deviam ir trabalhar? Pois...mas sabe bem ficar em casa, ainda que o motivado por algum feriado religioso...

É triste, mas cada vez mais se verifica um afastar dos valores religiosos. Cada vez mais se constata que a instituição secular "Igreja" não consegue cativar a atenção das camadas mais jovens. E cada vez mais, se verifica que as pessoas trocam prendas entre si, sem saber o real significado ou simbolismo inerente.

Dá que pensar...e até hoje, poucas foram as pessoas que me conseguiram explicar tudo isto de uma forma que eu compreendesse...

Boas Festas para todos (para os católicos e para os não católicos)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cetraria - Uma Arte Medieval

Caríssimos (as),

Desde muito cedo me fascinaram os predadores. Desde os tubarões, passando pelos grandes felinos (tigres, leões, leopardos), e naturalmente a águia-real e falcões. Ou seja, três elementos presentes - água, terra e mar.

Há coisa de uma semana quis desenvolver um pouco mais o meu conhecimento acerca das aves de rapina, especialmente os falcões. Não sei se consequência de algum documentário, não sei se de algum filme, e assim o pensei, assim o fiz. Busca na internet, e voilà....mais algum conhecimento acerca desta arte. Não me vou debruçar em grandes dissertações, até porque qualquer um de vós poderá efectuar uma busca como eu, e eventualmente aprofundar mais o conhecimento relativamente a determinadas temáticas inseridas neste domínio.

Apenas e só queria partilhar convosco este meu fascínio, e promover um pouco esta arte, que remonta à época medieval. Das várias aves de caça, e das várias sub-espécies que existe, relativamente aos falcões, aprendi que existe uma espécie relativamente frequente no nosso país, que pratica um "alto voo", em que normalmente o falcão intercepta a presa, "preando" no ar, sendo que a velocidade atingida pelo falcão, em voo picado, e praticamente vertical ronda os ....300 Km/H. Pasmem-se, mas é a mais pura das verdades. Um bicho que tem menos de 1,5 kg, na maioria das vezes, conseguir atingir este tipo de velocidade. E é lógico que este tipo de voo me delicia... Já há bastante tempo que conhecia a utilização dos falcões nos aeroportos. Aliás, para quem compra usualmente o jornal "Expresso" (último final de semana 30 de Agosto de 2006), poderá ler um artigo dedicado a um tratador de falcões, e promotor da reprodução da água-real, que como se sabe, é uma espécie em vias de extinção.

Neste mesmo artigo (e que não era novidade para mim), é mencionada a utilidade dos falcões como "polícias do ar", ou seja, como aves predadores que afastam outras aves do espaço aéreo, impedindo desta forma o fenómeno de birdstrike, ou seja,e para quem não sabe, um fenómeno relativamente usual nos "pássaros de metal", que é caracterizado pela sucção das aves (a sério), pelos reactores, com consequentes danos para as pás das turbinas. O mesmo adestrador do falcão do aeroporto de Lisboa treinou os falcões do aeroporto de Faro. Acho isto sublime. Haver um pássaro pequeno, que afugenta os outros, através de acrobacias aéreas e descrição de voos picados..Adoro isto. Um pormenor interessante, relativamente aos falcões, prende-se com o facto de serem uma das poucas espécies animais em que o macho é fisicamente inferior à femea. Chama-se a isto dimorfismo sexual, dizem os entendidos.

(...)" As fêmeas de todas as espécies são maiores que os machos, recebendo na nomenclatura cetreira o nome de primas, por serem sempre as preferidas para a caça. O macho recebe o nome de treçó por ter, sensivelmente, um terço do peso da fêmea.."(...) [ in http://www.ectep.com]

Sem dúvida que vou querer saber mais informações desta arte. Um pouco para ganhar sensibilidade para este mundo (até porque não me parece pacífico tentar adestrar um tubarão branco ou um tigre siberiano)!!

Cumprimentos

terça-feira, julho 25, 2006

Os inocentes na Guerra

Estamos perante mais uma "guerra de ideologias", ou por outra, uma guerra entre uma nação que é Israel e uma facção extremista, Hezzbolah. Sempre foi algo que me suscitou grande confusão, na medida em que desde que me recordo sempre houve qualquer tipo de guerra nesta zona do globo.

