segunda-feira, outubro 31, 2011

Lentes de Contacto

Desde sempre que me apeteceu usar lentes de contacto. Não por necessidade, mas sim pela facilidade com que é possível induzir a baralhação nas pessoas. Segunda-Feira com olhos verdes, Terça-Feira com olhos azuis, Quarta-Feira com olhos cinzentos, e por aí adiante. Ou seja, uma côr diferente de olhos para cada dia da semana.

As lentes de contacto são práticas quando alguém como eu desconhece o paradeiro do par de óculos durante meses a fio. Ou inadvertidamente se senta em cima dos mesmos 5 vezes durante o mesmo ano. Para além disto, há duas grandes e conhecidas desvantagens associadas. 

A primeira desvantagem tem que ver com o facto de uma lente de contacto não ter sido correctamente colocada. Ou haver um(a) amigo(a) brincalhão(ona) que dá "um caldo" com toda a força, daqueles que separam a cabeça do pescoço, e claro a lente de contacto só pode ser projectada na atmosfera indo cair perdida algures, fazendo com que todos os restantes amigos passem o resto do tempo de rabo para o ar à procura da lente. Confesso aqui e agora que sempre fingi procurar. Passo a explicar. Se por vezes mal consigo ver o chão que piso, quanto mais conseguir ver uma lente transparente do tamanho da cabeça do dedo mindinho! O que realmente conta é a intenção. E para fingir que estou realmente compenetrado na busca da lente, sempre me posicionei em posições estratégicas (e visíveis) - nem que fosse a 300 metros do local onde a pessoa estava.

A segunda grande desvantagem prende-se com o facto das pessoas que usam lentes de contacto não poderem fumar. Choram sempre. Afinal, ter fumo entre o olho e lente de contacto deve ser uma sensação tão boa quanto deixar cair uma bigorna de 15 kg no polegar direito.

Hoje em dia há a disponibilidade de lentes de contacto descartáveis, contra as lentes de contacto que não o eram há umas décadas atrás. Ou seja, já ninguém tem a coragem de pedir aos amigalhaços que estavam a dançar no meio da pista de dança para abrirem uma roda e ajudarem na procura da tal lente de contacto. 

Pode até acontecer que se saia da discoteca amparado(a) por amigos (há lentes de contacto com graduações altas e para pessoas que não conseguem ver os atacadores dos sapatos). Mas deixa de haver um prejuízo tão avultado pela perda das lentes. E mal se chegue a casa, é possível voltar a ver. Bastando para isso colocar novas lentes. Preferencialmente de outra côr!

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domingo, outubro 30, 2011

Poder Paternal

Tenho conhecido algumas pessoas que por via das agruras da vida se separaram dos respectivos companheiros. Até aqui nada do outro mundo. Os problemas surgem quando há crianças pelo meio.

Poder paternal, na sua essência, visa a atribuição da responsabilidade da educação do(s) filho(s) a um dos pais. Tipicamente à mãe, e assim seja atestado que a mesma possui os meios financeiros e a necessária estabilidade emocional para o fazer.

O que tenho percebido é que há muita permissividade pelo meio. Infelizmente. Ou seja, uma em cada 5 mulheres deixou de ter esperança que o ex-companheiro se resolva a comparticipar na educação do(s) filho(s). Talvez por ter sido educado numa perspectiva de responsabilização dos meus actos, não entendo duas situações: a) Como pode alguém entender viver com um esforço financeiro perpétuo e consideravelmente maior - os filhos requerem uma despesa grande - sem fazer tudo ao seu alcance para que haja uma divisão de despesas e b) Como é possível que haja homens medíocres o suficiente para negligenciarem o seu papel de pais, sobrecarregando a mãe do(s) seu(s) filho(s)? E em alguns casos tendo outros filhos com outras mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me.

É fácil fazer um filho. Já é mais complicado mantê-lo quando uma relação termina. Por isso defendo sanções exemplares e proporcionalmente ao auferido mensalmente pelo pai ou mãe. Sem apelo nem agravo. E se não paga, vê os bens penhorados. Pena que a justiça nem sempre seja célere nestes casos.

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sábado, outubro 29, 2011

Depilação Masculina

A depilação masculina é uma prática que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Tenho vindo a conhecer vários elementos do sexo masculino que têm menos pêlos no corpo inteiro do que eu tenho na cara, pela manhã, antes de me barbear. Consigo aceitar isso. Dificilmente, mas aceito. Antes de continuar, e evitando ferir as susceptibilidades dos mais sensíveis, não tenho nada contra contra os homens que se depilam. É mais higiénico, prático e até concordo que em alguns casos a depilação masculina tenha um propósito objectivo (e necessário), assim seja evitada a partilha da visão das "camisolas de pêlo" e que não raro permitem ligar os pêlos do peito ao queixo...

Consigo conviver pacificamente com a existência de cremes, lâminas e outras máquinas específicas, nas prateleiras de artigos masculinos, para que seja possível aos homens terem as "ferramentas" para se aliviarem de algumas incómodas e inestéticas pilosidades dos seus corpos. A mim, apenas me é exigida a atenção redobrada de aquando da troca de qualquer máquina de barbear, não me enganar e meter no carrinho das compras uma daquelas outras máquinas que permite de forma suave e fácil "eliminar pela raiz" os pêlos do peito. E com a particularidade destes produtos para a depilação masculina estarem nestas prateleiras onde se encontram as vulgares e usuais lâminas de barbear que reclamam durezas próximas das pás do reactor de uma nave espacial.

Em verdadeiro abono da verdade tenho de partilhar que já experimentei uma vez a depilação masculina. Uma lesão na virilha direita, em consequência de um qualquer esforço típico de "macho" (não me recordo se terá sido na musculação ou arte marcial), "atirou-me" para a vulnerável e indefesa condição da marquesa do fisioterapeuta. Três vezes por semana durante um mesito. Com direito a  ter a virilha direita mais lisa que o rabo de um bebé e ainda uma toalha húmida mais quente que as profundezas dos infernos (fazia parte do tratamento),  enquanto o fisioterapeuta me massajava os tendões da virilha de forma tão vigorosa (e dolorosa) como se quisesse arrancar o meu fémur direito.

