quinta-feira, dezembro 22, 2011

Respeitar o Espaço

Respeitar o espaço, na minha opinião, é sem dúvida uma das variáveis que contribui de forma decisiva para que uma relação afectiva / amizade perdure: Semanas, meses ou anos. 

Se no início de qualquer relação, seja de que tipo fôr, é muito bonito dizer-se que se respeita o espaço e individualidade do outro lado, é na prática (e com a ajuda do factor tempo) que as coisas se confirmam  na realidade e se são assim ou se é treta. Na maior parte das vezes, e infelizmente, é treta. Complicado? Muito.

Não há uma fórmula cientificamente comprovada para dar a volta a este problema que aflige tantos casais ou relacionamentos de amizade. Acima de tudo, e remetendo o leitor para um dos meus textos sobre o "Diálogo" (Maio/2010), acho que é necessário que haja uma partilha sobre limites em que cada um se sente confortável. Zonas de conforto, se preferirem. A minha zona de conforto não é necessariamente igual à zona de conforto de uma pessoa com quem gosto de falar e debater assuntos relacionados com o todo-o-terreno ou de alguém que prezo e estimo e a quem ligo para saber como correu o dia. Ou seja, por outras palavras, os "timings", a regularidade de contacto e a forma como são encetados os mesmos poderão conduzir a sensações de desconforto e de incomodidade que podem ser evitadas assim haja uma discussão aberta, frontal e adulta sobre limites individuais.

Não tanto numa relação de amizade, mas mais numa relação afectiva, com muita frequência os limites são desrespeitados. Por vezes involuntariamente. Na expectativa de se querer estar "presente", mimar ou agradar..o resultado consegue ser pior. É certo que a sensação de desconforto até é justificada. Vejamos. Há histórico de relacionamentos afectivos anteriores que não resultaram e que, por exemplo, uma das partes nunca aceitou o final. Consequentemente, há casos de perseguição, de ameaças, etc. Coisas más e que não matam (em alguns casos), mas moem.

Até que aparece uma pessoa nova. A insistência de um contacto desta pessoa, numa tentativa de mostrar interesse, e sem que tenha havido tempo para a outra pessoa "enterrar os esqueletos que tem no armário", pode ser como consequência reacções intempestivas e violentas. Não personificadas, é certo, mas que carecem de entendimento e acima de tudo, percepção que é necessário respeitar o espaço. E o tempo.

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quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pôr a mesa

Pôr a mesa é algo que faço há muitíssimos anos. Diria mesmo que desde que passei a conseguir colocar as coisas em cima da mesa (como seria normal e expectável).

Esta singela (mas nem por isso menos importante) tarefa doméstica foi durante décadas motivo de discórdia entre eu e o meu querido irmão. Discussões acesas em consequência do não cumprimento de planeamentos acordados verbalmente entre ambos. Ou seja, combinávamos que um de nós punha a mesa ao almoço e o outro levantava. Numa semana. O problema era a memória de ambos ser curta o que originava logo confusão.

Uma das coisas que mais me irrita, quando estou numa refeição, é o ter de me levantar da mesa. Detesto. Prefiro perder mais uns segundos a pôr a mesa do que durante a refeição ter de me levantar. Dá mais trabalho? Dá. Mas consigo ter uma refeição em paz. A melhor analogia que consigo avançar é a de um "4 patas" que alegremente se banqueteia com o focinho mergulhado na sua gamela. A privação da gamela neste momento da refeição pode ser como consequência uma ferroadela que faz ver estrelas. Eu não mordo, naturalmente, mas analogamente fico muitíssimo mal disposto. São várias as situações que já me fizeram levantar: um telefone esquecido numa outra divisão da casa que não aquela onde está naquele momento, e que começa insistentemente a tocar como se alguém estivesse a ser queimado com ácido clorídrico e que me deixa à beira de um colapso nervoso - ou o ter de me levantar porque falta alguma coisa na mesa: desde sal, a pinça para a salada, o pão, etc. 

Desenvolvi recentemente uma metodologia infalível para que ninguém me consiga fazer interromper a refeição. Mentalmente, durante semanas, desenvolvi um esquema mental para elencar quais eram os items que normalmente estavam em falta e eram pedidos quando estava entre a 2ª e a 3ª garfada de comida. Comecei a interiorizar essa lista e disciplinei-me no sentido de a pôr em prática, o que quer dizer, em termos práticos, de colocar as coisas na mesa. Fui mais longe. Coloco também coisas que não são primariamente necessárias, o que faz com que a mesa do jantar se assemelhe à confusão arquitectónica que caracteriza o Parque Expo.

Com o tempo, e na medida em que já estou "calhado", consigo pôr uma mesa completa em menos de 3 minutos. É claro que pelo meio há aqui uns exercícios de contorcionismo, com pratos, copos, talheres, guardanapos, pão, vinho, telefones a ser tudo carregado de uma só vez (na óptica de optimização do tempo). Mas resulta...

...e são cada vez mais raras as vezes que me levanto. E me deleito nas refeições...