Adiante. No referido jornal de hoje, ("metro", distribuído gratuitamente nas estações), que li aquando da minha viagem de metro para o emprego, senti a minha vista presa a uma fotografia de uma criança com 4 anos. Dizia o artigo que a mesma "descansava no hospital, após ter visto a sua casa destruída e o seu carro atingido por rockets".

Não conheço a realidade da guerra. Felizmente. Aquilo que sei, e que me faz pensar ou repensar em tudo, é a violência com que estes ataques são perpetrados, bem como o número de inocentes que são colhidos aquando dos mesmos. Uma coisa será ter um alvo pré-determinado, e infligir um ataque preparado ao milímetro. Outra coisa será desenvolver uma operação ou teatro de guerra completamente desprovido de sustentação técnica, orientação militar válida e...porque tem de ser. Este "tem de ser" nunca me convenceu. Não me convence e jamais me irá convencer. Enquanto morrerem crianças, enquanto crianças que ainda nem conseguem andar ficarem orfãs de pais...não irei ficar convencido. Lamento. E sou militarista, note-se.

Como em tudo, há os chamados "danos colaterais", ou seja, uma facção marginal, ou uma ínfima minoria de possibilidades que mancham um conflito bélico. Uma coisa será recorrer indubitavelmente ao corte das relações diplomáticas, mas sendo que para tal recorre-se ao "diálogo" bilateral, outra coisa será avançar para uma ofensiva bélica. Desenvolvimento de vários teatros de guerra sem que para isso seja possível aferir os tais danos colaterais, ou seja, vítimas inocentes estropiadas, mortos, crianças orfãs, etc.

Não sei para onde caminha este mundo. Um mundo cruel para muitos, e menos cruel para outros. Ainda que menos cruel, duro. Nem todas as pessoas têm a capacidade de sobreviver ao mesmo, teoria postulada por Darwin (Teoria da Selecção Natural). Mas impedir, clivar, impedir que seres humanos inocentes e completamente alheados das reais razões de um conflito tenham de "pagar a factura", creio ser inadmissível. Insustentável e objecto da minha repulsa e indignação.

Devo dizer que a foto (pequena, sem sangue visível e só com uma mão de uma criança a soro) me impressionou bastante. Bastante. E devo dizer que não sou uma pessoa facilmente impressionável.

Para terminar, quando alguém disser que a vida lhe corre mal, e que é madrasta...pense neste criança de hoje, dia 25 de Julho de 2006, que possivelmente perdeu os pais e restante família num atentado. Quando tentavam fugir de sua casa, no seu carro...desconhecendo as razões pelas quais encontram a morte num atentado. Fica cá a criança. "A descansar no hospital".

Pensem nisso antes de avançar com teorias de que tudo corre mal. Da minha parte, dou-me por satisfeito se deixar de ler que crianças de 4 anos "descansam no hospital".

Skimming

Quem anda de metro diariamente, como eu, está a par das notícias do nosso quotidiano. Através de uma publicação que julgo ser excelente. Directa, sem grandes floreados, e onde se encontra a toda a informação necessária acerca do que se passa cá no "rectângulo" e fora do mesmo.

Entre outras notícias (como por exemplo a tão mediatizada guerra em Israel, que será objecto de uma dissertação minha a seu tempo), e não descredibilizando as mesmas, uma das notícias digeridas pela minha mente, a esta hora matinal foi o fenómeno skimming.

Para quem teve uma formação longa e continuada em institutos de língua britânica como foi o meu caso, entende esta palavra. Durante os sucessivos anos em que tive oportunidade de frequentar este tipo de ensino, sempre foi promovido aquilo a que os nativos do Reino Unido denominam de skimming reading. Em suma, não é mais do que aquilo a que chamamos de "leitura na diagonal" de um texto, sendo que é potenciada a absorção da informação relevante. Por outras palavras, é sugerido ao aluno que rapidamente leia um texto, e rapidamente fique com uma ideia global do conteúdo do mesmo. Uma forma inteligente de optimizar o tempo de estudo e pelo que me foi dado a entender, sobejamente utilizado no ensino além-fronteiras.

O recurso à mesma terminologia no nosso léxico, numa altura em que cada vez mais recorremos aos anglicismos, tem que ver com um fenómeno relativamente recente (de há 10 anos para cá), e que em português "camoniano" tem um nome bem mais simples e do conhecimento geral - clonagem de cartões de débito.

