quarta-feira, janeiro 06, 2010

Alentejo

Há algum tempo que venho sendo adepto das célebres escapadelas ao final de semana. Escusado será dizer que me refiro a destinos modestos e baratos. Adequados à minha singela bolsa.

Tem um significado especial para mim o sair de LIS ao final de uma semana de trabalho e conduzir de noite rumo ao Sul. Especialmente tendo como destino o Alentejo. E acordar no dia seguinte "lá". Aquele cheiro característico a terra (seca ou molhada), o barulho das aves autóctones..etc. Certamente que no Norte existirão igualmente destinos muitíssimo interessantes, mas confesso que ainda não me dediquei a explorar condignamente a oferta existente em termos de turismo rural nessa zona do Império.

O conceito de turismo rural (fazendo aqui uma side note), ganhou alguma expressão desde há cerca de 20 anos para cá. Houve na altura alguns subsídios estatais, e muita gente arrecadou o dinheiro do erário público para embelezar o solar que era do trisavô José. Uma envolvente bucólica, um rio, duas pilecas e uma moto 4 com motor de aparador de relva, e estava encontrada a receita para o sucesso de turismo rural daquele solar e naquele monte.... No início era assim..hoje em dia, e dado que a oferta é substancialmente superior, é importante aferir o que gostam os hóspedes, o que procuram...um pouco de benchmarking caseiro, obtido "googlando" e vendo o que oferece a concorrência ou mesmo em conversa com os hóspedes.

A paixão pelo Alentejo já vem de longe. Desde os dias em que eu, o meu irmão e um primo nosso, fartos da monotonia de vida alentejana em casa de uma das nossas tias, entendemos que deveríamos tentar algo variado e resolvemos experimentar qual o resultado prático de pegar fogo a algodão com alcóol. Ah..com a particularidade de ser num sotão seco, poeirento e tralha combustível. A Divina Providência fez com que a minha tia resolvesse ir ver o que andavam os matrecos a fazer e conseguiu resolver as coisas a tempo de evitar uma tragédia. A minha tia deve ter ganho uns 50 cabelos brancos, e nós...bem...digamos que com o calor alentejano...os gelados são sempre bem-vindos. Pois bem...durante semana e meia de clausura não houve gelados lá em casa. Só aplicável para os três pobres diabos, é claro.

Algumas das ruas do Alentejo também são responsáveis pelo facto dos meus joelhos hoje em dia parecerem o mapa de Portugal, com tanta cicatriz, consequência de ter esfolado muitas vezes os joelhos naquele alcatrão. O mesmo para os braços, e muita vez chegado a casa e com os cabelos cheios de poeira das terras em que andava de"bicla". Mas faz parte do crescimento. Fez parte da minha infância e naturalmente que contribuiu para que desenvolvesse um gosto especial pelo Alentejo. E por este Alentejo em especial. Gosto esse que perdurou até hoje.

Assim sendo, é para esta zona do País que normalmente opto por ir nas tais escapadelas no final de semana. É igualmente nesta zona onde se encontram bons vinhos. Boa culinária. Onde se descansa bastante de dia (a clássica e obrigatória sesta após almoço, acompanhada do ritmado e irritador cantar das cigarras). De noite, o barulho dos grilos.

O Alentejo interior que conheci, perto de Moura, é um Alentejo que nada tem que ver
com o Alentejo de hoje. Ou com o Alentejo da "moda", o Alentejo litoral. Não vou lá há muito tempo, mas acredito que esteja muito diferente. Talvez um dia vá lá. Para reviver algumas experiências. Menos os tralhos, claro.

Na memória..e para sempre ficará marcado o "meu Alentejo" e tudo o que nele vivi!

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terça-feira, janeiro 05, 2010

A Comida

Creio já ter escrito sobre isto em tempos neste blogue. É possível. Nem de propósito, há dois ou três posts atrás escrevi sobre o prazer ímpar que tenho em comer pão. Agora escrevo sobre a comida...talvez uma tentativa de justificar o porquê de querer trocar a balança (peso a mais)...

Tenho experiências com vários tipos de comensais. Uns fingem que comem, e "sujam os pratos". Comem mal, para não dizer pessimamente. E diz o adágio popular "Quem não é bom para comer, não é bom para trabalhar". Outros parece que não comem há uma semana, e enchem de tal forma o prato, que a comida extravaza. O que de resto, apenas e só reflecte que na casa da pessoa em causa, quando era o mesmo mais novo (a) recorria-se ao jejum de alguns dias (sabe Deus com que objectivo), tal não é a avidez com que estão habituados a comer "pilhas" de comida. Ah...isto quando não começam a comer ao mesmo tempo que os demais sentados à mesa.

Tenho pena de não saber cozinhar melhor. Desenrasco-me, é certo (faço uns bifes maravilhosos, uns ovos mexidos únicos, sei grelhar sardinhas), mas quando toca a quantidades de arroz, de massa, fazem-me confusão e começo logo a ficar nervoso e a hiperventilar. Aliás, neste ponto, confesso reconheço sobredotadas aquelas pessoas que conseguem fazer um arroz em 5 minutos, sem recorrer a chávenas ou outras formas de medida, ou conseguem fazer um esparguete a olhómetro. Talvez um dia eu o consiga igualmente. Aí terei mais uma razão para a minha realização pessoal (além das outras 900 razões).

Dou muita importância ao que me trazem para a mesa no restaurante. Não interessa se estou a almoçar no Eleven ou numa tasca qualquer ali de Alfama. Interessa-me apenas e só quão estimulado é o meu palato, o olfacto, a visão...Já paguei muito por refeições ordinárias e já paguei pouco em restaurantes muito bons e que jamais dizer ousarei partilhar o nome (para ninguém lá ir e começar a encher aquilo)...Talvez possa dizer um dia, o nome de um ou dois.

