quarta-feira, dezembro 14, 2011

Vendas de Natal

Nesta altura do ano é normal que tenham lugar as vendas de Natal. São várias, espalhadas pela cidade, País, em todo o Mundo.

Das primeiras vezes que fui a uma venda de Natal foi ali na paróquia de Benfica. Na altura, com cerca de 1,50m de altura e pouco mais de 100 escudos no bolso fazia as compras de Natal lá para casa. Não comprava muita coisa, até porque quem vendia também estava à espera de "realizar algum". Mas ainda assim, dava para comprar algumas coisas engraçadas e a um preço mais baixo que se fosse a uma loja...tipo luvas para as panelas ou conjuntos de chávenas de chá. E que a minha mãe ao receber fazia o ar mais deliciado que lhe era permitido fazer.

Há vendas de Natal muito conhecidas (e participadas). Lembro-me por exemplo da clássica venda de Natal, anualmente organizada pelas mulheres dos embaixadores e que tem lugar ali para os lados da antiga FIL. Nunca lá fui, mas aposto que seja uma coisa interessantíssima, não só pela riqueza cultural das vendedoras, bem como pelo preço que é pedido pelo que é vendido. Também não me parece que por lá vá encontrar uma luva para tirar o empadão de carne do forno. Ou por outra, até sou capaz de encontrar..com um custo que dava para comprar um carro novo. Um dos bons.

Que continuem as vendas. Por muitos e muitos Natais...!

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terça-feira, dezembro 13, 2011

Ser especial

Não. Não vou aqui perder tempo a escrever do treinador de futebol (português) que se julga um ente superior e que é conhecido em todo o sistema planetário. Sinceramente, não tenho paciência para escrever ou sequer tentar organizar ideias sobre pessoas arrogantes, egocêntricas e petulantes. Dizem-me que tem razões para o ser. Eu digo que ninguém tem razões para ser como ele é. Ninguém.

Há algumas pessoas que considero terem sido especiais na minha vida. Família directa (Pais, irmão e restante família directa) que de alguma forma contribuem (ou contribuíram) para que determinadas opções tivessem sido seguidas na minha vida. Noutra perspectiva, pessoas com quem me relacionei (profissional ou afectivamente). De alguma forma, também estas relações induziram alguns dos meus traços de personalidade. Por exemplo, a capacidade analítica, a organização, o reconhecimento de alguns defeitos e o necessário trabalho a partir de mim que tem de ser desenvolvido. Muito importante esta parte. Na medida em que são pessoas que convivem comigo diariamente, conseguem de forma directa e quase que óbvia dar-me nota desses aspectos. E claro, por serem especiais oiço e valorizo a sua opinião.

Nem toda a gente que quer ser especial na minha vida o consegue. Infelizmente e por via de alguma circunstância, não consigo ter para mim que todas as pessoas que conheçam sejam especiais. Pessoas especiais destacam-se pelo facto de em algum momento terem estado ao meu lado. Pelo facto de me terem ajudado. Ou por outra, de terem melhorado a minha vivência ou de terem contribuído para ser uma pessoa melhor. E não é qualquer pessoa que o consegue.

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Ser honesto

Contam-se pelos dedos de uma mão (ou de meia mão) as pessoas que conheço e que são honestas. Dessa meia mão, um dos dedos, diz respeito aqui ao escriba.

Em primeiro lugar, ser honesto significa ser uma pessoa íntegra, vertical, com valores morais muito bem consolidados e definidos. É mais fácil ser desonesto que honesto, é uma realidade. É mais fácil encontrar uma carteira, retirar o dinheiro que lá está dentro (dizendo que já se encontrou a carteira assim), do que a devolver com tudo o que lá estava dentro, incluindo o dinheiro. Nos dias que correm até calha bem. A honestidade, para quem encontrou a carteira, baseia-se portanto no facto de a mesma ter sido encontrada e entregue (e.g: PSP). Sempre se poupa na trabalheira de ir tirar todos os documentos de novo...

Em segundo lugar, ser honesto é o pautar-se por uma forma de estar na vida diferente da dos demais. É valorizar aspectos como a integridade, frontalidade, sensatez e tendo como "baliza" os valores morais e éticos apreendidos no decurso da vivência. É neste processo que muito boa gente diverge e que, mais tarde se evidenciará como sendo algo que influiu de forma errada no molde da personalidade. E há muita gente assim. Infelizmente.

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domingo, dezembro 11, 2011

Saber ser humilde...

Um dos aspectos que importa ou que deve ser "afinado" com o passar do tempo é efectivamente o saber ser humilde. Incentivar a capacidade ou a disponibilidade para aceitar uma crítica ou para aprender. É isto a que me refiro. Mas nem sempre é assim.

Saber ser humilde implica, em algum momento, ser detentor de um poder de encaixe razoável, o que como se sabe é complicado. Alguém que me diga que gosta de ouvir críticas depreciativas acerca da forma como trabalha. Ou comentários ao facto de ostensivamente chegar atrasado ao trabalho (se bem que esta até é bem metida), ou ainda de ser uma pessoa acomodada e sem visão de futuro. A resposta parece-me lógica e directa. Ninguém.

