sábado, janeiro 02, 2010

Os Saldos

Há momentos na vida das pessoas que são ímpares. Inigualáveis. Se para alguns a época dos saldos culmina uma sequência lógica de acontecimentos (eg: final da estação, Natal, etc.), para outros, especialmente do sexo feminino (e alguns homens com sexualidade dúbia), é um momento do sublime êxtase. Qual orgasmo. Como não podia deixar de ser, e como vem sendo hábito de ano para ano, dei comigo no meio dos saldos. Não porque tenha especial prazer em fazê-lo..mas por necessidade mesmo.

Os saldos são a pior coisa que existe. Não me chocaria absolutamente nada que amizades de décadas caissem por terra, consequência da Mafalda ter visto (e agarrado de forma insultuosa e egoísta) a saia que a Mariana tinha visto logo que entrou na loja. Ou que a partir do momento em que a Mafalda agarrou naquela saia tivesse comprado uma guerra com a Mariana...que sem razão aparente começou a responder por monossílabos e a desviar a olhar sempre que questionada...

É claro que só pode haver um vencedor. Quem mais poderia ser a não ser as lojas? Para começar porque sobrecarregam os seus funcionários com horários duplos e triplos. Os mesmos funcionários que receberam a notícia que teriam de ir trabalhar no dia 02JAn, gorando os seus planos de irem passar a passagem de ano à Kadoc, com o Ruben (primo do Valter), que tem um cabelo espetado "muita querido", e umas calças pelo meio das pernas que lhe ficam a matar. E claro..as colecções deste ano, e dos dois anos anteriores, vendem-se como pipocas.

No meio, e completamente alheios a tudo isto, ficam as pessoas que por necessidade têm de se deslocar às grandes superfícies comerciais. Exasperam no trânsito para aceder aos estacionamentos, irritam-se porque têm de frequentemente estar a ligar o ar condicionado do carro para desembaciar os vidros, e de si e para si, contam em ordem descrescente de 100.000 para 0. Deus nos dê paciência...

Devia ser instituído do "Dia dos Saldos"..só para alguns (umas).

Próximo Tema: As Novas Oportunidades

sexta-feira, janeiro 01, 2010

2010

Passadas que são algumas horas da passagem do ano, devo, em consciência e antes de continuar, desejar as rápidas melhoras daqueles (as) que mais um ano se enfrascaram desde as 1900H de dia 31DEC2009 e que à hora do jantar já sentiam a língua tipo cortiça. Ou seja, tivessem dado palha ao jantar, o resultado teria sido o mesmo, teriam aceite e comido na mesma, tal não era o estado de embriaguez.

Entre outras coisas, há pormenores que não entendo. Qual é o objectivo de passar a meia noite completamente embriagado, ou mesmo alegre? Só me ocorre a imagem do tipo que durante o ano simplesmente não fala, ninguém dá por ele, e na noite de final de ano, revela-se. O seu Ego verdadeiro. O mesmo acontecerá com algumas delas...que durante 364 ou 365 dias poderão não ser muito diferentes das Missionárias do Cambodja e nesta noite tão especial mostram ser mais extrovertidas que a Linda Reis. Tudo com uns copitos a mais. Miraculoso.

Também me sugere algum tipo de ginástica mental, o entender o porquê da alegria na passagem de ano, as marteladas na cabeça uns dos outros, os apitos irritantemente sonoros, ou simplesmente, o porquê de se gastar tanto ou mais dinheiro comparativamente ao que se gastou nas compras de Natal para a família toda de 554 familiares. De resto, consigo igualmente perceber pelas indumentárias que vejo nesta altura, que ainda me resta algum bom gosto...ao contrário destas pessoas.

2009 foi um ano repleto de episódios péssimos, e que não valerá a pena elencar agora. O País encontra-se em crise económica. Há famílias em que deixou de haver dinheiro emcasa. Aqueles que trabahavam, foram incluídos em programas de "re-organização" levados a cabo pelas multinacionais nas suas várias representações pelo mundo inteiro. Deixou de haver o meio de sustento. Contudo, no virar do ano, e inexplicavelmente, todos os problemas deixam de existir. E quem observa "de fora" estas criaturas diria que seguramente foram afortunadas com o euromilhões, tal não é a alegria que extravazam.

Aqui por casa, às 2430H estava na cama.

Bom ano para todos (as).

Próximo Tema: Os Saldos

sábado, novembro 14, 2009

Yad Vashem


Um must go place, para quem visita Israel. Aproveitei o dia de ontem para fazer esta visita há muito desejada, na medida em que sou curioso relativamente ao que aconteceu durante a II Grande Guerra.

Uma coisa será ler os livros, ver filmes ou assistir a documentários que objectivamente e de forma muito próxima retratam o que aconteceu. Outra coisa será visitar um espaço que pretende mostrar / evidenciar a judeus descendentes (ou não) e a não judeus as atrocidades perpretadas por Hitler.

Não querendo alongar-me muito pelo que vi e senti, posso assegurar que é um espaço muito violento em termos de imagem, de sensações, de revolta sentida ao assistir a testemunhos de sobreviventes ou filhos de judeus mortos. Aquando da entrada neste espaço, de imediato senti um arrepio. Frio, gélido, enquanto assistia um filme em que várias crianças judias, em qualquer bairro judeu e em qualquer ponto do globo acenavam para a câmara. A candura, a inocência das mesmas faz com que as nossas entranhas se reduzam a um ponto, em virtude de se saber, com propriedade, que futuro as esperava. Para algumas, nesse dia, nessa semana, mês..etc.

Aconselho a toda e qualquer pessoa que, havendo oportunidade, visitem este espaço. Um dia que visitem Israel.