Muito fica por dizer relativamente à minha relação próxima e íntima com a comida. Não seria correcto dizer que gosto mais do leite creme queimado na hora do que o clássico arroz de pato. Estão ambos no topo das minhas preferências culinárias. Não faço (nem ousaria fazer) a destrinça entre o doce e o salgado...gosto de ambos. Conquanto sejam bem confeccionados, lá está.

Outro ingrediente que poderá melhorar ainda o prato confeccionado, será a nossa companhia à mesa. É diferente disfrutar de um bom prato com uma boa companhia do que com quem nos "vai ao bolso" na altura de pagar o IRS. A par e passo da companhia, um bom tinto ou branco também podem aumentar ainda mais o score de uma boa refeição.

Com tudo isto, parece-me óbvio e sensato que não almoçar uma cataplana de marisco ao almoço de Terça-Feira, em dia de trabalho, lá no restaurante do Tó, acompanhada de um bom branco caseiro. Seria o mesmo que dizer que não iria trabalhar da parte da tarde...

Por último, para saborear qualquer prato, é importante que não exista a limitação de tempo..o que significa que saboreio apenas os jantares e almoços / jantares aos finais de semana....

Ahh..e esta prosa toda sem ter introduzido a "Bimby".....Mas quem tem mão para a cozinha...não gosta da "bicha"!

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Cão Abandonado

Tenho a ideia de hoje ter presenciado o abandono de um cão. Minutos antes de ter passado por um determinado ponto no meu percurso para o trabalho. Cão preto, com cerca de dois anos, e tendo em conta que estava a chover e o bicho tinha o pêlo seco (com coleira em bom estado), foi algo que idealizei de imediato. A forma como correu no sentido do trânsito, e dos carros que me precediam, confirmou que possivelmente, o / a cobarde estaria num carro à frente do meu.

É um acto inqualificável. Não me vou nem quero alongar muito neste tema, tal não é o sentimento de repúdio que me desperta. Lamento que o Homem seja tão cruel para aqueles que nunca, jamais lhe falharam.

Para terminar, tive pena de não ver isto a acontecer mesmo à minha frente. Seguramente que quem o tentasse fazer não ficava bem. Nem psiquica nem fisicamente.

Ah..e eu teria ficado com o cão se o tivesse apanhado.

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segunda-feira, janeiro 04, 2010

O Pão

Não sou daquelas pessoas que usa e abusa do pão nas refeições. Gosto do pão para molhar no molho das amêijoas à Bulhão Pato, na cebolada das iscas, no suco próprio dos bifes misturado com o alho e a manteiga..(melhor parar por aqui porque começo a salivar qual cão do Pavlov)...

Quero apenas dizer que não sendo um "pão-dependente", o pão faz-me falta. Não é qualquer pão "Bimbo" que se compra em qualquer supermercado. É "aquele" pão especial, com o sabor tão característico do Alentejo ou disfarçado, feito ali na Amadora e com o mesmo sabor. É-me um pouco indiferente de onde vem..conquanto tenha "O" sabor. Gosto do pão com chouriço cozido em forno de lenha, acompanhado do caldo verde ali na 24 de Julho..comido a "desoras" e com alguns copos no "bucho"... OK..muitos copos. Gosto do sabor do pão do campo, daquele que é acabado de fazer, que vem embrulhado em papel pardo (onde a ASAE ainda não chegou)...e no qual, quando encetado, a manteiga derrete.

Durante anos sem fim, e nas 4 estações do ano, rumei qual zombie para a padaria da rua onde morei. Com a voz embargada pelo sono, o cabelo despenteado e quase sem conseguir abrir os olhos, levava o saco do pão e trazia as carcaças para o pequeno almoço lá de casa. Agora que me lembro, vejo esta tarefa que desde os anais da história foi partilhada com o meu irmão. Isto quando alguns dos nossos amigos já tinham há largas horas o seu saco do pão cheio à porta de casa, deixado pelo padeiro, a quem pagavam um valor mensal. Ainda tentei que esse esquema fosse aceite lá em casa...mas sem êxito. Assim continuei a ir à mesma padaria, a ver a mesma senhora de bata branca a atender monocordicamente, e percebo agora que com o meu avançar dos anos conseguir ver além da bancada (houve anos em que o meu olhar não chegava ao topo da bancada).

Mudam-se os tempos, mudam-se as tradições. A padaria mais próxima da minha actual casa fechou. Há uns anos. Inexplicavelmente. E deixei de ter o pão ao pequeno almoço. Deixei de acordar cedo, confuso, irado e a maldizer tudo e todos. O mundo ficou mais calmo. Contudo, tive de encontrar alternativas. Hoje em dia, ou me amanho com outra coisa, ou saio de casa em jejum...o que não augura grande futuro para as células da minha massa cinzenta. Tento que o período de jejum seja o mais curto possível...até chegar a um café.

E assim vou sobrevivendo hoje em dia...tenho de encontrar a minha próxima casa próximo de uma padaria. Ou mesmo dentro de uma padaria. Para dar tranquilidade matinal ao meu espírito..

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domingo, janeiro 03, 2010

As Novas Oportunidades

Falava há pouco ao almoço, sobre um primo meu que se inscreveu no programa das novas oportunidades. Sendo este meu primo pouco mais velho que eu, e conhecendo-o como pocuos, vejo este como sendo um acto de coragem, de iniciativa louvável e sem sombra de dúvida de quem garantir o futuro. Vale o que vale este chavão da "garantia do futuro"...mas é melhor que não ter escolaridade alguma, ou de não ter algo que diferencie da demais população trabalhadora /activa.

