domingo, outubro 23, 2011

Privatizações

Muito se tem falado de algumas importantes privatizações de empresas que terão lugar em breve e nas quais é conhecida uma significativa participação estatal. Para quem "só agora chegou" e não faz ideia do que é uma privatização, é simples. De forma muito simplificada, não é mais que um processo em que tem lugar a compra de uma empresa estatal (ou onde há uma representação expressiva de capital público) por parte de uma empresa privada (ou consórcio de empresas privadas). Em alguns casos, aquando da alienação do capital social há a alusão contratual ao interesse do Estado em alguns negócios. Ou seja, para certos negócios (em que esteja em causa o interesse nacional),  o Estado,  embora sem o poder de veto, (que teria se tivesse uma participação expressiva), exige ser notificado dos mesmos.

O que as privatizações de empresas têm de bom, têm de mau. Se por um lado há um encaixe de dinheiro "interessante" aquando da venda (que será tanto mais interessante quanto mais lucrativa for a empresa em causa). O mapa das privatizações pode ser planeado, pensado e a pouco e pouco executado. Contudo, na actual conjuntura sócio-económica, a sequência destas acções tem vindo a ser precipitada. Ou seja, o Estado precisa urgentemente de encaixar verba, por forma a dotar os seus cofres de aprovisionamento e para fazer face às várias situações de emergência que terá de fazer no curto / médio espaço de tempo. Por outro lado, e numa óptica meramente economicista, deixa de haver a necessidade de alocação de verba pública para empresas estatais cujo modelo de operação peca por obsoleto e nas para as quais a obtenção do lucro é algo que decorrerá num futuro incerto ou longínquo. Naturalmente que se poderia investir na modernização, dir-me-á o meu/minha caro(a) leitor(a) .Afirmativo. Mas os custos associados são demasiado avultados, e nenhum Governo se atreve a sugerir isso na Assembleia da República. Muito menos nesta altura.

O perigo das privatizações, e agora numa óptica sindicalista, tem que ver com uma máxima endeusada por alguns gestores: "É necessário executar o mesmo trabalho com menos pessoas." Por outro lado, há também gestores que conseguem ir mais longe: "É necessário produzir mais com menos pessoas". O advérbio em causa marca a diferença entre um gestor privado que quer garantir a sobrevivência da  sua empresa à custa do óbvio e expectável despedimento de trabalhadores da empresa adquirida e do outro gestor que quer o mesmo, mas com um incremento na produção.

A realidade de algumas empresas actualmente estatais e em breve privadas, aponta no sentido do defendido pelo segundo gestor. Ou seja, será necessário produzir mais com menos pessoas. Para tal, haverá uma "selecção natural" dos colaboradores mais aptos para enfrentar esta realidade. Em tempo de guerra não se limpa armas, reza o adágio popular, e os investidores estrangeiros exigirão aos trabalhadores portugueses o mesmo índice de produtividade registado nos seus países. O que configura, per se,  uma série de convulsões laborais, alimentadas e instigadas pelos sindicatos. 

Os portugueses não estão habituados a trabalhar com disciplina e rigor. Trabalham muitíssimo bem sob pressão. E isso, para alguns investidores estrangeiros não é forma de trabalhar. Além do mais serão estes últimos quem vai ditar as regras do jogo. E vai a jogo quem quiser...quem não quiser...conhece o caminho para a rua.

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sábado, outubro 22, 2011

Captura de Terroristas

Nos últimos tempos foram conhecidas duas importantes baixas no mundo do terrorismo. Supostamente. A questão, no meu entender, não passa pela mediatização à volta destes (felizes) acontecimentos. Passa sim pela falta de evidências. "Ver para crer" é uma máxima que se adequa perfeitamente.

Tenho em mim o péssimo defeito de gostar de saber o que "compro". Chego a ser irritantemente desconfiado. Gosto de conhecer e perceber bem os detalhes. Na impossibilidade de tocar, sentir ou mesmo presenciar, o trabalho de "venda" é substancialmente dificultado para quem me tenta convencer de algo. Daqui decorre de imediato que não "comprei" a captura, morte e "última homenagem" prestada em alto mar a um dos mais conhecidos terroristas do século. Vou mais longe. 

Acho oportuno que sejam conhecidas estas baixas no mundo terrorista a pouco tempo das eleições presidenciais norte-americanas. Teoria rebuscada? Não, não é. Se pensarmos nas centenas de milhões de dólares dos contribuintes americanos que foram gastos na caça ao homem, não será. É uma das possíveis justificações para que ultimamente tenham sido dadas a conhecer importantes "machadadas" no mundo do crime. Da mesma forma que será importante e reflexo de uma viragem na política belicista dos EUA. Falo da retirada dos 30.000 militares norte-americanos baseados no Iraque. É altura de começar a mostrar trabalho (ainda que como sempre, haja a lamentar a perda de várias vidas). E claro, a contenção. Só assim vejo legitimidade para alguém que é considerado o "homem mais poderoso do mundo" e que ultimamente tem partilhado a sua preocupação com as contas do "velho continente"..quando o seu país é efectivamente aquele ao qual está associado o maior despesismo. Sem controlo.

Quanto às últimas notícias acerca da morte do outro terrorista e ditador, também guardo as minhas reservas. É certo que há filmagens, mas infelizmente tenho algumas dúvidas. Para mim, são demasiado rápidas e pormenores como a "barba", as "vestes", acabam por ser comuns em países como a Líbia. Ou seja, o meu cepticismo está naturalmente em "modo on" e assim sendo, reservo-me ao direito de não acreditar nas notícias. Ou de manter o meu cepticismo, justificado por uma (e muito bem) consolidada mediatização.

Devo ser a única pessoa do mundo que não acredita que dois homens, tidos como os mentores de ataques terroristas e uma imensidão de barbáries tenham sido capturados. Ou tão facilmente capturados, como se tem dito. Dois homens, com inteligência para idealizar, preparar e mandar executar autênticos massacres, não deixariam em momento algum a segurança e o anonimato da sua localização ao acaso. Não faz sentido. 

Ou seja, para terminar, não está em causa que o combate ao terrorismo tenha sido eficaz. Está em causa o secretismo na divulgação das imagens de uma das capturas, e de filmagens confusas e distorcidas na outra. É a minha forma de ver as coisas.

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sexta-feira, outubro 21, 2011

Dramatizações

Desde muito cedo que conheço bem a questão das dramatizações. Porquê, como? De forma simples. Quando eu (ou o meu irmão) nos portávamos mal tínhamos uma conversa com o Sr. Polícia. Basicamente a minha mãe (combinada com o Sr. Polícia), dramatizava uma birra, tornando-a um homicídio massivo e crime punível com prisão até ao fim dos meus dias. Foram várias as vezes que estive para ir preso, por via de responder torto ou de não querer comer a horrorosa sopa de nabo. Ou mesmo o horrível bacalhau cozido.

Dramatizar, inteligentemente, pode ter um bom efeito. Em Portugal prevalece a ideia de quando as coisas estão bem, se deve "aliviar" o empenho, profissionalismo e dedicação. Fazendo jus à máxima "dormir à sombra da bananeira". Não posso discordar mais. Aliás, nunca foi (nem será) essa a minha perspectiva. Contudo, entendo que para algumas pessoas seja necessário um dramatismo das coisas para que sintam a responsabilidade e a necessidade premente de acção.

Por outro lado, o dramatizar excessivamente, numa sociedade como a nossa, não é bom. O alarmismo desnecessário e com uma série de acções associadas, em bom rigor, torna-se desnecessário e vertiginosamente perigoso. O actual momento em que estamos é propício a juízos de valor desse tipo. A profunda recessão económica e a resposta dada pelos grupos sindicais com a instigação das paralisações gerais. Questiono-me...será esta a melhor resposta para o actual momento? Em que os indicadores económicos apontam inequivocamente no sentido da retracção e apatia por parte dos investidores? Não me parece. Donde, a melhor forma de combate é mesmo o dramatismo.

Do acima, decorre que, no meu humilde entendimento, e antevendo algumas análises a médio prazo, as coisas não estarão tão más em Portugal como se tem vindo a dar conhecimento. Não estão boas, é certo, mas tem-se vindo a dramatizar alguns cenários para ver se há a indução da reactividade naqueles(as) que estão mais acomodados(as). É este o momento de reagir. E para isso torna-se necessário o recurso a todos os artifícios disponíveis. Incluindo o dramatismo.

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quinta-feira, outubro 20, 2011

O banana

Ainda hoje não consegui perceber o porquê da associação pejorativa entre esta tão deliciosa fruta e alguém que consegue assistir a algo sem marcar uma posição, emitir uma opinião ou agir de determinada forma quando tal seria desejável. Nota: O "género" é propositado, na medida em que este "mimo" é normalmente associado aos homens...

A explicação para a opção de não marcar uma posição, não emitir uma opinião ou mesmo o alhear-se voluntariamente de algo que lhe toca directamente pode ser o reflexo de uma de duas coisas: a) a voluntária e perpetuada permanência numa "zona de conforto" onde lhe é possível ficar de forma autista sem que ninguém o chateie ou b) uma clara falta de personalidade e uma natural apetência pela subjugação da vontade própria face a outras pessoas. Não só em termos profissionais como também em casa (ocorrem-me vários exemplos de casais que conheço onde tal acontece).

Talvez por ter um feitio antípoda e gostar de tudo claro e muito bem definido...para ontem, este tipo de pessoas me irrite tanto. Assistir à subjugação / submissão, a mudanças de opinião / vontades tem o dom de me fazer procurar rapidamente uma quina viva e bater com a testa até rachar a cabeça em duas metades. É inevitável que comece logo a sentir calor dentro de mim e vontade de dar um chapadão na cara para que o banana acorde e faça valer a sua vontade própria / opinião ou aja de determinada forma.

Lamentavelmente são vários os exemplos de bananas que conheço. Acabam por ser estes que a médio / longo prazo se tornam desinteressantes para quem têm ao lado...o que pode trazer dissabores...Ou não!

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quarta-feira, outubro 19, 2011

Comando da Televisão

A história do comando da televisão remonta ao tempo em que aconteceu a passagem das televisões a "preto e branco" para cores, como também, e mais importante, fosse possível qualquer afortunado(a) - com possibilidade económica para ter uma televisão com comando - e a partir do lugar onde estava comodamente sentado(a), como que com um passe mágico, trocasse o canal televisivo.