Como é feito? O artista ou chico esperto (actividade em que os portugueses são exímios) dedica algum do seu tempo a construir uma micro câmera que instala numa caixa multibanco (ou ATM), da mesma forma que altera a ranhura de entrada do cartão. Assim sendo, consegue duas coisas: i) O movimento dos dedos da pessoa que está na caixa ATM, o que naturalmente lhe dá acesso ao código pessoal (supostamente secreto), ii) a clonagem propriamente dita da banda magnética do cartão.

Tudo isto é recente. Quando utilizo a palavra recente, penso em algo com 10 anos. Ou mais. As minhas distâncias temporais tendem a ser mais imprecisas, mas sei que há uma década atrás o meu pai, estando em Lisboa, em casa, soube que o seu cartão de crédito tinha sido utilizado para compras numa loja de electrodomésticos em Nova Iorque. Curioso, não? Mais ainda assim, na altura, as coisas eram feitas de uma forma mais rudimentar. Ainda predominava a questão da ingenuidade global, a questão de "não ver qualquer problema no facto das pessoas desaparecerem com o nosso cartão", sendo que posteriormente aconteciam surpresas. O meu pai foi um dos visados. E serviu-lhe de emenda.

Quero com isto dizer que o fenómeno da clonagem de cartões não é novo entre nós. Nem entre nós, nem em parte alguma do globo. Tudo bem, deverão existir zonas do planeta Terra onde nem existem cartões..mas desses não falo. Falo dos países teoricamente desenvolvidos (ou em vias de desenvolvimento), onde há participações de desfalques nas contas bancárias, por parte dos clientes, e cria-se sem qualquer sombra de dúvida um mall-estar. Entre banca e cliente. De quem é a culpa?

Na minha opinião, o culpado aqui só é um. Respeitadas todas as regras de segurança inerentes ao pagamento do que quer que seja com "dinheiro de plástico", não perdendo o cartão de vista NUNCA, a imputação de culpabilidade só pode ser feita "aquele" que tendo conhecimento da realidade tecnológica não investe na segurança dos seus clientes. E permite que se crie uma situação de mal-estar que poderá comprometer o bom relacionamento entre ambas as partes. Falo das instituições bancárias.

Meus senhores...acordem para a vida. Não é com uma atitude displicente e "polvilhada" com o facilistismo, ou "nacional porreirismo" que se consegue pôr cobro a situações deste tipo e importância. Não é assumindo uma postura inerte que as coisas vão ao seu lugar.

De uma vez por todas, justifiquem aquilo que vos é pago!

segunda-feira, julho 17, 2006

Situações caricatas

Após a minha leitura diária do diário "Público", apercebi-me que muito recentemente houve um problemazito reportado à entidade que faz a gestão dos aeroportos (ANA), consequência de uma aterragem de um avião proveniente das Canárias, e que levantou umas telhas de uma habitação, devido à impulsão dos reactores.

Curioso ou não, a mesma entidade gestionária aconselha o morador a contactar a empresa "Portway", a quem serão imputados os custos advenientes da reparação da referida habitação. Custa-me um bocado a acreditar nisto. Aliás, não me custa a acreditar. É algo recorrente em Portugal, e algo que nos caracteriza - o célebre "jogo do empurra".

Ao invés de assumir o encargo financeiro de imediato, suportando os custos todos da reparação e posteriormente negociar com a companhia aérea as responsabilidades, tem o queixoso, neste caso proprietário da residência afectada que contactar uma tal empresa que lhe foi indicada pela entidade gestora. Parece-me sem dúvida mais uma "pérola" de Portugal-no-seu-melhor, e sem dúvida mais uma que irá ficar nos anais da história.

A semana passada um amigo meu atropelou mortalmente dois cães na auto-estrada de Cascais, na A5. Lembro-me muitas vezes da minha mãe comentar em casa, que na altura em que tirou a carta de condução, o instrutor lhe disse que a acontecer algo do género, nunca se desviar..e atropelar os animais. Se quando era mais novo esta sugestão me parecia altamente egoísta e com requintes de sadismo, hoje em dia compreendo o porquê das coisas, bem como compreendo a fundamentação da mesma sugestão. Antes o animal que nós, que, ao desviarmo-nos podemos ter um acidente fatal.