Não é de agora que conheço esta realidade. Li e acompanhei o que foi escrito pela imprensa sobre o tema, aquando da sua implementaçao, e sinceramente acho que foi, deve e deverá ser sempre uma das principais bandeiras do actual Executivo. Não se trata apenas de dar formação (e informação) a adultos que laboram há décadas. Trata-se sim de dar uma nova oportunidade às suas vidas, um novo alento, o fazer de alguma forma que sintam um complemento nas mesmas. Que se sintam motivados, estimulados, testados..e que natural e logicamente se sintam recompensados com uma boa classificação - muito importante para a valorização enquanto pessoa.

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sábado, janeiro 02, 2010

Os Saldos

Há momentos na vida das pessoas que são ímpares. Inigualáveis. Se para alguns a época dos saldos culmina uma sequência lógica de acontecimentos (eg: final da estação, Natal, etc.), para outros, especialmente do sexo feminino (e alguns homens com sexualidade dúbia), é um momento do sublime êxtase. Qual orgasmo. Como não podia deixar de ser, e como vem sendo hábito de ano para ano, dei comigo no meio dos saldos. Não porque tenha especial prazer em fazê-lo..mas por necessidade mesmo.

Os saldos são a pior coisa que existe. Não me chocaria absolutamente nada que amizades de décadas caissem por terra, consequência da Mafalda ter visto (e agarrado de forma insultuosa e egoísta) a saia que a Mariana tinha visto logo que entrou na loja. Ou que a partir do momento em que a Mafalda agarrou naquela saia tivesse comprado uma guerra com a Mariana...que sem razão aparente começou a responder por monossílabos e a desviar a olhar sempre que questionada...

É claro que só pode haver um vencedor. Quem mais poderia ser a não ser as lojas? Para começar porque sobrecarregam os seus funcionários com horários duplos e triplos. Os mesmos funcionários que receberam a notícia que teriam de ir trabalhar no dia 02JAn, gorando os seus planos de irem passar a passagem de ano à Kadoc, com o Ruben (primo do Valter), que tem um cabelo espetado "muita querido", e umas calças pelo meio das pernas que lhe ficam a matar. E claro..as colecções deste ano, e dos dois anos anteriores, vendem-se como pipocas.

No meio, e completamente alheios a tudo isto, ficam as pessoas que por necessidade têm de se deslocar às grandes superfícies comerciais. Exasperam no trânsito para aceder aos estacionamentos, irritam-se porque têm de frequentemente estar a ligar o ar condicionado do carro para desembaciar os vidros, e de si e para si, contam em ordem descrescente de 100.000 para 0. Deus nos dê paciência...

Devia ser instituído do "Dia dos Saldos"..só para alguns (umas).

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sexta-feira, janeiro 01, 2010

2010

Passadas que são algumas horas da passagem do ano, devo, em consciência e antes de continuar, desejar as rápidas melhoras daqueles (as) que mais um ano se enfrascaram desde as 1900H de dia 31DEC2009 e que à hora do jantar já sentiam a língua tipo cortiça. Ou seja, tivessem dado palha ao jantar, o resultado teria sido o mesmo, teriam aceite e comido na mesma, tal não era o estado de embriaguez.

Entre outras coisas, há pormenores que não entendo. Qual é o objectivo de passar a meia noite completamente embriagado, ou mesmo alegre? Só me ocorre a imagem do tipo que durante o ano simplesmente não fala, ninguém dá por ele, e na noite de final de ano, revela-se. O seu Ego verdadeiro. O mesmo acontecerá com algumas delas...que durante 364 ou 365 dias poderão não ser muito diferentes das Missionárias do Cambodja e nesta noite tão especial mostram ser mais extrovertidas que a Linda Reis. Tudo com uns copitos a mais. Miraculoso.

Também me sugere algum tipo de ginástica mental, o entender o porquê da alegria na passagem de ano, as marteladas na cabeça uns dos outros, os apitos irritantemente sonoros, ou simplesmente, o porquê de se gastar tanto ou mais dinheiro comparativamente ao que se gastou nas compras de Natal para a família toda de 554 familiares. De resto, consigo igualmente perceber pelas indumentárias que vejo nesta altura, que ainda me resta algum bom gosto...ao contrário destas pessoas.

2009 foi um ano repleto de episódios péssimos, e que não valerá a pena elencar agora. O País encontra-se em crise económica. Há famílias em que deixou de haver dinheiro emcasa. Aqueles que trabahavam, foram incluídos em programas de "re-organização" levados a cabo pelas multinacionais nas suas várias representações pelo mundo inteiro. Deixou de haver o meio de sustento. Contudo, no virar do ano, e inexplicavelmente, todos os problemas deixam de existir. E quem observa "de fora" estas criaturas diria que seguramente foram afortunadas com o euromilhões, tal não é a alegria que extravazam.

Aqui por casa, às 2430H estava na cama.

Bom ano para todos (as).

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sábado, novembro 14, 2009

Yad Vashem


Um must go place, para quem visita Israel. Aproveitei o dia de ontem para fazer esta visita há muito desejada, na medida em que sou curioso relativamente ao que aconteceu durante a II Grande Guerra.

Uma coisa será ler os livros, ver filmes ou assistir a documentários que objectivamente e de forma muito próxima retratam o que aconteceu. Outra coisa será visitar um espaço que pretende mostrar / evidenciar a judeus descendentes (ou não) e a não judeus as atrocidades perpretadas por Hitler.

