segunda-feira, janeiro 18, 2010

Praia

Pela primeira vez em 34 anos, em 2009 não fui à praia. Não fui porque decidi, de mim para mim, que 2009 seria o primeiro de vários anos em que ninguém me mete mais a vista em cima em qualquer praia portuguesa. Zanguei-me a sério com a praia.

Para mim, ir à praia é um suplício. Começa a partir do momento em que saio de casa cedo, de manhã, (não entendo como há pessoas que conseguem ir para a praia à hora de almoço), e em que toda a gente sai do emprego, casa e se põe à estrada, para provocar filas de trânsito. Obviamente que não tarda fico impaciente e não tarda muito em que tem início a minha ladainha expiando todos meus pecados dos últimos 17 anos. Normalmente, e associado ao anterirmente mencionado o poder de encaixe diminui drasticamente, e entro num estado de mudez e catatónico.

Chegado à praia, uma de duas situações pode acontecer (e acontece invariavelmente comigo): ou está à pinha (como sempre nos dias de calor), ou está vazia. Neste último caso penso mais uma vez que só um otário como eu vai para uma praia vazia à espera que o tempo levante!

O contínuo e irritante barulho das crianças mal educadas, as gargalhadas dos boçais na zona circundante à minha toalha fazem-me exasperar e perder a paciência remanescente.

Também não deixa de por mim ser constatada a curiosa escalada de preços da comida na praia. Decerto que quem vende as batatas fritas ou os gelados, pensa ser mais inteligente que os demais utentes da praia, nos quais me incluo. Em algumas situações, já me aconteceu pensar que um assalto teria sido menos ofensivo do que os preços praticados em algumas barracas. Irritado, e a caminho da toalha, tenho não raro de enterrar os pés na areia para os não queimar, e enquanto percorro esta distância, fustigo-me mentalmente e dizendo mal da minha vida, por me ter esquecido de fazer duas ou três sandwiches para evitar este tipo de evento.

No final do dia, um trânsito imenso, para sair da praia. Piora tudo quando não tirei todo o sal das costas e começo a sentir o mesmo na t-shirt.

A única altura boa de um dia de praia é mesmo o petisco com os (as) amigos (as), ou seja, o final.

Nada mais. O resto do dia dispenso.

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domingo, janeiro 17, 2010

Os Buracos

Não sei como a maioria das pessoas convive com os buracos das estradas. Eu convivo mal. Aliás, lido mal com as estradas que têm desníveis, irregularidades e claro, buracos. Acabei de empenar uma jante do meu carro. Uma cratera numa estrada, tentei desviar, não fui a tempo e claro, empeno.

É gritante a inaptidão das Câmaras Municipais / Juntas de Freguesia em dar resposta ao crescente número de buracos que aparecem diariamente nas ruas das cidades. Resta aos condutores fazer autênticos "ziguezagueares" entre tampas de esgoto mais profundas e os buracos, para evitar jantes empenadas, pneus furados / rebentados, suspensões danificadas...etc. E pode (deve) haver uma intervenção técnica especializada neste assunto. Aquando da construção de novas estradas (escolhendo materiais melhores e mais duradouros), ou na avaliação regular do estado das vias de comunicação (drenagem eficaz das águas pluviais, etc). Mas não. À boa maneira portuguesa, a manutenção é correctiva. E não preventiva.

Não tenho muito mais a dizer. Noite estragada. Mau humor.

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sábado, janeiro 16, 2010

O Barbeiro

Sempre admirei os barbeiros. Homens dotados de mestria e hábil manejo das tesouras, lâminas e o pincel da barba. Lembro-me perfeitamente de em miúdo ir ao barbeiro e ser necessário um banco ser colocado em cima da cadeira, para que me pudesse sentar em cima do mesmo. Na altura com o briefing de como era o corte de cabelo dado pela minha mãe ao barbeiro.

Por essa idade, e vendo a facilidade com que me caiam as melenas, pensei repetida e profundamente em seguir a carreira de barbeiro. Certamente que clientela não faltaria, e desenvolvi iguamente a firme teoria de que com o avançar da idade dos homens a quantidade de cabelo é menor, e consequentemente o grau de exigência no corte. E dos 5 aos 10 anos creio que foi essa a minha convicção profissional. Seguida do bombeiro e polícia.

Posteriormente, e após ter-me visto em 49 actividades profissionais, realizei que a partir dos 30 anos, o corte de cabelo do homem varia em duas possibilidades: mais comprido no Inverno (frio) e mais curto no verão (calor). No meu caso, subsiste o pormenor adicional de caminhar a passos largos para grisalho, pelo que, e no Inverno, se notam mais os cabelos brancos. Dizem as mulheres que "dá mais charme". Eu acredito, como não podia deixar de ser.

Os barbeiros têm a minha vida nas suas mãos, quando vou cortar o cabelo. Passo a explicar..Imagine-se que discuto com o barbeiro futebol. Na medida em que não percebo nada de bola, é normal que cometa gaffes imperdoáveis. Por exemplo, não saber o nome do último "trinco" contratado para o Benfica (sendo simpatizante do Benfica). Imagine-se que o barbeiro até fanático doente do "Glorioso". Quem me garante que não levaria o meu óbvio desconhecimento futebolístico como sendo uma afronta pessoal? E quem sabe recusar-se a continuar a cortar o cabelo e mandar-me para casa (só pagava metade do preço do corte). Ou por exemplo, "sem querer" fazer um corte no meu pescoço e logo de seguida deitar álcool para "desinfectar"...ou rapar só metade da cabeça e dizer que a máquina não pode estar muito tempo ligada e que só daí a 3,5 horas poderia continuar...esse tipo de vingançazitas.

