quarta-feira, novembro 30, 2011

Mealheiros

Cresci com um mealheiro de ferro fundido de uma conhecida instituição bancária. Ainda hoje mantenho o mesmo mealheiro, encarnado, onde durante décadas, sempre que eu solicitava de forma irritante, alguém me deixava uma moeda. Temo que a quase totalidade das moedas que lá estão dentro sejam da "moeda antiga", o que poderá fazer com que seja complicado fazer a troca do dinheiro que tenho dentro deste meu mealheiro pelo tão desejado Porsche. Também posso adiantar aqui e agora que este meu mealheiro nunca foi aberto. Talvez o venha a ser, se Portugal não cumprir com o acordado com troika...e talvez fique milionário...

Há poucos dias compraram-se dois mealheiros digitais cá para casa. Calha bem numa altura em que todas as pessoas deviam começar a pensar em amealhar. No mealheiro (gosto desta conjugação de palavras..amealhar no mealheiro). Adiante.

Foi com expectativa que coloquei as baterias nos mealheiros (como são digitais precisam de baterias para funcionar). Ansioso por começar a encher os mealheiros com os quilos de moedas que normalmente carrego nos bolsos. A grande expectativa deu rapidamente lugar à desilusão. Qualquer um dos mealheiros erra na identificação das moedas. Confunde as moedas de 0,50 cêntimos com as moedas de 1 euro. E outras moedas, não me recordo agora dos valores em causa. Ou seja, é necessário um trabalho contínuo de conversão!
Fiquei algo triste porque pensei que seria uma forma muito boa de manter uma boa contabilidade das minhas economias "de bolso". Afinal não. Estes mealheiros funcionarão apenas como reservatório dos meus trocos. A sua contabilização peca por errónea e quando os mesmos estiverem cheios terei de mais uma vez perder uma boa horita a contabilizar quanto mais rico estou.

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terça-feira, novembro 29, 2011

Agendas

Quem como eu tem 1300 coisas para fazer no mesmo dia, e prima pela organização, tem de ter em prática uma metodologia qualquer que lhe permita ter o dia / semana ou o mês organizado. A melhor forma que encontrei foi a de manter organizada (e actualizada) a minha agenda pessoal.

Nas minhas agendas há traços ou marcas que as tornam únicas. O uso da cor e o que está escrito nas mesmo são bons exemplos disso. Uso e abuso. Gosto de agendar todos os eventos que tenho programados para um determinado dia e tentar perceber como vou ser capaz de me desdobrar naqueles eventos em que há sobreposição de horários. Dão-me água pela barba. E assumem o incontornável estatuto de grandes desafios se se souber que não é de todo possível alterar ou re-agendar horários. Falo por exemplo das consultas dos médicos ou dentistas que invariavelmente têm lugar no horário de expediente.

Obviamente que não é qualquer agenda que me serve. Foram sempre necessários 6 meses para escolher a agenda que me satisfizesse. O que significa que durante meio ano comprava outras agendas, como que para me convencer que tinha uma agenda daquele mesmo ano, mas sempre com o olho em novas alternativas. Até que surgiu a possibilidade das agendas electrónicas.

A agenda electrónica permite um tipo de organização próxima daquela que a PIDE tinha dos ficheiros dos comunistas. Organização máxima. Mais. Não há um limite temporal ou de uma agenda que termine no dia 31 de Dezembro desse ano (normalmente ainda há a possibilidade de ter mais 2 ou 3 dias do início do ano seguinte). Ou seja, posso programar um jantar, às 2010H do próximo dia 23 de Setembro de 2032 (ver se não me esqueço de ver em que dia da semana calha). Posso também continuar a adicionar as minhas tão importantes notas na parte posterior da folha por forma a que nada me escape. E fazer bonecada.

Como nota final, tenho de confessar que é necessária uma enorme disciplina e força de vontade em manter uma agenda actualizada. Não é qualquer pessoa que o consegue. Aliás, em cada 10 pessoas que conheço, 4 usam uma agenda. E dessas 4 pessoas, duas preferem usar a agenda do e-mail. É uma boa alternativa, na medida em que as pessoas têm de ligar todos os dias o computador. Assim mantenham actualizada a mesma, parece-me igualmente uma excelente forma planeamento.

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segunda-feira, novembro 28, 2011

Recibo de Pagamento

Julgo não ser novidade para ninguém que o recibo de pagamento é um comprovativo documental importante e que deve ser guardado para posteriormente ser mostrado, caso seja necessário proceder à troca de determinado bem. 

A questão, para mim, reveste-se de particular interesse se pensarmos que assim sendo devemos guardar todos os recibos de pagamentos daquilo que adquirimos. Desta feita, e como fiel seguidor desta máxima, tenho naturalmente um arquivo (dossier) com todas os recibos de bens "de maiores dimensões" (e.g.: máquina de lavar de alta pressão) e....um local específico na minha secretária onde vou amontoando os recibos dos bens de "menor dimensão",  ou de menor importância, como é o caso dos recibos referentes aos pares de meias que comprei há dois dias.

