domingo, janeiro 29, 2012

O Poder da Informação

Num dos meus textos anteriores falei sobre o poder da informação. Para mim, é pacífica a ideia de que, quem tem informação tem poder. Sim, acredito mesmo que mais poder do que quem tem dinheiro. Ou mesmo muito dinheiro.

Há poucos dias veio à baila a notícia sobre um ex-alto representante da "secreta" portuguesa (e até há bem pouco tempo Administrador de um dos mais grupos económicos que por cá existem), é suspeito de ter utilizado a sua influência para obtenção de informação privilegiada (confidencial) acerca de empresas. Por provar estará essa tese e, acertadamente, este representante optou por se afastar da empresa, possibilitando que as investigações policiais decorram dentro da normalidade e alegando não ser "arma de arremesso" entre os grandes grupos económicos. Julgo que também lhe assiste o direito de ser ouvido e explicar o que significam estas afirmações.

Nos dias que correm, é cada vez mais importante perceber quem tem informação. E que tipo de informação tem. O filme que fui ver ontem ao cinema, "J.Edgar", retrata bem esta questão. E curiosamente, numa altura em que cá por Portugal "deflagra" esta questão do poder que se tem quando se sabem "algumas coisas". Trata-se de um filme que aconselho, na medida em que espelha bem a forma como o FBI conseguiu, aparte do conhecimento de "escapadelas amorosas" e infidelidades de figuras proeminentes da sociedade, travar vários momentos de convulsão sócio-políticos nos Estados Unidos da América. 

Será pois, importante acompanhar o desenrolar dos acontecimentos futuros. Para já, dá para perceber que por cá, neste "pequeno rectângulo", há muita gente com o "rabo preso". E que neste momento já está muito inquieta com esta notícia acerca do facto de terem sido detectados 4.000 contactos pessoais encontrados no telefone deste alto representante. Com muita informação acerca dos mesmos.

Presidenciais Francesas

França tem neste momento em curso a campanha presidencial que tudo indica reconduzirá o Presidente Sarkozy de novo ao poder. E alguns comentários se me oferecem dizer.

Desde há algum tempo que o presidente gaulês é visto junto da "chanceler" alemã. Também eu faria o mesmo. Convenientemente. Afinal, mais vale "cair em graça do que ser engraçado". E cair nas graças daquela que é a responsável pelo país considerado como sendo o "motor" da economia europeia, é obra e também a decisão acertada. Além disso, e na minha opinião, é também sinónimo da "ausência de problemas". Ou seja, constato que em França só agora se fala (timidamente) em medidas da austeridade. E na sequência do "downgrade" atribuído a França por uma conhecida agência de "rating". E que calha muito mal em plena campanha eleitoral.

O "escamotear" da realidade francesa assusta-me um grande bocado. Não detenho um conhecimento profundo acerca da economia internacional e que me permita com propriedade avançar a teoria de que a economia francesa, num contexto europeu, não é mais sólida que a economia italiana, espanhola, irlandesa ou portuguesa. Contudo, tenho para mim que não é o facto do Presidente francês se reunir com frequência com a "chanceler" germânica, que faz com que miraculosamente deixe de haver problemas no seu país. E é aqui que reside a minha grande preocupação. Temo que este "namoro" possa estar a dissimular um grande "icebergue". Não do germânico, mas sim do gaulês. E sinceramente, espero que não suceda o que aconteceu por cá. Em que durante anos foi "mascarada" a realidade e quando foi conhecida....já era tarde.

domingo, janeiro 22, 2012

As reformas do Presidente da República

Há poucos dias atrás, num momento em que foi apanhado de surpresa, o Presidente da República do meu Portugal teceu algumas considerações que me deixaram deveras preocupado. Ainda tentei perceber se os seus conselheiros estavam por perto...mas não. Não estavam. O que é grave. Como se sabe, o Presidente gosta de "ouvir" os seus conselheiros. Uma decisão acertada quando o faz e não tão acertada quando dá entrevistas sem estar devidamente preparado.

O caso não é para menos.  Afinal, fiquei a saber que as reformas que recebe da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e referente ao cargo que foi por si ocupado enquanto investigador da Fundação Calouste Gulbenkian rondam os 1.300 euros (o Presidente fez questão de validar se a jornalista tinha percebido bem a sua dicção não fosse a menina estar com a orelha suja). O que não consegui perceber foi se se trata de um valor total de ambos os locais ou se é 1.300 euros de cada um deles. Fiquei muito mais tranquilizado com o seu ar "enigmático-seráfico" que lhe é tão característico. 

Dei-me ao trabalho de pesquisar neste imenso mundo de informação que é a "internet" e realizei que nem eu próprio conseguiria sobreviver com uma reforma três vezes superior ao salário mínimo nacional português. Compreendo e naturalmente que apoio o Presidente nesta sua profunda consternação.

Mas há mais. Uma desgraça nunca vem só. O Presidente teve responsabilidades no Bando de Portugal (BdP). E certamente por esquecimento, não mencionou o montante auferido enquanto colaborador que atingiu o "nível 18" nesta instituição. Acredito que seja um bom nível. Dei-me ao trabalho de fazer novo trabalho de investigação (já me dói a cabeça com tanto texto lido). Estão em causa valores de pensões que apontam "qualquer coisa" entre os 4.000 e os 6.000 euros / mês (quando a pensão máxima nesta instituição atinge o valor de 8.000 euros). 

Feitas as contas, o Presidente acumula duas pensões (tendo abdicado o ano passado do seu vencimento enquanto digníssimo representante da Nação, e que totalizaria o valor de 6.523 euros). Resta-lhe viver com uns míseros 10.000 euros / mês. Também eu quero ser pobre e juntar-me a tantos portugueses que nem pão têm para comer.

Costa Concordia

O mais recente naufrágio de um cruzeiro junto à ilha toscana de Giglio (Itália) deu-me que pensar em vários situações.

Em primeiro lugar, sempre ouvi dizer que "o Comandante do navio é o último a sair". Neste caso, ainda o cruzeiro não tinha tombado, já o Comandante se tinha posto "ao fresco" mais a sua misteriosa "convidada" (e que não constava da lista de passageiros). Foi já na parte exterior do cruzeiro (e devidamente afastado e protegido do mesmo, não fosse o diabo tecê-las)  que entendeu que devia comandar as operações de busca e salvamento das vítimas agonizantes que estavam no interior do mesmo.

Em segundo lugar, não consegui ainda perceber muito bem o que aconteceu. Parece que este cruzeiro, e por forma a garantir uma maior visibilidade comercial, fazia frequentemente esta manobra. Aproximar-se o mais possível de terra e depois afastar-se. Faz-me lembrar aquele adágio popular do "cântaro" e da "fonte". E aconteceu o pior desta vez. Ao que consta, o Comandante terá recebido ordens por parte da empresa proprietária deste cruzeiro (e que lhe pagava o ordenado) para o fazer. O que piora muito mais as coisas.  Porquê? Porque naturalmente que agora pouco há a fazer. Nesta altura do campeonato, nem que tivesse sido sua Eminência "o Papa" a pedir ao Comandante que passasse ao largo de Giglio, tal serviria de atenuante. Há "algo" que está directamente apontado à cabeça deste operacional - o facto de ter abandonado a embarcação. E "isto" não tem perdão possível.