Como referi anteriormente, não tenho nada contra os homens que se depilam, embora, e como em tudo, possa ter a minha opinião. Se aceito que uma mulher se depile, não vejo razão para que um homem, que não gosta de ver pêlos no seu corpo, não o possa também fazer. Agora...se gosto de ver um homem sem pêlos...já é outra conversa. E outra conversa também será o ver "homens-macaco". Tipo na praia. Haja espelhos e respeito pelos outros, que não são obrigados a ver "asas" nas costas de alguns homens!

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sexta-feira, outubro 28, 2011

Lucros das grandes empresas

É complicado fazer-se um negócio rentável com uma pessoa como eu. Porquê? Porque me considero um bom negociador. Tenho gosto na arte de negociar. De pressionar os vendedores a baixarem os preços e a esmagar as suas margens de lucro em prol de um negócio que naturalmente será mais proveitoso para mim.

Quero com este breve preâmbulo partilhar que dificilmente "compro" algo que me pareça pouco sério ou que seja manifestamente pouco consolidado. Por outras palavras, é muito difícil alguém vender-me aquilo a que o povo normalmente denomina de "banha da cobra". E se alguém me disser que já me vendeu a cobra ou mesmo a banha, terei de dizer logo a seguir se o conseguiu fazer com facilidade.

Não consigo "comprar" a máxima que os lucros das grandes empresas sejam devidamente taxadas. Proporcionalmente ao que são taxados os contribuintes em nome individual. Quando questiono alguns amigos e amigas que estão ligados à área financeira sobre esta matéria, inventam sempre qualquer desculpa (tipicamente a do bolo no forno) e fogem. Ou seja, não tenho até hoje uma explicação razoável e que faça com que uma pessoa intelectualmente limitada como eu consiga perceber como podem as empresas grandes (e são sobejamente conhecidas), em tempo de crise, apresentar relatórios de contas em que há alusão à palavra "lucro" numa qualquer página. É criminoso. E fora de contexto.

A culpa não é das grandes empresas. É sim dos sucessivos Governos que durante anos, em consequência de interesses próprios (ou participações nessas empresas) não desenvolveram ferramentas financeiras que permitissem um controlo efectivo e consequente sanção das empresas que não são devidamente tributadas em conformidade com os seus lucros. Importa referir que nem sempre o que é dado a conhecer traduz a realidade empresarial. Por outras palavras, nem sempre o valor do lucro de uma determinada empresa dado a conhecer é efectivamente o real. Normalmente é bem inferior. Conveniente e logicamente.

Esperemos que nesta época caracterizada por tantas medidas da austeridade as "grandes empresas" também sofram a "mão pesada" deste corajoso Governo. Que sejam taxados exemplarmente. Que haja coragem em falar das coisas com frontalidade e que as contas sejam devidamente "esmiuçadas" por forma a serem claras para todos nós, zelosos cumpridores das obrigações fiscais. Que não se tenha medo das ameaças de deslocalização das empresas para países onde a mão-de-obra é mais barata e onde há um maior incentivo à industrialização e empreendedorismo.  Quem pensa muito nisso, e tem isso em mente, não utiliza o artifício da "chantagem". Fá-lo. E por vezes, feitas bem as contas, as deslocalizações são processos muito onerosos. E que não compensam...além de que comprometem as margens de lucro!

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quinta-feira, outubro 27, 2011

Pintar o cabelo

Que fique desde já claro que gosto de ver homens de cabelo grisalho, mas não gosto de ver mulheres com o cabelo grisalho ou também chamado de "sal e pimenta". Chamem-lhe pancada, mas é a minha opinião.

Tenho cabelo branco de há muitos anos a esta parte. Com o avançar da idade começo a ter as "melenas" brancas cada vez mais visíveis e dentro em pouco estarei como o D. José Policarpo. Não falta muito...E com o cabelo mais comprido notam-se muito mais os meus charmosos cabelos brancos.

Confesso que jamais pensei em pintar o cabelo. A ideia de pintar o cabelo é longínqua. Muito longínqua.Ver um homem de cabelo pintado é como ver uma mulher que orgulhosamente ostenta um farto bigode de cofiar ou umas pernas que nunca experimentaram a lisura e precisão de corte de uma lâmina de depilação. Ou seja, é contra-natura.

Outra ilação que retiro com facilidade, é que existem diferenças na forma como os cabelos são pintados. Falo dos homens e mulheres que pintam o cabelo. Pintar o cabelo tem um inconveniente. Requer manutenção e acima de tudo atenção de quem gosta de ter outra cor de cabelo que não a original. O que constato com uma relativa frequência é que há pessoas que não reconhecem o valor da palavra "atenção" aquando da necessidade em pintar o cabelo. Quero com isto dizer que é pouco bonito ver as raízes do cabelo "original" aparecerem por baixo do cabelo "emprestado". Em alguns casos (e ninguém me contou, eu já vi), é possível ver aquilo a que chamo o "cabelo tricolor". Passo a explicar.

Cabelo "tricolor" é uma mescla entre o cabelo "original", cabelo branco e cabelo "emprestado" ou pintado. É um espectáculo única e através do qual se percebe claramente que há uma zanga séria entre essa pessoa e o seu(sua) cabeleireiro(a). O que não deixa de ser curioso. Nos dias que correm, é mau que as pessoas se zanguem. Por um lado, o cabeleireiro porque tem de pensar na sobrevivência do negócio nesta crise profunda que veio para ficar. Por outro lado, uma avestruz azul chama menos a atenção do que alguma pessoas com o cabelo mal pintado. Ou que não é bem mantido.

Para concluir, uma palavra de apreço aos corajosos(as). Às pessoas que pintam o cabelo em casa. Percebendo tanto de pintura do cabelo como de reprodução dos esporângios, é também este um motivo para umas francas e sonoras gargalhadas. Afinal, quem o faz em casa, consegue fazer "dois em um": pinta o cabelo branco e ainda consegue pintar o couro cabeludo. Tem a sua piada e é original!