Com tanta coisa que já foi inventada, e muitas vezes sem qualquer tipo de interesse prático, não compreendo como não foi ainda pensada uma forma alternativa de ter um comprovativo de pagamento de bem / serviço sem ser em papel. Poupar-se-ía nas árvores..e no espaço!

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domingo, novembro 27, 2011

Sobremesas

Confesso que gosto de comer sobremesas. E também tenho de partilhar que por vezes a comida me sabe melhor sabendo de antemão o que me está reservado como sobremesa. Sempre foi assim.

Uma das minhas sobremesas de eleição é sem dúvida a mousse de chocolate caseira. E digo a mousse caseira porque tem naturalmente um sabor diferente da instantânea que usualmente sabe pior que uma folha de papel. Gosto também muito de aletria. Também sempre gostei. À qual não pode faltar o habitual e necessário toque da canela (se não tiver ainda a canela posta, gosto de escrever o meu nome com a mesma).

A pêra bêbeda. Mais uma coisa que também gosto. E claro, os bolos. Gosto especialmente dos bolos mais "húmidos" e que usualmente se comem no final das refeições acompanhando o café / digestivo. Bolo de chocolate, brownies, bolo mármore, bolo de laranja, trança, etc. (já estou a ficar aguado).

Infelizmente, tenho cada vez mais de controlar a vontade de comer doces. A balança não engana. Já fui mais "doceiro" do que sou hoje em dia. Se bem que todos os dias "oiça os doces chamar por mim". Faço-me de surdo!

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sábado, novembro 26, 2011

A dor

Por infeliz necessidade, há poucos dias atrás tive de fazer uma pequena cirurgia local. Enquanto esperava que terminassem a mesma (com anestesia) pensava nesta dolorosa questão. Claro que comecei a sentir (ainda) mais a dor. Podia ter esperado até mais tarde para pensar, mas resolvi começar a pensar naquele preciso momento. 

Há quem consiga suportar a dor e há quem não consiga. Não me refiro a jogos de masoquismo ou desvios sexuais em que se procure que seja infligida a dor. Falo de situações normais, do quotidiano. Quando por exemplo alguém está a picar uma cebola e acidentalmente pica ou corta um indicador. Ou quando se baixa para apanhar um talher que caiu ao chão e dá uma cabeçada com toda a força no bico do tampo da mesa de jantar, que por sinal até é de vidro. Ou acidentalmente se fecha a porta blindada lá de casa em cima do polegar. Coisas deste tipo.
Uma das dores que mais me custa é sem dúvida na cadeira do dentista. Já aqui disse isto. Não só é uma dor muitíssimo irritante como é invariavelmente acompanhada do barulho agudo da broca estúpida. Fico sempre, mas sempre com vontade enorme de dar um pontapé com toda a força naquela cadeira do dentista que em alguns casos deve custar mais que um carro, chamar palavrões a toda a gente do consultório e ir embora envolto numa nuvem cinzenta com relâmpagos. Sim, de babete posto e tudo.

Outra dor que me deixa fora de mim, é aquela que tem lugar quando estou a mascar pastilha e mordo a bochecha numa determinada zona. Já é mau (e doloroso) que tal aconteça. Pior ainda quando mordo mais 3 vezes nessa mesma zona ao longo do dia. Fico à beira de um ataque de nervos. E muito mal disposto. Pois claro.

Haja paciência. Calha bem que sou uma pessoa que tolera "relativamente bem" a dor. A não ser em casos específicos em que não há volta a dar. E aí sim...não fico propriamente bem disposto.

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sexta-feira, novembro 25, 2011

Piquetes da Greve

Sempre achei piada à figura do "piquete da greve". Piada no bom sentido. Trata-se de uma peça essencial na consecução do objectivo final que é a realização de uma greve. Com máxima adesão. Como de resto se quer.

O piquete da greve é constituído por colegas de empresa. Não é qualquer desconhecido que vai ali a passar na rua e é nomeado para fazer parte do tal piquete. São colegas de empresa, que durante os restantes dias (que não o(s) dia(s) da(s) greve(s)) almoçam ao nosso lado. Recebem do mesmo patrão. Em alguns casos conhecem-se as famílias. Ou seja, há um elevado grau de intimidade. Afinal, e quando ao mesmo nível hierárquico, todas as pessoas são iguais. Quando além da relação profissional há também uma relação pessoal, há uma ligação mais forte. Lógico.

Em dias de greve as coisas mudam naturalmente de figura. Os tais conhecidos deixam de o ser. O colete "piquete da greve" faz toda a diferença. É como que vestir uma capa de "decisor sumário". Ali, à porta das empresas, ou nos parques de estacionamento (e.g.: parques de camiões de mercadorias, camiões de resíduos, etc.). E não devia ser assim.

Na minha opinião pessoal, e mais uma vez, não reconheço qualquer autoridade a um piquete da greve para impedir quem quer que seja de ir trabalhar. Em momento algum, em circunstância alguma, posso admitir que alguém seja impedido de trabalhar. Todas as pessoas têm (ou deverão ter) autonomia e discernimento para decidir o que fazer. Se querem ou não trabalhar. No caso de não quererem trabalhar, não podem impedir que quer trabalhar que o faça. Não devem. A violência física, em caso extremo, que por vezes tem sido aplicada para aqueles que querem trabalhar pode funcionar ao contrário. Ninguém terá dúvidas que legitimamente.