Em terceiro e último lugar, a questão ambiental. O Costa Concordia tem no seu interior toneladas de combustível que (até ao momento) ainda permanecem confinados nos seus tanques. O momento actual é de elevada preocupação e consternação na medida em que as condições climatéricas locais estão a sofrer alterações (para pior), podendo provocar a movimentação da embarcação, dificultando a busca de eventuais sobreviventes e ainda do início dos trabalhos da trasfega (que se prevê durarem meses, na medida em que o combustível deste tipo de barco é espesso, carece de aquecimento para  promover o estado mais líquido e facilitar todo o processo). O que sugere, como se imagina, muitas precauções.

Esperemos que tudo se resolva por bem. E o mais rapidamente possível.

domingo, janeiro 15, 2012

Adopção

Conheço de perto a realidade da adopção. Acompanhei o processo de adopção de uma criança por parte de um casal amigo e consegui perceber a quão complexo pode ser este processo.

Em primeiro lugar, não adopta quem quer. Adopta quem pode, e após ter terminado um escrutínio rigoroso, como é de resto expectável neste tipo de matéria. Compreendo isso. É importante conhecer e avaliar quem se propõe a adoptar, as suas posses, bem como as garantias de sobrevivência / subsistência que terá a criança adoptada no novo lar que a acolherá. Em segundo lugar, constata-se que há uma preferência dos casais pelas crianças mais novas (bebés) em detrimento da adopção de crianças prestes a entrar na complexa etapa da adolescência. Ou pelas crianças saudáveis em detrimento de crianças com alguma deficiência. Também consigo compreender isso. Em terceiro e último lugar, não entendo é a desistência dos casais que adoptaram as crianças e as entregam de novo às instituições de onde as receberam volvido algum tempo de convivência.

O processo de adopção não dura menos de um ano. Durante esse ano (e querendo), é possível ao casal saber tudo e mais alguma coisa da criança. Tudo é tudo mesmo. Há inclusive um período de "experiência" em que se percebe se há uma adaptação pacífica (ou não) da criança no seu novo lar e com os pais adoptivos. Com tudo isto, não entendo como é que há crianças que são devolvidas às instituições que sempre as acolheram. As crianças não são objectos, não são electrodomésticos com quem se brinque e depois se chegue à conclusão que não apetece brincar mais. São seres humanos, com passados traumáticos (em alguns casos), com um legado de alguns anos a viver numa família de tantas outras crianças adoptadas. Chegando aos 15 anos, se não estão em erro, deixam de estar disponíveis para adopção. Sem nunca terem tido uma presença paterna ou materna. O que quero dizer, em jeito de conclusão, é que as pessoas devem ser adultas nas suas decisões. Ponderar bem as suas decisões. Pesar os prós e os contras. E claro, dialogar acerca do que realmente querem (e se querem efectivamente) adoptar uma criança.

Miami

Acabo de chegar de Miami há coisa de três dias onde me desloquei em trabalho. Não conhecia ainda esta cidade integrante do estado da Flórida. Miami está para a Flórida como Albufeira está para o Algarve. Grosso modo é isto. Antes de partir, já tinha conhecimento de ser uma zona dos Estados Unidos onde há uma predominância da comunidade hispânica. E também percebi rapidamente que o espanhol é a primeira língua nesta cidade e que são poucos os habitantes da mesma que se esforçam por "hablar" o inglês. Ou "inglês-americano".

Confirmei mais uma vez que a gastronomia em Miami é igual aos outros locais dos EUA que conheço. Grelhados com o famoso e habitual molho de tomate adocicado. Os clássicos jarros de cerveja. E as famosas "chicken wings" que não são mais que várias parte do frango panados e embebidas num molho picante cujo aspecto faz o óleo do meu jipe parecer um néctar dos deuses. Tem mau aspecto mas sabe bem. Até determinado ponto, a partir do qual é enjoativo.


Miami South Beach é um ponto obrigatório de visita para quem visita Miami. Trata-se de uma zona de Miami onde existe uma avenida conhecida - Ocean´s Drive. Estão aqui algumas das lojas mais caras, restaurantes cujo preço final de uma refeição ronda os três algarismos significativos. Sempre para mais. Foi aqui que pude apreciar o parque automóvel mais caro e exclusivo. E claro a "art deco" referente a arquitectura local. Basicamente, "art deco" é um estilo de contrução que remonta ao século passado e se baseia na cópia (ou preservação, em alguns casos) do estilo utilizado nos edifícios da década de 1950-1960.

Aparte de alguns edifícios com uma arquitectura mais contemporânea, a maioria dos edifícios em Miami South Beach segue esta traça, o que reflecte a preocupação em ser mantida uma harmonia arquitectónica e agradável. Pessoalmente acho que o resultado é muitíssimo bom na medida em que aprecio este tipo de edifícios e com este tipo de linha. Por outro lado torna esta zona única e selecta, o que transmite um carácter exclusivo.


Uma das atracções desta avenida de Miami South Beach, é sem dúvida a casa do estilista Versace. Quem não se recorda do mesmo ter sido assassinado à porta da sua mansão em 1997? Pois, é esta a mansão dele. Linda. Majestosa. Luxuosa. Com um bom gosto extremamente refinado e se não estou em erro, com um valor próximo de 3 milhões de USD. Cara portanto. Só podias, nesta zona.



Para um amante do mundo automóvel, como se sabe que sou, é natural que os EUA represente o estandarte máximo nesta matéria. Não pelo facto de existir modelos que não exista em Portugal. Mas sim pelo facto de ter visto dois carros a gasóleo em centenas de carros movidos a gasolina e com os quais me cruzei. Daqui retiro várias conclusões. Em primeiro lugar, a América não está muito interessada em cumprir as metas definidas no longínquo ponto de partida ratificado em Quioto. Aliás, abandonou na altura as negociações para tal. Já lá vão uns 20 anos.
 
 Em segundo lugar, não será de estranhar, que o menor valor da cilindrada que por lá tenha visto fosse..3.000 centímetros cúbicos. Em terceiro lugar, o preço dos combustíveis. E ainda que recentemente tenha aumentado o preço do galão. Um galão equivale sensivelmente a 3,8 litros. E assumindo que o preço do galão nos EUA é inferior ao preço do litro do combustível em Portugal, justifica-se a despreocupação do americano com a eterna preocupação do europeu com a poupança de combustível ou com a procura de carros económicos que lhe permitam economizar a "gota". E fica naturalmente patente o descompromisso ou desinteresse americano para com as metas ambientais que a generalidade dos países industrializados se comprometeram a cumprir, e por parte de uma nação que é conhecida como uma das mais contributivas para a poluição global do planeta, por via da massificação do recurso à indústria pesada.