Não querendo alongar-me muito pelo que vi e senti, posso assegurar que é um espaço muito violento em termos de imagem, de sensações, de revolta sentida ao assistir a testemunhos de sobreviventes ou filhos de judeus mortos. Aquando da entrada neste espaço, de imediato senti um arrepio. Frio, gélido, enquanto assistia um filme em que várias crianças judias, em qualquer bairro judeu e em qualquer ponto do globo acenavam para a câmara. A candura, a inocência das mesmas faz com que as nossas entranhas se reduzam a um ponto, em virtude de se saber, com propriedade, que futuro as esperava. Para algumas, nesse dia, nessa semana, mês..etc.

Aconselho a toda e qualquer pessoa que, havendo oportunidade, visitem este espaço. Um dia que visitem Israel.

Acredito que possibilita o crescimento interior de qualquer pessoa....e mostra sem qualquer sombra de dúvida aquilo de que é capaz a mente humana.

terça-feira, maio 26, 2009

Bastonário Ordem Advogados

Tive oportunidade de ver hoje, pela primeira vez, uma entrevista da jornalista Manuela Moura Guedes (MMG), no passado dia 22MAY2009 ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto (AMP).
É pouco provável que alguém consiga passar indiferente às notícias de abaixo assinado para destituição do actual Bastonário. Sou uma dessas pessoas, e por "porta travessas" tive a possibilidade de ver esta peça, e que passei a considerar a melhor pérola em termos de jornalismo televisivo, que é uma entrevista da MMG ao Bastonário. Há muito que não via tão mau jornalismo, tão má prestação (e preparação) para a entrevista com uma má conduta, ética e pouco prestigiante para a classe dos jornalistas. Porventura será algo que lhe é permitido por ser casada com quem é, e que certamente lhe dá um espaço na sua cadeia televisiva.
Um espectáculo televisivo decadente, em que certamente os espectadores teriam ganho mais se tivesse tido lugar uma discussão inteligente, debate maduro de ideias e respeito. MMG, mais uma vez, e ao seu melhor estilo, abusou. E desta vez, acho que abusou muito. Põe em causa uma série de valores intrínsecos, éticos inerentes à classe de jornalistas. Mas por ser quem é, certamente que rapidamente esta (mais uma) infelicidade será perdida nos anais da história.
Quanto a AMP, gosto dele. Nunca tinha tido a oportunidade de com tempo, e atenção, ouvir o que tem para dizer. Gosto da frontalidade e da sinceridade com que diz as coisas. Com que toca os "senhores dos lobbies" e na forma como genuinamente apelida e categoriza aqueles que cometem ilegalidades. Há poucas pessoas assim.Infelizmente.
Cpts.,

sábado, abril 04, 2009

Dentistas

Tive de recorrer aos serviços do dentista ontem. Uma questão que me vinha a incomodar há algum tempo, e que careceu de atenção por parte de um profissional destas coisas.
Desde miúdo que tal como tantas outras pessoas abomino as idas ao dentista. O barulho das brocas, o cheiro, aqueles instrumentos pontiagudos que utilizam..tudo isso me provoca calafrios e me deixa sinceramente vulnerável. Sim, vulnerável.
A posição de deitado, em ângulo favorável ao médico para inspeccionar a boca, coloca-nos, na minha opinião, numa condição de vulnerabilidade ímpar. É certo que não pode ser doutra forma, tenho consciência disso. Mas aquela posição deixa-me muitíssimo incomodado, para ser sincero.
A ida de ontem ao dentista envolveu entre outros pormenores, duas anestesias locais (ministradas decorridos 40 minutos - entendeu o médico que até lá eu deveria ter a sensibilidade que julgou necessária), bem como umas marteladas no dente. Sim, literalmente marteladas.
Acresce o facto de que já estava na tal posição que considero incómoda, vulnerável. Foi uma "sova" que apanhei. Aliás, como todas as outras que apanhei ao longo destas décadas e objectivamente relacionas com idas a esta especialidade da medicina.
Interiormente, acho que são experimentadas sensações ímpares, com uma amplitude tal, que passam desde o extremo negativo caracterizado pela vontade de pregar o dentista à parede com uma cotovelada, trocar de lugar e usar a broca maior na língua dele, até ao extremo positivo que será um abraço forte e caloroso por ter sido aquela a pessoa que mitigou ou eliminou a nossa dôr.
Brevemente terei de lá voltar. Para mal dos meus pecados.

Cpts.,

terça-feira, março 17, 2009

Crianças

Não sou uma pessoa particularmente paciente com crianças. É certo que a idade nos molda e nos transforma, mas sou daquelas pessoas que detesta os guinchos, os berros estridentes e as insubordinações. Ou mesmo as "piscinas" que algumas crianças teimam em fazer, quando em almoços ou jantares com os pais. Má educação.
Não é isto que me faz escrever o presente texto. Tenho vindo a constatar, pelas notícias dos últimos dias, que crianças morrem (ou ficam no estado de coma), consequência da negligência dos progenitores. O recém-nascido que foi "esquecido" dentro de uma viatura, outro recém-nascido que caiu de uma altura de 15 metros, uma criança que foi arrastada por uma vaga ou os irmãos que deixados dentro do carro dos pais, destravaram o mesmo e cairam de uma ribanceira com uma altura considerável, sendo necessária a sua evacuação com recurso a helicóptero.
Não obstante o meu primeiro parágrafo, julgo que qualquer um dos quatro acontecimentos reflecte a negligência e ou inaptidão para algumas pessoas serem pais. Não concebo que em qualquer um dos casos não pudessem ter sido tomadas algumas medidas que evitassem os resultados desastrosos. A questão que emerge, é que só depois dos acontecimentos trágicos tem lugar uma introspecção e o pensamento daquilo que poderia ter sido feito.
Não quero ser moralista, nem tão pouco tenho pretensões em sê-lo. Nem quero sequer pensar com uma teoria de premeditação por parte dos pais. Seria demasiado cruel, embora não inédito (no Brasil, alguns pais chegaram a atirar os filhos pela janela de suas casas...). Contudo, e na minha opinião, hoje em dia é necessário repensar a vida de cada um de nós, quando pensamos em dar o passo de ter filhos.
Muitos dos leitores deste blogue já têm filhos, e certamente já terão uma vida um pouco mais "aliviada", consequência da idade dos mesmos, não obstante ser necessário o acompanhamento, o "estar presente", o "saber ouvir", o saber aconselhar o certo e o errado...etc. Para os seguidores deste blogue que ainda está na fase de "pensar em ter filhos", é muito importante que em conjunto avaliem se efectivamente têm disponibilidade mental, se conhecem e percebem a responsabilidade que é trazer um novo ser humano a este mundo. Este será o âmago da questão.
Como alguém disse em tempos..."é fácil tê-los...mas menos fácil mantê-los".

