A eternidade é algo que tenho presente na minha vida. Já aqui tive oportunidade de referir que sou uma pessoa ansiosa. É um defeito meu, identificado e do conhecimento (para mal dos meus pecados) de algumas pessoas com quem me relaciono ou já relacionei em algum momento da minha curta e feliz existência neste mundo.
A minha ansiedade não liga com a clara e objectiva eternidade com que algumas pessoas executam tarefas. Tal como o azeite e a água ou o Primeiro Ministro demissionário e a verdade dita (e devida por direito) aos portugueses.
No meu caso, a ansiedade assume a forma de impaciência e nervosismo. Tenho uma paciência muitíssimo reduzida para quem executa algo para o qual não está preparado. E para o qual deveria estar. Chamo a isso falta de profissionalismo. Não de quem executa, mas de quem manda executar. Mas isso é outro "campeonato"...
Dou comigo a pensar não raro que as pessoas não estão devidamente consciencializadas ou sensibilizadas para o impacto que pode ter a sua "demorada" contribuição individual para a economia portuguesa. Imagine-se um funcionário que leva 15 dias a analisar um processo camarário de licenciamento de habitação. Em causa está por exemplo uma autorização para edificação / reabilitação de uma zona velha da cidade. O proponente será uma entidade (empresa) cujo objecto de realização de capital próprio (riqueza) depende desta apreciação técnica. É certo que esta não será a única edificação que tem em carteira, mas imagine-se o capital investido pela mesma e que não é movimentado.
Se fôr analisada a "causa raíz" percebe-se que tudo dependerá de uma pessoa. Ou de duas, desta e do seu superior hierárquico.
A tal entidade não edifica, não cria postos de trabalho que já poderiam estar predestinados, não vende imóveis e não cria riqueza nacional como consequência. Não há envolvência das instituições bancárias no processo de concessão de créditos e como tal não há movimentação da "massa". E como se sabe, "não havendo dinheiro não há palhaços".
Tudo porque alguém, em alguma das tantas Câmaras Municipais espalhadas por este pequeno País não terá o conhecimento técnico adequado para ocupar o cargo que ocupa, porque o "sistema" de atribuição de licenças é faccioso, falível e excessivamente burocrático ou porque poderá acontecer ter em cima da mesa 956 processos "urgentes" para analisar e não ter capacidade de dar resposta. Daí a eternidade. Daí o desemprego. E daí a minha impaciência e nervosismo para com este tipo de pessoas.
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