Acredito que possibilita o crescimento interior de qualquer pessoa....e mostra sem qualquer sombra de dúvida aquilo de que é capaz a mente humana.

terça-feira, maio 26, 2009

Bastonário Ordem Advogados

Tive oportunidade de ver hoje, pela primeira vez, uma entrevista da jornalista Manuela Moura Guedes (MMG), no passado dia 22MAY2009 ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto (AMP).
É pouco provável que alguém consiga passar indiferente às notícias de abaixo assinado para destituição do actual Bastonário. Sou uma dessas pessoas, e por "porta travessas" tive a possibilidade de ver esta peça, e que passei a considerar a melhor pérola em termos de jornalismo televisivo, que é uma entrevista da MMG ao Bastonário. Há muito que não via tão mau jornalismo, tão má prestação (e preparação) para a entrevista com uma má conduta, ética e pouco prestigiante para a classe dos jornalistas. Porventura será algo que lhe é permitido por ser casada com quem é, e que certamente lhe dá um espaço na sua cadeia televisiva.
Um espectáculo televisivo decadente, em que certamente os espectadores teriam ganho mais se tivesse tido lugar uma discussão inteligente, debate maduro de ideias e respeito. MMG, mais uma vez, e ao seu melhor estilo, abusou. E desta vez, acho que abusou muito. Põe em causa uma série de valores intrínsecos, éticos inerentes à classe de jornalistas. Mas por ser quem é, certamente que rapidamente esta (mais uma) infelicidade será perdida nos anais da história.
Quanto a AMP, gosto dele. Nunca tinha tido a oportunidade de com tempo, e atenção, ouvir o que tem para dizer. Gosto da frontalidade e da sinceridade com que diz as coisas. Com que toca os "senhores dos lobbies" e na forma como genuinamente apelida e categoriza aqueles que cometem ilegalidades. Há poucas pessoas assim.Infelizmente.
Cpts.,

sábado, abril 04, 2009

Dentistas

Tive de recorrer aos serviços do dentista ontem. Uma questão que me vinha a incomodar há algum tempo, e que careceu de atenção por parte de um profissional destas coisas.
Desde miúdo que tal como tantas outras pessoas abomino as idas ao dentista. O barulho das brocas, o cheiro, aqueles instrumentos pontiagudos que utilizam..tudo isso me provoca calafrios e me deixa sinceramente vulnerável. Sim, vulnerável.
A posição de deitado, em ângulo favorável ao médico para inspeccionar a boca, coloca-nos, na minha opinião, numa condição de vulnerabilidade ímpar. É certo que não pode ser doutra forma, tenho consciência disso. Mas aquela posição deixa-me muitíssimo incomodado, para ser sincero.
A ida de ontem ao dentista envolveu entre outros pormenores, duas anestesias locais (ministradas decorridos 40 minutos - entendeu o médico que até lá eu deveria ter a sensibilidade que julgou necessária), bem como umas marteladas no dente. Sim, literalmente marteladas.
Acresce o facto de que já estava na tal posição que considero incómoda, vulnerável. Foi uma "sova" que apanhei. Aliás, como todas as outras que apanhei ao longo destas décadas e objectivamente relacionas com idas a esta especialidade da medicina.
Interiormente, acho que são experimentadas sensações ímpares, com uma amplitude tal, que passam desde o extremo negativo caracterizado pela vontade de pregar o dentista à parede com uma cotovelada, trocar de lugar e usar a broca maior na língua dele, até ao extremo positivo que será um abraço forte e caloroso por ter sido aquela a pessoa que mitigou ou eliminou a nossa dôr.
Brevemente terei de lá voltar. Para mal dos meus pecados.

Cpts.,

terça-feira, março 17, 2009

Crianças

Não sou uma pessoa particularmente paciente com crianças. É certo que a idade nos molda e nos transforma, mas sou daquelas pessoas que detesta os guinchos, os berros estridentes e as insubordinações. Ou mesmo as "piscinas" que algumas crianças teimam em fazer, quando em almoços ou jantares com os pais. Má educação.
Não é isto que me faz escrever o presente texto. Tenho vindo a constatar, pelas notícias dos últimos dias, que crianças morrem (ou ficam no estado de coma), consequência da negligência dos progenitores. O recém-nascido que foi "esquecido" dentro de uma viatura, outro recém-nascido que caiu de uma altura de 15 metros, uma criança que foi arrastada por uma vaga ou os irmãos que deixados dentro do carro dos pais, destravaram o mesmo e cairam de uma ribanceira com uma altura considerável, sendo necessária a sua evacuação com recurso a helicóptero.
Não obstante o meu primeiro parágrafo, julgo que qualquer um dos quatro acontecimentos reflecte a negligência e ou inaptidão para algumas pessoas serem pais. Não concebo que em qualquer um dos casos não pudessem ter sido tomadas algumas medidas que evitassem os resultados desastrosos. A questão que emerge, é que só depois dos acontecimentos trágicos tem lugar uma introspecção e o pensamento daquilo que poderia ter sido feito.
Não quero ser moralista, nem tão pouco tenho pretensões em sê-lo. Nem quero sequer pensar com uma teoria de premeditação por parte dos pais. Seria demasiado cruel, embora não inédito (no Brasil, alguns pais chegaram a atirar os filhos pela janela de suas casas...). Contudo, e na minha opinião, hoje em dia é necessário repensar a vida de cada um de nós, quando pensamos em dar o passo de ter filhos.
Muitos dos leitores deste blogue já têm filhos, e certamente já terão uma vida um pouco mais "aliviada", consequência da idade dos mesmos, não obstante ser necessário o acompanhamento, o "estar presente", o "saber ouvir", o saber aconselhar o certo e o errado...etc. Para os seguidores deste blogue que ainda está na fase de "pensar em ter filhos", é muito importante que em conjunto avaliem se efectivamente têm disponibilidade mental, se conhecem e percebem a responsabilidade que é trazer um novo ser humano a este mundo. Este será o âmago da questão.
Como alguém disse em tempos..."é fácil tê-los...mas menos fácil mantê-los".

Cpts.,

sexta-feira, março 06, 2009

A Netcabo

Já há muito tempo que ando para escrever sobre a netcabo. Solução miraculosa, que terá surgido há mais de 15 anos. Permitia a conexão de todos ao resto do mundo.

Contudo, muitas pessoas aderiram à netcabo. Numa altura em que também era disponibilizada a solução da Tv Cabo, que permitia passar dos 4 canais genéricos para o quintúplo. E assim, e "qual carneiros", todos aderimos às soluções. O que provocou, logicamente, uma sobrecarga nas ligações. E que não foi acompanhado (nem de longe, nem de perto), em termos tecnológicos, pela empresa.