Contudo, há outro prisma que convém analisar. Entender e interiorizar. Quando me desloco num determinado troço de estrada, e ainda para mais sendo pago (por intermédio de portagem), confesso que gosto de me sentir seguro. Não é sentir que a estrada está boa...(até porque isso só acontece durante os primeiros anos de exploração da mesma), mas sentir que estou seguro. Sentir que me posso deslocar a velocidades elevadas (minha conta a risco), sem que me tenha de deparar com alguma "variável exógena ao binómio automóvel-estrada". E é aqui que as entidades que exploram as auto-estradas falham. Recordo os exemplos de vandalismo de há alguns anos atrás (sendo que alguns ainda estão na barra do tribunal), bem como os não raros exemplos de animais que surgem na estrada, e provocam os acidentes. Mais ou menos graves, mas provocam.

No caso deste meu amigo, e porque não se quis maçar com muita coisa, não chamou as autoridades, nem tão pouco imputou a responsabilidade a quem de direito. Neste caso à Brisa. Um erro crasso, na minha humilde opinião. Na medida em que deveria ser mais um atestado de não conformidade manifesta à concessionária.

É por esta e por outras que Portugal anda como anda. As pessoas não querem ter chatices. O sistema está altamente "viciado", e existe um clima de impunidade latente. Entre outras, a Brisa é uma das empresas que decerto terá imensas queixas. Como por exemplo o facto de continuar a cobrar portagem aquando das obras de beneficiação da auto-estrada de Cascais. Ainda que a estrada não estivesse dotada de qualquer tipo de condições para o bom e regular funcionamento da mesma. Ou seja, pagava-se portagem para não ter boas condições e fluidez de tráfego.

Como sempre, será um pormenor secundário...



quarta-feira, junho 14, 2006

Opel Azambuja

Era algo de esperar. Passou uma peça à hora de almoço, e à hora de jantar passou de novo a mesma peça, com mais detalhes. Parece que a Administração GM não está contente com o gasto "excessivo" da fábrica nacional. Avançam com valores de 500€ a mais / carro produzido, o que não deixa de ser um valor redondo. E curioso. Estamos a falar de cerca de 1700 trabalhadores que laboram neste complexo, e cuja actividade incide especificamente na construção da Opel Combo. E que têm os seus postos de trabalho seriamente ameaçados, fruto de uma deslocalização para Espanha ou para um país do leste europeu.

Convém salientar que a produção da Azambuja é responsável por cerca de 0,6% da riqueza nacional (leia-se PIB), pelo que embora possa parecer um valor irrisório, é naturalmente um número que se deve ter em conta, na conversação que se espera bilateral entre a Tutela e a GM. Sendo que para tal, se encontra em território nacional o Vice-Presidente do construtor norte-americano. Uma das questões que desde logo me "assalta a mente", é a profusão de notícias veiculas. Se de manhã os trabalhadores da Azambuja receberam um e-mail a dizer que o complexo ía fechar, em consequência de uma operação de deslocalização da fábrica (adoro este chavão), de tarde veio o Ministro da Economia dizer que é necessário alguma ponderação, e que o Governo Português está ciente da necessidade do diálogo. Ou seja...será um argumento demagógico para protelar o futuro do complexo? Será mais uma (entre tantas outras) "manobras de diversão" por parte dos governantes para perpetuar a instabilidade?

Curiosamente a massa trabalhadora da Opel na Azambuja já entendeu onde vai isto parar. E foi avançando com a exigência de 30 milhões de euros decorrentes do pagamento de vencimentos até 2009, altura em que finda o contrato de produção da Combo. Isto fora indemnizações. A GM é o maior construtor mundial. Cerca de 32000 trabalhadores, se não estou em erro. Desconhecia este pormenor. É também responsável pelo despedimento massivo de trabalhadores, isto falando "worldwide". Pergunto eu: - Numa altura particularmente complicada, em plena recessão económica e com todos nós a fazer contas à vida, não deveria a Tutela assegurar todo e qualquer mecanismo que garantisse o posto de trabalho a quase 2000 trabalhadores? Vejam o que aconteceu na Auto Europa. Por um triz também não foi deslocalizada. Desta feita, pelo que foi anunciado na altura pelos meios de comunicação, para um país do leste. Muito sinceramente, estou consciente da realidade. Não sou utópico, e muito menos gosto de esgrimir argumentos demagógicos, particularmente quando está em causa o "ganha pão" de tanta família.