Há canais próprios para dar a conhecer a não concordância com determinadas políticas implementadas. por exemplo, as reuniões com a Tutela. Que culpa têm as pessoas que querem trabalhar do não entendimento entre sindicatos e o Governo? Não entendo. Porque razão haverão os demais trabalhadores, os que querem trabalhar ser prejudicados? Faz-me lembrar os tempos de liceu. Em que a minha turma fazia boicote a uma determinada cadeira porque a Professora chegava invariavelmente atrasada. Nunca fui embora 1 segundo após o "segundo toque" para a entrada. Cheguei a assistir sozinho a uma aula, juntamente com outro colega, após a Professora ter chegado meia hora atrasada à sala de aula. E nunca faltei.

Não serei o exemplo máximo de verticalidade. Mas sou alguém que se pauta por valores firmes. Não posso impôr a minha vontade a quem pensa de forma diferente da minha. Para o bem de todos. E para o meu próprio bem.

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quinta-feira, novembro 24, 2011

Lições de Vida

Lições de vida, como o próprio nome indica, são as lições que se aprendem à nossa custa, em consequência de termos vivenciado algo específico. Sem ajudas.

Todos nós, de forma mais presente ou mais distante, já experimentámos ou recebemos lições de vida. Na parte que me toca, o ter sido demasiado crédulo em muitas situações ou o ter confiado em tantas outras, fez com que a vida me ensinasse que nem sempre deve ser esse o caminho a seguir. Resultado: aprendi a ser mais desconfiado, fazendo jús à máxima popular de que "quando a esmola é muita, o pobre desconfia". E realmente faz sentido.

Outra coisa que vou interiorizando ao longo dos tempos é que ninguém dá nada a ninguém ou que "não há almoços grátis". As pessoas são cada vez mais individualistas, mais egocêntricas e por muito que apregoem o contrário, em primeiríssimo lugar está o seu umbigo. Depois o resto. Não condeno. Respeito.

Numa fase de conhecimento de alguém interessa pois perceber que lições de vida já terá recebido essa pessoa. Que experiências de vida tem essa pessoa. Tal percepção poderá fazer a diferença entre uma pessoa mais ou menos madura que nós, e caso seja assim entendido, debater, dialogar essas questões no sentido de se perceber de que forma poderão (ou não) ser vivências que no futuro poderão ser fracturantes.

É neste aspecto que julgo que residirá a essência do conhecimento e consequentemente a aferição do quão grande é a identificação que pode haver com determinada pessoa. E quanto mais identificados nos sentirmos com alguém, mais fácil será o relacionamento. Desejavelmente.

Resumindo, vivências similares poderão sugerir lições de vida e aprendizagens ou lugares comuns similares. Ou não. Daí o necessário diálogo.

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quarta-feira, novembro 23, 2011

Greve Geral

Na altura em que escrevi os textos sobre greves e as convulsões sociais (Fevereiro e Dezembro de 2010, respectivamente), estava longe de imaginar o que o futuro reservava ao meu País. Muito longe.

O direito à greve é algo que está consagrado no artigo 57º da Constituição da República Portuguesa. Trata-se de uma garantia e compete ao trabalhador definir o que quer defender com a greve. Quer isto dizer que todo e qualquer trabalhador pode (e deve) exercer o seu direito à greve, assim tenha perfeitamente definido o que está em causa. O que se reivindica.

Por outro lado, e na mesma Constituição da República Portuguesa, logo a seguir, no artigo 58º está reflectido o "direito ao trabalho". Indo mais longe, no artigo 59º (Direitos dos Trabalhadores), pode ler-se no ponto 2, alínea a):

2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente: 

a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida , o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;(...)

in Constituição da República Portuguesa, VII Revisão Constituicional (2005)

Parece-me claro  que o que está a ser feito, pelo actual Governo não é mais do que o que está destacado a amarelo e neste excerto da Constituição, sendo que esta mesma Constituição decorre da tal revolução do 25 de Abril de 1974. Ou seja, espelha as pretensões do Povo.
Actualmente, o que está a ser feito, não é mais que honrar os compromissos assumidos com a Comunidade Europeia (CE) e objectivamente com o FMI. Estes compromissos foram curiosamente ratificado pelo Governo anterior. E que actualmente está na Oposição. Nota: Já não falo na forma negligente e impune com que se desresponsabilizou de qualquer imputação de culpa pelo estado a que conduziu Portugal. Como seria de esperar.
Para serem atingidos os objectivos propostos e elencados no tal memorando são necessários esforços. Sim, mais esforços ainda. A situação do País não é tão boa quanto aquela que o Governo anterior avançou, e com (entre outros), "buracos da Madeira", alguém tem de pagar a factura. Para que seja paga a factura, é necessário que tenham lugar sacrifícios. E sejam tomadas medidas impopulares, como sejam a retenção de 50% do subsídio de Natal, o aumento dos impostos, a taxação das SCUT, as privatizações, etc. Recordo mais uma vez que quem avançou com as medidas que seriam implementadas (e estão-no a ser) não foi o actual Governo. Foi o anterior. Com a aprovação do actual e do partido com quem governa em coligação. Donde, quero acreditar que de forma lúcida e responsável idealizaram a melhor forma de o fazer.

