
Dou comigo a pensar no que terá levado alguns sem abrigo a chegar a determinado ponto da sua vida. O fim, não falando da morte, obviamente.
Não obstante fazer-me uma enorme confusão o aspecto andrajoso que alguns aparentam ter, associado ao cheiro nauseabundo, tento abstrair-me disso e tento ansiosamente encontrar uma ponta de comiseração neste meu raciocínio frio, pouco dado a complacências com alguém que visualmente ainda terá um bom cabedal para acarretar alguns baldes de cimento. Deste grupo de sem abrigo mais jovens, perdoem-me mas não consigo ter pena. Habituaram-se ao bem bom, de arrumar os carros e esperar pela moeda de 50 cêntimos ou de 1 euro (ou mais). Os otários, grupo no qual me incluo, contribuem para a sua dízima diária, para não ver o carro riscado. No final do dia, após assobios e acenos com o jornal, ganham mais que eu. Mas isso é outra conversa.
O grupo dos sem abrigo que efectivamente me choca mais, são aqueles com mais velhos. Aqueles que por vicissitudes inerentes da vida, ficarem sem lar, ou sem meio de subsistência. Abandonados / excluídos pela família. Atingidos pelo drama da droga, alcóol, jogo..entre outros. Ou que foram despedidos do local onde trabalhavam. E passaram a viver da caridade de alguns "vizinhos" das ruas onde vão pernoitando, das paróquias vizinhas e claro, da Santa Casa da Misericórdia. É também nesta altura do ano que estarei mais atento / sensível ao flagelo da pobreza nas ruas de Lisboa. É exactamente nesta altura que se faz sentir mais o frio. Neste momento, Lisboa é atravessada por uma frente de frio polar, que veio para ficar nos próximos dias (estamos a Sábado, dia 10 de Janeiro de 2010).
Ouvi à hora de almoço que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), ontem mesmo, Sexta-Feira passada, permitiu (ou terá sugerido) à empresa Metro de Lisboa, que deixasse abertas três estações, por forma a que os sem abrigo pudessem ficar mais abrigados. Isto claro está, através de um telefonema efectuado de um gabinete climatizado. E recepcionado noutro gabinete climatizado. E quer o emissor, quer o receptor foram no final do dia para casas quentes. Climatizadas e dormiram bem. Só ontem, e conforme notícia que ouvi no jornal das 1300H as tais estações de metro estiveram abertas. Isto porque, (conforme pensei após ter ouvido a notícia), terá acontecido algo que me escapou completamente, e a temperatura terá subido para uns calorosos 30º Celsius. Muito mais agradável. Acabei de chegar a casa e o termómetro do carro marcava 8º Celsius.
Para concluir este artigo, quero apenas partilhar a minha incredulidade desta acção da CML para com os sem abrigo. Se há casas dadas a comunidades que nada produzem em termos de riqueza para este País (e não sou poucas), se há dinheiro da CML para os enfeites de Natal das várias artérias da cidade, se até há dinheiro para organizar os festivais de música anuais ali no Parque da Bela Vista, não ha dinheiro para se construir uma tenda aquecida até a frente de frio polar que dure os Invernos que tendencialmente se tornarão mais rigorosos? Proporcionando um pouco mais de conforto a estas pobres almas?
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Não obstante fazer-me uma enorme confusão o aspecto andrajoso que alguns aparentam ter, associado ao cheiro nauseabundo, tento abstrair-me disso e tento ansiosamente encontrar uma ponta de comiseração neste meu raciocínio frio, pouco dado a complacências com alguém que visualmente ainda terá um bom cabedal para acarretar alguns baldes de cimento. Deste grupo de sem abrigo mais jovens, perdoem-me mas não consigo ter pena. Habituaram-se ao bem bom, de arrumar os carros e esperar pela moeda de 50 cêntimos ou de 1 euro (ou mais). Os otários, grupo no qual me incluo, contribuem para a sua dízima diária, para não ver o carro riscado. No final do dia, após assobios e acenos com o jornal, ganham mais que eu. Mas isso é outra conversa.
O grupo dos sem abrigo que efectivamente me choca mais, são aqueles com mais velhos. Aqueles que por vicissitudes inerentes da vida, ficarem sem lar, ou sem meio de subsistência. Abandonados / excluídos pela família. Atingidos pelo drama da droga, alcóol, jogo..entre outros. Ou que foram despedidos do local onde trabalhavam. E passaram a viver da caridade de alguns "vizinhos" das ruas onde vão pernoitando, das paróquias vizinhas e claro, da Santa Casa da Misericórdia. É também nesta altura do ano que estarei mais atento / sensível ao flagelo da pobreza nas ruas de Lisboa. É exactamente nesta altura que se faz sentir mais o frio. Neste momento, Lisboa é atravessada por uma frente de frio polar, que veio para ficar nos próximos dias (estamos a Sábado, dia 10 de Janeiro de 2010).
Ouvi à hora de almoço que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), ontem mesmo, Sexta-Feira passada, permitiu (ou terá sugerido) à empresa Metro de Lisboa, que deixasse abertas três estações, por forma a que os sem abrigo pudessem ficar mais abrigados. Isto claro está, através de um telefonema efectuado de um gabinete climatizado. E recepcionado noutro gabinete climatizado. E quer o emissor, quer o receptor foram no final do dia para casas quentes. Climatizadas e dormiram bem. Só ontem, e conforme notícia que ouvi no jornal das 1300H as tais estações de metro estiveram abertas. Isto porque, (conforme pensei após ter ouvido a notícia), terá acontecido algo que me escapou completamente, e a temperatura terá subido para uns calorosos 30º Celsius. Muito mais agradável. Acabei de chegar a casa e o termómetro do carro marcava 8º Celsius.
Para concluir este artigo, quero apenas partilhar a minha incredulidade desta acção da CML para com os sem abrigo. Se há casas dadas a comunidades que nada produzem em termos de riqueza para este País (e não sou poucas), se há dinheiro da CML para os enfeites de Natal das várias artérias da cidade, se até há dinheiro para organizar os festivais de música anuais ali no Parque da Bela Vista, não ha dinheiro para se construir uma tenda aquecida até a frente de frio polar que dure os Invernos que tendencialmente se tornarão mais rigorosos? Proporcionando um pouco mais de conforto a estas pobres almas?
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