Resultado: Não raro deixa de existir internet e televisão. Piora quando deixa de haver telefone fixo (como já me aconteceu esta semana, por 3 vezes). Num rasgo de inteligência e perspectiva de oportunidade de negócio zilionária, a tv cabo (ou betcabo) disponibiliza hoje em dia soluções de telefone+internet+tv. Em suma, quando falha alguma das três soluções, falha tudo.

E deixamos de estar em contacto com o mundo. Para o bom e para o mau.

É por esta e por outras que hoje em dia é perigoso falar em "fidelização" dos Clientes.

quarta-feira, março 04, 2009

Os vendedores de automóveis

Há muitos, e de vários sectores de actividade.

Assumindo o meu gosto pelos automóveis, são os vendedores deste sector de negócio com quem mais lido, e para os quais dedico mais atenção.

Entendo que deve demorar algum tempo até que um vendedor de automóveis "sénior" ganhe aquela lábia que lhe permite vender um monovolume (carro de maiores dimensões e mais caro) a quem entrou num stand a pensar em comprar um Renault Clio.

É preciso desenvolver determinados skills, determinadas competências (e apetências), perceber de psicologia humana e como interagir com os Clientes. E neste tipo de actividade, é essencial. Vital. A par a passo com o desenvolvimento da "veia" comercial, que está intimamente ligada a esta actividade. Mais uma vez o cumprimento de objectivos, o atingir de metas, a actividade de benchmarking, etc, são ferramentas que têm de ser afinadas neste ofício.

Contudo, nem sempre as coisas correm bem. E aparecem os Clientes como eu. Que fazem o seu trabalho de casa. Que anualmente lêem revistas da especialidade. Que até percebem "qualquer coisa" de mecânica. Que de forma autista e despreocupada, sabem praticamente os modelos todos das marcas automóveis. Que têm em mente de que ano poderá ser uma viatura, tendo em conta as letras da matrícula...etc..etc. E é aqui que começa o problema ou o pesadelo do vendedor.

Tipicamente, a actividade de vendedor de automóveis (actualmente designada de "Técnico de Vendas"), é desempenhada por pessoas que vêem este tipo de ocupação como algo temporário. Na generalidade, as marcas começam a filtrar mais as habilitações literárias, e não raro, encontram-se vendedores de automóveis com o 12º Ano de escolaridade concluído, mas a trabalhar em part-time, enquanto não ingressam no ensino superior (ou já ingressaram, e ocupam assim o tempo livre).

A desvantagem, ou a questão que "mata" uma venda, no meu entender, é o vendedor não saber o que está a vender. Ou não acreditar no produto. Aí existe a tal "psicologia invertida". E o vendedor passa a ser observado. E são avaliados os seus conhecimentos relativamente ao que vende. É isso que faço. Há perguntas de algibeira, que se não são respondidas de imediato, sem hesitação, "temos a pintura borrada". E sem entrar em grandes pormenores técnicos. Porque aí...a esmagadora maioria fracassa logo.

A apresentação e trato contam muito. Curiosamente, são poucos os vendedores de automóveis que se decalcam da imagem de vendedor de bíblias "door-to-door". Fatos com mau corte, sapatos mal engraxados, relógios réplica e fluência/dicção verbal deficiente. E isso, pessoalmente, entendo ser mau presságio. Acompanhado, naturalmente, pela pouca crença do produto que se está a tentar "impingir", ups..vender.

Não raro, gosto de ir a alguns stands de automóveis. Por vezes sou bem sucedido, e acabo por aprender algo que constitui valor acrescentado ao meu conhecimento. Ou seja, há diálogo construtivo e produtivo.

Nas restantes vezes, as coisas não correm bem. E assim se perdem negócios. Infelizmente.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O Brio Profissional

Considero o brio profissional uma das características que mais aprecio em alguém. O espírito de sacríficio com vista à consecução de objectivos (por departamento e permitindo em consequência o atingir dos objectivos da empresa).

Nem todas as pessoas são briosas na sua actividade profissional. Será mais fácil cumprir (logicamente) um horário de trabalho estático, sem abnegação de momentos além do horário supra mencionado, do que sacrificar os momentos de lazer em prol da empresa. É uma verdade conhecida, e não há grande dúvida neste aspecto.

Na minha opinião, o trabalho fora de horas, acontece em duas situações distintas: a) Má organização pessoal ou b) Demasiado trabalho para uma só pessoa. Se na primeira situação tudo depende da pessoa em causa, e se existe na mesma vontade em aprender metodologias de organização que lhe permitam o "improvement" no seu quotidiano profissional, já na segunda situação será um problema vertical, organizacional.

Infelizmente, e fruto da competitividade inter-empresas que exploram determinado nicho de negócio, "parar é morrer". Ou seja, colocam-se de lado modelos de gestão estanques e abordam-se novas oportunidades de negócio, mais flexíveis, apostando indubitavelmente na vertente comercial consolidada, sustentada e agressiva. Nos dias que correm, só assim é possível a sobrevivência de uma organização.

E é normal, com o exposto acima, que nem sempre o brio profissional subsista. O excesso de trabalho é perfeitamente tipificado e identificado com "picos", e obviamente que não é possível gerir o tempo disponível de forma cabal. Como seria desejável.

Também não é óbvia e imediata a afectação de mais recursos numa altura em que o mundo inteiro vive em plena recessão económica. Contratação de novos quadros sugere mais despesa. E com a actual conjuntura económica, tal opção poderá reflectir uma separação clara e inequívoca entre as empresas que se mantêm activas e pagam custos fixos e variáveis atempadamente, e aquelas que não conseguem acompanhar. E, não raras, ficam-se pelo caminho.