É por estas e por outras que é sempre bom ter o barbeiro como amigo....

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quinta-feira, janeiro 14, 2010

Jazz


Desde há algum tempo que ando a ganhar coragem para "aprender a ouvir" jazz. O jazz é um estilo de música que tem milhões de seguidores à escala mundial. Percebo "zero" de jazz, e diz quem percebe (e pacientemente me responde às questões intermináveis sobre este assunto), que são necessárias décadas para que se "afine" o gosto / ouvido e se fale deste estilo com propriedade.

O que conheço deste estilo decorre de algum confesso empirismo e "googlanços", em que me é devolvido não raro o nome de "John Coltrane". Em conversa com alguns entendidos da matéria, quase fui sovado e por um triz não fiquei sem unhas por ter ousado cometer o sacrilégio de não conhecer esta "lenda" do jazz. Um marco, pelo que li (forçosamente) posteriormente. John Coltrane está para o jazz como os Rolling Stones estarão para o rock...

O jazz transmite-me várias sensações e pensamentos. A título de exemplo, só consigo ouvir jazz de noite. E preferencialmente depois do jantar. Várias vezes penso estar num local específico, (alto), contemplando um mar calmo, numa varanda fechada, com um copo de whiskey na mão. Também me ocorrem aqueles filmes da década de 60/70, com foto a preto e branco, rodados nos Estados Unidos...Talvez seja saudosismo!!

Espero poder dentro de alguns anos falar com um conhecimento de causa mais profundo acerca do jazz! Começo timidamente a fazer por isso...

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As consolas de jogos


Se há coisa para a qual não tenho paciência, são as consolas de jogos (Eg.: Playstation ou X-Box). E não consigo entender quem tem, embora respeite. Não consigo perceber como é possível que criaturas (conheço vários adultos) combinem sessões contínuas de jogos, quando para mim, 5 minutos chegam e sobram para que sinta tonturas, suores frios, vertigens e uma imensa falta de paciência para continuar a jogar. Mais a mais, não raro, os meus jogos são sumários, passam por ser morto 45 vezes (isto sempre no primeiro nível) e ainda um óbvio motivo de chacota por parte de quem passa demasiado tempo agarrado a estas brincadeiras. Regra geral a chacota essa perdura mais de 4 semanas regra. Ou até que qualquer um dos ilustres se recorde.

Até poderia considerar a playstation uma boa forma de descomprimir ao final de uma semana de trabalho. Se fosse utilizada como tal, conscientemente e não como meio para evitar a sociabilização. O problema é aquilo vicia (diz quem já está curado). As consolas são concebidas para viciar os jogadores. E claro, quando começam a haver despiques entre os vários compinchas, as coisas assumem outro patamar - defesa da honra pessoal.

Parece-me óbvio que o terminar qualquer um dos jogos das consolas, ou atingir o complexo nível 2.000.000, deve ser motivo de gáudio e merecida recompensa. Ando a pensar recorrentemente nisso. Talvez oferecer-me para lavar o carros dos meus amigos que o conseguem fazer. Talvez ir comprar os jornais todos os dias e deixar à porta de casa. Qualquer coisa que reflicta o quão melhor ficou a minha vida após o nível ter sido completo e consequentemente o jogo ter sido terminado. Venha outro jogo e comece nova odisseia...

Nunca serei capaz de entender. Da mesma forma que me recuso a oferecer jogos para consolas a crianças. Por uma questão de princípio. Por achar que é um erro oferecer a uma criança algo que fará com que não leia. Com que não dialogue com os pais. Por outras palavras, algo que sei que não contribui para a sua educação.

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quarta-feira, janeiro 13, 2010

O Tigre


De entre os vários felinos (grandes, não gosto dos pequenos - gatos), o tigre é aquele que mais me seduz. Pela imponência, pelo porte, pelo olhar.

Corria o ano de 1809 quando surgiu a Teoria da Evolução das Espécies ou Teoria da Selecção Natural. Na mesma, Charles Darwin sugeria que só as espécies mais adaptadas / capazes sobreviveriam. Volvidos mais de dois séculos foi isso que a história animal teve oportunidade de nos mostrar.

Como em tudo, esta foi mais uma das espécies que sofreu evoluções. Morfológicas e psíquicas. E foram as evoluções no domínio da psique desta espécie que a tornaram uma das mais mortíferas e com uma taxa de sucesso nas suas caçadas que ronda os 100%.

Contrariamente à leoa (um dos flagrantes exemplos do Mundo animal em que a fêmea caça para o macho), o tigre desenvolveu ao longo da sua evolução geracional, um tipo de caçada único. Solo. Sempre com um aliado de pêso - o tempo.

Para o tigre, tempo de espera é sinónimo de cansaço da presa, ou do almoço, como este "gato grande" verá uma gazela (ou outro almoço / jantar). E aguarda até que a presa se canse...e não tenha reacção. Nesse momento desfere a "estocada final". Mortal, na generalidade das vezes. Daí as elevadas taxas de sucesso. Daí o ser um dos predadores mais eficientes.

Dá que pensar...