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quarta-feira, outubro 26, 2011

Assaltos às caixas multibanco

Nos últimos tempos a esta parte tem-se ouvido falar muito em "assaltos" às caixas multibanco. Para mim, este tipo de crime, o que tem de "comum" tem de "inédito". Senão vejamos.

Quatro em cada cinco notícias publicadas sobre este tipo de ilegalidade deixa-me verdadeiramente surpreso. E um grande bocado preocupado, posso também avançar. Assalto, por definição do dicionário, é definido como sendo um "ataque súbito a alguém ou algo, em geral utilizando a força ou ameaças e com o objectivo de roubar". Já o roubo, ainda no mesmo dicionário, consiste em "acto ou efeito de roubar; subtracção ou imposição de entrega de coisa móvel alheia, com ilegítima intenção de apropriação, cometida com violência ou ameaça". Do atrás percebe-se portanto a minha (legítima) consternação.

Estamos perante um novo tipo de ilícito. Afinal, e segundo o que é publicado, são as pobres (literalmente) caixas multibanco que são "subitamente violentadas" com o firme e claro objectivo de verem ser roubado o seu valioso conteúdo. Sem hipótese de contestação, sem poder ser pedido pedir mais meiguice ou um jeito para ser mantida a fachada do prédio onde estão embutidas....

Desde a utilização de jipes, carrinhas, botijas de gás (técnica que tem vindo a ser aprimorada), tudo serve para causar estragos avultados e, claro está, permitir a consecução do crime e em alguns casos, fazer com a que a caixa multibanco vá arrastada pela estrada fora. 

Ou seja, assiste-se a um verdadeiro "dois em um". Assalto e roubo às caixas multibanco!!

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terça-feira, outubro 25, 2011

Rescisões

Sempre se ouviu falar das rescisões. Rescisão, por definição, é a anulação de um contrato de trabalho. E pode acontecer uma de duas situações: rescisão amigável ou rescisão não amigável.

No mundo ideal todas as rescisões deviam ser amigáveis. Era mesmo excelente. Ganharia o trabalhador,  que levaria para casa o produto equivalente aos anos de trabalho e o seu vencimento mensal. É lógico há 900 anos atrás, em altura de "vacas gordas" esse montante era suficientemente aliciante para que o trabalhador pensasse em mudar-se de armas e bagagens para as Maldivas para beber "mojitos" e procriar qual mamífero orelhudo com os incisivos centrais do tamanho de raquetes de ténis. E claro, nunca mais na sua desafogada vida pensasse em pedir "trocos" à empresa. Durante a actual encarnação e as próximas cinco.

Acontece que as coisas mudaram. O que era realidade há uns anos atrás, hoje em dia, e infelizmente, não o é. Até o pequeno mamífero anda com a seu "nome na lama"... Fruto da crise. E naturalmente da falta de moral para fazer o que quer que seja. No antigamente, por altura do tão desejado e esperado cálculo das rescisões amigáveis, era tido em consideração o melhor vencimento desse trabalhador, bem como outras variáveis necessárias. O resultado final, como referi anteriormente, era suficientemente "generoso" para que o trabalhador não precisasse da reunião familiar para decidir se era o momento certo para "ir para casa" gozar os rendimentos. Hoje em dia não é assim.

Hoje em dia não há rescisões amigáveis. Há rescisões compulsivas. A um ritmo de fecho de 10 empresas por dia, é natural que o número de processos de insolvência que dá entrada nos tribunais seja superior ao número de peregrinos que ruma a Fátima por altura do 13 de Maio. Quando assim é, (e é deliberada judicialmente a insolvência), o processo de indemnização dos trabalhadores é moroso. Aliás, em primeiro lugar há outras partes interessadas - nomeadamente as que terão a haver mais dinheiros (accionistas e Fornecedores). E assim sendo, pessoas que descontaram durante séculos, vêem-se de um momento para o outro sem rumo. O que poderá assumir contornos muito preocupantes em idades a partir dos 40 anos...

Em empresas com a chamada "visão" e que se pautam pela seriedade há lugar para, em tempo devido, ter lugar uma explicação dos acontecimentos aos trabalhadores por parte da Administração. Seja qual for a forma. Escrita ou em plenário. Explicar a sequência de acontecimentos que se sucedem não é vergonha para ninguém e ajuda as pessoas a perceberem aquilo com que podem contar. 

Quando não há mais volta a dar, surge a chamada para ir ao gabinete dos Recursos Humanos (RH). Consigo imaginar o responsável dos recursos humanos consiga mostrar o seu melhor sorriso condescendente e preocupado com aquele tipo que tem à sua frente, que nunca viu na vida e cujo nome sabe porque está escrito numa lista como um dos que irá receber uma quantia simbólica de rescisão. Consigo também perceber que há lugar à "mise-en-scène" do tal clássico papel que surge misteriosamente de uma pasta ao lado da mesa e que é colocado com as letras para baixo em cima da mesa. O "coelho sai da cartola" quando é avançado o valor que irá ser pago, como reconhecimento dos 44 anos que aquele funcionário dedicou à empresa. E que feitas bem as contas, em vez da mudança para a tal ilha no Oceano Índico dá para ir passar um final de semana para dois nas termas do Carvalhal. Com direito ao extra (já na loucura) do banho escocês.

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segunda-feira, outubro 24, 2011

Testemunhas

Acho piada ao facto de testemunhar. A solenidade destes momentos obriga-me não raro a ter de morder a língua com toda a força para não me rir agarrado à barriga e gozar com as caras sérias das pessoas. Bem sei que é feio e falta de educação, mas também sei que nestas coisas não me consigo controlar. Infelizmente. Nota: Julgamentos e funerais são eventos óptimos para não ser convidado...
Já fui convidado a testemunhar em "juízo" algumas vezes. Não "com", mas sim "em". E mais, das vezes que fui a tribunal como testemunha, fiquei com imensas dores de cabeça. Afinal foi-me sempre pedido para o esforço imenso de me tentar situar temporalmente em alguma situações passada. Algumas delas com milénios de distância (morosidades processuais) e naturalmente pouca ou nenhuma possibilidade de lembrança. Claro que não me conseguia recordar. Principalmente naqueles processos no quais fui arrolado como testemunha...e havia a possibilidade de haver um veredicto final contra mim.