É lógico que esta "pequena magia" foi incessantemente explorada por mim durante largos meses, e para notório desespero e irritação das visitas lá de casa. Ou seja, obrigava as pessoas a acharem piada ao simples facto dos canais da televisão serem trocados sem que eu me tivesse de levantar para ir rodar um botão da televisão (nos dias que correm há televisões que nem sequer botões têm!). Lembro-me que houve algumas consequências...como o ir dormir mais cedo. Frequentemente.

Como "não há bela sem senão", o que o comando da televisão tem de prático (e confortável) tem de perigoso. Afinal, em vários lares (portugueses e não só), há autênticas "corridas" entre eles e elas para ver quem chega primeiro a casa. Reside aqui a explicação para muita gente sair mais cedo do trabalho. 

No caso de serem eles a chegar mais cedo, tal configura um agradável serão marcadamente desportivo. Futebol, rugby, ténis ou as cerca de duas horas de corridas de carros (que não raro entram pela madrugada dentro) são algumas das actividades desportivas que justificam as 3 facadas no cérebro que muitas mulheres já devem ter sentido vontade de dar em si mesmas. Já na óptica masculina, passar um serão a assistir serenamente a concursos onde "burras-de-estalo-não-sabem-o-nome-de-um-país-da-América-do-Sul", ou um qualquer outro programa de talentos de música ou de dança / ginástica onde uma irritante miúda de 4 anos consegue colocar a perna atrás do pescoço, consegue ser mais aflitivo e doloroso que dar uma martelada com toda a força no polegar ou acordar às duas da manhã e ir para a janela contar os carros brancos que passam na rua

Posto isto..o melhor é mesmo chegar a casa primeiro. Para "confiscar" o comando e passar um serão sereno e com boa disposição!

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terça-feira, outubro 18, 2011

Contribuições

Acho que nunca se falou tanto em contribuições como se tem falado ultimamente. Valha-nos o facto de vivermos num dos países diariamente parabenizado pelo facto de cumprir escrupulosamente o plano da austeridade. E que consegue ser mais rigoroso do que aquele que faz parte do memorando ratificado com a "troika.

O único sentimento que entendo ser normal neste momento é o de rejubilo. Porquê? Porque acho que quer eu, quer qualquer conterrâneo só se pode sentir bem por serem pedidas todos os dias mais contribuições. A última delas tem que ver com a recente descoberta de um "pequeno deslize" nas contas de um dos arquipélagos. Nada demais concerteza. Apenas o suficiente para que a retoma económica do País não aconteça em 2012 e seja "pontapeada" algures lá para a frente. Algures em 2013 ou até mais tarde. Agrada-me pensar nisto e de imaginar que seja uma realidade infelizmente sentida por qualquer cidadão português. Com alguma frequência ocorre-me que talvez devesse abrir os horizontes e pensar em abraçar mais dois ou três empregos para fazer face à tendencial escalada de preços e degradação acentuada da qualidade de vida (com a inevitável e natural perda do poder de compra).

Julgo que em vez de serem "pedidas" mais contribuições por quem manda neste País, devem ser criadas as condições / estímulos para que os investidores acreditem em Portugal e nele invistam. Tem de haver seriedade, assertividade e verticalidade nesta matéria. O que se constata é que de há mais de 3 anos a esta altura os grandes grupos económicos aguardam com alguma ansiedade onde "vão parar as modas". Enquanto isso investem em economias emergentes onde o retorno é garantido, ainda que possa ter lugar num médio / longo prazo.

Mais do que pedir aos portugueses mais e dolorosas contribuições, importa mostrar que também da parte do Estado é possível contribuir de forma a que a economia sofra o chamado "choque do desfibrilhador". Só assim será possível que se saia da queda vertiginosa em que estamos no presente momento e que em menos de nada conduzirá ao...colapso.

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segunda-feira, outubro 17, 2011

A água quente..

Tenho estado nestes últimos dias fora de Portugal. Como seria normal, alguns dos meus hábitos são alterados. Um deles é a questão do banho antes de sair do hotel. Se quando estou em casa faz sentido na minha cabeça tomar um duche rápido depois de tomar o pequeno-almoço e antes de fazer a barba (o duche quente abre os poros e evita que a minha cara fique tipo bife do acém), já quando estou em hotéis muda um pouco o figurino. Em primeiro lugar, há uma coisa chamada "horário" de pequeno-almoço, que como seria de esperar gosto de respeitar. Em segundo lugar, é para mim impensável ir tomar o pequeno-almoço com o cabelo qual "Don King". Em terceiro e último lugar, à hora da manhã a que costumo tomar o banho no hotel (antes do pequeno-almoço), o meu cérebro ainda está mergulhado num qualquer sonho profundo, pelo que, naturalmente não raciocino.

Na Irlanda (onde me encontro neste momento) e à semelhança do Reino Unido (se a memória não me trai), há um tipo de torneiras misturadoras (aquelas onde se selecciona a água quente ou fria) diferentes daquelas a que estou habituado. Acredito que qualquer irlandês (ou irlandesa) esteja apto para ingressar no curso de astronauta, porque me senti ridiculamente ignorante quando tomei a primeira vez banho neste hotel.

Acabado de sair da cama meti-me logo dentro da banheira. Rodei a maçaneta do lado esquerdo (encarnada - água quente), esperando que a mesma aqueça depressa - note-se que estão cerca de 7ºC de temperatura exterior nestes últimos dias. Que bom, a água aquece depressa e decidi então que era o momento ideal de misturar um pouco de água fria, rodando para tal um pouco a maçaneta do lado direito (azul - água fria).

Nesse momento tenho o chuveiro a deitar água a ferver (a água aqueceu demais) e tenho ainda a torneira que serve para encher a banheira (banhos de imersão) a jorrar água a ferver. Fiquei sem um bocado do meu couro cabeludo e ainda hoje não sinto as plantas dos pés de tão quente estava a água naquele dia. Melhor ainda...A banheira não parava de encher. Resultado: passou-me logo todo e qualquer estado de sonolência que subsistisse e tive de dar um salto da banheira até meio da casa-de-banho. Foi um momento único e que com muito carinho guardarei para o resto dos meus dias. Claro que tive de esperar que o caldo infernal que enchia a banheira se esvaísse pelo ralo. E pacientemente fiz o processo todo de novo. E novo salto até meio da casa-de-banho (até acho que foi um pouco mais, porque escorreguei neste segundo salto). Dois saltos na mesma manhã, antes das 0800H num hotel da Irlanda. Aposto com quem quiser que isto nunca mais vai acontecer a ninguém.

Timidamente comentei este episódio com um dos meus colegas hospedado no mesmo hotel. Intimamente esperei que tivesse uma banheira igual à minha no seu quarto. Não para ir tomar banho ao quarto dele, mas sim para me explicar, já que consegui a mim mesmo provar ser limitado, como tomar banho sem necessariamente ter de ficar sem pêlos no corpo e quase destituído da capacidade de locomoção em virtude de ter queimado as plantas dos pés. Ninguém queima as plantas do pés!

Percebi na conversa que quando rodava as maçanetas estava a ligar tudo aquilo a que tenho direito. Água quente, água fria, torneira da banheira e chuveiro. O débito de água que saía da torneira e chuveiro era tão grande que a banheira enchia muito rápido - daí as queimaduras nos pés. Lá percebi que não é necessário mexer-se nas maçanetas (quando sempre tomo banho há décadas rodando maçanetas) e apenas, na Irlanda e nas terras de "Her Majesty" se mexe na roda grande (ver foto). Controla-se o débito da água e o quão quente queremos a água (tem um regulador) que faz as vezes da maçanetas misturadoras...O que aprendi!

E passei a tomar bons e relaxantes duches matinais. Sem me queimar..

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domingo, outubro 16, 2011

Poesia

Remonta ao século passado a minha aprendizagem acerca da diferença entre a poesia e a prosa. Daquele tipo de diferença que se aprende nas carteiras da escola. Talvez por não me ter muito estimulado o gosto pela poesia na escola primária, tenho de admitir que dediquei mais tempo e subsequentemente interesse ao outro tipo de escrita. Ou seja, infelizmente não sou um amante de estrofes, versos, rimas, estribilhos, ritmos ou encadeamentos.

Ainda assim, e agora que penso nisto com mais calma, tenho de admitir que me agrada ouvir poesia declamada. Gosto mesmo. Dá-me tranquilidade de espírito e quando a voz que declama é articulada, as palavras são bem pronunciadas e há uma boa entoação, tudo soa muito bem.E não faço a destrinça entre homem e mulher. Assim a voz seja boa, tenho prazer.

Por último, e no que me apraz dizer, acredito que tal como na prosa, a poesia é tanto mais interessante e rica em adjectivação / géneros linguísticos, quanto maior for a imaginação do poeta ou poetisa.

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sábado, outubro 15, 2011

Ursos

Há coisa de dois ou três dias atrás vi na televisão um desses documentários sobre vida animal. Desde o primeiro minuto que me interessou, como aliás acontece sempre. Tratava-se de um documentário narrado na primeira pessoa, de alguém que tinha dedicado grande parte da sua vida ao estudo dos ursos que habitam numa determinada região da América do Norte. O entusiasta e estudioso da espécie contava seguramente mais de 80 anos de idade. Movia-se com maior e invejável agilidade que aqui o escriba e tinha dedicado mais de 20 anos ao estudo do urso. Neste caso uma ursa fêmea.

No documentário percebi que esta ursa era prevaricadora. Teve duas ninhadas (cerca de dois anos filmagens para a realização do documentário), sem que em momento algum se tenha visto quem era(m) o(s) urso(s) felizardo(s) e que tinha(m) contribuído com as "sementes". Talvez fosse um urso "vip" que preferiu manter o anonimato. Nota: Há aliás vários "ursos" que procedem de igual forma, não fazendo parte do reino animal... preferem manter o anonimato e ir vivendo "amantizados". E mantêm a ursa..perdão...legítima mulher em casa a cuidar dos filhos(as). Adiante...

Voltando à "June", a tal mãe ursa. O documentário focou em especial uma das ninhadas constituída por 3 crias. Creio não ser difícil imaginar um urso de peluche. Da mesma forma não será complicado imaginar um urso real com pouca idade e chega-se com facilidade a uma imagem terna. Até um coração de pedra amolece ao ver este quadro familiar engraçado, da ursa com os filhotes. O tal ancião, a dada altura, colocou um emissor de sinais rádio no pescoço de um dos ursos pequenos, por forma a ser possível localizá-lo em caso do mesmo decidir ir investigar "outras paisagens". É engraçado ver o urso pequeno com o tal localizador (quase maior que ele) e depois assistir ao seu crescimento.