Cpts.,

sexta-feira, março 06, 2009

A Netcabo

Já há muito tempo que ando para escrever sobre a netcabo. Solução miraculosa, que terá surgido há mais de 15 anos. Permitia a conexão de todos ao resto do mundo.

Contudo, muitas pessoas aderiram à netcabo. Numa altura em que também era disponibilizada a solução da Tv Cabo, que permitia passar dos 4 canais genéricos para o quintúplo. E assim, e "qual carneiros", todos aderimos às soluções. O que provocou, logicamente, uma sobrecarga nas ligações. E que não foi acompanhado (nem de longe, nem de perto), em termos tecnológicos, pela empresa.

Resultado: Não raro deixa de existir internet e televisão. Piora quando deixa de haver telefone fixo (como já me aconteceu esta semana, por 3 vezes). Num rasgo de inteligência e perspectiva de oportunidade de negócio zilionária, a tv cabo (ou betcabo) disponibiliza hoje em dia soluções de telefone+internet+tv. Em suma, quando falha alguma das três soluções, falha tudo.

E deixamos de estar em contacto com o mundo. Para o bom e para o mau.

É por esta e por outras que hoje em dia é perigoso falar em "fidelização" dos Clientes.

quarta-feira, março 04, 2009

Os vendedores de automóveis

Há muitos, e de vários sectores de actividade.

Assumindo o meu gosto pelos automóveis, são os vendedores deste sector de negócio com quem mais lido, e para os quais dedico mais atenção.

Entendo que deve demorar algum tempo até que um vendedor de automóveis "sénior" ganhe aquela lábia que lhe permite vender um monovolume (carro de maiores dimensões e mais caro) a quem entrou num stand a pensar em comprar um Renault Clio.

É preciso desenvolver determinados skills, determinadas competências (e apetências), perceber de psicologia humana e como interagir com os Clientes. E neste tipo de actividade, é essencial. Vital. A par a passo com o desenvolvimento da "veia" comercial, que está intimamente ligada a esta actividade. Mais uma vez o cumprimento de objectivos, o atingir de metas, a actividade de benchmarking, etc, são ferramentas que têm de ser afinadas neste ofício.

Contudo, nem sempre as coisas correm bem. E aparecem os Clientes como eu. Que fazem o seu trabalho de casa. Que anualmente lêem revistas da especialidade. Que até percebem "qualquer coisa" de mecânica. Que de forma autista e despreocupada, sabem praticamente os modelos todos das marcas automóveis. Que têm em mente de que ano poderá ser uma viatura, tendo em conta as letras da matrícula...etc..etc. E é aqui que começa o problema ou o pesadelo do vendedor.

Tipicamente, a actividade de vendedor de automóveis (actualmente designada de "Técnico de Vendas"), é desempenhada por pessoas que vêem este tipo de ocupação como algo temporário. Na generalidade, as marcas começam a filtrar mais as habilitações literárias, e não raro, encontram-se vendedores de automóveis com o 12º Ano de escolaridade concluído, mas a trabalhar em part-time, enquanto não ingressam no ensino superior (ou já ingressaram, e ocupam assim o tempo livre).

A desvantagem, ou a questão que "mata" uma venda, no meu entender, é o vendedor não saber o que está a vender. Ou não acreditar no produto. Aí existe a tal "psicologia invertida". E o vendedor passa a ser observado. E são avaliados os seus conhecimentos relativamente ao que vende. É isso que faço. Há perguntas de algibeira, que se não são respondidas de imediato, sem hesitação, "temos a pintura borrada". E sem entrar em grandes pormenores técnicos. Porque aí...a esmagadora maioria fracassa logo.

A apresentação e trato contam muito. Curiosamente, são poucos os vendedores de automóveis que se decalcam da imagem de vendedor de bíblias "door-to-door". Fatos com mau corte, sapatos mal engraxados, relógios réplica e fluência/dicção verbal deficiente. E isso, pessoalmente, entendo ser mau presságio. Acompanhado, naturalmente, pela pouca crença do produto que se está a tentar "impingir", ups..vender.

Não raro, gosto de ir a alguns stands de automóveis. Por vezes sou bem sucedido, e acabo por aprender algo que constitui valor acrescentado ao meu conhecimento. Ou seja, há diálogo construtivo e produtivo.

Nas restantes vezes, as coisas não correm bem. E assim se perdem negócios. Infelizmente.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

O Brio Profissional

Considero o brio profissional uma das características que mais aprecio em alguém. O espírito de sacríficio com vista à consecução de objectivos (por departamento e permitindo em consequência o atingir dos objectivos da empresa).

Nem todas as pessoas são briosas na sua actividade profissional. Será mais fácil cumprir (logicamente) um horário de trabalho estático, sem abnegação de momentos além do horário supra mencionado, do que sacrificar os momentos de lazer em prol da empresa. É uma verdade conhecida, e não há grande dúvida neste aspecto.

