Entendo no presente momento ser importante manifestar o meu reconhecimento público por todos aqueles que se prestam a serem avaliados publicamente pelo júri do concurso dos Ídolos. Aliás, dos 30 minutos deste programa que consegui ver até hoje, sem vomitar, fez-me pensar na figura que qualquer um dos elementos que constituem o tão célebre painel de jurados faria se fosse interpretar U2, Michael Jackson, Janis Joplin, etc.
Basicamente, estamos a falar de auto-estima das pessoas. Dos concorrentes acharem que cantam bem ou através de amigos e familiares que acham que o/a concorrente se deve submeter à avaliação. Ser publicamente reconhecido é o sonho de qualquer adolescente. A ascensão meteórica do anonimato para o estrelato paira na mente destas tenras idades. E não há quem chame a atenção para o quão perigosa poderá ser a queda.
Era bom que tudo corresse bem e todos os concorrentes fossem bem sucedidos, mas a realidade não aponta nesse sentido. O fenómeno Susan Boyle é para mim algo inusitado. Parece-me ter havido algum exagero por parte de quem entende ter feito a descoberta desta senhora, ou no limite na avaliação e lágrimas de crocodilo do júri que a aclamou vencedora. Acho pouco coerente. Pouco real. Mas acredito que queiram ter feito esta dona de casa ver a vida de outro prisma. Todas as estações televisivas se debruçaram sobre esta temática e brindaram os espectadores com a figura desta senhora, que deve um pouco à beleza, de robe e de manhã. Vejo-a como o Calimero, o patinho feio que se tornou de repente um cisne. Por sinal um cisne raivoso quando recentemente não ganhou um prémio num outro concurso de música britânico. A fama tem disto...
Ir ao programa Ídolos é um pouco como se sujeitar deliberadamente a ser apedrejado na praça pública. É o ser assumido que se pode ser motivo de chacota (como acontece não raro) pelo painel de jurados deste programa, nos moldes em que foi idealizado e é apresentado. Acho deplorável que alguém se preste a este tipo de prova. E entendo que ninguém tem o direito de dizer o que já ouvi ser dito a jovens de tenra idade que concorrem enganados.
Sei cantar muito bem. É um das minhas armas. Sei trautear muitas músicas e acompanho com muito gosto algumas das músicas mais comerciais e que vulgarmente se ouvem nas nossas rádios. Nunca tive tempo de ir a um casting destes, mas é um sonho que não pús ainda de lado. Cheguei a fazer uma maquete muito minha, há uns anos atrás, em que vesti o papel de Edith Piaf e cantei com emoção o "La vie en rose". Um clássico, portanto. Estou seguro de ser um talento desaproveitado e que a minha maquete ainda fará muito sucesso um destes dias. Não tenho qualquer dúvida.
Infelizmente, quis o destino que abraçasse outros desafios. Não tão aliciantes como sei que seria a minha carreira enquanto cantor. O tempo mostrar-me-á que vale sempre a pena esperar, e que a minha oportunidade tardou, mas não falhou.
Enquanto não surje "a" minha oportunidade para mudar o meu percurso profissional de sucesso, vou vendo nos intervalos dos bons programas e o quão depressivo pode ser assitir um concurso.
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