Concluindo, o brio profissional depende de vários factores. Na generalidade das vezes, exógenos. Contudo, entendo que é importante que sejamos profissionais no que fazemos. Sejamos rigorosos, empreendedores, criativos, e porque não críticos de nós mesmos, efectuando para tal, auto-avaliações regulares no espaço temporal.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A necessidade do inglês

Estava a ouvir um comentário na rádio (sim, fora de Portugal continuo a ouvir rádios portuguesas - bendita internet), onde um dos entrevistados era espanhol. E basicamente, os entrevistadores tinham de falar pausamente o português, para que o "nuestro hermano" pudesse entender.
Sobre este tema algumas considerações que tenho vindo a fazer ao longo dos anos... Diz um dos ditados populares "Em Roma sê romano". Ou seja, e aplicando à comunicação oral, é importante que a comunicação seja fluente e perceptível entre emissor e receptor. Em Israel, onde me encontro agora, utilizo o inglês. Não sei falar israelita, mas o inglês é perfeitamente entendido, e regra geral, todos (as) os (as) interpelados (as) entendem e fazem-se entender. Menos um problema, num País que não é o nosso.
Uma coisa que tenho reparado, em algumas viagens que tenho oportunidade de fazer, é que há Países (tendo em consideração as pessoas com quem tive oportunidade de estabelecer comunicação), que pura e simplesmente não se esforçam por comunicar na mesma língua. Mesmo aqui, alguns tipos mais velhos, não sabem, ou não querem falar o inglês. Mas falam entre eles israelita. E fico a apanhar do ar, claro. O mesmo meu aconteceu recentemente em Espanha...com o perigo para os espanhóis de que algumas coisas do que eles dizem nós portugueses, entendemos..
Opto por falar o inglês em todo o lado, quando saio de Portugal. Lamentavelmente, não sou poliglota. O inglês, hoje em dia, é a língua comummente aceite em qualquer canto do globo. Melhor ou pior, a comunicação é passível de ser feita. Ainda que existam alguns resistentes, como os que mencionei acima. Mas na generalidade, é possível comunicar.
Em Portugal, coloca-se outra questão. Porque razão terei eu de dar informações de orientação em italiano, espanhol, ucraniano, moldavo ou paquistanês? Ninguém até hoje me deu as mesmas em português quando necessitei das mesmas estando no estrangeiro...
Donde...um conselho...aprendam inglês!!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Fotografia de Portugal

Neste momento escrevo estas linhas longe de Portugal. Mais concretamente num dos países que mais tem ocupado as páginas dos jornais. Sim, Israel mesmo. Deixarei os meus comentários relativos a este País para outro momento. Em que tentarei colocar algumas fotos e quiça, até documentar fotograficamente a minha estadia.
Não obstante, tenho acompanhado de perto o que se passa em Portugal. A internet, sem qualquer dúvida, é uma poderosíssima ferramente, e em menos de nada, sabemos o que queremos. À distância de um clique.
Em Portugal, tenho por hábito folhear diariamente o "Público", e semanalmente o "Expresso" e o "Sol". São os três jornais a quem concedo credibilidade, e assim sendo, aqueles que sigo com mais atenção. Especialmente os semanais. Contudo, e estando longe, opto por consultar numa base diária o primeiro. Até porque a sua página é mais rica, com mais substância, e creio que será actualizada com mais regularidade. E as notícias são mais detalhadas. Não visualizo com tanta frequência as páginas dos outros dois jornais.
Basicamente, e após quase 1 mês fora, continua tudo na mesma. Sem tirar nem pôr. As mesmas fantochadas, as mesmas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, e o País sem rumo. Sim, sem rumo.
Parece-me, claramente, que chegámos há algum tempo, a um ponto em que é necessário ver a fibra de quem tem o poder nas mãos. Alguém com poder, com pulso, que seja capaz de tomar as rédeas do País. E não me parece que neste momento exista. Note-se que não faço este comentário com qualquer tipo de conotação política. Falo objectivamente de quem neste momento está no Executivo e falo da Oposição - que resumidamente não existe.
Com recessão económica assumida, com contenção de custos, com problemas vários no cumprimento de metas acordadas no Parlamento Europeu, parece-me evidente uma clara deriva e um desvio substancial daquilo que é necessário e verdadeiramente importante.
É preferível, segundo a óptica dos media, perceber que o nosso PM tem um tio que até esteve ou foi parte interessada no caso Freeport. Tio e primo. Que aquando do processo de licenciamento do terreno para edificação da supramencionada área comercial, houve conluio e interesses vários - tráfico de influências. Enquanto engenheiro, e especializado na componente ambiental, preocupa-me de sobremaneira saber que houveram duas avaliações ambientais, sendo uma delas positiva e outra negativa. Feitas por funcionários a quem se requer, na minha perspectiva, alguma credibilidade, idoneidade e troca de informação. Não me parece razoável que existam duas avaliações opostas para a mesma realidade.
Há medidas que têm vindo a ser tomadas que são, naturalmente, o apelo ao voto dos indecisos. Aqueles que não sabem se querem continuar a viver com dificuldades, aqueles que há muito que não acreditam no sistema político português, aqueles que não se sentem minimamente motivados para ir às urnas por altura do acto eleitoral. Lamentavelmente.
Há promessas que foram assumidas durante as eleições do actual Executivo. Poucas foram aquelas que foram cumpridas. Dois exemplos simples: postos de trabalho (efectivos, as estatísticas dos centros de emprego para o trabalho temporário não contam), e a questão do aumento da taxa do IVA. Duas questões que foram debatidas, faladas, questionadas, e não foram cumpridas as várias promessas relativas às mesmas. Muito pelo contrário...falhou-se nos postos de trabalho, e aumentou-se o IVA..
O saldo do actual Executivo é mau. É importante também avaliar a situação económica internacional, e que como será razoável admitir, torna difíceis as condições de governação. Contudo, há ou tem de haver lugar ao diálogo. À tentativa de encontrar soluções, promovendo a discussão inter-partidos da oposição e no seio do próprio partido. Evitar clivagens (internas e externas). Ser dada importância ao que realmente importa (más condições de vida de muitos portugueses, em detrimento de se continuar qual autista com a ideia obstinada das obras públicas de valores astronómicos, e para os quais os portugueses não podem, não devem e decerto não querem pagar a factura. Tal como tiverem, têm e terão de pagar os estádios de futebol que foram construídos por altura do último evento desportivo ocorrido cá em Portugal. Cada vez que me recordo disto, vem-me à memória o que aconteceu com Sevilha...após a exposição ficou deserta. Mas Espanha, como sabemos, tem uma economia diferente da nossa. Mais consolidada, mais forte e sobretudo, com uma melhor e maior capacidade de recuperação da recessão, como começa aliás a dar sinais.
A ver vamos. Não quero com este tipo de comentários dizer que está tudo mal. Talvez a vida me tenha ensinado a ser mais crítico, observador e sobretudo mais preocupado com soluções para os problemas e não com a questão de levantar problemas. Mas a minha contribuição será feita aqui, para aqueles que me lêem. Deverá ser sem qualquer hesitação o trabalho dos deputados da nossa AR. Aqueles que fazem parte dos partidos da Oposição. A esses, é imputada essa responsabilidade. É a esses que Portugal deposita a sua confiança para a resolução dos problemas preementes.
Não é com plenários em que se perdem 60 minutos ou mais com acusações ao Executivo que se resolvem os problemas. É tempo perdido. Tempo sem qualquer tipo de utilidade, quando poderia ser utilizado melhor, discutindo o que realmente interessa, e sobretudo, apresentando soluções.