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terça-feira, dezembro 20, 2011

Ser do contra

Quem me conhece há algum tempo sabe que nunca gostei, não gosto e dificilmente irei gostar das tão conhecidas e habituais carneiradas. Seguir o que é defendido ou advogado pelos outros, sem que me tenha sido explicado muito bem o porquê não faz muito o meu género. Não gosto, e acho um pouco despropositado.

Em bom rigor, posso considerar-me do contra. Porquê? Porque as coisas que a maior parte das pessoas gosta...entedia-me. Por exemplo, não gosto de ir beber uns copos ou ir para as discotecas da moda e deitar-me quando o sol está a nascer. Nem que seja pontualmente. E são muitas as pessoas que conheço e que gostam. Não consigo achar piada alguma ao karaoke. Da mesma forma entendo que ninguém no seu juízo perfeito devia ousar sequer pensar em convidar-me para cantar. O som das canas rachadas ao pé da minha voz soa a uma música de flauta. E detesto ir cantar. E toda a gente a olhar para mim. A diferença entre estar ali a cantar ou estar nú, é nenhuma. É um momento óbvio de elevado confrangimento. Seguindo esta linha de pensamento já "estive nú" 3 vezes em toda a minha vida. Chega.

Há contudo questões mais sensíveis. A política e a religião são dois bons exemplos disso e em que normalmente há fractura num diálogo comigo. Muito raramente (mesmo muito) encontro alguém com a mesma opinião ou que, por outro lado, defenda convictamente o seu ponto de vista. Já eu não sou assim. Se tiver de ser do contra, sou até ao fim. Se tiver de defender uma determinada posição, defendê-la-ei. Contra tudo e contra todos. Sendo sempre coerente comigo mesmo. Mesmo que o tempo venha a ser mostrar-me que afinal estava errado. Fi-lo em consciência.

Ser contra não é sinónimo de ser tapado. Não é sinónimo de ser inflexível. É sim ser alguém com convicções e que mantém um registo de conversa coerente com aquilo em que acredita. É discordar sem recorrer ostensiva e irritantemente ao "porque sim" ou ao "porque não", ou "porque quero assim", em cargos de poder. É conseguir sustentar um ponto de vista divergente. Ser do contra, mais do que assumir uma opinião contrária, é marcar a diferença. E para marcar...que o seja bem feito.

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segunda-feira, dezembro 19, 2011

Espírito de Missão

Ter espírito de missão, nos dias que correm, é ser superior à tentação de seguir o caminho mais fácil. É conseguir ultrapassar os obstáculos do quotidiano sem ceder. É continuamente mostrar profissionalismo, espírito de inter-ajuda, espírito de sacrifício e abnegação. Mostrar que se é capaz e competente para aceitar a missão que lhe foi atribuída.  É, em tempo de crise, arregaçar as mangas e produzir mais. Não ser necessário que seja o Governo a impôr mais meia hora de trabalho aos trabalhadores. Partir do trabalhador esse esforço adicional.

Já aqui referi recentemente que o direito ao trabalho está constitucionalmente consagrado. Mas, por outro lado, não está escrito em lado algum que a entidade patronal tenha de manter em funções um trabalhador que não traz qualquer mais-valia para a organização. Este é o grande problema dos portugueses. Têm para si que são insubstituíveis e que são imprescindíveis nas organizações. Até ao dia em que rola a cabeça de uma daquelas pessoas que já faz parte da mobília e que se julgava intocável. Só nessa altura as pessoas acordam.

Nenhuma empresa é obrigada a dar trabalho a quem quer que seja. Já o trabalhador é obrigado a dar o seu melhor para manter o seu posto de trabalho. É aqui que entra o tal espírito de missão. Necessariamente imune às vozes dissonantes de grupos que tentam dissuadir os trabalhadores responsáveis de levarem a cabo um trabalho profissional. São os medíocres, os maus profissionais, aqueles que erradamente pensam que a empresa é obrigada a manter o seu posto de trabalho que contestam. Que reivindicam. E que acham que espírito de missão é treta.

Pois bem, tenho a informar que se este Governo levar a cabo as medidas que apregoa, esses iluminados vão todos para o olho da rua. Vão fazer as greves que quiserem nos Domingos à tarde, ali para o Rossio. E deixando trabalhar quem quer trabalhar.

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domingo, dezembro 18, 2011

Zangam-se as comadres....

...sabem-se as verdades. Mais um adágio popular que cada vez tem mais aplicabilidade. Um pequeno exemplo do quão aplicável é o mesmo, é nem mais nem menos que o exemplo da alternância do poder (Governo) que acontece em Portugal e a consequente oposição que passa a ser feita pelo partido demissionário.

O exemplo que avancei tem muita razão de ser. Senão vejamos. Ninguém, quero eu acreditar, em consciência, acredita que os calotes financeiros que têm vindo a ser conhecidos não o eram no Governo anterior. Não acredito que haja alguém tão ingénuo e que pense dessa forma. Ou que os escândalos todos que têm envolvido políticos no activo (e outros que não estão no activo) eram desconhecidos. Não eram. Nada do que tem vindo a ser ultimamente conhecido era desconhecido. É tudo uma questão de gestão do timing para que algumas notícias venham a lume.
Aqui reside outro aspecto interessante. O saber "domar" a opinião pública. E gerir os tais timings das notícias. Há poucos dias, um candidato presidencial norte americano saiu da corrida à Presidência, por terem sido descobertas as suas "escapadelas" ou "facadas" matrimoniais. Sim, plural, mais que uma. É que uma escapadela, ainda vá que não vá, e o povo americano ainda perdoa. Agora..todas as semanas vir a público uma nova história...é demais. Achou o candidato que era melhor sair de cena. Também acho que foi o melhor que fez. 

