sexta-feira, setembro 16, 2011

Arrependimento

Há poucas coisas das quais me arrependo. Nesses poucos casos, perfeitamente identificados, arrependo-me de não ter sido mais célere nas análises e de não ter tomado uma acção que me levasse a outro tipo de desfecho que não aqueles que houve em alguns casos.

Perco algum do meu tempo a pensar se algumas pessoas que conheço e que me magoam, fazendo-o deliberadamente, têm para si a noção clara do que é o arrependimento. Será que se arrependem? É uma questão que coloco a mim mesmo várias vezes. Em alguns casos tenho a certeza que sim. Não havendo um pedido directo de desculpa, há uma atitude ou gesto por parte dessas pessoas que alude a isso. Noutros casos não. O orgulho desmesurado ou a não capacitação de ter sido cometida alguma injustiça faz com que a visão da realidade esteja toldada e consequentemente não há lugar ao arrependimento. Não auguro bom futuro para estas pessoas. Acabarão tristes. Destituídas de bom senso e de valores morais nobres como é o do reconhecimento da culpa. E se há pessoas assim...

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quinta-feira, setembro 15, 2011

Fraudes Fiscais

Esta coisa das fraudes fiscais dá-me muito que pensar. Às vezes penso que quem consegue desviar muito dinheiro tem de ter invariavelmente duas coisas: inteligência e boa disposição. 

Se a inteligência a que me refiro acima qualquer pessoa percebe que é necessária, já a boa disposição acredito que não se chegue lá com facilidade. Eu ajudo. Sempre que vejo um desses corretores ou alguém que conseguiu desviar milhões de patacas de uma empresa (ou de vários clientes que nele confiaram) ser detido, invariavelmente vejo-os a rir-se com gosto. Convido quem lê este texto a estar atento às próximas notícias sobre fraudes fiscais e ajudar-me a tentar perceber qual é a razão dessa boa disposição. Talvez também me desse vontade de rir.

À semelhança do que acontece com vários "cromos" informáticos, também há um interesse por parte dos organismos estatais / privados em "recrutar" quem enriquece ilicitamente, ou à custa de bens de terceiros. Mais a mais, são esses "recrutas" os responsáveis pela detecção dos erros / lacunas que existem nos sistemas (que se querem seguros) e que falam a mesma língua de outros "colegas" de profissão a quem a Justiça ainda não deitou a mão.

Em todo o caso...quero descobrir de que se riem estas pessoas quando são detidas...!

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quarta-feira, setembro 14, 2011

O anonimato

É usual, quando somos crianças, e quando ainda não existe uma mente trabalhada (ou com responsabilidade), que exista uma série de brincadeiras idiotas que fazem todo o sentido recorrendo-se ao anonimato. Uma delas é clássico telefonema para casa de alguém perguntando se dá para encomendar uma pizza. Do outro lado a pessoa diz que se trata de engano, que é uma casa particular e não fazendo caso disso questiona-se se pode ser com massa fina e crocante ou se se pode colocar anchovas em vez de atum. Coisas desse estilo. Mais tarde, e mais "à séria", é a encomenda de uma pizza para uma morada qualquer e ainda melhor se for possível ver a cara de incredulidade da pessoa quando vem à porta. Entre outros tantos estúpidos exemplos clássicos que aqui podia dizer.

Por outro lado, quando se fala em anonimato na idade adulta, a situação assume contornos diferentes. A primeira questão é: Porquê o anonimato? Porque não quer ser reconhecido(a). Parece-me claro. Mas porque será que não quer ser conhecido(a)? Salvo situações muito específicas (e.g.: doações de grandes quantias monetárias, uma ajuda extraordinária a alguém por outro alguém que tem renome e poucas mais situações), usa-se o anonimato porque se tem algo a esconder. A identidade.  Donde, prefere-se a cobardia do anonimato.

É lamentável que algumas pessoas não conheçam a palavra "verticalidade". O ser "homenzinho / mulherzinha" para assumir determinadas posições. Aparte dessa falta de hombridade, o tempo que me toma algo anónimo é facilmente quantificável. Não é mais que uma milésima de segundo. À distância de uma chamada telefónica rejeitada no botão específico ou do botão de "delete" do computador. Tudo isto para quando não conheço a proveniência. Similarmente, é o tempo que entendo que é mais que suficiente para quem se esconde no anonimato.. Não podem ser pessoas sérias. E assim sendo, são tratadas como tal.

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terça-feira, setembro 13, 2011

Despreocupação Ambiental

Há algumas coisas que têm o dom de me deixar perplexo. A despreocupação ambiental vivida nos nossos dias é uma delas. Não será por ser licenciado em engenharia do ambiente que tenho uma consciência ambiental diferente daquela que terá um advogado ou um médico. Trata-se de uma consciência cívica, enquanto cidadão, enquanto habitante do Planeta Terra que, como se sabe, tem vindo a ser alvo de agressões severas ao longo das décadas.

Para mim, há um momento histórico em que tudo mudou. Passo a explicar. As palavras "Revolução Industrial" e "Preocupação Ambiental" não podem ser colocadas na mesma frase na medida em que "não simpatizam" entre si. Afinal, falar-se em revolução industrial ou industrialização e preocupação ambiental é algo que não tenho dúvida alguma que fará o mais calmo e sereno empresário suar das costas. É simples. A um desejável e vigoroso crescimento industrial de determinado sector de actividade económica (gerando maior produtividade e consequentemente maior riqueza), deve estar irmãmente associada uma consciência ambiental de compromisso, por parte de quem "abre os cordões à bolsa". O que não acontece.

Nos dias que correm, assiste-se com uma frequência assustadora à publicação de notícias que versam desastres ecológicos.  Ou desastres ambientais e que comprometem o ambiente. O que ainda consegui perceber muito bem é que tipo de responsabilização existe para um empresário que, com uma descarga de águas contaminadas produzidas na sua empresa, num curso de água local perto da mesma consegue dizimar espécies piscícolas e flora autóctones. Em paralelo, não são raras as histórias de empresas portuguesas que são fechadas com ordem judicial e cujos donos entendem continuar a laborar, assim que os inspectores ambientais e autoridades policiais viram costas. Ou seja, é preferível pagar as coimas previstas na Lei Portuguesa e despreocupadamente continuar a degradar o meio ambiente do que investir nos meios / infra-estruturas para evitar as coimas. Porquê? Porque existe despreocupação ambiental e porque os efeitos da negligência de hoje far-se-á sentir amanhã, nas gerações vindouras. O que lhes poderia custar uns milhares de euros (às vezes nem isso) no sentido de adoptar medidas "pró-ambiente" é facilmente considerado como "dinheiro deitado fora" e até ajuda na compra de um carro novo último modelo. É pena que prevaleça esta despreocupação. Mas o "dia do pagamento" chegará. Talvez não na geração destes "iluminados"...

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segunda-feira, setembro 12, 2011

Gastronomia Portuguesa

Anualmente tem lugar um concurso de gastronomia portuguesa. Para quem como eu é "bom garfo", é natural que siga este tipo de evento com particular interesse e....sempre "aguado".

Tenho a felicidade de conhecer vários tipos de gastronomia. Dos mais variados países. E constato que a portuguesa continua a "dar cartas" neste assunto. Pessoalmente, não encontro melhor. Poderá parecer um pensamento tendencioso, mas não é. A gastronomia portuguesa tem de interessante o que tem de variado. Desde os célebres "Rojões à Minhota", pelos tradicionais e seculares "Pastéis de Belém", pelo incontornável e nutritivo "Gaspacho" até ao delicioso "Bolo de Alfarroba" (regado com uma amadurecida aguardente de medronho), são vários os exemplos que poderia aqui adiantar por forma a evidenciar a inesgotável variedade de especialidades deste pequeno "rectângulo de terra".

Conclui-se logicamente que não podia deixar de apoiar e incentivar a realização destes concursos para eleição das 7 melhores iguarias gastronómicas. Qual  concurso para as 7 maravilhas do Mundo. Contudo, e como não podia deixar de ser, há algo que tenho a apontar como menos bom. Ainda que Portugal ganhe uma projecção muito significativa ao nível internacional e seja inquestionável a promoção do País em algo em que é notoriamente bom. O facto de ainda não ter sido convidado para fazer parte do júri. Tenho a certeza absoluta que faria um excelente trabalho. Dedicado. Empenhado e comprometido em dar o meu melhor nesta tarefa. Ao sabor de uma cataplana de tamboril ou de um delicioso ensopado de borrego...ou de um arroz de polvo à moda do Minho...ou das francesinhas...e por aí adiante.

Com tudo isto, é melhor ir andando porque já fiquei com fome!

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domingo, setembro 11, 2011

Macarena

Para quem não habita este mundo, "Macarena" é um fenómeno musical que infelizmente, e para mal dos meus pecados, foi um hit musical há alguns anos. Estamos a falar de uma música que deve ter estado presente nos "Top´s" musicais mundiais durante uns 3 anos seguidos. Atrevo-me a dizer que discoteca onde não passasse umas 9 vezes por noite esta música, não tinha um futuro promissor e não me admira nada que algumas tenham sido obrigadas a mudar de ramo de negócio, para algo mais calmo e tranquilo. Por exemplo, venda de novelos de lã ou leitura das palmas das mãos.

Mas não é tudo. E um mal nunca vem só. A música tinha uma coreografia associada. Perdi a conta das vezes que assisti com evidente incredulidade às figuras tristes que algumas pessoas faziam a dançar ao som desta música. Não há nada mais ridículo que um qualquer tipo notoriamente embriagado insistir em enturmar-se num grupo de mulheres e tentar" dar uma de engraçado", imitando-as na coreografia. Um elefante a andar num loja de cristais consegue ser mais harmonioso, acreditem.

Tenho muito medo destas músicas que são verdadeiros sucessos. Se já me farto rapidamente de outras coisas, as músicas que passam em contínuo na rádio têm o dom de me tornar irritadiço e não raro optar pela selecção de canais de música clássica ou da Igreja Evangélica. Sempre oiço algo agradável. Tudo isto assume contornos particularmente complexos quando há coreografias associadas....e sou obrigado a ver.

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Espírito de Equipa

O espírito de equipa é uma característica que devia ser obrigatoriamente integrante da personalidade de cada pessoa. Aliás, quem se provasse não a ter, devia ser colocado numa ilha deserta, onde passaria tanto tempo quanto fosse necessário para "se encontrar" e perceber que como viver em sociedade. E permitindo alhear-se compulsivamente do individualismo egocêntrico.