A admissão do erro é meio caminho para a correcção do mesmo. É o definitivo "acto de contrição" e que faz a diferença entre uma pessoa que reconhece o erro (e quer mudar) e uma pessoa que ou não reconhece ou não quer reconhecer e que inevitavelmente permanecerá "sem ver a luz" por tempo indefinido, ficando "ancorado" a fantasmas do passado. Será a diferença entre o ser humilde e o mostrar disponibilidade para a mudança ou não o ser e mostrar que pensamentos passados e muito consolidados ou determinados estão presentes, eventualmente em consequência de episódios vividos menos bons. O que nem sempre é bom...e que a jusante comprometem significativamente a capacidade para alguém ser humilde.

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sábado, dezembro 10, 2011

Passar pelas brasas

Cá está mais um dos temas que me é muito querido. Em consequência de me levantar da cama muito cedo, e na maior parte das vezes ainda de noite, é normal que com o avançar do dia o cansaço vá aparecendo. E agravando-se o mesmo no período pós-almoço. Até aqui nada de novo. Acontece a qualquer um.

Descobri ao longo dos anos dois fenómenos curiosos que acontecem comigo. Um deles, o primeiro fenómeno, acho que acontece com mais pessoas. Tem que ver com o facto de invariavelmente passar pelas brasas ou de adormecer em toda e qualquer acção de formação que acontece a seguir ao almoço. Não há volta a dar. Já tentei de tudo. Desde beber baldes de café seguidos para queimar bem a traqueia, ou meter a cabeça debaixo da torneira e abri-la no máximo e ir de seguida para a sala de formação com o cabelo a pingar deixando um rasto de água por onde passo...enfim...artifícios. Nada resultou até hoje.

O segundo fenómeno é ainda mais hilariante. Aqui já duvido que haja muita gente a conseguir este feito singular. Prende-se com o ser possível dormir com os olhos...abertos. Não é espectacular? Também acho. Mais ainda quando durante as aulas da pós-graduação, com sala disposta em "U" as minhas colegas da frente me apanhavam a dormir. Várias vezes. Não é para qualquer um. Eu conseguia e consigo..

Sinto-me verdadeiramente afortunado. Quantas e quantas vezes não adormeço em reuniões ou tenho de morder o lábio quase a fazer sangue para me manter acordado? Já aconteceu milhares de vezes. São autênticos desafios que lanço a mim mesmo. Simplesmente lindo. Às vezes ganho...outras nem por isso.

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sexta-feira, dezembro 09, 2011

Horas Extraordinárias

A questão das horas extraordinárias tem muito que se lhe diga. Ninguém gosta de as fazer. E claro que quando as mesmas são feitas são exigidos ressarcimentos por parte das associações sindicais que por vezes roçam o obsceno.

As tabelas de remuneração das horas extraordinárias estão tabeladas, ou seja, o índice de remuneração das horas extraordinárias está legalmente determinado. Ninguém precisa de "inventar a roda". Basta fazer as contas e pagar o que está determinado na lei, ultrapassadas que são as 8 horas diárias / 40 horas semanais. E entra-se no domínio das horas extraordinárias.

Feliz ou infelizmente, houve alguém que se lembrou de algo com imensa piasa. Dá-se pelo nome de "isenção de horário". Ou seja, se porventura a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) bater à porta de qualquer empresa às 2100H e encontrar vários trabalhadores ainda na labuta...dificilmente poderá fazer algo. Ou seja, o empregador consegue evidenciar - através do recibo de vencimento - que o trabalhador é ressarcido dessas horas a mais que faz por dia / semana (apontando para uma parcela incluída no vencimento mensal) e pouco há a fazer. Mesmo que o trabalhador tenha umas olheiras até ao chão e aparente evidente descoordenação motora ou balbucie que o fim do mundo é no dia seguinte.

Nas empresas onde os resultados positivos são uma constante (usualmente multinacionais) não há horas extraordinárias. A determinada hora (julgo que é às 1800H ou às 1900H), as luzes de todos os pisos do prédio são apagadas. Se porventura algum trabalhador ficar a trabalhar até mais tarde, e se for detectado na ronda do segurança, é identificado pelo mesmo. No dia seguinte, o chefe de equipa deste trabalhador é chamado à coordenação de divisão e é questionado o porquê de ter sido identificado um colaborador da sua equipa a desoras no escritório. Há trabalho a mais? Está a ser delegada demasiada responsabilidade em alguém que não dá conta do recado? Serão as tarefas atribuídas passíveis de ser executadas por esse trabalhador? Será que o mesmo tem competências para tal? Teve a adequada formação e informação para as levar a cabo? Ou por outro lado houve má gestão das tarefas ou do tempo por parte do trabalhador? Ou é alguém que tem dado indícios de estar cansado ou de não ser capaz de ter tarefas de responsabilidade? O que é certo é que o segurança detectou alguém em horário "pós-laboral". E não é suposto.
À boa maneira portuguesa, se este procedimento fosse implementado nas empresas nacionais, todos os dias os chefes de divisão seriam chamados à pedra. O português é pródigo em trabalhar bem sob pressão. As pessoas gostam de trabalhar bem sob pressão, o que evidencia por si só que não há seguimento de um planeamento prévio. Ou se há...é furado. Mais cedo ou mais tarde. O trabalhar português, tipicamente não segue um planeamento. Prefere trabalhar ao seu ritmo e vontade. Daí as horas extraordinárias.