Em política, dizia-me um amigo há uns anos atrás, vale tudo. Tudo é tudo. E há muita gente com "o rabo preso". Da mesma forma que há outras pessoas que são pagas para fazer o trabalho de "sapa" que não é mais que ir para o terreno e descobrir tudo de alguém. Até as suas rotinas. Se cá já vem sendo hábito, imagine-se nos EUA onde tudo e mais alguma coisa acontece.

Fico um bocado grande chateado com tudo isto. É preciso esperar pelas eleições para que os podres de um determinado Governo sejam conhecidos. É nessa altura concreta que aparecem aqueles segredos mirabolantes e que nunca ninguém gosta que sejam conhecidos e pelo facto de significarem menos votos.

As comadres deviam zangar-se mais vezes durante a legislatura e não só no final da mesma.

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Youtube

Tenho de admitir a minha pouca experiência no campo informático. Passo vergonhas enormes quando sei que toda a gente utiliza uma solução ou programa há quase 30 anos, e a dado momento, querendo fazer um brilharete, e num dia qualquer eu digo que uso essa solução ou programa. Não percebo onde é que as pessoas aprendem a utilizar estes programas novos. Não sei se há alguma revista dedicada onde estão todos programas ou soluções que devem ser usados para um tipo ser "cool". Se é assim...nunca vi essa revista. Talvez tenha sido aí que foi publicitado o youtube.

Só vejo uma vantagem na utilização do youtube. O poder ouvir músicas de todos os grupos que conheço. E que não conheço. Tem a funcionalidade de dar a conhecer grupos de música com o mesmo estilo / género. É óptimo. Além da música é também possível ver vídeos de variadíssimas outras situações: humorísticos, carros, motas, DIY (Do It Yourself), séries televisivas, etc. É um mundo por explorar. Pode-se passar horas, dias, anos a ver aquilo. E nunca se cansar.

A grande desvantagem, julgo que estará relacionada com os direitos de autor. Recordo-me de ter lido algures que há guerras (de anos) nos tribunais, pelo facto de grupos de música / actores, etc, reivindicarem mais justiça pelo facto de trabalhos seus terem sido publicados na comunidade virtual. Isto sem que os mesmos reflectissem lucro para os seus autores. O que é chato, convenhamos.

Em todo o caso, e enquanto não é abolida a utilização desta solução, é uma excelente oportunidade para rever muitos telediscos e vídeos sobre automóveis de outros tempos. Ou outros programas que julgávamos perdidos no tempo. Afinal não..estão no youtube!

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sexta-feira, dezembro 16, 2011

O capucho

Com o tempo que se tem feito sentir (ora chove, ora não chove), é natural que use o capucho dos casacos impermeáveis. Dá mais jeito do que andar com guarda-chuvas atrás, que com uma "rabanada" de vento ou voam, ou dobram, etc. Isso então é do pior...e com chuva e vento...fico maluco.

Há dias aconteceu isso mesmo. Tive de ir à rua e como sempre, estando a chover, não levei o chapéu. Ainda olhei para ele, mas não o levei. Como habitualmente, preferi a solução mais cómoda e expedita do capucho do casaco. Para tornar o desafio mais engraçado, não só tinha a chuva, como tinha ventos ciclónicos.

É claro que o resultado não podia ser pior. O capucho do meu casaco é daqueles que tem uns elásticos com molas na ponta, que permitem ajeitar o capucho conforme a pessoa quiser, e fazendo com que o capucho não saia do sítio. Pois bem. Quando saí de casa, apanhei de imediato um chapadão do vento que quase me pôs sentado no chão e com o capucho sem estar a tapar a cabeça. Ou seja, a apanhar chuva e frio. 

Não desisti. Levantei-me e apertei o capucho com toda a força que tenho. Em poucos segundos tive de aliviar porque devo ter ficado sem irrigação sanguínea ao cérebro - comecei a sentir náuseas e vontade de vomitar. Ah, e também deixei de ver para a frente, porque na posição em que o capucho tinha sido apertado - em cima do sobrolho, nem sequer conseguia ver 20cm à minha frente. Aliviei, compus o capucho e lá fui eu de novo à minha vida. Não demorou 3 segundos a ser atingido por nova chapada do vento que me tirou o capucho e me fez apanhar chuva e vento. É claro que nesta altura comecei aos berros no meio da rua, com asneiras cabeludas. 

O resto do percurso foi em luta constante com o capucho. Ora ganhava o vento e a chuva, ora ganhava eu. Mas perdi, tenho de admitir. Foram mais as vezes em que apanhei chuva (e vento) do que aquelas que tive o capucho na cabeça.

Detesto chuva e vento. Mesmo.