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terça-feira, janeiro 12, 2010

Mau tempo

O mau tempo veio para ficar. Ele é frio, ele é chuva, são as inundações. Consequentemente, aparecem as "maleitas" desta época. As típicas constipações (também denominadas de "resfriados" ou "carraspanas"), as frieiras, lábios gretados, e por aí adiante.

Paraleamente, não deixa de ser curioso que quem de direito não aprenda com os erros. Objectivamente, e sendo factual, continuam a ser registadas as vulgares e habituais cheias. E sempre nos mesmos locais, sem que durante o ano transacto algo se tenha feito. Também não deixa de ser um fenómeno repetitivo e algo trivial que na Av. Marginal o mar galgue o muro e perigue a circulação dos veículos veículos que nesta zona circulam.

Dou comigo a pensar porque razão não é efectuado um planeamento cabal, atempado e com carácter preventivo. Passo a explicar: porque razão não são os problemas usuais evitados? Se é sabido que determinada zona da cidade é propensa às cheias, porque não e antecipadamente se limpam as sarjectas e/ou colectores muncipais? Será necessária uma tese de doutoramento em Harvard para que alguém consiga ter esta clarividência? Não consigo entender. E já para não falar dos buracos que aparecem depois das chuvadas intensas, do comércio / restauração que é afectado...e por aí fora.

Também é claro que alguns condutores não adequam o seu estilo de condução às condições climatéricas adversas e/ou da estrada. Resultado? Incidentes, danos materiais avultados e melhor...o que eu "adoro"...filas intermináveis de trânsito que nos levam horas para percorrer.

Uma palavra especial para as empresas concessionárias (e em alguns casos responsáveis pela construção) das estradas / vias de comunicação. Relembro que alguns troços / estradas por este "pedaço de terra à beira-mar plantado" parecem ter sido projectados no joelho. Sem terem a título de exemplo alternativas de escoamento que permitam a drenagem das águas em caso de pluviosidade intensa (e evitem o fenómeno de aquaplaning). E Sim..na altura em que muitas das estradas foram projectadas já havia chuva...

Enfim....nunca mais é Primavera!

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domingo, janeiro 10, 2010

Força de Vontade

Há alturas da vida em que somos sujeitos a privações ímpares. Estou objectivamente a pensar no facto de não pegar num cigarro desde Maio passado. Não sentir falta. Não ficar mais com o hálito de bode ou com o cabelo a cheirar ao fogareiro das castanhas assadas. E depois de ter fumado quase duas décadas. Resumidamente, acordei um dia e disse que não queria fumar mais. E não fumei. Aliás, neste momento tenho um maço de tabaco cheio, à distância de um braço esticado e um isqueiro ao lado. E não lhes toco.

Chama-se a isto privação de algo a que o nosso organismos se habituou ao longo de algum tempo. "Aquela" dose diária de nicotina. Aqueles "mg" que nos acalmavam em picos de stress, ou que ao longo dos anos contribuiram para que tratássemos o reumático por tu por termos variadas vezes ter sido necessário ir fumar para a rua gélida.

Analogamente ao aplicado para o tabaco, há outros exemplos. Lembro-me que por carolice, no liceu ou faculdade, embirrava com algumas cadeiras. Achava complicadas, ou simplesmente seguia o pensamento dos veteranos (burros, calões) que achavam algumas cadeiras complicadas. E nem sequer tentava (estupidamente). Mais tarde, quando era mesmo necessário fazer a cadeira com aproveitamento, tinha em mim a força de vontade para a fazer. Até hoje não me recordo de alguma vez em que tenha querido fazer uma cadeira e não o tenha conseguido. A força de vontade foi o suficiente.

Há contudo casos mais extremados. Aqueles que envolvem a nossa saúde. Que poderão envolver a nossa recuperação. Acredito, como em tudo na vida, que aqui sim, reside a nossa capacidade de ter força de vontade. "Eu quero ficar curado". Dizem os entendidos e especialistas, que na força de vontade reside meia cura. Eu acredito nisso.

Yes, we can, como diria o homem mais poderoso do mundo..

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Sem Abrigo


Dou comigo a pensar no que terá levado alguns sem abrigo a chegar a determinado ponto da sua vida. O fim, não falando da morte, obviamente.

Não obstante fazer-me uma enorme confusão o aspecto andrajoso que alguns aparentam ter, associado ao cheiro nauseabundo, tento abstrair-me disso e tento ansiosamente encontrar uma ponta de comiseração neste meu raciocínio frio, pouco dado a complacências com alguém que visualmente ainda terá um bom cabedal para acarretar alguns baldes de cimento. Deste grupo de sem abrigo mais jovens, perdoem-me mas não consigo ter pena. Habituaram-se ao bem bom, de arrumar os carros e esperar pela moeda de 50 cêntimos ou de 1 euro (ou mais). Os otários, grupo no qual me incluo, contribuem para a sua dízima diária, para não ver o carro riscado. No final do dia, após assobios e acenos com o jornal, ganham mais que eu. Mas isso é outra conversa.

