Há uns meses atrás, em conversa com os meus pais, foi-me dito que os jovens de hoje vivem dificuldades que há umas décadas atrás não eram sentidas. Reformulando...até podiam ser sentidas, mas não o eram de forma tão acentuada. E um dos maiores contribuintes para essa situação é sem dúvida alguma a carga fiscal / impostos actual (ais).
Foi com uma alegria imensa que há dois ou três dias tive conhecimento que os impostos vão aumentar mais uma vez. Calha bem, neste momento, em que o País está desafogado e não tem de pagar a factura dos 11 (onze) estádios que decidiu construir há meia dúzia de anos para o "desporto rei": Ou quando consegue "montar" uma operação policial nunca antes vista por ocasião da visita Papal concedendo 2 (dois) dias de tolerância e ponto. Alguém terá de pagar esta factura..e tenho a informar que são os mesmos do costume. Felizmente que Portugal é um País que não sofreu com a recessão económica (segundo a informação veiculada pelo Executivo), e como tal não tenho de me preocupar com esse pormenor menor que será o da economia. Valha-me isso, até porque já me sentia um pouco ansioso com tudo o que tenho ouvido e que se tem passado na Grécia..País em tudo semelhante a Portugal...Mas são coisas da minha cabeça, certamente.
Percebo também que há os "filhos da mãe" (leia-se amigos do Estado e que nele votam) e os filhos da "senhora-que-anda-na-vida", ou seja, os que não votaram no actual Executivo. O primeiro grupo de amigalhaços não conhece a palavra crise ou recessão económica. Não sente. Arranja forma de fugir aos impostos. Ou porque desenvolveram um artifício eficiente em jeito de auto-recreação, ou porque contratam alguém (leia-se advogados / contabilistas) que o façam em seu nome. Simples. Já aqueles que descendem da "outra senhora", não têm tanta sorte. Resumidamente, são os que pagam a factura. Sempre e invariavelmente. E continuam a ver o outro grupo impune e alegremente vivendo uma vida rica, despreocupada e desafogada. Resultado? Tenho dito que estamos perante um barril de pólvora..e que qualquer dia alguém acende o rastilho...E creio que já terá faltado mais.
Constatado também que existem negócios bem rentáveis. Falo de negócios explorados por determinadas "franjas" da sociedade portuguesa (curiosamente habitam em zonas tidas como economicamente desfavorecidas), mas que conseguem ostentar bens materiais com valores que alguns quadros superiores de algumas empresas não poderão almejar em 50 anos de carreira profissional (com muitas horas extra pelo meio). Certamente que me escapa alguma coisa, tipo um "tratamento de excepção" especialmente consagrado na Lei para estes contribuintes, na medida em que os mesmos são conhecidos, estão perfeitamente identificados pela Autoridades, sendo que não há qualquer fiscalização ou acto judicial que investigue o "como" surgem determinados bens..de onde vêm. Hei-de morrer sem ter uma resposta a esta minha questão...
Voltando à questão dos impostos. Mais uma vez o digníssimo e muy inteligenge Primeiro Ministro (PM) de Portugal conseguiu confundir-me. Confesso. Com muita frequência penso que o meu futuro devia ter passado pela política, na medida em que poderia dar azo a muita (e produtiva) conversa com os meus amigos da Assembleia, conseguindo "dar o dito pelo não dito"...e os portugueses, como sempre, a "comprar". Assim consegue andar o PM da nossa Nação. À deriva. Diz num mês que os impostos não vão aumentar, e volvido um ou dois meses (após ter sido apertado por Bruxelas) diz que afinal não é bem assim. É claro que foi necessária coordenação deste tipo de decisão com o mais recente eleito líder do maior partido da oposição, na medida em que, se assim não fosse seria a sua "morte política" do PM. Sem apelo nem agravo. Assim sendo, soube esta semana que irá haver mais deduções nos impostos, que o aumento do IVA é mesmo para acontecer e que se está a estudar como irá ser afectado o 13º mês dos portugueses. Ou seja, mexer em direitos adquiridos dos trabalhadores. Só notícias boas e que me fazem pensar o porquê de não me ter oferecido como voluntário para os missionários do Cambodja há uns anos atrás. Não teria preocupações...pelo menos de índole monetária.
Com tudo isto, importa também referenciar o quão fácil está a situação da banca. A atravessar um dos piores momentos de que há memória, com muita dificuldade em "comprar dinheiro". Consequência? Empréstimos bancários para os jovens sem bonificação, e o "valor ao qual a banca empresta o dinheiro" (spread) altíssimos para os novos empréstimos. Resumindo, melhor cenário não podia existir para quem quer encetar um projecto de vida, com família, filhos e uma casa nova..
Resta portanto deixar o futuro nas mãos do actual Governo, que conjuntamente com o líder do maior partido da oposição conseguem neste momento complicado e difícil para tantos, pedir mais esforços aos portugueses. Pedir que "apertem mais um furo no cinto". O problema é quando já não existem mais furos. Ou quando já nem existe cinto....
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