Desde há 3 anos que a Red Bull trouxe para Portugal aquela que considero ser a prova mais importante da marca. Não desfazendo todas as outras provas, esta é aquela que "separa os meninos dos homens".
Não é qualquer piloto que sabe pilotar um "F1 dos céus". Ou num traçado complicado como é o do Porto. Da mesma forma que não é qualquer marca que consegue reunir quase 1 milhão de espectadores num final de semana. É certo que as provas se realizam no final do Verão (Setembro, tipicamente bom tempo), o que sugere um final de semana passado de forma diferente acompanhado de algumas cervejolas e febras. E de máquina fotográfica ao pescoço (ver meu texto anterior sobre fotografia).
No meu caso, não vou só assistir a mais uma prova da Red Bull Air Race (RBAR). É certo que a prova me desperta grande interesse, mas ainda mais interesse me despertam os programas intercalados nos intervalos da prova. A esquadra de jactos da Breitling. As exibições da Marinha Portuguesa com desembarque de fuzileiros a helicópteros, os F-16 da Força Aérea Portuguesa, a passagem em 2009 do A310 da SATA...tudo isto contribuiu para que em 2009 tenha experimentado vários arrepios nesta velha coluna e tenha sentido a pulsação a disparar. Principalmente por altura da passagem dos F-16 por cima do local onde me encontrava estrategicamente posicionado para as minhas fotos (coloco uma delas aqui neste texto). Numa delas, o tipo que estava ao meu lado por pouco não ficou sentado ao meu colo com o susto.
A maioria dos pilotos do circuito RBAR tem uma vida profissional ligada à aviação. Alguns são ex- pilotos militares, outros são pilotos de companhias aéreas por esse mundo fora. Não será quem tem vontade ou acha que tem jeito para esta actividade que entra neste circuito. Trata-se de um grupo de elite. E onde só se entra por convite da Red Bull. Naturalmente que têm de ser pilotos exímios. Quem já assistiu à prova sabe do que falo.
O circuito do Porto é particularmente complexo. É sinuoso, a distância entre margens é reduzida e para tornar as coisas ainda mais "interessantes", os pilotos que estiveram no Porto em 2009 não tiveram sessão de treinos, devido às más condições climatéricas sentidas, naquele que seria o dia de treinos livres. Assim sendo, o dia seguinte, das classificativas, correspondeu ao dia de treinos. O segundo e último dia, como é normal, foi o da corrida. Ou seja, as coisas não terão corrido de feição para os pilotos empenhados em manter uma boa posição no score total do circuito.
Para 2010 há destinos interessantes: Abu Dabi, Perth (Austrália), Ontario (Canadá), Nova Iorque, Eurospeedway (Alemanha), Budapeste (Hungria) e Lisboa. Alguns destinos são reincidentes e outros destinos são novos. Gostava de ver se conseguia acompanhar alguns dos destinos, aproveitando para conhecer um pouco mais dos locais onde serão os mesmos realizados. Infelizmente creio que não será pacífico dizer na empresa que pretendo uma licença sem vencimento para seguir o circuito RBAR. Talvez seja sumariamente internado. E despedido.
Para terminar, não me vou alongar sobre a celeuma actual: o facto da última prova do circuito ser em Lisboa em vez de ser no Porto. Sendo sincero, é-me indiferente, conquanto me seja possível assistir ao espectáculo. Pela amostra das multidões que esta prova move, parece-me claro, e julgo que a qualquer um(a) de vós também, que o comércio regional é dinamizado de forma exponencial. E foi essa a realidade experimentada pelo Porto durante 3 anos. Agora será a vez de Lisboa. Talvez se pudesse ter combinado tudo isto de forma menos "fracturante". À boa maneira portuguesa não poderia ser de outra forma.
Enquanto se zangam as comadres..que venham os aviões!
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