domingo, abril 29, 2012

O "Dia do Trabalhador" deste ano foi marcado por dois episódios. O primeiro episódio foi marcado pela já tão nossa conhecida contestação popular que acontece por esta altura e que tem como consequência (entre outras) as manifestações na Avenida da Liberdade. Faz-me confusão como é que as pessoas que passam um ano a lamuriar-se porque o Estado lhes está a roubar os feriados....teimam em ir descer a Avenida apregoando o..."que-não-é-apregoável". E num momento em que os responsáveis pela Nação estão a descansar (aproveitando o feriado, como de resto seria de esperar). E os manifestantes estão na rua. Sabe Deus a reclamar o quê. Se cada vez que tivesse lugar um pedido de aumento salarial houvesse a consequente anuência por parte do Governo, em menos de nada as agências de "rating" teriam de redefinir a parte negativa da escala que utilizam para classificar a economia dos países. Especialmente a de Portugal, que como já aqui comentei anteriormente, é péssima.

O segundo episódio foi o do Pingo Doce (PD). Devo desde já confessar que soube deste fenómeno digno de registo nos manuais de estudo para os próximos 45 anos...no final do dia. Com muitíssima pena minha. Afinal, um dia, feriado (em que tipicamente há mais disponibilidade por parte das pessoas) e em que um grupo decide conceder um desconto de 50% no que fôr comprado...é obra. E que obra.

Num momento de crise económica como o que vivemos actualmente e em que muita gente já se desdobra para trabalhar em 3 empregos diferentes, toda a poupança é importante. E faz toda a diferença no final de cada mês, em que novos pacotes de medidas da austeridade são anunciados. O que PD não esperava (ou não equacionou) foi a resposta massiva por parte das pessoas. Não tendo acompanhado todo este processo desde o início, tive conhecimento do mesmo através de fotos e de um ou outro vídeo que alguém amavelmente disponibilizou no meio virtual.

Em teoria, sou contra este tipo de promoção. Se porventura tivesse sido questionada a minha opinião acerca da mesma2 ou 3 dias antes, seria exactamente a mesma. E avançaria de imediato com um possível cenário muitíssimo parecido com o que aconteceu. O ser humano tem um comportamento ou modo de agir condicionado por estímulos. Muito análogo ao que Pavlov mostrou com experiências que fez com os cães - reflexo condicionado (também conhecido por Behaviorismo). Outra coisa não seria de esperar que, com uma redução para metade do preço das compras não houvesse uma afluência tão grande como aquela que foi registada. Em todas as lojas do PD espalhadas por esse País fora. Em algumas destas lojas, segundo consta, chegou mesmo a ter lugar "animação" local, interpretada pelos zelosos clientes, que ainda conseguiram distribuir galhetas e puxões de orelhas a outros clientes menos inteirados desta promoção ímpar e que ousaram retirar uma das 34 latas de sardinha que alguém já tinha reservado visualmente para si.

Segundo as últimas notícias, o PD incorre no pagamento de uma multa de cerca de 30.000€. Em causa está o fenómeno de "dumping", que resumidamente consiste na venda de um produto abaixo do preço de custo. Trata-se de uma prática ilegal, na medida em que não promove uma concorrência harmoniosa e transparente. E claro, sacrifica os Fornecedores, situados na "base da pirâmide" e que injustamente acabam por ter de suportar todo o prejuízo. 

Sou de opinião que a regulamentação aplicável deveria ser rapidamente revista, por forma a dar cobro a situações deste tipo. Não só salvaguardando os direitos dos Fornecedores, bem como assegurando uma concorrência transparente, e evitando assim convulsões sociais como a que teve lugar.

domingo, abril 22, 2012

Dei conta precisamente hoje do quão pode uma pessoa ser complexa. Bem sei que até sou uma pessoa complexa, nem sempre com um raciocínio lógico e imediato, mas há coisas que sem dúvida alguma me ultrapassam. Ou para as quais o meu entendimento não será suficiente.

Quem conduz automóveis, sabe (ou deveria saber) que a manobra de marcha-atrás é complicada e é pelas seguradoras considerada como "manobra perigosa"...não vá qualquer condutor distrair-se e passar sem querer por cima de algum peão incauto que atravessou a estrada a escrever um "sms" para a namorada. 