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quinta-feira, dezembro 15, 2011

Malaguetas

Quem gosta de cozinhar sabe que as malaguetas são um condimento importante a ter na cozinha. Li algures que permitem evidenciar o sabor de alguns pratos, se usada com moderação e em pouca quantidade.

Gosto do contraste da cor das malaguetas numa banca do mercado e quando "misturada" com as cores de outros legumes. A sua cor forte faz com que se destaque e que seja naturalmente apelativa à vista.

Também conheci as malaguetas noutro contexto. Com menos de uma dezena de anos de idade  e numa altura em que dizia asneiras cabeludas. Rapidamente percebi que não é só na cozinha que as malaguetas podem ser usadas. E que asneiras cabeludas era sinónimo de malagueta na língua. O que me fazia beber rios de água a seguir e pensar bem se queria continuar a dizer asneirada.

Não sendo apreciador de picantes, gosto de vez em quando (muito de vez em quando) de um pouco de picante na carne grelhada. Dá outro sabor à carne. Tenho é de ter água sempre por perto...e aviva-me a memória para não dizer asneiras!!

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quarta-feira, dezembro 14, 2011

Vendas de Natal

Nesta altura do ano é normal que tenham lugar as vendas de Natal. São várias, espalhadas pela cidade, País, em todo o Mundo.

Das primeiras vezes que fui a uma venda de Natal foi ali na paróquia de Benfica. Na altura, com cerca de 1,50m de altura e pouco mais de 100 escudos no bolso fazia as compras de Natal lá para casa. Não comprava muita coisa, até porque quem vendia também estava à espera de "realizar algum". Mas ainda assim, dava para comprar algumas coisas engraçadas e a um preço mais baixo que se fosse a uma loja...tipo luvas para as panelas ou conjuntos de chávenas de chá. E que a minha mãe ao receber fazia o ar mais deliciado que lhe era permitido fazer.

Há vendas de Natal muito conhecidas (e participadas). Lembro-me por exemplo da clássica venda de Natal, anualmente organizada pelas mulheres dos embaixadores e que tem lugar ali para os lados da antiga FIL. Nunca lá fui, mas aposto que seja uma coisa interessantíssima, não só pela riqueza cultural das vendedoras, bem como pelo preço que é pedido pelo que é vendido. Também não me parece que por lá vá encontrar uma luva para tirar o empadão de carne do forno. Ou por outra, até sou capaz de encontrar..com um custo que dava para comprar um carro novo. Um dos bons.

Que continuem as vendas. Por muitos e muitos Natais...!

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terça-feira, dezembro 13, 2011

Ser especial

Não. Não vou aqui perder tempo a escrever do treinador de futebol (português) que se julga um ente superior e que é conhecido em todo o sistema planetário. Sinceramente, não tenho paciência para escrever ou sequer tentar organizar ideias sobre pessoas arrogantes, egocêntricas e petulantes. Dizem-me que tem razões para o ser. Eu digo que ninguém tem razões para ser como ele é. Ninguém.

Há algumas pessoas que considero terem sido especiais na minha vida. Família directa (Pais, irmão e restante família directa) que de alguma forma contribuem (ou contribuíram) para que determinadas opções tivessem sido seguidas na minha vida. Noutra perspectiva, pessoas com quem me relacionei (profissional ou afectivamente). De alguma forma, também estas relações induziram alguns dos meus traços de personalidade. Por exemplo, a capacidade analítica, a organização, o reconhecimento de alguns defeitos e o necessário trabalho a partir de mim que tem de ser desenvolvido. Muito importante esta parte. Na medida em que são pessoas que convivem comigo diariamente, conseguem de forma directa e quase que óbvia dar-me nota desses aspectos. E claro, por serem especiais oiço e valorizo a sua opinião.

Nem toda a gente que quer ser especial na minha vida o consegue. Infelizmente e por via de alguma circunstância, não consigo ter para mim que todas as pessoas que conheçam sejam especiais. Pessoas especiais destacam-se pelo facto de em algum momento terem estado ao meu lado. Pelo facto de me terem ajudado. Ou por outra, de terem melhorado a minha vivência ou de terem contribuído para ser uma pessoa melhor. E não é qualquer pessoa que o consegue.

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Ser honesto

Contam-se pelos dedos de uma mão (ou de meia mão) as pessoas que conheço e que são honestas. Dessa meia mão, um dos dedos, diz respeito aqui ao escriba.

Em primeiro lugar, ser honesto significa ser uma pessoa íntegra, vertical, com valores morais muito bem consolidados e definidos. É mais fácil ser desonesto que honesto, é uma realidade. É mais fácil encontrar uma carteira, retirar o dinheiro que lá está dentro (dizendo que já se encontrou a carteira assim), do que a devolver com tudo o que lá estava dentro, incluindo o dinheiro. Nos dias que correm até calha bem. A honestidade, para quem encontrou a carteira, baseia-se portanto no facto de a mesma ter sido encontrada e entregue (e.g: PSP). Sempre se poupa na trabalheira de ir tirar todos os documentos de novo...

Em segundo lugar, ser honesto é o pautar-se por uma forma de estar na vida diferente da dos demais. É valorizar aspectos como a integridade, frontalidade, sensatez e tendo como "baliza" os valores morais e éticos apreendidos no decurso da vivência. É neste processo que muito boa gente diverge e que, mais tarde se evidenciará como sendo algo que influiu de forma errada no molde da personalidade. E há muita gente assim. Infelizmente.