O Regresso

E cá estou de novo. Porque recebi alguns comentários de leitores (as) que me fizeram rever a ordem de prioridade das minhas tarefas diárias, e porque não escrevia desde Setembro passado.

Basicamente, tentarei que a escrita seja mais regular, bem como a paciência (e tempo) assim o sejam, por forma a permitir que existam textos novos com uma periodicidade mais regular.

O meu obrigado a todos (as) os (as) leitores e tentarei cumprir a promessa!

João

quinta-feira, setembro 18, 2008

Os meliantes

Com a galopante onda de violência, somos diariamente brindados com notícias de captura de meliantes. Ou amigos do alheio. Conforme apetecer melhor a quem me lê. Há uma extensa adjectivação que poderá ser utilizada. E os nossos meliantes na rua.

Se em tempos, e ainda verificável em alguns países, aquele que comete a ilicitude é (ou era) castigado publicamente, "por cá", a realidade é diferente. Diferente ao ponto dos criminosos serem postos em liberdade, não havendo o flagrante delito. O que me parece ser um verdadeiro atentado às boas famílias. Aos que pagam impostos. Aos que se levantam cedo para ir trabalhar, e chegam tarde depois de um dia de trabalho. Enfim...aqueles que quando cometem uma infracção de trânsito (estacionamento em cima do passeio, têm de largar quase 200 euros para levantar o carro do parque da polícia ali nas Galinheiras...). E os nossos meliantes na rua.

Hoje, mais uma notícia no jornal da noite (TVI), que um gang da "inbicta" tinha sido capturado. Uns três tipos. Novos. Com bom corpo para o obral...Mas que optaram pelo caminho "A" num dado "cruzamento" da sua vida. O mais fácil, naturalmente. Aquele que contempla o carjacking, homicídios, agressão física, drogas, armas, etc. Aquele que permite o obter dinheiro fácil e sem grande cansaço. Mental, pelo menos. E os nossos meliantes continuam na rua.

E aqui chegamos a um ponto que entendo ser revestido de um mistério grande...se um criminoso é capturado, porque não podem os demais saber quem é? Porque razão teimam em tapar a cara? Alguns, quando assaltam, quando violam, quando matam...têm a cara descoberta...mas na altura do julgamento, tapam-na...nunca entendi muito bem porquê. E os nossos meliantes continuam na rua.

Esta é uma dúvida que me tem feito perder alguns minutos do meu pensamento diário...Mas julgo que não há uma resposta. Ou não haverá uma explicação lógica. Talvez, eventualmente, seja uma questão cultural, comparativamente com os países árabes. E os nossos meliantes continuam na rua.

A escalada da violência continua...

...E os nossos meliantes na rua.

sábado, agosto 02, 2008

Silly Season

Como habitualmente, por esta altura do ano, Portugal "vai a banhos". Durante algum tempo, esquecem-se os problemas, o TGV, o novo aeroporto, o preço do barril do petróleo, o aumento (ou não) da taxa de inflacção, o tendencial e crescente endividamento público...e por aí fora.

Lamento, que durante um ano, poucas ou nenhumas decisões se tomem, por quem de direito. Talvez por ser demasiado exigente. Talvez por ser prático. Talvez por nunca ter tido um cargo político, em que me fosse solicitada uma (ou mais) decisões. Julgo que esse será um dos maiores problemas que existe. Quem tem de tomar decisões, não as toma. É preferível discutir-se em plenário, vezes sem conta, as mesmíssimas coisas. Ir repescar acusações antigas, e como vem sendo hábito, quando as coisas não correm mesmo de feição, falar em legados políticos, falar em Governos antigos. Basicamente, aplica-se a máxima de "quando não sabemos dançar, dizemos que o chão está torto".

Não entendo muito bem como é que há pessoas que conseguem ter calma e abstrair-se dos problemas actuais. Da mesma forma que não entendo como é que há pessoas, com a actual conjuntura sócio-política, que continuam a praticar o mesmo estilo de vida que praticavam há sensivelmente 15 anos, em que Portugal não tinha problemas económicos (como aliás nunca teve, na douta opinião de alguns). Basta para isso, perder algum tempo e ver que se continua a viver acima das possibilidades, se continua a contrair empréstimos para pagar férias, se continua com a eterna ideia da "galinha da vizinha é melhor que a minha", aplicando a mesma à compra de móveis e imóveis. Infelizmente, diga-se em abono da verdade.

Detesto o Verão. Por variadíssimas razões pessoas, que poderei elencar noutra altura. A silly season é o protótipo de época/altura em que aqueles que pouco ou nada fazem, se vangloriam dos destinos de férias para onde foram. Apraz-me ver pessoas que sei que nada produzem profissionalmente, começar a pensar em Janeiro, nas férias que têm em Agosto. E vivem isso intensamente. Sendo que, durante o intervalo de tempo que medeia os dois meses, produzem zero. "Bola". E após o seu regresso, têm tema de conversa para os próximos meses. Bem como uma prestação (mais uma), numa banco para pagar o empréstimo que contrairam para ir às Maldivas.

Quanto à classe política, pouco ou nada se me oferece dizer. Não sendo objectivo, dá-me ideia que é tudo um grupo de amigos que jogam em equipas diferentes. E quando assim é, pouco ou nada se resolve. Gentleman Agreement parece-me ser uma prática corrente na Assembleia. Havendo pouca discordância (ou concordância), não haverá muito a discutir. A não ser aqueles temas mais "quentes"... E mesmo nesses...tenho as minhas verdadeiras dúvidas que algo seja feito na realidade.

Contudo...toda a gente se sente esgotada e a necessitar de férias...para os vizinhos verem!

