sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Ídolos

Entendo no presente momento ser importante manifestar o meu reconhecimento público por todos aqueles que se prestam a serem avaliados publicamente pelo júri do concurso dos Ídolos. Aliás, dos 30 minutos deste programa que consegui ver até hoje, sem vomitar, fez-me pensar na figura que qualquer um dos elementos que constituem o tão célebre painel de jurados faria se fosse interpretar U2, Michael Jackson, Janis Joplin, etc.

Basicamente, estamos a falar de auto-estima das pessoas. Dos concorrentes acharem que cantam bem ou através de amigos e familiares que acham que o/a concorrente se deve submeter à avaliação. Ser publicamente reconhecido é o sonho de qualquer adolescente. A ascensão meteórica do anonimato para o estrelato paira na mente destas tenras idades. E não há quem chame a atenção para o quão perigosa poderá ser a queda.

Era bom que tudo corresse bem e todos os concorrentes fossem bem sucedidos, mas a realidade não aponta nesse sentido. O fenómeno Susan Boyle é para mim algo inusitado. Parece-me ter havido algum exagero por parte de quem entende ter feito a descoberta desta senhora, ou no limite na avaliação e lágrimas de crocodilo do júri que a aclamou vencedora. Acho pouco coerente. Pouco real.  Mas acredito que queiram ter feito esta dona de casa ver a vida de outro prisma. Todas as estações televisivas se debruçaram sobre esta temática e brindaram os espectadores com a figura desta senhora, que deve um pouco à beleza, de robe e de manhã. Vejo-a como o Calimero, o patinho feio que se tornou de repente um cisne. Por sinal um cisne raivoso quando recentemente não ganhou um prémio num outro concurso de música britânico. A fama tem disto...

Ir ao programa Ídolos é um pouco como se sujeitar deliberadamente a ser apedrejado na praça pública. É o ser assumido que se pode ser motivo de chacota (como acontece não raro) pelo painel de jurados deste programa, nos moldes em que foi idealizado e é apresentado. Acho deplorável que alguém se preste a este tipo de prova. E entendo que ninguém tem o direito de dizer o que já ouvi ser dito a jovens de tenra idade que concorrem enganados.

Sei cantar muito bem. É um das minhas armas. Sei trautear muitas músicas e acompanho com muito gosto algumas das músicas mais comerciais e que vulgarmente se ouvem nas nossas rádios. Nunca tive tempo de ir a um casting destes, mas é um sonho que não pús ainda de lado. Cheguei a fazer uma maquete muito minha, há uns anos atrás, em que vesti o papel de Edith Piaf e cantei com emoção o "La vie en rose". Um clássico, portanto. Estou seguro de ser um talento desaproveitado e que a minha maquete ainda fará muito sucesso um destes dias. Não tenho qualquer dúvida.

Infelizmente, quis o destino que abraçasse outros desafios. Não tão aliciantes como sei que seria a minha carreira enquanto cantor. O tempo mostrar-me-á que vale sempre a pena esperar, e que a minha oportunidade tardou, mas não falhou.

Enquanto não surje "a" minha oportunidade para mudar o meu percurso profissional de sucesso, vou vendo nos intervalos dos bons programas e o quão depressivo pode ser assitir um concurso.

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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Gatos

As minhas primeiras palavras são endereçadas aos amantes dos gatos. Com muita pena e para meu desconsolo, os gatos não gostam de mim. Esta é a minha triste realidade. Por mais tentativas que tenha feito até hoje, nunca fui bem sucedido. Qual grandes felinos, também os pequenos gatos têm "a" tal pose. Este será para mim o único aspecto que aprecio nestes bichos. Tudo o resto, não gosto. O serem independentes, o não ser normal passeá-los na rua, o não ser possível atirar um pau e trazerem de volta nos 15 anos seguintes...entre outras coisas.

Importa confessar que as experiências que tive com gatos não foram boas. Nada boas. Sempre fui muito querido e atencioso para os gatos, sempre tive o cuidado de não molestar suas excelências com as minhas energias negativas..e sempre que invariavelmente os tentei pegá-los ao colo, acabei com os braços esquartejados pelas suas afiadas e finas garras maléficas. Donde, e expectavelmente, dificilmente consegui ter qualquer outro sentimento que não seja atirá-los pela janelas de qualquer andar alto e verificar se sempre caem de pé...ou se têm 7 vidas. Acho lógico.

Caso para se dizer que a minha relação com estes bichos é como "cão e gato".

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quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Bicicletas

Sempre gostei muito de andar de bicicleta, ou "bicla", ou "bike", terminologia mais corriqueira e madura entre machos.

Salvo raras excepções em que pedalei freneticamente em bicicletas de ginásios ou em bicicletas de amigos, nunca mais pedalei por esse País fora. Também é certo não deixar mais ADN via derme nos vários mantos de alcatrão de cobrem este pedaço de terra à beira-mar plantado. A bicicleta é a culpada dos meus joelhos parecerem as nossas maravilhosas estradas de Portugal de tão esfolados. Muita cicatriz de "guerra".

Volvida quase uma década e meia que abandonei o meu futuro promissor como ciclista, eis que voltou de novo, e em força a moda das biclas. Desencontrei-me, estou seguro.  Fico muito contente por ver tanta gente querer ser saudável, combinar passeios, fazer o tão em voga "cicloturismo" e rematar com uma bela feijoada transmontana ou um Cozido à Portuguesa como só se faz lá em casa. De resto, e como de costume…a bela da sesta para completar o ciclo.

Creio ser coerente quando digo que já não tenho paciência para andar de bicicleta. Não é não gostar…é mesmo entender ou acreditar que neste momento da minha vida não tenho paciência para andar de bicicleta. Já tive, há muitos anos atrás. Hoje em dia não tenho.

Sou capaz de pensar em várias alternativas ao andar de bicicleta, como por exemplo a marcha. E mais baratas. Sim, porque o ter uma bicicleta envolve um investimento...se entender ter uma bicicleta razoável e adequada à utilização pretendida...

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terça-feira, fevereiro 16, 2010

Barcos

Há barcos de vários tipos como se sabe. Cruzeiros, traineiras, lanchas, veleiros, entre outros. Sempre vi o barco como um sinal de ostentação. Não está em causa o prazer que se retira ao andar de barco num rio calmo, ou após alguma incursão no no mar alto. Está em causa o que representa para alguns.

Não consigo deixar de ficar agradavelmente sensibilizado quando alguém "estaciona" a lancha com "preços de apartamento" à vista de todos os plebeus que estão na areia da praia. Basicamente, os barcos são comprados para mostrar ao comum mortal que está a torrar na areia da praia. Tento ver isso como um claro sinal de esperança dado aos portugueses. Um dia chegarão lá.

Os barco devem ser utilizados para fugir dos olhares indiscretos rumo a alguma ilha recôndita. Aí sim, faz todo o sentido comprar um barco - evasão.

No meu caso, o motivo pelo qual não tenho barco prende-se com o simples facto de não gostar. Mas confesso que gosto muito de ouvir atentamente quem os tem. E cuja utilização, não raro, se limita a puxar o ski ou ...a ficar estacionado a umas boas centenas de metros da praia enquanto os donos (e convidados) mergulham e se bronzeiam. Faz-me lembrar os episódios de quem compra jipes para subir passeios...ou para ir às compras do El Corte...

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Dia dos Namorados

Se há dia rídiculo, e que devia ser abolido, é o dia dos namorados, ou dia de S. Valentim. Dia dos namorados são todos os dias do ano. Ou seja, os 365 dias ou 366 dias do ano caso seja o mesmo um ano bissexto.

Infelizmente, há quem caia nas esparrelas lançadas anualmente. Ele são cartões horríveis com corações e ursos, ele são peluches e bonecos igualmente horríveis, mas que fazem as delícias do sexo feminino. As operadoras de telefones têm lucros inigualáveis (apenas comparáveis aos do  Natal), na medida em que quem não sabe como ou não quer gastar dinheiro numa prenda, envia um sms à / ao "mais que tudo". Ganha o sector da restauração na medida em que todos casais aproveitam para jantar fora. E podia continuar a dar exemplos.

No final, aquele que devia ser mais um dia passado a dois, não é mais do que um dia de consumismo. Só porque sim.

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domingo, fevereiro 14, 2010

Canetas

Gosto muito de canetas. A par e passo com os relógios (e outra paixão que falarei oportunamente), as canetas são sem dúvida uma das minhas paixões.