Também estou plenamente consciente de que a realidade portuguesa é algo diferente da dos demais países. Especialmente aqueles em que a mão-de-obra / hora é mais barata. Sendo que o produto final é o mesmo. Neste caso específico um determinado modelo, de um conhecido construtor de automóveis. Contudo, não posso deixar de manifestar o meu desagrado e indignação face aos últimos desenvolvimentos. É mais forte que eu, confesso. Não estamos a "brincar ao faz de conta", e estão em risco muitos postos de emprego. Ou seja, mais instabilidade. Menos segurança, mais entropia no sistema todo. Tenho muita pena se perdermos esta oportunidade. Aliás, foi também avançada a hipótese das conversações durarem durante as próximas 5 semanas, ou seja, tentar-se encontrar uma solução viável para o complexo. Já trememos com a fábrica de Palmela (VW) e creio que vamos tremer, ou mesmo cair com esta da Azambuja. Pena que poucos ou nenhuns argumentos tenhamos para mostrar a mais-valia decorrente do construtor continuar a investir por cá. Aliás, temos mais contras que prós.
Começando pelo preço da mão-de-obra.

Numa altura em que estamos particularmente fragilizados, é muito perigoso que se comece a utilizar a "gestão de empresa", e a reduzir onde há efectivamente gastos. Necessários, é certo, mas não deixam de se traduzir numa factura mais alta para a própria empresa, a jusante. Entendo isso...mas também estou sensível às 1700 pax que vão ficar sem emprego.

Dualidade estranha...não é?

terça-feira, junho 06, 2006

Incêndios 2006

Foi com alguma consternação que assisti a uma peça no telejornal da hora do almoço sobre o combate a um incêndio que terá deflagrado no norte do país, concretamente em Fragoso, concelhia de Barcelos.

Não entendo o porquê de tanta conversa, de tanto discurso "politicamente correcto", de tanta reunião entre os diversos grupos parlamentares, para, no momento em que eclode um incêndio que à partida seria rapidamente circunscrito, além de não o ser, provocou uma revolta espontânea na população local, fruto de uma "inactividade da corporação dos soldados da Paz".

Passo a explicar. Pelo que depreendi da peça, e que depois foi explicado por uma autoridade na matéria, actualmente o combate ao incêndio é "pensado" de outra forma, diferente daquela que sempre existiu, desde que me conheço.

Como é sabido, e normalmente, há uma dor de cabeça para os bombeiros. Ou seja, quando existem várias "frentes de ataque" do incêndio, o que como é lógico, torna severamente complicado o combate ao mesmo e compromete a eficácia da operação. Curiosamente, em Barcelos, não foi o que sucedeu. Havia uma frente conhecida, e os bombeiros tentaram combatê-la, com os meios que tinham ao seu dispôr..mas não com todos.

Aqui surge uma nova variável. Quando se fala em meios de combate aos incêndios, é sugerida de imediato a ideia do(s) bombeiro(s) com a mangueira de alto débito de água, mas também os meios aéreos. E não foi o que aconteceu. Na peça, alguns populares revoltados, afirmavam peremptoriamente que não tinham sido desbloqueados todos os meios para combate ao referido incêndio, nomeadamente o pedido de auxílio aéreo..E isto teria de ser feito pelo Chefe de Bombeiros locais. Porque pelo que parece, é normal só desencadear esta linha processual quando os homens em terra constatam que não dão conta do recado..

Pergunto eu...qual é o limite? Têm de existir famílias que fiquem sem casa e sem meio de sustento para que este tipo de meios seja activado? Nomeadamente o aéreo? Há necessidade de protelar um combate mais prolongado, mais cansativo, mais complicado com as elevadas temperaturas que se têm feito sentir, sendo que um pedido de auxílio poderia minimizar fortemente as consequências do incêndio?

Mais uma vez, Portugal está na vanguarda. Comanda o pelotão, como sendo um dos países em que mais se fala e menos se faz. Fala-se também em antecipar a contratação dos aviocars, na medida em que a época dos incêndios parece que começou mais cedo..

É pena que as pessoas não entendam que temos este flagelo, anualmente. E mais...este ano vai ser particularmente complicado, com um esperado aumento da temperaturas médias...

A ver vamos como corre tudo.

terça-feira, maio 30, 2006

Insegurança nas Escolas

Assisti com alguma incredulidade a uma reportagem que acabou de passar no telejornal da RTP 1. Sobre algumas escolas secundárias, e objectivamente acerca da insegurança das mesmas. Nunca pensei que fosse algo tão preocupante, bem como sempre associei a insegurança a algo pontual, ainda que existente. Não foi bem isso que ficou evidente na peça que acabei de assistir, e um sentimento de ódio, raiva, e sobretudo fazer justiça com as próprias mãos emergiu em mim. É certo que temos de controlar as emoções que teimam em surgir nestes momentos, mas é complicado. Muito complicado mesmo.