Silly people!

sábado, julho 26, 2008

Leituras

Desde tenra idade, sempre houve o hábito da leitura lá em casa. Desde a leitura mais "despreocupada", que acompanhou a infância (Patinhas, Astérix, Michel Vaillant, and so on), passando pelos famosos "Cinco" e "Uma Aventura na..", (que suspeito ter lido todos os livros) durante a pré-adolescência..até à idade pré-adulta e adulta. E aqui a análise é outra.

Será esta fase da vida em que o sentido crítico, entre outras coisas, fica mais apurado. A personalidade acaba por estar (idealmente falando) formada, e poucas ou nenhumas variações decorrerão. Tive a sorte (ou azar) de ter um círculo de amigos onde existia (e existe) o prazer da leitura, e naturalmente, não existem atritos, ou comentários despropositados.

Há livros que marcam. Dostoiévski é um exemplo com "Os Irmãos Karamazov". Aconselho vivamente a quem goste de literatura densa. Interessante, mas densa. "Conversas com Deus", de Neale Walsch, igualmente denso. Não me agrade de todo o tipo de escrita de Saramago. Não só porque não o vejo como português, como detesto um tipo de escrita sem pontuação. Irrita-me. Tira-me do sério. Mas há quem aprecie. E temos de respeitar.

Actualmente, tenho um tipo de literatura diferente na mesinha de cabeceira (quando não estão no carro). "A Arte da Guerra", de Sun Tzu e "Princípios da Guerra", de Carl von Clausewitz. Em ambos os casos, a estratégia militar direccionada para a gestão das organizações/pessoas. E agradam-me muito, quer um, quer outro.

Entristece-me que as pessoas da minha geração não leiam mais..alegando que falta de tempo. Custa-me a acreditar que não tenham 10 minutos diários para a leitura. Mas deixei de me preocupar com isso, e aconselhar este ou aquele título. Não vale a pena quando não há vontade..

Contudo, e para mal dos meus pecados (e de tantos outros puristas da língua camoniana), vejo autênticos atropelos gramaticais, pontapés fortes nas construções frásicas e/ou discursos orais que me fazem pensar duas vezes se o acordo ortográfico veio para ficar (ao qual não aderirei jamais)...

Até breve..



domingo, setembro 30, 2007

Mediatizações

Não será de agora que entendo que os media têm uma facilidade enorme (e que lhes é atribuída conscientemente) de catalagar alguém de "bestial" a "besta" em menos de nada. Falo objectivamente das últimas manchetes dos diários/semanários, e mesmo tempo de antena das várias estações televisivas. Vejamos por ordem de "importância":

1) Caso Maddie

Sem dúvida um episódio que teve início envolto num misticismo enorme. Sem qualquer margem para dúvidas, qualquer pessoa, desde Portugal, passando pela China recôndita e terminando no Canadá, ficou sensibilizada para este flagelo. Há cinco meses, naturalmente. As provas indiciaram outros aspectos menos explorados na investigação, em consequência da utilização de cães pisteiros, especialmente treinados para detectar odor de cadáveres. Como não poderia deixar de ser, e tendo uma confirmação de sensivelmente 80% que apontava inquestionavelmente na culpabilidade dos pais, veio noticiado que nem sempre os cães são eficazes. Curioso, no mínimo;

Flagrante também será a avaliação da Polícia Judiciária em todo este caso, feita pela imprensa estrangeira. Considerada uma das melhores polícias mundiais, e estando a envidar todos os esforços no sentido de dar resposta a um caso mediático com a projecção deste, já foi alvo de muitas críticas pela imprensa estrangeira, muitas delas sem qualquer tipo de substracto. Talvez por agir segundo o procedimento, talvez pelo facto de não querer levantar falsos testemunhos, optando por uma via mais sensata, mais ponderada, e explorando todos os ângulos das suspeitas, antes de emitir comunicados ou dar conferências de imprensa;
Quanto aos pais, não tenho muito a dizer. Espero sinceramente que consigam justificar cabalmente o porquê do sangue dentro de casa, o sangue no carro e que efectivamente justifiquem de forma coerente, sustentada e acima de tudo genuína alguns aspectos menos claros, como sejam as versões divergentes dos amigos relativamente aquela noite, bem como o facto desses mesmos amigos se terem remetido ao silêncio.
2) Caso Mourinho

Detesto futebol. Abomino, mesmo. Mas entendo que seja um desporto que possa dar prazer assistir, e que seja motivo de conversa para uma semana inteira. Desde que mais de 3 décadas que sei que assim é. E sei disso. Não gostando de futebol, respeito quem gosta, e admito que algumas combinações possam ter de ser adiadas para um horário "pós-jogo", na medida em que aqueles que gostam do desporto rei saciem o teu gosto. Parece-me pacífico.

O que não me parece razoável é que um treinador de futebol de um clube qualquer, seja capa dos principais jornais. Menos razoável ainda me parece, e me suscita alguma curiosidade, em perceber a razão de jornais como o "The Times", tidos como perfeitamente conservadores fazerem capa desta notícia. Basicamente, um clube inglês que conquistou um título que há 50 anos não conquistava...e? Não será essa a obrigação do treinador, enquanto responsável pelo treino de uma equipa, e ao serviço de um determinado clube? Não será isso que está implícito contratualmente? Não entendo. Faz-me uma grande espécie.

Pior ainda, quando um comentador televisivo é convidado a partilhar a sua visão relativamente a um determinado assunto, que por sinal até diz respeito à realidade nacional, na medida em que só por acaso até versava a questão das eleições internas do maior partido político da oposição. Não acho normal que interrompam o directo da entrevista, para veicular a notícia do supracitado treinador a chegar ao aeroporto. Acho deprimente, e sinceramente, creio que há uma inversão de valores. Não creio, tenho a certeza, até porque o responsável pela grelha da informação deste canal televisivo, desvalorizou a reacção do comentador televisivo, aludindo ao carácter intempestivo e desproporcionado. Não me parece que tenha sido. Muito pelo contrário. Foi adequado.
Preocupa-me que este tipo de exemplos possam massificar-se. Preocupa-me que as temáticas realmente importantes sejam relegadas para um plano secundário, em prol da obtenção do "share" ou mesmo negligenciadas com vista à obtenção de tiragens referenciais.
Acredito que a solução não passe pelo "lápis encarnado", mas creio que em alguns casos, deveria existir um organismo regulador deste tipo de situação. Aliás, tem mesmo de existir, porque assim não sendo, existe o real risco de que o panorama de descontrole e desresponsabilização dos orgãos de comunicação social, derivado de uma má prioritização dos blocos noticiosos.

segunda-feira, julho 30, 2007

A Amizade

Faltam apenas 4 dias. É verdade. Um dos meus melhores Amigos vai viver para Espanha, junto daquela que escolheu para ser sua companheira. Encaro este gesto como sendo um acto corajoso, heróico, e sobretudo nobre. Nobre na medida em que é consubstanciado por uma boa causa, e que demonstra o tal espírito empreendedor e que movido pelo amor...não há barreiras.