Na minha opinião, o trabalho fora de horas, acontece em duas situações distintas: a) Má organização pessoal ou b) Demasiado trabalho para uma só pessoa. Se na primeira situação tudo depende da pessoa em causa, e se existe na mesma vontade em aprender metodologias de organização que lhe permitam o "improvement" no seu quotidiano profissional, já na segunda situação será um problema vertical, organizacional.

Infelizmente, e fruto da competitividade inter-empresas que exploram determinado nicho de negócio, "parar é morrer". Ou seja, colocam-se de lado modelos de gestão estanques e abordam-se novas oportunidades de negócio, mais flexíveis, apostando indubitavelmente na vertente comercial consolidada, sustentada e agressiva. Nos dias que correm, só assim é possível a sobrevivência de uma organização.

E é normal, com o exposto acima, que nem sempre o brio profissional subsista. O excesso de trabalho é perfeitamente tipificado e identificado com "picos", e obviamente que não é possível gerir o tempo disponível de forma cabal. Como seria desejável.

Também não é óbvia e imediata a afectação de mais recursos numa altura em que o mundo inteiro vive em plena recessão económica. Contratação de novos quadros sugere mais despesa. E com a actual conjuntura económica, tal opção poderá reflectir uma separação clara e inequívoca entre as empresas que se mantêm activas e pagam custos fixos e variáveis atempadamente, e aquelas que não conseguem acompanhar. E, não raras, ficam-se pelo caminho.

Concluindo, o brio profissional depende de vários factores. Na generalidade das vezes, exógenos. Contudo, entendo que é importante que sejamos profissionais no que fazemos. Sejamos rigorosos, empreendedores, criativos, e porque não críticos de nós mesmos, efectuando para tal, auto-avaliações regulares no espaço temporal.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A necessidade do inglês

Estava a ouvir um comentário na rádio (sim, fora de Portugal continuo a ouvir rádios portuguesas - bendita internet), onde um dos entrevistados era espanhol. E basicamente, os entrevistadores tinham de falar pausamente o português, para que o "nuestro hermano" pudesse entender.
Sobre este tema algumas considerações que tenho vindo a fazer ao longo dos anos... Diz um dos ditados populares "Em Roma sê romano". Ou seja, e aplicando à comunicação oral, é importante que a comunicação seja fluente e perceptível entre emissor e receptor. Em Israel, onde me encontro agora, utilizo o inglês. Não sei falar israelita, mas o inglês é perfeitamente entendido, e regra geral, todos (as) os (as) interpelados (as) entendem e fazem-se entender. Menos um problema, num País que não é o nosso.
Uma coisa que tenho reparado, em algumas viagens que tenho oportunidade de fazer, é que há Países (tendo em consideração as pessoas com quem tive oportunidade de estabelecer comunicação), que pura e simplesmente não se esforçam por comunicar na mesma língua. Mesmo aqui, alguns tipos mais velhos, não sabem, ou não querem falar o inglês. Mas falam entre eles israelita. E fico a apanhar do ar, claro. O mesmo meu aconteceu recentemente em Espanha...com o perigo para os espanhóis de que algumas coisas do que eles dizem nós portugueses, entendemos..
Opto por falar o inglês em todo o lado, quando saio de Portugal. Lamentavelmente, não sou poliglota. O inglês, hoje em dia, é a língua comummente aceite em qualquer canto do globo. Melhor ou pior, a comunicação é passível de ser feita. Ainda que existam alguns resistentes, como os que mencionei acima. Mas na generalidade, é possível comunicar.
Em Portugal, coloca-se outra questão. Porque razão terei eu de dar informações de orientação em italiano, espanhol, ucraniano, moldavo ou paquistanês? Ninguém até hoje me deu as mesmas em português quando necessitei das mesmas estando no estrangeiro...
Donde...um conselho...aprendam inglês!!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Fotografia de Portugal