Existem as canetas roller e as canetas de aparo. Prefiro o primeiro grupo. No dia-a-dia as canetas de aparo não são práticas. Ainda que possibilitem um tipo de caligrafia específico e sejam muito fáceis de usar. Contudo, tenho a convicção firme de que o débito de tinta é enorme, e o máximo que consigo escrever será meia folha A4. Já para não falar que provocam nódoas na roupa muito feias. Falo com conhecimento de causa.

Tenho poucas canetas boas. Contudo, as poucas que tenho são canetas com um significado especial. Não serão canetas invulgares, únicas,  mas marcam a diferença entre utilizar uma "bic" e qualquer uma destas canetas em ocasiões especiais.

Gosto de ver uma boa caneta na mão de um homem ou de uma mulher. Sem dúvida um objecto distinto. Pode mesmo, em alguns casos,  ser considerada uma "jóia". Existem canetas mais caras que alguns automóveis...Da mesma forma que existem marcas de canetas famosas por ter sido utilizadas pelos astronautas na Lua...

Uma paixão que certamente me irá acompanhar para sempre.

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sábado, fevereiro 13, 2010

Aquários

Devia ter os meus 7/8 anos, quando resolvi conjuntamente com o meu irmão, iniciar-me nesta nobre e simpática actividade que é a aquariofilia. O objectivo pareceu-me claro e coerente. Recolher girinos na praia de Carcavelos, transportá-los em baldes de praia para casa e colocá-los num aquário. Lembro-me de ter entendido que os peixes tinham de ser alimentados em número igual às minhas refeições. Três vezes ao dia, portanto.

Foi com desconsolo que percebi que invariavelmente nos dias subsequentes à introdução dos girinos no aquário, os mesmos morriam. Desenvolvi a teoria de poderem não gostar de terem sido roubados à família e inconsoláveis terem decidido partir desta cruel vida. Outra teoria teria que ver com alguém que tivesse tido conhecimento da minha ambição conjunta com o meu irmão, e quisesse sabotar a mesma.  Ou seja, alguém deliberadamente envenenava os peixes. Naturalmente que a culpa recaiu na Dona Maria, empregada de sempre lá de casa.

Só após várias baixas nas colónias de girinos percebi que poderia estar em causa um excesso de alimento disponível no aquário. Também percebi que a água não se regenerava sozinha, pelo que era necessário trocar a água do aquário (encontrei assim a justificação para as paredes do aquário estarem sempre verdes).

Não obstante, acho que um aquário bem tratado é tranquilizante. Gosto de ver aqueles aquários enormes, com uma decoração bonita, com termómetros, filtros, castelos em ruínas, pedras, etc. Fico sempre maravilhado. Ainda me vem à memória a minha longínqua (e esforçada) tentativa para ser um profissional bem sucedido neste domínio. Actualmente há empresas que se dedicam exclusivamente à construção de aquários, fornecem tudo, estudam o ambiente em que o aquário vai ser inserido, luz incidente, equipamento para medição do pH da água, etc.

Quem sabe um dia não volto a pensar em construir um aquário?

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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Feira da Ladra

Quem visita Lisboa e não conhece a feira da ladra é como ir a Roma e não ver o Papa. Constitui um ponto de passagem obrigatório. A feira da ladra, como o próprio nome indica, é um dos locais lisboetas onde se pode encontrar qualquer auto-rádio roubado na noite anterior, cd´s pirateados passando pelos puxadores de portas, fechaduras, ferramentas, etc. Tudo aquilo que se possa imaginar tem como destino final esta feira e constitui uma natural e óbvia oportunidade de enriquecimento.

A feira tem um horário de expediente normal às Quintas-Feiras e Sábados (0900H-1800H). Por experiência própria (vão por mim) permitam-me que aconselhe os Sábados de madrugada. E explico o porquê.

Para que sejam feitas boas "transacções comerciais" ou se tenha uma boa capacidade de argumentação, é necessária a motivação e sobretudo a rapidez de raciocínio. Quem tem sono ou gosta de estar na caminha não vai à feira da ladra. Seguramente será enganado(a). Os vendedores que estão na feira  não nos vão facilitar em nada a vida. São profissionais do ramo. Estão habituados a esta vida errante e do como enganar o próximo sem ficar cansado. Não dormem às Quartas e Sextas-Feiras por saberem que vão ficar com mais uns cobres na conta bancária. Por vezes, entendem que aquilo que tem para venda é a "última coca-cola do deserto" e inflaccionam sem compaixão o preço do bem. Gosto muito de ver os potenciais economistas que ali têm a sua oportunidade de brilhar.

Nada melhor que escolher o amanhecer de um Sábado para ir à feira da ladra. Prolongando a saída de Sexta-Feira à noite e aproveitando o alcóol para nos ajudar a "soltar a língua" (leia-se regatear). Em bom rigor, posso avançar que em tempos idos cheguei sair à noite e ir directamente para a feira. Algo que nunca foi muito compreendido lá em casa. 

Contudo, sempre houve uma boa razão subjacente. É que é no amanhecer que se fazem as minhas melhores aquisições. Em grande parte, e na minha opinião, porque o vendedor está tão (ou mais) ensonado, impaciente que nós, os compradores. Ou mesmo "ligeiramente tocado". Ou ressacado (droga).

Há um aspecto que entendo ser algo verdadeiramente único. As encomendas. Ou seja, pode ser feita a encomenda ao vendedor a quem costumo comprar a minha "mercadoria", que na semana seguinte quero 1 DVD específico, umas lâminas de barbear para a Gillette ou outra coisa qualquer. Ou seja, é possível encomendar mercadoria do chamado "circuito paralelo" ao nosso querido vendedor. Por outras palavras, do "gardanho", mercadoria "subtraída", desviada, roubada. Acho óptimo. E questiono-me o porquê da existência das grandes superfícies. Deviam todas ter assento por lá!

Para finalizar, não vou à feira da ladra há alguns anos. Não sei se ainda anda por lá a senhora que aparecia por volta das 0800H e por lá andava a vender carcaças com dois croquetes. Tirava o pão de um saco mais amarfanhado que uma folha seca de árvore, e colocava os croquetes no interior do pão com as mãos que faziam os trocos. Naturalmente não existia a ASAE. O que é certo é que me sabiam pela vida.

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quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Desilusões

Sendo uma pessoa exigente comigo mesmo, não consigo conceber uma forma de estar na vida que não seja dar o meu melhor. Se será o certo, ou errado, não sei. Normalmente é, mas contudo já tenho vindo a experimentar situações em que as minhas escolhas se revelaram ser as erradas. Consequentemente é necessário rever as mesmas, reflectir e não errar novamente no futuro.

Por ser exigente são várias as vezes que fico desiludido comigo. Tento adoptar uma postura isenta de erros. Ou quase isenta de erros. Como? Estando atento ao que me é dito, agindo de imediato, sendo alguém em quem se pode confiar.

Se me desiludo comigo mesmo, desiludo-me muito mais com as pessoas. Aqui sim, advogo a ideia de que quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais. A menos que estes estejam doentes não falham. E recebem-nos sempre contentes por nos verem. Fazem-nos sorrir ao final de um dia cansativo e apenas pedem em troca um pouco de atenção e mimos.

Sinto um maior distanciamento por parte das pessoas. Maior egoísmo. É cada vez maior o número de pessoas que conheço, e que se refugia no trabalho, para não deixar aflorar ou aprofundar sentimentos afectivos. Consequentemente, preferem não encetar uma relação. São vários os casos que conheço assim. São as mesmas pessoas que sabem que podem contar comigo (como já contaram no passado) em momentos complicados da vida, mas também são aquelas que não têm tempo para um café ou uma conversa quando me apetece ter um pouco de "tempo de antena". Há sempre alguma coisa combinada, algum imprevisto. Em suma, algo que impossibilita o encontro.

É nestas alturas que sinto que tenho de rapidamente rever a minha disponibilidade, por forma a conseguir salvaguardar ou "blindar" um pouco os meus sentimentos. Não estar tão exposto. Esta decisão surge em consequência de começar a conhecer melhor as pessoas. E a agir da mesma forma que agem para comigo. Talvez seja por aí e talvez resida aí o erro que recorrentemente cometo. Dar demais de mim e exigir pouco dos outros. Acho que é altura de mudar.

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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Transportes Públicos

Durante muitos anos andei de transportes públicos. Hoje em dia não ando, porque a minha actividade profissional não o torna temporalmente exequível ou porque a rede de transportes perto de minha casa não é boa. Existe, mas não serve adequadamente as minhas necessidades. Sim, sou comodista, e se saio mais cedo para apanhar transportes, daqui a pouco nem sequer durmo.