Sendo simpatizante da causa militar são inevitáveis as comparações ou analogias. Um pelotão tem de pensar e atacar como sendo "uno". Só assim será bem-sucedido e vitorioso. Que seria de soldado, por sua auto-iniciativa e vontade, entendendo que já estava há muito tempo escondido do inimigo, decidir ir sozinho adiantando trabalho e ir "limpando o sebo" a alguns soldados das tropas inimigas para ter tempo de ver o Benfica - Vitória de Setúbal.

Quem cumpriu o serviço militar e/ou em simultâneo frequentou a universidade sabe do que falo. Estas instituições são, por excelência, dois dos locais onde o espírito de equipa está (ou deverá estar) sempre presente. Daí a denominação de "camarada", no meio militar. Significa "amigo", "companheiro" de todas as horas, boas e más. Daí ser constante a inter-ajuda. A título de exemplo, em algumas provas físicas de grupo (e.g.: corrida), é usual designar um camarada que corre melhor como sendo a "lebre" (não é mais que alguém que correndo é escolhido pelos demais camaradas por forma a ser possível incutir e adequar um ritmo de corrida razoável e assim "puxar" pelo pelotão inteiro).

Na universidade experimentei sentimentos antípodas relativamente a este tão desejável espírito de equipa. Em concreto nas alturas em que precisava de apontamentos. Ou mesmo nos exames. Tendo sido dirigente associativo durante um par de anos, é natural que nem sempre houvesse compatibilidade do exercício das minhas responsabilidades académicas com o horário de algumas cadeiras. Como resultado, algumas vezes tive de faltar às aulas e consequentemente tinha de pedir para fotocopiar apontamentos. Ouvia nestes momentos únicos as desculpas mais descabidas que se possa imaginar. Desde pessoas que me diziam que não podiam emprestar porque tinham de ir estudar (sendo que as interpelava enquanto estavam em amena cavaqueira no café a beber umas jolas) ou a velha desculpa de que tinham uma letra horrível e que tinham de passar a limpo para depois emprestar. Esta desculpa tinha mesmo o dom de me deliciar, e fazia surgir em mim a vontade dar uma cabeçada com toda a força no visado(a) por estar a gozar deliberadamente comigo.

Outro momento engraçado era o da realização das provas escritas. Nunca fui pessoa de cabular, como já aqui tive oportunidade de referir num texto. Mas por vezes questionava algum colega em jeito de confirmação de alguma resposta onde tivesse alguma dúvida. E descobria nessas alturas que eram...surdos. Mesmo quando já em desespero de causa aumentava o tom de voz quase a ouvir-se o meu sussurro na sala de aulas ao lado. Impressionante. Já para não falar do clássico exemplo e que evidenciava bem o carácter da pessoa que era..terminar a prova e ir-se embora. Sempre me fez confusão. Então custava muito questionar à sua volta se alguém precisava de alguma coisa?

Infelizmente a falta do espírito de equipa é por mim experimentada no meu no dia-a-dia. Pior. Com pessoas das minhas relações e que em momento algum julguei que fossem individualistas. Como se costuma dizer, é quando se precisa que as pessoas mostram ser quem realmente são. E nem sempre de acordo com o que pensámos.

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Legítima Defesa

Gosto de partir para uma discussão munido de uma boa argumentação. Porquê? Porque acredito que qualquer  discussão é produtiva quando ambas as partes estão preparadas para habilmente esgrimir a sua argumentação. Aquela parte que o conseguir fazer melhor, será aquela que está mais bem preparada e consequentemente "sairá vencedora" da discussão.

Um dos temas que comummente vem à baila nos almoços que tenho com a rapaziada é sem dúvida o da legítima defesa. Aliás, é capaz de ser um dos temas que figura no cada vez mais selecto "Top 5" deste nosso grupo e do qual contam temas interessantes como sejam futebol (tema infelizmente recorrente), feitos históricos de algum dos presentes (aqui costumo dar cartas), carros e motas (como não podia deixar de ser) e mulheres. Não por esta ordem, obrigatoriamente. 

Voltando a este tão interessante tema. Fiquei a saber alguns factos curiosos da leitura de uma revista que cá tenho em casa. Imaginemos que aqui o escriba tinha uma ourivesaria. Na infelicidade de assistir à vandalização da mesma, da qual se pagam água e luz, é bom que tenha um pé-de-cabra por perto para partir nas costas de um dos assaltantes ou um "cavalo marinho" para dar na cabeça de outro dos cúmplices. Passo a explicar. À luz da Lei Portuguesa, é legítima defesa aqui o escriba bater no decurso de uma agressão actual. Ou seja, o que quer que tivesse de ser feito, teria de o ser tipo...quando se imaginasse que assaltante estava a olhar demasiado tempo para uma brilhante gargantilha ou para um antigo relógio de parede. Impedir o crime. É óbvio que o legislador deverá ter uma capacidade paranormal de perceber o que vai na cabeça dos outros. Mais, acredita que mais pessoas partilham deste dom. Simplificando, partir a coluna ao ladrão, ou fazer com o mesmo que ficasse sem dentes no maxilar superior, teria como único objectivo impedir o crime e tal não seria válido se o crime já tivesse sido consumado. Ou seja, é importante ser rápido nestas coisas e aqui percebo perfeitamente o ideia do legislador. Não perder muito tempo com avaliações desnecessárias. É importante saber antever o que pensa o ladrão. E dar-lhe logo uma valente porrada no lombo ou na cabeça. Só assim se pode alegar legítima defesa e evitar mais um crime.

Outro exemplo que me deixou deliciado foi o clássico da mulher que esfaqueia o marido. Fiquei a saber que a componente medo e os antecedentes de maus tratos servem de atenuantes. O que me deixa tranquilo e apaziguado. Isto já sabia. Embora o tribunal possa não considerar crime na verdadeira acepção da palavra, na medida em que o medo, justificado nestas situações, poderá dar azo a reacções violentas. Muito violentas. Posso aqui partilhar que já li alguma vezes que alguns maridos chegam a ficar sem o "instrumento", quando se vão deitar depois de discutirem com as mulheres. Confesso que fiquei algum tempo a meditar sobre este tipo de legítima defesa (não o facto de algumas mulheres cortarem algo). Lembrei-me, a título de exemplo, do hotel onde estive uma vez hospedado e onde acreditei que uma mulher estava a ser esfaqueada uns bons andares acima do meu (estando eu no 3º andar). Afinal não era mais do que.....prazer e loucura selvagem com o seu amigo entre 4 paredes. Segundo me disse o recepcionista e depois de me ter confidenciado que já tinha recebido algumas queixas de hóspedes do mesmo andar (14º andar, já podem ver os pulmões da menina). Não gabo a sorte dos vizinhos!! Mas fiquei a pensar, e se eu tivesse sido mais zeloso, e tivesse ido bater à porta para ver se estava tudo bem. Ou se tivesse tomado a iniciativa de chamar a polícia para lá ir comigo? Seria mau. Muito mau. Talvez se deixassem de ouvir aqueles gritos lancinantes que até hoje não me saem da cabeça...

Há uns dias atrás veio cá a casa um amigo da Família ajudar a carregar uns móveis. Dado que os móveis eram pesados fui dar uma mão. Para que o meu Paco não fugisse, e dado que tinha de voltar à rua para descarregar mais uns móveis, não fechei o portão. Apenas o deixei encostado. Passado algum tempo tocou a campainha cá de casa. Fui à janela e vi um senhor de idade provecta a levantar-se no meio do meu jardim. A limpar a terra que tinha na roupa. E disse-me que o "meu menino" o tinha atirado ao chão. Tive pena do senhor, pelo facto de ter caído, mas não lhe consegui pedir desculpa. Afinal entrou no meu terreno por engano e sem autorização.  E teve de se sujeitar às consequências. Se o Paco o tivesse magoado mais ainda, o meu raciocínio seria o mesmíssimo. Em momento algum poder-me-ia ser imputada qualquer culpa. Afinal foi legítima defesa. Do Paco.

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sexta-feira, setembro 09, 2011

Futurologia

Uma das qualidades que desconhecia em mim é a da premonição ou da futurologia, como preferirem. Tenho de confessar que me agrada. Particularmente quando o que penso que vai acontecer....acontece.

Desde há alguns tempos a esta parte percebo que o que penso que acontecerá...acontece. Não estou a dar uma de convencido ou de pretensioso. Estou apenas e só a partilhar que tenho tido "olho" para a coisa e que até tenho tido sorte em algumas premonições. Como consigo fazer isso? Fácil, caros e caras amigos. Amadurecimento. Os anos já vão pesando nesta "velha carcaça" e a experiência de vida adquirida vai sendo significativamente importante. E indelével, em alguns casos.

Concretizando um pouco para se perceber melhor do que falo. Sei, por exemplo, que a probabilidade que há em eu acertar na chave do euromilhões desta semana é a mesma que a do Bin Laden ter sido morto há poucos meses, no ataque efectuado à sua residência pelas tropas norte-americanas. Ou a mais que certa e continuada senda do actual Governo em continuar a mexer no bolso dos portugueses (para aqueles que ainda os têm) por forma a honrar os compromissos assumidos com a troika. Se dói? Dói. Mas consigo perceber este tipo de questões com algum distanciamento e alheamento. Como? Porque desde o início vi que o único caminho que o actual Governo poderia seguir, seria o do complicado e intrincado exercício da futurologia.

Só assim consigo entender que tenham sido anunciadas e implementadas uma série de medidas socialmente impopulares. Constato que os sindicatos, tipicamente aglutinadores de trabalhadores descontentes, não estão a ser bem-sucedidos nas convocatórias para as greves gerais. Porquê? Porque as pessoas começaram a ganhar consciência que o actual Executivo não está a fazer mais do que "aplicar-um-garrote-à-hemorragia" em que o anterior Executivo deixou o País. E ainda que seja avançada pelos próprios sindicatos a "simpática-e-desejável-adesão-em-massa",  não tenho dúvidas que os números efectivos, não espelham essa realidade.  A onda caracterizada pela crispação e contestação social é menor. E assim continuará a ser. E temos actualmente um Executivo que pratica um governo de "gestão". De circunscrição do prejuízo. E de minimização dos danos.

É com pena que realizo que este exercício simples de futurologia deveria ter sido realizado há alguns anos. E não da forma como acabou por ser feito. Não com tanto sacrifício para algumas famílias que não têm mais "furos no cinto". Ou mesmo os próprios dos "cintos". E o pior está para vir.