Há já algum tempo tinha escrito sobre a Amizade. Tenho poucos Amigos, e muitos conhecidos, ou "amigos". Não me vou alongar muito sobre a diferença de semântica subjacente, até porque já existe neste blog um texto alusivo a essa temática. Remeto-os(as) para a leitura do texto. :)

Os poucos Amigos, foram ficando ao longo dos anos. Muita ondulação, muita discussão, muitas alegrias, angústias e tristezas partilhadas. Ainda que em alguns casos não tenha existido uma convivência tão próxima quanto eu gostaria (fruto das vidas profissionais, planos afectivos, entre outras), o relacionamento esteve sempre lá. E quando foi necessário, "estavam lá". É bom ter essa consciência e percepção. Laços cimentados há mais de 10 anos, especialmente com meia dúzia de pessoas. Desta meia dúzia de pessoas, destaco 4, que ao longo destes anos todos, viveram comigo muitos episódios, como sejam finais de ano, fins-de-semana, kartadas, paintball, férias de Verão...entre muitas outras coisas.

A idade avança, a ambição e opções de vida estreitam-se, e a dada altura, opta-se por determinado tipo de caminhos que parecem ser os melhores, os mais certeiros. E tenho a certeza que o serão, atendendo às pessoas que são. Tenho pensado que poderão constituir "alavancas" para uma plataforma de melhoria e reconhecimento profissional.

Estas linhas são escritas com alegria e algo saudosismo pelo facto dos meus melhores Amigos estar de partida para Espanha, dentro de 4 dias. Vai viver e trabalhar no país vizinho. Outro dos meus melhores Amigos já está na Holanda. Em menos de um mês, dois Amigos "zarparam" para fora de Portugal, e valha-me o facto de manter cá outros dois...que me são mais próximos. Os outros dois restantes, são muito especiais, mas não têm o lugar que estes têm.

Acredito que com uma distância maior entre nós, os laços sejam ou fiquem mais cimentados. Quero acreditar que os laços de Amizade se irão fortalecer, mantendo o mesmo carácter genuíno que sempre mantiveram até à data. Como alguém dizia há uns anos atrás "As Amizades são como as plantas..têm de ser regadas." E acredito que estas vão ser alimentadas.

Resta-me desejar a ambos o melhor deste mundo e "do outro". Sei que vão ler estas frases e achar lamechice, e algo "abichanado". Mas não me incomoda minimamente. Já dei muita prova do contrário (a qualquer um dos dois). :)

De qualquer das formas, aqui fica, para a posteridade o meu agradecimento por vos poder ter como Amigos. Boa sorte a ambos!!

domingo, julho 29, 2007

Verão 2007

O Verão é daquelas épocas do ano que não adoro particularmente. Por toda uma série de razões, que passam pelo calor excessivo (e consequente má disposição| irritação| aumento da ansiedade), e adicionando o trânsito diário, o cocktail não poderia ser mais explosivo...

Também é marcado pelo culminar da actividade política e início da temporada futebolística. Se neste último caso iniciar ou terminar sugere-me a mesmíssima coisa (ou seja, nada, porque detesto futebol), já no primeiro caso é algo que sigo com alguma atenção. E estou atento aos últimos pormenores, veiculados pelos media. Falo objectivamente das eleições intercalares, falo do "desnorteio" do maior partido da oposição, do clima de censura/medo vivido no interior do partido do Governo e partilhado num artigo de opinião da semana passada redigido pelo Manuel Alegre. Curiosamente, uma pessoa que tem vindo a conquistar o meu apreço, não só pela sua frontalidade e à vontade para debater questões intrínsecas ao partido, mas também pelo resultado expressivo obtido nas últimas presidenciais, enquanto independente.

O primeiro ministro José Sócrates tem vindo a perder algum protagonismo nos últimos tempos. Não só pela questão do seu diploma universitário (que curiosamente deixou de ser falado), bem como a questão da avaliação e desmobilização direccionada para a função pública, o famosíssimo "Caso Charrua" e ainda a questão da contratação das crianças para o tema relacionado com o Plano Tecnológico para as escolas portuguesas. (Apenas um pequeno apontamento na medida em que acho que quem criticou o Governo, deveria antes pensar na exploração/trabalho infantil dos actores que contracenam nas novelas portuguesas. Faz sentido que o façam, ao invés de inusitadamente criticarem sem que exista qualquer tipo de sustentação lógica e enquadrada).
É visível o cansaço de Sócrates nos últimos tempos, numa altura em que decorre um evento muito importante em Lisboa, e para o qual Sócrates mobilizou todos os esforços. A postura de político que controla tudo e todos, tem os dossiers todos sabidos, de fio a pavio...começa a adquirir outro tipo de contornos. A par e passo, a equipa de trabalho começa também a denotar algum cansaço. E a curto/médio prazo poderá dar sinais de debilidade.