Aqui para o escriba, a manobra de marcha-atrás é bem mais do que isso. Simboliza sofrimento. Piora enormemente quando tenho de estacionar o carro paralelo...ao passeio do lado direito. A razão é sobejamente conhecida. Ainda que haja o retrovisor exterior direito, já tem acontecido tirar um "bife" às jantes deste lado do carro. O que de resto, quem conhece a minha paixão pelos automóveis compreende que isso signifique espetar e rodar uma faca no olho direito.

Imagine-se uma rua larga. Quando escolho o adjectivo "larga", refiro-me a uma rua com uma largura onde um carro normal passaria à vontade. Voltando ao primeiro parágrafo, o que assisti hoje pouco fez-me repensar que afinal até sou bem simples. Estava nessa tal rua estacionado em 2ª fila quando vejo um casal chegar numa carrinha, conduzida por "ele". Deixa -"a" num determinado local. O lógico, havendo vista desafogada, seria que recuasse em marcha-atrás e estacionasse o carro. Mas não. Isso seria fácil de mais. Porque não introduzir uma variável de dificuldade? Vai daí, resolveu fazer inversão de marcha na tal rua. A dada altura pensei que não fosse conseguir tirar a carrinha do meio da estrada (onde ficou atravessada) e a fazer manobras que distavam centímetros de outros carros que já lá estavam. Os carros nem eram meus e comecei a ficar nervoso e sem respiração. Depois percebi o que era pretendido. Afinal era estacionar o carro 2 metros atrás. Mas com a frente virada para a saída!! Tanta complicação quando podia ter puxado o carro atrás e simplesmente ter estacionado.

Há muita gente com os "complicómetros" ligados. Infelizmente. Se pensarmos bem, há vários processos onde o facto de haver alguém complicado, do outro lado...torna os processos ainda mais complicados. Lembro-me por exemplo (e meramente ilustrativo), do que passei aquando do pedido de uma certificação de habilitações na secretaria de uma das faculdades onde estudei. Creio que foi nessa altura que comecei a ter cabelos brancos. Nunca compreendi muito bem como é que uma declaração simples, em que a instituição ateste que fulano "A" teve aproveitamento em meia dúzia de cadeiras "x,y,z..". pode demorar tanto tempo. O que é certo é que a tal certidão, que teoricamente devia ser emitida ANTES de ter sido terminada a frase, demorava não raro um mês. E tenho a certeza absoluta que isto derivava de mentes complexas, quadradas e pouco receptivas à mudança tecnológica que tinham idealizado um sistema infalível..mas moroso. A introdução de um sistema informatizado, actualizado e com informação "up-to-date" pertinente e por aluno tornaria tudo mais célere. Muito mais.

E estes são apenas dois exemplo...entre tantos outros!

domingo, abril 15, 2012

Já aqui devo ter escrito sobre as minhas reuniões de condomínio. Estou certo que já. Seria impensável não ter dedicado algum do meu tempo a escrever algumas linhas sobre estas reuniões tão peculiares. Aliás, e se não estou em erro, escrevo sempre que me obrigo a fazer "corpo presente" numa delas. Um ou dois dias depois.

Como é conhecido, uma das coisas que tem o dom de me deixar fora de mim é a pontualidade. Fico ansioso e começo a suar das costas. As palmas das mãos ficam escorregadias e o suor (tipicamente salgado) entra-me pelos olhos dentro deixando-me quase cego. Não entendo porque não são as pessoas pontuais. Há sempre uma treta de uma desculpa. Pois bem, aparte daqueles casos tipo alguém ter-se engasgado com uma espinha do bacalhau, ter levado com a porta do armário da cozinha na testa e ter aberto um lenho de 5 cm ou ter escorregado na banheira e ter feito um entorse no pé, não há justificações para atrasos.  Pergunto eu...se há uma convocatória para uma reunião às 2100H, porque teimam as pessoas em aparecer mais tarde? Não compreendo. Se a convocatória fosse feita para as 2300H, em alguns casos apareciam no dia seguinte....Mas aposto que para ver uma dessas novelas fajutas que passa à hora do jantar...é um ver se te avias na cozinha!! Já aqui o escriba,  não raro tem comer uma peça de fruta para enganar a fome e chegar a horas à dita reunião. Não acho correcto que os demais condóminos de banqueteiem e dêem um ar da sua graça uma hora depois. Nota: Posso aqui avançar que nas minhas acções de formação é rara a pessoa que chega atrasada. E posso também assegurar que jamais toleraria um atraso superior aos 15 minutos protocolares. Temos pena. Aguente-se e para o ano há mais...