Neste momento escrevo estas linhas longe de Portugal. Mais concretamente num dos países que mais tem ocupado as páginas dos jornais. Sim, Israel mesmo. Deixarei os meus comentários relativos a este País para outro momento. Em que tentarei colocar algumas fotos e quiça, até documentar fotograficamente a minha estadia.
Não obstante, tenho acompanhado de perto o que se passa em Portugal. A internet, sem qualquer dúvida, é uma poderosíssima ferramente, e em menos de nada, sabemos o que queremos. À distância de um clique.
Em Portugal, tenho por hábito folhear diariamente o "Público", e semanalmente o "Expresso" e o "Sol". São os três jornais a quem concedo credibilidade, e assim sendo, aqueles que sigo com mais atenção. Especialmente os semanais. Contudo, e estando longe, opto por consultar numa base diária o primeiro. Até porque a sua página é mais rica, com mais substância, e creio que será actualizada com mais regularidade. E as notícias são mais detalhadas. Não visualizo com tanta frequência as páginas dos outros dois jornais.
Basicamente, e após quase 1 mês fora, continua tudo na mesma. Sem tirar nem pôr. As mesmas fantochadas, as mesmas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, e o País sem rumo. Sim, sem rumo.
Parece-me, claramente, que chegámos há algum tempo, a um ponto em que é necessário ver a fibra de quem tem o poder nas mãos. Alguém com poder, com pulso, que seja capaz de tomar as rédeas do País. E não me parece que neste momento exista. Note-se que não faço este comentário com qualquer tipo de conotação política. Falo objectivamente de quem neste momento está no Executivo e falo da Oposição - que resumidamente não existe.
Com recessão económica assumida, com contenção de custos, com problemas vários no cumprimento de metas acordadas no Parlamento Europeu, parece-me evidente uma clara deriva e um desvio substancial daquilo que é necessário e verdadeiramente importante.
É preferível, segundo a óptica dos media, perceber que o nosso PM tem um tio que até esteve ou foi parte interessada no caso Freeport. Tio e primo. Que aquando do processo de licenciamento do terreno para edificação da supramencionada área comercial, houve conluio e interesses vários - tráfico de influências. Enquanto engenheiro, e especializado na componente ambiental, preocupa-me de sobremaneira saber que houveram duas avaliações ambientais, sendo uma delas positiva e outra negativa. Feitas por funcionários a quem se requer, na minha perspectiva, alguma credibilidade, idoneidade e troca de informação. Não me parece razoável que existam duas avaliações opostas para a mesma realidade.
Há medidas que têm vindo a ser tomadas que são, naturalmente, o apelo ao voto dos indecisos. Aqueles que não sabem se querem continuar a viver com dificuldades, aqueles que há muito que não acreditam no sistema político português, aqueles que não se sentem minimamente motivados para ir às urnas por altura do acto eleitoral. Lamentavelmente.
Há promessas que foram assumidas durante as eleições do actual Executivo. Poucas foram aquelas que foram cumpridas. Dois exemplos simples: postos de trabalho (efectivos, as estatísticas dos centros de emprego para o trabalho temporário não contam), e a questão do aumento da taxa do IVA. Duas questões que foram debatidas, faladas, questionadas, e não foram cumpridas as várias promessas relativas às mesmas. Muito pelo contrário...falhou-se nos postos de trabalho, e aumentou-se o IVA..
O saldo do actual Executivo é mau. É importante também avaliar a situação económica internacional, e que como será razoável admitir, torna difíceis as condições de governação. Contudo, há ou tem de haver lugar ao diálogo. À tentativa de encontrar soluções, promovendo a discussão inter-partidos da oposição e no seio do próprio partido. Evitar clivagens (internas e externas). Ser dada importância ao que realmente importa (más condições de vida de muitos portugueses, em detrimento de se continuar qual autista com a ideia obstinada das obras públicas de valores astronómicos, e para os quais os portugueses não podem, não devem e decerto não querem pagar a factura. Tal como tiverem, têm e terão de pagar os estádios de futebol que foram construídos por altura do último evento desportivo ocorrido cá em Portugal. Cada vez que me recordo disto, vem-me à memória o que aconteceu com Sevilha...após a exposição ficou deserta. Mas Espanha, como sabemos, tem uma economia diferente da nossa. Mais consolidada, mais forte e sobretudo, com uma melhor e maior capacidade de recuperação da recessão, como começa aliás a dar sinais.
A ver vamos. Não quero com este tipo de comentários dizer que está tudo mal. Talvez a vida me tenha ensinado a ser mais crítico, observador e sobretudo mais preocupado com soluções para os problemas e não com a questão de levantar problemas. Mas a minha contribuição será feita aqui, para aqueles que me lêem. Deverá ser sem qualquer hesitação o trabalho dos deputados da nossa AR. Aqueles que fazem parte dos partidos da Oposição. A esses, é imputada essa responsabilidade. É a esses que Portugal deposita a sua confiança para a resolução dos problemas preementes.
Não é com plenários em que se perdem 60 minutos ou mais com acusações ao Executivo que se resolvem os problemas. É tempo perdido. Tempo sem qualquer tipo de utilidade, quando poderia ser utilizado melhor, discutindo o que realmente interessa, e sobretudo, apresentando soluções.

O Regresso

E cá estou de novo. Porque recebi alguns comentários de leitores (as) que me fizeram rever a ordem de prioridade das minhas tarefas diárias, e porque não escrevia desde Setembro passado.

Basicamente, tentarei que a escrita seja mais regular, bem como a paciência (e tempo) assim o sejam, por forma a permitir que existam textos novos com uma periodicidade mais regular.

O meu obrigado a todos (as) os (as) leitores e tentarei cumprir a promessa!

João

quinta-feira, setembro 18, 2008

Os meliantes

Com a galopante onda de violência, somos diariamente brindados com notícias de captura de meliantes. Ou amigos do alheio. Conforme apetecer melhor a quem me lê. Há uma extensa adjectivação que poderá ser utilizada. E os nossos meliantes na rua.

Se em tempos, e ainda verificável em alguns países, aquele que comete a ilicitude é (ou era) castigado publicamente, "por cá", a realidade é diferente. Diferente ao ponto dos criminosos serem postos em liberdade, não havendo o flagrante delito. O que me parece ser um verdadeiro atentado às boas famílias. Aos que pagam impostos. Aos que se levantam cedo para ir trabalhar, e chegam tarde depois de um dia de trabalho. Enfim...aqueles que quando cometem uma infracção de trânsito (estacionamento em cima do passeio, têm de largar quase 200 euros para levantar o carro do parque da polícia ali nas Galinheiras...). E os nossos meliantes na rua.

Hoje, mais uma notícia no jornal da noite (TVI), que um gang da "inbicta" tinha sido capturado. Uns três tipos. Novos. Com bom corpo para o obral...Mas que optaram pelo caminho "A" num dado "cruzamento" da sua vida. O mais fácil, naturalmente. Aquele que contempla o carjacking, homicídios, agressão física, drogas, armas, etc. Aquele que permite o obter dinheiro fácil e sem grande cansaço. Mental, pelo menos. E os nossos meliantes continuam na rua.

E aqui chegamos a um ponto que entendo ser revestido de um mistério grande...se um criminoso é capturado, porque não podem os demais saber quem é? Porque razão teimam em tapar a cara? Alguns, quando assaltam, quando violam, quando matam...têm a cara descoberta...mas na altura do julgamento, tapam-na...nunca entendi muito bem porquê. E os nossos meliantes continuam na rua.