Para quem não liga nada a estas coisas das leis, é importante clarificar que as testemunhas têm um papel decisivo na evolução dos julgamentos. Preponderante, diria mesmo. Uma boa testemunha pode significar ganhar um processo. Daí ser necessária uma preparação forte, consolidada e à prova de qualquer tentativa de ridicularização por parte do advogado adversário. O que nem sempre é fácil. Quer seja o trabalhar na boa preparação, quer seja o "desmontar" uma testemunha que aprendeu bem a lição. Análise inversa terá lugar se não houver um bom "trabalho de casa" por parte do advogado da defesa ou se o advogado da acusação tiver decidido ir pagar uns copos na noite anterior com uma loiraça escaldante e aparecer na sala de audiências a tropeçar nas olheiras e com um hálito de bode.

Noutros países, a importância das testemunhas conduz ao desenvolvimento de programas estatais que visam garantir da integridade física (e sobrevivência) das mesmas. Não é à toa que muitos prédios em Itália têm ADN humano nos seus pilares. Ou que alguns carros explodem quando são ligados. Ou que algumas pessoas acordem de manhã com cabeças de cavalo na cama. O que têm todos estes curiosos episódios em comum? Tratarem-se de testemunhas que foram avisados para se esquecerem de alguns pormenores aquando dos seus testemunhos... Bem, em alguns casos bastou um único aviso...e uma bilhete de viagem..só de ida!

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domingo, outubro 23, 2011

Privatizações

Muito se tem falado de algumas importantes privatizações de empresas que terão lugar em breve e nas quais é conhecida uma significativa participação estatal. Para quem "só agora chegou" e não faz ideia do que é uma privatização, é simples. De forma muito simplificada, não é mais que um processo em que tem lugar a compra de uma empresa estatal (ou onde há uma representação expressiva de capital público) por parte de uma empresa privada (ou consórcio de empresas privadas). Em alguns casos, aquando da alienação do capital social há a alusão contratual ao interesse do Estado em alguns negócios. Ou seja, para certos negócios (em que esteja em causa o interesse nacional),  o Estado,  embora sem o poder de veto, (que teria se tivesse uma participação expressiva), exige ser notificado dos mesmos.

O que as privatizações de empresas têm de bom, têm de mau. Se por um lado há um encaixe de dinheiro "interessante" aquando da venda (que será tanto mais interessante quanto mais lucrativa for a empresa em causa). O mapa das privatizações pode ser planeado, pensado e a pouco e pouco executado. Contudo, na actual conjuntura sócio-económica, a sequência destas acções tem vindo a ser precipitada. Ou seja, o Estado precisa urgentemente de encaixar verba, por forma a dotar os seus cofres de aprovisionamento e para fazer face às várias situações de emergência que terá de fazer no curto / médio espaço de tempo. Por outro lado, e numa óptica meramente economicista, deixa de haver a necessidade de alocação de verba pública para empresas estatais cujo modelo de operação peca por obsoleto e nas para as quais a obtenção do lucro é algo que decorrerá num futuro incerto ou longínquo. Naturalmente que se poderia investir na modernização, dir-me-á o meu/minha caro(a) leitor(a) .Afirmativo. Mas os custos associados são demasiado avultados, e nenhum Governo se atreve a sugerir isso na Assembleia da República. Muito menos nesta altura.

O perigo das privatizações, e agora numa óptica sindicalista, tem que ver com uma máxima endeusada por alguns gestores: "É necessário executar o mesmo trabalho com menos pessoas." Por outro lado, há também gestores que conseguem ir mais longe: "É necessário produzir mais com menos pessoas". O advérbio em causa marca a diferença entre um gestor privado que quer garantir a sobrevivência da  sua empresa à custa do óbvio e expectável despedimento de trabalhadores da empresa adquirida e do outro gestor que quer o mesmo, mas com um incremento na produção.

A realidade de algumas empresas actualmente estatais e em breve privadas, aponta no sentido do defendido pelo segundo gestor. Ou seja, será necessário produzir mais com menos pessoas. Para tal, haverá uma "selecção natural" dos colaboradores mais aptos para enfrentar esta realidade. Em tempo de guerra não se limpa armas, reza o adágio popular, e os investidores estrangeiros exigirão aos trabalhadores portugueses o mesmo índice de produtividade registado nos seus países. O que configura, per se,  uma série de convulsões laborais, alimentadas e instigadas pelos sindicatos. 

Os portugueses não estão habituados a trabalhar com disciplina e rigor. Trabalham muitíssimo bem sob pressão. E isso, para alguns investidores estrangeiros não é forma de trabalhar. Além do mais serão estes últimos quem vai ditar as regras do jogo. E vai a jogo quem quiser...quem não quiser...conhece o caminho para a rua.

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sábado, outubro 22, 2011

Captura de Terroristas

Nos últimos tempos foram conhecidas duas importantes baixas no mundo do terrorismo. Supostamente. A questão, no meu entender, não passa pela mediatização à volta destes (felizes) acontecimentos. Passa sim pela falta de evidências. "Ver para crer" é uma máxima que se adequa perfeitamente.

Tenho em mim o péssimo defeito de gostar de saber o que "compro". Chego a ser irritantemente desconfiado. Gosto de conhecer e perceber bem os detalhes. Na impossibilidade de tocar, sentir ou mesmo presenciar, o trabalho de "venda" é substancialmente dificultado para quem me tenta convencer de algo. Daqui decorre de imediato que não "comprei" a captura, morte e "última homenagem" prestada em alto mar a um dos mais conhecidos terroristas do século. Vou mais longe. 