Há uma agenda que é seguida nas reuniões de condomínio. Aliás, como em qualquer reunião que se preze. Essa agenda costuma estar bem clara nas folhas que me são entregues à entrada para a tal reunião (ou colocadas na caixa do correio). Aqui reside outra das minhas questões. Porque razão se demora tanto tempo a debater os pontos? Porque são permitidas discussões "à margem" da reunião? Porque não são as pessoas incisivas, objectivas e sumárias? No final de um dia de trabalho, apetece-me tanto ficar a saber os problemas pessoais de cada condómino como lamber o caule de uma roseira. Pior. Irrito-me comigo mesmo porque invariavelmente sou cavalheiro. Com dois lugares para me sentar, um de cada lado, opto por ficar em pé. Porque há senhoras presentes e porque acho que se podem querer sentar. Afinal, acabamos todos por fazer cerimónia. Ninguém se senta durante toda a reunião. E claro, ao fim de 3 horas (sim, leram bem, três horas de reunião), os meus rins parecem querer explodir. E obviamente começo a ficar impaciente, a olhar insistentemente para o relógio e tento desesperadamente estabelecer contacto visual com o(a) Administrador(a) para que abrevie a sessão para irmos todos embora dormir.

Não preparar uma reunião de condomínio é como ir para um teste à espera que o conhecimento surja durante o mesmo. É mau. E pior. Contrariamente a um teste onde só a asno(a) que não estudou perde o seu tempo (que deve ter a rodos), numa reunião de condomínio há um(a) iluminado(a) que consegue a proeza de fazer perder o tempo do quorum presente. Adoro. Depois de um daqueles meus dias em que só me apetece arrancar o cabelo, uma reunião de condomínio é mesmo a cereja no topo do bolo.

Porque não sou Administrador? Porque não tenho paciência. Nem tampouco tenho tempo ou disponibilidade para estar presente sempre que há uma vistoria à cobertura do telhado ou quando uma das fossas da garagem entope. Tenho para mim a forte suspeita de que, sendo eu Administrador, as coisas não correriam bem para os condóminos faltosos com as suas obrigações. Há carros que pegam fogo misteriosamente. Há tubos de travão que estão sempre a romper. Há pessoas que do nada caem e partem os dentes da frente. Ninguém está livre que um azar lhe bata à porta. E sinceramente, as coisas entravam nos eixos. Se há coisa que detesto...é a tão nossa conhecida "chica espertice" portuguesa. Será que as pessoas não se mancam? Será que acreditam mesmo que toda a gente é desprovida de cérebro e come gelados com a testa? Haja paciência! E menos reuniões destas!!

domingo, abril 08, 2012

Nos últimos tempos tenho andado a ler muito sobre micro e macroeconomia. O que não deixa de ser curioso para quem como eu nunca ligou muito a estas disciplinas (microeconomia dada na faculdade). Para quem anda não sabe, há diferenças entre ambas e que resumidamente, tentarei abordar no seguimento do texto de hoje.

A macroeconomia estuda o comportamento da economia como um todo, analisando os períodos de recuperação (e de recessão), a produção total de bens e os serviços da economia e o crescimento do produto. Analisa as taxas de inflação e sua influência no desemprego, os balanços de pagamentos e as flutuações das taxas de câmbio. Prevê o impacto que as flutuações a curto prazo poderão ter nos ciclos de negócios. Analisa ainda os montantes de dinheiro em circulação, as variações nos preços (com reflexo salarial), volumes de exportação e importação, etc..

A microeconomia adopta outra abordagem. O foco está nos consumidores e nas empresas (ou meio empresarial, se preferirem). Tendo em linha de conta as preferências dos consumidores (e a utilidade que decorre dessas mesmas preferências) poderão ser traçadas as suas tendências de escolha. É estudada a procura de mercado para um determinado bem ou serviço e consequentemente é relacionada essa demanda com a quantidade do bem que certa empresa deve conseguir ofertar. Por outro lado, em paralelo, é também estudada essa mesma quantidade do bem ofertada (preço e adequabilidade ao mercado tendo em conta a procura do mercado para esse bem). 