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quarta-feira, setembro 07, 2011

Salários em Atraso

O tema de hoje é um daqueles temas especiais. Apenas me é dada a possibilidade de efectuar um exercício de mera e pura imaginação, fantasiando como será experimentar a privação do meu tão querido e esperado vencimento mensal.

Já lá vão alguns anos que integro essa massa de trabalhadores que árdua e zelosamente contribuem para o enriquecimento dos cofres de Estado. Aliás, é preocupante assistir-se à tendencial e preocupante escalada da taxa contributiva em alguns escalões do IRS. Como já aqui referi noutra reflexão, defendo que deveria haver uma taxação das grandes riquezas (proporcionalmente) e em tudo semelhante à que já é praticada na sacrificada classe média.

Com a expectativa de um último (ou nem por isso) "fôlego" ou de um "balão de oxigénio", são cada vez mais as empresas que têm vindo a declarar a tão em voga "insolvência". Alegam que não têm dinheiro para pagar aos Fornecedores, que há várias contas por pagar e claro, ameaçam com o não pagamento dos salários dos trabalhadores. Desconfio que quando algum desses empresários vai ao seu banco pedir mais um empréstimo, não espera outra coisa que não seja, mais uma vez,  que o mesmo lhe seja emprestado, qual "paizinho". É um dos grandes erros que existe em Portugal. Durante décadas existiram linhas de créditos específicas, com taxas de juro aliciantes e continuamente viabilizadas pela banca. Criou-se o péssimo hábito de sempre que necessário recorrer-se à banca. E os empréstimos mais recentes financiavam / pagavam os empréstimos mais antigos. Nos dias que correm, tal deixou de ser possível. Ou por outra, continua a ser possível, mas com taxas de juro obscenas.

A questão que se coloca, na minha humilde opinião, passa por não ter dúvida alguma hoje em dia é fácil a um empresário ir ao seu banco pedir mais um empréstimo. Ou melhor...é um pouco mais complicado, porque o "custo do dinheiro" é mais alto, mas ninguém no seu juízo perfeito vai negar a emprestar dinheiro, ou seja, conceder um empréstimo. A questão é que hoje em dia já vai havendo alguma consciência e não se vai ao banco pedir dinheiro "para aquelas obras que se pensaram há 7 anos e que agora são possíveis" quando afinal se gasta o mesmo na compra de uma carrinha do modelo mais recente de qualquer marca bávara de automóveis....

No meio destas "andanças" todas, há alguém que precisa de "pôr o pão na mesa". Aquelas pessoas que têm de pagar a escola dos filhos (ou os 900 livros escolares que os miúdos necessitam todos os anos) e por aí adiante. E começa a falta de respeito. O egoísmo. A mentalidade provinciana e ultrapassada de alguns empresários desde País. Por culpa da ingerência das empresas, o dinheiro acaba por "ser curto" para "comprar-as-carrinhas-do-último-modelo-daquela-marca-alemã-espectacular-para-todos-os-sócios-ou-Administradores" e claro...para os vencimentos que têm de fazer autênticas "obras de engenharia financeira" para que o "dinheiro estique" no final do mês. São muitos, cada vez mais, mas também são o "elo mais fraco". E que rapidamente ficam sem nada se reivindicarem muito.

Já aqui tinha aflorado esta questão. É habitual dar comigo a pensar que futuro podem augurar estas pessoas com 50 anos de idade e alguns casos quase 40 anos de trabalho na mesma empresa. Uma vida de trabalho. E de um momento para outro, se as condições de vida já eram deficitárias...mais complicadas ficam quando o dia do pagamento do vencimento "começa a derrapar". Depois a falhar pontualmente. Até que os intervalos de pagamento tornam-se mais longos....até que deixa de haver dinheiro para pagar vencimentos. Daqui às greves e à crispação dos trabalhadores...é um pequeno passo. Muito pequeno.

Infelizmente acredito que a realidade que vivemos actualmente vá piorar substancialmente. E dentro de muito pouco tempo. Com a cada vez maior pressão dos países mais ricos (que que têm peso na decisão da atribuição de fundos aos países mais necessitados), estes últimos terão de mostrar trabalho e a adopção das medidas que da austeridade acordadas no "tal" memorando... A produtividade tem de aumentar. Um dos indicadores mais importantes relativo à saúde financeira de um País (o PIB) têm de sair do "lodo" em que se encontra. Ganhar novo fulgor. À custa de um aumento forte da receita e da diminuição drástica (ou corte) da despesa. 

O problema é que esta equação simples reveste-se de uma complexa aplicabilidade. Como tal, o resultado da mesma não poderá ser bom. E quem acaba por se dar mal são sempre os mesmos. Os que mais necessitam.

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terça-feira, setembro 06, 2011

Imposto Fast Food

Fiquei agradavelmente surpreso pelo facto de ontem ter sido sugerida a criação de um imposto para a "alimentação de plástico", ou "comida de lixo" (tradução do inglês junk food) ou também conhecida como fast food. Tranquilizou-me muito saber que há alguém que está de "olho bem aberto" relativamente ao flagelo português e que é a obesidade. Segundo os últimos números reflectidos no Inquérito Nacional de Saúde (realizado entre 2005 e 2006) foi notória a subida face ao anterior Inquérito (1998/1999). Constatou-se  o aumento da obesidade masculina em cerca de de 30,7 % e de 16,3 % no que toca ao sexo feminino. Em ambos os casos na faixa etária dos 55 aos 64 anos. Na minha opinião tratam-se de aumentos que importa reter e que têm como consequência imediata uma afectação de 23,4% da população (ambos os secos) na faixa etária acima referida. Os números não enganam.

Por outro lado, na mesma notícia, foi também avançada a questão dos "cortes" nos subsídios atribuídos ao Ministério da Saúde. Mais um compromisso assumido pelo Governo e no seguimento do pacote de medidas de austeridade a que se obrigou dar continuidade. Sugerir uma importante medida como é esta, da criação do tal imposto para a taxação da "comida de lixo" ( na óptica de ajudar a melhorar os hábitos alimentares dos portugueses) e referindo en passant  que também vão haver cortes lá no Ministério...cheira a queixinhas. Trata-se do aproveitamento do momento: "Ah-e-tal-defendo-que-as-pizzas-daquela-massa-alta-e-fofa-deve-ter-um-imposto-acrescido-porque-faz-mal-à-saúde-e-até-pode-causar-a-obesidade. Ah-já-agora-aproveito-o-momento-para-dizer-que-me-lembrei-há-instantes-que-o-Governo-anunciou-a-semana-passada-cortes-nos-subsídios-atribuídos-ao-Ministério". Não faz sentido. Há momentos e locais para que este tipo de contestação, e não necessariamente aquando da divulgação deste tipo de notícia.

Para terminar, fiquei a pensar nesta sugestão avançada ontem para o tal imposto. Cheguei a uma conclusão. É muito provável que para os alimentos saudáveis (e.g.: espinafre, nabos, tomates, cenouras, feijão verde, batata doce, beterraba, etc.) venha também a ser sugerido o decréscimo do IVA ou mesmo a sua abolição. Afinal são alimentos que fazem bem e que contribuem para a erradicação da obesidade que tantos portugueses afecta. Aguardarei com expectativa esse tão importante anúncio. 

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segunda-feira, setembro 05, 2011

Recomeço do Ginásio

Depois de vários anos sem a prática regular de uma actividade física, resolvi a semana passada voltar a um ginásio. Em concreto à prática da musculação. Em abono da verdade devo confessar que não é inteiramente verídica a minha afirmação da inexistência da prática desportiva nos últimos anos. O que acontece é que se tem aplicado a terceira Lei de Murphy que advoga que tudo o que poderá correr mal correrá. E no meu caso aplica-se sempre. Sou o exemplo vivo dessa dessa Lei no que toca à prática do desporto. Inscrevo-me e passados alguns meses, ainda que tenha uma imensa e óbvia força de vontade na regular prática desportiva, arranjo uma lesão daquelas que me faz interromper repentinamente a tal actividade.

Decidi, como referi acima, optar pela prática da musculação. Até aqui sem grande novidade. Mais a mais há muitos anos atrás "fiz ginásio", em paralelo com a prática de uma arte marcial e pensei, ingenuamente, que a adaptação fosse relativamente fácil. E aqui começa a minha reflexão de hoje...

Optei por um ginásio perto de casa e um pouco "à margem" da escolha óbvia por um qualquer ginásio dessa famosa cadeia de ginásios distribuídos pela cidade de Lisboa (e arredores) e que tem por nome o apelido de um conhecido detective britânico. À semelhança de tantas outras coisas, paga-se (e bem) o nome, e como tal, decidi experimentar durante uns tempos esta minha solução de recurso, em tempo de crise, e em detrimento de quase gastar o subsídio de Natal (que este ano o Governo entende que não devo ter) aquando do pagamento da primeira mensalidade, jóia e seguro para a prática da modalidade. Ah, ainda do aluguer da toalha...

Há alguns anos que não entrava num ginásio. A primeira imagem é aquela que fica, diz o povo e não posso deixar de concordar. Percebi também, e rapidamente, o porquê de ter pago um valor cerca de 9 vezes inferior ao valor que pagaria num desses ginásios "com status". Não existem muitas sensações as náuseas que senti ao chegar ao ginásio. Tive de me agarrar rapidamente ao vão das escadas, tal não era intenso o cheiro a "panelão-de-refogado-de-cebola-acabadinho-de-cozinhar-ali-no-meio-da-sala". Enfim, transpiração. Primeiro estranha-se, e depois...habitua-se. Quem frequenta este tipo de local tem de estar natural e obviamente preparado(a) mentalmente para estas eventualidades. É claro que já não me recordava destes pequenos detalhes. Ou de outros pequenos detalhes como o ser brindado com a possibilidade de observar o fenómeno físico de levantamento das barras de supino que vergam de tanto peso que têm colocadas (as "bolachas", na gíria do ginásio, que não são mais que os discos que se metem em cada um dos lados). Ah, e cujos "atletas" têm de grossura de braço o que eu tenho de perna.

Reconheço que ao longo dos tempos tem sido uma constante a falha de comunicação entre mim e os instrutores de musculação. Não se trata de não falarmos ou de eu não entender o que me é dito pelos mesmos. A questão é que na minha cabeça "tenho uma voz" que me diz que devo e posso fazer mais repetições do que me são ditas para fazer e não raro com mais peso. Dá-me gozo sentir os músculos a trabalhar. Talvez resida aqui a razão pela qual por vezes a prática da actividade desportiva seja abruptamente interrompida em consequência do aparecimento de alguma daquelas lesões musculares inesperadas. Ou por outra, talvez pelo facto de ainda não ter ganho a consciência das naturais alterações no meu corpo....de há uns bons anos a esta parte. E o que era há uns anos, não é uma verdade hoje. Tenho tempo para interiorizar isto.