Uma das situações que me deixa um pouco angustiado quando vejo estes documentários é o facto de criar laços afectivos com os bichos. É verdade. Gostei logo da June (ainda que não fosse certa daquela sua cabeça) e gostei muito das suas crias (com toda a certeza de progenitores diferentes). Não me recordo do nome deles, sou sincero, mas não tinha problemas em levar um para minha casa. Aliás, já pensei em roubar o urso de uma conhecida rede de lojas que há nas grandes superfícies comerciais. Só para lhe fazer festas na barriga. A minha angústia, e voltando a falar a sério,  tem que ver com a ordem natural das coisas. Ou com a interferência do "bicho homem" na cadeia alimentar. E quando assim é...a mãe natureza nada pode fazer. 

Há três situações que decorrem destes documentários: uma delas a vontade de alguém em estudar uma espécie em vias de extinção, sendo que para tal dedicou quase um quarto da sua vida. Acho louvável. Outra realidade, o facto de ser muito verdade a máxima de "Deus dá, Deus tira". Uma das crias morreu com o alojamento de uma bactéria mortífera no estômago. Por último, a caça desta espécie. Como se sabe, nesta região do mundo é frequente haver a caça do urso. E claro. Acontece o pior. A dada altura uma das crias é abatida por um caçador e como sempre custou-me um bocado (grande) a vê-la a ser arrastada pelo mesmo para cima de uma pick-up.

Sobreviveu a June e uma das crias, que se percebe pelo decorrer do documentário que mais cedo ou mais tarde abandonará a mãe. É normal. O programa acaba com o estudioso a dizer que vai continuar a estudar os ursos, e que hoje em dia o período da temporada de caça diminuiu consideravelmente, o que per se reflecte um aumento da esperança média de vida dos ursos na América do Norte. Ah..e antes do derradeiro final do programa, percebe-se que a June está de novo grávida. Muito bom...

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sexta-feira, outubro 14, 2011

Cicatrizes

Sou uma daquelas pessoas que tem uma história para cada uma das cicatrizes que orgulhosamente ostenta no corpo. Não são muitas, é certo, mas são algumas e todas representam momentos em que naturalmente terei visto estrelas. Não tenho dúvida alguma.

Aparte do facto dos meus joelhos terem mais cicatrizes do que Portugal tem de políticos sérios, acho alguma piada quando hoje em dia observo estas marcas e me recordo das histórias que as originaram. É curioso identificar a ocorrência de uma maior parte das cicatrizes deste meu corpo de Adónis a uma determinada época do ano. Eu explico. Imagine-se o escriba há alguns anos, com t-shirt e calção a circular numa "bicla" brilhante e lustrosa, como não podia deixar de ser. Com alguma propriedade posso também partilhar que conheço de muito perto o meu tão querido alcatrão alentejano. Alias, região geográfica que certamente me conhece e bem, e onde deixei bastante do meu DNA dos joelhos e cotovelos.

Para tornar as coisas ainda mais interessantes, imagine-se o tal alcatrão alentejano, em que não raro são obtidas temperaturas iguais às que se sentem exteriormente. Ou seja, de forma directa, os 40º Celsius de temperatura ambiente são os mesmos 40º Celsius no alcatrão, neste caso. Junte-se a esta equação o "factor" loiraça, ou factor "morenaça" ou "ruivaça" que ostenta trajes reduzidos típicos desta altura do ano. Para fechar com "chave de ouro", um bocado de areia ou água na estrada...e...pois é. Malho na certa. E não há nada melhor do que sentir o alcatrão quente colado aos joelhos / cotovelos. E o arrependimento próprio da adolescência de quem tem uma fúria de viver contínua. E de quem olha para onde não deve!

Moral da história: Quando se anda de bicicleta só se deve olhar em frente!

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quinta-feira, outubro 13, 2011

Recursos Judiciais

Já aqui falei do sistema judicial português por diversas vezes. Infelizmente, como tive oportunidade de referir aquando do meu conhecimento acerca do desfecho daquele que foi o mais moroso (e mediático) processo judicial português, deixei de acreditar na Justiça portuguesa. Na altura escrevi sobre isso e não vale a pena repetir-me muito mais sobre este tema.

Certamente que alguém com conhecimento ou mesmo estudioso(a) das Leis conhecerá melhor os meandros legais pelos quais passam os processos judiciais. Contudo, entendo não ser necessário ser licenciado em Direito para perceber a "festarola" que são os recursos judiciais. Interpor um recurso judicial, em alguns casos específicos, é como que atestar a preferência em pagar uma coima ou custo judicial (tendo em conta o ridiculamente baixo custo dos mesmos) em detrimento de cumprir a Lei. Passo a explicar.

O recurso judicial é necessário. Aplica-se quando uma decisão do Magistrado é contestada por aquele que se sente injustiçado. Até aqui faz todo o sentido. A qualquer pessoa assiste o direito de defesa. É um direito consagrado constitucionalmente, de resto. Nada de novo. A minha questão tem que ver com os sucessivos recursos judiciais interpostos naqueles que são os grandes processos. O resultado está à vista. A "entropia" no já de si caótico e medíocre sistema judicial e consequentemente a necessidade de mais tempo necessário para avaliação dos recursos. E claro, a consequência óbvia da prescrição do processo. Ou seja, acaba por compensar prevaricar.

Talvez não fosse má altura para se pensar numa alteração de várias regras judiciais. A possibilidade de recurso é sem dúvida legítima, mas o que tem de possibilidade de clarificação e da não atribuição de culpa a alguém, tem por outro lado o eventual alheamento da responsabilidade de alguém com culpa, na medida em que não raro acaba por ter lugar a prescrição do processo. Infelizmente. E não são tão poucos os exemplos...

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Fingimentos

São vários os tipos de fingimento. Tenho de admitir que tenho sérias dificuldades em conseguir fingir ou dissimular estados de espírito / sensações. Não é defeito, é mesmo feitio.

Desde o conseguir manter um sorriso amarelo dois dias depois de ter levado a maior "desanda da vida", passando pelo necessário esboço de um sorriso complacente com o/a acéfalo(a) que por distracção se enganou no troco do pão de Mafra ou ainda daquele doloroso caso do(a) adolescente que por via de estar a enviar um mensagem escrita no seu "telemóvel de última geração" perde o controlo do carro de compras indo o mesmo embater direitinho na nossa canela. Nestas situações, fingir não haver problema algum é tão provável como convencer um vegetariano que vá connosco a um rodízio de carnes.

Há "outro" tipo de fingimento. E que não tenho dúvidas que iria certamente apanhar surpresos muitos presunçosos e auto-intitulados "machos latinos". Porventura as coisas não serão "bem, bem" como possam os mesmos imaginar. E por vezes..."zangam-se as comadres e sabem-se as verdades"e ..afinal, aquelas "provas de amor bem audíveis no 15º andar lá do prédio" não eram bem verdadeiras. Fingimentos. Nota: Aparte do infeliz e certamente preocupante conhecimento da realidade, em alguns casos, este fingimento deveria ser  o mote orientador para uma inscrição surpresa no grupo coral da Paróquia lá do bairro....Não se perdia tudo.

Todos os dias lidamos com verdadeiros actores e actrizes. A vida é mesmo assim. Uma representação, e faz parte da mesma o fingimento. É pena que algumas pessoas não consigam entender onde começa e acaba o necessário e desejavelmente inofensivo fingimento. Opta-se não raro pelo fingimento que subsequentemente resulta em situações menos agradáveis ou nefastas para terceiros.

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terça-feira, outubro 11, 2011

Optimismo

Ser optimista nos dias que correm é quase como ser um larápio numa daquelas convenções anuais da polícia. É ser audacioso. Corajoso.

Diz-se comummente que é necessário encarar o dia-a-dia com serenidade e optimismo. Confesso que estas duas palavras são de utilização algo complicada para mim. Não por gostar de um registo fatalista ou de vitimização gratuita, mas sim porque tenho de admitir que nos dias que correm é complicado estar sereno ou ser optimista.

Invejo as pessoas que vivem num universo paralelo. No mundo da fantasia. Onde não há dívidas das ilhas que são descobertas e que fazem com que uma série de contas careçam de ser revistas, por forma a cumprir o acordo com a União Europeia. Onde não há corrupção nos órgãos decisores da máquina estatal e onde há um sistema judicial justo e expedito. Onde todas as pessoas têm acesso a um sistema de saúde que funciona eficiente e eficazmente. Onde não há pedofilia. Onde não há verba para gastar dinheiro em obras megalómanas e sem qualquer tipo de interesse em momento de acentuada recessão económica. E mais exemplos poderiam ser avançados.

Talvez sejam pessoas mais felizes. Talvez consigam separar o que é realmente importante do que é naturalmente acessório e supérfluo. Deverá ser esse o caminho. Para o optimismo. E talvez com vista à obtenção de uma melhor qualidade de vida. Quem sabe...

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segunda-feira, outubro 10, 2011

Relações Abertas

Não é novidade para ninguém que anda por aí uma nova moda nos relacionamentos afectivos. Para mim, e que normalmente ando alheado destas coisas novas, constituiu uma agradável surpresa.

Percebi que não foram em vão as minhas preces durante décadas. Hoje em dia, ao fim de dois milénios de civilização eis que chegou a boa nova. Os relacionamentos do tipo "aberto". Resumidamente, e para quem como eu deixou a nave no topo de um prédio por perto, deixaram de haver problemas ou questiúnculas relacionadas com o facto "deles" terem de trabalhar até desoras ou "delas" sentirem necessidade de ir retocar as unhas de gel / cabeleireiro todos os dias da semana. Quando por vezes nem sequer unhas de gel usam. Ou não têm cabelo (mais raro).

Foi igualmente motivo de regozijo para muito boa gente, que terá ficado muitíssimo contente pelo facto de não ser mais necessário pedir ajuda aos amigos e amigas no sentido de arranjar álibis ou bodes expiatórios. Deixou também de ser necessário usar as mesmas desculpas (gastas e esfarrapadas) e que dificilmente a minha prima Laura com 3 anos acreditará. A meu ver, tudo é facilitado e torna-se um processo bem mais transparente. Só vantagens.

Para quem neste momento do texto ainda não percebeu bem do que para aqui falo (e aqui sim, acredito que tenha deixado a nave num telhado muito mais longe que o meu), passo a explicar. Relacionamento aberto significa isso mesmo. Aberto e receptivo para discussões sadias. Deixa de haver as tão usuais cobranças ou crises de ciumeira infundadas por parte de alguma das partes. 