Mas vai ainda mais longe. Estuda as relações entre consumidores e produtores. Assim sendo, tem presente os monopólios, oligopólios, monopsónios, a concorrência perfeita e a clássica teoria dos jogos. Neste disciplina são também delineadas estratégias de maximização de lucros e minimização de custos para as organizações - que não é mais nem menos que o sonho de qualquer gestor que se preze. Na microeconomia é ainda possível o desenvolvimento de modelos sociais simplificados, o que poderá ser útil antes do lançamento de um novo produto novo no mercado sendo este um dos pilares do estudo da microeconomia.

Tenho aprendido muito com estas minhas leituras. Muito mesmo. Gosto particularmente da microeconomia, por razões óbvias, e claro, porque me parece ser uma realidade mais próxima (micro) e de mais fácil entendimento e assimilação ao invés de uma realidade mais abrangente (macro) para a qual não estarei tão sensibilizado e na medida em que me custa fazer esse tipo de extrapolações.

Mas a escolha deste tema de hoje tem uma razão de ser. Já referi em textos anteriores aquilo que vou dizer seguidamente, mas sem ter recorrido a esta "sustentação" mais técnica / enquadramento que aproveitei hoje para fazer. Basicamente, e mais uma vez, falo dos lucros das empresas que estão situadas em Portugal. Falo daquelas organizações que conseguem vangloriar de  lucros com 6 zeros e ainda manter vencimentos "obscenos" para os Administradores. Ou seja, percebe-se agora o porquê de ter feito a introdução que fiz. Falo de macroeconomia (economia nacional) de "mãos dadas" com um contexto de crise económica internacional e ladeado com uma notória retracção do investimento externo (e interno) e ainda do agravamento das condições económicas para o comum dos mortais. Mas falando da nossa realidade.

Faz-me confusão que ainda não tenham sido pensada uma forma de taxar à séria os lucros "fabulásticos" das grandes empresas (algumas delas casos de estudo de monopólio). Parece-me muito pouco razoável (e inteligente) que em tempo de crise económica se permitam algumas "honrosas excepções" a organizações cujos Administradores auferem mais que o Primeiro Ministro. Como se costuma dizer, "o sol quando nasce para todos" e em tempo de crise, não deveriam ser concedidas benesses deste tipo. O argumento deficitário de serem organizações que em breve serão privatizadas faz-me revirar os olhos de tão débil que é. Ou seja, e pegando no exemplo da transportadora aérea nacional. Há mais de 10 anos que se ouve falar na privatização. Nenhum Governo até agora teve coragem de avançar com este processo. Afinal é um "pinga-pinga" necessário. E os contribuintes portugueses até mantêm a empresa subsidiada. Assim sendo, e dado que não está ainda definida uma data para a sua consecução (privatização) os Administradores desta empresa (faz parte do tal grupo de excepções) continuarão a receber vencimentos (em alguns casos) dez vezes superior ao nosso esforçado Primeiro Ministro. Valha-nos a tão esperada (e anunciada) privatização que terá lugar. Um dia destes..

Não desfazendo o necessário (e profissional) trabalho por parte do FMI, não entendo como não se olhou para a "prata da casa" e não se delineou uma estratégia que minimizasse o "fosso" entre aquelas empresas que anunciam lucros com vários algarismos significativos e aquelas que são obrigadas a fechar por via do não cumprimento das suas responsabilidades. Ou seja, não se deve pedir emprestado "lá fora" quando ainda há dinheiro (e muito publicitado) cá "dentro". É isto que não entendo. E ninguém me explica.

domingo, abril 01, 2012

Há poucos dias atrás comprei uma mala de viagem. Já há algum tempo que precisava de uma mala para ir no porão do avião, rígida e que me permitisse levar os parcos pertences para cerca de 3 ou 4 dias.

Certamente que não há à venda mala mais discreta do que aquela que comprei. É impossível. Desde sempre que oiço histórias de contrabando de droga, armas e tráfico de orgãos de pessoas que seguem dentro das malas que viajam nos porões dos aviões. Como tal, interiorizei desde o início desta minha compra que a minha mala teria de ser o mais discreta possível para não ser alvo de cobiça por parte dos malfeitores que laboram nesse submundo do carregamento dos porões dos aviões. E se assim o pensei, assim o fiz.

Dificilmente conhecerei uma menina tão prestável e simpática como aquela que me atendeu. Julgo mesmo que a dada altura olhei à minha volta à procura de uma câmara de vídeo. Não é normal alguém ser tão prestável. Tão simpático e ainda conseguir dizer umas piadolas. (Nota: Em 10 piadas, uma teve graça. Mas isso são pormenores).