Tenho levado esta questão muito a sério. Posso também adiantar que já vivi a minha conhecida sensação de preguiça. E certamente tão conhecida de tanta gente que começa a treinar. Explicando melhor, depois de um dia de trabalho e com o calor que se tem feito sentir nesta semana (depois de na minha última semana de minhas férias ter chovidos diariamente) apetece-me tanto ir para o ginásio "puxar pelo cabedal" como de participar na Convenção da Fé da Igreja Maná ali de Alvalade. Onde tenho a certeza absoluta que iria ouvir que ao homem é concedida a possibilidade de fazer o possível e a Deus a benesse de fazer o impossível. Fico imensamente sensibilizado com estas tiradas.

Não me alongarei muito mais neste texto. Para já, e até ver, com dois treinos, tem tudo corrido bem. É certo que já sinto alguns músculos doridos, que por sinal pensei que não existissem. Mas faz parte do processo. Se poderia ser diferente? Poder podia..não tinha era tanta piada!

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domingo, setembro 04, 2011

Demissões

Escrevo estas linhas depois de na última semana terem sido conhecidas mais algumas demissões. De pessoas que zangadas com algumas medidas impopulares que estão a ser corajosamente tomadas pelo novo Executivo, quiseram assumir uma posição de fractura e "bateram a porta".

Acho muito bem que as pessoas se demitam. Até se deviam demitir mais. Só faz falta quem cá esta, lá diz o adágio popular. Tenho mesmo muita pena que não haja mais demissões. Talvez a situação não tivesse chegado onde chegou, e talvez Portugal vivesse uma outra situação mais confortável. Passo a explicar o meu ponto de vista...

Um dos grandes problemas que se coloca, aquando da contratação de alguém para ocupar determinado cargo, acaba por ser um recrutamento deficiente. Como causas prováveis para esta lacuna, a montante, estão vários factores conhecidos: a urgência e interesse na ocupação de um lugar que ficou repentinamente vago, a falta de transparência num concurso que aparece num dia e...desaparece volvidas algumas horas e a falta de análise dos currículos dos candidatos, como quem diz, as "cunhas", entre outras.

Como em tudo na vida, é importante equacionar sempre os imponderáveis... Mesmo para quem ache que faz as coisas muito certo e que todos as outras pessoas devem alguma coisa à inteligência..É um erro subestimar a inteligência dos outros. O que quero dizer, com isto, é que mais cedo ou mais tarde, "no melhor pano cai a nódoa". E o pior é conhecido por todos nós. O descrédito de alguém. E é nessas alturas que, em alguns casos, se opta pelo jogo da vitimização antes que seja descoberto "rabo do gato escondido" e as pessoas demitem-se. Pena é que entretanto, e não raro, já tenham feito muito mal. E por vezes interferindo com terceiros. O que não deixa de ser lamentável.

Espero que as pessoas que se demitem, e para as quais se prove que negligenciaram deliberadamente as suas responsabilidades, sejam exemplarmente punidas. É disso que o País precisa. Punições exemplares. Castigos inéditos. É isso que hoje em dia faz falta. Para ver se Portugal se "endireita". Até lá...continuem a "fazer-birrinha-e-vão-para-a-casa-da-Mamã"e demitam-.se. Todos.

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sábado, setembro 03, 2011

A Casa Assombrada

Há umas semanas atrás li uma daquelas notícias que me fez ficar extremamente ansioso. Agradavelmente ansioso, devo dizer. Passo a explicar. Era noticiado que um teatro promovia visitas a uma casa assombrada na zona de Alcântara.

Acto reflexo, fechei a porta do escritório e li cerca de 10 vezes esta "pérola" jornalística que encontrei numa das minhas várias "deambulações" neste mundo imenso que é a internet. E que consubstanciava algo que há tanto tempo desejo. Um encontro com o além. Mas não era tudo. Parece que o cão deste grupo (que conduzia as visitas) não subia ao 2º andar da tal casa. Não percebi se o bicho teria medo de lá ir ou se estaria treinado para não subir, e assim sugestionar ainda mais algumas das amedrontadas mentes mais susceptíveis de serem impressionadas.."Ah e tal, o cão não sobe porque os animais pressentem estas coisas e não raro começa a uivar encostado às escadas". Confesso que gosto deste tipo de coisas. Imaginei logo o guia a dizer isto com uma lanterna a apontar para a boca. Uau, que medo! Ocorreu-me a ideia (se tal fosse possível) de levar o meu 4 patas . E em menos de nada desmontar a cabala toda. Aliás, se bem conheço a peça, a "sua" visita começaria exactamente por aí. Pelo 2º andar. E mais.. com a loucura que tem dentro de si e a ânsia que tem (e faz questão de mostrar) quando salta para cima das pessoas, em menos de nada todos os fantasmas estariam estatelados no chão. Linda cena.

A cada linha do artigo o meu interesse era maior. A minha mente procurava desesperadamente em cada linha um número de telefone ou um endereço de correio electrónico para ser tornado possível o agendamento de visitas semanais a esta casa. Afinal, esta era uma oportunidade única para com regularidade privar com fantasmas.

O que senti de entusiasmo inicial senti de desilusão passados 2 minutos. Aquando da minha visita da página online do tal teatro. Realizei que tenho de pensar um rumar à Escócia em breve (onde há esta moda das casas assombradas perfeitamente enraizada). A razão é simples. É que as tais visitas à tal  casa assombrada foram abruptamente canceladas, a pedido do proprietário da mesma. Aparte da ausência de enquadramento legal para este tipo de exploração de negócio - e que terá sido avançada como razão para o cancelamento, desconfio que há "algo" mais. Eventualmente uma conversa "de-pé-de-orelha" com alguma alma do além onde terão dado conta de se sentirem incomodados com tantas visitas. Ou cansados de estarem sempre a assombrar. Espero que seja uma interrupção temporária, e apenas circunscrito aos meses das férias. E que com o início do ano, tudo volte à normalidade.

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sexta-feira, setembro 02, 2011

Estados de Espírito

São vários os estados de espírito que experimentamos nos nossos quotidianos. Cada momento, cada situação, corresponderá um estado de espírito diferente. Uns bons, uns menos bons.

Este vosso escriba é o exemplo vivo do quão diferentes podem ser os estados de espírito de alguém ao longo de um dia. Começo logo o dia com o meu mau humor que quem comigo priva tão bem conhece. É já intrínseco. No dia em que acordar bem disposto algum mal estará para vir ao mundo. Passando mais tarde por um período de bom humor, "balizado" do meio da manhã até meio da tarde. Curto, é certo, mas de genuíno bom humor. Mais tarde, tipo final do dia, mais cansado, sei que conto com regresso do mau humor até...bem, aí dependerá do programa que tiver em mente. Se for mais uma daquelas entediantes e morosas reuniões de condomínio depois do jantar (em que tenho de estar presente de vez em quando para o sorteio do lugar da garagem)...ninguém me atura. Nessa altura detesto tudo e todos e digo muito mal da minha vida. Aliás, já consegui uma vez o feito singular de contar (para dentro, claro ) até 560 em 3 línguas diferentes. Para me controlar e não explodir naqueles momentos em que são alimentadas as tão habituais conversas estéreis e desenquadradas. Foi muito giro até porque com o esforço mental comecei a ver tudo turvo e tive de me apoiar na parede (estava de pé). Se por outro lado tiver algo combinado, com alguém simpático e sem barba e sem pelos nas costas, tanto melhor. Um programa agradável com companhia agradável, portanto..E aí as coisas funcionam de outra forma. Chamo a isto "invocar" o bom humor recorrendo a um revigorante duche.

Acho bestial que haja alguém que consiga acordar bem disposto ou manter o bom humor ao longo de um dia. Um dia em pleno e marcado pela boa disposição. Tenho o privilégio de conhecer algumas pessoas assim. Infelizmente, e para mim, afigurasse-me um caminho algo complicado, neste actual momento. Não me lembro de alguma vez ter acordado bem disposto. Claro, não estou a contar com as manhãs a seguir às tão agradáveis noites da consoada. Agora que penso nisto, talvez haja uma ligação entre o mau humor e o facto de há uns anos a esta parte receber menos prendas. Ver se não me esqueço de explorar mais este pensamento..

Em paralelo, tentarei de vez em quando passar um dia todo....com boa disposição! Só para variar um pouco.

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quinta-feira, setembro 01, 2011

Saudades

Isto de se ter saudades tem muito que se lhe diga. Obviamente que sinto saudades daqueles que me eram muito queridos e que já partiram deste mundo. Por algum motivo me marcaram. Por algum motivo deixaram boas recordações. Por algum motivo agradável me recordo deles e sinto saudades. Não me parece razoável sentir saudades de alguém que nos fez mal, é claro. Paralelamente também sinto saudades de uma vida despreocupada e sem responsabilidades, em que "jogava ao guelas" (fazendo batota) nos intervalos da escola ou naquelas ocasiões em que não ia às aulas de Religião e Moral para ficar a jogar à bola...ok, tentar jogar. Sinto saudades desses momentos únicos que me marcaram de alguma forma. Mas hoje falarei sobre as saudades de alguém.

A saudade é caracterizada pela privação ou falta de alguém. Esta privação poderá ser temporária (viagem, trabalho no exterior) ou definitiva (morte). Em qualquer um dos casos, havendo uma boa relação com quem se ausenta ou "parte", surge a saudade. Parece-me lógico que qualquer pessoa sinta saudades de alguém. A menos que não goste de ninguém (ou ninguém goste dele) e more longe da civilização dentro da sua carica. Na maioria das vezes, todas as pessoas gostam de alguém. Se disserem que não, estão obviamente a mentir. Também não deixa de ser curioso constatar que aqueles que se dizem mais "duros" e que juram não ter saudades de ninguém....são os que mais sentem a falta de alguém querido. 

Não vejo problema absolutamente nenhum em alguém reconhecer que se sente a falta de outra pessoa. Aliás, só mostra que gosta (ou gostava) dessa pessoa. E que certamente guardará na memória as boas recordações vividas. Momentos únicos vividos com essa pessoa única. 

Saudades é isto. Guardar para sempre alguém dentro do coração.

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quarta-feira, agosto 31, 2011

Creches

Lembro-me muito bem da minha creche. Já lá vão mais de três décadas e ainda hoje guardo na minha memória as boas e bem dolorosas marcas dos joelhos esfolados, da irritante e obrigatória hora da sesta depois do almoço e claro, das batalhas campais com a creche contígua. Bons velhos tempos.