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domingo, dezembro 11, 2011

Saber ser humilde...

Um dos aspectos que importa ou que deve ser "afinado" com o passar do tempo é efectivamente o saber ser humilde. Incentivar a capacidade ou a disponibilidade para aceitar uma crítica ou para aprender. É isto a que me refiro. Mas nem sempre é assim.

Saber ser humilde implica, em algum momento, ser detentor de um poder de encaixe razoável, o que como se sabe é complicado. Alguém que me diga que gosta de ouvir críticas depreciativas acerca da forma como trabalha. Ou comentários ao facto de ostensivamente chegar atrasado ao trabalho (se bem que esta até é bem metida), ou ainda de ser uma pessoa acomodada e sem visão de futuro. A resposta parece-me lógica e directa. Ninguém.

A admissão do erro é meio caminho para a correcção do mesmo. É o definitivo "acto de contrição" e que faz a diferença entre uma pessoa que reconhece o erro (e quer mudar) e uma pessoa que ou não reconhece ou não quer reconhecer e que inevitavelmente permanecerá "sem ver a luz" por tempo indefinido, ficando "ancorado" a fantasmas do passado. Será a diferença entre o ser humilde e o mostrar disponibilidade para a mudança ou não o ser e mostrar que pensamentos passados e muito consolidados ou determinados estão presentes, eventualmente em consequência de episódios vividos menos bons. O que nem sempre é bom...e que a jusante comprometem significativamente a capacidade para alguém ser humilde.

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sábado, dezembro 10, 2011

Passar pelas brasas

Cá está mais um dos temas que me é muito querido. Em consequência de me levantar da cama muito cedo, e na maior parte das vezes ainda de noite, é normal que com o avançar do dia o cansaço vá aparecendo. E agravando-se o mesmo no período pós-almoço. Até aqui nada de novo. Acontece a qualquer um.

Descobri ao longo dos anos dois fenómenos curiosos que acontecem comigo. Um deles, o primeiro fenómeno, acho que acontece com mais pessoas. Tem que ver com o facto de invariavelmente passar pelas brasas ou de adormecer em toda e qualquer acção de formação que acontece a seguir ao almoço. Não há volta a dar. Já tentei de tudo. Desde beber baldes de café seguidos para queimar bem a traqueia, ou meter a cabeça debaixo da torneira e abri-la no máximo e ir de seguida para a sala de formação com o cabelo a pingar deixando um rasto de água por onde passo...enfim...artifícios. Nada resultou até hoje.

O segundo fenómeno é ainda mais hilariante. Aqui já duvido que haja muita gente a conseguir este feito singular. Prende-se com o ser possível dormir com os olhos...abertos. Não é espectacular? Também acho. Mais ainda quando durante as aulas da pós-graduação, com sala disposta em "U" as minhas colegas da frente me apanhavam a dormir. Várias vezes. Não é para qualquer um. Eu conseguia e consigo..

Sinto-me verdadeiramente afortunado. Quantas e quantas vezes não adormeço em reuniões ou tenho de morder o lábio quase a fazer sangue para me manter acordado? Já aconteceu milhares de vezes. São autênticos desafios que lanço a mim mesmo. Simplesmente lindo. Às vezes ganho...outras nem por isso.

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sexta-feira, dezembro 09, 2011

Horas Extraordinárias

A questão das horas extraordinárias tem muito que se lhe diga. Ninguém gosta de as fazer. E claro que quando as mesmas são feitas são exigidos ressarcimentos por parte das associações sindicais que por vezes roçam o obsceno.

As tabelas de remuneração das horas extraordinárias estão tabeladas, ou seja, o índice de remuneração das horas extraordinárias está legalmente determinado. Ninguém precisa de "inventar a roda". Basta fazer as contas e pagar o que está determinado na lei, ultrapassadas que são as 8 horas diárias / 40 horas semanais. E entra-se no domínio das horas extraordinárias.

Feliz ou infelizmente, houve alguém que se lembrou de algo com imensa piasa. Dá-se pelo nome de "isenção de horário". Ou seja, se porventura a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) bater à porta de qualquer empresa às 2100H e encontrar vários trabalhadores ainda na labuta...dificilmente poderá fazer algo. Ou seja, o empregador consegue evidenciar - através do recibo de vencimento - que o trabalhador é ressarcido dessas horas a mais que faz por dia / semana (apontando para uma parcela incluída no vencimento mensal) e pouco há a fazer. Mesmo que o trabalhador tenha umas olheiras até ao chão e aparente evidente descoordenação motora ou balbucie que o fim do mundo é no dia seguinte.