Andar de transportes públicos é sempre um momento especial para mim. Especialmente no metro, em hora de ponta, ao ver as caras desesperadas das pessoas a saltar lanços de escadas para não perderem "aquele" metro. Aliás, não me orgulho deste episódio, mas há uns anos atrás preguei uma rasteira a um senhor, numa altura em que íamos ambos a correr para apanhar o metro para as Olaias. Acho que ele não ficou muito satisfeito e ainda chamou uns nomes a alguém da minha família Não fosse eu ter de apanhar aquele metro, tinha perdido o mesmo aproveitando a oportunidade para falar com ele e ensinar-lhe umas boas maneiras. Pateta!

De todos os transportes públicos, o que mais gosto é o táxi. É espantoso como fico a saber que todos os taxistas que apanho, invariavelmente cumpriram o serviço militar na Guerra Colonial. Em Companhias de forças especiais e no meio da selva, onde era "quente". Também estou habituado a ouvir de todos eles o seu ódio visceral aos Governos em exercício bem como a adoração pelo Benfica ou pelo Sporting. Mais uma vez, devo transmitir confiança e conhecimento futebolístico, porque a conversa vai parar sempre no mesmo. O parque automóvel também é uma coisa gira de se ver, sendo que por vezes, sendo amante de carros, tenho oportunidade de ser transportado em autênticas "máquinas". A última foi um Mercedes Benz, mais velho que eu, que na Av. da República, o velocímetro marcou 200 km/H, sendo que a velocidade não devia passar os 100 km/H. Ah, devia ser um carro batido, porque não acho normal eu estar sentado quase fora do carro, de tal forma seguia torto..

Os autocarros também me deixam boas recordações (especialmente quando ía à baixa com a minha mãe e irmão naqueles autocarros de dois andares). Ou mais recentemente, já "quase" homem, mas sem carta em que tinha de andar muito em autocarros mais recentes.

O comboio também é um meio de transporte que aprecio. É curioso ir para o Norte ou Sul do País por altura do final de semana e ter por companheiros de viagens os magalas ou as estudantes universitárias. Há sempre conversa para todos e uma viagem bem passada.

Quanto ao aviões...deixarei esse tipo de experiência para um texto dedicado. Avanço que há dois momentos que adoro: Descolagem e aterragem. Estou particularmente atento nesses momentos (até porque são os momentos mais críticos do vôo).

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terça-feira, fevereiro 09, 2010

Tascas

Sou de opinião que as tascas deviam constituir um local de visita obrigatório. Estarem num roteiro. Toda a gente devia ir ao Rossio beber uma ginja. Ou duas. Devia ainda ser possível experimentar pedir à Dona Maria um pastel de bacalhau acabado de fazer ou umas iscas de cebolada com batata cozida. São experiências únicas.

Não deixo de me sentir algo desolado quando entendo que se perdem muitas cabeças pensadoras.  Treinadores da bola que se perderam ou autênticos "animais" políticos. Não sei como só eu reparo nestas sumidades. Mas adianto que fico muitíssimo lisonjeado (e sensibilizado) quando me questionam ou solicitam a minha singela opinião acerca de alguns temas. Normalmente são questões colocadas por pessoas com 80 anos e sem dentes. O tema é invariavelmente a bola. Devo ter um magnestismo especial, que sempre que frequento estes espaços de tertúlia, fico a conhecer um pouco mais acerca de futebol. Sim, eu que adoro bola.

É importante reter que nestes lugares tipicamente portugueses é onde se aprende e ouve o jargão (já ouvi asneiras impronunciáveis) e passando pela degustação dos pratos típicos, sendo alguns (entre muitos) aqueles que mencionei lá atrás.

Há coisas que não mudam. As tascas são um bom exemplo disso.

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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Seguradoras

Ando a pensar comprar uma seguradora. Quero passar o ano inteiro num local qualquer recôndito, dando ares da minha graça na aprovação das contas e das reuniões do CA. Ou seja, por altura da recolha dos dividendos anuais.

Tenho pena de só tardiamente ter despertado para esta realidade do enriquecimento generoso fácil. A realidade do "como ficar rico sem ficar cansado". Devia ter começado a amealhar uns trocos para comprar acções de seguradoras há alguns anos. Eventualmente já seria alguém com voto em algumas matérias. Já me ligariam a perguntar se concordava ou não com a venda de um novo produto, ou com o aumento generalizado dos prémios das apólices. Vejo-me frequentemente nesse cenário. Apenas e dizer que sim, ou que não, entre dois golos de um Martini Rosso servido numa esplanada do Mónaco.

As apólices têm que se lhe diga. São os filões das seguradoras. Começaram com as apólices obrigatórias dos automóveis, em paralelo com as apólices das nossas casas. Mais tarde começou a vender-se o produto das apólices dos seguros de saúde. As duas primeiras apólices são obrigatórias por lei. E dependem dos valores segurados. Já o seguro de saúde é facultativo, sendo que algumas organizações contratualizam o seguro de saúde básico. Por outras palavras, paga-me 1/70 da despesa facturada pelo Dr. Carlos, meu médico dentista.

No que diz respeito às apólices dos seguros automóveis, também costumo ficar sensibilizado com a carta que anualmente recebo. Senão vejamos: Tenho carta há quase 20 anos. Nunca participei um incidente com culpa. Contudo, porque o Bruno lá da minha rua bateu com o carro vejo a minha apólice inflacionada. "Ah, mas é pouco significativo o aumento". Se o é ou não, só eu saberei. Tenho dois dedos de testa para perceber que vários "aumentos pouco significativos" numa seguradora tornam um relatório de contas muitíssimo apetecível.

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domingo, fevereiro 07, 2010

Bares

Desde há alguns anos para cá que troquei os ritmos acelerados e exuberantes das discotecas pelos ritmos mais calmos e sóbrios de alguns bares que ocasionalmente frequento. Não quero com isto dizer que não goste de ir  de vez em quando a uma discoteca.

Desde logo, há uma vantagem indiscutível no bar. É-me possível conversar. Numa discoteca é possível, mas mais complicado, consequência do "débito sonoro" das mega colunas existentes. O ambiente do bar é tipicamente mais sereno, com mais espaço entre as pessoas e é possível terminar a noite sem estar rouco. Ainda não consegui foi terminar a noite sem o cabelo a cheirar a tabaco, na medida em que em vários bares é permitida a "fumaça". E em algumas discotecas também. Não digo isto como ex-fumador. Contudo, é curioso constatar que naqueles sítios onde é possível encontrar uma densidade elevada de pessoas aos finais de semana, acabam por também ser os sítios onde os sistemas extractores de ar são deficientes e o fumo não é totalmente / convenientemente evacuado. Se assim fosse não ficava com a roupa e o cabelo a cheirar como se tivesse passado a tarde a assar frangos.

Acredito que com o avançar da idade, se opte normalmente por locais mais recatados, ou seja, genericamente, os bares. Contudo, tenho também percebido que nem sempre é aplicável o que acabo de dizer. Noto que cada vez mais pessoas (por vezes bem mais velhas que eu) gostam de ir dar à discoteca  no Sábado à noite. E acho que fazem optimamente.  O mesmo acontecerá com pessoas mais novas, naturalmente.

Sendo eu uma pessoa comunicativa, gosto pouco de estar em locais onde não consiga comunicar. Sinto-me ridículo em ter de ficar em pé (ou sentado), de copo na mão, e ficar calado. Como se estivesse de castigo. E por vezes, com alguém meu conhecido ao lado. É um pouco a mesma sensação que convidar alguém que não vejo há anos para uma ida ao cinema. Tem de se falar ao ouvido, como se estivesse a contar um segredo...enfim..não me agrada.

Tenho conhecido alguns bares novos, nestes últimos tempos, e que se enquadram na perfeição no meu conceito de pacatez e de boa conversa. Com boas companhias. Como não podia deixar de ser.

Quem sabe um dia descubro um bar onde passe a ir sempre, como no mundialmente conhecido "Cheers"?

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sábado, fevereiro 06, 2010

Velocidade

A velocidade é um daqueles temas que me é bastante familiar. Desde miúdo que gosto de velocidade. Há variadíssimas formas de experimentar  a mesma, mas aquela que prefiro é a experimentada nos automóveis. Acredito que tenho tido uma dose generosa de sorte, na medida em que muito frequentemente circulo a velocidades muito elevadas.