Foram bons tempos marcados pela despreocupação e alheamento dos problemas inerente à minha tenra idade. Aliás, e se a memória não me trai, creio ter sido nessa altura a altura em que consegui que mais mulheres me ouvissem e acreditassem naquilo que "vendia"...ok, aspirantes a mulheres. Consegui o singelo feito e árduo marco histórico de ter todas as "coleguinhas-da-minha-classe" enamoradas. Assim como uma ou outra da tal creche "inimiga". Naturalmente que isso me ía trazendo algumas agruras durante a minha breve estadia nesta creche. Acompanhadas de algumas acentuadas animosidades com os pares masculinos. Como também se percebia pelas "esperas" que me eram feitas, alegando que estaria a "pisar o risco". Não tivesse eu as minhas tropas alerta e não estaria aqui a partilhar este texto.

É com alguma consternação e preocupação que vejo o estado das creches de hoje em dia. Começo por falar do tempo que as crianças crianças passam na creche, separados dos pais. Demasiado tempo. "Ah e tal, mas há o trabalho dos pais". Bem sei. A culpa não é dos pais. É de quem regula e decide o tempo que os pais podem ficar em casa com os filhos. Também é líquido para mim que a colocação de um filho(a) numa creche nunca é a primeira opção. Quero acreditar nisso. Será pois a consequência de uma vida profissional dos pais, e tendencialmente mais preenchida, fruto das pressões das empresas e por forma a garantir a subsistência...perdão, sobrevivência das famílias nos dias que correm. É neste momento que muitos amigos e amigas me dizem o quão importante e facilitador acaba por ser a questão de terem os pais por perto. Em alguns casos, acaba por ser feito um bypass à temporada das crianças nas creches, assim seja garantido que os avós têm tempo e paciência para aturar as diabruras inerentes a estas tenras idades. Há quem tenha a tal paciência para ajudar na criação e há quem já não a tenha.

Uma questão pertinente está relacionada com os maus tratos comummente infligidos a crianças em creches portuguesas. Há poucas coisas que têm o dom de me tirar do sério. Esta é uma delas. Não consigo entender nem tampouco aceitar a já habitual e nossa conhecida brandura da justiça portuguesa para alguém que espanca ou violenta uma criança indefesa. E em alguns casos que marcada e rapidamente resolvida com um termo de identidade e de residência do(a) presumível agressor(a).

Para terminar, os custos de manter uma criança numa creche fazem com que, na minha opinião, tenham de ser bem avaliados pelos pais todos os cenários possíveis. A eventual disponibilidade e ajuda dos avós, as creches que algumas empresas hoje em dia já têm, facilitando a vida dos seus empregados ou mesmo a decisão de um dos pais ficar em casa até os filhos terem idade de ingressar na escola primária. Assim o outro lado (cônjuge) consiga suportar as despesas de manutenção e quotidiano normal de um lar.

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terça-feira, agosto 30, 2011

Regressões

Há já bastante tempo que oiço falar em regressões. Confesso que é um daqueles temas que me desperta alguma curiosidade e tem o dom de me deixar com a minha tão conhecida taquicardia e a usual "pele de galinha". Ansiedade, portanto. Também já me consciencializei que um destes dias vou fazer uma regressão com um qualquer conceituado psicanalista da nossa "praça".

Ninguém tenha dúvida que a regressão espiritual é algo de sobeja importância. E que não deve ser levada a brincar. Muito pelo contrário. É importante que seja feita com alguém que sabe o que está a fazer. Passo a explicar: No outro dia "fui apanhado" no regresso a casa, vindo da padaria, pela D.ª Maria do Céu, ali do 44. Contou-me a mesma que a prima da tia de uma vizinha que lá tem na terra fez uma regressão com um "endireita-que-também-faz umas-regressões-em-jeito-de-biscate". Parece que a coisa não correu lá muito bem, e a tal vizinha descobriu que...tinha sido uma osga!

É importante que quem voluntariamente faz regressões esteja preparado(a) para a verdade nua e crua das coisas. Tal e qual como elas são e sem as mariquices dos filtros. Afinal, trata-se de perceber de onde vimos. E de ir buscar memórias inacessíveis. No caso, para a vizinha da D.ª Maria do Céu, no maravilhoso e entusiasmante mundo dos répteis.

Pois bem, não tenho dúvida que a minha regressão, quando a fizer, só pode apontar no sentido de ter sido um Santo. Dotado de uma infinita paciência. Para aturar e perdoar sempre os erros dos outros e conseguir ser compreensivo com as reincidências. Só assim encontro a explicação para o facto de estar disponível ouvir os problemas dos outros, envolver-me na resolução dos mesmos e nunca esperar nada em troca. 

Também acredito que a "aparente-condição-de-santidade" sugira a quem me conhece que problemas não são comigo. O que nem sempre corresponde à verdade.

Quero confirmar esta minha teoria. E quem sabe, em breve, possa aqui relatar essa importante "viagem"!

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segunda-feira, agosto 29, 2011

Pulseira electrónica

A pulseira electrónica é, na minha humilde opinião, uma das melhores invenções do século passado. Aliás, confesso que não entendo muito bem como não foi a mesma submetida a referendo, à semelhança de tantos outros assuntos indubitavelmente actuais e importantes.

Os números falam por si. Segundo a edição de ontem de um jornal diário, estão activas no presente momento cerca de 582 pulseiras electrónicas. O jornalista conseguiu ir mais longe e descobriu que o custo diário associado a um recluso que use uma pulseira electrónica tem um valor de 17,20 € /dia,  contra um custo médio de um prisioneiro que viva na cadeia (e por dia) de 50 €. Assim sendo, e como primeira conclusão, é possível ao Estado uma poupança de 32,80 € /dia. Mas continuemos a entusiasmante análise dos números. Cerca de 582 reclusos são no presente momento vigiados electronicamente. Significa isto que o escriba, à semelhança dos leitor(a) que lê esta reflexão, está obrigado a uma contribuição (através do expectável e desejável pagamento dos seus impostos) que possibilite o custeio de cerca de 10.000 € / dia / recluso (vigiados através da pulseira). Chocados? Ainda não é tudo. As "boas notícias" é que a população prisional ascende no presente a um bonito e redondo valor de cerca de 11.921 reclusos. E foi aqui que me dediquei a fazer algumas contas simples. Com recurso à minha simples e obsoleta máquina calculadora, obtive um simpático e agradável custo de 596.050 € / dia / recluso (os que vivem na cadeia). Para se ter uma ideia da grandeza, o custo da população prisional que vive nas cadeias é praticamente 60 vezes superior ao custo dos presos vigiados electronicamente com recurso à pulseira.

Finda que está esta primeira e expressiva abordagem através dos números, oferecem-se-me fazer alguns comentários. No final do tão importante artigo é avançado que 7 em cada 100 reclusos vigiados electronicamente infringe as regras. Mas que ainda assim não será um valor preocupante na medida em que a média europeia ronda os 12 em cada 100 reclusos. Por outras palavras, podem até acontecer reincidências de roubos violentos bombas de gasolina, com coacção por armas de fogo, sequestro e agressão física aos funcionário / Clientes, que não há motivo de preocupação. Sinceramente, fico muito mais descansado. Afinal serão eventos com os quais não devo perder o sono nem ficar alarmado. O valor percentual dos nossos infractores está  abaixo da média europeia.

A segunda abordagem e que não é focada no artigo, é a questão da quantidade de reclusos que habita nos "hotéis". Peço desculpa, nas prisões. No anel imediatamente circundante à bonita e prazerosa cidade de Lisboa, é possível passar uma noite num desses hotéis de estrada por uma quantia inferior à diária de um recluso que vive na cadeia. Dá-me que pensar. Ou os reclusos vivem bem demais, ou estas cadeias de hospedagem são muito más e sacrificam as margens de lucro em detrimento de taxas de ocupação expressivas em tempo de crise. A questão é que conheço relativamente bem estas cadeias de hotéis de estrada. O custo é justo, são confortáveis sem ser excentricamente luxuosas, e também não são os curros dos touros de Barrancos. Ou seja, parece-me que há "alguém" que vive bem demais. E é sempre o mesmo quem custeia estas estadias. Infelizmente. Reclusos que por algum motivo estão detidos, em alguns casos homicidas de famílias inteiras, violadores, criminosos, traficantes, anda tudo a viver à custa de quem tenta fazer frente com honradez e verticalidade a uma crise económica sem precedentes. Ainda que por vezes seja muito difícil e obrigue a cedências e sacrifícios.

Para terminar, uma ilacção que está implícita nesta peça jornalística e que deveria ter sido mais enfatizada É expectável que aumente a população prisional. Porquê? Em consequência da crise económica que se vive actualmente. O pior está para vir. E não tenho dúvidas que a criminalidade e infracções à Lei serão uma constante.Com consequências óbvias.

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domingo, agosto 28, 2011

Bimby

A bimby está para as mulheres assim como o comando da televisão estará para os homens. É bom que esteja por perto. Ao alcance da mão (ou distância de uns passos até à cozinha...a menos que se use a bimby na sala de estar). No caso específico da bimby acontece o milagre da "salvação" naquela noite específica em que se decide fazer lá por casa a tão participada e importante reunião familiar. No caso do comando da televisão, e aproveitando o sempre agradável momento da tal reunião, calha bem que o mesmo esteja por perto, não vá a SIC ou a TVI lembrar-se de passar um daqueles filmes "impróprios para cardíacos", que têm o dom de interromper as conversas familiares, enquanto passa uma daquelas cenas do "demo"...tórridas e em que parece que a menina..querendo partilhar com a câmara que goza o momento...dá ares de estar a ser selvaticamente retalhada com uma daquelas facas do talho do Sr. Jorge.

A moda da bimby veio para ficar. Não tenho dúvidas. À semelhança da moda da "máquina-de-café-que-usa-cápsulas-de-várias-cores-e-que-faz-as-pessoas-jurarem-a-pés-juntos-que-sempre-adoraram-café-mas-que-o-desta-máquina-é-melhor" (quando nem sequer bebiam café), também a bimby já foi consensualmente eleita como a invenção do século XXI por várias mulheres. Ao nível planetário. Sem grande surpresa veio revolucionar as cozinhas portuguesas (e outras), possibilitando aquelas mulheres que terão tanto jeito para a cozinha como o escriba tem para bordar em tafetá, conseguirem fazer autênticos brilharetes e receber rasgados elogios.