A actual greve geral é, no meu entender, infrutífera. Não só os grevistas vão logicamente perder um dia de trabalho, como em altura de Portugal mostrar que consegue honrar os compromissos assumidos e que tem em curso uma política de implementação de medidas que visem o enriquecimento da Nação, não o conseguirá. Por um lado, o Governo quer trabalhar, quer governar. Quer mostrar resultados que permitam à CE ganhar confiança no caminho delineado e continuar a abrir os cordões à bolsa e conceder as tão necessárias tranches de dinheiro. Foi exactamente o que não aconteceu com a Grécia e é cada mais mais certo a saída deste país do grupo europeu.

Em tempo de guerra não se limpam armas, já reza o adágio popular. Este não é o momento de se perder tempo com paralisações que não conseguem mais que uma tomada de posição (com toda a legitimidade) mas que consegue empobrecer ainda mais o País. Onde são passados para a CE sinais de instabilidade social, convulsões e uma imagem de não coesão. A situação é grave e exige que durante alguns anos tenham de ser feitos sacrifícios. Contrariamente aos tempos das "vacas gordas" em que Portugal viveu durante cerca de duas décadas, com alternância de poder político entre os dois maiores partidos. 

Seria interessante quantificar o prejuízo infligido a Portugal nesta greve geral. E as consequências que tal poderá ter em termos de cumprimento dos objectivos propostos. De uma coisa se pode estar certo...é um ponto negativo. Não é assim que Portugal sairá da recessão técnica em que se encontra actualmente.

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terça-feira, novembro 22, 2011

Bilhetes do Estacionamento

Tanta coisa que é inventada todos os dias e nunca pensaram em encontrar um substituto para o irritante bilhete do estacionamento. É das piores coisas que há. 

Em primeiro lugar, nem sempre as máquinas dos estacionamentos estão 100% funcionais. Significa isto não raro, há alguém que fica a estupidificar atrás da cancela, pacientemente (ou não), à espera que o sistema decida deixar entrar, abandonando a mensagem de "parque cheio". Ao mesmo tempo que se vêem carros a sair ou lugares vazios, mesmo à frente da cancela. Já me aconteceu.

Em segundo lugar, a probabilidade de alguém como eu esquecer-se do local onde colocou o bilhete do estacionamento tão grande como já me terem tirado parte do subsídio de Natal. Na medida em que na maior parte dos parques o pagamento do estacionamento é efectuado na caixa automática, é natural que não se deixe o bilhete do estacionamento no interior do carro. A menos que se queira fazer uma promessa a algum Santo e se opte por fazer 3 vezes a mesma viagem. E consequentemente perde-se muito facilmente o rasto ao bilhete. Triste sina teve um conhecido meu. Colocou o bilhete de estacionamento no ventilador do ar do seu carro, no tablier, para não se esquecer de onde o tinha deixado. Acontece que o bilhete entrou para dentro da conduta de ar. Resultado: o bilhete ali mesmo, à vista de qualquer pessoa, mas de forma inalcançável. O tablier do carro teve de ser desmontado. E no final teve de pagar "um pouco" mais de parque de estacionamento.

Em terceiro e último lugar, é sabido que hoje em dia há sistemas deu agilizam o pagamento do parque - Via Verde. Contudo, não há corredores dedicados para a saída do parque de quem pagou o estacionamento com o identificador que normalmente usa nas portagens. Significa isto que vale o que vale pagar desta forma. É certo que se evitam alguns minutos nas filas da caixas automáticas, mas também é certo que vão ser compensados na fila para a saída do parque do estacionamento. Além disso, obriga a que exista um identificador deste tipo. 

Devia haver a possibilidade de se ter um identificador que fosse válido em vários parques de estacionamento. Sem vínculo contratual a uma concessionária cujo "negócio" nem sequer são parques de estacionamento. Mas que naturalmente aufere o que aí se paga. Porque disponibiliza o seu know-how..

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segunda-feira, novembro 21, 2011

Os 30 anos dos GNR

No passado Sábado fui ver os GNR ao Coliseu dos Recreios. Quem não conhece os GNR certamente que viveu num buraco algures e deixou passar os acontecimentos dos últimos 40 anos a esta parte. É uma das mais antigas bandas de rock nacional.

Vamos ao que interessa. A última vez que vi (ou tentei ver - porque era baixo) os GNR ao vivo foi mesmo na Alameda, ali colada à tão bonita e de todos conhecida Fonte Luminosa. Estamos a falar de um evento que terá tido lugar há sensivelmente 20 anos. É giro pensar nas coisas nestes termos. Se não foi o primeiro foi certamente um dos primeiros concertos que terei assistido ao vivo.