De resto, um final de semana gasto em tentar recuperar as horas de sono perdidas na troca de fusos horários. E a certeza que a América continuará a ser o que sempre foi....única!

domingo, janeiro 08, 2012

Grupo Jerónimo Martins e Holanda

Veio há poucos dias a público a notícia relacionada com a transferência do controlo do Pingo Doce passar para as mãos de uma empresa com sede na Holanda. Basicamente, o grupo Jerónimo Martins comunicou ter vendido 56,1%  a uma sociedade sua subsidiária na Holanda. De imediato surgiram apelos nas redes sociais para o boicote das compras no Pingo Doce e o assunto chegou a ser debatido no Parlamento, no debate quinzenal, às Sextas-Feiras, como habitual, e contando com a presença do Primeiro-Ministro.

Na minha opinião, importa apenas perceber se as obrigações fiscais do Pingo Doce serão honradas. No tal comunicado distribuído pelo grupo eram clarificadas algumas questões. Uma das quais foi a assumpção de que os compromissos fiscais continuarão a ser respeitados por cá e na medida em que a sede social e residência fiscal do grupo permanecem em Portugal. Fico bem mais tranquilo na medida em que me iria parecer um tanto ou quanto rebuscado que uma empresa obtivesse receita num determinado país (Portugal) e posteriormente pagasse impostos relativamente à mesma receita noutro país (Holanda) com um uma taxa de incidência inferior, ou seja, como resultado final seriam obtidas margens de lucro significativamente superiores para a própria empresa. Parece-me simples a razão pela qual se levantou tanta celeuma...

Perdão da Dívida Grega

Muito se tem falado na Grécia. Foi efectivamente o país, a seguir à Irlanda, onde houve uma intervenção do FMI, sendo que continuamente tem falhado no cumprimento dos objectivos assumidos com a "troika". Pelo meio, um Governo que "caiu". Bem sei, e como já aqui referi num texto passado, a saída da Grécia seria má para a zona euro. É importante perceber que "o-senhor-que-se-segue" é Portugal, e se, neste momento os "focos" de Bruxelas estão apontados pela dupla "Merkozy" para as economias mais fracas (nas quais se inclui Portugal), mais ficarão quando e se a Grécia sair da zona euro. É uma realidade incontornável. 

Por outro lado, a condescendência de Bruxelas com a Grécia deixa-me pouco tranquilo. Alude ao perdão da dívida por parte dos credores, por forma a garantir algum "oxigénio" à Grécia. Parece-me que ninguém terá dúvidas do quão injusto é que aos portugueses seja pedida mais paciência e esforço - sem que haja qualquer tipo de condescendência - e ao povo grego, assim de repente e que me recorde, já lá vão 3 "borlas". Espero que este tipo de avaliação, que quero acreditar que é conseguida por pessoas idóneas e responsáveis, também seja aplicável ao caso português. Relembro que para a consecução dos objectivos assumidos com o FMI, e objectivamente falando do défice, Portugal recorreu ao fundo das pensões. Tratou-se de uma medida algo controversa, na medida em que se trata do dinheiro devido aos contribuintes portugueses que descontaram uma vida inteira, mas foi a solução encontrada para cumprir o acordado. E foi honrado o compromisso. Será que todos os demais países em dificuldades têm esta visão da realidade e do esforço de contenção / sacrifício? O tempo o dirá.

EDP e Investimento Chinês
Com a recente aquisição de 21,5% do capital da EDP por parte de um novo accionista chinês, algumas coisas poderão mudar nesta tão simpática empresa. Começando no limite ao direito de voto, na medida em que "na calha" dos chineses está também a aquisição de mais 4% de capital da EDP detido pelo Estado Português. Não me choca absolutamente nada este tipo de investimento. Muito pelo contrário.

Contudo, importa referir que este negócio me fez pensar nas diferenças de políticas seguidas por este Governo e o demissionário. Há uns anos atrás, quando a uma conhecida empresa portuguesa tentou comprar a PT, a venda foi tornada inviável. Alegou-se a "golden share" e blindagem de direitos, por outras palavras, havia interesse estatal na contínua supervisão desta empresa. E subsequente distribuição dos lucros. Hoje em dia as coisas mudaram. No caso da EDP, por exemplo, fazia parte da lista de empresas a serem privatizadas. E foi vendida uma significativa parte do seu capital, o que permite aos chineses terem 4 representantes seus no conselho de supervisão da empresa. Esperemos para ver como será esta coexistência.

Implantes Mamários (França)

Segundo veiculado nas notícias, parece que o silicone utilizado nos implantes mamários de algumas mulheres tem aplicação usual em indústrias como a do fabrico de pneus, na indústria petrolífera, como anti-mousse, ou ainda no tratamento de águas residuais. A falha de supervisão deste tipo de intervenção cirúrgica / plástica, bem como o recurso a silicone não adequado, já fez com que fossem contabilizadas uma série de reclamações por parte das visadas e que também têm associado um perigo elevado para a saúde das mesmas. Mas há mais. Trata-se de um problema que afectará mulheres "além-fronteiras" do país gaulês, na medida em que há cerca de 10.000 mulheres do país "aqui ao lado" que também optaram pelos implantes mamários desta marca. O responsável clínico da clínica onde eram feitos os implantes mamários encontra-se naturalmente em parte incerta.

Até daqui a uma semana.

sábado, dezembro 31, 2011

Balanço de 2011

Eis que somos chegados ao último dia do ano de 2011. Para muitos terá sido um excelente ano, marcado pelo cumprimento de vários objectivos pessoais e profissionais, propostos no início do ano e para outros nem por isso. Mais do pensar em festividades, nesta altura do ano, importa efectuar o balanço do que foi bom e do que poderia ter sido melhor. De forma honesta e sobretudo interiorizando os resultados para que este novo ano comece da melhor forma.

O ano que termina foi para mim marcado por uma série de "provas". Ao nível pessoal e ao nível profissional. Foram várias as "opções de caminho" a seguir. Alguns terão sido bem escolhidos, outros nem por isso. O tempo o dirá. Foi um ano marcado por mudanças na minha personalidade e no meu feitio. Por vezes percebidas com quem lido, e outras sem que certas pessoas tivessem tempo de perceber. Ou porque não quiseram ou porque eu não quis que percebessem. Muito fica por mudar em mim, e como em tudo, irá sendo mudado, a pouco e pouco, e num processo que antevejo moroso, mas que espero sinceramente que tenha bons resultados.