Surge como consequência imediata a necessidade de atenção que tem de ser tida para com a condução dos demais utentes da via. Ou porque estão os mesmos distraídos, ou porque já não têm idade para ter carta de condução, ou porque se assustam com algum outro carro, entre variadíssimas outras hipóteses que poderia elencar. No fundo, é importante ter em linha de conta estes pequenos imprevistos que podem ditar o fim (ou não) seguro da viagem.

Para se atingir velocidades elevadas não é preciso grande ciência. Qualquer "chaço" com 20 anos consegue-o facilmente. Atingir e manter velocidades elevadas, transmitindo segurança ao condutor e passageiros é que já será mais complicado. Há carros preparados de fábrica para terem determinado tipo de prestações (eg: travagem melhorada, potência, afinação das suspensões, etc). Há os outros carros que são alterados a bel-prazer dos vários "Rubens" (ver meu texto dos "Cromos") que vivem por esse mundo fora, sendo que, na maioria das vezes é uma questão de tempo até que um azar aconteça. Sendo que por vezes são azares bem graves.

A velocidade, para mim, quando atingida em determinadas condições (estrada limpa, madrugada) e não perigando outros condutores, pode ter aquilo a que chamo de terapia. Na medida em que adoro conduzir, a ligação que se sente entre homem-carro, o traçado da estrada e a rapidez com que os quilómetros são devorados, é viciante. E tranquiliza-me.

Muito mais haveria por dizer relativamente à condução, mas fica a promessa de desenvolvimento desse tema oportunamente. Com calma...na medida que é um tema que me merece toda a atenção..ou não fosse uma das minhas maiores paixões!

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Os Bancos

Desde há alguns anos que desenvolvi uma teoria simplista da não necessidade dos bancos. Ou seja, entendo que para ter uma conta bancária sem custos associados (manutenção, transferências, etc), ou bem que sou o dono do banco ou guardo o dinheiro debaixo do meu colchão da cama. Irrita-me ver nos extractos bancários a despesa associada aos custos que o meu banco tem de suportar para manter a minha conta.

Gosto muito de falar com o meu banco. Não raro ligam-me umas meninas a querer saber de mim, da minha saúde e digo sempre que está sempre tudo bem. Quando a conversa descamba e me querem vender algum produto fica tudo mal. As instituições bancárias vivem do dinheiro que os seus Clientes lá depositam. O nosso dinheiro é de imediato investido pelos bancos em aplicações, fundos monetários, e claro, reverte ou devolve lucro ao banco. É esse lucro que vai diferir de banco para banco, e se o risco associado ao investimento efectuado é do tipo conservador ou se será mais agressivo.

Há muitos anos recebi dos que dos meus pais um mealheiro do Montepio Geral. Ainda o devo ter por aí algures fechado. Um mealheiro encarnado para mim, e um verde para o meu irmão, ambos com fechaduras para as quais o "senhor-do-banco" teria uma chave especial para abrir, diziam-me os meus pais, para afastar as minhas ideias de arrombamento prematuro do(s) mealheiro(s). Passaram algumas décadas desde então, e a minha pequena fortuna de moedas de 2$50 ainda se encontra confinada e alocada naquele meu mealheiro. Espero sinceramente que quando fôr ter com o tal senhor do Montepio Geral a minha vida mude de vez e possa ir viver para as Maldivas.

É gritante a concorrência entre os vários bancos que operam no nosso mercado. Conscientes da crise económica que veio para ficar, e apoiados numa taxa euribor baixa, praticam um marketing agressivo no sentido de angariar e fidelizar Clientes. Prometem este mundo e outro. O que acontece, passado algum tempo, é que o que se tem de pagar de volta ao banco (ninguém dá nada a ninguém), é muito superior ao que foi acordado. Porquê? Porque ninguém tem paciência para ler as entrelinhas dos contratos.

Também há outros factores negativos nas chamadas políticas de aproximação "Cliente-Banco". Ainda há bem pouco tempo vivi uma experiência muitíssimo esclarecedora do quão desorganizado pode ser um sistema destes. Basicamente, o meu banco tentou vender-me um novíssimo cartão de crédito, com anuidades gratuitas para o resto da minha longa vivência.  Desconheciam que eu fosse Cliente do banco...E quando comuniquei isso, volvidos 20 minutos de conversa simpática com a menina, atalhou conversa e desligou. Má organização e /ou cruzamento incorrecto da informação da base de dados.

Em todo o caso sou "amigo" do meu banco e não o hostilizo. Ou não tivesse lá com ele o meu "faz-me" rir..

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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Greves

Sou um típico "fura greves". Daqueles assumidos. Detesto greves e muito menos aprecio quem promove greves / quem as faz : os grevistas. Encaro as greves como sendo "aquele" motivo que faltava para se ter uns dias extra de gazeta. Veja-se o exemplo de algumas greves do ano passado, e que curiosamente tiveram lugar nos meses de Verão. Tal significou uns dias adicionais de praia. Também eu queria (se gostasse de fazer praia). Vale bem a pena. Curiosamente deixaram de existir greves por parte de alguns sectores de actividade quando o Governo ameaçou que iria descontar nos vencimentos dos grevistas os dias de greve. O direito à greve está consagrado na Constituição, é certo. Mas também existe Democracia há 36 anos, e existem locais próprios para a discussão, sem que pessoas que querem trabalhar saiam prejudicadas. Os grevistas deviam perfilar-se na escadaria da Assembleia da República e fazer greve de fome sem data estimada para terminar. Sem maçar mais ninguém! Sem ser necessário comprometer toda uma série de aspectos directa ou indirectamente relacionados, como por exemplo o trânsito em Lisboa já de si caótico.

Aos períodos de greve corresponde a estagnação do País em determinados sectores de actividade  e obviamente de "produtividade zero". Em grande parte, os "culpados" das greves são os sindicatos dos trabalhadores que as promovem e que funcionam como autênticas máquinas de propaganda política.

Também fico à beira de um ataque de histeria quando constato que alguns daqueles que heroicamente carregam as bandeiras nem sequer saberem o porquê da greve. E são vários os casos. Se olharmos para as greves dos estudantes (com o clássico truque do fecho dos portões da escola com cadeado e corrente) e ouvirmos as suas reivindicações facilmente inferimos o que acabei de mencionar acima.

Para terminar, um pequeno comentário relativo à última greve, que achei "deliciosa". A organizada pelos donos dos carrosseis. Acho surreal o porquê de se fazerem greves quando o Governo apenas regulamentou para que fossem mais rigorosas as inspecções a este tipo de forma de diversão. Ainda que isso envolva um investimento avultado em segurança destes equipamentos.

Enfim..o direito à greve é um direito adquirido. Nem sempre correctamente utilizado.

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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Red Bull Air Race

Desde há 3 anos que a Red Bull trouxe para Portugal aquela que considero ser a prova mais importante da marca. Não desfazendo todas as outras provas, esta é aquela que "separa os meninos dos homens".

Não é qualquer piloto que sabe pilotar um "F1 dos céus". Ou num traçado complicado como é o do Porto. Da mesma forma que não é qualquer marca que consegue reunir quase 1 milhão de espectadores num final de semana. É certo que as provas se realizam no final do Verão (Setembro, tipicamente bom tempo), o que sugere um final de semana passado de forma diferente acompanhado de algumas cervejolas e febras. E de máquina fotográfica ao pescoço (ver meu texto anterior sobre fotografia).

No meu caso, não vou só assistir a mais uma prova da Red Bull Air Race (RBAR). É certo que a prova me desperta grande interesse, mas ainda mais interesse me despertam os programas intercalados nos intervalos da prova. A esquadra de jactos da Breitling. As exibições da Marinha Portuguesa com desembarque de fuzileiros a helicópteros, os F-16 da Força Aérea Portuguesa, a passagem em 2009 do A310 da SATA...tudo isto contribuiu para que em 2009 tenha experimentado vários arrepios nesta velha coluna e tenha sentido a pulsação a disparar. Principalmente por altura da passagem dos F-16 por cima do local onde me encontrava estrategicamente posicionado para as minhas fotos (coloco uma delas aqui neste texto).  Numa delas, o tipo que estava ao meu lado por pouco não ficou sentado ao meu colo com o susto.

A maioria dos pilotos do circuito RBAR tem uma vida profissional ligada à aviação. Alguns são ex- pilotos militares, outros são pilotos de companhias aéreas por esse mundo fora. Não será quem tem vontade ou acha que tem jeito para esta actividade que entra neste circuito. Trata-se de um grupo de elite. E onde só se entra por convite da Red Bull. Naturalmente que têm de ser pilotos exímios. Quem já assistiu à prova sabe do que falo.