Relativamente às eleições intercalares em Lisboa, a vitória esperada do PS. António Costa é um "peso pesado" que sai do partido, para assumir os desígnios da Câmara de Lisboa. Ainda que existam naturais ligações que certamente serão facilitadas pelos canais privilegiados de comunicação, tendo em conta a ligação que tem com o Governo, não tem tarefa fácil pela frente. A ver vamos, e o tempo mostrará como leva o seu projecto e compromisso avante.
Surpresa das surpresas, foi o resultado obtido pelo Professor Carmona Rodrigues. Lamentavelmente, e com uma taxa de abstenção das maiores desde sempre (62%) conquistou um valor bastante expressivo, que aponta para uma vitória pessoal. Não entrando Negrão na corrida, certamente que António Costa teria alguma dificuldade em ganhar as eleições.
Relativamente à crise interna do PSD, pouco mais há a dizer sobre o tema. Dos candidatos à liderança, não reconheço notoriedade no Marques Mendes. Falta-lhe "nervo", protagonismo, audácia. Tem um bom perfil de político, mas começa a ficar cansado. Tem como vantagem a associação dos pesos pesados do partido. Pinto Balsemão, Manuela Ferreira Leite, entre outros. Aguiar Branco desistiu a meio da corrida. Falta de apoio (tinha o de Morais Sarmento e de Arnaut), mas entendeu que não será este o momento certo para avançar. Luís Filipe Menezes parece-me ser um bom político. Contudo, terá o mesmo handicap que Marques Mendes tem. Não tem projecção, não tem "fibra", não tem o perfil necessário e exigido neste momento para ser o líder da oposição. Bons candidatos seria a Manuela Ferreira Leite ou mesmo Rui Rio. Mas não estão disponíveis neste momento. Infelizmente.

A ver vamos que nos reserva a reentrée...



domingo, dezembro 24, 2006

Natal 2006

É certo que muito se passou desde que aqui deixei algumas linhas...Mais certo ainda que iniciei uma nova fase na minha vida, que me toma bastante tempo, e que naturalmente me impossibilita de aqui vir..com a regularidade que julgo ser necessária para ir dando conhecimento de algumas opiniões relativas a temas actuais.

O Natal sempre teve um significado especial para mim. Desde miúdo, confesso. Envolto numa aurea de misticismo, envolto em mistério, cheiros característicos (fritos, pinheiro, papel de embrulhos....), entre outros tantos odores característicos desta quadra...

Contudo, e creio já ter focado esta minha apreensão, não entendo o porquê de muita gente celebrar uma quadra que afinal...diz respeito ao nascimento de Jesus Cristo, sendo naturalmente motivo de alegria para a religião católica. Ou seja, uma festa para os católicos. Faz-me alguma confusão pensar que todos aqueles que se dizem ateus durante o resto dos 11 meses, troquem prendas, que não significa mais do que a alusão das oferendas dos Reis Magos para o filho de Deus...Chamo a isto hipocrisia. Ou heresia. Conforme preferirem. Igualmente me faz alguma confusão pensar que todas estas pessoas celebram os feriados religiosos. Em bom rigor, e sendo coerentes consigo mesmos, não deviam ir trabalhar? Pois...mas sabe bem ficar em casa, ainda que o motivado por algum feriado religioso...

É triste, mas cada vez mais se verifica um afastar dos valores religiosos. Cada vez mais se constata que a instituição secular "Igreja" não consegue cativar a atenção das camadas mais jovens. E cada vez mais, se verifica que as pessoas trocam prendas entre si, sem saber o real significado ou simbolismo inerente.

Dá que pensar...e até hoje, poucas foram as pessoas que me conseguiram explicar tudo isto de uma forma que eu compreendesse...

Boas Festas para todos (para os católicos e para os não católicos)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cetraria - Uma Arte Medieval

Caríssimos (as),

Desde muito cedo me fascinaram os predadores. Desde os tubarões, passando pelos grandes felinos (tigres, leões, leopardos), e naturalmente a águia-real e falcões. Ou seja, três elementos presentes - água, terra e mar.

Há coisa de uma semana quis desenvolver um pouco mais o meu conhecimento acerca das aves de rapina, especialmente os falcões. Não sei se consequência de algum documentário, não sei se de algum filme, e assim o pensei, assim o fiz. Busca na internet, e voilà....mais algum conhecimento acerca desta arte. Não me vou debruçar em grandes dissertações, até porque qualquer um de vós poderá efectuar uma busca como eu, e eventualmente aprofundar mais o conhecimento relativamente a determinadas temáticas inseridas neste domínio.

Apenas e só queria partilhar convosco este meu fascínio, e promover um pouco esta arte, que remonta à época medieval. Das várias aves de caça, e das várias sub-espécies que existe, relativamente aos falcões, aprendi que existe uma espécie relativamente frequente no nosso país, que pratica um "alto voo", em que normalmente o falcão intercepta a presa, "preando" no ar, sendo que a velocidade atingida pelo falcão, em voo picado, e praticamente vertical ronda os ....300 Km/H. Pasmem-se, mas é a mais pura das verdades. Um bicho que tem menos de 1,5 kg, na maioria das vezes, conseguir atingir este tipo de velocidade. E é lógico que este tipo de voo me delicia... Já há bastante tempo que conhecia a utilização dos falcões nos aeroportos. Aliás, para quem compra usualmente o jornal "Expresso" (último final de semana 30 de Agosto de 2006), poderá ler um artigo dedicado a um tratador de falcões, e promotor da reprodução da água-real, que como se sabe, é uma espécie em vias de extinção.

Neste mesmo artigo (e que não era novidade para mim), é mencionada a utilidade dos falcões como "polícias do ar", ou seja, como aves predadores que afastam outras aves do espaço aéreo, impedindo desta forma o fenómeno de birdstrike, ou seja,e para quem não sabe, um fenómeno relativamente usual nos "pássaros de metal", que é caracterizado pela sucção das aves (a sério), pelos reactores, com consequentes danos para as pás das turbinas. O mesmo adestrador do falcão do aeroporto de Lisboa treinou os falcões do aeroporto de Faro. Acho isto sublime. Haver um pássaro pequeno, que afugenta os outros, através de acrobacias aéreas e descrição de voos picados..Adoro isto. Um pormenor interessante, relativamente aos falcões, prende-se com o facto de serem uma das poucas espécies animais em que o macho é fisicamente inferior à femea. Chama-se a isto dimorfismo sexual, dizem os entendidos.

(...)" As fêmeas de todas as espécies são maiores que os machos, recebendo na nomenclatura cetreira o nome de primas, por serem sempre as preferidas para a caça. O macho recebe o nome de treçó por ter, sensivelmente, um terço do peso da fêmea.."(...) [ in http://www.ectep.com]

Sem dúvida que vou querer saber mais informações desta arte. Um pouco para ganhar sensibilidade para este mundo (até porque não me parece pacífico tentar adestrar um tubarão branco ou um tigre siberiano)!!

Cumprimentos

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...