Para quem já assistiu a concertos ao vivo sabe do que falo. É outro sabor. E confirmou-se isso (aparte do facto de ser o primeiro concerto que assistia ao vivo). Já se imagina que devo ter passado o concerto todo a tremer de excitação e contentamento de viver aquele momento. Foi quando conheci (ou melhor, ouvi) o Rui Reininho pela primeira vez e os demais colegas que fazem parte desta banda de rock portuguesas. Antiga e ainda activa.

Do acima, decorre que foi com bastante expectativa que fui a este concerto. Afinal ia rever amigos de há 20 anos. Quando se gosta de um grupo, sem entrar no domínio complexo do fanatismo, é usual que se trauteiem em modo contínuo umas 5 ou 6 músicas. Faço-o constantemente mas só mesmo a parte da melodia, porque não gasto a minha massa cinzenta a decorar letras. Aliás, na maioria das vezes as letras não fazem qualquer sentido. Convido-o(a) a pensar numa música da sua banda preferida, escreva a letra num papel e depois leia pausadamente. Verá que faz tanto sentido como colocar um rato no aquário de uma "cobra-rateira" e esperar que se reproduzam.

Gostei médio do concerto. De 0 a 20, um esforçado 14. Ficar na plateia deste tipo de concerto é um pouco como ir ao casino num dia em que alguém se sente afortunado. A sorte pode estar do nosso lado ou pode não estar. Como seria de esperar, nunca está do meu lado. E tive de levar com uma bandeira alusiva aos GNR em vários momentos do concerto. Resultado: nesses mesmos momentos, e do local onde estava, só vi mesmo a bandeira. Nada mais.

Num concerto de comemoração de uma efeméride importante, como são os 30 de uma banda de música, não diria que o momento sugere solenidade, mas dá certamente azo a que os cordões à bolsa sejam abertos. Ou muito abertos. Tivesse o "Band Manager" contactado aqui o escriba e certamente que teria feito um trabalho melhor. Em termos de cenário e de envolvente. Achei pobre a projecção de excertos de concertos d abanda ao longo da sua carreira. O "light jockey", por sua vez, pareceu-me um pouco fora de contexto. Ou baralhou-se e pensou que estaria a trabalhar a luz numa rave em Ibiza, de tal forma estavam acelerados os focos de luz. Houve uma altura em que senti o que porventura sentirão aqueles corajosos que fumam os "cigarrinhos para rir"....e ficam a falar como se tivessem engolido Hélio...Não por ter ficado com a voz fina, mas porque me senti a voar, em dado momento. Julgo que não foi só o jogo de luzes..mas também erva que cheirei. Sim...algum malandro levou erva e fumou DENTRO do Coliseu.

Para terminar, e dado que não sou crítico de música - apenas e só alguém que gosta dos "antigos" GNR. Achei de mau tom que a música "Popless",  que é uma daquelas músicas dos GNR que considero ser uma das mais emblemáticas, tenha sido integralmente interpretada por alguém que me era completamente desconhecido. Não só não reflectiu a força que a música tem, como a voz que sempre associei à mesma esteve.....atrás do palco. Não sei a fazer o quê. A música foi um "flop" e nem no final o Rui "foi buscar a música". Foi mau. Muito mau e foi infeliz. Podia ter sido escolhida uma música do novíssimo album...e o estrago não era tão grande!

Não deixou saudades. Ver se melhoram até ao 60º aniversário!
 
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sábado, novembro 19, 2011

Picos de Corrente

Os picos de corrente são daquelas coisas (entre tantas outras) que têm o dom de me fazer perder a pouca paciência que tenho. Assim mesmo. Sem dificuldade alguma.

Naturalmente que não vou entrar no detalhe técnico no porquê de acontecerem os picos de corrente, até porque não conseguiria dar uma justificação consolidada e bem credível. O meu conhecimento de leigo relembra-me que um pico de corrente é a intensidade máxima que um determinado aparelho eléctrico tem e prejuízo pode provocar numa corrente eléctrica lá de casa quando é ligado. Grosso modo é isso. E o resultado é o conhecido. Quando por exemplo se decide ligar um aquecedor que eu cá sei e que existe lá em casa, é certo e sabido que passado um par de minutos, se alguém quiser encontrar-me é percorrer uma qualquer parede lá de casa, onde deverei estar a colado, a tactear para rapidamente chegar ao quadro eléctrico e o voltar a ligar.

Além do doloroso inconveniente que é a probabilidade de dar um pontapé em cheio numa base de um dos móveis lá de casa, subsiste outra questão. Embora tenha os despertadores dos telefones programados para o meu despertar de madrugada, tenho também vários despertadores-rádio lá de casa. Daqueles que têm números bem luminosos e que no meu caso iluminam bem o meu quarto ficando o mesmo quase com a luz solar. Quando há um pico de corrente e o quadro "vem abaixo" os despertadores ficam desregulados. São pelo menos uns 5 despertadores que tenho de acertar. Desconfio que alguns são mais velhos que eu atendendo à complexa conjugação de teclas que tenho de pressionar em simultâneo...E irrita-me este tipo de obrigação. Dá-me vontade de atirar estes despertadores para uma fossa oceânica e nunca mais ouvir falar deles. Ou não ter de os acertar!