Quando estamos perante alguém tão simpático, é complicado focarmo-nos nos detalhes técnicos. Como por exemplo, na "definição do código secreto do fecho da mala". Parece simples? Também me pareceu. Talvez por isso mesmo a minha atenção estivesse focada numa pasta de mão que estava em exibição numa zona oposta da loja.

Não conheço muita gente que compre malas de viagem por "desporto". Na generalidade das vezes, quando se compra algo do género, é por necessidade. Também não me admiraria que houvesse um estudo científico encomendado por uma qualquer universidade do Arkansas que reflectisse uma percentagem de 100% de aquisições deste tipo de objecto dois dias antes ou mesmo na véspera da viagem de avião (Nota: Confesso que não me parece muito razoável que alguém compre uma mala deste tipo para levar para o trabalho todos os dias).

Orgulhosamente faço parte da percentagem de pessoas que compra este tipo de mala na véspera da viagem. Já aqui referi anteriormente que não padeço do nervosismo de fazer a mala 3 dias antes. Faço sempre horas antes. É uma questão que tenho bem resolvida interiormente. Mas que tem associadas vantagens e desvantagens. Como vantagens, o não ter mais uma preocupação na minha mente, parece-me ser aquela que mais se destaca. Como desvantagem, o imponderável. 

É também conhecida a minha relação próxima com o imponderável. Aquilo que não se consegue prever. É precisamente nesse vasto e produtivo campo da imponderabilidade que normalmente têm lugar as minhas histórias, como de resto também se sabe. Na véspera de uma viagem de avião, e aquando da definição do tal código secreto do fecho, o mesmo só podia deixar de funcionar. O que, como se imagina, me deixou efusivo de alegria, imaginar de imediato que os tais senhores do "submundo da carga dos porões dos aviões" iriam ficar a conhecer a cor das minhas boxers ou se uso meias de algodão ou de fibra. Isto de madrugada e a poucas horas de embarcar. Ou seja, a mala seguiu "aberta" e sem o código secreto introduzido.

Chegado ao meu destino, liguei para a loja das malas. Atendeu-me uma menina (não era a tal que me tinha atendido da outra vez). Fiquei a pensar se lhe teria interrompido alguma tarefa importante (e.g.: tirar os pelos do buço) pela forma menos correcta e agressiva como falou comigo. Resumidamente, entendeu a menina que se o fecho não funcionava, eu não deveria ter usado a mala. Ou seja, não sei como não me ocorreu de madrugada colocar a minha roupa e artigos de higiene pessoal em sacos plásticos. Aqui o asno, sem alternativas (a não ser os sacos plásticos), entendeu levar a mala, apenas com os fechos laterais funcionais. Serviu o seu propósito, quer na ida, quer no regresso.

Agora veremos como será em breve a troca da mala. O tal "Einstein" disse-me para passar por lá com a mala, como quem diz que aqui o jumento devia estar a fazer algo de errado, na definição do código secreto. Sempre quero ver a cara dela quando perceber que efectivamente não dá. E mais. Quero que me diga que alternativa sugeria ela que eu adoptasse para ir de viagem (sem a mala) e como iria eu experimentar a colocação do código secreto...sem utilizar a mala...Santa Paciência!

domingo, março 25, 2012

Há um fenómeno que seria interessante de constituir objecto de estudo por parte de uma dessas universidades norte-americanas que se dedicam ao estudo de nobres causas. As mesmas que se preocupam com a melhor época para a reprodução do cervo almiscarado negro (que afinal não pertence à família dos cervídeos) ou o ainda com a clássica questão do porquê da gestação do macaco-aranha durar entre 226 e 232 dias. Coisas importantes, portanto.

O tal fenómeno que me refiro no início do texto tem que ver com a "corte". Seria muitíssimo interessante aferir a percentagem de homens que perpetua a corte junto às suas namoradas / mulheres depois de conseguir a sua atenção ou mesmo de ter conseguido encetar um relacionamento afectivo. Não me admiraria que se apurasse um valor percentual inferior ao número de políticos honestos. Rapidamente, e sem grande esforço, é possível perceber o quão ridículos são os homens nesta fase em que estão enamorados / encantados / deslumbrados. Aliás, estou em crer que, se alguns homens vissem as figuras que já fizeram....discretamente procurariam o conforto (e sombra) de um rochedo próximo, para se esconder, e para sair debaixo do mesmo por altura do Natal de 2034. Nota: Em alguns casos deve ser motivo de conversa (leia-se gozo) entre grupos de amigas. É triste a realidade...mas há homens que são ridiculamente óbvios e básicos.