O circuito do Porto é particularmente complexo. É sinuoso, a distância entre margens é reduzida e para tornar as coisas ainda mais "interessantes", os pilotos que estiveram no Porto em 2009 não tiveram sessão de treinos, devido às más condições climatéricas sentidas, naquele que seria o dia de treinos livres. Assim sendo, o dia seguinte,  das classificativas,  correspondeu ao dia de treinos. O segundo e último dia, como é normal, foi o da corrida. Ou seja, as coisas não terão corrido de feição para os pilotos empenhados em manter uma boa posição no score total do circuito.

Para 2010 há destinos interessantes: Abu Dabi, Perth (Austrália), Ontario (Canadá), Nova Iorque, Eurospeedway (Alemanha), Budapeste (Hungria) e Lisboa. Alguns destinos são reincidentes e outros destinos são novos. Gostava de ver se conseguia acompanhar alguns dos destinos, aproveitando para conhecer um pouco mais dos locais onde serão os mesmos realizados. Infelizmente creio que não será pacífico dizer na empresa que pretendo uma licença sem vencimento para seguir o circuito RBAR. Talvez seja sumariamente internado. E despedido.

Para terminar, não me vou alongar sobre a celeuma actual: o facto da última prova do circuito ser em Lisboa em vez de ser no Porto. Sendo sincero, é-me indiferente, conquanto me seja possível assistir ao espectáculo. Pela amostra das multidões que esta prova move, parece-me claro, e julgo que a qualquer um(a) de vós também, que o comércio regional é dinamizado de forma exponencial. E foi essa a realidade experimentada pelo Porto durante 3 anos. Agora será a vez de Lisboa. Talvez se pudesse ter combinado tudo isto de forma menos "fracturante". À boa maneira portuguesa não poderia ser de outra forma.

Enquanto se zangam as comadres..que venham os aviões!

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Barbear

O homem depara-se com algumas crises existenciais ao longo da sua vida. Uma delas, sem dúvida será o facto de a partir dos 13/14 anos ter de começar a vislumbrar diariamente o buço. O buço "à Cantinflas" é o eterno inimigo do homem adolescente e que se inicia na conturbada e nem sempre bem sucedida série de abordagens com propósitos amorosos junto  do sexo oposto. Também é certo que é um compromisso que o nosso "futuro e quase homem" assume consigo mesmo. Não é possível "dar o sumiço" no buço quando convém. A partir do momento em que se retira pela primeira vez...assume-se que irá crescer mais forte e mais rápido. Quando acompanhado com a muda da voz vulgar nesta idade, torna-se uma combinação no mínimo hiliariante.

O ritual do barbear tem que se lhe diga. Por razões que se prendem com o pouco tempo que regra geral dedico a esta actividade matinal "pós-duche", não sigo o preceito do recurso à espuma de barba (bisnaga), aplicada com pincel e a célebre e de todos nós conhecida navalha igual à do Sr. Joaquim, o meu fiel barbeiro até aos 17 anos. Uso uma máquina dessas normais e vulgarmente anunciadas na televisão.

A navalha dos barbeiros é um instrumento que aprecio particularmente. Acredito piamente que nunca serei capaz de mudar aquelas lâminas duplas com a destreza dos barbeiros. Ou melhor, serei capaz, mas não sem antes ficar sem epiderme nas pontas dos dedos. Além do mais, o prejuízo pode ser aumentado se não usar a navalha convenientemente, ou seja, no ângulo de corte adequado. Talvez seja esta a justificação para a reticência que encontro neste recurso.

Não consigo de deixar de percepcionar um sentimento de comiseração quando vejo os anúncios dos "homens perfeitos" que se barbeiam nos anúncios da televisão. Frequentemente constato que sou um caso completamente atípico na medida em que só eu faço a barba no sentido do crescimento do pêlo e seguidamente no sentido inverso. É assim que manda o "Manual-do-homem-que-se-preocupa-em-ter-a-barba-bem-escanhoada". Nos anúncios, consegue-se o impossível, que  é  ficar com a pele impecável apenas e só com uma passagem da máquina. Barba escanhoada, na gíria especializada, é o termo correcto para designar uma barba "bem feita". Pele macia qual rabo de bébé..

Abomino as máquinas eléctricas. Das duas vezes que usei uma máquina que tinha cá por casa, há uma série de anos, dei-me mal. Não me querendo alongar muito acerca destes episódios infelizes, posso adiantar que ía ficando sem pele na cara. Talvez devesse ter realizado que não daria bom resultado usar máquinas com a minha idade. Mas a tentação foi mais forte...e o resultado foi andar uma semana com uns vergões na cara que parecia ter apanhado umas chapadonas de um trolha das obras.

Desde há uns 3 ou 4 anos para cá, que tenho deixado crescer a barba durante 2 ou 3 meses. O resultado prático e imediato é envelhecer uns 15 anos e rejuvenescer na mesma proporção quando "desmancho" a mesma.

Para terminar, não posso deixar de comentar o quão cómico vejo aqueles homens que não têm barba e deixam crescer a barba a um ponto tal que parecem ter peladas na cara. Acho que nunca deviam deixar crescer a barba a esse ponto. Ridiculariza um homem.

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terça-feira, fevereiro 02, 2010

Luxos

Tenho de confessar que já cometi algumas insanidades relacionadas com luxos. Não são muitos, é certo, mas são em número suficiente para me provocar um rombo na conta bancária quando resolvo "premiar-me" por algum feito ímpar.

Pessoalmente, vejo os luxos como momentos de maior dispêndio de dinheiro do que seria normal, feito conscientemente,  e para o qual não está associado aquele sentimento de arrependimento imediato. Felizmente para mim são poucos os meus luxos. Ou melhor, tenho de ter poucos: Relógios, canetas e carros. A saber para quem me quiser dar prendas.

Roupa não considero um luxo, vejo como uma necessidade. Não existe uma necessidade de comprar sapatos de determinado valor anormalmente caro ou uma peça roupa de determinada marca. Mas é como tudo. São gostos e "no final do dia" acaba por ser o valor que cada um de nós dá  ao "faz-me rir". Ou ao "bilim".

Lamentavelmente, anda por aí muito boa gente que vive das aparências. Vive acima das reais possibilidades, bem como na perpétua e incessante busca de evidenciar algo que não corresponde à realidade. E claro, como não podia ser, há alguém que se aproveita da pobreza alheia para enriquecer. Falo naturalmente do negócio da contrafacção. Até hoje não consegui entender qual é o gozo de ter no pulso um relógio falso. Das únicas vezes que tive cópias (quase 100% fiéis ao original), partiu-se uma correia de borracha (?!) ao apertar, ou saltaram ponteiros das horas.. O mesmo se aplicará a uma mala Louis Vuitton que sei ter sido comprada na feira de Alenquer. Imagino sempre que um dia qualquer, uma gota de chuva qualquer vá esborratar a pintura...

Também há outros tipos de luxos. Uma massagem revigorante ali no Ritz do Parque Eduardo VII. Ou um final de semana em Paris. Ou porque não uma ida a NY. Tudo "pequenos" mimos que fazem com que nos sintamos especiais. Bem connosco mesmos e que sem dúvida que têm outro sabor.

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domingo, janeiro 31, 2010

Concertos de Música

Os concertos de música são momentos únicos na vida de uma pessoa. Arrisco-me a dizer que quem nunca foi a um concerto de música nunca experimentou em pleno os seus 5 sentidos.

Há mais de 15 anos que ajudei a montar um concerto no estádio de Alvalade. Na altura em que ainda haviam concertos "à séria" nos recintos desportivos lisboetas - tipicamente estádios da bola. O staff que organiza e faz acontecer este tipo de eventos é inimaginável. Regra geral, esta equipa acompanha os grupos musicais nas tournées, montam palcos em menos de nada (com luzes, som instrumentos, electricidade, etc), contratam mão-de-obra local (e especializada) neste tipo de trabalho. Foi o que sucedeu na altura comigo. Através do irmão de um amigo meu, conseguimos reunir um grupo de zelosos e rapazes cheios de boa vontade e realizámos esse trabalho integrados numa empresa portuguesa que organiza e monta espectáculos. Naturalmente que fiquei siderado com o profissionalismo de quem faz aquilo com regularidade. A rapidez, a coordenação de trabalhos, tudo.

Uma pequena nota para diferença de constituiçao física da equipa de montagem dos grupos musicais e da equipa de montagem da "tugolândia". É como comparar um típico alemão ou sueco e um típico alentejano. Não obstante trabalharem bem os dois (com ritmos diferentes, claro). E com "combustíveis" diferentes: cerveja e vinho.