Para concluir, acontece o importante e desejável diálogo entre o casal. E melhor que tudo, a taxa de divórcios diminui significativamente o que logicamente será traduzido em mais alegria e felicidade nos lares portugueses. Pena é para os notários que deixam de ter esta interessante fonte de rendimento, quando tinham de lavrar divórcios..

Resta-me pois esperar que durante os próximos anos não me venham falar em relacionamentos herméticos. Já eram. Doravante, só relações abertas.

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domingo, outubro 09, 2011

Rendimento Social de Inserção

O Rendimento Social de Inserção (RSI) não é mais que um apoio concedido pelo Estado aos indivíduos e às famílias com rendimentos escassos. É constituído por uma prestação em dinheiro para a satisfação das necessidades básicas e contempla ainda a definição de um Programa de Inserção para ajudar à integração social e profissional.

Até aqui tudo bem. Em teoria. Refiro em teoria, porque na prática as coisas não são bem assim. Na ausência de organismos reguladores da atribuição do RSI, é assustadora a forma desregrada como as famílias são elegíveis para receber este rendimento. Há famílias a receber o mesmo RSI há décadas. O que até calha bem. Se há anos que o recebem e se até nem há mecanismos que avaliem a situação presente das mesmas, porquê preocupar-se em deixar de receber a "dízima"? Não há problema nenhum. Mais a mais, o Estado até tem dinheiro.

Para se perceber melhor do que falo, nada como usar os números de que tanto gosto, recorrendo a algumas contas simples. Imaginemos uma família tipicamente portuguesa, a família Sousa que mora num bairro periférico, ou seja, longe das grandes urbes. Trata-se de um agregado familiar constituído por 8 pessoas: Cinco adultos (Pai, Mãe, Avó e dois filhos maiores de idade) e três crianças menores de idade. Mais coisa, menos coisa (certamente irá haver uma indexação à taxa de inflação em vigor), para o cálculo da atribuição da RSI, e tendo presente a constituição do agregado familiar, recorre-se à seguinte escala de equivalência: Pelo titular - 189,52 €; por cada indivíduo maior - 132,66 €; por cada indivíduo menor - 94,76 €. 

Em primeiro lugar, tão certo como a iminência da breve saída da Grécia da União Europeia é o facto de na família Sousa estarem declarados 5 titulares. Resultado do emaranhado, pesado e falível sistema burocrático que existe em Portugal, e não sendo possível garantir um cabal cruzamento de informação, que apontaria no sentido de haver 5 titulares (!) para um mesmo domicílio e o Estado Português, sem apelo nem agravo, assumir um encargo mensal de 947,60 €. É um valor substancialmente superior aquele que alguns agregados familiares constituídos por zelosos contribuintes auferem no mesmo período de tempo (1 mês). Continuando...

Em segundo lugar, além dos titulares, há ainda a questão dos maiores de idade na família Sousa. Mais depressa o actual Presidente do Arquipélago da Madeira perderia as eleições de hoje do que a família Sousa não declararia igualmente os cinco maiores de idade no agregado familiar (além dos 5 titulares anteriormente declarados). Mais uma vez uma notória falha no cruzamento de informação do sistema tem como consequência um agravamento do valor apurado anteriormente na quantia de 663,30 €.

Em terceiro lugar, e talvez aquela informação que o Estado Português tem e que efectivamente corresponde à verdade. Falo dos três menores de idade. Contas feitas, para a família Sousa há uma contribuição mensal, por parte de todos os portugueses..peço desculpa, do Estado Português, em cerca de 284,28 €.

Em jeito de conclusão percebe-se que aqueles que já "dobraram a maioridade" são claramente beneficiados. Mas também é possível depreender facilmente que o facto de haver menores na família Sousa é motivo para haver uns "cobres extra".  

Mensalmente, o Estado tem um encargo mensal com a família Sousa de 1.895,18 €.  Anualmente será a "módica" quantia de 22.742,16 €.  Um dos problemas de Portugal é sem dúvida o "monstro" que criou. Há várias "famílias Sousa" a viver assim há décadas. Que declaram viver no limiar da pobreza. São estes números que tão bem ficam nas estatísticas publicadas nos úteis censos. São essas pobres famílias que preferem não trabalhar porque alegam não ter tido instrução ou o acesso ao ensino (que em Portugal até é gratuito). São as mesmas famílias que não pagam habitação (o Estado até concedeu uma casa nova da habitação social), não pagam electricidade (fazem puxadas), não pagam água (fazem puxadas), não pagam gás (bilhas de gás que custam 2,00 € / unidade, custo este que me parece poder ser suportado pelos Sousa, tendo em consideração os quase 2.000,00 € recebidos por mês).

Esta é a realidade. Tentei evidenciar um "pequeníssimo factor" que natural e logicamente contribui para o descalabro das contas do Estado. Culpa da inépcia, da falta de preparação de toda uma organização (leia-se sistema de atribuição de regalias sociais) para detectar fraudes e claro, a "chica-espertice"  portuguesa. É lamentável que assim seja. E que sejam os que trabalham arduamente e pagam os seus impostos que sustentem aqueles que vivem tranquilamente e sem problemas alguns.

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sábado, outubro 08, 2011

Nódoas

Quem como eu tem de, ocasionalmente, vestir-se de forma mais formal, percebe a pertinência do desenvolvimento do tema de hoje. Para todos aqueles eventos que, per se, sugerem a necessidade de envergar um fato e usar uma gravata, e que contemplam um beberete ou uma refeição, revestem-se de particular delicadeza e atenção redobrada.

Os azares acontecem e aqui o escriba, como de resto se sabe, é o exemplo vivo de que, quando as coisas podem correr mal, correm. Desde um celebérrimo jantar "volante", em que de pé, a prestar a máxima atenção à conversa de alguém..consegui o feito ímpar de enfiar ponta da gravata no creme de marisco, ou quando um bocado maléfico de paté de sardinha que comi no casamento do João entendeu experimentar a textura do meu blaser, ou, e por fim, os tão usuais salpicos do molho de cogumelos do bife que tão bem me soube no aniversário da Madalena. Nota: Os salpicos perseguem-me. Hoje em dia penso com frequência que um almoço ou jantar sem salpicos não tem o mesmo sabor.

Em qualquer uma das situações que refiro acima, não há grande coisa a fazer. Sou radicalmente contra a utilização de tira-nódoas. Haja santa paciência. Nunca, mas nunca consegui tirar uma nódoa com aquilo. Aliás, consigo outra coisa. Fazer com que toda a gente fique a saber que fiquei "medalhado". E me sugira que peça uma escova ao empregado para tirar o excesso de produto. Normalmente brinco com essa sugestão que me fazem, enquanto mordo vigorosamente a língua (para não enfiar um garfo nos olhos da pessoa) e candidamente menciono que não sei como ainda não me tinha lembrado de tal. Que parvoíce a minha, agora gostar de andar com manchas brancas na gravata ou camisa! Enfim...

As nódoas são das piores coisas que pode acontecer a alguém. Que dizer quando acontecem estas desgraças não havendo tempo para trocar de roupa? Ou momentos antes de uma reunião importante, ou apresentação de um produto / acção de formação? É lindo. As nódoas como que passam a exercer um magnetismo nos olhos das pessoas. Nada mais tem interesse. A imaginação das pessoas deambula no emaranhado das prováveis causas para "aquela" nódoa. Toda a gente fica a saber uma de duas coisas: a) Não sabemos comer ou b) Não temos roupa lavada. "Ah e tal, mas estou longe de casa". De muito pouco vale esta argumentação. Comesse com calma. Tivesse pedido para tirar o molho do bife.

Para finalizar, há ainda lugar a outro tipo de considerações por parte de quem estuda as nossas nódoas (não tendo nada de mais importante para fazer): "Há quanto tempo andará com a camisa assim? Vê-se logo que não tem ninguém em casa que cuide da roupa que veste..ou...Ainda estou para perceber como terá conseguido enfiar metade da gravata na canja..ou ainda...Como será que vai tirar aquela mancha de iogurte das calças?" E por aí fora..

São poucas desculpas possíveis. Ninguém tem desculpa de não saber comer. A única solução passa por seguir o bom exemplo das figuras proeminentes da nossa sociedade e que não se podem dar ao luxo de sujar a roupa durante as refeições. Usar o babete. Ou em alguns caso, lençóis. Pode ser que ajude. E evita figuras tristes. Ou rótulos.

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sexta-feira, outubro 07, 2011

Padrão de Comportamento

Antes de iniciar este pequeno e singelo texto de hoje, devo chamar a atenção para o facto de não existir em mim resquício de pretensão a imiscuir-me no papel daqueles que estudam padrões de comportamentos. Falo naturalmente dos psicólogos, dos sociólogos e todas os profissionais que detêm um conhecimento muito mais aprofundado e consolidado que aquele que este vosso escriba detém.

Feita que está a chamada de atenção, devo informar que percebo alguma coisa de padrões de comportamento (alguma coisa havia de ter ficado das aulas de Psicologia do liceu). Antes de mais, é importante referenciar o facto de existir vários honrosos e importantíssimos casos de excepção. Mas não será destes últimos que abordarei hoje. Na mesma linha de pensamento de alguns estudiosos desta matéria, parece-me complicado (mas não impossível - lá está, um dos tais casos excepcionais) que de uma favela sita num qualquer ponto do mundo saia um Prémio Nobel da Paz. Bem sei que pode acontecer, mas não hesito em avançar que tal poderá acontecer com uma probabilidade tão alta como a do Papa abençoar a utilização de métodos anticoncepcionais. 

Escolhi o exemplo das favelas porque é um clássico, um case study frequentemente utilizado para ilustrar a facilidade com que surge o enriquecimento rápido e a emancipação meteórica no sentido da obtenção do respeito pela comunidade local. E além limites da favela. Também sei que o "proveito" da ilegalidade de muitas favelas é o sustento que permite a sobrevivência das famílias que nela habitam. Apenas subsiste um "pequeno" problema...o modo (ou os meios) utilizados para obter o tal proveito. Na sua quase totalidade, marcados pela ilegalidade.