O grupo dos sem abrigo que efectivamente me choca mais, são aqueles com mais velhos. Aqueles que por vicissitudes inerentes da vida, ficarem sem lar, ou sem meio de subsistência. Abandonados / excluídos pela família. Atingidos pelo drama da droga, alcóol, jogo..entre outros. Ou que foram despedidos do local onde trabalhavam. E passaram a viver da caridade de alguns "vizinhos" das ruas onde vão pernoitando, das paróquias vizinhas e claro, da Santa Casa da Misericórdia. É também nesta altura do ano que estarei mais atento / sensível ao flagelo da pobreza nas ruas de Lisboa. É exactamente nesta altura que se faz sentir mais o frio. Neste momento, Lisboa é atravessada por uma frente de frio polar, que veio para ficar nos próximos dias (estamos a Sábado, dia 10 de Janeiro de 2010).

Ouvi à hora de almoço que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), ontem mesmo, Sexta-Feira passada, permitiu (ou terá sugerido) à empresa Metro de Lisboa, que deixasse abertas três estações, por forma a que os sem abrigo pudessem ficar mais abrigados. Isto claro está, através de um telefonema efectuado de um gabinete climatizado. E recepcionado noutro gabinete climatizado. E quer o emissor, quer o receptor foram no final do dia para casas quentes. Climatizadas e dormiram bem. Só ontem, e conforme notícia que ouvi no jornal das 1300H as tais estações de metro estiveram abertas. Isto porque, (conforme pensei após ter ouvido a notícia), terá acontecido algo que me escapou completamente, e a temperatura terá subido para uns calorosos 30º Celsius. Muito mais agradável. Acabei de chegar a casa e o termómetro do carro marcava 8º Celsius.

Para concluir este artigo, quero apenas partilhar a minha incredulidade desta acção da CML para com os sem abrigo. Se há casas dadas a comunidades que nada produzem em termos de riqueza para este País (e não sou poucas), se há dinheiro da CML para os enfeites de Natal das várias artérias da cidade, se até há dinheiro para organizar os festivais de música anuais ali no Parque da Bela Vista, não ha dinheiro para se construir uma tenda aquecida até a frente de frio polar que dure os Invernos que tendencialmente se tornarão mais rigorosos? Proporcionando um pouco mais de conforto a estas pobres almas?

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sábado, janeiro 09, 2010

As Secas

Não são as secas climatéricas, consequência da falta de água. São as "outras". Aquelas que levamos quando vamos a andar numa rua qualquer..e vemos aquela D.ª Fernanda, avó da Catarina com quem brincámos quando éramos miúdos, que está casada, tem 4 filhos, é médica no Hospital das Descobertas, o marido é economista, têm uma casa em Albufeira, etc,etc..A Catarina não iria encontrar um buraco para se esconder se soubesse o que a D.ª Fernanda fala...Basicamente, e em escassos minutos, fico a saber da vida toda da Catarina. Através de fonte fidedigna. E melhor...sem ter perguntado nada.

Agora que fui apanhado, é importante fazer o ar mais interessado possível naquele momento. Os "humm, humm" são às centenas de milhar. Consigo abrir os olhos várias vezes mostrando um total espanto com as malandrices que a empregada da Catarina fez em casa dela. E por aí adiante. Para pessoas a partir de alguma idade, em que a vista começa a falhar, não vale a pena revirar os olhos, não percebem. Não vale a pena "bufar", porque não ouvem o mesmo. Donde, a melhor atitude / postura é mesmo deixar correr. Por vezes bato com o indicador no relógio e coloco-o ao ouvido..e rezo para mim mesmo a dizer que acho que está parado.

Paralelamente, e quando o / a meu / minha interlocutor (a) não se "manca", perco algum tempo a exercitar a minha mente tentando lembrar-me do que almocei diariamente desde há 4 meses até esse dia. Por vezes introduzo uma variável acrescida, e lembrar-me igualmente dos jantares. E com esta "manobra de diversão" interna, vou acenando ocasionalmente com a cabeça, mas com a atenção dedicada a outra tarefa bem mais estimulante. Normalmente resulta, assim sejamos capazes de ao longo da conversa irmos interrompendo os nossos pensamentos e ir ouvindo quem connosco fala.

Volvidos 40 minutos a D.ª Fernanda dá-se conta que tem de ir buscar os netos à escola, que é tardíssimo...e pede desculpa por ter tomado tanto do meu tempo...Esboço o meu sorriso mais amarelo e enigmaticamente a tranquilizo dizendo que não se preocupe...que tenho todo o tempo do mundo...

Outro tipo de secas são os atrasos. Algo que abomino. Para mim, todo e qualquer atraso pode ser evitado. E o que muita gente não se lembra, é que quando combina alguma coisa à hora "X", pode ser que a outra pessoa com quem combinou, o(a) otário(a) de serviço até seja uma pessoa pontual. E que normalmente acontece? Não houve aviso, não houve uma justificação do atraso (eg: sms, telefonema)...e volvidos 40 minutos o(a) atrasado(a) aparece. Lamentavelmente, comigo faz isso uma única vez. Dificilmente fará uma segunda. Lamento. Não gosto de esperar nem de fazer esperar. Ou por outras palavras...não gosto de dar seca nem de levar seca...

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sexta-feira, janeiro 08, 2010

As Touradas

A arte de tourear é antiga...Em Portugal não será uma grande asneira se disser que me remete para uns largos séculos atrás. Considerado o segundo "desporto rei " no nosso País.
O ser uma arte antiga e com raízes bem consolidadas na cultura portuguesa, não significa que partilhe ou veja algum prazer na mesma. Muito pelo contrário. Fico logo com palpitações, tenho de beber um copo de água com açucar não vá acontecer uma desgraça na arena!! Aliás, tenho uma carta preparada para enviar para o Dr. António Costa expressando a minha grave e profunda consternação para com a vida dos (e das) cavaleiros (as) de quem tanto gosto.