Acho oportuno que sejam conhecidas estas baixas no mundo terrorista a pouco tempo das eleições presidenciais norte-americanas. Teoria rebuscada? Não, não é. Se pensarmos nas centenas de milhões de dólares dos contribuintes americanos que foram gastos na caça ao homem, não será. É uma das possíveis justificações para que ultimamente tenham sido dadas a conhecer importantes "machadadas" no mundo do crime. Da mesma forma que será importante e reflexo de uma viragem na política belicista dos EUA. Falo da retirada dos 30.000 militares norte-americanos baseados no Iraque. É altura de começar a mostrar trabalho (ainda que como sempre, haja a lamentar a perda de várias vidas). E claro, a contenção. Só assim vejo legitimidade para alguém que é considerado o "homem mais poderoso do mundo" e que ultimamente tem partilhado a sua preocupação com as contas do "velho continente"..quando o seu país é efectivamente aquele ao qual está associado o maior despesismo. Sem controlo.

Quanto às últimas notícias acerca da morte do outro terrorista e ditador, também guardo as minhas reservas. É certo que há filmagens, mas infelizmente tenho algumas dúvidas. Para mim, são demasiado rápidas e pormenores como a "barba", as "vestes", acabam por ser comuns em países como a Líbia. Ou seja, o meu cepticismo está naturalmente em "modo on" e assim sendo, reservo-me ao direito de não acreditar nas notícias. Ou de manter o meu cepticismo, justificado por uma (e muito bem) consolidada mediatização.

Devo ser a única pessoa do mundo que não acredita que dois homens, tidos como os mentores de ataques terroristas e uma imensidão de barbáries tenham sido capturados. Ou tão facilmente capturados, como se tem dito. Dois homens, com inteligência para idealizar, preparar e mandar executar autênticos massacres, não deixariam em momento algum a segurança e o anonimato da sua localização ao acaso. Não faz sentido. 

Ou seja, para terminar, não está em causa que o combate ao terrorismo tenha sido eficaz. Está em causa o secretismo na divulgação das imagens de uma das capturas, e de filmagens confusas e distorcidas na outra. É a minha forma de ver as coisas.

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sexta-feira, outubro 21, 2011

Dramatizações

Desde muito cedo que conheço bem a questão das dramatizações. Porquê, como? De forma simples. Quando eu (ou o meu irmão) nos portávamos mal tínhamos uma conversa com o Sr. Polícia. Basicamente a minha mãe (combinada com o Sr. Polícia), dramatizava uma birra, tornando-a um homicídio massivo e crime punível com prisão até ao fim dos meus dias. Foram várias as vezes que estive para ir preso, por via de responder torto ou de não querer comer a horrorosa sopa de nabo. Ou mesmo o horrível bacalhau cozido.

Dramatizar, inteligentemente, pode ter um bom efeito. Em Portugal prevalece a ideia de quando as coisas estão bem, se deve "aliviar" o empenho, profissionalismo e dedicação. Fazendo jus à máxima "dormir à sombra da bananeira". Não posso discordar mais. Aliás, nunca foi (nem será) essa a minha perspectiva. Contudo, entendo que para algumas pessoas seja necessário um dramatismo das coisas para que sintam a responsabilidade e a necessidade premente de acção.

Por outro lado, o dramatizar excessivamente, numa sociedade como a nossa, não é bom. O alarmismo desnecessário e com uma série de acções associadas, em bom rigor, torna-se desnecessário e vertiginosamente perigoso. O actual momento em que estamos é propício a juízos de valor desse tipo. A profunda recessão económica e a resposta dada pelos grupos sindicais com a instigação das paralisações gerais. Questiono-me...será esta a melhor resposta para o actual momento? Em que os indicadores económicos apontam inequivocamente no sentido da retracção e apatia por parte dos investidores? Não me parece. Donde, a melhor forma de combate é mesmo o dramatismo.

Do acima, decorre que, no meu humilde entendimento, e antevendo algumas análises a médio prazo, as coisas não estarão tão más em Portugal como se tem vindo a dar conhecimento. Não estão boas, é certo, mas tem-se vindo a dramatizar alguns cenários para ver se há a indução da reactividade naqueles(as) que estão mais acomodados(as). É este o momento de reagir. E para isso torna-se necessário o recurso a todos os artifícios disponíveis. Incluindo o dramatismo.

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quinta-feira, outubro 20, 2011

O banana

Ainda hoje não consegui perceber o porquê da associação pejorativa entre esta tão deliciosa fruta e alguém que consegue assistir a algo sem marcar uma posição, emitir uma opinião ou agir de determinada forma quando tal seria desejável. Nota: O "género" é propositado, na medida em que este "mimo" é normalmente associado aos homens...

A explicação para a opção de não marcar uma posição, não emitir uma opinião ou mesmo o alhear-se voluntariamente de algo que lhe toca directamente pode ser o reflexo de uma de duas coisas: a) a voluntária e perpetuada permanência numa "zona de conforto" onde lhe é possível ficar de forma autista sem que ninguém o chateie ou b) uma clara falta de personalidade e uma natural apetência pela subjugação da vontade própria face a outras pessoas. Não só em termos profissionais como também em casa (ocorrem-me vários exemplos de casais que conheço onde tal acontece).

Talvez por ter um feitio antípoda e gostar de tudo claro e muito bem definido...para ontem, este tipo de pessoas me irrite tanto. Assistir à subjugação / submissão, a mudanças de opinião / vontades tem o dom de me fazer procurar rapidamente uma quina viva e bater com a testa até rachar a cabeça em duas metades. É inevitável que comece logo a sentir calor dentro de mim e vontade de dar um chapadão na cara para que o banana acorde e faça valer a sua vontade própria / opinião ou aja de determinada forma.

Lamentavelmente são vários os exemplos de bananas que conheço. Acabam por ser estes que a médio / longo prazo se tornam desinteressantes para quem têm ao lado...o que pode trazer dissabores...Ou não!

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quarta-feira, outubro 19, 2011

Comando da Televisão

A história do comando da televisão remonta ao tempo em que aconteceu a passagem das televisões a "preto e branco" para cores, como também, e mais importante, fosse possível qualquer afortunado(a) - com possibilidade económica para ter uma televisão com comando - e a partir do lugar onde estava comodamente sentado(a), como que com um passe mágico, trocasse o canal televisivo.