Consigo perceber a bimby como um complemento a qualquer cozinha. Não como uma solução. Quero acreditar que ainda existe a vontade nas mulheres em aprender a cozinhar "à moda antiga", em detrimento de procuraram as 90.000 receitas desta máquina já disponíveis na internet. E porquê tudo isto? Porque em culinária, aquilo que tem associado um maior tempo de confecção, sabe naturalmente melhor. Ninguém tenha dúvidas. Li algures, há pouco tempo, numa entrevista a um Chef  conhecido que não utiliza a bimby. Prefere a forma tradicional de fazer as coisas. Também avançou que se sente mais a ligação com os ingredientes. Ele lá saberá o que quererá dizer...

O que a bimby tem de bom ( facilita a vida da mulher que trabalha um dia inteiro e tem pouco tempo para cozinhar), tem também de mau, na medida em que compromete a secular e importante sabedoria da cozinha tradicional, confeccionada à moda antiga. A título de exemplo, parece-me complicado acertar o ponto de rebuçado com esta tão "maravilhosa" máquina. Ou fazer umas boas e suculentas espetadas em pau de loureiro. Ah, pois é...não dá. Temos pena!

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sábado, agosto 27, 2011

Taxação da Riqueza

Há poucos dias foi divulgada a ideia "peregrina" fazendo alusão ao facto que os mais ricos devem suportar o pagamento de uma taxa adicional, em função do seu património (leia-se riqueza).

Esta é mais uma daquelas ideias que vai ficar na gaveta. Não irá avante. Porquê? Porque os ricos  de imediato disseram que parte dos lucros das suas organizações são habitualmente canalizados para as causas humanitárias. Esta afirmação deixou-me em pulgas até porque nunca ouvi falar dessas "canalizações". O que ouvi falar, e a título de exemplo, foi acerca da realização de uma exposição de quadros no CCB, propriedade de um dos homens mais ricos de Portugal. Será isto a que se referia? É que não consigo perceber no propósito da realização desta mostra de arte qualquer resquício de filantropia. Vejo alguém que gosta de partilhar o que tem. Da mesma forma que outros mostram a colecção de carros. E por aí adiante.

O que se constata é que os ricos são cada vez mais ricos. Mais. Desconfio que quem tem "dinheiro a sério" cá em Portugal vê com bons olhos por cá ir ficando. Afinal, com recurso a alguns esquemas (astuciosamente descobertos e suportados nas lacunas da Lei pelos bons contabilistas e pelos bons advogados - e por isso pagos a peso de ouro), a realidade nacional torna-se próxima de um certamente apetecível e agradável "paraíso fiscal". Por outras palavras, o imposto incidente sobre património / riqueza é tornado ridiculamente baixo e não me admiraria que, após a intervenção dos tais profissionais do assunto que refiro atrás, a taxação sobre a minha riqueza fosse substancialmente superior quando comparada com a taxação sobre a riqueza de quem ainda sorrir com a crise. Como diz o povo, "a crise não afecta todos".

Já há alguns anos que defendo a ideia que Portugal caminha de forma determinada para uma situação social próxima da realidade brasileira. Ou seja, sem classe média, onde há os muito pobres e há os ricos (com graus de diferenciação entre os vários patamares de riqueza). Actualmente, e cá por Portugal, o que vai existindo é a já conhecida classe média sacrificada e que paga as contas dos ricos, que ardilosamente conseguem "furar" as malhas da Lei, e ainda as contas todas dos pobres, que alegam estarem na penúria, mas ainda assim têm dinheiro para comprar tabaco, ter telemóvel e a quem de vez em quando as Câmaras Municipais "brindam com um tecto". Claro que é a custo zero para estes "desfavorecidos", que passam o dia a tentar vender dvd´s e relógios, mas não tenho dúvida que reflectirá um custo acrescido sob forma de "mais um" imposto que será suportado pela já estrangulada classe média.

Por isso e parafraseando mais uma vez o povo, quero "ver para crer" a aplicabilidade desta nova taxa sobre a riqueza. Tenho imensas reservas que alguma vez as grandes riquezas de Portugal venham a ser devidamente taxadas. Entenda-se por devidamente taxadas se vierem a ter lugar alterações de fundo nas leis tributárias e que nivelem em termos de equidade a taxação dos ricos e dos menos ricos. Chama-se a isto justiça. Este é o caminho.

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sexta-feira, agosto 26, 2011

Acampar na Praia

Num momento em que me é dado a conhecer que são tantas as pessoas que escolhem a magnífica extensão de areal das praias do litoral do nosso "rectângulo" para passar momentos de merecido descanso e confraternização entre amigos(as), importa aqui e agora deixar também a minha opinião.

Já aqui falei no blogue sobre a minha experiência de campismo. Até hoje, foram duas vezes que tive oportunidade de acampar. E em ambos os casos foram experiências de tal forma traumáticas que não deixaram saudades. Uma delas não vou considerar enquanto prática do campismo em sentido "estrito". Tive oportunidade de ir dois ou três dias com uns amigos e amigas para uma roulotte dos avós de uma delas. Ali no simpático e agradável parque de campismo da Quinta do Conde. À distância de algumas décadas a esta parte, consigo hoje antever mais emoção em ir tirar o cartão de cidadão no mês de Agosto (quando os emigrantes também estão cá e vão fazer o mesmo), ou mesmo ir bater à porta da D.ª Alcides ali do 31e ficar a conhecer todas as notícias da minha rua.

Acampar na praia pode ser (e com certeza é) muito estimulante. Assim todos estejam devidamente inteirados do que se trata. Ou mesmo que tenham presente que, na quase totalidade dos dias de Verão há um gradiente térmico significativo associado. Ou seja, a diferença de temperatura sentida durante o dia e durante a noite pode chegar aos 20º C. Talvez seja exactamente por isso, o de não ter ficado capacitado dessa enorme variação térmica, que guardo para mim a lembrança de quase ter perdido os lábios com o frio que se fez sentir, de ter pensado que ia ter de ir ao hospital de Tavira para cortar as cabeças dos dedos (mãos e pés) de tal forma estavam roxos e aproveitando a viagem fazer uma lavagem estomacal em consequência das 500 grama da areia branca e fina que ingeri nessa noite. Era um animado grupo de cerca de 20 pessoas acampadas ali no areal da praia. Uma tenda, que naturalmente serviu para quem a levou e que certamente fez as delícias da cara-metade. Na ilha de Tavira até há uma zona de campismo dedicada, que naturalmente não foi por nós ocupada. Optou-se mesmo pelo campismo selvagem. Aparte dessa tenda para duas pessoas, não havia mais nenhuma. Só as toalhas de praia (no meu caso nem uso). Se podíamos ter ficado no parque de campismo? Claro que podíamos. Mas houve algum "iluminado(a)" que entendeu que não teria tanta piada. E assim sendo ficámos a uns 50 metros do mar. Tenho tentado ver se me consigo lembrar quem foi.

A razão de ser desta reflexão de hoje é simples. Quando pensei que todas as lembranças deste infeliz episódio se tivessem "esfumado" para todo o sempre, eis que há uns dias atrás foram reavivadas. Na praia. Fiquei ao lado de uma "família feliz" que decidiu fundear um confortável iglo ali, ao meu lado, e que pelo tamanho me pareceu ser capaz de albergar sem qualquer constrangimento de espaço uma família de 6 pessoas. É sempre bom estar prevenido. Não fosse começar a chover torrencialmente naquele infernalmente soalheiro dia que se sentiu há alguns dias atrás. E foi assim que todas as memórias que pensei que estivessem arrumadas vieram "à tona". Para mal dos meus pecados que vou passar as próximas duas semanas e meia a pensar nisto.

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quinta-feira, agosto 25, 2011

Downsizing

O termo downsizing (down = baixar e sizing = número de empregados) aplicado à realidade empresarial  é uma realidade cada vez mais presente. Efectivamente, e nos dias que correm, com a adopção das medidas que constam do tão falado memorando assinado com a troika, constata-se que o "emagrecimento" do número de trabalhadores é uma das soluções comummente adoptada pelas organizações com o objectivo imediato de possibilitar a sobrevivência em tempo de crise.

Contudo, é de lamentar que tenham de ser tomadas medidas como esta. Numa óptica economicista / gestão de topo da empresa, percebo o "fôlego" ganho e a disponibilidade imediata de verba (à custa da poupança nos vencimentos), sendo assim possível fazer face a mais alguns apertos. A questão é durante quanto tempo mais. 

Intimamente associado a este fenómeno de despedimento (não utilizando terminologias estrangeiras) está um outro aspecto que já aqui desenvolvi em tempos. Estágios. Porquê? Porque é possível que alguém faça o trabalho "sujo" à custa de uma diminuição significativa do montante auferido. Simplificando, o necessário trabalho continua a ser feito, pagando-se menos e ainda sem recurso ao vínculo laboral do estagiário à empresa, tão do agrado destas últimas. Ou seja, findo o período de estágio, alega-se que os tempos estão difíceis, que o curriculum vitae permanecerá em carteira, e assim que necessário, será certamente chamado(a). Tretas. Terminado o período de estágio, admite-se outro. E entra-se num ciclo vicioso e onde há naturalmente um ganhador e um perdedor. Lanço o desafio de adivinhar quem...

Para terminar, subsiste a eterna questão da injustiça em alguns casos. É certo que em causa poderá estar a sobrevivência da empresa, mas também é certo que em muitos casos passa a estar em causa o único sustento de  famílias. E por vezes com realidades bem complicadas.

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quarta-feira, agosto 24, 2011

Nudismo

Há alguns anos que vou a uma praia onde se pratica o nudismo. Não faço nudismo (embora ande a pensar nisso, sempre poupava uns trocos em fatos de banho), mas por vezes dá-me na cabeça para ir para esta praia em particular e para uma zona específica de "não nudismo". Afinal a praia é agradável.

Tratando-se da mesma praia, nos meus longos e prazerosos passeios a pé, passo numa zona específica da praia onde de forma normal e despreocupada há quem goste de estar a ler o Expresso "como veio ao mundo". Acho muito bem. Na "minha zona" não há nada disso. Há, como sempre, a habitual e desinteressante "fauna" que povoa tantas praias portuguesas nesta altura do ano. É esta a minha realidade. 

É claro que não vou andar a pé para ver a nudez alheia. Nada disso. Não sou voyeur nem mirone. Acontece que a praia em causa tem uma extensão de areal muito grande e como tal, terei de passar em algum momento por esta zona. Mas asseguro que o faço sempre de olhos postos no chão. Não olho para os lados. 