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tolerâncias de Ponto

Já aqui referi que sou radicalmente contra as tolerâncias de ponto. E não se pense que é pelo facto de trabalhar há anos no sector privado e não usufruir das benesses do sector público. Por definição, sou contra.

Esta minha animosidade relativamente à concessão das tolerâncias de ponto não seria descabida há 50 anos atrás. Na altura, o sector privado teria uma menor representatividade face à tão almejada e cobiçada efectividade no Estado. Em muitas situações o que era concedido (em termos de tolerâncias de ponto) no público era seguido no privado. Até este ano. 

Com o passar dos anos passou a ser uma opção por parte de quem paga os vencimentos, em nome da produtividade. E confesso que não discordo.

Mas voltando atrás. Há 50 anos (ou até antes), assistiu-se ao  êxodo rural massivo do meio rural e consequente fixação das pessoas nas grandes urbes em busca das melhores condições de vida, das boas oportunidades e naturalmente em busca de algo que fosse o garante de uma boa vida para os filhos e gerações vindouras. Tudo isto em detrimento da necessidade de ir acordar as galinhas para chocar os ovos ou de ir mungir as vacas por volta das 0430H. Ou ir todos para o campo de noite a noite. Assim sendo, e nesta perspectiva, parece-me fazer sentido a fuga do campo e tentar a sorte nas cidades. 

Mas como se sabe, nem sempre é possível que se cortem as raízes. Nas épocas festivas e por altura das romarias, na apanha da uva ou da azeitona, a saudade aperta e os corações de pedra dos chefes (também eles lá da "terra") eram amolecidos. O na altura "dono de Portugal" também era ele próprio provinciano. E claro que com facilidade eram concedidas estas benesses. Para que as pessoas que iam à terra "tivessem um dia" para a viagem de volta à terra. Lembro os mais esquecidos que na altura não havia alcatrão em todo o "rectângulo" e ir de Lisboa ao Porto....era capaz de demorar menos umas horas do que as actualmente necessárias para ligar Lisboa ao...Brasil.

Para concluir, e por via de ter sido dada prioridade máxima à construção de estradas por parte de um determinado governante, construíram-se muitas. Demasiadas, diria mesmo. Mas tornou-se possível ir ao Porto em menos de duas horas para comer uma francesinha. E assim sendo, deixa de fazer sentido avançar a necessidade de se tentar "engrupir" o chefe com a treta de se perder um dia em viagem. A questão é que os portugueses perpetuam (como de resto já vem sendo hábito), a "chica espertice". E esquecem-se que os tempos mudaram. Porque lhes convém esquecer, claro. Mas como até é bom ter finais de semana prolongados...mais vale estar quieto. Quando em altura de crise...o que se devia pensar é nas formas de dar a volta. E fazer mais sacrifícios. 

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quarta-feira, dezembro 07, 2011

A gota de água...

É usual ser usada a expressão "a gota de água foi..." (qualquer coisa) quando se quer enfatizar algo que mudou o rumo dos acontecimentos. Na maior parte das vezes é um evento de somenos importância, mas que aliado a toda uma série de eventos anteriores faz toda a diferença.

O que esta expressão tem de perigoso é o facto de se referir a um pequeno acontecimento que pode muda irreversivelmente  uma sequência de acontecimentos subsequentes. Bons exemplos da aplicação desta expressão são aquelas situações em que há um típico acumular de situações não desejáveis - e.g.: mau comportamento escolar de um puto reguila. A Professora adverte umas 2 vezes os pais do puto. Em casa, e para desespero dos pais, o puto continua sempre a fazer das suas e a gota de água é um dia fazer um remate numa bola qual Ronaldo e partir uma jarra da dinastia Ming que sempre existiu na família da mãe...

Também fora da esfera familiar há também "várias gotas de água". Um acumular de maus exemplos no campo profissional - e.g.: atrasos, faltas de companheirismo, falta de assiduidade, irresponsabilidade, desrespeito pela cadeia de comando, etc.. Outro "bom" exemplo são os relacionamentos afectivos longos e marcados por repetidas discussões, até que um dia, algo que acontece e que nunca teve importância, passa a ter uma importância vital. 

Não há uma solução para que esta expressão não seja utilizada. A melhor forma de evitá-la é mesmo estar atento aos sinais. Sempre.

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terça-feira, dezembro 06, 2011

Taser

Para quem nunca ouviu falar dos tasers, não são mais do que armas capazes de libertar uma descarga eléctrica tal, que podem causar a dormência da zona onde os eléctrodos tocam, ou mesmo o desmaio do agressor (ou marido traidor) durante alguns largos minutos, permitindo assim sová-lo ou castigá-lo pelo crime cometido.