Na minha visão é uma fantochada. Os cavaleiros mascaram-se, mascaram os cavalos, arranjam-se umas bandarilhas....e aqui vai disto. Se tiver lugar ali no Campo Pequeno, melhor. É ver os tios e tias todos (as) de Cascais, Azeitão e afins por lá. E depois aparecem os "empatas" da defesa dos animais. Deviam era todos ter juízo. Acabava-se a tourada e mais nada. Deixava de haver trânsito ali perto do Campo Pequeno em dia de tourada. Acredito que alguns / algumas dos / das tótós que lá vão nem sequer saibam ou conheçam a tradição em si. Vão lá porque..."é bem ir". Ver e ser visto, afinal.

Paralelamente, se falarmos em "pega de caras" as coisas mudam de figura. Admiro os forcados. Não se trata de terem força física. Trata-se de não ter amor à vida. Quem se mete à frente de uma besta de meia tonelada, em marcha rápida (corrida), é porque realmente não vê qualquer sentido na sua passagem nesta curta incursão que é a vida terrena. É claro que me poderia dar ao trabalho de aqui elencar algumas maleitas (e fazer um brilharete daqueles) que decorrem de uma pega mal feita, mas julgo que o meu / minha leitor (a) decerto conhece as mesmas que eu, donde, não o faço!

A única diferença que vejo entre esta anormalidade, peço desculpa, variante da tauromaquia, é mesmo o não ser uma variante cobarde. É a dualidade entre 1 homem e 1 touro. Não entre homem + cavalo e touro como é a outra...

P.S: Até hoje ainda ninguém me explicou porque é que não se institui, como espectáculo de extra daqueles dias de tourada, que as cavaleiras após os espectáculos, saltem do cavalo e façam uma ou duas pegazitas de caras aos touros. Daqueles bem alimentados com pasto das lezírias ribatejanas...Quando isso acontecer...garanto-vos que serei o espectador da 1ª fila!

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quarta-feira, janeiro 06, 2010

Alentejo

Há algum tempo que venho sendo adepto das célebres escapadelas ao final de semana. Escusado será dizer que me refiro a destinos modestos e baratos. Adequados à minha singela bolsa.

Tem um significado especial para mim o sair de LIS ao final de uma semana de trabalho e conduzir de noite rumo ao Sul. Especialmente tendo como destino o Alentejo. E acordar no dia seguinte "lá". Aquele cheiro característico a terra (seca ou molhada), o barulho das aves autóctones..etc. Certamente que no Norte existirão igualmente destinos muitíssimo interessantes, mas confesso que ainda não me dediquei a explorar condignamente a oferta existente em termos de turismo rural nessa zona do Império.

O conceito de turismo rural (fazendo aqui uma side note), ganhou alguma expressão desde há cerca de 20 anos para cá. Houve na altura alguns subsídios estatais, e muita gente arrecadou o dinheiro do erário público para embelezar o solar que era do trisavô José. Uma envolvente bucólica, um rio, duas pilecas e uma moto 4 com motor de aparador de relva, e estava encontrada a receita para o sucesso de turismo rural daquele solar e naquele monte.... No início era assim..hoje em dia, e dado que a oferta é substancialmente superior, é importante aferir o que gostam os hóspedes, o que procuram...um pouco de benchmarking caseiro, obtido "googlando" e vendo o que oferece a concorrência ou mesmo em conversa com os hóspedes.

A paixão pelo Alentejo já vem de longe. Desde os dias em que eu, o meu irmão e um primo nosso, fartos da monotonia de vida alentejana em casa de uma das nossas tias, entendemos que deveríamos tentar algo variado e resolvemos experimentar qual o resultado prático de pegar fogo a algodão com alcóol. Ah..com a particularidade de ser num sotão seco, poeirento e tralha combustível. A Divina Providência fez com que a minha tia resolvesse ir ver o que andavam os matrecos a fazer e conseguiu resolver as coisas a tempo de evitar uma tragédia. A minha tia deve ter ganho uns 50 cabelos brancos, e nós...bem...digamos que com o calor alentejano...os gelados são sempre bem-vindos. Pois bem...durante semana e meia de clausura não houve gelados lá em casa. Só aplicável para os três pobres diabos, é claro.

Algumas das ruas do Alentejo também são responsáveis pelo facto dos meus joelhos hoje em dia parecerem o mapa de Portugal, com tanta cicatriz, consequência de ter esfolado muitas vezes os joelhos naquele alcatrão. O mesmo para os braços, e muita vez chegado a casa e com os cabelos cheios de poeira das terras em que andava de"bicla". Mas faz parte do crescimento. Fez parte da minha infância e naturalmente que contribuiu para que desenvolvesse um gosto especial pelo Alentejo. E por este Alentejo em especial. Gosto esse que perdurou até hoje.

Assim sendo, é para esta zona do País que normalmente opto por ir nas tais escapadelas no final de semana. É igualmente nesta zona onde se encontram bons vinhos. Boa culinária. Onde se descansa bastante de dia (a clássica e obrigatória sesta após almoço, acompanhada do ritmado e irritador cantar das cigarras). De noite, o barulho dos grilos.