Também no campo profissional é também altura de ser feito um balanço. Há coisas boas e há coisas más. Entendo que as coisas más constituem oportunidades de melhoria. Um dos vários defeitos que tenho, e que terá de ser trabalhado este ano, está relacionado com a expectativa que tenho relativamente a cada pessoa que comigo trabalha. As pessoas têm ritmos de vida (e de trabalho) diferentes umas das outras, formas de estar na vida diferentes e isso condiciona naturalmente a sua forma de estar ao nível profissional. A solução passa por deixar de criar altas expectativas como tenho feito até agora. Na maioria das vezes que o faço sou mal sucedido. Não estou com isto a dizer que sou melhor que alguém. Estou apenas e só a partilhar que não mais o farei . O "feedback" / resultado final não podia ser pior e não o fazendo, talvez signifique que possa conviver de forma mais pacífica e tranquila comigo mesmo.

No ano que entra, este blogue passará a ter outro figurino. Os dois últimos anos tiveram temas desenvolvidos diariamente...o que não é fácil. Quase 800 temas desenvolvidos e com a partilha do "próximo tema" a ser desenvolvido. É um exercício complexo, intrincado, mas nem por isso menos interessante. Mas como em tudo, o modelo que passará agora a ser experimentado será ligeiramente diferente.

Não é um modelo inédito. Basicamente, e analogamente ao que fazem alguns comentadores residentes em alguns canais televisivos, passarei a escrever semanalmente (em princípio ao Domingo). Durante a semana farei para mim mesmo uma escolha de temas que entenda ser interessantes e desenvolverei os mesmos no final de semana. Deixar de haver a "sugestão" do tema a ser desenvolvido no dia seguinte. Ou seja, deixa de haver dia seguinte.

Da minha parte, e para terminar, espero que o ano de 2012 não seja tão mau como o que "pintam" e que para todos nós, seja melhor que o ano que finda. Que todos os projectos pessoais e profissionais se realizem e que haja saúde. E dinheiro. Acima de tudo estes dois aspectos.

Até lá...uma boa semana!

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Falar em Público

Sou uma pessoa que sempre gostou de falar em público. Gosto de me ouvir. Gosto de ter audiência fixa em mim. De comunicar e de me expressar oralmente. A par e passo com a escrita acho que é algo em  que me saio relativamente bem.

Ao longo dos anos tenho tido oportunidade de assistir a várias apresentações em público. Conferências, trabalhos de grupo (na altura da pós-graduação e faculdade) e acções de formação várias. E do que tenho visto, é com muito pesar que digo que, em algumas situações preferia enfiar finas farpas de madeira nas unhas do que estar ali, naquela sala, a perder o meu tempo a assistir a tristes apresentações.

Uma das piores coisas que alguém que fala em público pode fazer, é dar a entender que não estudou a matéria. Não saber do que se vai falar. É o falar de futebol sem saber o que é uma baliza. Não faz sentido. Em menos de nada ganha-se um rótulo de alguém que não percebe nada do que está ali a falar e, daí ao desinteresse colectivo é um fósforo. Normalmente, quando o interlocutor usa e abusa de um registo monocórdico ou torna um tema já de si enfadonho ainda mais desinteressante, entretenho-me a inventar um qualquer jogo de quebra-cabeças ou a pintar as barrigas das letras "a", "e", "p", etc..

Do acima, percebe-se facilmente que não espero mais do que alguém estar devidamente preparado para falar em público. Ter estudado a lição e estar preparado para responder às questões que naturalmente surgirão no decurso da apresentação. Um dos aspectos que normalmente passa despercebido, à maioria das pessoas, é que quando alguém está a falar em público é sem dúvida, o centro das atenções. Quanto mais dirigido e profissional for o discurso, devidamente enquadrado e estudado, melhor. Maior será a credibilidade que qualquer presente na sala atribuirá ao emissor da mensagem. O contrário verificar-se-á se se perceberem partas gagas, um discurso incoerente e a leitura errónea ou dúbia do que se projecta (e.g.: slides do powerpoint).  Das melhores apresentações que já vi, até hoje, nem sequer havia projector. Apenas o "flipchart" em conjugação com o quadro branco. Defendo a utilização de um dos dois. São os que mais uso. Em auditórios, sem dúvida que recorro ao projector, mas apenas e só com tópicos elencados nos slides. Outra coisa que detesto, é falar sentado. Privilegio o andar pela sala. Mostrar dinamismo. E sempre com a ajuda do ponteiro laser.

Para terminar, não podia deixar de referir um marco importante, em que pude aprender algumas técnicas de exposição em público. Curso de formação de formadores. A forma de como deve ser feita a abordagem do público. Saber ler o público em sala. O praticar da "escuta activa". O reforçar positivamente as ideias e sugestões. O estímulo das questões...são tudo técnicas que se discutem e aprendem neste tipo de formação ad hoc. E que acho que toda a gente devia pensar em fazer. Para evitar fazer figuras tristes.

Próximo Tema:  Balanço de 2011

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Libertação

Entendo por libertação o afastar ou deixar / abandonar de vez as "amarras" ou "âncoras" no passado. Recordações, pessoas, cheiros, músicas, lugares, configuram tudo situações / eventos que trazem memórias e que podem ser boas ou más.

Um dos grandes problemas que tem lugar quando alguém enceta um novo relacionamento afectivo prende-se com o facto da outra parte poder não ter feito convenientemente "o luto" da relação anterior. Bem sei que já aqui falei num tema muito próximo deste (e de resto associado). Libertar-se das amarras do socialmente aceite e convencionado é, na minha humilde opinião, meio caminho andado para a libertação do espírito e consequentemente para a felicidade. É uma condição que tem de ser necessariamente satisfeita para que as coisas evoluam no bom sentido.

Não quero com isto dizer que se deve pautar a vida pela "marginalidade" ou afastar-se dos padrões sociais. O ideia que quero reforçar prende-se com a necessidade da libertação do espírito das amarras / âncoras do passado para que se possa evoluir. Enquanto pessoa, enquanto ser humano. E para que as futuras relações afectivas que se venham a ter (se for esse o caso) decorram com o máximo de normalidade e tranquilidade.

Próximo Tema: Falar em Público

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Festa da Passagem de Ano

A última palhaçada do ano. Como não podia deixar de ser. Como se já não bastassem umas 50 palhaçadas ao longo do ano, mais uma para acabar qualquer ano em beleza.

Sinceramente, não entendo qual é a piada da passagem do ano. Nunca entendi, para ser sincero. Mais um dia que se passa e que segundo o calendário gregoriano que me foi dado a conhecer na longínqua primária, simboliza a passagem do último dia do mês de Dezembro do ano transacto para o primeiro dia do mês de Janeiro do ano subsequente. Até aqui nada de novo. Porque razão não se festeja a passagem do último dia do mês de Março de todos os anos para o primeiro dia de Abril? Não entendo. Qual é a piada de o fazer no último dia do ano? Nenhuma.