Os tasers são comummente utilizados pelas autoridades policiais lá fora. Embora mais uma vez se façam ouvir as Ligas que defendem os Direitos Humanos, não se ouve falar tanto como nos casos do recurso às habituais armas de fogo. Afinal, depois de levar com os eléctrodos, que pode culminar em desmaio, a vítima acorda e continua viva. Já com um tiro certeiro num coração as probabilidades de ficar cá para contar o sucedido diminuem consideravelmente . 

Nos Estados Unidos, por exemplo, pretende-se inverter a curva exponencial de americanos com armas de fogo em casa. O taser começa a ser muito utilizado como dispositivo de defesa pessoal. Em alguns casos há mais que uma arma em casa, mais que duas armas...em alguns casos mais de uma dezena de armas. A legislação norte americana é diferente da portuguesa, e é permitido a um cidadão deste país, (sendo maior de idade) comprar uma arma.

O taser é considerado "arma" na medida em que há registo de casos mortais. O princípio é basicamente o mesmo. Dois eléctrodos, ligados a dois fios de cobre que podem ter quatro, seis, oito ou dez metros. Ao disparar, são lançados os dois eléctrodos, que ao atingir a vitima, fazem uma descarga eléctrica durante 5 segundos, imobilizando o alvo. Findo esse tempo, e mantendo-se pressionado o gatilho, há uma descarga disparada a cada 1,5 segundos. Após o disparo, os eléctrodos e os fios são descartados, sendo trocados efectuar novo disparo. Pode-se acoplar ao taser uma lanterna táctica e mira  laser, para evitar erros acidentais. Há modelos que imobilizam a vitima, independente da resistência à electricidade do alvo e da área atingida, pois devido à descarga ser intra-muscular,vai agir directo no sistema nervoso central, fazendo com que o alvo fique em posição fetal...

Nos dias que correm, com a escala da violência, sei que serão muitas as pessoas a comprar um dispositivo destes, em vez da habitual pistola (necessária licença de uso e porte de arma). Não deve ser nada agradável levar com uns milhares de volts no corpo. Nada mesmo.

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segunda-feira, dezembro 05, 2011

Futuro da Europa

Os últimos tempos têm sido conturbados. Para quem como a Alemanha e a França querem de alguma forma fazer com que haja prosperidade e dinamismo na economia do bloco europeu, o cenário com o qual se têm deparado é negro e cada vez mais complicado de gerir.

Em primeiro lugar, porque se começa a notar algum tipo de "travão" na disponibilização de verba para ajudar os países mais carenciados, por parte dos países que efectivamente têm capacidade para o fazer, nomeadamente os dois que refiro acima. A situação preocupante fala por si: Irlanda, Grécia, Portugal e mais recentemente a Itália. Veremos ver como se consegue desenvencilhar este último país, mas para já, é bom ter sido efectuado o auto- reconhecimento da  necessária implementação das incontornáveis medidas de austeridade. Tal como tem vindo a acontecer por cá.

Em segundo lugar, a reacção dos contribuintes. Se na Irlanda, Portugal e Itália me parece que houve uma interiorização e consciencialização por parte de quem paga impostos de que tempos difíceis se avizinham, já na Grécia as coisas não foram assim. Sucessivas greves e paralisações, motins e formas de contestação erradas, que, na minha opinião, e como aqui no blogue já disse, neste momento são erradas. Basicamente, poderá estar em causa a concessão de mais tranches de ajuda monetária, assim a Grécia não evidencie a consecução dos objectivos a que se propôs, para que já lhe tivessem sido atribuídas 2 ou 3 tranches de ajuda monetária (ou balões de oxigénio) num passado recente.

Em terceiro e último lugar, é mais que certa a radicalização do discurso e o endurecimento das sanções para os países incumpridores. Concordo. Falando objectivamente de Portugal, foram muitos anos com o País a ser governado de forma displicente e irresponsável. Jamais um país com uma economia pouco pujante como é a economia portuguesa poderia ter permitido que fossem construídos 11 (onze) estádios de futebol por ocasião de um evento futebolístico. Que seria se porventura regressasse a Fórmula 1 a Portugal...seria construído um autódromo (que como se imagina obedece a uma série de requisitos de segurança - tornando o projecto muito oneroso)... 

Basta ver o tempo perdido com "trocas de galhardetes" por altura dos debates da Assembleia da República. É errado. Da mesma forma que é errada a forma como é feita por cá a Oposição. Quando deveria haver um debate construtivo e no sentido de encontrar soluções para o País, é por isso que os deputados são eleitos (e pagos), prefere-se definir uma atribuição de culpas da situação actual. Que como se sabe alterna entre os dois maiores partidos políticos de Portugal.

Quando há um ex-Primeiro Ministro que diz que querer pagar a dívida é coisa de criança, preocupo-me. Da mesma forma que me preocupa o mesmo ex-político ter dito que as dívidas não se pagam. São para ser geridas. Há uns dias atrás fui almoçar e na altura de pagar, percebi que não tinha a carteira comigo. Podia ter pago passados uns dias, até porque vou a este restaurante quase diariamente. Fui buscar a carteira, fiz 4 vezes o mesmo percurso, mas a dívida foi paga volvidos 3 minutos. Quando o dono do restaurante me viu de volta, disse logo que não era necessário e que podia ter pago depois. Apenas que lhe disse que as boas contas fazem os bons amigos. Tomara que tivesse sido posta em prática desde sempre disciplinada política económica em Portugal, ao invés de permitir que a banca estimulasse o endividamento familiar durante décadas. Como se sabe e é conhecida. 