O Alentejo interior que conheci, perto de Moura, é um Alentejo que nada tem que ver
com o Alentejo de hoje. Ou com o Alentejo da "moda", o Alentejo litoral. Não vou lá há muito tempo, mas acredito que esteja muito diferente. Talvez um dia vá lá. Para reviver algumas experiências. Menos os tralhos, claro.

Na memória..e para sempre ficará marcado o "meu Alentejo" e tudo o que nele vivi!

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terça-feira, janeiro 05, 2010

A Comida

Creio já ter escrito sobre isto em tempos neste blogue. É possível. Nem de propósito, há dois ou três posts atrás escrevi sobre o prazer ímpar que tenho em comer pão. Agora escrevo sobre a comida...talvez uma tentativa de justificar o porquê de querer trocar a balança (peso a mais)...

Tenho experiências com vários tipos de comensais. Uns fingem que comem, e "sujam os pratos". Comem mal, para não dizer pessimamente. E diz o adágio popular "Quem não é bom para comer, não é bom para trabalhar". Outros parece que não comem há uma semana, e enchem de tal forma o prato, que a comida extravaza. O que de resto, apenas e só reflecte que na casa da pessoa em causa, quando era o mesmo mais novo (a) recorria-se ao jejum de alguns dias (sabe Deus com que objectivo), tal não é a avidez com que estão habituados a comer "pilhas" de comida. Ah...isto quando não começam a comer ao mesmo tempo que os demais sentados à mesa.

Tenho pena de não saber cozinhar melhor. Desenrasco-me, é certo (faço uns bifes maravilhosos, uns ovos mexidos únicos, sei grelhar sardinhas), mas quando toca a quantidades de arroz, de massa, fazem-me confusão e começo logo a ficar nervoso e a hiperventilar. Aliás, neste ponto, confesso reconheço sobredotadas aquelas pessoas que conseguem fazer um arroz em 5 minutos, sem recorrer a chávenas ou outras formas de medida, ou conseguem fazer um esparguete a olhómetro. Talvez um dia eu o consiga igualmente. Aí terei mais uma razão para a minha realização pessoal (além das outras 900 razões).

Dou muita importância ao que me trazem para a mesa no restaurante. Não interessa se estou a almoçar no Eleven ou numa tasca qualquer ali de Alfama. Interessa-me apenas e só quão estimulado é o meu palato, o olfacto, a visão...Já paguei muito por refeições ordinárias e já paguei pouco em restaurantes muito bons e que jamais dizer ousarei partilhar o nome (para ninguém lá ir e começar a encher aquilo)...Talvez possa dizer um dia, o nome de um ou dois.

Muito fica por dizer relativamente à minha relação próxima e íntima com a comida. Não seria correcto dizer que gosto mais do leite creme queimado na hora do que o clássico arroz de pato. Estão ambos no topo das minhas preferências culinárias. Não faço (nem ousaria fazer) a destrinça entre o doce e o salgado...gosto de ambos. Conquanto sejam bem confeccionados, lá está.

Outro ingrediente que poderá melhorar ainda o prato confeccionado, será a nossa companhia à mesa. É diferente disfrutar de um bom prato com uma boa companhia do que com quem nos "vai ao bolso" na altura de pagar o IRS. A par e passo da companhia, um bom tinto ou branco também podem aumentar ainda mais o score de uma boa refeição.

Com tudo isto, parece-me óbvio e sensato que não almoçar uma cataplana de marisco ao almoço de Terça-Feira, em dia de trabalho, lá no restaurante do Tó, acompanhada de um bom branco caseiro. Seria o mesmo que dizer que não iria trabalhar da parte da tarde...

Por último, para saborear qualquer prato, é importante que não exista a limitação de tempo..o que significa que saboreio apenas os jantares e almoços / jantares aos finais de semana....

Ahh..e esta prosa toda sem ter introduzido a "Bimby".....Mas quem tem mão para a cozinha...não gosta da "bicha"!

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Cão Abandonado

Tenho a ideia de hoje ter presenciado o abandono de um cão. Minutos antes de ter passado por um determinado ponto no meu percurso para o trabalho. Cão preto, com cerca de dois anos, e tendo em conta que estava a chover e o bicho tinha o pêlo seco (com coleira em bom estado), foi algo que idealizei de imediato. A forma como correu no sentido do trânsito, e dos carros que me precediam, confirmou que possivelmente, o / a cobarde estaria num carro à frente do meu.

É um acto inqualificável. Não me vou nem quero alongar muito neste tema, tal não é o sentimento de repúdio que me desperta. Lamento que o Homem seja tão cruel para aqueles que nunca, jamais lhe falharam.

Para terminar, tive pena de não ver isto a acontecer mesmo à minha frente. Seguramente que quem o tentasse fazer não ficava bem. Nem psiquica nem fisicamente.

Ah..e eu teria ficado com o cão se o tivesse apanhado.

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segunda-feira, janeiro 04, 2010

O Pão

Não sou daquelas pessoas que usa e abusa do pão nas refeições. Gosto do pão para molhar no molho das amêijoas à Bulhão Pato, na cebolada das iscas, no suco próprio dos bifes misturado com o alho e a manteiga..(melhor parar por aqui porque começo a salivar qual cão do Pavlov)...