À semelhança de tantos outros eventos sem interesse algum e que têm lugar ao longo do ano, também a passagem de ano é um verdadeiro momento de consumismo e hipocrisia. Em primeiro lugar o consumismo. Vejo empresas como a dos frutos secos de das passas, pinhões e nozes "florescerem" ou terem índices de lucro meteóricos. Quando no resto do ano passam pelas ruas da amargura e com lucros que devem resultar apenas da exportação para países terceiros. E com a crise que o mundo atravessa os lucros mal devem pagar os custos de produção (e transporte associado) destas empresas.

Outra das indústrias igualmente lucrativas é o das bebidas espirituosas.  Estas talvez mais lucrativas que a indústria dos saborosos e calóricos frutos secos, até porque há mais festividades que têm de ser regadas com champanhe ou espumante durante todo o ano. Há pessoas que não sabem a diferença entre entre um champanhe bruto e um champanhe semi-seco. Mas não será aqui e agora que irei fazer a destrinça. E a partir das 2000H (ou até mais cedo) no dia de 31 de Dezembro começa a maluqueira. E claro, o jantar pela noite dentro. Há casos em que os "convivas" já passam a meia-noite do ano novo de tal forma etilizados que só ficam sóbrios 4 dias depois. E sem saber que já dobraram o ano. Ou quando o fizeram.

Por último a hipocrisia. Como é que alguém este ano vai, em consciência desejar um bom ano a outra pessoa que esteja ao seu lado? Não consigo perceber. Não é ser hipócrita? Com esta crise e depois de parte do subsídio de férias ter ficado cativo? Eu acho que é. Há alguns anos que digo que o ano novo seja melhor que o anterior. É o máximo que consigo dizer. E não preciso de bater nas panelas. Ou de a andar a lançar fogo de artifício (ou  a apanhar as canas). Desejo bom ano a quem tenho de desejar e vou dormir. Amanhã é outro dia. No ano novo.

Próximo Tema: Libertação

terça-feira, dezembro 27, 2011

Andropausa

A andropausa está para os homens assim como a menopausa estará para as mulheres. A diferença básica entre a andropausa e a menopausa baseia-se no facto da menopausa atingir todas as mulheres após uma certa idade, enquanto que a andropausa poderá atingir apenas uma reduzida fracção do sexo masculino.

Uma das principais alterações que advém da andropausa é a não produção da testosterona. Sem entrar em grande no detalhe técnico, testosterona é a hormona produzida pelos homens e que faz com que eu tenha a voz grossa, uma barba cerrada qual homem das cavernas (e pêlos no peito - sem parecer um símio), seja musculado e tenha uma maçã de Adão proeminente.

Desta feita já sei que quando atingir o meio século de existência, passarei  a ter uma voz mais fina, não mais terei de me preocupar em fazer a barba, deixarei de pensar nos pêlos do peito e ainda desaparecerá  a  maçã de Adão. Tudo coisas boas. A coisa menos boa é que os livros adiantam que tem lugar uma diminuição do tamanho dos testículos (daí a diminuição da produção da testosterona) e consequente alheação dos prazeres da carne. O que me deixa pouco tranquilo e a acreditar que talvez não seja descabido começar a pensar na forma de ocupação do muito tempo livre que passarei a ter, por exemplo no estudo de viveiros de trepadeiras ou porque não tornar-me catedrático no estudo da climatização estufas para caracóis. Dois bons e aliciantes desafios.

Não tenho dúvida que o efeito da andropausa num homem é bem pior que o da menopausa numa mulher. Na mulher deixa de existir o incómodo e habitual fluxo menstrual mensal e os tão frequentes momentos de má disposição durante o período fértil passam a ter lugar de tempos a tempos. Já não falando na economia na medida em que deixa de ser necessário comprar pensos higiénicos / tampões.

No homem as coisas são diferentes. A masculinidade é severamente afectada. Afinal, deixa de ter vontade de "festa". Ou esquece-se do que é a "festa", direccionando natural e progressivamente a sua atenção para outro tipo de actividade como seja o tafetá ou o bordado a ponto cruz. Ou então ser acometido de uma vontade louca de aprender a cozinhar. Ou de ser Presidente da República. Conheço várias pessoas a quem deu para isso. Algumas têm azar e conheço uma que teve sorte de levar o seu sonho a cabo...Eu e todos os portugueses.

Contrariamente às mulheres que deixam de gastar dinheiro, nos homens há lugar a um dispêndio de dinheiro. Explico porquê. Não podia deixar de falar das honrosas excepções deste sexo forte e que entendem que com 93 anos ainda estão "aí" para as curvas. E que perpetuam a sua actividade sexual com octogenárias recorrendo ao comprimido azul. Para sua auto-afirmação e para desespero das companheiras. Ao que sei, é "festa" toda a noite!

Há malucos para tudo. E ainda bem que assim é!

Próximo Tema:  Festa de Passagem de Ano

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Carteiro

Sou do tempo dos carteiros entregarem as cartas / encomendas à mão. Transportar tudo a pé e ir distribuindo pelas caixas do correio / à porta sempre que justificado. Quando as encomendas eram maiores que ele, compreensivelmente, deixava um aviso na caixa do correio para que a mesma fosse levantada na estação de correios.

Anos mais tarde, e já a viver noutra casa,  aconteceu uma vez um episódio caricato. Com o meu outro cão (já falecido). Um pastor alemão com mais de 50 kg e que achou por bem não deixar que o carteiro tocasse à campainha para avisar que tinha uma encomenda para entregar. Ou seja, com pessoas em causa, mas o carteiro optou por manter a integridade física da sua mão para redigir um aviso com a seguinte mensagem: "Não foi possível entregar a encomenda porque o cão não deixou". Devo ter algures por aí esse aviso.

Hoje em dia as coisas são diferentes. Os carteiros não andam mais a pé. Andam de carro. E assim sendo, já podem transportar encomendas muito maiores que a sua altura, sem grande dificuldade. Outras empresas que ganharam projecção foram as multinacionais que também entregam cartas e encomendas. São várias e bem conhecidas. As encomendas são entregues na porta do destinatário no dia seguinte e com toda a comodidade. O que faz com que a tão conhecida e secular instituição dos correios seja muitas vezes preterida. E cada vez mais será assim. Qualquer dia as pessoas que entregam encomendas nem sequer falam português. Ou não têm medo de cães. Já faltou mais.

Próximo Tema: Andropausa

domingo, dezembro 25, 2011

Bastidores

Pouca gente valoriza os "bastidores". Refiro-me  a pessoas / organizações que não sendo conhecidas, têm um contributo preponderante no sucesso (ou fracasso) de alguém.