Agora é necessário mudar mentalidades e hábitos que como é sabido é o mais complicado.

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domingo, dezembro 04, 2011

Suporte Técnico

Há vários anos que percebo um fenómeno curioso. Nos suportes técnicos (ou apoio técnico, se preferirem) trabalham pessoas que não gostam de mim. Foram já várias as vezes em que os meus contactos telefónicos com estes serviços culminaram em discussão e não raro comigo fora de mim com tamanha insolência e falta de profissionalismo.

No suporte técnico de qualquer empresa, deverão trabalhar pessoas que saibam resolver os problemas. De forma expedita e efectiva. É simplesmente isto que se pede. Que não sejam emitidas opiniões pessoais. E que quem atende o telefone tenha autonomia de resposta, sem ter de colocar uma pessoa em espera, a ouvir música, enquanto vai perguntar ao chefe de equipa o que se pode dizer ou fazer.

Não ligo para estes números porque me apetece ou porque sinta necessidade de partilhar com alguém do outro lado como me correu o dia. Ligo por necessidade e depois de haver esgotado todas as possibilidades (passíveis de serem equacionáveis como solução no meu conhecimento de leigo nestas matérias). Donde, e com esta assumpção, se ligo é porque estou de alguma forma impossibilitado de fazer / ligar algo. Aceder à internet, por exemplo. Coisa pouca, se atendermos que no final do mês o prestador de serviços não vai esperar quando fôr o momento de fazer o débito bancário para ser ressarcido dos serviços disponibilizados...

Não basta hoje em dia disponibilizar os serviços. É necessário garantir um suporte adequado e eficiente, que vá de encontro às necessidades imediatas dos Clientes. Só assim se pode falar em fidelização. E suportes técnicos que invariavelmente arranjam problemas em detrimento de os resolver...fazem com que a empresa perca Clientes. E com razão.

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sábado, dezembro 03, 2011

Centros de Emprego

Nos dias que correm, os centros de emprego deviam ser dos locais mais procurados por quem ficou sem emprego. Refiro que deviam porque nem sempre o próprio desempregado recorre ao centro de emprego da sua área de residência, e como tal, a estatística relativamente aos desempregados vale o que vale. Poderemos estar perante "mais um iceberg"...ou seja, ser muito maior o número de desempregados do que aquele que é avançado pelo Instituto Nacional da Estatística (INE).

Para alguém que sempre teve trabalho (e bem pago), poderá parecer desprestigiante ser visto por um amigo ou amiga numa fila do centro de emprego às 0800H. Compreendo isso. As justificações que têm de ser dadas, o repisar uma realidade má e confrangedora fazem com que a vontade de alguém ir para uma fila do centro de emprego, logo de manhã, não seja muito diferente da vontade em sair da cama de madrugada para ser sovado.

Na minha opinião, e por muito que custe ou seja complicado pensas nisso, é importante que as pessoas se inscrevam nos centro de emprego enquanto desempregados. Só assim se poderá ter uma noção real do flagelo do desemprego e tomar iniciativas que visem o rápido decréscimo desta percentagem. Nomeadamente canalizar parte das ajudas financeiras externas para este problema, em vez de se dar tanta importância a assuntos de somenos importância neste momento tão delicado.

Com o (quase) certo endurecimento das medidas da austeridade em 20112, muitas serão as empresas que não conseguirão manter as portas abertas, e consequentemente será naturalmente incrementada a taxa dos desempregados. Julgo, como refiro acima, que deveria haver a obrigatoriedade de inscrição no centro de emprego. Bem sei que com o que mencionei é complicado e também sei que as pessoas acabam por não se deslocar aos centros de emprego. Contudo, acredito que é o local próprio para se procurarem oportunidades de emprego, e para atestar perante o Estado que se está à procura de emprego, por forma a ser atribuído o subsídio (de desemprego). E pôr de vez de lado o pensamento de que é algo "demeritório".

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sexta-feira, dezembro 02, 2011

Ficar sem emprego

Já são muitos os casos de pessoas que tenho conhecido e que têm a infelicidade de ter ficado sem emprego nos últimos tempos. Não vou aqui, e à semelhança do que já terão dito tantas outras pessoas, dizer que é uma infelicidade e que melhores dias virão. Acho escusado. Quem está nesta situação já sabe disso. Melhor do que ninguém.

Há contudo algumas sugestões que posso fazer. Em primeiro lugar, não esmorecer ou baixar os braços. É o pior que pode ser feito. Naturalmente que não espero que apeteça ir dançar a alguém que tenha ficado sem emprego, mas é importante saber avaliar as coisas de cabeça fria. Aqui reside uma das formas para se poder "dar a volta por cima". Saber avaliar a situação e porque não, definir numa singela folha de papel as qualidades pessoais e as fraquezas (numa coluna) e numa outra coluna os locais ou empregos onde gostaria de trabalhar. Não há impossibilidades. Há oportunidades que podem ser criadas. Ou não. Mas é necessário que se tente.