Encaro o nudismo uma forma de estar na vida. Em primeiro lugar, porque quem faz nudismo aproveita integralmente o tão simpático e luminoso sol da praia. Bronze integral, usando a terminologia de quem gosta destas coisas (de se bronzear, não obrigatoriamente do nudismo). Em segundo lugar, porque  a nudez é encarada como algo perfeitamente natural. Afinal, somos todos homens e mulheres e temos o mesmo (embora por vezes, e através do canto do olho, me seja dado a conhecer a realidade de alguns companheiros que certamente abusaram do tempo que estiveram dentro da água...e que a mesma deve estar um cubo de gelo!!). Em terceiro e último lugar, a prática do nudismo, sendo uma forma de estar na vida, é algo que cada vez mais tem a sua relevância e começam mesmo surgir grupos de pressão junto dos municípios para a constituição de praias ad hoc. Facto que não posso deixar de aplaudir.

O pior inimigo do nudista são os mirones.  Os mirones, tal como eu, adoram passear pela praia. Há contudo marcas que os caracterizam e diferenciam daqui do escriba.

Há um primeiro grupo de mirones que sempre que vai para uma destas praias, tenta convencer a família (mulher, filhos e sogra) que é nas dunas que se está bem. Não me admirava que também já tivesse sido avançado o argumento de que este tipo de praia tem algo bom para a pele...Não raro ficam qual lagartos, imóveis durante um dia inteiro e em posições estrategicamente seleccionadas para ver as vistas.

O segundo grupo de mirones é o mais típico. Mais macho. Faz questão de permanecer em pé tipo "estátua", ostentando orgulhosamente a bigodaça farta e cuidadosamente formatada, com braços cruzados (no direito com a tatuagem dos punhais dos "fuzos" feita na Guiné) e apoiados na incontornável e visível proeminência abdominal. Já para não falar no tão clássico e nosso conhecido fato de banho (slip).

O terceiro e último tipo de mirone poder-se-ia confundir comigo, não fosse a recorrente utilização dos chapéus ou bonés da Selecção Portuguesa (ou da cerveja Sagres) e uns inconfundíveis e sempre actuais óculos escuros com lentes fotocromáticas. Sim, já se adivinha que são pessoas com idade avançada. Se aqui o escriba guarda algumas confessas reservas em olhar de frente para alguém que se aproxima de mim como Deus Nosso Senhor "o trouxe ao mundo", já este tipo de mirone não tem. Aliás, é quase anedótico vê-los a andar de mãos atrás das costas, sandálias, e pararem de 15 em 15 metros. Fingem de forma quase credível fitar de forma interessada o areal (enquanto ajeitam a arcada de dentes superior). É sabido que o que estão a ver são outras coisas. O que não é novidade para ninguém, de resto. Também não tenho dúvida alguma que é importante que levem o fato de banho...se assim não fosse talvez ficassem numa situação menos confortável em consequência do efeito remanescente do "comprimido azul" da noite anterior. Ou talvez  nem se incomodassem por aí além com isso. Afinal, a idade permite-lhes algumas coisas.

Da minha parte, sempre que me lembrar  irei a esta praia. Quem sabe um dia não troco de zona?

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terça-feira, agosto 23, 2011

Classificados

Há muitos anos que tenho o prazer de acompanhar de forma atenta e religiosa uma secção especial de alguns jornais de tiragem diária. Não é mais que a tão diversificada e interessante secção dos classificados. Em bom rigor, hoje em dia é possível encontrar mais emoção em alguns apimentados classificados do que na rotineira e insossa panóplia de notícias sobre a crise profunda que o nosso Portugal atravessa. Não falando da entediante indefinição do modelo de avaliação dos professores.

Para quem inteligentemente não perde muito tempo da sua vida a  ler esta abrangente secção, tenho a informar que não sabe o que perde. Há ali verdadeiras pérolas que o que têm de singelo, têm de valioso. Lembro-me do clássico:" Senhora madura e respeitável atende cavalheiro em ambiente sigiloso e discreto". É possível alguém não ficar logo em pulgas? Não, claro que não. Quão madura será esta simpática senhora? Será mesmo madura..tipo..84 anos? Atende...o telefone? Será que é possível ser uma figura pública conhecida que amável e sensualmente atende o telefone? Por exemplo o meu grande e saudoso amigo António Sala ou a minha querida amiga de sempre Olga Cardoso que tanto me faz rir. Outra coisa..o que será um ambiente discreto? Lembro-me que gosto muito de ver fontes a jorrar continuamente água de várias cores, ao mesmo tempo que é possível ouvir uma daquelas deliciosas músicas que se ouve em "modo contínuo" em qualquer um dos 980.000 restaurantes chineses que por cá existem...Será um ambiente assim? Quero ver se ainda durante esta semana tranquilizo o meu espírito com um telefonema para um destes classificados clarificando todas estas minhas questões.

Outro tipo de classificado que me tira do sério é o de algumas universitárias fogosas que querem à viva força encontrar voluntários para "apagar o fogo que as consome por dentro". Pois bem, se por algum motivo as mesmas me estão a ler, informo que acho uma pouca vergonha. Porque é que hão-de gastar o dinheiro dos papás em alugar espaço publicitário num jornal com tiragem diária? Podem perfeitamente usar os quadros de cortiça que estão próximos das pautas das notas lá da faculdade. Gratuitamente. É preciso ser-se muito má filha para fazer uma coisa dessas para com os pais tão dedicados, trabalhadores e que durante 5 anos (às vezes mais) sustentam a vida universitária da meninas. Que gostam de "festa". E como tal divulgam isso...Vergonha!

Por último, e para terminar, a série de classificados que mais me diverte...aqueles em que é feita publicidade aos atributos físicos. Com uma diversificada adjectivação que enriquece indubitavelmente o próprio do classificado, tornando-o bem mais apelativo e "visual". A frequente conjugação das palavra "peito" associada a números como "44, 46, 48" e ainda a algumas letras do abecedário produzem milagres no ideal masculino conduzindo-o por largos instantes até uma ilha deserta, no Pacífico, acompanhado da tal atributada e certamente simpática moça. A questão é tentar perceber se aquilo que é publicitado corresponde efectivamente à realidade. Até acredito que as tais medidas sejam as correctas. A questão é a idade...e o físico. Faz-me lembrar um anúncio de uma conhecida marca de sumos..em que se ouvia uma voz sensualíssima e depois, do outro lado da linha estava.....era uma senhora "de pêso" (literalmente - uns 400 kg) e com rôlos na cabeça!

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segunda-feira, agosto 22, 2011

Maquilhagem

A maquilhagem está para a mulher assim como as medidas da austeridade da troika estão para o nosso querido Portugal. Trata-se de um mal necessário para muitas mulheres e que poderá uma excelente forma de disfarçar alguns aspectos menos favoráveis (e.g.: a clássica pele macilenta, a falta de tempo para aparar o buço ou a correcção das imperfeições da cara  - aqui à custa da aplicação de umas "camadas extra de pele da cara" à custa da generosa aplicação de base. Esta é a realidade.

Importa que este assunto seja por mim clarificado para que não subsista qualquer dúvida. Não sou de todo contra a maquilhagem discreta. Acho que dentro do razoável e esteticamente agradável à vista, há várias soluções ponderáveis que não me chocam. A base, o lápis para riscar as pálpebras, o baton são tudo objectos para os quais existe em mim uma forte suspeita que existem obrigatoriamente no necessaire de qualquer mulher. Sei e digo isto porque vejo imensas mulheres a pintarem-se nas filas de trânsito logo de manhã. O que me leva a desconfiar que é algo intrínseco e mais forte que qualquer mulher. Algo incontrolável e que tem também associado o facto do espelho de cortesia dos carros ser fabricado num material único específico, apenas encontrado em minerais extraídos do solo argiloso da Amazónia e que faz as mulheres sentirem-se e parecerem mais bonitas. Aqui reside a razão para o fazerem isto no trânsito e não em casa.

Como não podia deixar de ser, já vi muita coisa e pouco há que me surpreenda verdadeiramente. Desde a "malvada" da fila do trânsito que teimou em parar no preciso momento em que amiga coloria os lábios e inexplicavelmente, do nada, aparece  um risco de baton até à orelha. Ou que dizer dos desejáveis e perfeitos riscos nas pálpebras que podem ficar...até meio da testa numa qualquer travagem mais dura. Delicio-me com este tipo de acontecimento. E em paralelo com o ar atrapalhado quando percebem que foi vista a borrada (literalmente). Ou quando disfarçam a asneira colocando a franja do cabelo para a frente (mas os riscos ficam lá). Espero que não se esqueçam de o apagar antes de entrar no escritório.

Ocorre-me neste momento partilhar com quem me lê, a imagem da Dona Angélica (que Deus Nosso Senhor a tenha e aguarde), avó do Paulo e do Carlos lá da rua. Devia ter no máximo 1,50m de altura com saltos altos e uma idade que não devia andar longe dos 200 anos. A mesma idade do perfume que tão bem conheci durante vários anos e que se fazia sentir a uma distância nunca inferior a 8,5 km. Para remate, uns óculos de massa bem grossos, com uma forma estranhamente geométrica (estreitada e levantada nos cantos) e um agradável e sempre bem escovado sobretudo rosa forte, que lhe conheci em todas as estações do ano. Incluindo no Verão (eventualmente para se manter confortável e agasalhada). A Dona Angélica terá nascido antes de aparecer a própria da maquilhagem, ou seja, os tais 200 anos atrás. No seu caso em concreto, o seu espelho de casa  (ou a sua natural e óbvia falta de visão) tinham como consequência que tivesse permanentemente e religiosamente aplicadas 5 camadas de base na cara. O que de resto era objecto de chacota por parte toda a rapaziada....até que um de nós era apanhado e tinha de dar duas beijocas. E ficar com a marca dos lábios pintados com baton cerise forte na cara. E o perfume....ai o perfume....

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domingo, agosto 21, 2011

Parque Expo

O Parque Expo é uma daquelas "instituições" que me é muito querida. Demasiado querida. Não só pelo facto de ter tornado possível a requalificação de um espaço urbano que durante décadas foi depósito / cemitério de contentores, como da dotação das infra-estruturas necessárias para que pudesse ter lugar a "Expo 98".

Ninguém terá dúvida alguma de todo o trabalho que esta instituição desenvolve na manutenção de um espaço que, como referi anteriormente foi requalificado há mais de uma década. Aliás, "Parque Expo" nem sequer foi o nome primário. A primeira designação foi "Parque das Nações".