Sendo militarista e simpatizante de uma determinada corrente ou ideologia política muito especial, bem como sou apologista de uma máxima defendida noutros tempos, em que o docente era respeitado. Independentemente da sua idade, era respeitado. Talvez não vá ao ponto de defender que se deva rezar quer no início, quer no final da aula, mas sou apologista da deferência para com aquele que nos ensina. Ou seja, levantar-se da mesa quando alguém entra, e sentar à ordem. Parece-me pacífico, parece-me uma questão de boa educação, e sobretudo, parece-me um gesto respeitoso. Como todos sabemos, é algo que é manifestamente inviável, sendo que apenas e só é aplicado em instituições militares. E infelizmente. O problema, e que muita gente confunde, ou não quer entender e prefere manter-se numa confusão deliberada, é que o docente não é pai nem mãe. Nem tão pouco tem obrigação disso. O docente tem obrigação de ensinar, de formar pessoas, de partilhar conhecimento. De instruir, de orientar pedagogicamente. Não tem de educar ninguém. A educação vem de casa. E o problema começa exactamente aqui. Quando não há quem tenha mão. Ou saiba educar. Ou quando eventualmente existem quadros familiares problemáticos associados à droga, prostituição ou alcoolismo. Ou ainda porque há um "alhear consentido e manifesto" por parte dos tutores, ou seja, dos pais.

Em qualquer um dos casos, naturalmente que existirão repercussões na formação da personalidade do indivíduo, com consequente decréscimo do desempenho escolar, insubordinação e uma recorrente frustração que se torna evidente em actos de escape - agressões a docentes, assaltos, e agressões a outros colegas. Subsiste um fenómeno curioso, que tem que ver com a emancipação dos homens. Ou seja, necessitam de mostrar a sua virilidade invadindo outras salas de aula, desencadeando cenas de pugilato, assaltos a colegas indefesos e um semear de um medo constante em todos aqueles que partilham o mesmo espaço físico. Sala e escola. Há uns anos atrás surgiu o conceito de "Escola Segura". É certo que deverá ter as suas benesses. Não contesto. Mas será que é efectivamente bom? Será que funciona como elemento dissuasor de actos violentos? Será que resolve problemas sociais de classes menos favorecidas? Não me parece. É mais do mesmo, ou seja, mais areia para os olhos daqueles que começam num gradativo e continuado descrédito da instituição escola. Foi algo que algum governo resolveu instituir, para passar a imagem de segurança, sendo que negligenciou a resolução de problemas de fundo, como seja o auscultar os verdadeiros problemas associados á pobreza que em todo o país grassa. Outra questão que se me coloca, é a apatia e completa inaptidão para resolução dos problemas dentro da sala de aula e fora dela. Ou seja, concretizando melhor...se um docente não tem capacidade de resolver um problema..dentro da sua sala de aula, em que medida ou de que forma poderá ser respeitado? Da mesma forma que acontece no reino animal, aquele que for mais forte e impuser a sua força..vinga, os outros não. E esta teoria não é minha. É a teoria da selecção natural de Darwin. E é bom que quem vá leccionar para escolas problemáticas se mentalize disso. Naturalmente que terão de ser desencadeados toda uma série de ferramentas e mecanismos que possibilitem ao docente estar precavido de eventuas retaliações...que muitas vezes podem até não partir de dentro da escola, mas de fora da mesma. Mas para isso existe a polícia, não? Ou será que não competirá às autoridades policiais este tipo de incumbência? Às vezes questiono-me sobre isto....

Num dos episódios filmados por câmaras ocultas nas salas de aula, pude ver uma aluna com 13 anos a assediar um professor. Não era aluna de faculdade e não era uma mulher. Era uma miúda com 13 anos. Que futuro terá esta miúda? Não auguro nada de bom, para ser o mais sincero possível. E muito menos acho que alguém consiga ou tente fazer algo para modificar esta tendência. Numa era em que miúdos com esta idade já fumam mais que eu diariamente, ou já têm telefone portátil há 2/3 anos, está incutido o facilitismo. Que por sinal na minha altura não existia. Mas também não existiam muitas outras coisas, é certo. Coloco-me então, para terminar este pequeno desabafo, a seguinte questão...serei eu que não acompanho as tendências? Serei eu demasiado conservador? Será que parei no tempo e não adquiri a capacidade de entender determinado tipo de comportamentos? Que futuro terão os meus filhos? Que segurança terão os meus filhos e filhas numa sala de aula onde os colegas começam cenas de pugilato entre eles e arrastam os docentes para as mesmas? Na volta sou eu que preciso de fazer uma interiorização profunda...já que os problemas estão á vista de todos...e ninguém (quem de direito) parece interessado em resolver. Talvez dê muito trabalho e exija muito exercício mental, ou seja, trabalho mental. Talvez essas mesmas pessoas não se importem de pagar 1000€ para ter um filho num colégio particular, onde existem igualmente problemas, mas são "camuflados".