Em segundo lugar, a questão da forma como usualmente se concorre a uma determinada vaga. Contrariamente ao que muita gente possa pensar, por vezes, os anúncios de emprego que aparecem nos jornais ou nos sites dedicados são meramente ilusórios. Ou seja, determinada empresa quer sondar o mercado e ver quantos profissionais concorrem para determinada vaga. Publica o anúncio e fica com os currículos desses candidatos em base de dados. É uma prática comum e não tem necessidade de custear os serviços de empresas dedicadas a este tipo tipo de serviço (e.g.: recrutamento ou head hunting). Por forma a validar quão fidedigno será um determinado anúncio, uma sugestão que faço, é que quem procura emprego não se limite a ficar sentado em frente a um computador, a enviar currículos por e-mail. Ou a enviar os mesmos por carta. Isso não resolve nada. E cai no esquecimento. Entre dezenas, centenas de outras candidaturas.

Um Director de Recursos Humanos ou alguém com capacidade de decisão, numa empresa de renome, recebe por dia dezenas (ou centenas) de candidaturas espontâneas. Assim sendo, importa marcar a diferença. Uma forma de o fazer é tentar perceber quem é o responsável pelo processo de recrutamento de novos colaboradores. Tipicamente um Director de Recursos Humanos. Sem dúvida alguma que será uma pessoa com uma agenda carregadíssima e envolvido em 10 processos de recrutamento que decorrem em simultâneo. Mas é a "pessoa chave". É importante chegar até esta pessoa e marcar uma reunião. Nesta reunião entrega-se o currículo em mão e o tal responsável fica logo a perceber que há aqui uma atitude, uma postura. Vontade de vencer. Isso conta, marca pontos.

O presente momento poderá parecer eternamente complicado e demorado. Mas é a realidade actual e em todo o mundo. Assiste-se a uma crise económica sem paralelo nos últimos 30 anos. Os investidores estão há coisa de 5 anos sem investir, na expectativa de que melhores dias virão. E o que se constata é que há cada vez mais medo em fazê-lo. Principalmente na Comunidade Europeia (CE), onde todos os dias se constata que há mais um país com uma economia frágil e disparam os alarmes em Bruxelas. Como consequência, as empresas nacionais, aquelas que ainda se conseguem manter no activo, preferem apostar no que já têm, do que estar a sobrecarregar os custos de estrutura (custos fixos). É jogar pelo seguro, manter os postos de trabalho existentes e não alimentar expectativas de novas contratações que podem sair goradas num breve espaço de tempo. Por esta razão entendo que podem ser abraçadas oportunidades de emprego imediatas e com um carácter temporário. Assiste-se por exemplo a uma oferta de emprego expressiva na actividade comercial ou prestação de serviços. Sendo que em alguns casos à remuneração está indexado um plano comissional, poderá ser uma solução de recurso simpática. Dentro do possível, claro.

Mais uma vez refiro aqui neste espaço que é importante que sejam dados sinais de confiança aos investidores. Só assim poderá ter lugar o estímulo e incentivo ao investimento nacional (e internacional em Portugal). E só assim será possível a criação de mais postos de trabalho. É esse o caminho.

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quinta-feira, dezembro 01, 2011

Tirar notas

Desde sempre que tirei notas. Contudo, e de forma mais disciplinada nos últimos anos. A memória já não é o que era e torna-se necessário que tire notas de quase tudo por forma a que me lembre das coisas passados alguns dias / meses.

Tal como a minha agenda, também o meu caderno de notas diárias evoluiu. Abandonei definitivamente o papel, não sem antes ter demorado algum tempo até encontrar o caderno digital de notas perfeito. E estou satisfeito. Posso escrevinhar todas as minhas notas diárias, usar as cores (sim, também uso aqui as cores), e até colocar fotografias! Excelente.

Mais uma ajuda...na minha organização!

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quarta-feira, novembro 30, 2011

Mealheiros

Cresci com um mealheiro de ferro fundido de uma conhecida instituição bancária. Ainda hoje mantenho o mesmo mealheiro, encarnado, onde durante décadas, sempre que eu solicitava de forma irritante, alguém me deixava uma moeda. Temo que a quase totalidade das moedas que lá estão dentro sejam da "moeda antiga", o que poderá fazer com que seja complicado fazer a troca do dinheiro que tenho dentro deste meu mealheiro pelo tão desejado Porsche. Também posso adiantar aqui e agora que este meu mealheiro nunca foi aberto. Talvez o venha a ser, se Portugal não cumprir com o acordado com troika...e talvez fique milionário...

Há poucos dias compraram-se dois mealheiros digitais cá para casa. Calha bem numa altura em que todas as pessoas deviam começar a pensar em amealhar. No mealheiro (gosto desta conjugação de palavras..amealhar no mealheiro). Adiante.