Quero apenas dizer que não sendo um "pão-dependente", o pão faz-me falta. Não é qualquer pão "Bimbo" que se compra em qualquer supermercado. É "aquele" pão especial, com o sabor tão característico do Alentejo ou disfarçado, feito ali na Amadora e com o mesmo sabor. É-me um pouco indiferente de onde vem..conquanto tenha "O" sabor. Gosto do pão com chouriço cozido em forno de lenha, acompanhado do caldo verde ali na 24 de Julho..comido a "desoras" e com alguns copos no "bucho"... OK..muitos copos. Gosto do sabor do pão do campo, daquele que é acabado de fazer, que vem embrulhado em papel pardo (onde a ASAE ainda não chegou)...e no qual, quando encetado, a manteiga derrete.

Durante anos sem fim, e nas 4 estações do ano, rumei qual zombie para a padaria da rua onde morei. Com a voz embargada pelo sono, o cabelo despenteado e quase sem conseguir abrir os olhos, levava o saco do pão e trazia as carcaças para o pequeno almoço lá de casa. Agora que me lembro, vejo esta tarefa que desde os anais da história foi partilhada com o meu irmão. Isto quando alguns dos nossos amigos já tinham há largas horas o seu saco do pão cheio à porta de casa, deixado pelo padeiro, a quem pagavam um valor mensal. Ainda tentei que esse esquema fosse aceite lá em casa...mas sem êxito. Assim continuei a ir à mesma padaria, a ver a mesma senhora de bata branca a atender monocordicamente, e percebo agora que com o meu avançar dos anos conseguir ver além da bancada (houve anos em que o meu olhar não chegava ao topo da bancada).

Mudam-se os tempos, mudam-se as tradições. A padaria mais próxima da minha actual casa fechou. Há uns anos. Inexplicavelmente. E deixei de ter o pão ao pequeno almoço. Deixei de acordar cedo, confuso, irado e a maldizer tudo e todos. O mundo ficou mais calmo. Contudo, tive de encontrar alternativas. Hoje em dia, ou me amanho com outra coisa, ou saio de casa em jejum...o que não augura grande futuro para as células da minha massa cinzenta. Tento que o período de jejum seja o mais curto possível...até chegar a um café.

E assim vou sobrevivendo hoje em dia...tenho de encontrar a minha próxima casa próximo de uma padaria. Ou mesmo dentro de uma padaria. Para dar tranquilidade matinal ao meu espírito..

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domingo, janeiro 03, 2010

As Novas Oportunidades

Falava há pouco ao almoço, sobre um primo meu que se inscreveu no programa das novas oportunidades. Sendo este meu primo pouco mais velho que eu, e conhecendo-o como pocuos, vejo este como sendo um acto de coragem, de iniciativa louvável e sem sombra de dúvida de quem garantir o futuro. Vale o que vale este chavão da "garantia do futuro"...mas é melhor que não ter escolaridade alguma, ou de não ter algo que diferencie da demais população trabalhadora /activa.

Não é de agora que conheço esta realidade. Li e acompanhei o que foi escrito pela imprensa sobre o tema, aquando da sua implementaçao, e sinceramente acho que foi, deve e deverá ser sempre uma das principais bandeiras do actual Executivo. Não se trata apenas de dar formação (e informação) a adultos que laboram há décadas. Trata-se sim de dar uma nova oportunidade às suas vidas, um novo alento, o fazer de alguma forma que sintam um complemento nas mesmas. Que se sintam motivados, estimulados, testados..e que natural e logicamente se sintam recompensados com uma boa classificação - muito importante para a valorização enquanto pessoa.

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sábado, janeiro 02, 2010

Os Saldos

Há momentos na vida das pessoas que são ímpares. Inigualáveis. Se para alguns a época dos saldos culmina uma sequência lógica de acontecimentos (eg: final da estação, Natal, etc.), para outros, especialmente do sexo feminino (e alguns homens com sexualidade dúbia), é um momento do sublime êxtase. Qual orgasmo. Como não podia deixar de ser, e como vem sendo hábito de ano para ano, dei comigo no meio dos saldos. Não porque tenha especial prazer em fazê-lo..mas por necessidade mesmo.

Os saldos são a pior coisa que existe. Não me chocaria absolutamente nada que amizades de décadas caissem por terra, consequência da Mafalda ter visto (e agarrado de forma insultuosa e egoísta) a saia que a Mariana tinha visto logo que entrou na loja. Ou que a partir do momento em que a Mafalda agarrou naquela saia tivesse comprado uma guerra com a Mariana...que sem razão aparente começou a responder por monossílabos e a desviar a olhar sempre que questionada...

É claro que só pode haver um vencedor. Quem mais poderia ser a não ser as lojas? Para começar porque sobrecarregam os seus funcionários com horários duplos e triplos. Os mesmos funcionários que receberam a notícia que teriam de ir trabalhar no dia 02JAn, gorando os seus planos de irem passar a passagem de ano à Kadoc, com o Ruben (primo do Valter), que tem um cabelo espetado "muita querido", e umas calças pelo meio das pernas que lhe ficam a matar. E claro..as colecções deste ano, e dos dois anos anteriores, vendem-se como pipocas.

No meio, e completamente alheios a tudo isto, ficam as pessoas que por necessidade têm de se deslocar às grandes superfícies comerciais. Exasperam no trânsito para aceder aos estacionamentos, irritam-se porque têm de frequentemente estar a ligar o ar condicionado do carro para desembaciar os vidros, e de si e para si, contam em ordem descrescente de 100.000 para 0. Deus nos dê paciência...

Devia ser instituído do "Dia dos Saldos"..só para alguns (umas).