Nas empresas onde os resultados positivos são uma constante (usualmente multinacionais) não há horas extraordinárias. A determinada hora (julgo que é às 1800H ou às 1900H), as luzes de todos os pisos do prédio são apagadas. Se porventura algum trabalhador ficar a trabalhar até mais tarde, e se for detectado na ronda do segurança, é identificado pelo mesmo. No dia seguinte, o chefe de equipa deste trabalhador é chamado à coordenação de divisão e é questionado o porquê de ter sido identificado um colaborador da sua equipa a desoras no escritório. Há trabalho a mais? Está a ser delegada demasiada responsabilidade em alguém que não dá conta do recado? Serão as tarefas atribuídas passíveis de ser executadas por esse trabalhador? Será que o mesmo tem competências para tal? Teve a adequada formação e informação para as levar a cabo? Ou por outro lado houve má gestão das tarefas ou do tempo por parte do trabalhador? Ou é alguém que tem dado indícios de estar cansado ou de não ser capaz de ter tarefas de responsabilidade? O que é certo é que o segurança detectou alguém em horário "pós-laboral". E não é suposto.
À boa maneira portuguesa, se este procedimento fosse implementado nas empresas nacionais, todos os dias os chefes de divisão seriam chamados à pedra. O português é pródigo em trabalhar bem sob pressão. As pessoas gostam de trabalhar bem sob pressão, o que evidencia por si só que não há seguimento de um planeamento prévio. Ou se há...é furado. Mais cedo ou mais tarde. O trabalhar português, tipicamente não segue um planeamento. Prefere trabalhar ao seu ritmo e vontade. Daí as horas extraordinárias.

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tolerâncias de Ponto

Já aqui referi que sou radicalmente contra as tolerâncias de ponto. E não se pense que é pelo facto de trabalhar há anos no sector privado e não usufruir das benesses do sector público. Por definição, sou contra.

Esta minha animosidade relativamente à concessão das tolerâncias de ponto não seria descabida há 50 anos atrás. Na altura, o sector privado teria uma menor representatividade face à tão almejada e cobiçada efectividade no Estado. Em muitas situações o que era concedido (em termos de tolerâncias de ponto) no público era seguido no privado. Até este ano. 

Com o passar dos anos passou a ser uma opção por parte de quem paga os vencimentos, em nome da produtividade. E confesso que não discordo.

Mas voltando atrás. Há 50 anos (ou até antes), assistiu-se ao  êxodo rural massivo do meio rural e consequente fixação das pessoas nas grandes urbes em busca das melhores condições de vida, das boas oportunidades e naturalmente em busca de algo que fosse o garante de uma boa vida para os filhos e gerações vindouras. Tudo isto em detrimento da necessidade de ir acordar as galinhas para chocar os ovos ou de ir mungir as vacas por volta das 0430H. Ou ir todos para o campo de noite a noite. Assim sendo, e nesta perspectiva, parece-me fazer sentido a fuga do campo e tentar a sorte nas cidades. 

Mas como se sabe, nem sempre é possível que se cortem as raízes. Nas épocas festivas e por altura das romarias, na apanha da uva ou da azeitona, a saudade aperta e os corações de pedra dos chefes (também eles lá da "terra") eram amolecidos. O na altura "dono de Portugal" também era ele próprio provinciano. E claro que com facilidade eram concedidas estas benesses. Para que as pessoas que iam à terra "tivessem um dia" para a viagem de volta à terra. Lembro os mais esquecidos que na altura não havia alcatrão em todo o "rectângulo" e ir de Lisboa ao Porto....era capaz de demorar menos umas horas do que as actualmente necessárias para ligar Lisboa ao...Brasil.

Para concluir, e por via de ter sido dada prioridade máxima à construção de estradas por parte de um determinado governante, construíram-se muitas. Demasiadas, diria mesmo. Mas tornou-se possível ir ao Porto em menos de duas horas para comer uma francesinha. E assim sendo, deixa de fazer sentido avançar a necessidade de se tentar "engrupir" o chefe com a treta de se perder um dia em viagem. A questão é que os portugueses perpetuam (como de resto já vem sendo hábito), a "chica espertice". E esquecem-se que os tempos mudaram. Porque lhes convém esquecer, claro. Mas como até é bom ter finais de semana prolongados...mais vale estar quieto. Quando em altura de crise...o que se devia pensar é nas formas de dar a volta. E fazer mais sacrifícios. 

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quarta-feira, dezembro 07, 2011

A gota de água...

É usual ser usada a expressão "a gota de água foi..." (qualquer coisa) quando se quer enfatizar algo que mudou o rumo dos acontecimentos. Na maior parte das vezes é um evento de somenos importância, mas que aliado a toda uma série de eventos anteriores faz toda a diferença.

O que esta expressão tem de perigoso é o facto de se referir a um pequeno acontecimento que pode muda irreversivelmente  uma sequência de acontecimentos subsequentes. Bons exemplos da aplicação desta expressão são aquelas situações em que há um típico acumular de situações não desejáveis - e.g.: mau comportamento escolar de um puto reguila. A Professora adverte umas 2 vezes os pais do puto. Em casa, e para desespero dos pais, o puto continua sempre a fazer das suas e a gota de água é um dia fazer um remate numa bola qual Ronaldo e partir uma jarra da dinastia Ming que sempre existiu na família da mãe...

Também fora da esfera familiar há também "várias gotas de água". Um acumular de maus exemplos no campo profissional - e.g.: atrasos, faltas de companheirismo, falta de assiduidade, irresponsabilidade, desrespeito pela cadeia de comando, etc.. Outro "bom" exemplo são os relacionamentos afectivos longos e marcados por repetidas discussões, até que um dia, algo que acontece e que nunca teve importância, passa a ter uma importância vital. 