Este pequeno preâmbulo tem uma razão de ser. Há uma probabilidade grande no surgimento de um padrão de comportamento "a" ser seguido pelos indivíduos dessa mesma comunidade. As pressões sociais, as condições sócio-económicas locais, a falta de oportunidades (leia-se dinheiro para ir estudar para fora), condicionam fortemente o carácter e o comportamento das pessoas. A utilização do pronome reflexo "SE", nesta avaliação, fará toda a diferença. Se houvesse dinheiro tudo seria diferente. Começo e termino assim. Porque na realidade é disso que aqui se fala. Se houvesse dinheiro certamente que não seria escolhida uma favela sem condições de salubridade. Ou um local onde é necessário que 23 habitantes tenham de fazer uma "puxada" de uma antena parabólica comprada pelo "dono da favela" para ver a "novela" das 2100H. Esta é a realidade de muitas famílias. 

E o oposto? Havendo dinheiro. Tudo se passa da mesma forma. Quem cresceu a comer filet mignon e água Perrier não vai certamente achar muita piada se em algum momento lhe puserem à frente um prato de fubá acompanhado de um delicioso copo de água de um qualquer furo próximo. Há também um padrão de comportamento. As férias passadas fora do País. Os bons relógios, os bons carros. Os bons casamentos (se é que existem)... A questão, também estudada pelos entendidos nestas matérias, é a necessidade de certos grupos de indivíduos onde "teoricamente" nada falta (dinheiro, carros, acesso a estudos) enveredarem por via que.....outros grupos, economicamente menos favorecidos usualmente enveredam. E a dada altura há como que ....padrões de comportamento iguais. Incrível, não é? É. Eu sei. Mas é a realidade. Podia escrever um segundo "Tratado de Tordesilhas" com os exemplos que conheço...

Para concluir, não acredito que haja uma "análise hermética" ou compartimentada de certos grupos. Como refiro acima, há vários factores que concorrem para o molde do carácter de um indíviduo e para um determinado padrão de comportamento. Donde, é necessário que os padrões de comportamento sejam esmiuçados. E sejam avaliados individual e profundamente. Sempre.

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quinta-feira, outubro 06, 2011

Ignorar

Se há algo que aprendi ao longo dos tempos foi o de ignorar situações que possam ser traduzidas em stress ou preocupação aqui para o escriba. Desvalorizar as mesmas ou "desmontar" aquilo que aparente e inicialmente possa parecer indutor de má disposição é a solução.

Logicamente que isto não acontece de ontem para hoje. Nem tampouco está findo este processo. Todos os dias são óptimos para exercitar esta capacidade assim haja uma imensidão de situações que merecem ser ignoradas. 

Por outro lado, bem sei que ninguém gosta de ser ignorado. Contudo, para quem ignora, é um "escape" ou defesa de situações que possam comprometer a sua sanidade mental. Ocorre-me por exemplo, o caso clássico em que a relação afectiva é mal resolvida (no entender de uma das partes), e que tem como consequência que essa mesma parte não queira mais trabalhar para ganhar dinheiro e passe o resto dos dias da sua vida a enviar sms ou a dar toques para o número de telefone da outra parte. Sinceramente, gabo a paciência destas pessoas. 

Consigo até fazer outro tipo de exercício. Não tenho dúvida alguma que, se a força de vontade destas pessoas em "atazanar o juízo de alguém" fosse direccionada para o seu trabalho, Portugal nunca teria entrado em recessão económica. Teríamos índices de produtividade invejáveis e uma economia referencial nos dias que correm. Não podia era haver relações afectivas mal resolvidas.

Para concluir, e pelas histórias que vou conhecendo, há erros que são comummente cometidos. Por exemplo, ao invés de ignorar este tipo de situações incómodas, cair-se na tentação de tentar "resolver" as coisas. Será o mesmo que enfiar mão num saco de irrequietas e jovens víboras depois de o agitar vigorosamente. O resultado é conhecido. O melhor mesmo é não tentar. E ignorar.

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quarta-feira, outubro 05, 2011

Impunidade Política

Cada vez que um político sai impune depois de terem sido provados os seus actos de ingerência, ou negligência grosseira, fico com vontade de... nem sei. Não consigo encontrar um "mimo" suficientemente mau para infligir ao político em causa. Só me ocorre um ácido qualquer, feridas abertas, lâminas e álcool.

Todos o santo dia há mais notícias de mais uma "chica espertice" de algum político que entendeu que era mais inteligente que os demais. Diz o povo que a "mentira tem perna curta", e realmente começo a acreditar que seja verdade. Mais cedo ou mais tarde (normalmente é mais tarde, por cá), a verdade aparece. E depois é vê-los jurar que já aconteceu há muito tempo e o sempre e clássico desconhecimento da Lei. Nesta altura rio até às lágrimas.

Defendo uma responsabilização criminal para todos os políticos que, no exercício das suas funções lesem de forma pontual ou continuada o Estado Português. Afinal, todo e qualquer político é eleito por sufrágio universal, o que significa, em termos práticos, que são escolhidos pelos portugueses que enquanto seus representantes. Não equaciono outro caminho que não o do cabal e escrupuloso cumprimento das suas responsabilidades / funções no decurso da sua actividade profissional. Desejavelmente sem ilegalidades pelo meio.

Nota: Não devia ser permitido que os políticos se ausentassem do País até que fossem sanadas todas as dúvidas de foro jurídico que sobre eles recaíssem. Não faz qualquer sentido permitir que os mesmos saiam do País depois de, em alguns casos terem conduzido ao mesmo a estados próximos da bancarrota...Já para não falar que não poderiam integrar as listas eleitorais durante o resto das suas vidas...

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Assumir os Erros

São cada vez em menor número as pessoas que conheço e que assumem os seus próprios erros. Com frontalidade e sem medos. Assumir um erro evidencia, na minha perspectiva, carácter, verticalidade e honradez. E infelizmente nem sempre isso acontece.

Confesso que reacção típica de quem não quer assumir um erro me diverte um bocado. Grande, devo dizer. Desde o enrubescimento das faces, passando pela gaguez e terminando no sair disparado (a) de determinado local, são alguns sinais de quem não quer dar o braço a torcer na assumpção de determinado erro. Demonstra infantilidade, imaturidade, pouco poder de encaixe e sobretudo, aversão à melhoria contínua. É com os erros que se aprende. E ninguém nasce ensinado.

É pena que nem toda a gente veja as coisas assim. E prefira enfiar a cabeça na areia. Qual avestruz. E esperar que outra pessoa resolva os problemas. Passando a si mesmo(a) um atestado de incompetência. E se há por aí incompetentes...

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Fogo Posto

Este tema não é novo neste espaço. Em tempos já o terei aqui desenvolvido. Mas entendo que nunca é demais tecer algumas considerações sobre este acto criminoso e com moldura penal. Assim sejam os criminosos detidos, lógico.

Uma das formas de detecção do fogo posto passa pelo facto de, em pouco tempo, ser possível perceber o aparecimento de várias frentes de incêndio. O criminoso, de forma lúcida ateia o fogo em várias frentes, maximizando assim o prejuízo e criando, por outro lado, sérias dificuldades aos "soldados da paz" no combate ao mesmo. Fala-se comummente em incendiários,  em pessoas com perturbações mentais ou mesmo, e pasme-se, em incêndios "oportunos" (quando a colheita foi má, quando o coberto florestal está doente), bem como outras teorias. O que é certo é que este acto ilícito continua a ter lugar.

Todos os anos há incêndios e todos os anos se fala igualmente em fogo posto. Não raro, nestes locais, são encontrados vestígios de material combustível e/ou outros artefactos que estão relacionados com o infeliz evento. 

Também aqui é necessário que a Justiça tenha uma "mão" mais pesada. Que seja interiorizado que quem comete este crime, é severamente punido. Pior que os danos materiais são os danos infligidos nas espécies animais e flora autóctones (por vezes espécies protegidas). E dificilmente terá lugar a re-povoação daquela área agora dizimada pelo fogo. 

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Feira de Imobiliário

Promover a venda de casas em tempo de acentuada recessão económica, como aquela que se vive actualmente, é como tentar vender a lotaria do Natal num velório.

Foi há poucos dias conhecida a decisão da não realização do salão internacional do automóvel em Lisboa. Motivo? A presente crise económica e um balanço muitíssimo negativo em consequência do volume de vendas de automóveis que, comparando 2011 e o período homólogo de 2010, conduziu a que os grandes construtores não tivessem interesse em ver representada a sua posição neste importante certame. Se há crise, não há dinheiro. Se o dinheiro "está caro" (banca empresta a juros tendencialmente superiores), não há compra de carros. Para quê gastar então dinheiro no aluguer de espaço no salão? Não faz sentido neste momento. Foram avançados valores de 600 milhões de euros de prejuízo no período de tempo que refiro. Um número que o Governo deveria reter. Como "side note", entendo que é um sector que importa dinamizar, incentivar,  implementando medidas imediatas, como sejam, e por exemplo, acabar com a dupla tributação. Mas isso é assunto para outro texto...

O mercado imobiliário está moribundo. Nunca antes foi tão difícil vender casa. Já comprar é diferente, na medida em que se torna possível efectuar bons negócios, para quem nesta complexo momento tenha uma fluidez monetária que permita "bater as notas". A capacidade negocial do comprador aumenta na razão inversa da do vendedor. É uma verdade incontornável. E a disparidade será tanto maior quanto maior for a necessidade em vender a casa.

Numa altura em que se assiste à proliferação dos leilões imobiliários, penso que ninguém terá dúvidas que as agências imobiliárias vão passar um mau bocado. É que enquanto no mercado dos carros, não sendo um bem de "primeiríssima" necessidade, as pessoas conseguem estabelecer uma ordem lógica de prioridades e protelar a troca do "chasso com 12 anos" que lá têm em casa, já no caso dos imóveis a análise é necessariamente diferente. Por vezes há a necessidade de troca de um imóvel por outro maior (aumento do agregado familiar) ou mesmo por necessidade (mudança de emprego e consequente morada) e nestas situações surge a premente troca. O que não é facilitado pelas margens de lucro dos bancos (imposições europeias) que têm sido esmagadas. Não é à toa que os empréstimos são cada vez mais caros.

Acontece que durante cerca de uma década a esta parte houve uma proliferação de agências imobiliárias por esse País fora. Era possível explorar este negócio (assim havia dinheiro e concessão fácil de linhas de crédito). O que sucede actualmente é que não havendo dinheiro para o cumprimento das obrigações para com o banco, opta-se por entregar o imóvel. Ao banco, por sua vez (e após execução da hipoteca pendente no imóvel), não interessa ter o "dinheiro parado". Donde, e logicamente, promove leilões onde é possível efectuar excelentes negócios. Os imóveis são re-avaliados e o custo de aquisição dos mesmos decresce vertiginosamente - o que não deixa de ser sinónimo do quão inflaccionado estaria o mesmo quando comparados os preços de aquisição há uns anos e neste momento...