Malditos picos de corrente..

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Trocos

Tenho ódio muito grande e de estimação por trocos. Moedas. Detesto-as. Não se sabe por onde andaram ou nas mãos de quem andaram. Um nojo sem igual. Fazem soar os alarmes no raio-X dos aeroportos, obrigando a tirar tudo dos bolsos.

As moedas (nunca ouvi falar de trocos em notas), dão sempre jeito. Gosto quando me questionam, na altura do pagamento de algo, se tenho trocado. Um dia destes respondo que tenho, mas que não me apetece facilitar a vida a ninguém e para se despachar com o troco porque a minha vida não é estar à espera destas coisas. Havia de ser uma coisa esperta...

Tenho vários rituais que cumpro quando chego a casa. Um deles, entre vários, é o de despejar as moedas que me pesam nos bolsos num copo que aqui tenho para este efeito. Com uma regularidade assustadora que me faz ter de o despejar e contar. O copo enche depressa demais e não é um copo pequeno. O que quer dizer que as pessoas têm prazer em dar-me moedas. E que não raro fazem as calças parecer ser de cintura descaída de tão pesados andam os bolsos.

Posto isto, com uma periodicidade mensal (ou talvez um pouco mais), urge fazer a contabilidade do amealhado. Depois de finalizada, é necessário fazer uns rolos de papel identificados com a quantia que têm no seu interior. Coloca-se tudo num saco plástico e leva-se à Dona Teresa do quiosque, para me trocar aqueles 2 quilograma de moedas em....1,5 grama de notas. Magia..

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quinta-feira, novembro 17, 2011

Canivete Suíço

Qualquer elemento do sexo masculino que se preze tem um canivete suíço. Não se trata de algo opcional. É obrigatório ter um. Mesmo que não se ande com ele de um lado para o outro com um canivete deste tipo, como o saudoso e MacGyver...importa ter um. E acredito piamente que qualquer mulher gosta de saber que o seu macho tem este tipo de ferramenta e lhe sabe dar uso com mestria. Ao canivete, não falei "noutras" ferramentas...

O primeiro e genuíno canivete suíço remonta ao ano de 1891. O exército suíço pretendia, para uso exclusivo dos seus soldados, um canivete que fosse versátil, leve e fácil de transportar, mas que simultaneamente fosse bastante resistente. Desta importante e legítima pretensão até à execução do primeiro canivete suíço genuíno primeiro medearam 10 anos, altura em que foi produzido o primeiro protótipo.

Tenho alguns canivetes suíços, como não podia deixar de ser. Desde o modelo mais simples até ao modelo em que "apenas-falta-tirar-cafés". Em qualquer dos casos, sinto-me invariavelmente mais completo. Mais seguro. Sei  perfeitamente e confio cegamente que posso sair ileso de qualquer situação. Por mais complexa que seja. Posso construir bombas e posso quem sabe, construir alguma coisa que me apeteça, tipo uma nave espacial. Não foi à toa que vi várias vezes a série de programas do MacGyver. E tanto que aprendi. De química, da minha tão querida física e da tão necessária biologia. 

Gosto muito deste tipo de artefacto. Ainda que já tenha perdido algum sangue em consequência de me ter cortado em lâminas. Ou de já ter perdido peças de alguns dos caniveste...pinças, por exemplo. Quem diria que as têm...mas é um facto!

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quarta-feira, novembro 16, 2011

Óculos Escuros

Comprei (mais) um par de óculos escuros. Há uns dias atrás. Na medida em que tenho tido algum azar com os pares que tenho tido (e.g.: lentes partidas, hastes que se desconjuntam), tive de comprar mais um par, depois de quase ter ficado cego com a luz solar numa das últimas manhãs em que fui trabalhar.

À semelhança de tantos outros objectos, um par de óculos escuros diz muito da pessoa. Naturalmente que não posso levar a sério uma pessoa que usa um par de óculos de massa branca ou encarnada com dimensões que superam a dimensão da cara. Da mesma forma que não me parece sensato manter uma conversação com alguém que usa uns óculos escuros cuja armação tem o formato de coração ou de gota de água. Há limites para tudo. E nesta matéria são muito facilmente ultrapassados assim se opte pelo esotérico.

Bem sei que cada um tem os seus gostos. Confesso que ainda não consigo pensar em manter uma conversa séria com alguém que fala comigo olhando para mim através de um par de óculos como os que descrevo acima. É mais forte que eu.

Um par de óculos escuros, na minha opinião, deve ser discreto. O máximo possível. Acima de tudo deve dar-se preferência a óculos que proporcionem uma boa protecção dos olhos. No caso das pessoas com olhos claros (tipicamente mais fotossensíveis), a escolha de um bom par de óculos revela-se de extrema importância. No meu caso (e julgo que no caso das demais pessoas com olhos escuros), a escolha de um bom par de óculos tem por objectivo dar resposta  à incontornável dificuldade que há em conduzir de manhã com muita claridade. Ou de sair de casa com essa típica claridade matinal (para quem não conduz, por ex).