O ensino é gratuito e está ao alcance de todos. Mas em condições. Em segurança, com respeito pelos colegas e docentes. Com respeito por aqueles que estão a desempenhar a sua actividade profissional o melhor que podem, e que se esforçam. Com respeito para com os colegas, muito deles envolvidos em confusão, mas que querem singrar na vida, que não querem seguir as pisadas dos pais, e que querem ter uma oportunidade numa sociedade cada vez mais elitista e em que se promove o "nacional porreirismo" e facilitismo tão nossos. E que tão bem nos caracterizam. Ganhem vergonha na cara e vão para o obral se não querem estar na escola. Alanquem com baldes de cimento no lombo a subir 7 andares, e passam-lhes logo as manias todas. E as frescuras também. Nunca fez mal a ninguém.


O problema, caros amigos, começa e acaba na geração "demasiado branda" e nova que temos de governantes.

Tenho dito.

domingo, maio 21, 2006

O Código da Vinci

Depois de ter lido o livro há algum tempo, era com alguma expectativa que esperava o filme. Sentia uma curiosidade enorme, no sentido de perceber como iriam ser tratados alguns detalhes da escrita do Dan Brown.

E assim foi, vi ontem o filme. Não terá sido um dos filmes mais curtos que já vi. Muito pelo contrário. Tem uma duração de sensivelmente 2H 35 minutos, e acreditem...custa a passar. Mais ainda quando as condições de visionamento não são as melhores, nomeadamente uma extracção de ar viciado deficitária e uma sala cheia...Variáveis que deviam ser equacionadas na equação...Ainda para mais num filme tão publicitado, em que era normalíssimo esperarem-se salas cheias..

De qualquer das formas, o filme é bom. Não é excelente. Para quem aprecia um género mais "movimentado", este é daqueles filmes que não o é. É um filme descritivo, com mais cenas paradas do que movimentadas. Uma das personagens principais (O "Silas", para quem já leu o livro), não me parece que tenha sido bem escolhida. Imaginava uma personagem com outro tipo de compleição física, mais robusto, mais alto, mais corpulento e era uma pessoa normalíssima. São pequenos pormenores que reparamos, lá está...advenientes de uma leitura prévia do livro.

Para quem goste de história, nomeadamente aquela que versa os Templários, Prioridado do Sião, Opus Dei...sim, vale a pena. Acho que o Tom Hanks (Professor Langdon) está bom. Mas já o vi melhor noutros papéis. A actriz principal (Inspectora Neveau) não me parece com uma grande prestação. Demasiado mediana.

Ou seja, de 0 a 10..daria 5.

quarta-feira, maio 17, 2006

Mais um regresso...

Volvido não sei bem quanto tempo, aqui estou eu de novo. Não porque gosto de períodos de ausência prolongados, como foi o caso. Mas porque não tenho tido inspiração/paciência para escrever umas linhas. Desde já o meu mais sincero pedido de desculpas a todos(as) aqueles que aqui vêm à procura de novos textos.

Poucas serão as novidades que tenho. Relativamente a ocupação profissional, pouco há a dizer. Ou por outra, nada há a dizer. O mercado está estagnado, e para muitos recém-licenciados, grupo no qual me insiro, esta é uma altura particularmente complicada. Momentos de angústia, de insatisfação, frustração, entre outros sentimentos, são diariamente vivenciados por mim. E por muitas outras pessoas. É certo que nada depende de nós. Mas é igualmente certo que após uma pequena reflexão sobre este tema, há muita coisa que se poderia fazer, e não é feito. Infelizmente.

