Que me lembre, só desde há 12 anos para cá se começou a ouvir falar mais no Parque das Nações (na altura Expo 98). Até essa altura, a zona que hoje em dia é uma das onde o m2 é mais caro, era para mim, apenas e só um prolongamento dos cais dos contentores à beira-rio. Merecia-me esse singelo respeito.
Ninguém duvida que a Expo 98 foi um sucesso. Um excelente cartão de visita para Portugal, um enorme impulsionador do tecido turístico e empresarial ao nível regional, e claro, imobiliário local. Pegando nesta última grande e notória vantagem, é também sabido que muitas foram as construtoras que tiveram de trabalhar "contra o relógio", e claro, como diz o ditado "Depressa e bem, não há quem". Conheço uma "mão cheia" de casos em que as casas não valem o dinheiro que foi pago. Inclusive paredes em pladur...em casas que não raro "começavam" em preços na ordem dos 50 mil contos (moeda antiga).
Confesso que nunca tive o prazer de andar de teleférico..embora conheça quem tenha andado. E saiba de histórias de pessoas que andaram...e não só. Estou certo que muitos foram os casais que conseguiram concretizar mais uma das suas fantasia..
Se há uma série de vantagens que podem ser apontadas, também há naturalmente o reverso da medalha. Todos os pavilhões internacionais, após a Expo, foram "abandonados". O sector de actividade que timidamente perdura, há mais de uma década é a restauração, e mesmo assim..com 1/3 do número total de restaurantes e bares que já existiram nesta zona ribeirinha da cidade de Lisboa. Os sucessivos governos desde então foram adiando aquela que seria a solução óbvia e natural, seguindo uma lógica de aproveitamente das infra-estruturas existentes. A deslocalização dos vários ministérios e empresas para esta zona oriental da cidade.
Uma desvantagem que salta à vista (e ao olfacto) é a marina. Quando a maré está baixa, o cheiro é nauseabundo. Os óleos dos barcos ficam visíveis, e assiste-se a um espectáculo hediondo. Com a maré "composta" disfarça. Melhora a "pintura". Mas o mal está lá...
Mais aspectos mais se poderiam elencar. Importa referir que, não obstante, é possível praticar desporto nesta zona. Trata-se um case study de requalificação de uma zona. Que decorre de vários estudos de engenharia. De estudos de impacte ambiental...que culminaram em neutralização dos terrenos e subsequente impermeabilização dos mesmos (não entrando em grandes detalhes técnico).
Por último, e para terminar, importa referir que o PDM (Plano Director Municipal) do Parque das Nações é independente do PDM da cidade de Lisboa. Resumidamente, quer isto dizer que é possível construir-se quando e onde se quiser.....Foi uma das consequências do acordo entre a Câmara Municipal de Lisboa e Administração do Parque Expo....Sem comentários.
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