Há algum tempo que venho sendo adepto das célebres escapadelas ao final de semana. Escusado será dizer que me refiro a destinos modestos e baratos. Adequados à minha singela bolsa.
Tem um significado especial para mim o sair de LIS ao final de uma semana de trabalho e conduzir de noite rumo ao Sul. Especialmente tendo como destino o Alentejo. E acordar no dia seguinte "lá". Aquele cheiro característico a terra (seca ou molhada), o barulho das aves autóctones..etc. Certamente que no Norte existirão igualmente destinos muitíssimo interessantes, mas confesso que ainda não me dediquei a explorar condignamente a oferta existente em termos de turismo rural nessa zona do Império.
O conceito de turismo rural (fazendo aqui uma side note), ganhou alguma expressão desde há cerca de 20 anos para cá. Houve na altura alguns subsídios estatais, e muita gente arrecadou o dinheiro do erário público para embelezar o solar que era do trisavô José. Uma envolvente bucólica, um rio, duas pilecas e uma moto 4 com motor de aparador de relva, e estava encontrada a receita para o sucesso de turismo rural daquele solar e naquele monte.... No início era assim..hoje em dia, e dado que a oferta é substancialmente superior, é importante aferir o que gostam os hóspedes, o que procuram...um pouco de benchmarking caseiro, obtido "googlando" e vendo o que oferece a concorrência ou mesmo em conversa com os hóspedes.
A paixão pelo Alentejo já vem de longe. Desde os dias em que eu, o meu irmão e um primo nosso, fartos da monotonia de vida alentejana em casa de uma das nossas tias, entendemos que deveríamos tentar algo variado e resolvemos experimentar qual o resultado prático de pegar fogo a algodão com alcóol. Ah..com a particularidade de ser num sotão seco, poeirento e tralha combustível. A Divina Providência fez com que a minha tia resolvesse ir ver o que andavam os matrecos a fazer e conseguiu resolver as coisas a tempo de evitar uma tragédia. A minha tia deve ter ganho uns 50 cabelos brancos, e nós...bem...digamos que com o calor alentejano...os gelados são sempre bem-vindos. Pois bem...durante semana e meia de clausura não houve gelados lá em casa. Só aplicável para os três pobres diabos, é claro.
Algumas das ruas do Alentejo também são responsáveis pelo facto dos meus joelhos hoje em dia parecerem o mapa de Portugal, com tanta cicatriz, consequência de ter esfolado muitas vezes os joelhos naquele alcatrão. O mesmo para os braços, e muita vez chegado a casa e com os cabelos cheios de poeira das terras em que andava de"bicla". Mas faz parte do crescimento. Fez parte da minha infância e naturalmente que contribuiu para que desenvolvesse um gosto especial pelo Alentejo. E por este Alentejo em especial. Gosto esse que perdurou até hoje.
Assim sendo, é para esta zona do País que normalmente opto por ir nas tais escapadelas no final de semana. É igualmente nesta zona onde se encontram bons vinhos. Boa culinária. Onde se descansa bastante de dia (a clássica e obrigatória sesta após almoço, acompanhada do ritmado e irritador cantar das cigarras). De noite, o barulho dos grilos.
O Alentejo interior que conheci, perto de Moura, é um Alentejo que nada tem que ver
Tem um significado especial para mim o sair de LIS ao final de uma semana de trabalho e conduzir de noite rumo ao Sul. Especialmente tendo como destino o Alentejo. E acordar no dia seguinte "lá". Aquele cheiro característico a terra (seca ou molhada), o barulho das aves autóctones..etc. Certamente que no Norte existirão igualmente destinos muitíssimo interessantes, mas confesso que ainda não me dediquei a explorar condignamente a oferta existente em termos de turismo rural nessa zona do Império.
O conceito de turismo rural (fazendo aqui uma side note), ganhou alguma expressão desde há cerca de 20 anos para cá. Houve na altura alguns subsídios estatais, e muita gente arrecadou o dinheiro do erário público para embelezar o solar que era do trisavô José. Uma envolvente bucólica, um rio, duas pilecas e uma moto 4 com motor de aparador de relva, e estava encontrada a receita para o sucesso de turismo rural daquele solar e naquele monte.... No início era assim..hoje em dia, e dado que a oferta é substancialmente superior, é importante aferir o que gostam os hóspedes, o que procuram...um pouco de benchmarking caseiro, obtido "googlando" e vendo o que oferece a concorrência ou mesmo em conversa com os hóspedes.
A paixão pelo Alentejo já vem de longe. Desde os dias em que eu, o meu irmão e um primo nosso, fartos da monotonia de vida alentejana em casa de uma das nossas tias, entendemos que deveríamos tentar algo variado e resolvemos experimentar qual o resultado prático de pegar fogo a algodão com alcóol. Ah..com a particularidade de ser num sotão seco, poeirento e tralha combustível. A Divina Providência fez com que a minha tia resolvesse ir ver o que andavam os matrecos a fazer e conseguiu resolver as coisas a tempo de evitar uma tragédia. A minha tia deve ter ganho uns 50 cabelos brancos, e nós...bem...digamos que com o calor alentejano...os gelados são sempre bem-vindos. Pois bem...durante semana e meia de clausura não houve gelados lá em casa. Só aplicável para os três pobres diabos, é claro.
Algumas das ruas do Alentejo também são responsáveis pelo facto dos meus joelhos hoje em dia parecerem o mapa de Portugal, com tanta cicatriz, consequência de ter esfolado muitas vezes os joelhos naquele alcatrão. O mesmo para os braços, e muita vez chegado a casa e com os cabelos cheios de poeira das terras em que andava de"bicla". Mas faz parte do crescimento. Fez parte da minha infância e naturalmente que contribuiu para que desenvolvesse um gosto especial pelo Alentejo. E por este Alentejo em especial. Gosto esse que perdurou até hoje.
Assim sendo, é para esta zona do País que normalmente opto por ir nas tais escapadelas no final de semana. É igualmente nesta zona onde se encontram bons vinhos. Boa culinária. Onde se descansa bastante de dia (a clássica e obrigatória sesta após almoço, acompanhada do ritmado e irritador cantar das cigarras). De noite, o barulho dos grilos.
O Alentejo interior que conheci, perto de Moura, é um Alentejo que nada tem que ver
com o Alentejo de hoje. Ou com o Alentejo da "moda", o Alentejo litoral. Não vou lá há muito tempo, mas acredito que esteja muito diferente. Talvez um dia vá lá. Para reviver algumas experiências. Menos os tralhos, claro.
Na memória..e para sempre ficará marcado o "meu Alentejo" e tudo o que nele vivi!
Próximo Tema: As Touradas
Na memória..e para sempre ficará marcado o "meu Alentejo" e tudo o que nele vivi!
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