É sabido que os políticos não elaboram os seus discursos. Estudam / decoram os discursos preparados por terceiros. Por outras pessoas que têm como responsabilidade ou atribuição o estudar, investigar e compilar informação. Que têm por hábito ler toda a imprensa diária com o intuito de ganhar conhecimento das notícias que versem o político para o qual trabalham. São estas pessoas para quem não há um agradecimento público. E consigo perceber porquê. Seria desmontada toda a credibilidade de uma figura pública se fosse conhecida a sua não autoria das intervenções ou posições públicas que faz / assume. Contam-se pelos dedos de uma mão (ou meia mão) as pessoas públicas que não têm conselheiros de imagem ou uma equipa de profissionais que labora arduamente, 24/7, para a construção de uma imagem credível, sólida e inabalável. Sim, creio ser do conhecimento de qualquer ser pensante que há certas notícias que são rapidamente abafadas e que nem sequer vêm a público, por via de serem perigosas ou que podem "beliscar" a imagem de alguém. Tudo tendo como objectivo conferir o máximo de consistência à imagem  de alguém.

É pena que todas estas pessoas, que constituem equipas determinadas a manter a imagem de uma pessoa, não sejam publicamente reconhecidas. Os "louros" ficam sempre para as figuras públicas. Que "sem saber ler nem escrever" mantêm intactas e incólumes as suas imagens. E em alguns casos..à prova de tudo!

Próximo Tema: Carteiro

sábado, dezembro 24, 2011

Reencontro

Os momentos de reencontro são para mim momentos únicos. Para o bem e para o mal. Em algumas situações, e por via de troca de agendas telefónicas ou mesmo de telefones, perde-se o rasto a alguém. E quando acontece o reencontro é como se o mundo começasse de novo.

Como referi anteriormente, há reencontros bons e reencontros maus. Os bons reencontros são aqueles que acabo de exemplificar. Por algum motivo perdeu-se o contacto com alguém, e algum tempo mais tarde encontra-se de novo essa pessoa. Acontece-me frequentemente. Aqueles colegas de faculdade com quem me relacionava mais, antigos colegas de outros empregos, professores, antigos vizinhos, enfim, uma série de exemplos. De bons exemplos de reencontros. Também acontece que nunca sei muito bem o que dizer nestas situações. O normal e habitual cumprimento. A clássica questão do que tem feito neste tempo em que não nos vimos (esperando que seja uma resposta longa e que o(a) interlocutor(a) conduza o resto da conversa) e depois...acaba-se o tema. É um problema de fundo. E sorrimos um para o outro anuindo de forma condescendente e paternal.

Nos maus reencontros acontece o inverso. Imagine-se a situação de ter acabado de abastecer de combustível o carro. Ou estar numa fila do supermercado. E de repente, olhar-se para quem temos à nossa frente e vermos que é o(a) nosso(a) antigo(a) colega com quem discutimos há uns meses / anos atrás. Ou um(a) "ex". Esta situação então é do melhor. Não há nada melhor que ter o(a) ex com o(a) respectivo(a) e actual companheiro(a). Estar ali, parado numa fila (sem ter por onde fugir sem dar parte de fraco) e ter uma desses casos incómodos à frente. Melhor só mesmo ir à secção do azeite, abrir uma garrafa e despejar em cima de nós.

Há coisas do diabo..

Próximo Tema: Bastidores

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Fóruns

Há muitos anos que frequento fóruns na internet. Maioritariamente ligados ao mundo automóvel - quer velocidade e mais recentemente todo-o-terreno. Mas também estou registado num sobre problemas de condomínio e outro sobre temas legais!

Há vários aspectos que saltam de imediato à vista a quem frequenta este tipo de site na internet. Em primeiro lugar, o facto de se perceber que muita gente terá de voltar aos bancos da escola para aprender a escrever. Ou não. Talvez a adopção do novíssimo acordo ortográfico venha colmatar essas falhas linguísticas (verbal e escrita) e faça com que quem não saiba escrever correctamente passe portanto a fazer brilharetes de erudito nesta matéria. Calha bem.

Em segundo lugar, a questão da educação. Os fóruns são locais, como o próprio nome indica, de discussão pública. Não faz sentido que o sejam de outra forma. O problema é que são locais utilizados por muita gente, dos mais variados estratos sociais e que o utilizam para se "expandirem", por vezes em linguagem não adequada ao meio. A ajudar à festa, posições extremadas de egocentrismo e egoísmo fazem com que determinados temas sejam tidos como "incendiários" e obriguem ao fecho dos mesmos por parte do painel dos moderadores - membros que zelam pelo bem-estar do fórum.

Em terceiro e último lugar, a velha questão das pessoas se esconderem atrás de um écran de computador. Há muitos anos atrás participei num fórum automóvel. Naturalmente que, como em tantos outros fóruns havia pontos de discórdia entre vários membros e relativamente a alguns temas. O engraçado era conhecer essas pessoas posteriormente e pessoalmente. Lembro-me objectivamente de dois irmãos, por exemplo que vieram a demonstrar ser pessoas...com dupla face. Ao vivo eram "super" e atrás do écran não era bem assim. Melhor ainda. A figura deles, presencialmente roçava o patético. Ou seja, houve tópicos em que um dos manos incendiava, deliberadamente, e que tinha o dom de me fazer pensar em ir dar um mergulho ali no Tejo para ver se acalmava...A solução era lembrar-me das suas figuras...tipo 1,50 metros, enquanto me imaginava a exercitar apneia. Era a forma de me acalmar.

Deixei de frequentar tópicos ou de entrar em discussões desse tipo. Hoje em dia frequento-os numa óptica de adquirir conhecimento e trocar impressões técnicas. Apenas e só. E é o melhor que faço.

Próximo Tema: Reencontro

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Respeitar o Espaço

Respeitar o espaço, na minha opinião, é sem dúvida uma das variáveis que contribui de forma decisiva para que uma relação afectiva / amizade perdure: Semanas, meses ou anos. 

Se no início de qualquer relação, seja de que tipo fôr, é muito bonito dizer-se que se respeita o espaço e individualidade do outro lado, é na prática (e com a ajuda do factor tempo) que as coisas se confirmam  na realidade e se são assim ou se é treta. Na maior parte das vezes, e infelizmente, é treta. Complicado? Muito.

Não há uma fórmula cientificamente comprovada para dar a volta a este problema que aflige tantos casais ou relacionamentos de amizade. Acima de tudo, e remetendo o leitor para um dos meus textos sobre o "Diálogo" (Maio/2010), acho que é necessário que haja uma partilha sobre limites em que cada um se sente confortável. Zonas de conforto, se preferirem. A minha zona de conforto não é necessariamente igual à zona de conforto de uma pessoa com quem gosto de falar e debater assuntos relacionados com o todo-o-terreno ou de alguém que prezo e estimo e a quem ligo para saber como correu o dia. Ou seja, por outras palavras, os "timings", a regularidade de contacto e a forma como são encetados os mesmos poderão conduzir a sensações de desconforto e de incomodidade que podem ser evitadas assim haja uma discussão aberta, frontal e adulta sobre limites individuais.

Não tanto numa relação de amizade, mas mais numa relação afectiva, com muita frequência os limites são desrespeitados. Por vezes involuntariamente. Na expectativa de se querer estar "presente", mimar ou agradar..o resultado consegue ser pior. É certo que a sensação de desconforto até é justificada. Vejamos. Há histórico de relacionamentos afectivos anteriores que não resultaram e que, por exemplo, uma das partes nunca aceitou o final. Consequentemente, há casos de perseguição, de ameaças, etc. Coisas más e que não matam (em alguns casos), mas moem.