Foi com expectativa que coloquei as baterias nos mealheiros (como são digitais precisam de baterias para funcionar). Ansioso por começar a encher os mealheiros com os quilos de moedas que normalmente carrego nos bolsos. A grande expectativa deu rapidamente lugar à desilusão. Qualquer um dos mealheiros erra na identificação das moedas. Confunde as moedas de 0,50 cêntimos com as moedas de 1 euro. E outras moedas, não me recordo agora dos valores em causa. Ou seja, é necessário um trabalho contínuo de conversão!
Fiquei algo triste porque pensei que seria uma forma muito boa de manter uma boa contabilidade das minhas economias "de bolso". Afinal não. Estes mealheiros funcionarão apenas como reservatório dos meus trocos. A sua contabilização peca por errónea e quando os mesmos estiverem cheios terei de mais uma vez perder uma boa horita a contabilizar quanto mais rico estou.

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terça-feira, novembro 29, 2011

Agendas

Quem como eu tem 1300 coisas para fazer no mesmo dia, e prima pela organização, tem de ter em prática uma metodologia qualquer que lhe permita ter o dia / semana ou o mês organizado. A melhor forma que encontrei foi a de manter organizada (e actualizada) a minha agenda pessoal.

Nas minhas agendas há traços ou marcas que as tornam únicas. O uso da cor e o que está escrito nas mesmo são bons exemplos disso. Uso e abuso. Gosto de agendar todos os eventos que tenho programados para um determinado dia e tentar perceber como vou ser capaz de me desdobrar naqueles eventos em que há sobreposição de horários. Dão-me água pela barba. E assumem o incontornável estatuto de grandes desafios se se souber que não é de todo possível alterar ou re-agendar horários. Falo por exemplo das consultas dos médicos ou dentistas que invariavelmente têm lugar no horário de expediente.

Obviamente que não é qualquer agenda que me serve. Foram sempre necessários 6 meses para escolher a agenda que me satisfizesse. O que significa que durante meio ano comprava outras agendas, como que para me convencer que tinha uma agenda daquele mesmo ano, mas sempre com o olho em novas alternativas. Até que surgiu a possibilidade das agendas electrónicas.

A agenda electrónica permite um tipo de organização próxima daquela que a PIDE tinha dos ficheiros dos comunistas. Organização máxima. Mais. Não há um limite temporal ou de uma agenda que termine no dia 31 de Dezembro desse ano (normalmente ainda há a possibilidade de ter mais 2 ou 3 dias do início do ano seguinte). Ou seja, posso programar um jantar, às 2010H do próximo dia 23 de Setembro de 2032 (ver se não me esqueço de ver em que dia da semana calha). Posso também continuar a adicionar as minhas tão importantes notas na parte posterior da folha por forma a que nada me escape. E fazer bonecada.

Como nota final, tenho de confessar que é necessária uma enorme disciplina e força de vontade em manter uma agenda actualizada. Não é qualquer pessoa que o consegue. Aliás, em cada 10 pessoas que conheço, 4 usam uma agenda. E dessas 4 pessoas, duas preferem usar a agenda do e-mail. É uma boa alternativa, na medida em que as pessoas têm de ligar todos os dias o computador. Assim mantenham actualizada a mesma, parece-me igualmente uma excelente forma planeamento.

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segunda-feira, novembro 28, 2011

Recibo de Pagamento

Julgo não ser novidade para ninguém que o recibo de pagamento é um comprovativo documental importante e que deve ser guardado para posteriormente ser mostrado, caso seja necessário proceder à troca de determinado bem. 

A questão, para mim, reveste-se de particular interesse se pensarmos que assim sendo devemos guardar todos os recibos de pagamentos daquilo que adquirimos. Desta feita, e como fiel seguidor desta máxima, tenho naturalmente um arquivo (dossier) com todas os recibos de bens "de maiores dimensões" (e.g.: máquina de lavar de alta pressão) e....um local específico na minha secretária onde vou amontoando os recibos dos bens de "menor dimensão",  ou de menor importância, como é o caso dos recibos referentes aos pares de meias que comprei há dois dias.

Com tanta coisa que já foi inventada, e muitas vezes sem qualquer tipo de interesse prático, não compreendo como não foi ainda pensada uma forma alternativa de ter um comprovativo de pagamento de bem / serviço sem ser em papel. Poupar-se-ía nas árvores..e no espaço!

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domingo, novembro 27, 2011

Sobremesas

Confesso que gosto de comer sobremesas. E também tenho de partilhar que por vezes a comida me sabe melhor sabendo de antemão o que me está reservado como sobremesa. Sempre foi assim.

Uma das minhas sobremesas de eleição é sem dúvida a mousse de chocolate caseira. E digo a mousse caseira porque tem naturalmente um sabor diferente da instantânea que usualmente sabe pior que uma folha de papel. Gosto também muito de aletria. Também sempre gostei. À qual não pode faltar o habitual e necessário toque da canela (se não tiver ainda a canela posta, gosto de escrever o meu nome com a mesma).

A pêra bêbeda. Mais uma coisa que também gosto. E claro, os bolos. Gosto especialmente dos bolos mais "húmidos" e que usualmente se comem no final das refeições acompanhando o café / digestivo. Bolo de chocolate, brownies, bolo mármore, bolo de laranja, trança, etc. (já estou a ficar aguado).