Não há uma solução para que esta expressão não seja utilizada. A melhor forma de evitá-la é mesmo estar atento aos sinais. Sempre.

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terça-feira, dezembro 06, 2011

Taser

Para quem nunca ouviu falar dos tasers, não são mais do que armas capazes de libertar uma descarga eléctrica tal, que podem causar a dormência da zona onde os eléctrodos tocam, ou mesmo o desmaio do agressor (ou marido traidor) durante alguns largos minutos, permitindo assim sová-lo ou castigá-lo pelo crime cometido.

Os tasers são comummente utilizados pelas autoridades policiais lá fora. Embora mais uma vez se façam ouvir as Ligas que defendem os Direitos Humanos, não se ouve falar tanto como nos casos do recurso às habituais armas de fogo. Afinal, depois de levar com os eléctrodos, que pode culminar em desmaio, a vítima acorda e continua viva. Já com um tiro certeiro num coração as probabilidades de ficar cá para contar o sucedido diminuem consideravelmente . 

Nos Estados Unidos, por exemplo, pretende-se inverter a curva exponencial de americanos com armas de fogo em casa. O taser começa a ser muito utilizado como dispositivo de defesa pessoal. Em alguns casos há mais que uma arma em casa, mais que duas armas...em alguns casos mais de uma dezena de armas. A legislação norte americana é diferente da portuguesa, e é permitido a um cidadão deste país, (sendo maior de idade) comprar uma arma.

O taser é considerado "arma" na medida em que há registo de casos mortais. O princípio é basicamente o mesmo. Dois eléctrodos, ligados a dois fios de cobre que podem ter quatro, seis, oito ou dez metros. Ao disparar, são lançados os dois eléctrodos, que ao atingir a vitima, fazem uma descarga eléctrica durante 5 segundos, imobilizando o alvo. Findo esse tempo, e mantendo-se pressionado o gatilho, há uma descarga disparada a cada 1,5 segundos. Após o disparo, os eléctrodos e os fios são descartados, sendo trocados efectuar novo disparo. Pode-se acoplar ao taser uma lanterna táctica e mira  laser, para evitar erros acidentais. Há modelos que imobilizam a vitima, independente da resistência à electricidade do alvo e da área atingida, pois devido à descarga ser intra-muscular,vai agir directo no sistema nervoso central, fazendo com que o alvo fique em posição fetal...

Nos dias que correm, com a escala da violência, sei que serão muitas as pessoas a comprar um dispositivo destes, em vez da habitual pistola (necessária licença de uso e porte de arma). Não deve ser nada agradável levar com uns milhares de volts no corpo. Nada mesmo.

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segunda-feira, dezembro 05, 2011

Futuro da Europa

Os últimos tempos têm sido conturbados. Para quem como a Alemanha e a França querem de alguma forma fazer com que haja prosperidade e dinamismo na economia do bloco europeu, o cenário com o qual se têm deparado é negro e cada vez mais complicado de gerir.

Em primeiro lugar, porque se começa a notar algum tipo de "travão" na disponibilização de verba para ajudar os países mais carenciados, por parte dos países que efectivamente têm capacidade para o fazer, nomeadamente os dois que refiro acima. A situação preocupante fala por si: Irlanda, Grécia, Portugal e mais recentemente a Itália. Veremos ver como se consegue desenvencilhar este último país, mas para já, é bom ter sido efectuado o auto- reconhecimento da  necessária implementação das incontornáveis medidas de austeridade. Tal como tem vindo a acontecer por cá.

Em segundo lugar, a reacção dos contribuintes. Se na Irlanda, Portugal e Itália me parece que houve uma interiorização e consciencialização por parte de quem paga impostos de que tempos difíceis se avizinham, já na Grécia as coisas não foram assim. Sucessivas greves e paralisações, motins e formas de contestação erradas, que, na minha opinião, e como aqui no blogue já disse, neste momento são erradas. Basicamente, poderá estar em causa a concessão de mais tranches de ajuda monetária, assim a Grécia não evidencie a consecução dos objectivos a que se propôs, para que já lhe tivessem sido atribuídas 2 ou 3 tranches de ajuda monetária (ou balões de oxigénio) num passado recente.

Em terceiro e último lugar, é mais que certa a radicalização do discurso e o endurecimento das sanções para os países incumpridores. Concordo. Falando objectivamente de Portugal, foram muitos anos com o País a ser governado de forma displicente e irresponsável. Jamais um país com uma economia pouco pujante como é a economia portuguesa poderia ter permitido que fossem construídos 11 (onze) estádios de futebol por ocasião de um evento futebolístico. Que seria se porventura regressasse a Fórmula 1 a Portugal...seria construído um autódromo (que como se imagina obedece a uma série de requisitos de segurança - tornando o projecto muito oneroso)... 

Basta ver o tempo perdido com "trocas de galhardetes" por altura dos debates da Assembleia da República. É errado. Da mesma forma que é errada a forma como é feita por cá a Oposição. Quando deveria haver um debate construtivo e no sentido de encontrar soluções para o País, é por isso que os deputados são eleitos (e pagos), prefere-se definir uma atribuição de culpas da situação actual. Que como se sabe alterna entre os dois maiores partidos políticos de Portugal.