Esta instituição, ora com um nome ora com o outro (é irrelevante para o caso), surge numa altura em que Portugal "ganha" a realização da "Expo 98". Um fenómeno demasiado importante, que foi conhecido à escala internacional e com a consequente projecção mundial deste País na cauda da Europa. Afinal, desde o início que se promoveu esta Exposição a uma escala próxima da planetária. Fazia todo o sentido que um turista chinês abonado (a quem fosse possível suportar a viagem China - Lisboa) quisesse vir ver o Pavilhão dedicado ao seu país (de dia) e de noite fosse comer umas sardinhas assadas a uma das 1000 casas de fados existente no Bairro Alto ou Alfama. O mesmo para um qualquer cidadão residente num  país da África Equatorial. Ou da Índia. E por aí adiante.

Assim sendo, quem desde o início acompanhou este projecto sabe do que falo. À boa maneira portuguesa, a equipa de desenvolvimento do projecto foi constituída em "cima do acontecimento". Ou seja, 1 ano e pouco antes da concretização desta importante e visível exposição. O que teve como resultado alguns aspectos menos bons, em consequência dos prazos de tempo apertados. Afinal, não seria de bom tom por parte de Portugal, País anfitrião, solicitar às empresas que garantiam "aviões cheios de chineses" que esperassem mais duas semanas porque o Pavilhão da China ainda não estava pronto. Talvez não fosse bem acolhido. Digo eu.

O que interessa, e para esta reflexão, é que houve a constituição desta instituição e as coisas funcionaram. Mal ou bem, a Expo 98 abriu as portas a tempo e os visitantes não tiveram conhecimento que 90% das habitações nesta zona construídas têm problemas de infiltrações. Ou que em muitos casos de imóveis de 300.000 euros (valores mínimos) as paredes são de pladur. Parece anedota? Não é. A força das circunstâncias, a pressa de entregar as casas dentro do espaço determinado, conduziu a que alguns construtores civis menos escrupulosos tivessem utilizado materiais não aceitáveis em imóveis desta gama de valores. E a selecção dos construtores civis (e consequente fiscalização das obras em curso e concluídas) tem responsabilidades determinadas contratualmente. E que foram convenientemente esquecidas. Adiante.

Assim como foi criado o Parque Expo (ou foi dada continuidade ao "Parque das Nações") deveria ter sido repensado o seu modelo e moldes em que o mesmo assenta no presente momento. Afinal, garantir a manutenção da Expo (e objectivamente falando dos imóveis existentes, do oceanário, das zonas de restauração, da estação de comboio e metro e do Vasco da Gama) não carece de uma organização tão pesada. O António Costa "faz a festa" com muito menos e é Presidente da Câmara de um dos municípios mais populosos do País... 

Há poucos dias atrás foi noticiado o fim do Parque Expo. Não posso deixar de concordar. Não faz sentido que, à semelhança de tantos outros projectos que há em Portugal, se mantenham estruturas organizacionais pesadas, com um avultado capital humano afecto e capital monetário necessariamente investido. É um pouco aquilo que as algumas Seguradoras automóveis optam por fazer...esquecendo-se de actualizar o valor do prémio do seguro em função da idade do carro. Não raro, descobre-se que se paga o mesmo valor de prémio do seguro de um carro com 10 anos e de quando o mesmo era novo... Ver se pega. É um pouco o que aconteceu com o "Parque Expo". A Administração foi vendo se pegava. Pegou com dois mandados do ex-Governo. Não pegou agora. Acabe-se com a instituição Parque Expo.

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sábado, agosto 20, 2011

Paixões Platónicas

Ninguém estranha que o escriba já tenha sofrido por amor. E muito, diga-se em abono da verdade. O sofrimento por amor, quando platónico, assemelha-se a um embate frontal com um comboio que segue a alta velocidade. Para facilitar a visualização, pense-se na velocidade "supersónica" do TGV tão acarinhado (e defendido até ao último minuto) por "alguém" que foi estudar Filosofia para Paris.  

A paixão platónica é como o próprio nome indica...isso mesmo. Não que seja uma paixão igual à do Platão. Nada disso. Trata-se de uma paixão casta. Isenta de lascívia.  Assenta em algo de carácter espiritual. E que na generalidade das vezes não é correspondida. Porquê? Simples..há o total desconhecimento por parte de um dos lados do que é sentido pelo outro. Ou pode também acontecer que seja conhecido, mas seja impossível a concretização do mesmo (e.g.: estado civil de uma das partes ou em casos extremados a não correspondência da atracção). Em qualquer uma das situações tem lugar a frustração daquele(a) que sente um amor imenso.

Encontro aqui a explicação para o tipo de sentimento que desenvolvi por algumas das minhas queridas Professoras do liceu. Homem que é "H"omem, teve uma fixação por uma Professora. Naturalmente que com 11 ou 12 anos não me aquecia por aí além a Professora Amélia da disciplina de Religião e Moral que já não tinha dentes seus. O efeito desta tão minha querida Professora em mim era o mesmo que derivava da contemplação de um saco plástico do Continente. A "experimentação" deste tipo de sensações aconteceu uns anos mais tarde. Objectivamente falando, com as Professores das disciplinas de Português (Directora de Turma) e de História. Em ambos os casos não tenho qualquer dúvida que havia ali "qualquer coisa". Talvez derivado do facto de ter sido anos a fio eleito como "Delegado de Turma". Era natural que houvesse um contacto mais frequente com os Professores. O que para mim, obviamente, era tido e interiorizado como um lógico interesse destas mulheres maduras, cerca de 20 anos mais velhas que eu. Ou seja, enquanto que para qualquer uma delas eu era "o-João-delegado-da-turma-Z", já para mim os cenários eram um "pouco" diferentes. Havia ali um interesse diferente e que na minha ingenuidade e início da adolescência tinham como explicação uma intensa e pecaminosa atracção.

Li algures há uns tempos atrás que estas paixões platónicas são aquelas que ficam. Muito por culpa da intensidade de sentimentos envolvidos. O "platonismo" das paixões passa muitas vezes pela admiração. Pelo desenvolvimento / crescimento de determinado tipo de sentimento que o que têm de genuíno têm de intenso. Finalmente, acredito que na esmagadora maioria deste tipo de paixões não haja conhecimento por parte do visado(a). Paixões secreta, portanto. O que não é necessariamente mau...Mas pode ser imensamente mau se não souber ser gerido!

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sexta-feira, agosto 19, 2011

Congelamento de Carreiras

Mais uma vez, a crise económica faz das suas. Desta vez, o actual Governo avança com a ideia impopular de congelamento das carreiras. E no caso, das forças de segurança.

É curioso que oiço sempre este tipo de notícia à hora do meu tão aguardado jantar. Trata-se de um momento de Família e como tal, quer-se Paz, tranquilidade e que a refeição seja abençoada por Deus Nosso Senhor. Não tenho dúvida de que, quem faz alguns alinhamentos noticiosos tenha um especial prazer em tornar o meu jantar indigesto. Sinto isso. Saliento que no caso em apreço nada tenho com o facto dos agentes da autoridade reivindicarem o não congelamento das suas carreiras. Grosso modo, significaria que em alguns casos, volvidos 900 anos de carreira não evoluíssem muito mais além do guarda de "giro". Parece-me pouco razoável. Donde, vejo como legítima a incomodidade vivida por esta classe profissional. Leia-se no seio das forças da autoridade.

Também não estou contra o facto de haver a sindicalização das classes profissionais. Aliás, é um direito consagrado constitucionalmente. Todo e qualquer trabalhador, em sentido lato, terá direito a ser representado por alguém que lute pelos seus direitos / direitos da classe. Há sindicatos fortíssimos (caso do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil ou dos Sindicatos dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves). É fácil de imaginar porquê. Parando a sua actividade ou coordenando-se enquanto elementos que podem contribuir para uma greve, a aviação pára. Fácil.

Já estarei contra os representantes de alguns representativos sindicatos da função pública que não estão minimamente preparados para falar na televisão, dar entrevistas. Entendo e aceito que após uma reunião com o Governo, em que são esgrimidos os argumentos por parte da Tutela que inviabilizam uma progressão "normal" das carreiras da função pública estes dirigentes fiquem "abananados". E percebi isso claramente no telejornal de ontem. Em primeiro lugar, o digníssimo representante do maior sindicato de trabalhadores da função pública deu a entender que preferia estar noutro local qualquer que não ali e naquele momento. Provavelmente a galar o rabiosque de uma qualquer cubana numa praia de Havana, sorvendo deleitado um prazeiroso Mojito acompanhado de um caracteristicamente cheiroso charuto Grand Torpedo. E passo a explicar a minha teoria.

Não se percebe como pode alguém, com o País mergulhado numa das maiores crises económicas de que há memória, insurgir-se contra os congelamentos das carreiras da função pública. Dou também nota de que esta notícia do congelamento das carreiras surge em paralelo a outra em que é avançado que vai acabar "a mama" da nomeação directa dos cargos de dirigentes da administração pública. 

Para quem lê esta reflexão e ainda não conseguiu entender do que se trata, eu ajudo: quem quiser ir para um qualquer cargo de dirigente superior na função pública terá de ser licenciado, apresentar curriculum vitae e ser submetido a uma entrevista por parte de uma Comissão constituída para este fim. Lembro-me perfeitamente de estar nesse momento a cortar um delicioso pedaço de carne estufada (a olhar para o prato, como é claro), enquanto ouvia a jornalista a dizer quais as "regras do jogo" a partir de 2012. Pareceram-me claras e confesso que até cheguei a ficar contente por finalmente haver transparência no processo de recrutamento / nomeação de cargos dirigentes. Eis quando oiço o tal "iluminado" a chamar todo este processo de "hipocrisia política". Tive de me controlar para não chamar um nome feio à televisão. É este tipo de coisas que me tira do sério e me remoem as entranhas...Claro que não consegui evitar começar aos berros com o "Einstein" e questioná-lo se queria manter ad eternum o actual registo não transparente de nomeação de cargos dirigentes.

O que tem a ver a nomeação dos dirigentes com o congelamento das carreiras? Tudo. Estão intimamente relacionados. Não faz sentido que dirigentes que estão no cargo há décadas perpetuem esta condição. E que agora se queixam, pois vêem aquela fonte de rendimento segura que era o Estado acabar com o facilitismo. E acima de tudo a dar oportunidade a quem tem competências provadas de ocupar cargos superiores na função pública. É isto que falta. Ah, e quem está mal...que se mude.

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Fumar no século XXI

Começo o texto de hoje por partilhar que fui fumador durante 16 anos. E que deixei de fumar em 2009.  Ou seja, fará este ano que agora co...