Não sou daquelas pessoas que usa e abusa do pão nas refeições. Gosto do pão para molhar no molho das amêijoas à Bulhão Pato, na cebolada das iscas, no suco próprio dos bifes misturado com o alho e a manteiga..(melhor parar por aqui porque começo a salivar qual cão do Pavlov)...
Quero apenas dizer que não sendo um "pão-dependente", o pão faz-me falta. Não é qualquer pão "Bimbo" que se compra em qualquer supermercado. É "aquele" pão especial, com o sabor tão característico do Alentejo ou disfarçado, feito ali na Amadora e com o mesmo sabor. É-me um pouco indiferente de onde vem..conquanto tenha "O" sabor. Gosto do pão com chouriço cozido em forno de lenha, acompanhado do caldo verde ali na 24 de Julho..comido a "desoras" e com alguns copos no "bucho"... OK..muitos copos. Gosto do sabor do pão do campo, daquele que é acabado de fazer, que vem embrulhado em papel pardo (onde a ASAE ainda não chegou)...e no qual, quando encetado, a manteiga derrete.
Durante anos sem fim, e nas 4 estações do ano, rumei qual zombie para a padaria da rua onde morei. Com a voz embargada pelo sono, o cabelo despenteado e quase sem conseguir abrir os olhos, levava o saco do pão e trazia as carcaças para o pequeno almoço lá de casa. Agora que me lembro, vejo esta tarefa que desde os anais da história foi partilhada com o meu irmão. Isto quando alguns dos nossos amigos já tinham há largas horas o seu saco do pão cheio à porta de casa, deixado pelo padeiro, a quem pagavam um valor mensal. Ainda tentei que esse esquema fosse aceite lá em casa...mas sem êxito. Assim continuei a ir à mesma padaria, a ver a mesma senhora de bata branca a atender monocordicamente, e percebo agora que com o meu avançar dos anos conseguir ver além da bancada (houve anos em que o meu olhar não chegava ao topo da bancada).
Mudam-se os tempos, mudam-se as tradições. A padaria mais próxima da minha actual casa fechou. Há uns anos. Inexplicavelmente. E deixei de ter o pão ao pequeno almoço. Deixei de acordar cedo, confuso, irado e a maldizer tudo e todos. O mundo ficou mais calmo. Contudo, tive de encontrar alternativas. Hoje em dia, ou me amanho com outra coisa, ou saio de casa em jejum...o que não augura grande futuro para as células da minha massa cinzenta. Tento que o período de jejum seja o mais curto possível...até chegar a um café.
E assim vou sobrevivendo hoje em dia...tenho de encontrar a minha próxima casa próximo de uma padaria. Ou mesmo dentro de uma padaria. Para dar tranquilidade matinal ao meu espírito..
Próximo Tema: Cão Abandonado
Quero apenas dizer que não sendo um "pão-dependente", o pão faz-me falta. Não é qualquer pão "Bimbo" que se compra em qualquer supermercado. É "aquele" pão especial, com o sabor tão característico do Alentejo ou disfarçado, feito ali na Amadora e com o mesmo sabor. É-me um pouco indiferente de onde vem..conquanto tenha "O" sabor. Gosto do pão com chouriço cozido em forno de lenha, acompanhado do caldo verde ali na 24 de Julho..comido a "desoras" e com alguns copos no "bucho"... OK..muitos copos. Gosto do sabor do pão do campo, daquele que é acabado de fazer, que vem embrulhado em papel pardo (onde a ASAE ainda não chegou)...e no qual, quando encetado, a manteiga derrete.
Durante anos sem fim, e nas 4 estações do ano, rumei qual zombie para a padaria da rua onde morei. Com a voz embargada pelo sono, o cabelo despenteado e quase sem conseguir abrir os olhos, levava o saco do pão e trazia as carcaças para o pequeno almoço lá de casa. Agora que me lembro, vejo esta tarefa que desde os anais da história foi partilhada com o meu irmão. Isto quando alguns dos nossos amigos já tinham há largas horas o seu saco do pão cheio à porta de casa, deixado pelo padeiro, a quem pagavam um valor mensal. Ainda tentei que esse esquema fosse aceite lá em casa...mas sem êxito. Assim continuei a ir à mesma padaria, a ver a mesma senhora de bata branca a atender monocordicamente, e percebo agora que com o meu avançar dos anos conseguir ver além da bancada (houve anos em que o meu olhar não chegava ao topo da bancada).
Mudam-se os tempos, mudam-se as tradições. A padaria mais próxima da minha actual casa fechou. Há uns anos. Inexplicavelmente. E deixei de ter o pão ao pequeno almoço. Deixei de acordar cedo, confuso, irado e a maldizer tudo e todos. O mundo ficou mais calmo. Contudo, tive de encontrar alternativas. Hoje em dia, ou me amanho com outra coisa, ou saio de casa em jejum...o que não augura grande futuro para as células da minha massa cinzenta. Tento que o período de jejum seja o mais curto possível...até chegar a um café.
E assim vou sobrevivendo hoje em dia...tenho de encontrar a minha próxima casa próximo de uma padaria. Ou mesmo dentro de uma padaria. Para dar tranquilidade matinal ao meu espírito..
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