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sexta-feira, janeiro 01, 2010

2010

Passadas que são algumas horas da passagem do ano, devo, em consciência e antes de continuar, desejar as rápidas melhoras daqueles (as) que mais um ano se enfrascaram desde as 1900H de dia 31DEC2009 e que à hora do jantar já sentiam a língua tipo cortiça. Ou seja, tivessem dado palha ao jantar, o resultado teria sido o mesmo, teriam aceite e comido na mesma, tal não era o estado de embriaguez.

Entre outras coisas, há pormenores que não entendo. Qual é o objectivo de passar a meia noite completamente embriagado, ou mesmo alegre? Só me ocorre a imagem do tipo que durante o ano simplesmente não fala, ninguém dá por ele, e na noite de final de ano, revela-se. O seu Ego verdadeiro. O mesmo acontecerá com algumas delas...que durante 364 ou 365 dias poderão não ser muito diferentes das Missionárias do Cambodja e nesta noite tão especial mostram ser mais extrovertidas que a Linda Reis. Tudo com uns copitos a mais. Miraculoso.

Também me sugere algum tipo de ginástica mental, o entender o porquê da alegria na passagem de ano, as marteladas na cabeça uns dos outros, os apitos irritantemente sonoros, ou simplesmente, o porquê de se gastar tanto ou mais dinheiro comparativamente ao que se gastou nas compras de Natal para a família toda de 554 familiares. De resto, consigo igualmente perceber pelas indumentárias que vejo nesta altura, que ainda me resta algum bom gosto...ao contrário destas pessoas.

2009 foi um ano repleto de episódios péssimos, e que não valerá a pena elencar agora. O País encontra-se em crise económica. Há famílias em que deixou de haver dinheiro emcasa. Aqueles que trabahavam, foram incluídos em programas de "re-organização" levados a cabo pelas multinacionais nas suas várias representações pelo mundo inteiro. Deixou de haver o meio de sustento. Contudo, no virar do ano, e inexplicavelmente, todos os problemas deixam de existir. E quem observa "de fora" estas criaturas diria que seguramente foram afortunadas com o euromilhões, tal não é a alegria que extravazam.

Aqui por casa, às 2430H estava na cama.

Bom ano para todos (as).

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sábado, novembro 14, 2009

Yad Vashem


Um must go place, para quem visita Israel. Aproveitei o dia de ontem para fazer esta visita há muito desejada, na medida em que sou curioso relativamente ao que aconteceu durante a II Grande Guerra.

Uma coisa será ler os livros, ver filmes ou assistir a documentários que objectivamente e de forma muito próxima retratam o que aconteceu. Outra coisa será visitar um espaço que pretende mostrar / evidenciar a judeus descendentes (ou não) e a não judeus as atrocidades perpretadas por Hitler.

Não querendo alongar-me muito pelo que vi e senti, posso assegurar que é um espaço muito violento em termos de imagem, de sensações, de revolta sentida ao assistir a testemunhos de sobreviventes ou filhos de judeus mortos. Aquando da entrada neste espaço, de imediato senti um arrepio. Frio, gélido, enquanto assistia um filme em que várias crianças judias, em qualquer bairro judeu e em qualquer ponto do globo acenavam para a câmara. A candura, a inocência das mesmas faz com que as nossas entranhas se reduzam a um ponto, em virtude de se saber, com propriedade, que futuro as esperava. Para algumas, nesse dia, nessa semana, mês..etc.

Aconselho a toda e qualquer pessoa que, havendo oportunidade, visitem este espaço. Um dia que visitem Israel.

Acredito que possibilita o crescimento interior de qualquer pessoa....e mostra sem qualquer sombra de dúvida aquilo de que é capaz a mente humana.

terça-feira, maio 26, 2009

Bastonário Ordem Advogados

Tive oportunidade de ver hoje, pela primeira vez, uma entrevista da jornalista Manuela Moura Guedes (MMG), no passado dia 22MAY2009 ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto (AMP).
É pouco provável que alguém consiga passar indiferente às notícias de abaixo assinado para destituição do actual Bastonário. Sou uma dessas pessoas, e por "porta travessas" tive a possibilidade de ver esta peça, e que passei a considerar a melhor pérola em termos de jornalismo televisivo, que é uma entrevista da MMG ao Bastonário. Há muito que não via tão mau jornalismo, tão má prestação (e preparação) para a entrevista com uma má conduta, ética e pouco prestigiante para a classe dos jornalistas. Porventura será algo que lhe é permitido por ser casada com quem é, e que certamente lhe dá um espaço na sua cadeia televisiva.
Um espectáculo televisivo decadente, em que certamente os espectadores teriam ganho mais se tivesse tido lugar uma discussão inteligente, debate maduro de ideias e respeito. MMG, mais uma vez, e ao seu melhor estilo, abusou. E desta vez, acho que abusou muito. Põe em causa uma série de valores intrínsecos, éticos inerentes à classe de jornalistas. Mas por ser quem é, certamente que rapidamente esta (mais uma) infelicidade será perdida nos anais da história.
Quanto a AMP, gosto dele. Nunca tinha tido a oportunidade de com tempo, e atenção, ouvir o que tem para dizer. Gosto da frontalidade e da sinceridade com que diz as coisas. Com que toca os "senhores dos lobbies" e na forma como genuinamente apelida e categoriza aqueles que cometem ilegalidades. Há poucas pessoas assim.Infelizmente.
Cpts.,

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...