Esta é uma dúvida que me tem feito perder alguns minutos do meu pensamento diário...Mas julgo que não há uma resposta. Ou não haverá uma explicação lógica. Talvez, eventualmente, seja uma questão cultural, comparativamente com os países árabes. E os nossos meliantes continuam na rua.

A escalada da violência continua...

...E os nossos meliantes na rua.

sábado, agosto 02, 2008

Silly Season

Como habitualmente, por esta altura do ano, Portugal "vai a banhos". Durante algum tempo, esquecem-se os problemas, o TGV, o novo aeroporto, o preço do barril do petróleo, o aumento (ou não) da taxa de inflacção, o tendencial e crescente endividamento público...e por aí fora.

Lamento, que durante um ano, poucas ou nenhumas decisões se tomem, por quem de direito. Talvez por ser demasiado exigente. Talvez por ser prático. Talvez por nunca ter tido um cargo político, em que me fosse solicitada uma (ou mais) decisões. Julgo que esse será um dos maiores problemas que existe. Quem tem de tomar decisões, não as toma. É preferível discutir-se em plenário, vezes sem conta, as mesmíssimas coisas. Ir repescar acusações antigas, e como vem sendo hábito, quando as coisas não correm mesmo de feição, falar em legados políticos, falar em Governos antigos. Basicamente, aplica-se a máxima de "quando não sabemos dançar, dizemos que o chão está torto".

Não entendo muito bem como é que há pessoas que conseguem ter calma e abstrair-se dos problemas actuais. Da mesma forma que não entendo como é que há pessoas, com a actual conjuntura sócio-política, que continuam a praticar o mesmo estilo de vida que praticavam há sensivelmente 15 anos, em que Portugal não tinha problemas económicos (como aliás nunca teve, na douta opinião de alguns). Basta para isso, perder algum tempo e ver que se continua a viver acima das possibilidades, se continua a contrair empréstimos para pagar férias, se continua com a eterna ideia da "galinha da vizinha é melhor que a minha", aplicando a mesma à compra de móveis e imóveis. Infelizmente, diga-se em abono da verdade.

Detesto o Verão. Por variadíssimas razões pessoas, que poderei elencar noutra altura. A silly season é o protótipo de época/altura em que aqueles que pouco ou nada fazem, se vangloriam dos destinos de férias para onde foram. Apraz-me ver pessoas que sei que nada produzem profissionalmente, começar a pensar em Janeiro, nas férias que têm em Agosto. E vivem isso intensamente. Sendo que, durante o intervalo de tempo que medeia os dois meses, produzem zero. "Bola". E após o seu regresso, têm tema de conversa para os próximos meses. Bem como uma prestação (mais uma), numa banco para pagar o empréstimo que contrairam para ir às Maldivas.

Quanto à classe política, pouco ou nada se me oferece dizer. Não sendo objectivo, dá-me ideia que é tudo um grupo de amigos que jogam em equipas diferentes. E quando assim é, pouco ou nada se resolve. Gentleman Agreement parece-me ser uma prática corrente na Assembleia. Havendo pouca discordância (ou concordância), não haverá muito a discutir. A não ser aqueles temas mais "quentes"... E mesmo nesses...tenho as minhas verdadeiras dúvidas que algo seja feito na realidade.

Contudo...toda a gente se sente esgotada e a necessitar de férias...para os vizinhos verem!

Silly people!

sábado, julho 26, 2008

Leituras

Desde tenra idade, sempre houve o hábito da leitura lá em casa. Desde a leitura mais "despreocupada", que acompanhou a infância (Patinhas, Astérix, Michel Vaillant, and so on), passando pelos famosos "Cinco" e "Uma Aventura na..", (que suspeito ter lido todos os livros) durante a pré-adolescência..até à idade pré-adulta e adulta. E aqui a análise é outra.

Será esta fase da vida em que o sentido crítico, entre outras coisas, fica mais apurado. A personalidade acaba por estar (idealmente falando) formada, e poucas ou nenhumas variações decorrerão. Tive a sorte (ou azar) de ter um círculo de amigos onde existia (e existe) o prazer da leitura, e naturalmente, não existem atritos, ou comentários despropositados.

Há livros que marcam. Dostoiévski é um exemplo com "Os Irmãos Karamazov". Aconselho vivamente a quem goste de literatura densa. Interessante, mas densa. "Conversas com Deus", de Neale Walsch, igualmente denso. Não me agrade de todo o tipo de escrita de Saramago. Não só porque não o vejo como português, como detesto um tipo de escrita sem pontuação. Irrita-me. Tira-me do sério. Mas há quem aprecie. E temos de respeitar.

Actualmente, tenho um tipo de literatura diferente na mesinha de cabeceira (quando não estão no carro). "A Arte da Guerra", de Sun Tzu e "Princípios da Guerra", de Carl von Clausewitz. Em ambos os casos, a estratégia militar direccionada para a gestão das organizações/pessoas. E agradam-me muito, quer um, quer outro.

Entristece-me que as pessoas da minha geração não leiam mais..alegando que falta de tempo. Custa-me a acreditar que não tenham 10 minutos diários para a leitura. Mas deixei de me preocupar com isso, e aconselhar este ou aquele título. Não vale a pena quando não há vontade..

Contudo, e para mal dos meus pecados (e de tantos outros puristas da língua camoniana), vejo autênticos atropelos gramaticais, pontapés fortes nas construções frásicas e/ou discursos orais que me fazem pensar duas vezes se o acordo ortográfico veio para ficar (ao qual não aderirei jamais)...

Até breve..



Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...