Até que aparece uma pessoa nova. A insistência de um contacto desta pessoa, numa tentativa de mostrar interesse, e sem que tenha havido tempo para a outra pessoa "enterrar os esqueletos que tem no armário", pode ser como consequência reacções intempestivas e violentas. Não personificadas, é certo, mas que carecem de entendimento e acima de tudo, percepção que é necessário respeitar o espaço. E o tempo.

Próximo Tema: Fóruns

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pôr a mesa

Pôr a mesa é algo que faço há muitíssimos anos. Diria mesmo que desde que passei a conseguir colocar as coisas em cima da mesa (como seria normal e expectável).

Esta singela (mas nem por isso menos importante) tarefa doméstica foi durante décadas motivo de discórdia entre eu e o meu querido irmão. Discussões acesas em consequência do não cumprimento de planeamentos acordados verbalmente entre ambos. Ou seja, combinávamos que um de nós punha a mesa ao almoço e o outro levantava. Numa semana. O problema era a memória de ambos ser curta o que originava logo confusão.

Uma das coisas que mais me irrita, quando estou numa refeição, é o ter de me levantar da mesa. Detesto. Prefiro perder mais uns segundos a pôr a mesa do que durante a refeição ter de me levantar. Dá mais trabalho? Dá. Mas consigo ter uma refeição em paz. A melhor analogia que consigo avançar é a de um "4 patas" que alegremente se banqueteia com o focinho mergulhado na sua gamela. A privação da gamela neste momento da refeição pode ser como consequência uma ferroadela que faz ver estrelas. Eu não mordo, naturalmente, mas analogamente fico muitíssimo mal disposto. São várias as situações que já me fizeram levantar: um telefone esquecido numa outra divisão da casa que não aquela onde está naquele momento, e que começa insistentemente a tocar como se alguém estivesse a ser queimado com ácido clorídrico e que me deixa à beira de um colapso nervoso - ou o ter de me levantar porque falta alguma coisa na mesa: desde sal, a pinça para a salada, o pão, etc. 

Desenvolvi recentemente uma metodologia infalível para que ninguém me consiga fazer interromper a refeição. Mentalmente, durante semanas, desenvolvi um esquema mental para elencar quais eram os items que normalmente estavam em falta e eram pedidos quando estava entre a 2ª e a 3ª garfada de comida. Comecei a interiorizar essa lista e disciplinei-me no sentido de a pôr em prática, o que quer dizer, em termos práticos, de colocar as coisas na mesa. Fui mais longe. Coloco também coisas que não são primariamente necessárias, o que faz com que a mesa do jantar se assemelhe à confusão arquitectónica que caracteriza o Parque Expo.

Com o tempo, e na medida em que já estou "calhado", consigo pôr uma mesa completa em menos de 3 minutos. É claro que pelo meio há aqui uns exercícios de contorcionismo, com pratos, copos, talheres, guardanapos, pão, vinho, telefones a ser tudo carregado de uma só vez (na óptica de optimização do tempo). Mas resulta...

...e são cada vez mais raras as vezes que me levanto. E me deleito nas refeições...

Próximo Tema: Respeitar o Espaço

terça-feira, dezembro 20, 2011

Ser do contra

Quem me conhece há algum tempo sabe que nunca gostei, não gosto e dificilmente irei gostar das tão conhecidas e habituais carneiradas. Seguir o que é defendido ou advogado pelos outros, sem que me tenha sido explicado muito bem o porquê não faz muito o meu género. Não gosto, e acho um pouco despropositado.

Em bom rigor, posso considerar-me do contra. Porquê? Porque as coisas que a maior parte das pessoas gosta...entedia-me. Por exemplo, não gosto de ir beber uns copos ou ir para as discotecas da moda e deitar-me quando o sol está a nascer. Nem que seja pontualmente. E são muitas as pessoas que conheço e que gostam. Não consigo achar piada alguma ao karaoke. Da mesma forma entendo que ninguém no seu juízo perfeito devia ousar sequer pensar em convidar-me para cantar. O som das canas rachadas ao pé da minha voz soa a uma música de flauta. E detesto ir cantar. E toda a gente a olhar para mim. A diferença entre estar ali a cantar ou estar nú, é nenhuma. É um momento óbvio de elevado confrangimento. Seguindo esta linha de pensamento já "estive nú" 3 vezes em toda a minha vida. Chega.

Há contudo questões mais sensíveis. A política e a religião são dois bons exemplos disso e em que normalmente há fractura num diálogo comigo. Muito raramente (mesmo muito) encontro alguém com a mesma opinião ou que, por outro lado, defenda convictamente o seu ponto de vista. Já eu não sou assim. Se tiver de ser do contra, sou até ao fim. Se tiver de defender uma determinada posição, defendê-la-ei. Contra tudo e contra todos. Sendo sempre coerente comigo mesmo. Mesmo que o tempo venha a ser mostrar-me que afinal estava errado. Fi-lo em consciência.

Ser contra não é sinónimo de ser tapado. Não é sinónimo de ser inflexível. É sim ser alguém com convicções e que mantém um registo de conversa coerente com aquilo em que acredita. É discordar sem recorrer ostensiva e irritantemente ao "porque sim" ou ao "porque não", ou "porque quero assim", em cargos de poder. É conseguir sustentar um ponto de vista divergente. Ser do contra, mais do que assumir uma opinião contrária, é marcar a diferença. E para marcar...que o seja bem feito.

Próximo Tema: Pôr a mesa

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Espírito de Missão

Ter espírito de missão, nos dias que correm, é ser superior à tentação de seguir o caminho mais fácil. É conseguir ultrapassar os obstáculos do quotidiano sem ceder. É continuamente mostrar profissionalismo, espírito de inter-ajuda, espírito de sacrifício e abnegação. Mostrar que se é capaz e competente para aceitar a missão que lhe foi atribuída.  É, em tempo de crise, arregaçar as mangas e produzir mais. Não ser necessário que seja o Governo a impôr mais meia hora de trabalho aos trabalhadores. Partir do trabalhador esse esforço adicional.

Já aqui referi recentemente que o direito ao trabalho está constitucionalmente consagrado. Mas, por outro lado, não está escrito em lado algum que a entidade patronal tenha de manter em funções um trabalhador que não traz qualquer mais-valia para a organização. Este é o grande problema dos portugueses. Têm para si que são insubstituíveis e que são imprescindíveis nas organizações. Até ao dia em que rola a cabeça de uma daquelas pessoas que já faz parte da mobília e que se julgava intocável. Só nessa altura as pessoas acordam.