Com tudo isto, não percebo porque não foi ainda esta feira cancelada. Mais. Seria interessante perceber quais as reais pretensões de quem vai a este tipo de evento. Aposto o que quiserem como só vai passear. E ver as vistas. Mas para isso...ocorrem-me umas 5 formas alternativas de passar uma boa tarde.

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Peregrinos


Há poucos dias pude experimentar, pela primeira vez na minha vida, a peregrinação a Santiago de Compostela. O programa era ambicioso e conciliava a prática do todo-o-terreno (do qual sou fanático) com uma visita marcada pelo cariz profundamente religioso.

Durante 4 dias experimentei troços "fora de estrada", com um grau de dificuldade muito acessível - troços rápidos - e com paisagens lindíssimas. A título de exemplo, o Parque Nacional Peneda-Gerês e entre outros exemplos do nosso património destacando o singelo mas não menos importante legado existente em Trancoso - ponto de partida deste passeio, o  Mosteiro de Tibães (e outros mosteiros beneditinos, como seja o Mosteiro de S. João d´Arga), e a naturalmente e esplendorosa Catedral de Santiago de Compostela enquanto destino final.

Aliar a prática de todo-o-terreno com uma peregrinação religiosa, exige tempo de preparação, cumprimento de horários, contactos com instituições, alerta das autoridades locais, etc. É obra. Só uma organização com visão e prática na organização deste tipo de eventos poderia levar a "bom porto" uma caravana de 50 carros todo-o-terreno (jipes e suv´s) e cerca de 150 pessoas. Números redondos, foi esta a realidade numérica. Conseguir que tudo corresse bem revelou-se uma tarefa fácil assim se comprovou haver uma estrutura organizativa coesa e profissional.

Tive também a oportunidade de passar por algumas zonas do Norte de Portugal, e que até então me eram totalmente desconhecidas. Falo de Trancoso, Mondim de Basto, Lamego, Ofir e Santiago de Compostela. Quatro dias intensos, e nos quais, além das visitas aos pontos religiosos de paragem obrigatória foi também possível degustar a gastronomia regional e beber as tais "pomadas" tão conhecidas e produzidas nesta zona do País.

Em Santiago de Compostela, destino final deste passeio, é possível experimentar várias sensações. O espírito do peregrino - são várias as línguas que se ouvem falar e a possibilidade de nos apercebermos de uma mescla de culturas. Santiago é onde também está localizado um importante pólo universitário e que congrega uma faculdade de medicina e de economia. É portanto tornado possível respirar o jovial e simpático ambiente académico. 

Contrariamente ao que acontece em Portugal, os espanhóis fazem gosto em abordar quem passa nas ruas para experimentar algum petisco que têm na sua loja, café ou restaurante. O que não deixa de ter a sua piada e reflectir a boa disposição enquanto povo anfitrião.

Por último, e como não podia deixar de ser, a imponente e importante componente religiosa associada a este apóstolo de Jesus Cristo. A catedral majestosa, dar o célebre abraço ao busto de Santiago de Compostela, a visita guiada com narração histórica a toda a catedral e no final uma celebração religiosa presidida pelo Bispo da Guarda com a habitual queima do incenso no "Botafumeiro".

A repetir!!

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sexta-feira, setembro 30, 2011

Regalias Sociais

Li há uns dias um artigo sobre regalias sociais em vigor em algumas empresas estatais.  Sendo o mais sincero possível, a sensação que me deu, foi que há efectivamente (e em tempo de crise, como a que se vive actualmente), regalias sociais em vigor em empresas do Estado e que são pagas com dinheiros públicos. Sendo que não consegui perceber uma data para que acabem estas benesses.

Esta realidade preocupa-me um grande bocado. Afinal, enquanto se pedem cada vez mais sacrifícios aos portugueses, por outro lado constata-se uma série de regalias adquiridas por outros tantos (funcionários dessas empresas maravilhosas, que por sinal até dão mostras de ter um prejuízo...vá-se lá saber porquê). Esta realidade das regalias parece-me algo descontextualizada nos dias que correm. Falo por exemplo das viagens gratuitas para os trabalhadores de algumas empresas, das reformas em valor igual ao último vencimento (quando as medidas que fazem parte do pacote da austeridade acordado com a Troika sugerem a adopção de medidas que contrariam esta realidade), sistemas de saúde autónomos e comparticipados na sua quase totalidade, entre outras situações. 

Discordo em absoluto que estas benesses prevaleçam no presente. Os bons exemplos devem vir de cima, e veria com bons olhos que os mesmos sacrifícios fossem partilhados por todos os portugueses, numa altura em que, como já referi, todos os dias são pedidos mais sacrifícios. Isto para evitar que apenas um grupo seja sacrificado. Também o outro deverá sê-lo é...mas não o é. Tem uma série de regalias que tornam a sua vida mais confortável e menos espartana nos dias que correm. 

Infelizmente, os sucessivos Governos assim não percebem (ou não querem perceber) este tipo de detalhes. Até porque são parte interessada!

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quinta-feira, setembro 29, 2011

Fazer as Malas

Fazer as malas nunca constituiu para mim motivo de stress ou de ansiedade. Desde que me recordo, e já lá vão uns bons anos em que faço as malas sozinho, nunca "perdi o sono" a pensar no que falta colocar na mala ou simplesmente se a levo...

Como em tudo o que acontece comigo, também aqui se obedece a uma religiosa organização. Não deixo para o último minuto a consecução desta tarefa. Tenho de perceber algum tempo antes, um ou dois dias, o que vou levar, o tipo de evento que poderá acontecer e claro, estar preparado para algumas surpresas, como sejam "medalhas" de molho ou uma qualquer outra nódoa inesperada. Posto isto, não há ciência nenhuma em organizar um monte de roupa, deixar os sapatos por perto, validar se tenho tudo no necessaire (incluindo pasta de dentes, máquina e espuma de barbear - até porque já me aconteceu levar escova de dentes e não levar a pasta e vice-versa) e no dia da viagem, colocar tudo dentro do saco ou mala, cumprindo o meu check-list mental.

Faz-me alguma confusão como é que as pessoas não são práticas nesta matéria. Já tive oportunidade de viajar várias vezes com outras pessoas, ao longo dos anos. O sentimento que tenho é que se complica em demasia o que é tipicamente simples. Aquele juízo usualmente faço, no sentido de (mais uma vez) garantir que não "sinto"  a 3ª Lei de Murphy, é  levado muito a peito por algumas pessoas. Assim sendo, onde eu levo uma camisa a mais para um qualquer azar que possa ter lugar...não raro levam 3. Onde eu cometo o pequeno luxo de levar um par de sapatos mais confortável e um par de botas, levam 2 pares de sapatos mais confortáveis (para demonstrar variedade), e por aí adiante!

Haja paciência...e tempo para esta simples tarefa...

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quarta-feira, setembro 28, 2011

Ou vai ou racha...

Uma tirada comum do nosso povo. Por outras palavras, ou vai a bem, ou vai a mal! Mas vai!!

Sou o exemplo vivo da pessoa a quem já aconteceu tudo. Tudo é tudo..donde, é normal que com algum esforço consiga encontrar exemplos que reflictam tiradas populares como a de hoje. E consigo fazer isto com uma facilidade assustadora, o que per se evidencia quão rica é a minha experiência de vida.

Julgo já aqui ter referido que comecei a minha vida profissional como mecânico de aviões. Já lá vão quase 20 anos. No início dessa promissora e bem paga carreira de mecânico de aeronaves (que entretanto optei por interromper para tirar uma licenciatura em engenharia - com profissionais tipicamente mal pagos), era usual trabalhar-se com um elemento da equipa com mais experiência. Assim, a experiência de um poderia ser apreendida pelo outro. E assim foi durante uns largos meses. Pontualmente, havia também trabalho oficinal no qual podia haver necessidade de serem manufacturadas peças ou executados pequenos trabalhos / reparações, mas sempre supervisionados por colegas mais antigos / chefe de equipa.

Lembro-me como se tivesse acontecido ontem de uma reparação específica. Estava com um colega mais velho (por sinal com quem tinha muitas conversas sobre legislação laboral, patronato, sindicatos, etc.) e foi-nos atribuída uma reparação na soleira da porta de uma aeronave. Quem conhece pessoas ligadas à aviação (ou trabalha neste meio) sabe que o tempo é um factor essencial para que haja facturação de uma empresa. Os vôos são vendidos pelos Departamentos Comerciais à velocidade com que são conhecidos os buracos financeiros cá em Portugal, e como tal, é importante que não ocorram atrasos. Ou seja, há uma grande pressão depositada em quem trabalha no avião para que os trabalhos não atrasem e os aviões possam sair à tabela. Avião que sai à tabela é sinónimo de Cliente satisfeito. Cliente satisfeito volta no futuro.

Em paralelo, também é fácil de imaginar que há muitas mais pessoas a trabalhar num avião. É normal. Era bom ter-se o avião sem mais ninguém, mas a probabilidade de isso acontecer é a mesma da Grécia não ser "convidada a sair" da Comunidade Europeia pelo incumprimento continuado das medidas preconizadas nos sucessivos planos de austeridade. Donde, é necessária uma enorme coordenação de trabalhos e tentar ao máximo não interferir com a realização das tarefas de outras pessoas.

A questão logística é outro aspecto importante. O trabalho em hangar (a "garagem" dos aviões) é tipicamente movimentado. Chegam a estar 3 e 4 grandes aviões no mesmo espaço físico e, por vezes não há escadas (para permitir o acesso a partir do solo ao interior do avião) suficientes para colocação em cada uma das portas do avião. Recordo-me bem de ter sido este o caso. Naquele dia da reparação, não havia escadas suficientes. Era um dia agitado, com uma grande azáfama e "casa cheia". Tudo isto para dizer que só havia uma escada, e toda a gente que estava a trabalhar naquele avião tinha de passar precisamente pela tal soleira da porta que tinha de ser reparada por mim e pelo meu colega.

Simplificando a situação, o trabalho consistia em "descravar" a soleira, reparar a zona em causa, e aplicar uma soleira nova. E aqui começa verdadeiramente a minha história.