É lógico que esta "pequena magia" foi incessantemente explorada por mim durante largos meses, e para notório desespero e irritação das visitas lá de casa. Ou seja, obrigava as pessoas a acharem piada ao simples facto dos canais da televisão serem trocados sem que eu me tivesse de levantar para ir rodar um botão da televisão (nos dias que correm há televisões que nem sequer botões têm!). Lembro-me que houve algumas consequências...como o ir dormir mais cedo. Frequentemente.

Como "não há bela sem senão", o que o comando da televisão tem de prático (e confortável) tem de perigoso. Afinal, em vários lares (portugueses e não só), há autênticas "corridas" entre eles e elas para ver quem chega primeiro a casa. Reside aqui a explicação para muita gente sair mais cedo do trabalho. 

No caso de serem eles a chegar mais cedo, tal configura um agradável serão marcadamente desportivo. Futebol, rugby, ténis ou as cerca de duas horas de corridas de carros (que não raro entram pela madrugada dentro) são algumas das actividades desportivas que justificam as 3 facadas no cérebro que muitas mulheres já devem ter sentido vontade de dar em si mesmas. Já na óptica masculina, passar um serão a assistir serenamente a concursos onde "burras-de-estalo-não-sabem-o-nome-de-um-país-da-América-do-Sul", ou um qualquer outro programa de talentos de música ou de dança / ginástica onde uma irritante miúda de 4 anos consegue colocar a perna atrás do pescoço, consegue ser mais aflitivo e doloroso que dar uma martelada com toda a força no polegar ou acordar às duas da manhã e ir para a janela contar os carros brancos que passam na rua

Posto isto..o melhor é mesmo chegar a casa primeiro. Para "confiscar" o comando e passar um serão sereno e com boa disposição!

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terça-feira, outubro 18, 2011

Contribuições

Acho que nunca se falou tanto em contribuições como se tem falado ultimamente. Valha-nos o facto de vivermos num dos países diariamente parabenizado pelo facto de cumprir escrupulosamente o plano da austeridade. E que consegue ser mais rigoroso do que aquele que faz parte do memorando ratificado com a "troika.

O único sentimento que entendo ser normal neste momento é o de rejubilo. Porquê? Porque acho que quer eu, quer qualquer conterrâneo só se pode sentir bem por serem pedidas todos os dias mais contribuições. A última delas tem que ver com a recente descoberta de um "pequeno deslize" nas contas de um dos arquipélagos. Nada demais concerteza. Apenas o suficiente para que a retoma económica do País não aconteça em 2012 e seja "pontapeada" algures lá para a frente. Algures em 2013 ou até mais tarde. Agrada-me pensar nisto e de imaginar que seja uma realidade infelizmente sentida por qualquer cidadão português. Com alguma frequência ocorre-me que talvez devesse abrir os horizontes e pensar em abraçar mais dois ou três empregos para fazer face à tendencial escalada de preços e degradação acentuada da qualidade de vida (com a inevitável e natural perda do poder de compra).

Julgo que em vez de serem "pedidas" mais contribuições por quem manda neste País, devem ser criadas as condições / estímulos para que os investidores acreditem em Portugal e nele invistam. Tem de haver seriedade, assertividade e verticalidade nesta matéria. O que se constata é que de há mais de 3 anos a esta altura os grandes grupos económicos aguardam com alguma ansiedade onde "vão parar as modas". Enquanto isso investem em economias emergentes onde o retorno é garantido, ainda que possa ter lugar num médio / longo prazo.

Mais do que pedir aos portugueses mais e dolorosas contribuições, importa mostrar que também da parte do Estado é possível contribuir de forma a que a economia sofra o chamado "choque do desfibrilhador". Só assim será possível que se saia da queda vertiginosa em que estamos no presente momento e que em menos de nada conduzirá ao...colapso.

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segunda-feira, outubro 17, 2011

A água quente..

Tenho estado nestes últimos dias fora de Portugal. Como seria normal, alguns dos meus hábitos são alterados. Um deles é a questão do banho antes de sair do hotel. Se quando estou em casa faz sentido na minha cabeça tomar um duche rápido depois de tomar o pequeno-almoço e antes de fazer a barba (o duche quente abre os poros e evita que a minha cara fique tipo bife do acém), já quando estou em hotéis muda um pouco o figurino. Em primeiro lugar, há uma coisa chamada "horário" de pequeno-almoço, que como seria de esperar gosto de respeitar. Em segundo lugar, é para mim impensável ir tomar o pequeno-almoço com o cabelo qual "Don King". Em terceiro e último lugar, à hora da manhã a que costumo tomar o banho no hotel (antes do pequeno-almoço), o meu cérebro ainda está mergulhado num qualquer sonho profundo, pelo que, naturalmente não raciocino.

Na Irlanda (onde me encontro neste momento) e à semelhança do Reino Unido (se a memória não me trai), há um tipo de torneiras misturadoras (aquelas onde se selecciona a água quente ou fria) diferentes daquelas a que estou habituado. Acredito que qualquer irlandês (ou irlandesa) esteja apto para ingressar no curso de astronauta, porque me senti ridiculamente ignorante quando tomei a primeira vez banho neste hotel.

Acabado de sair da cama meti-me logo dentro da banheira. Rodei a maçaneta do lado esquerdo (encarnada - água quente), esperando que a mesma aqueça depressa - note-se que estão cerca de 7ºC de temperatura exterior nestes últimos dias. Que bom, a água aquece depressa e decidi então que era o momento ideal de misturar um pouco de água fria, rodando para tal um pouco a maçaneta do lado direito (azul - água fria).

Nesse momento tenho o chuveiro a deitar água a ferver (a água aqueceu demais) e tenho ainda a torneira que serve para encher a banheira (banhos de imersão) a jorrar água a ferver. Fiquei sem um bocado do meu couro cabeludo e ainda hoje não sinto as plantas dos pés de tão quente estava a água naquele dia. Melhor ainda...A banheira não parava de encher. Resultado: passou-me logo todo e qualquer estado de sonolência que subsistisse e tive de dar um salto da banheira até meio da casa-de-banho. Foi um momento único e que com muito carinho guardarei para o resto dos meus dias. Claro que tive de esperar que o caldo infernal que enchia a banheira se esvaísse pelo ralo. E pacientemente fiz o processo todo de novo. E novo salto até meio da casa-de-banho (até acho que foi um pouco mais, porque escorreguei neste segundo salto). Dois saltos na mesma manhã, antes das 0800H num hotel da Irlanda. Aposto com quem quiser que isto nunca mais vai acontecer a ninguém.