A razão pela qual alguns homens pecam pela falta de inovação / criatividade tem uma explicação. Ou culpa. As mulheres. Pois é, as mulheres são as verdadeiras culpadas. Passo a explicar. Actualmente, a taxa de divórcios é similar à taxa de casamentos. Quer isto dizer que as pessoas casam-se com facilidade e com uma facilidade ainda maior se divorciam. Até aqui nada de novo. A questão é que se cria um défice afectivo. Ou seja, por outras palavras, a razão entre o que se quer "dar" e o que se "recebe", em termos de capital afectivo e naquele momento, é negativa. E assim sendo, em menos de nada chega-se a um estado de carência permanente, quer nos homens, quer nas mulheres.

Se o estado de carência dos homens é marcado por diversas situações que num estado normal não têm lugar (e.g.: a voz ao telefone deixa de ser máscula passando a um irritante timbre de adolescente imberbe - nunca percebi bem o porquê dos homens pensarem que as mulheres gostam de vozes mais finas, estupidamente enviam mais de 5 mensagens de telemóvel no mesmo dia ou ainda enviarem um postal electrónico sem razão aparente, quando nunca o fizeram antes - por não saberem sequer escrever correctamente o seu nome). São situações atípicas na generalidade dos homens. E tudo isto aliado ao facto de pensarem com a "segunda cabeça". A dada altura...passa a comandar uma série de acções, e aqui sim, podem culminar em abordagens básicas, primárias e que em vez de aproximar uma mulher, afastam-na.

No caso das mulheres (quase todas), a questão não é muito diferente. Também há carência nas mulheres. Contudo, as mulheres gerem a sua carência afectiva de outra forma. Primeiro racionalmente e só depois emocionalmente. Como consequência imediata, isto faz com que o "até que enfim", o momento tão desejado pelos homens seja protelado para algum momento futuro. Indefinido. Algures no futuro, sem pressa e sem pressões, pensa conscientemente a mulher. E isto faz com que sejam conhecidos casos de alguns homens que se começam a roçar nas paredes ou descubram prazer no esfregaço de urtigas nas "partes baixas". Enquanto não chega esse tão esperado momento.

Assim sendo, percebe-se que as carências de ambas as partes propiciam que tudo o resto seja "acelerado". São "queimadas" etapas e não raro a mulher passa a achar piada a alguma graçola mais seca que o árido deserto do Sinai. Ou seja, deixa-se "levar" por um tipo que nem sequer é o seu género de homem. Daí eu dizer que a culpa é das mulheres. Facilitam. Deixam-se levar pelas emoções quando em certos momentos deviam ser racionais. Nota: Não me tentem convencer que o aspecto físico de uma pessoa não conta, porque questiono de imediato se alguém consegue ver beleza num homem / mulher sem dentes à frente.

Não conheço a realidade de outras sociedades além da portuguesa. Do que conheço da nossa, reconheço que há efectivamente uma falta de bom senso, cuidado e sobretudo conhecimento do sexo oposto. Embora as pessoas (mais os homens) assumam que conhecem quem têm ao lado, não é verdade. E um dia que questionem a cara-metade se tudo o que lhes fazem lhes agrada, talvez fiquem surpresos com a resposta. E esta situação remete para uma diferença básica no binómio "homem-mulher". A mulher é usualmente mais permissiva e tolerante com os erros dos homens. Por outras palavras, tolera mais. Muito mais. Até ao dia em que uma coisa de somenos importância assume proporções dantescas. E "entorna-se o caldo ".

O período de encantamento é delicioso. Para ambas as partes. A corte, mantida, é algo ímpar e que poderá sugerir uma relação duradoura, verdadeira e acima de tudo, vivida a dois. A questão é que dura pouco. E quando uma das partes sente isso...é complicado que a relação dure. Ou pelo menos dure sem que haja acomodação - pior inimigo da relação.

domingo, março 18, 2012

Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que passeei o Paco sem trela. A razões são simples. O Paco é amalucado e é cachorro. Como tal, tem de ser educado a andar à trela. A respeitar os outros cães e a não querer saltar para cabeça das pessoas com quem se cruza na rua.