Praticamente 90% da estrutura do avião é rebitada. Rebite, por definição, é um elemento de ligação que une duas superfícies. Na aviação, aquela parte exterior da aeronave que se vê, o "charuto", é toda rebitada. Tipicamente, os rebites são cravados com recurso a um homem da parte de fora do avião com um martelo pneumático e que crava o rebite em determinada zona, outro homem da parte de dentro do avião com um "ferro", que não é mais que um objecto pesado de ferro, para permitir o esmagamento do rebite e consequente união das duas superfícies. Há vários tipos de rebites. Para se ter uma ideia, há alguns que têm de ser conservados no congelador pelo facto de serem pouco dúcteis e sendo que a única forma de os cravar é precisamente essa, recorrendo ao frio. Outros há que pela sua especificidade de aplicação assumem formas diferentes, têm um "colar" que é partido após estarem cravados.

No caso da tal reparação da soleira, a fixação era conseguida através deste último tipo de rebite. Dos que têm "colares". A reparação correu toda na perfeição. Importa dizer que houve vários momentos em que não me contive e tive de parar de trabalhar desatando a rir à gargalhada, porque tinha tirado à sorte com o meu colega e o mesmo ficou com a parte do trabalho mais ingrata - enfiar a mão na parte interior da estrutura, para amparar os rebites a serem cravados. Calhou bem porque o meu colega tinha a mão mais pequena foi mais fácil. 

É claro que para ter acesso à tal zona interior da soleira da porta o meu colega tinha de estar deitado na plataforma da escada de acesso. E é claro que para o ajudar eu próprio tinha de estar deitado. Mas em cima dele - daí as minhas gargalhadas, e também porque o ouvi falar de toda a família do chefe de equipa. Desde a avó do mesmo até à...da prima. Acredito que tenha ganho algum vocabulário novo em termos de vernáculo. Num meio frequentado maioritariamente por homens, imagina-se facilmente o tipo de comentários que eram ouvidos por aqueles que por nós tinham de passar para ir trabalhar para dentro do avião.

Já quase finalizado o trabalho, faltava partir o "colar" de dois rebites. Naquele momento não tinha a minha caixa de ferramenta por perto e pedi ao meu colega que me emprestasse a sua ferramenta (entenda-se o alicate que tinha desde a sua entrada para a empresa - havia uns 25 anos) para "partir os colares" dos rebites. Tirou o mesmo da sua caixa de ferramentas, deitou-se de novo na plataforma e enfiou a mão no interior do avião. Já eu, depois de me parar de rir à gargalhada (aí pela 349ª vez), deitei-me em cima do meu colega e com o alicate dele não sem antes ouvir uns assobios da rapaziada que estava por perto.

Bem sei que o material tem sempre razão. Mas houve um colar que me deu mais luta. E terei porventura feito mais força. Consegui portanto partir o colar...e o alicate do meu colega. Não estava a ir...acabou por ir e...não por rachar, mas sim partido. É claro que me desatei a rir. Entreguei-lhe os dois pedaços que restavam do alicate de estimação perante o olhar incrédulo dele. Claro que percebeu que não tinha feito aquilo de propósito, mas desde esse momento, sempre que me apertava a mão referia essa história. Talvez com medo que lhe partisse os dedos!!

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terça-feira, setembro 27, 2011

Expatriados

São cada vez mais os portugueses expatriados por esse mundo fora. A busca de melhores condições (e qualidade) de vida faz com que se assista a um fenómeno migratório similar aquele que teve lugar há várias décadas atrás.

Desta feita, é usual nos mais variados cantos do mundo ouvir-se falar a língua de Camões. O que, para quem já viveu fora do País durante umas temporadas sabe o que significa. Conforto. Saber que está ali alguém que, independentemente de ser de Celorico da Beira ou de Tavira sabe o que quer dizer um bitoque. Ou um prato de moelas. Ou pataniscas de bacalhau com arroz de feijão. Por aí adiante (já estou a ficar aguado).

Outra forma de expatriação com considerável expressão (e tendencialmente superior) tem que ver com a expatriação dos presos estrangeiros. A cama e roupa lavada, televisão, ginásio e comida à borla, só mesmo para os presos portugueses. Os presos estrangeiros que vão procurar as mesmas condições....na sua terra.

Cada vez será maior o número de expatriados...alguma coisa quererá dizer. E quem de direito deveria fazer algo que travasse este êxodo de pessoas para o estrangeiro.

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segunda-feira, setembro 26, 2011

Insulares

Começo o texto de hoje informando que nada tenho contra os insulares. Muito pelo contrário. Contudo, com esta mais recente polémica que deflagrou num dos arquipélagos, foram alguns os pensamentos que me "assaltaram" nos últimos dias. São esses pensamentos que me proponho a partilhar.

Um dos primeiros pensamentos tem que ver com a falta de coerência. Tentarei explicar melhor. Se um filho em  crise existencial (e.g.: idade do armário) se zanga com os progenitores e decide sair de casa, não irá ficar à espera que o papá continue a "bancar" a semanada. Isto se tiver um pinga de orgulho, naturalmente. É um pouco aquilo que acontece com um dos arquipélagos. Durante anos lutaram pela autonomia e desvinculação das políticas governamentais seguidas pelo continente. Adoptaram as suas linhas governativas...peculiares, tendo um registo caracterizado pelas "farpas" continuamente lançadas ao continente e aos sucessivos governos no poder. O que é certo é que "iam conseguindo levar a água ao moinho" e o que lhes interessava. Um quinhão cada vez maior e contemplado nos vários  Orçamentos de Estado (OE). E era invariavelmente na discussão do OE que as críticas contra o continente amainavam. Para depois continuarem quando eram satisfeitas as vontades.

Um segundo pensamento tem que ver com o registo do responsável pelo governo regional de um dos  arquipélagos. Truculento. Peculiar. Crítico corrosivo. Por uns amado, por outros odiado. Sem reunir consenso. O que é certo é que se mantém à frente dos desígnios do arquipélago há mais de três décadas. Mas também é importante verificar o mais recente e claro transformismo em consequência do descalabro das contas regionais. Os discursos incendiários deram lugar a discursos serenos e desapareceu a tal tónica corrosiva. Faz algum sentido. A crise que se vive neste arquipélago é consequência da ingerência ao longo das décadas de governação do partido que está no poder. E qual miúdo que faz a asneira e é descoberto, fará sentido que agora, e pacientemente, se aguarde o castigo. A ver vamos se haverá.

O terceiro pensamento, e perdoar-me-ão os habitantes dos arquipélagos, tem que ver com economia. Ao nível nacional. Para mim, que moro em Lisboa, tenho obrigação de pagar portagem sempre que regresso de Porto Brandão depois de comer um arroz de marisco. Os insulares não sabem o que é um portageiro. A taxa normal do iva no continente era, até há meses era de 23%. Nos arquipélagos a mesma taxa do iva é de 16%. Estes são alguns exemplos, entre vários que aqui podiam ser avançados, e que na minha humilde opinião, reflectem algumas benesses que os continentais não têm acesso. É claro que isto consubstancia uma situação injusta entre portugueses e um claro incremento da qualidade de vida para quem mora nos arquipélagos.

O quarto e último pensamento toma-me mais tempo. Questiono-me quem irá pagar o recentemente descoberto buraco financeiro de um dos arquipélagos. É sabido que os insulares não têm dinheiro. Mas não tem problema algum. Pagam os continentais, até porque estão muito abonados na actual conjuntura. Aqueles que moram no continente e de quem os arquipélagos quiserem independência.

Já há muito tempo que defendo que os políticos, enquanto eleitos democraticamente e enquanto gestores de dinheiros públicos devem ser responsabilizados criminalmente. É importante que a responsabilização (a ter lugar) seja exemplar. O que se constata é que quem legisla está de alguma forma conotado(a) com o partido do Governo. Como tal....não interessa legislar em matérias sensíveis...e que a jusante podem jogar contra os próprios. 

Com toda a serenidade e tranquilidade que o momento sugere, o País afunda-se...

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domingo, setembro 25, 2011

Metamorfose

Associo à palavra metamorfose a transformação. A mudança. A alteração de características de algo.

Ninguém terá dúvidas que o presente momento configura um excelente exemplo de metamorfose, de mudança ou de transformação. A crise económica, com uma tendência para ficar ainda mais severa, vem catalisar o processo de metamorfose, começando pela alteração dos hábitos e culminando na desejável consciencialização individual acerca do "onde estamos e para onde vamos".

Refiro-me a uma contínua e longa metamorfose. Não consegui ainda perceber onde irá culminar. Assist-se ao iminente colapso de uma das economias europeias em paralelo com a adopção de uma série de medidas de austeridade que não estão a ser bem recebidas pela sociedade. Falo, claro está, da situação da Grécia. No caso da Comunidade Europeia (CE) deixar de apoiar a Grécia, e fôr este país "convidado" a abandonar este grupo, o futuro em Portugal não será fácil. Nada mesmo. E a tendência é verificar-se este realidade. 

Como que "misericordiosamente"  a CE tem vindo a ajudar este país, nos últimos meses, sem que haja ou se constate uma resposta forte e comprometida por parte desta economia. E isso não é bom. Esgotam-se as oportunidades e a paciência de quem "abre os cordões à bolsa".

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Quando o Cliente se atrasa...

...é preciso ter calma (já versa a letra de uma música portuguesa conhecida). Para quem conhece os meandros empresariais, conhece que há duas formas de estar num contrato: ou enquanto Fornecedor ou enquanto Cliente. Frequentemente estou ora num lado ora no outro. Contudo, é enquanto prestador de serviços (Fornecedor) que as coisas configuram situações mais delicadas para mim, e verdadeiros testes à minha paciência e sanidade mental.

Há pouco tempo tive de acompanhar duas inspecções a duas aeronaves efectuadas por um Cliente (equipa de dois técnicos). Em função da disponibilidade das aeronaves, uma das visitas foi programada para o horário diurno (matinal - e ainda assim tive de alterar o horário para mais tarde, porque os dois técnicos entenderam no próprio dia da inspecção matinal que a hora marcada era muito cedo) e outra inspecção para o horário nocturno, momento em que estariam reunidas as condições adequadas para a segunda inspecção. Importa nesta altura informar que os técnicos ficaram hospedados num hotel a cerca de 5 minutos do aeroporto onde teriam lugar as duas inspecções. 