Nenhuma empresa é obrigada a dar trabalho a quem quer que seja. Já o trabalhador é obrigado a dar o seu melhor para manter o seu posto de trabalho. É aqui que entra o tal espírito de missão. Necessariamente imune às vozes dissonantes de grupos que tentam dissuadir os trabalhadores responsáveis de levarem a cabo um trabalho profissional. São os medíocres, os maus profissionais, aqueles que erradamente pensam que a empresa é obrigada a manter o seu posto de trabalho que contestam. Que reivindicam. E que acham que espírito de missão é treta.

Pois bem, tenho a informar que se este Governo levar a cabo as medidas que apregoa, esses iluminados vão todos para o olho da rua. Vão fazer as greves que quiserem nos Domingos à tarde, ali para o Rossio. E deixando trabalhar quem quer trabalhar.

Próximo Tema: Ser do contra

domingo, dezembro 18, 2011

Zangam-se as comadres....

...sabem-se as verdades. Mais um adágio popular que cada vez tem mais aplicabilidade. Um pequeno exemplo do quão aplicável é o mesmo, é nem mais nem menos que o exemplo da alternância do poder (Governo) que acontece em Portugal e a consequente oposição que passa a ser feita pelo partido demissionário.

O exemplo que avancei tem muita razão de ser. Senão vejamos. Ninguém, quero eu acreditar, em consciência, acredita que os calotes financeiros que têm vindo a ser conhecidos não o eram no Governo anterior. Não acredito que haja alguém tão ingénuo e que pense dessa forma. Ou que os escândalos todos que têm envolvido políticos no activo (e outros que não estão no activo) eram desconhecidos. Não eram. Nada do que tem vindo a ser ultimamente conhecido era desconhecido. É tudo uma questão de gestão do timing para que algumas notícias venham a lume.
Aqui reside outro aspecto interessante. O saber "domar" a opinião pública. E gerir os tais timings das notícias. Há poucos dias, um candidato presidencial norte americano saiu da corrida à Presidência, por terem sido descobertas as suas "escapadelas" ou "facadas" matrimoniais. Sim, plural, mais que uma. É que uma escapadela, ainda vá que não vá, e o povo americano ainda perdoa. Agora..todas as semanas vir a público uma nova história...é demais. Achou o candidato que era melhor sair de cena. Também acho que foi o melhor que fez. 

Em política, dizia-me um amigo há uns anos atrás, vale tudo. Tudo é tudo. E há muita gente com "o rabo preso". Da mesma forma que há outras pessoas que são pagas para fazer o trabalho de "sapa" que não é mais que ir para o terreno e descobrir tudo de alguém. Até as suas rotinas. Se cá já vem sendo hábito, imagine-se nos EUA onde tudo e mais alguma coisa acontece.

Fico um bocado grande chateado com tudo isto. É preciso esperar pelas eleições para que os podres de um determinado Governo sejam conhecidos. É nessa altura concreta que aparecem aqueles segredos mirabolantes e que nunca ninguém gosta que sejam conhecidos e pelo facto de significarem menos votos.

As comadres deviam zangar-se mais vezes durante a legislatura e não só no final da mesma.

Próximo Tema:  Espírito de Missão

Youtube

Tenho de admitir a minha pouca experiência no campo informático. Passo vergonhas enormes quando sei que toda a gente utiliza uma solução ou programa há quase 30 anos, e a dado momento, querendo fazer um brilharete, e num dia qualquer eu digo que uso essa solução ou programa. Não percebo onde é que as pessoas aprendem a utilizar estes programas novos. Não sei se há alguma revista dedicada onde estão todos programas ou soluções que devem ser usados para um tipo ser "cool". Se é assim...nunca vi essa revista. Talvez tenha sido aí que foi publicitado o youtube.

Só vejo uma vantagem na utilização do youtube. O poder ouvir músicas de todos os grupos que conheço. E que não conheço. Tem a funcionalidade de dar a conhecer grupos de música com o mesmo estilo / género. É óptimo. Além da música é também possível ver vídeos de variadíssimas outras situações: humorísticos, carros, motas, DIY (Do It Yourself), séries televisivas, etc. É um mundo por explorar. Pode-se passar horas, dias, anos a ver aquilo. E nunca se cansar.

A grande desvantagem, julgo que estará relacionada com os direitos de autor. Recordo-me de ter lido algures que há guerras (de anos) nos tribunais, pelo facto de grupos de música / actores, etc, reivindicarem mais justiça pelo facto de trabalhos seus terem sido publicados na comunidade virtual. Isto sem que os mesmos reflectissem lucro para os seus autores. O que é chato, convenhamos.

Em todo o caso, e enquanto não é abolida a utilização desta solução, é uma excelente oportunidade para rever muitos telediscos e vídeos sobre automóveis de outros tempos. Ou outros programas que julgávamos perdidos no tempo. Afinal não..estão no youtube!

Próximo Tema: Zangam-se as comadres...

sexta-feira, dezembro 16, 2011

O capucho

Com o tempo que se tem feito sentir (ora chove, ora não chove), é natural que use o capucho dos casacos impermeáveis. Dá mais jeito do que andar com guarda-chuvas atrás, que com uma "rabanada" de vento ou voam, ou dobram, etc. Isso então é do pior...e com chuva e vento...fico maluco.

Há dias aconteceu isso mesmo. Tive de ir à rua e como sempre, estando a chover, não levei o chapéu. Ainda olhei para ele, mas não o levei. Como habitualmente, preferi a solução mais cómoda e expedita do capucho do casaco. Para tornar o desafio mais engraçado, não só tinha a chuva, como tinha ventos ciclónicos.

É claro que o resultado não podia ser pior. O capucho do meu casaco é daqueles que tem uns elásticos com molas na ponta, que permitem ajeitar o capucho conforme a pessoa quiser, e fazendo com que o capucho não saia do sítio. Pois bem. Quando saí de casa, apanhei de imediato um chapadão do vento que quase me pôs sentado no chão e com o capucho sem estar a tapar a cabeça. Ou seja, a apanhar chuva e frio. 

Não desisti. Levantei-me e apertei o capucho com toda a força que tenho. Em poucos segundos tive de aliviar porque devo ter ficado sem irrigação sanguínea ao cérebro - comecei a sentir náuseas e vontade de vomitar. Ah, e também deixei de ver para a frente, porque na posição em que o capucho tinha sido apertado - em cima do sobrolho, nem sequer conseguia ver 20cm à minha frente. Aliviei, compus o capucho e lá fui eu de novo à minha vida. Não demorou 3 segundos a ser atingido por nova chapada do vento que me tirou o capucho e me fez apanhar chuva e vento. É claro que nesta altura comecei aos berros no meio da rua, com asneiras cabeludas. 

O resto do percurso foi em luta constante com o capucho. Ora ganhava o vento e a chuva, ora ganhava eu. Mas perdi, tenho de admitir. Foram mais as vezes em que apanhei chuva (e vento) do que aquelas que tive o capucho na cabeça.

Detesto chuva e vento. Mesmo.

Próximo Tema:

Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...