Timidamente comentei este episódio com um dos meus colegas hospedado no mesmo hotel. Intimamente esperei que tivesse uma banheira igual à minha no seu quarto. Não para ir tomar banho ao quarto dele, mas sim para me explicar, já que consegui a mim mesmo provar ser limitado, como tomar banho sem necessariamente ter de ficar sem pêlos no corpo e quase destituído da capacidade de locomoção em virtude de ter queimado as plantas dos pés. Ninguém queima as plantas do pés!

Percebi na conversa que quando rodava as maçanetas estava a ligar tudo aquilo a que tenho direito. Água quente, água fria, torneira da banheira e chuveiro. O débito de água que saía da torneira e chuveiro era tão grande que a banheira enchia muito rápido - daí as queimaduras nos pés. Lá percebi que não é necessário mexer-se nas maçanetas (quando sempre tomo banho há décadas rodando maçanetas) e apenas, na Irlanda e nas terras de "Her Majesty" se mexe na roda grande (ver foto). Controla-se o débito da água e o quão quente queremos a água (tem um regulador) que faz as vezes da maçanetas misturadoras...O que aprendi!

E passei a tomar bons e relaxantes duches matinais. Sem me queimar..

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domingo, outubro 16, 2011

Poesia

Remonta ao século passado a minha aprendizagem acerca da diferença entre a poesia e a prosa. Daquele tipo de diferença que se aprende nas carteiras da escola. Talvez por não me ter muito estimulado o gosto pela poesia na escola primária, tenho de admitir que dediquei mais tempo e subsequentemente interesse ao outro tipo de escrita. Ou seja, infelizmente não sou um amante de estrofes, versos, rimas, estribilhos, ritmos ou encadeamentos.

Ainda assim, e agora que penso nisto com mais calma, tenho de admitir que me agrada ouvir poesia declamada. Gosto mesmo. Dá-me tranquilidade de espírito e quando a voz que declama é articulada, as palavras são bem pronunciadas e há uma boa entoação, tudo soa muito bem.E não faço a destrinça entre homem e mulher. Assim a voz seja boa, tenho prazer.

Por último, e no que me apraz dizer, acredito que tal como na prosa, a poesia é tanto mais interessante e rica em adjectivação / géneros linguísticos, quanto maior for a imaginação do poeta ou poetisa.

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sábado, outubro 15, 2011

Ursos

Há coisa de dois ou três dias atrás vi na televisão um desses documentários sobre vida animal. Desde o primeiro minuto que me interessou, como aliás acontece sempre. Tratava-se de um documentário narrado na primeira pessoa, de alguém que tinha dedicado grande parte da sua vida ao estudo dos ursos que habitam numa determinada região da América do Norte. O entusiasta e estudioso da espécie contava seguramente mais de 80 anos de idade. Movia-se com maior e invejável agilidade que aqui o escriba e tinha dedicado mais de 20 anos ao estudo do urso. Neste caso uma ursa fêmea.

No documentário percebi que esta ursa era prevaricadora. Teve duas ninhadas (cerca de dois anos filmagens para a realização do documentário), sem que em momento algum se tenha visto quem era(m) o(s) urso(s) felizardo(s) e que tinha(m) contribuído com as "sementes". Talvez fosse um urso "vip" que preferiu manter o anonimato. Nota: Há aliás vários "ursos" que procedem de igual forma, não fazendo parte do reino animal... preferem manter o anonimato e ir vivendo "amantizados". E mantêm a ursa..perdão...legítima mulher em casa a cuidar dos filhos(as). Adiante...

Voltando à "June", a tal mãe ursa. O documentário focou em especial uma das ninhadas constituída por 3 crias. Creio não ser difícil imaginar um urso de peluche. Da mesma forma não será complicado imaginar um urso real com pouca idade e chega-se com facilidade a uma imagem terna. Até um coração de pedra amolece ao ver este quadro familiar engraçado, da ursa com os filhotes. O tal ancião, a dada altura, colocou um emissor de sinais rádio no pescoço de um dos ursos pequenos, por forma a ser possível localizá-lo em caso do mesmo decidir ir investigar "outras paisagens". É engraçado ver o urso pequeno com o tal localizador (quase maior que ele) e depois assistir ao seu crescimento.

Uma das situações que me deixa um pouco angustiado quando vejo estes documentários é o facto de criar laços afectivos com os bichos. É verdade. Gostei logo da June (ainda que não fosse certa daquela sua cabeça) e gostei muito das suas crias (com toda a certeza de progenitores diferentes). Não me recordo do nome deles, sou sincero, mas não tinha problemas em levar um para minha casa. Aliás, já pensei em roubar o urso de uma conhecida rede de lojas que há nas grandes superfícies comerciais. Só para lhe fazer festas na barriga. A minha angústia, e voltando a falar a sério,  tem que ver com a ordem natural das coisas. Ou com a interferência do "bicho homem" na cadeia alimentar. E quando assim é...a mãe natureza nada pode fazer. 

Há três situações que decorrem destes documentários: uma delas a vontade de alguém em estudar uma espécie em vias de extinção, sendo que para tal dedicou quase um quarto da sua vida. Acho louvável. Outra realidade, o facto de ser muito verdade a máxima de "Deus dá, Deus tira". Uma das crias morreu com o alojamento de uma bactéria mortífera no estômago. Por último, a caça desta espécie. Como se sabe, nesta região do mundo é frequente haver a caça do urso. E claro. Acontece o pior. A dada altura uma das crias é abatida por um caçador e como sempre custou-me um bocado (grande) a vê-la a ser arrastada pelo mesmo para cima de uma pick-up.