Em qualquer dos casos...que impere o bom senso na escolha dos óculos escuros!

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terça-feira, novembro 15, 2011

Desculpas

As desculpas são um mal necessário. Já aqui disse isto. Desde a inconveniente (e oportuna) dor de cabeça ou dor de barriga - que surge mesmo naquele momento e que inviabiliza uma saída com o(a) chato(a) que não pára de nos massacrar - passando pela inevitável e incontornável ajuda que tem de ser dada a alguém que precisa mesmo da nossa ajuda ou apoio ou mesmo a clássica desculpa do "desculpa-me, mas deixei um bolo no forno e tenho de ir a correr para casa".

A desculpa é tão mais credível quanto mais premente for a necessidade de usar a mesma. Ou deveria sê-lo. Quero com isto dizer que há as desculpas socialmente aceitáveis e outras que não o são. Há desculpas inabaláveis e sólidas e há as desculpas frágeis e pouco sustentadas. Já aqui tive oportunidade de desenvolver este tema anteriormente, mas a pertinência do mesmo, bem como as mais variadas desculpas que todos os dias se ouvem, torna necessário o seu repescamento.

Por outro lado, irrita-me sobejamente que as pessoas me tentem enrolar. E eu a ver esse filme. Detesto esse tipo de jogo psicológico em que me "tentam" passar um atestado de débil mental, avançando desculpas mais frágeis que castelos de cartas. E regra geral, também sinto que as pessoas  subestimam a minha inteligência. Porque assim quero. Mas "quando estão a ir...eu já "estou a voltar". Sempre foi assim e nunca falhou. Donde, as desculpas que normalmente me dão têm muita pouca credibilidade. 

Salvo raras excepções, claro.

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segunda-feira, novembro 14, 2011

Teoria do Iceberg

A questão da teoria do iceberg é muito conhecida nas análises financeiras. É também muito aplicável noutro tipo de análises, mas será neste tipo específico de abordagem que é mais utilizada. Imagine-se um iceberg. Há a parte visível (emersa) e parte invisível (submersa). O que sucede é que um iceberg tem por vezes associado um enorme desenvolvimento em profundidade. O que, para um analista, é a parte que interessa explorar, na medida em que é "esta zona" onde estão alocadas as verdadeiras e reais necessidades e pretensões contratuais.

Nos dias que correm, a generalidade das pessoas, analogamente aos maus analistas, tende a  preocupar-se apenas com a parte visível do iceberg. Não digo que seja uma má abordagem. É sim a mais fácil e tem associada uma elevada probabilidade de erro na medida em que peca pela tal superficialidade.

Importa pois, tentar perceber a dimensão real da parte não visível do iceberg. Não tirar ilacções precipitadas e em consequência da análise fácil e imediata do que é visível.

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domingo, novembro 13, 2011

Peditórios

Há peditórios por tudo e por nada. Esta é uma realidade que me faz repensar continuamente o conceito de peditório, que terá conduzido a que, há algumas largas centenas de anos alguém tivesse a ideia de organizar peditórios.

Desde as 100 associações de bombeiros portuguesas, passando pelas 500 organizações humanitárias (intituladas não governamentais e sem fins lucrativos) há uma miríade de exemplos que aqui podiam  ser referidos. O "denominador comum" acaba por ser um só: o tornar possível serem obtidas contribuições monetárias ou em géneros (bancos alimentares) por partes de "ilustres" desconhecidos que estão num sítio certo e numa determinada hora.

Tal como referi num texto anterior, não dou esmolas. Nem tampouco contribuo para peditórios. E explico o porquê. Nunca me é dado a conhecer o resultado final. Não se trata de desconfiar do trabalho dos outros. Nada disso. Mas sim de esperar uma justificação final , do tipo: "Com os 3 milhões de euros que a associação X conseguiu juntar no peditório que decorreu entre os dias Y e Z foi possível  construir uma série de apartamentos em banda. Ou que destino final terão as 15 tonelada de alimentos que se conseguiu juntar "à boca" das caixas dos hipermercados durante o mês de Abril. Conhecem? Eu também não. 

Todos os anos me entregam os sacos à porta do hipermercado para doar o que quiser e na medida das minhas possibilidades. Invariavelmente declino o saco plástico. Exactamente pela razão que aponto acima. Não sei para quem / onde vão os víveres reunidos. Nunca soube quem foi alimentado. O mesmo se aplica aos peditórios de todas as associações de bombeiros que me interpelam nos semáforos de Lisboa. Curiosamente não vejo camiões dos bombeiros novos. Andam invariavelmente com fardas que me fazem lembrar a guerra dos 100 dias de tão desbotadas estão e laboram em edifícios decrépitos e em más condições de conservação...Enfim. Julgo que o caminho é haver mais informação, mais comunicação, para que as pessoas como eu, que gostam de ver onde o dinheiro é aplicado sejam informadas. É justo.

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sábado, novembro 12, 2011

Quem ri por último...

...ri melhor. Já reza o adágio popular. Tenho constatado isso mesmo em alguns momentos específicos da minha vida. 