Quando há um ex-Primeiro Ministro que diz que querer pagar a dívida é coisa de criança, preocupo-me. Da mesma forma que me preocupa o mesmo ex-político ter dito que as dívidas não se pagam. São para ser geridas. Há uns dias atrás fui almoçar e na altura de pagar, percebi que não tinha a carteira comigo. Podia ter pago passados uns dias, até porque vou a este restaurante quase diariamente. Fui buscar a carteira, fiz 4 vezes o mesmo percurso, mas a dívida foi paga volvidos 3 minutos. Quando o dono do restaurante me viu de volta, disse logo que não era necessário e que podia ter pago depois. Apenas que lhe disse que as boas contas fazem os bons amigos. Tomara que tivesse sido posta em prática desde sempre disciplinada política económica em Portugal, ao invés de permitir que a banca estimulasse o endividamento familiar durante décadas. Como se sabe e é conhecida. 

Agora é necessário mudar mentalidades e hábitos que como é sabido é o mais complicado.

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domingo, dezembro 04, 2011

Suporte Técnico

Há vários anos que percebo um fenómeno curioso. Nos suportes técnicos (ou apoio técnico, se preferirem) trabalham pessoas que não gostam de mim. Foram já várias as vezes em que os meus contactos telefónicos com estes serviços culminaram em discussão e não raro comigo fora de mim com tamanha insolência e falta de profissionalismo.

No suporte técnico de qualquer empresa, deverão trabalhar pessoas que saibam resolver os problemas. De forma expedita e efectiva. É simplesmente isto que se pede. Que não sejam emitidas opiniões pessoais. E que quem atende o telefone tenha autonomia de resposta, sem ter de colocar uma pessoa em espera, a ouvir música, enquanto vai perguntar ao chefe de equipa o que se pode dizer ou fazer.

Não ligo para estes números porque me apetece ou porque sinta necessidade de partilhar com alguém do outro lado como me correu o dia. Ligo por necessidade e depois de haver esgotado todas as possibilidades (passíveis de serem equacionáveis como solução no meu conhecimento de leigo nestas matérias). Donde, e com esta assumpção, se ligo é porque estou de alguma forma impossibilitado de fazer / ligar algo. Aceder à internet, por exemplo. Coisa pouca, se atendermos que no final do mês o prestador de serviços não vai esperar quando fôr o momento de fazer o débito bancário para ser ressarcido dos serviços disponibilizados...

Não basta hoje em dia disponibilizar os serviços. É necessário garantir um suporte adequado e eficiente, que vá de encontro às necessidades imediatas dos Clientes. Só assim se pode falar em fidelização. E suportes técnicos que invariavelmente arranjam problemas em detrimento de os resolver...fazem com que a empresa perca Clientes. E com razão.

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sábado, dezembro 03, 2011

Centros de Emprego

Nos dias que correm, os centros de emprego deviam ser dos locais mais procurados por quem ficou sem emprego. Refiro que deviam porque nem sempre o próprio desempregado recorre ao centro de emprego da sua área de residência, e como tal, a estatística relativamente aos desempregados vale o que vale. Poderemos estar perante "mais um iceberg"...ou seja, ser muito maior o número de desempregados do que aquele que é avançado pelo Instituto Nacional da Estatística (INE).

Para alguém que sempre teve trabalho (e bem pago), poderá parecer desprestigiante ser visto por um amigo ou amiga numa fila do centro de emprego às 0800H. Compreendo isso. As justificações que têm de ser dadas, o repisar uma realidade má e confrangedora fazem com que a vontade de alguém ir para uma fila do centro de emprego, logo de manhã, não seja muito diferente da vontade em sair da cama de madrugada para ser sovado.

Na minha opinião, e por muito que custe ou seja complicado pensas nisso, é importante que as pessoas se inscrevam nos centro de emprego enquanto desempregados. Só assim se poderá ter uma noção real do flagelo do desemprego e tomar iniciativas que visem o rápido decréscimo desta percentagem. Nomeadamente canalizar parte das ajudas financeiras externas para este problema, em vez de se dar tanta importância a assuntos de somenos importância neste momento tão delicado.

Com o (quase) certo endurecimento das medidas da austeridade em 20112, muitas serão as empresas que não conseguirão manter as portas abertas, e consequentemente será naturalmente incrementada a taxa dos desempregados. Julgo, como refiro acima, que deveria haver a obrigatoriedade de inscrição no centro de emprego. Bem sei que com o que mencionei é complicado e também sei que as pessoas acabam por não se deslocar aos centros de emprego. Contudo, acredito que é o local próprio para se procurarem oportunidades de emprego, e para atestar perante o Estado que se está à procura de emprego, por forma a ser atribuído o subsídio (de desemprego). E pôr de vez de lado o pensamento de que é algo "demeritório".

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Fumar no século XXI

Começo o texto de hoje por partilhar que fui fumador durante 16 anos. E que deixei de fumar em 2009.  Ou seja, fará este ano que agora co...