Por outro lado, um treinador de cães que diga que os cães podem andar na rua sem trela não é um bom treinador. São várias as distracções a que um cachorro é submetido aquando de qualquer um dos seus "passeios higiénicos". Desde outros cães, gatos, pessoas, etc.. O que torna as coisas complicadas, mas não necessariamente menos interessantes. Posso adiantar que não raro levo esticões na trela que vejo estrelas. E consigo "voar" entre os dois lados de uma rua em menos de um fósforo. Mas também tenho para mim que faz parte. Conquanto não queime os dedos com o fio da trela ou caia e parta os dentes da frente...até vejo alguma piada nestas coisas.

Há um programa que dá na televisão aos Domingos de manhã, próximo da hora do almoço. Sou a única pessoa do Planeta Terra que não o viu ainda este programa do homem que faz magia com os cães. Mas não com o Paco. O Paco é um caso muito especial e que certamente faria com que o famoso senhor pensasse em mudar de actividade e se dedicasse a fazer bolas de Berlim sem creme para fora.

Sabendo que o Paco é cachorro e naturalmente insubordinado, ando com ele sempre à trela. A menos que não vislumbre vivalma num raio de 5 quilómetros, não o solto.  E é aqui que precisamente me insurjo. Não entendo a razão pela qual as outras pessoas não pensam / agem assim. Não faz sentido andar com um cão sem trela se o mesmo é brigão e gosta de ir provocar os outros cães que são passeados à trela. E não raro isto acontece comigo, ou seja, quando passeio o Paco (preso). E viro fera com as pessoas que não respeitam esta premissa básica.

E infelizmente acontece muitas vezes. E a culpa não é dos "lulus"...mas sim de quem os passeia!

domingo, março 11, 2012

Brandos Costumes

Não é segredo para ninguém que Portugal é um País de brandos costumes. Qualquer pessoa sabe disso. Devo ser a única pessoa do planeta Terra (e de mais uns quantos antes e depois) que descobriu muito recentemente que por cá, ninguém é preso por não pagar o que deve. É mesmo assim. Pode um dia destes próximos dias apetecer-me comprar uma "villa" inteira num qualquer empreendimento luxuoso algarvio de 10 estrelas, 4 viaturas de uma das mais conhecidas marcas de automóveis bávaras e porque não, vestir-me da cabeça aos pés num das lojas situadas na Avenida da Liberdade. Como fazer? Cartão de crédito. Basicamente, o "salvo conduto" para uma vida despreocupada e feliz. Durante alguns dias, pois claro.

A primeira consideração que se me oferece fazer, do acima exposto, tem que ver com a "permissividade" que existiu ao longo das décadas por cá. Não posso atribuir a culpa a quem consegue o tal cartão de crédito que lhe permite(iu) viver acima das suas humildes possibilidades, em muitos casos. Atribuo a quem o deu. A quem permite que alguém se endivide de tal forma que tenha de ponderar rifar a sogra e chata da cunhada. E acredite-se ou não, são cada vez mais comuns estas situações (não de sogras / cunhadas rifadas, mas sim de situações extremadas de endividamento). Costumo dar o exemplo do crédito à habitação. Há 15 anos atrás, se alguém quisesse comprar uma casa que custasse 50.000 euros naturalmente que não ía obter só esse valor. Expectável e desejavelmente, o gestor de conta encarregar-se-ía de sugerir a contratualização de um montante superior: "Vai precisar de equipar a casa? Tenho um contacto de um cliente meu que vende a marca "XPTO" a preços muitíssimo em conta! É de aproveitar", entre outros argumentos de pêso, que na hora de sair do "ninho" naturalmente pesam. Do outro lado da mesa estariam jovens, sem grande maturidade e com uma enorme vontade de emancipação (leia-se saírem de casa dos pais e terem o seu espaço, individualidade e sem terem de justificar o porquê de chegar a casa de gatas e terem tentado durante 3 horas abrir a porta da entrada do vizinho do lado com a chave do correio).

Do acima, facilmente se percebe que foram muitos os contratos assinados. Assistiu-se ao "boom" imobiliário, muitas casas avaliadas "por baixo" (por forma a permitir a concessão do crédito na totalidade), e claro, como resultado final, muito dinheiro emprestado, sob a forma de crédito. Durante décadas. Se alguém queria comprar uma casa, o banco emprestava. E com o emprestado comprava igualmente um carro. E assim sendo, passou a ser uma forma de estar na vida. Quer para empresas, quer para particulares. No caso das empresas, deixou de haver restrição. Houvesse linhas de crédito viabilizadas, havia troca de automóvel de dois em dois anos, telefones topo-de-gama, viagens para quadros superiores com tudo pago, etc..Naturalmente que quem ficava invariavelmente a ganhar era o banco, na medida em que no final, feitas as contas, contabilizando o "juro acumulado", à taxa contratualizada, o montante em dívida é substancialmente superior ao montante inicialmente acordado. Mas tinha sido acordado e assinado. Até que rebentou a "bolha" no sector imobiliário norte-americano e a vida mudou. E veio para ficar a crise económica, como aliás se tem feito sentir nos últimos tempos.