Infelizmente, tenho cada vez mais de controlar a vontade de comer doces. A balança não engana. Já fui mais "doceiro" do que sou hoje em dia. Se bem que todos os dias "oiça os doces chamar por mim". Faço-me de surdo!

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sábado, novembro 26, 2011

A dor

Por infeliz necessidade, há poucos dias atrás tive de fazer uma pequena cirurgia local. Enquanto esperava que terminassem a mesma (com anestesia) pensava nesta dolorosa questão. Claro que comecei a sentir (ainda) mais a dor. Podia ter esperado até mais tarde para pensar, mas resolvi começar a pensar naquele preciso momento. 

Há quem consiga suportar a dor e há quem não consiga. Não me refiro a jogos de masoquismo ou desvios sexuais em que se procure que seja infligida a dor. Falo de situações normais, do quotidiano. Quando por exemplo alguém está a picar uma cebola e acidentalmente pica ou corta um indicador. Ou quando se baixa para apanhar um talher que caiu ao chão e dá uma cabeçada com toda a força no bico do tampo da mesa de jantar, que por sinal até é de vidro. Ou acidentalmente se fecha a porta blindada lá de casa em cima do polegar. Coisas deste tipo.
Uma das dores que mais me custa é sem dúvida na cadeira do dentista. Já aqui disse isto. Não só é uma dor muitíssimo irritante como é invariavelmente acompanhada do barulho agudo da broca estúpida. Fico sempre, mas sempre com vontade enorme de dar um pontapé com toda a força naquela cadeira do dentista que em alguns casos deve custar mais que um carro, chamar palavrões a toda a gente do consultório e ir embora envolto numa nuvem cinzenta com relâmpagos. Sim, de babete posto e tudo.

Outra dor que me deixa fora de mim, é aquela que tem lugar quando estou a mascar pastilha e mordo a bochecha numa determinada zona. Já é mau (e doloroso) que tal aconteça. Pior ainda quando mordo mais 3 vezes nessa mesma zona ao longo do dia. Fico à beira de um ataque de nervos. E muito mal disposto. Pois claro.

Haja paciência. Calha bem que sou uma pessoa que tolera "relativamente bem" a dor. A não ser em casos específicos em que não há volta a dar. E aí sim...não fico propriamente bem disposto.

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sexta-feira, novembro 25, 2011

Piquetes da Greve

Sempre achei piada à figura do "piquete da greve". Piada no bom sentido. Trata-se de uma peça essencial na consecução do objectivo final que é a realização de uma greve. Com máxima adesão. Como de resto se quer.

O piquete da greve é constituído por colegas de empresa. Não é qualquer desconhecido que vai ali a passar na rua e é nomeado para fazer parte do tal piquete. São colegas de empresa, que durante os restantes dias (que não o(s) dia(s) da(s) greve(s)) almoçam ao nosso lado. Recebem do mesmo patrão. Em alguns casos conhecem-se as famílias. Ou seja, há um elevado grau de intimidade. Afinal, e quando ao mesmo nível hierárquico, todas as pessoas são iguais. Quando além da relação profissional há também uma relação pessoal, há uma ligação mais forte. Lógico.

Em dias de greve as coisas mudam naturalmente de figura. Os tais conhecidos deixam de o ser. O colete "piquete da greve" faz toda a diferença. É como que vestir uma capa de "decisor sumário". Ali, à porta das empresas, ou nos parques de estacionamento (e.g.: parques de camiões de mercadorias, camiões de resíduos, etc.). E não devia ser assim.

Na minha opinião pessoal, e mais uma vez, não reconheço qualquer autoridade a um piquete da greve para impedir quem quer que seja de ir trabalhar. Em momento algum, em circunstância alguma, posso admitir que alguém seja impedido de trabalhar. Todas as pessoas têm (ou deverão ter) autonomia e discernimento para decidir o que fazer. Se querem ou não trabalhar. No caso de não quererem trabalhar, não podem impedir que quer trabalhar que o faça. Não devem. A violência física, em caso extremo, que por vezes tem sido aplicada para aqueles que querem trabalhar pode funcionar ao contrário. Ninguém terá dúvidas que legitimamente.

Há canais próprios para dar a conhecer a não concordância com determinadas políticas implementadas. por exemplo, as reuniões com a Tutela. Que culpa têm as pessoas que querem trabalhar do não entendimento entre sindicatos e o Governo? Não entendo. Porque razão haverão os demais trabalhadores, os que querem trabalhar ser prejudicados? Faz-me lembrar os tempos de liceu. Em que a minha turma fazia boicote a uma determinada cadeira porque a Professora chegava invariavelmente atrasada. Nunca fui embora 1 segundo após o "segundo toque" para a entrada. Cheguei a assistir sozinho a uma aula, juntamente com outro colega, após a Professora ter chegado meia hora atrasada à sala de aula. E nunca faltei.

Não serei o exemplo máximo de verticalidade. Mas sou alguém que se pauta por valores firmes. Não posso impôr a minha vontade a quem pensa de forma diferente da minha. Para o bem de todos. E para o meu próprio bem.

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Fumar no século XXI

Começo o texto de hoje por partilhar que fui fumador durante 16 anos. E que deixei de fumar em 2009.  Ou seja, fará este ano que agora co...