A visita da parte da manhã realizou-se tranquilamente. Em virtude da outra inspecção só se realizar muito mais tarde, aquando da disponibilidade da segunda aeronave, ingenuamente pensei para comigo que o meio de transporte escolhido pelos técnicos entre hotel e aeroporto fosse o usual e clássico táxi (como aliás tinha sido seleccionado no período da manhã). Enganei-me redondamente. Sem conhecer bem a cidade de Lisboa, entenderam alugar um carro. Com GPS, pois claro, julgando que este artefacto electrónico e mágico, miraculosamente os levasse ao destino quando necessário, ou seja, de noite, e para o aeroporto. Isto sem se terem preocupado em fazer reconhecimento de terreno. Durante a tarde (e no intervalo de tempo entre a tal inspecção matinal a uma das aeronaves e a disponibilidade da outra aeronave), os dois camaradas ficaram com toda a certeza a conhecer mais spots turísticos na região da Grande Lisboa que eu próprio. Adiante...

É sabido que trabalho nocturno é sempre cansativo. Mais cansativo se torna quando se começa bem cedo o dia. Que é usualmente o meu caso. Neste dia em concreto, e com receio dos "deslizes", dos atrasos, enfim, dos imponderáveis, esforcei-me ainda mais para que tudo corresse bem. Coordenei esforços com outras equipas de outros departamentos, apelando à disponibilidade das mesmas e consegui erguer um verdadeiro trabalho de equipa do meu lado. O mesmo não posso dizer do lado dos técnicos. Abreviando a história, a inspecção do horário nocturno começou com duas horas e meia de atraso. Sem um telefonema a avisar. Com os telefones de ambos os técnicos desligados . Com mentiras pelo meio, o que só me podia deixar verdadeiramente possesso. Uma coisa é um atraso. Já de si mau e denunciador de falta de carácter e verticalidade. Mas com mentiras e esquemas pelo meio, piora muito a "fotografia".

Com este tão grande atraso, consegui que os ânimos se exaltassem um pouco, embora de forma comedida, e um turno "queimasse" as horas de trabalho e tivesse de ficar (já em horas extraordinárias) à espera dos ilustres. Acabaram por me ligar quando lhes apeteceu. Afinal tinham-se perdido. E a polícia devem tê-los interceptado na medida em que a dada altura falei ao telefone com um agente. Para despachar tudo, fui buscá-los onde estavam e resolvi o problema.

Moral da história...nem um pedido de desculpa, donde, infiro que mais tempo quisessem passear, mais tempo eu teria de ficar à espera. Nem uma justificação para as quase três horas de atraso. Haja boa educação! Por ser o Cliente...consegui contar até 298.000. De trás para a frente e de frente para trás. E correu tudo bem. Felizmente para mim e felizmente para eles! 

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sexta-feira, setembro 23, 2011

Adiamentos

Se há coisa que me irrita são as pessoas que constantemente adiam algo. Não falo naturalmente dos adiamentos que acontecem em consequência de algo inadiável e conscientemente priorizado. Falo dos adiamentos que têm lugar em consequência de preguiça, de receios infundados ou mesmo sem justificação aparente - sendo que estes últimos têm a particularidade de me tirar do sério.

Um dos (entre vários) adiamentos que pedi, consciente e programado foi o do serviço militar obrigatório. Ainda sou desse tempo. Na altura era necessário ir ali ao Quartel de Ajuda passar um dia, para gáudio dos "magalas" que por lá trabalhavam. Aliás, não tenho dúvida que era nestes memoráveis momentos da inspecção militar, com "mancebos" oriundos de vários pontos do País e com as mais díspares habilitações literárias, que lhes era possível exorcizar os fantasmas e os recalcamentos inerentes a alguém que fez da sua mulher / namorada a "caserna". Ou mesmo problemas pessoais profundos. Só assim entendo que todos andassem de um lado para o outro, qual baratas tontas e sempre aos berros. É claro que na altura, com o papelinho comprovativo da frequência universitária, as coisas mudavam de figura.Nos últimos anos, dia do adiamento passou a ser um "pró-forma" para nunca mais se pensar em tropa. Até porque (e na minha opinião erradamente) deixou de ser obrigatório o cumprimento do serviço militar.

Há dezenas de exemplos que poderiam ser dados. Admito que a mentalidade portuguesa é muito atreita aos adiamentos. As pessoas gostam de adiar, pensando que têm tempo de sobra para fazer as coisas. Não planeiam em avanço. Não definem metas temporais específicas. E por vezes, esta falta de planeamento, associada aos adiamentos têm preços altos associados. Como por exemplo, o não cumprimento dos objectivos propostos e derivado de tais inconsequentes adiamentos. Dá que pensar.

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quinta-feira, setembro 22, 2011

Pacote de Leite

Uma conhecida marca de leite, que desde sempre se gastou cá em casa, mudou recentemente o formato do pacote de leite.  Este acontecimento não seria de relevo, não fosse a mudança reflectida na minha vida. Eu explico.

Nos clássicos pacotes de leite de há 500 anos, era necessário descolar um dos "bicos" laterais, desdobrá-lo, levantá-lo e cortar a  "ponta" (curiosa a sugestiva combinação de palavras...adiante). Assim foi durante uns 300 anos. De há 200 anos para cá, e numa altura em que havia dinheiro  a rodos e não se olhava aos custos de produção, introduziram-se alterações nos pacote de leite. Deixou se ser necessário partir uma unha a descolar um dos "bicos" do pacote. Introduziu-se o fecho do pacote recorrendo a uma tira de papel de alumínio e uma pequena tampa plástica. E aqui começa a minha odisseia.

Se abrir a tal pequena tampa plástica era mais fácil do que roubar um doce a um septuagenário distraído, já o mesmo não podia ser dito acerca da abertura da remoção da tal tira de papel de alumínio. Em milhões de pacotes de leite que abri até há meia dúzia de dias atrás, apenas em 3 ou 4 não me salpiquei de leite. E esses 3 ou 4 pacotes foram abertos de forma diferente. Como? Com pequenos furos nessa tira de papel de alumínio com a ponta de uma faca. E porque não fiz sempre assim? Porque sempre entendi que a tal tira de papel de alumínio deveria ser removida sendo "puxada". Para isso lá estava a mesma. E sempre que a tentei remover, salpiquei-me com pingos de leite. Já era normal.

Esta inglória e frustrante tarefa de abrir um pacote de leite "dos antigos", sem me salpicar com pingos de leite, parece-me ter os dias contados. O formato do pacote mudou. Talvez em consequência das queixas de pessoas como eu, que cheguei a ponderar ainda há bem poucos dias e depois de ter ficado com mais uns pingos de leite um pacote de leite sem me sujar.

Para terminar, gosto imenso do novo pacote de leite. Formato mais moderno, com abertura fácil. E já consegui abrir uns 10 pacotes sem me sujar. Extraordinário!

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quarta-feira, setembro 21, 2011

Ser Tio

Acabo de ser brindado com uma notícia que mudou o rumo da minha vida. Recebi um cartão, entregue pela minha cunhada há minutos, em que me eram comunicadas duas boas novas: que vou ser Tio, foi a primeira e que me fez agarrar à mesa da sala de jantar (local onde recebi o envelope onde estava o tal cartão). A segunda notícia foi que além de Tio vou ser Padrinho. Aqui tive de me sentar.

Naturalmente que já sabia da gravidez da minha cunhada. Contudo, tive de me manter de "bico calado" durante bastante tempo. Não estava autorizado a comentar com ninguém. Fiquei a saber que há uma crença popular que defende que a informação ao mundo inteiro da gravidez só deve ser feita após os 3 primeiros meses de gestação. O que, como se pode imaginar, fez com que tivesse de me controlar muito tempo e morder a língua umas 958 vezes desde que soube da gravidez até ao minuto em que soube que podia partilhar esta notícia.

Esta primeira ecografia aos 3 meses mostrou um feijão com 6cm. Não se sabe ainda o sexo (o médico sabe, mas a posição do menino ou menina não era a melhor, e como tal não quis arriscar). Antes que comecem a pensar o que preferiria eu que viesse, avanço já que me é totalmente indiferente. Quer seja um ou uma, o que interessa é que seja saudável e perfeito(a).

Naturalmente que são vários os pensamentos que já me ocupam a mente no sentido de proporcionar aprazíveis momentos a dois. Quer seja menina, quer seja menino. Por exemplo, passo a ter companhia para ir ver as minhas tão simpáticas exposições de carros. Ou par ir dar os passeios a pé com o Paco. Ou ir fazer um passeio todo-o-terreno. Entre tantos outros exemplos que podem (e devem) ser feitos entre Tio e sobrinho(a). Com a importância acrescida de no meu caso ser Padrinho. Um papel de responsabilidade acrescida como é sabido.

Resta-me esperar pelos 6 meses que estão em falta. E ir acompanhando a gravidez, interiorizada que está esta minha nova condição. Espero que o tempo passe depressa. Bem depressa!!

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terça-feira, setembro 20, 2011

Desnorte

Acho que já aqui desenvolvi algumas vezes este tema de hoje. Mas não tem mal. Ainda que com outras palavras, e eventualmente outro(s) estado(s) de espírito, confesso que este é um daqueles assuntos que nunca "sai de moda". Por outras palavras, há sempre alguém que conhecemos que precisa de uma ajuda, de apoio para retomar o caminho certo, o seu "norte".

O desnorte é mau. É alguém sentir-se perdido. Ou não se sentindo (quando toda uma série de indicadores que assim o sugerem) o caso ainda é mais grave. Tenho tido a felicidade de conhecer várias pessoas desnorteadas ao longo desta minha breve e humilde existência. Frequentemente entendo que a minha "missão", aqui no Planeta Terra, passa por ajudar alguém a ver determinada situação a partir de outra perspectiva. Parece conversa de "serrar presunto" mas é a realidade. A minha realidade.

Não tenho qualquer pretensão a ser beatificado. Contudo, entendo que não é por acaso que num determinado momento o destino cruza a minha humilde e despreocupada vida com a de algumas pessoas. Sim, algumas que lêem estas linhas neste momento. Como seria a vida se naquele dia, naquele minuto o destino não tivesse decidido cruzar os nossos caminhos? Não tenho dúvida que não seriam tão felizes como são por me conhecerem.

Será nestes "encontros" que tenho percebido que há muita gente que anda sem rumo há algum tempo. Que anda ao engano. Sem um sentido certo. Sem saber bem o que fazer. E terá sido com algumas destas pessoas que felizmente o destino cruzou os nossos caminhos. E em alguns casos esforço-me, da melhor forma que sei, a ajudar as tais pessoas encontrar o tal "norte".  E assim continuarei. Para sempre.

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Fumar no século XXI

Começo o texto de hoje por partilhar que fui fumador durante 16 anos. E que deixei de fumar em 2009.  Ou seja, fará este ano que agora co...