Não é preciso entrar em grande detalhe sobre quem são os cromos. Facilmente são identificados no meio de uma multidão. O sapatinho deles com a biqueira em bico ( ou biqueira cortada), o cabelinho rapado ou rapado e puxado para a frente conferindo não raro um ar deficiente mental, o brinquinho (às vezes nas duas orelhas), ou então as calças com cintura descaída, as botas a imitar as famosas timberland desapertadas e um look qual cantor de qualquer boys band rasca faz-me sentir nauseado e com vontade de bater com a cabeça numa quina viva. Elas com as unhas das mãos (e às vezes pés) com flores e sem a mínima percepção das medidas das roupas que podem usar também é algo bonito de se ver.
No meu entender, há culpados. São os amigos dos cromos e com quem eles e elas vão às compras. Uma pessoa que diz à Carina que pesa 130 kg que aquela mini-saia da Mango lhe fica a matar, não é amiga dela. É inimiga. É uma pessoa que não tem coração e quer que a Carina seja ridicularizada e objecto de chacota quando chegar na Segunda-Feira ao posto de saúde onde trabalha como auxiliar. Só pode. Da mesma forma que quando dizem ao Valter que aquele fato justinho no rabo fica a matar com o sapato imitação Miguel Vieira, também não estão a desejar um futuro auspicioso lá no banco ou na seguradora onde o moço trabalha.
É lamentável que ninguém diga aos cromos que são pessoas desprovidas de bom senso. Ou simplesmente que lhes abram os olhos que têm na cara e percebam o quão ridículos estão. Não se trata de ser elitista ou selecto. Trata-se de chamar as bois pelos nomes e de perceber que há situações em que o ridículo impera e é uma constante na vida de algumas pessoas.
Outra situação que também é engraçada, é quando o Valter resolve ir com a "patroa" (a Carina) até ao Colombo ou Vasco da Gama. Pára tudo. A Carina entende que tem de ir mais aperaltada do que costuma ir ao café lá do bairro depois do jantar. O Valter vê nesta ida uma possibilidade de ver outras "chavalas", bem como de tirar o carvão do tubo de escape do carro dele. O Valter mantém uma paixão secreta pelo carro que tem, tendo o mesmo 1000 cavalos debaixo do lustroso capot. E assim seguem em ritmo estugado a sua viagem, com destino a um qualquer centro comercial e acompanhados de uma boa e audível kizombada. O passeio não demora muito no centro comercial. Como habitualmente,o Valter faz questão de tirar da sua bolsa que leva debaixo do sovaco (que a mãe da Carina lhe deu) a carteira para comprar o jornal "A Bola" para ler na manhã do dia seguinte, bem como a revista "Maria" para a Carina ler lá no posto de saúde.
As noites de final de semana são marcadas pelas incursões obrigatórias às Docas durante o ano inteiro, bem como a todas as discotecas da Margem Sul na época balnear. Aí sim...a Carina pode exibir orgulhosamente o seu peito, atestando o quão benevolente foi Deus consigo, e usando tops 4 números abaixo. Já o Valter, não abdica da calça de linho branca, camisa preta aberta até ao umbigo e sandália preta de enfiar o dedão.
E poderia continuar por aqui adiante...mas acho que passei a ideia.
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