Enquanto aguardo que surja uma oportunidade de emprego dentro da minha área, regozijo-me com os argumentos esgrimidos pela tutela. Que na minha opinião se esquece que o País vive uma das mais elevadas taxas de desemprego das últimas décadas, que apenas pensa no dinheiro que vai ter de retirar aqueles que trabalharam um vida inteira, para que na altura em que deixaram de trabalhar, tivessem uma boa qualidade de vida. É gritante a facilidade com que se tenta resolver um e um só problema e não haja uma preocupação em analisar e tentar dar resposta a outros problemas. Mais graves, na minha leitura. Mas o que interessará será acima de tudo manter a calma, serenidade e a consciência de que melhores dias virão. Creio que este será o "chavão" que mais tenho ouvido nestes últimos 5 meses de parasitismo. Será assim tão complicado perceber que quantas mais pessoas entraram no mercado de trabalho, mais descontos existirão a jusante para a Segurança Social? E naturalmente menos problemática será a situação dos pensionistas?

Um pequeno apontamento relativo aos 150000 postos de emprego que o Governo disse que ía criar...desculpem-me a sinceridade mas vou ter de me rir durante meia hora. Estes postos de emprego são naturalmente muitíssimo relativos, e dizem respeito a estágios profissionais, ou seja, é um convite à precaridade das condições de trabalho. Contratos a termo, recibos verdes (em alguns casos) e naturalmente uma consequente falta de segurança imediatamente perceptível por parte de quem abraça o primeiro emprego. Nenhuma instituição bancária, consolidada e responsável aceita um empréstimo nestas condições. Ou seja, é naturalmente comprometida a individualidade, a independência de tantos jovens como eu, que querem sobretudo dar início a um projecto de vida em que acreditam. Nestas condições não é possível. Nem será tão cedo, através das palavras de alguém como o Prof. Cavaco Silva, actual Presidente da República, e figura proeminente na nossa sociedade, com conhecimento de causa. As coisas não estão boas e vão tender a piorar, no curto/médio prazo. Esta é a realidade.

E assim vamos andando e cantando. Uns com mais vontade que outros.

Resta-nos a esperança. E a serenidade de espírito. E apoio daqueles que gostam de nós.

P.S - Vou tentar arduamente não ficar tão ausente!! :)

terça-feira, março 07, 2006

A Amizade

Já escrevi sobre isto anterioriormente, e sem dúvida que é algo que na maioria das vezes sugere leituras/interpretações diferentes. A conclusão a que chego, sem sombra de dúvida, como muitos de vós já terão chegado em dada altura da vossa vida, é de que os meus Amigos podem contar comigo, mas eu raramente posso contar com eles. Não me faz ser diferente, apenas e só me desilude. Sou uma pessoa que estabelece diferenças entre "amizade" e "Amizade", sendo que esta última é revestida de uma importância que dificilmente é entendida por alguém que não estabeleça esta diferenciação. Contrariamente ao que muito boa gente possa pensar, eu sou daquelas pessoas que acredita que ainda há lugar à Amizade, sendo que a mesma, para que seja efectivada e cresça sustentadamente, tem de ser alimentada. É a partilha de alguma angústia, é a partilha de alegrias, tristezas, é a questão do aconselhamento...enfim, uma série de coisas.

Sou uma pessoa que pede pouco aos meus Amigos. Apenas e só que estejam "lá" quando preciso, e que façam por ter disponibilidade, quer mental, quer presencial se tal fôr necessário. Na maioria das vezes não acontece, e não raro acho que há uma deturpação bem visível do tal conceito de Amizade que tenho vindo a falar. A prova disso é visível nos mais pequeno gestos. Nunca fui, não sou e nunca serei uma pessoa materialista. Não me tenho como tal. Tenho-me como uma pessoa sensata, que gosta de ver a alegria estampada na cara das pessoas a quem dou algo. Quer seja no Natal, quer seja no aniversário, quer seja em alguma outra altura. Contudo, esta minha alegria não tem reciprocidade. Ou seja, as pessoas gostam de receber, mas gostam pouco de dar. Talvez não gostem de gastar dinheiro. Eu gosto, e sempre que o tenho, gosto de presentear alguém. E acreditem que doi um pouco quando os melhores Amigos(as) vos dizem no vosso aniversário que "depois vos dão alguma coisa", quando outras pessoas, que se calhar não têm esse "estatuto", se lembraram, e deram algo...É a triste realidade.

Contudo, é necessário ir aprendendo com as pessoas. Aprender simplesmente a pensar como elas, e a agir como elas. E basicamente é isso que terei de aprender a fazer, na medida em que hoje em dia não o faço.

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...