Com o avançar do dia, e com a montagem do palco concluída, tem lugar o check sound. São testadas as colunas todas debitando para a atmosfera uns largos milhares de watts. Acredito que quem more para os lados de Alvalade até seja bom, na medida em que ouve (mas não vê) "gratuitamente" o concerto. Em paralelo tem lugar o teste das luzes. Saliento que são equipas pluridisciplinares, sendo que há técnicos especialistas em som e técnicos especialistas em iluminação.

As portas da entrada abrem-se depois do almoço (sendo que alguns grupos de amigos já almoçam dentro do estádio). Com o cair da noite, tipicamente, a casa está composta. Ou espectadores solitários, ou casais ou grupos de amigos. No meu caso, experimentei as duas últimas alternativas.

O último concerto que tive oportunidade de assistir foi dos Rammstein. A minha banda de música preferida. Vale o que vale esta minha opção, mas como se costuma dizer, gostos não de discutem. Também não me preocupa que não entenda as letras das músicas (alemão). Sou apenas mais um fã entre milhões que não percebe. E a banda sabe disso, como pude comprovar numa entrevista do vocalista. E mais curioso, que a quase totalidade das músicas versam o amor.

Pegando no exemplo dos Rammstein, permitam-me informar que o vocalista é especialista em efeitos pirotécnicos. Posso igualmente afirmar que no concerto (único) que assisti deles, no pavilhão Atlântico e da primeira vez que estiveram em Portugal, foram lançados foguetes no interior do recinto, sendo que percorreram uma distância percorrida igual ao comprimento do pavilhão, e por cima da cabeça do público. Ou seja, sugere muita preparação, cálculo, saber sem dúvida o que se está a fazer. Achei um concerto brutal, com muitos efeitos especiais e claro,com muitos arrepios. Creio que será um "lugar comum", ter arrepios ao ouvir (e ver) serem tocada "as" nossas músicas ao vivo.

Para finalizar, não poderia deixar de observar o público. Pais que deixam os filhos bem comportados à porta do estádio, e que no interior do recinto do concerto se transformam após terem bebido algumas jolas (ler texto o meu texto sobre as bebedeiras). Deixam de existir inibições. Também há os casais que vão ver actuar aquele que foi o grupo responsável por algumas músicas que marcaram a sua relação. Ou simplesmente curiosos pela grandiosidade que envolve um concerto num estádio.

Por último, e ainda referente ao tipo de pessoas que vai assistir a um concerto, faz-me alguma confusão quem vai sozinho. Não entendo...será que se perdeu do grupo? Será que os amigos com quem tinham combinado à última hora desmarcaram e não apareceram? Será que está de mal com a vida e quer experimentar "encontrar-se" sozinho? Fico a pensar nisso. Pode também apetecer ir assistir o concerto sem ninguém, é certo.... Mas é pouco provável.

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sábado, janeiro 30, 2010

O Ambiente

Tenho para mim que há muito boa gente que está equivocada nas escolhas profissionais que fez em alguma altura da sua vida. Todos os dias penso nisso. São tantas as opiniões e teses defendidas relativamente ao meio ambiente que oiço na rua, que na minha opinião, o País faz mal em não aproveitar esta "massa cinzenta" e fazer com que a poluição deixe de existir por cá.

Infelizmente, o meio ambiente em Portugal (sem grande diferença no restante mundo), é um tema ingrato. É facilmente subjugado para segundo plano e não constitui uma prioridade. Muito se legisla sobre o meio ambiente, sem que em 99,8% das vezes  legislador tenha conhecimento real acerca da matéria que tem em cima da sua secretária. A eterna dualidade entre "teoria vs prática". O legislador desconhece o que acontece no "campo". O que acontece geralmente, é existirem leis desenquadradas e desprovidas de significado prático.

A certificação das empresas e pessoas, segundo determinados referenciais normativos ambientais também tem que se lhe diga. Em Portugal, o objectivo primordial é "obter o autocolante" para colocar nos carros da empresa e o papel que atesta que a empresa satisfaz os vários requisitos elencados nas normas, por forma a ser obtida a certificação. Trata-se de um mau princípio. Os únicos momentos em que as empresas satisfazem os requisitos são aqueles que antecedem as auditorias de certitificação/acompanhamento. Fora isso, não acredito. Não deixa de ser curioso constatar que quando há cortes orçamentais, o meio ambiente, a par e passo com o marketing é um dos departamentos que de imediato sofre baixas. Aliás, não são importantes para as empresas, como se sabe.

Deixei de acompanhar as coberturas televisivas acerca das conferências ambientais. Entendo que é uma perda de tempo. Prefiro ir ler um livro ou ir dar um passeio. Esta opção é tomada a partir do momento em que os USA não ratificaram o tratado de Quioto. Grosso modo, e sem entrar em grande detalhe, por altura da assinatura do tratado de Quioto estavam perfeitamente identificados os grandes poluidores mundiais. Claro que os americanos eram um deles. Indústria pesada, indústria transformadora, etc. Em alguns casos, passava apenas e só pela aplicação de filtros de partículas nas chaminés destas mesmas indústrias. Exemplo de uma das medidas. E ainda assim os USA entenderam não concordar com algo que a generalidade dos países ao nível mundial concordaram com vista à redução das emissões gasosas.

Desde há alguns anos que oiço falar do carbono. Da "bolsa de carbono". Basicamente, todos os países têm créditos / quotas de carbono. Quer sejam desenvolvidos ou em "vias de desenvolvimento" (esta terminologia recentes e adoptada de há uns anos para cá, deixa-me ansioso). Para facilitar o entendimento, no primeiro grupo estão todos os países ricos e industrializados. No segundo estão os pobres. E terminologia segundo a qual Portugal aparece lado a lado com a esmagadora maioria dos países africanos. Curioso. O que acontece não tem segredo algum: Os países ricos consomem rapidamente as suas quotas de carbono e depois compram as quotas dos países pobres. Simples e transparente.

Muito há para dizer sobre o meio ambiente. É gritante a impunidade que se vive em Portugal, face a autênticos crimes ambientais continuamente praticados por indústrias menos escrupulosas ou de "vão de escada". É menos oneroso pagar a coima do que resolver o problema ambiental. O industrial sabe disso, o inspector sabe disso, e todos vivem com a consciência tranquila e na Paz do Senhor.

Para os mais distraídos...sou licenciado em engenharia do Ambiente, donde, "teoricamente" terei se saber algumas coisas sobre o tema.

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Os Cromos

Não é preciso entrar em grande detalhe sobre quem são os cromos. Facilmente são identificados no meio de uma multidão. O sapatinho deles com a biqueira em bico ( ou biqueira cortada), o cabelinho rapado ou rapado e puxado para a frente conferindo não raro um ar deficiente mental, o brinquinho (às vezes nas duas orelhas), ou então as calças com cintura descaída, as botas a imitar as famosas timberland desapertadas e um look qual cantor de qualquer boys band rasca faz-me sentir nauseado e com vontade de bater com a cabeça numa quina viva. Elas com as unhas das mãos (e às vezes pés) com flores e sem a mínima percepção das medidas das roupas que podem usar também  é algo bonito de se ver.

No meu entender, há culpados. São os amigos dos cromos e com quem eles e elas vão às compras. Uma pessoa que diz à Carina que pesa 130 kg que aquela mini-saia da Mango lhe fica a matar, não é amiga dela. É inimiga. É uma pessoa que não tem coração e quer que a Carina seja ridicularizada e objecto de chacota quando chegar na Segunda-Feira ao posto de saúde onde trabalha como auxiliar. Só pode. Da mesma forma que quando dizem ao Valter que aquele fato justinho no rabo fica a matar com o sapato imitação  Miguel Vieira, também não estão a desejar um futuro auspicioso lá no banco ou na seguradora onde o moço trabalha.

É lamentável que ninguém diga aos cromos que são pessoas desprovidas de bom senso. Ou simplesmente que lhes abram os olhos que têm na cara e percebam o quão ridículos estão. Não se trata de ser elitista ou selecto. Trata-se de chamar as bois pelos nomes e de perceber que há situações em que o ridículo impera e é uma constante na vida de algumas pessoas.