Regra geral, quem envereda por caminhos "tortuosos e obscuros" acaba por se dar mal. Mais cedo ou mais tarde tal é percebido. Daí, e na minha opinião, ser perigoso, em algumas situações, rir-se em primeira mão, ou de forma inopinada. Por outras palavras, gozar o prato antes do tempo.

Dou comigo recorrentemente a pensar neste assunto. Ao longo dos tempos, tenho vindo a lidar com pessoas que parecem ser uma coisa, quando na realidade são outra. E tenho vindo a afinar esta minha percepção ao longo dos tempos - a necessidade aguça o engenho...

O caso flagrante será o daquelas pessoas que a dada altura mostram ser amigas, disponíveis e depois não são nada disso. À primeira situação mostram efectivamente ser quem são. Não condeno nem recrimino. As pessoas são o resultado da sociedade. A sociedade de hoje em dia peca pela falta de valores morais e éticos. E pior,  tenho para mim que não vai mudar. A posição mais confortável é alcançada deixando tudo correr ao "ao sabor do vento" e permitir que o destino resolva as coisas.O que é uma abordagem errada. Deixar as coisas andar, na minha visão, é viver acomodado. E como já aqui disse anteriormente, sou radicalmente contra o acomodar-se às situações.

Tenho vivenciado alguns dissabores nos últimos tempos. Alguns vindos de pessoas bem próximas. A vida tem-me vindo a mostrar que volvido algum tempo há males que vêm por bem, e tenho também conhecimento que cada um(a) tem (ou terá) aquilo que merece. 

A minha consciência, como até aqui, está tranquila. Já a dos outros(as)...não sei. Cada um(a) sabe de si. E quem ri por último ri melhor!

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sexta-feira, novembro 11, 2011

Boicotes

De quando em quando recebo e-mails do tipo "corrente" no sentido de boicotar alguma coisa. O mais recente tem que ver com a não utilização da energia eléctrica.

Dois tipos de pensamento me ocorrem de imediato: em primeiríssimo lugar fico muito sensibilizado pelo facto de algum dos meus amigos(as) mais uma vez se ter lembrado de me enviar um destes e-mails interessantíssimo e com um objectivo final claramente definido (que normalmente só consigo ver uns dias mais tarde por entrar directo para a paste de spam). Em segundo lugar, dou comigo a pensar neste boicote. 

Boicotar a utilização da electricidade durante "x" minutos. Se o fizesse, dificilmente conseguiria escrever estas linhas. O banho com água quente seria impossível (painéis solares). Se porventura fosse necessário tirar o carro da garagem teria de o fazer manualmente (portão eléctrico) e teria de arranjar meios alternativos para me transportar ao destino..e por aí adiante, são vários os exemplos da utilização da corrente eléctrica. Já não falo de todos os equipamentos eléctricos que há nas unidades hospitalares e cujas vidas de algumas pessoas dependem. Teriam a sua piada boicotar a utilização da electricidade nestas unidades e já agora desligar também os compressores (fonte de energia alternativa quando há falha de corrente eléctrica).

Acredito que este tipo de boicote tenha sempre em linha de conta a conveniência do horário. Não me parece que as pessoas que têm este tipo de ideia se lembrem de o fazer quando chegam a sua casa para jantar depois de um dia cansativo. Ou se moraram num 18º andar e tiverem de deixar o seu carro no exterior do prédio e a ajudar à festa apanharem uma chuvada daquelas à moda antiga - afinal o portão da garagem também é eléctrico - e tiverem de subir a pé mais de uma centena de degraus (os elevadores também são eléctricos)... ou quando quiserem tomar um banho quente depois da chuvada!!

É tudo muito bonito, mas é importante que a ser feito, seja coerente. Só assim é válido um boicote. Nunca terá o mesmo "alcance" se fôr feito em consonância com os hábitos de cada um.

Peço encarecidamente para não me enviarem este tipo de e-mail! O único e-mail deste tipo que quero que me enviem é o boicote à corrupção política e desgoverno. Aí sim, serei o primeiro a aderir.

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quinta-feira, novembro 10, 2011

Excentricidades

Dentro das minhas possibilidades económicas tenho de convir que sou um excêntrico no presente momento de acentuada crise. Excentricidade será algo que me apetece comprar, não sendo algo que necessite imperiosamente. Não bastando o facto de ser algo tido como dispensável tem ainda associado o facto de ser algo caro.

Bem sei que não há justificação para este tipo de gasto, e especialmente nesta altura conturbada. Mas ainda assim, tento ser coerente e encontrar justificações sólidas que me permitam ver a aquisição como lógica. Encontro sempre alguma teoria que consigo vender a mim mesmo. Sendo de imediato aceite por mim. Curioso, não?

De "mãos dadas" com a excentricidade anda a impulsividade. Havendo disponibilidade (monetária) conduz à compra de algo, sem que seja perdido muito tempo a procurar alternativas mais baratas. É o tipo de pensamento perigoso para quem é "excêntrico" e tem uma série de encargos financeiros que tem de custear. Que não é o meu caso.

Enquanto puder, não deixarei de ser excêntrico. Assim fique mais feliz!

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Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...