Sobreviveu a June e uma das crias, que se percebe pelo decorrer do documentário que mais cedo ou mais tarde abandonará a mãe. É normal. O programa acaba com o estudioso a dizer que vai continuar a estudar os ursos, e que hoje em dia o período da temporada de caça diminuiu consideravelmente, o que per se reflecte um aumento da esperança média de vida dos ursos na América do Norte. Ah..e antes do derradeiro final do programa, percebe-se que a June está de novo grávida. Muito bom...

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sexta-feira, outubro 14, 2011

Cicatrizes

Sou uma daquelas pessoas que tem uma história para cada uma das cicatrizes que orgulhosamente ostenta no corpo. Não são muitas, é certo, mas são algumas e todas representam momentos em que naturalmente terei visto estrelas. Não tenho dúvida alguma.

Aparte do facto dos meus joelhos terem mais cicatrizes do que Portugal tem de políticos sérios, acho alguma piada quando hoje em dia observo estas marcas e me recordo das histórias que as originaram. É curioso identificar a ocorrência de uma maior parte das cicatrizes deste meu corpo de Adónis a uma determinada época do ano. Eu explico. Imagine-se o escriba há alguns anos, com t-shirt e calção a circular numa "bicla" brilhante e lustrosa, como não podia deixar de ser. Com alguma propriedade posso também partilhar que conheço de muito perto o meu tão querido alcatrão alentejano. Alias, região geográfica que certamente me conhece e bem, e onde deixei bastante do meu DNA dos joelhos e cotovelos.

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, imagine-se o tal alcatrão alentejano, em que não raro são obtidas temperaturas iguais às que se sentem exteriormente. Ou seja, de forma directa, os 40º Celsius de temperatura ambiente são os mesmos 40º Celsius no alcatrão, neste caso. Junte-se a esta equação o "factor" loiraça, ou factor "morenaça" ou "ruivaça" que ostenta trajes reduzidos típicos desta altura do ano. Para fechar com "chave de ouro", um bocado de areia ou água na estrada...e...pois é. Malho na certa. E não há nada melhor do que sentir o alcatrão quente colado aos joelhos / cotovelos. E o arrependimento próprio da adolescência de quem tem uma fúria de viver contínua. E de quem olha para onde não deve!

Moral da história: Quando se anda de bicicleta só se deve olhar em frente!

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quinta-feira, outubro 13, 2011

Recursos Judiciais

Já aqui falei do sistema judicial português por diversas vezes. Infelizmente, como tive oportunidade de referir aquando do meu conhecimento acerca do desfecho daquele que foi o mais moroso (e mediático) processo judicial português, deixei de acreditar na Justiça portuguesa. Na altura escrevi sobre isso e não vale a pena repetir-me muito mais sobre este tema.

Certamente que alguém com conhecimento ou mesmo estudioso(a) das Leis conhecerá melhor os meandros legais pelos quais passam os processos judiciais. Contudo, entendo não ser necessário ser licenciado em Direito para perceber a "festarola" que são os recursos judiciais. Interpor um recurso judicial, em alguns casos específicos, é como que atestar a preferência em pagar uma coima ou custo judicial (tendo em conta o ridiculamente baixo custo dos mesmos) em detrimento de cumprir a Lei. Passo a explicar.

O recurso judicial é necessário. Aplica-se quando uma decisão do Magistrado é contestada por aquele que se sente injustiçado. Até aqui faz todo o sentido. A qualquer pessoa assiste o direito de defesa. É um direito consagrado constitucionalmente, de resto. Nada de novo. A minha questão tem que ver com os sucessivos recursos judiciais interpostos naqueles que são os grandes processos. O resultado está à vista. A "entropia" no já de si caótico e medíocre sistema judicial e consequentemente a necessidade de mais tempo necessário para avaliação dos recursos. E claro, a consequência óbvia da prescrição do processo. Ou seja, acaba por compensar prevaricar.

Talvez não fosse má altura para se pensar numa alteração de várias regras judiciais. A possibilidade de recurso é sem dúvida legítima, mas o que tem de possibilidade de clarificação e da não atribuição de culpa a alguém, tem por outro lado o eventual alheamento da responsabilidade de alguém com culpa, na medida em que não raro acaba por ter lugar a prescrição do processo. Infelizmente. E não são tão poucos os exemplos...

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Fingimentos

São vários os tipos de fingimento. Tenho de admitir que tenho sérias dificuldades em conseguir fingir ou dissimular estados de espírito / sensações. Não é defeito, é mesmo feitio.

Desde o conseguir manter um sorriso amarelo dois dias depois de ter levado a maior "desanda da vida", passando pelo necessário esboço de um sorriso complacente com o/a acéfalo(a) que por distracção se enganou no troco do pão de Mafra ou ainda daquele doloroso caso do(a) adolescente que por via de estar a enviar um mensagem escrita no seu "telemóvel de última geração" perde o controlo do carro de compras indo o mesmo embater direitinho na nossa canela. Nestas situações, fingir não haver problema algum é tão provável como convencer um vegetariano que vá connosco a um rodízio de carnes.

Há "outro" tipo de fingimento. E que não tenho dúvidas que iria certamente apanhar surpresos muitos presunçosos e auto-intitulados "machos latinos". Porventura as coisas não serão "bem, bem" como possam os mesmos imaginar. E por vezes..."zangam-se as comadres e sabem-se as verdades"e ..afinal, aquelas "provas de amor bem audíveis no 15º andar lá do prédio" não eram bem verdadeiras. Fingimentos. Nota: Aparte do infeliz e certamente preocupante conhecimento da realidade, em alguns casos, este fingimento deveria ser  o mote orientador para uma inscrição surpresa no grupo coral da Paróquia lá do bairro....Não se perdia tudo.

Todos os dias lidamos com verdadeiros actores e actrizes. A vida é mesmo assim. Uma representação, e faz parte da mesma o fingimento. É pena que algumas pessoas não consigam entender onde começa e acaba o necessário e desejavelmente inofensivo fingimento. Opta-se não raro pelo fingimento que subsequentemente resulta em situações menos agradáveis ou nefastas para terceiros.

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Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...