Outra situação que também é engraçada, é quando o Valter resolve ir com a "patroa" (a Carina) até ao Colombo ou Vasco da Gama. Pára tudo. A Carina entende que tem de ir mais aperaltada do que costuma ir ao café lá do bairro depois do jantar. O Valter vê nesta ida uma possibilidade de ver outras "chavalas", bem como de tirar o carvão do tubo de escape do carro dele. O Valter mantém uma paixão secreta pelo carro que tem, tendo o mesmo 1000 cavalos debaixo do lustroso capot. E assim seguem em ritmo estugado a sua viagem, com destino a um qualquer centro comercial e acompanhados de uma boa e audível kizombada. O passeio não demora muito no centro comercial. Como habitualmente,o Valter faz questão de tirar da sua bolsa que leva debaixo do sovaco (que a mãe da Carina lhe deu) a carteira para comprar o jornal  "A Bola" para ler na manhã do dia seguinte, bem como a revista "Maria" para a Carina ler lá no posto de saúde.

As noites de final de semana são marcadas pelas incursões obrigatórias às Docas durante o ano inteiro, bem como a todas as discotecas da Margem Sul na época balnear. Aí sim...a Carina pode exibir orgulhosamente o seu peito, atestando o quão benevolente foi Deus consigo, e usando tops 4 números abaixo. Já o Valter, não abdica da calça de linho branca, camisa preta aberta até ao umbigo e sandália preta de enfiar o dedão.

E poderia continuar por aqui adiante...mas acho que passei a ideia.

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Informática


Uma das relações "amor/ódio" que mantenho conscientemente. Abomino computadores, mas reconheço que são um mal necessário.

Já pensei em inscrever-me nesses cursos de familiarização que a minha Junta de Freguesia de forma zelosa e preocupada coloca ocasionalmente na minha caixa do correio cá de casa. Infelizmente, a minha disponibilidade temporal não é a mesma daqueles que certamennte seriam os meus colegas de turma. Quase que adivinho que a Dona Adélia e o Sr. Jaime, reformados, com mais de 65 anos e colegas de turma da minha mãe nos Arraiolos ficariam radiantes por me ver como colega na turma de informática. Estou convicto e é com grande tristeza minha que não poderei explorar todas as potencialidades que a informática me poderia transmitir. E claro, cimentar laços de amizade com pessoas novas. E extremamente válidas.

Há episódios que me ficam na memória. Lembro-me de há uns anos ter muita informação numa pendrive (essas coisas que se vendem nas lojas de informática, e que servem para gravar ficheiros informáticos e andar com eles no bolso da camisa). Fiz durante um brilharete nas apresentações da faculdade na medida em que tinha ali a licenciatura inteira. Tudo. Estava ali a minha vida académica. Um belo dia, tirei a tal pendrive sem fazer a chamada "Remoção Segura". Em menos de nada, corrompi a informação académica respeitante a uma licenciatura das antigas, ou seja, 5 anos com muito cabelo branco ganho e muitas noites mal dormidas. Deve ter sido por altura que passei a dormir pior e perdi algum cabelo tal não foi este stress. Consciente e preocupado com a condição da minha pendrive, fiz aquilo que tinha de ser feito.  Levei a mesma a uma dessas clínicas informáticas dos centros comerciais e ansiosa e atabalhoadamente expliquei ao técnico da bata branca o acontecido. Admito que deva ter faltado pouco para o técnico me dar um abraço e um beijo consolador, de tal forma me sentiu desolado. Expectavelmente, o resultado não poderia ter sido pior. De cerca de 10000 ficheiros recuperei menos de metade. E dessa quantidade, estavam incompletos. Parte da minha licenciatura esvaiu-se para todo o sempre. Ou parte de mim, se preferirem.

Não obstante este episódio infeliz na minha existência, reconheço que existem variadíssimas utilizações da informática. Aliás, não concebo a actualidade sem computadores. O que sucede, na minha opinião, é que integro uma geração cujo ensino foi feito sem recurso a computadores. Cresci na era informática, mas é certo que não nunca troquei um café ou um jantar com uma jeitosa para jogar Spectrum, ou qualquer jogo da bola ou simulador de vôo, para no outro dia ter uns olhos tipo sapo e chegar ao final do Verão sem estar bronzeado (Sim..às vezes vou à praia)...Nunca tive paciência para esses "filmes". Às vezes penso que devia ter tido. O que acontece hoje em dia, não raro, é que qualquer miúdo com menos uns anos valentes mexe num computador de olhos fechados.

Resumindo, tive de me adaptar de acordo com as minhas necessidades. Tenho um conhecimento informático limitado e perfeitamente confinado. Sem cursos de informática na Junta de Freguesia (onde tenho para mim a suspeita firme de que o/a formador/a seria consideravelmente mais jovem que eu). O que faço? Recorro ao google/amigos sempre que tenho alguma dúvida, e até hoje, tenho-me dado bem.

Estou em crer que daqui por 10 anos quem não souber mexer num computador...será analfabeto!

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quarta-feira, janeiro 27, 2010

Baixa Lisboeta

Desde sempre que me lembro de ir à baixa lisboeta. Ou sozinho, ou com os pais e irmão, ou com namoradas (é um spot obrigatório). Para quem conhece, sabe do que falo. É um must go. Para quem aprecia o comércio tradicional, valoriza determinadas marcas ou gosta de certos rituais / tradições,  tem um fiel alfaiate / costureira...encontra tudo na baixa.

A baixa lisboeta de hoje, como seria de esperar, não é a baixa que me lembro há mais de 30 anos. A ida à baixa, semanalmente com os meus pais e irmão era pautada pelas visitas matinais a determinadas lojas / livrarias, bem como às visitas da parte da tarde à Igreja de Santo António (missas vespertinas), e ainda, e com uma regularidade anual, as idas à Sé, por altura da Vigília Pascal e da Missa do Galo. Marcas indeléveis, portanto.

Como se percebe do que relato acima, há rituais que ficaram aprisionados na minha memória. Exemplo disso serão os vários Sábados. E estas incursões, fizeram com que ficasse um gosto especial por esta zona da capital. Várias foram as vezes que já percorri a Avenida da Liberdade a pé. E em todas elas senti e sinto prazer em fazê-lo.

Não posso deixar de aludir ao facto de cada vez mais adorar viver em Lisboa e de me considerar o munícipe mais orgulhoso e zeloso que vive nesta cidade. Considero-me um cidadão exemplar, que não só tem um papel activo mas também interventivo naquela que é a dinâmica da minha tão querida Câmara Municipal. Assim sendo, não poderia deixar de endereçar um agradecimento público e um apertado abraço a todos os Presidentes que já passaram pela minha (nossa) Câmara Municipal, e que anualmente me brindam com as cada vez maiores árvores de Natal que se montam no Terreiro do Paço. Deve ser por isso que a contribuição municipal é anualmente agravada. Nada me pode dar mais prazer (a não ser o visionamento da "Música no Coração" pela 590ª vez). Desta feita, penso não raro porque é que não me ligam questionando se não tenho alguma ideia alternativa onde gastar o dinheiro dos munícipes (e meu). Aliás, e em bom rigor, suspeito que não estará muito longínquo o dia em que alguém terá de informar os controladores de tráfego aéreo que naquele ano a árvore de Natal vai entrar para o Guiness e que convém "telefonar" para os aviões alertando-os que devem proceder para Beja ou Porto para aterrarem..

Vibro igualmente com delicioso caos que este tipo de eventos pensado durante um ano inteiro pode provocar no tráfego já de si problemático desta cidade. É qualquer coisa de me dar vontade de arrancar fio de cabelo a fio de cabelo. Este Natal (e se não me esquecer entretanto), vou escrever ao meu amigo de todas ocasiões (e sempre disponível) António Costa. Dá gosto viver num Município com dinheiro. Que se pode dar ao luxo de esbanjar o mesmo em KW de electricidade..Ou de desperdiçar água no Verão...com aspersores ligados durante 24 horas.

É de louvar a ampla requalificação da baixa lisboeta. Em especial do "eixo" Bairro Alto - Chiado, embora tenha uma dificuldade em entender o porquê de alguém escolher morar num prédio sem elevador, com escadas de madeira com degraus tão curtos e tão juntos que quase se toca com o queixo quando se sobem as mesmas..Ah..e sem estacionamento. A ideia de ter de deixar o carro a quilómetros de distância, e vir a pé com 200 sacos do Continente (ou Lidl)...à chuva / frio...custa-me a digerir.  Não consigo entender..Certamente existirá uma explicação lógica que me escapa.

Por último, ainda hoje li que os parquímetros desta zona da cidade vão ficar mais caros. Ainda recentemente fiz o trajecto Avenida de Roma - Bairro Alto - Avenida de Roma a pé. Não morri...e disfrutei bastante...

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terça-feira, janeiro 26, 2010

Fotografia

Desde o passado ano que tenho o equipamento para tirar fotografias. Tenho o equipamento para tirar excelentes fotos, ao nível das melhores revistas, mas ainda não tenho o jeito. Ou por outra, estou empenhado nessa tarefa.

Desde há alguns anos para cá que tenho vindo a usar uma máquina fotográfica digital pequena, daquelas que cabem no bolso de trás das calças. Um pouco efeminado, tenho de convir. Mas prática. Quer para exposições de automóveis / profissionalmente, quer para um final de semana fora em que não se pretende andar de um lado para o outro com um "canhão". E é mais prática do que aquela que comprei o ano passado.

Convém explicar a razão que me levou à  compra de um equipamento melhor. A um nível profissional, pois claro - e que permitiu um rombo imediato e significativo na minha conta bancária. Há um tipo de fotografia que aprecio particularmente, o chamado panning. Na gíria dos fotógrafos, este é aquele tipo de fotografia em que o fotógrafo foca o objecto em movimento e esbate ou "borra" o fundo da fotografia. Como resultado final transmite-se a sensação de velocidade. É uma fotografia que pode ficar muito bem, assim o fotógrafo consiga captar "o" momento e saiba o que está a fazer.

Por ocasião da primeira vez que fui ao Porto assistir à primeira vez que a Red Bull trouxe os aviões, levei a minha máquina digital pequena. Sim, aquela que falei em cima. Nesse ano consegui ter acesso a uma das tendas VIP que por lá estavam. Fui despreocupadamente bebericando uns Martinis e mordendo uns folhados de salsicha e uns croquettes deliciosos. A zona bem estava frequentada (se é que me entendem)..e aqui o vosso amigo tem de aproveitar estes pequenos prazeres da vida. Assim sendo, não me preocupei em encontrar um lugar onde tivesse uma vista desafogada para o objectivo que me levou ao Porto - Tirar uma fotografia "daquelas", para depois vender a um jornal aí por uma fortuna grande. Nem sequer me preocupei em ver qual a melhor zona para o conseguir. Aquele ambiente subiu-me mesmo à cabeça e nem sequer pensei mais nisso. Lembro-me que próximo da hora do início da prova,  me ter posicionado estrategicamente à beira-rio com um sorriso gozão, e ter pensado "Vamos lá então tratar aqui do assunto". E foi aqui comecei a perceber que algo estaria em falta.

Quem vai fotografar aviões, ou carros rápidos, sabe ao que vai. E vai "munido" para tal. O olhar com que alguns fotógrafos olharam para a minha máquina fotográfica e esboçaram um sorriso condescendente, e é o mesmo que os meus pais me terão feito quando com 5 anos lhes disse que estava determinado a casar com a Mónica lá do colégio onde andava. Também não me vou esquecer das faces rosadas (esforço) e da cara suada de alguns fotógrafos, por terem tido de correr com mochilas do seu equipamento fotográfico às costas, no meio das verdadeiras multidões de seguidores que o Red Bull consegue mover. O momento alto deste dia foi quando, estando eu de braços cruzados e à espera que começasse o espectáculo, começam a ver sair objectivas de meio metro, montadas máquinas profissionais. Morri para o mundo. Quando vejo esse tipo de objectiva montada nestas máquinas...percebi que aquela canalha não estava ali para brincar. Estava ali para trabalhar. Estamos a falar de objectivas com lentes que permitem uma aproximação tal que dá para perceber se o piloto escanhoou bem a barba ou não.

Impávido e sereno, sem desarmar, retirei timidamente a minha máquina do bolso traseiro das calças. Retirei-a da bolsa rígida e pús a alça à volta do pulso direito. Passou o primeiro avião. O melhor e mais nítido que consegui fotografar para a posteridade, foi o fumo que deixou. Ok, estamos a falar de aviões que atingem facilmente os 400 km/H.

Em todas as passagens de aviões ouvi distintamente os "clics" qual metralhadoras da várias máquinas que me rodeavam. Entretive-me a ir tirando fotos ao rio e à moldura humana da outra marge. Boas fotografias. Sempre dá uma ideia das pessoas que lá estiveram. Mas de aviões...zero.

O ano passado acabou a brincadeira. E decidi que não ía passar nova vergonha. Assim sendo fiz a tal aquisição que mencionei lá atrás.. E fui de novo ao Porto. Se na vez anterior tinha ficado muito bem posicionado em termos de vista, desta feita fiquei do lado do Porto, que, e para quem conhece a prova e o tipo de espectáculo, não permite ver quase nada. Ou seja, "pérolas a porcos". Tirei as fotos que me foram possíveis e tendo em consideração a posição em que me encontrava. Muito pior que da vez anterior!

Este ano ainda não saí para tirar fotografias. Não por falta de vontade, mas porque ainda não consegui uma conjugação de disponibilidade temporal e boas condições climatéricas. Valha-me o ano ainda agora ter começado...e faltarem 11 meses para o seu final...

E claro..."afinar" o jeito.

Próximo Tema: Baixa Lisboeta

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Telefone


Perdi a conta do número de telemóveis que já tive até hoje e desde os meus 19 anos. Contrariamente à esmagadora maioria das pessoas que conheço, que tem o mesmo telefone durante 40 anos. Admiro essas mesmas pessoas. As teclas do telefone gastas, sem se verem os números já decorados. O ecrán baço e riscado. O telemóvel com o corpo gasto do uso intenso. Ou por outro lado, os cuidadosos, que mantêm os telefones imaculados. Com a película protectora do écran, e protecções plásticas para as teclas...

Hoje em dia, não raro, vejo crianças com 10 anos com telefones na mão. Dizem-me os entendidos na matéria (Pais), que é uma forma de os filhos comunicarem e serem contactados. Gosto desta teoria. Chamo-lhe de controlo parental. Não me parece que com 10 anos uma criança tenha necessidade de ter um telefone. Ou que use o mesmo para dar ordens de compra e venda de obrigações do Tesouro. Passei 19 anos sem telefone algum. E cresci sem problemas. Sempre consegui comunicar quando precisei. Quando passei a ter telemóvel...deixei de ter liberdade! Isso sim!

Tenho uma relação muito próxima com os telefones, e que facilmente adquire alguns contornos de insanidade. Tenho gosto em ver regularmente as novidades das várias marcas. As funcionalidades dos novos modelos. As potencialidades dos mesmos. O seu tamanho. Se têm organizador de tarefas. Os alarmes, os sons, etc. Mapas comparativos de 900 modelos diferentes. Perco tempo com isso. E claro, a "prova dos nove" culmina com a minha ida a uma loja perto de mim e "sinto" o telefone. Aí sim, é estabelecido e completo o binómio telefone <-> Homem. Para desespero de quem comigo vai às lojas...

Não obstante tudo o que menciono acima, acho pornográficos os preços que se praticam hoje em dia pelos telefones. O mais recente produto da marca da maçã "ratada" é mais que um ordenado de muitos portugueses. E não é isso que faz com que as vendas do mesmo decresçam. Muito pelo contrário. Quanto mais caro, mais cobiçado e mais vendido. A crise não afecta todos.

Desde há algum tempo para cá que me irrita de sobremaneira o toque dos telefones. Não entendo porque é que os telefones têm som. Deviam apenas e só vibrar. Deviam ser proibidos os toques da Shakira, hinos dos vários clubes da bola e assobios variados. Não consigo encontrar nada mais irritante que no meio de uma formação, ou reunião começar a tocar um telefone. Só mesmo aqueles romenos que me sujam o vidro da frente nos semáforos da cidade de Lisboa...

Parece-me claro que há vencedores no meio desta conversa toda. As operadoras. Que têm o monopólio das telecomunicações. Dificilmente outra operadora consegue penetrar neste negócio lucrativo e partilhado pelas três maiores. Atingem-se máximos históricos anuais por altura do Natal. Todos os anos recebo sms de pessoas com quem não falo há anos. Passo por mal educado e não respondo. Prefiro fazer um telefonema. Preferencialmente quando as linhas estiverem descongestionadas. É outro dos problemas típicos dessas alturas festivas...E claro...ainda comercializam outros produtos: telefones topo de gama a preços mais baixos mas com obrigação de fidelização, toques, etc. Para encher o olho, pois claro.

Por último, um pedido  para aqueles que apreciam conferir um toque pessoal aos seus telefones..Não o façam. Telefones com guitas da loja do chinês (para permitir que os telefones andem ao pescoço) é muito mau. Ou colar a bonecada da criançada lá de casa nas costas do telefone, piora ainda mais...sendo que a "cereja no topo do bolo" são as meias de lã para os telefones....não vão os mesmos apanhar uma constipação com este tempo adverso que se tem feito sentir.

Haja paciência...E bom gosto!!

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Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...