Segunda consideração. Portugal não está, nem nunca esteve preparado para este choque. Na altura do Estado Novo, o próprio "sistema" garantia que as famílias portuguesas tivessem o mínimo indispensável para sobreviveram. Daí ser também tido como um regime "paternalista". O próprio sistema "cuidava" dos portugueses. E foi um sentimento que perdurou até aos dias de hoje pelas piores razões. A máxima de "arregaçar as mangas e ir trabalhar" é bonita, mas não convence quem está desempregado há mais de 1, 2 ou 4 anos. É treta. E mais ainda nos dias que correm. Por outro lado, aquelas pessoas / empresas familiares que contraíram vários empréstimos para manter um determinado "status" e nível de qualidade de vida, em algumas situações com uma presença incontornável da precariedade, pessoas com habilitações académicas baixas, experimentam agora as dificuldades. A "mão pesada" das Finanças que, obrigadas a cumprir um  exigente plano"troikiano" aumentam a taxação tributária e como tal deixam de conseguir suportar mais encargos. E não são tão poucas famílias / empresas como se possa imaginar.

Utilizei o enquadramento acima para chegar onde quero. À minha terceira e última consideração. Como referi anteriormente, não posso culpar ninguém de ter contraído empréstimos atrás de empréstimos, e hoje estar sufocado(a) em dívidas. Ou de já ter sido encetada uma habilidosa engenharia financeira para poder comprar os livros escolares dos filhos. E com tendência a agravar. Como também se sabe.

Por outro lado, os grandes grupos económicos por cá instalados. É conhecida a sua fuga ao fisco e consequentemente às suas responsabilidades fiscais. Há juristas pagos para encontrar lacunas nas peças legislativas e assim, de forma "legal", legitimar e consolidar os cadernos de encargos, com lucros, em alguns casos, de 6 dígitos. O que de resto dá-me que pensar. Com o País em plena contracção económica, como é possível que seja anunciados lucros? E elevados? Aliás, a palavra "lucro", no actual contexto já destoa..quanto mais o adjectivo acessório (elevados). Mas parece-me que ninguém tem muito interesse em tentar descobrir a causa. Como é hábito. Julgamentos que teimam em não terminar, casos que envolvem ex-representantes do País e que de tão morosos desacreditam o sistema judicial, entre outros exemplos que poderiam ser dados. 

Para quando seriedade e rigor nas contas? Para quando uma equipa de políticos destemida em rever a Lei, "mexer" nos interesses económicos instalados e aumentar a contribuição tributária dos grandes económicos que por cá existem? Para quando a responsabilização pública e severa daqueles que conduziram o País para uma situação de tal forma insustentável que teve de ser necessária a ajuda externa? Questões sem resposta. É por esta e por outras que Portugal é um País de brandos costumes. Onde quem prevarica....sai-se bem. Quem vier atrás que feche a porta.

domingo, março 04, 2012

Desemprego há mais de 6 meses

Infelizmente tenho vindo a "cruzar-me" com várias pessoas desempregadas. E a situação tende a agravar. Das últimas notícias que ouvi (peças televisivas), o número de 14% para população activa sem emprego é já avançado pelo nosso Primeiro Ministro e avançam os orgãos de comunicação social que não será um número assim tão diferente daquele que se verifica na Grécia. O que naturalmente dá que pensar.

Nunca fui, não sou e não me parece que alguma vez venha a ser uma pessoa que dramatize desnecessariamente os cenários. Não faz parte do meu carácter. Pauto a minha vida pelo positivismo, e em vários episódios (recentes) que já experimentei, tentei em todos eles, encará-los com o necessário positivismo. Acima de tudo transmitindo segurança, determinação e a confiança de uma solução breve.

Já aqui recomendei em tempos a quem não tem emprego que deve ficar em casa à espera que liguem ou lhe enviem um e-mail a convidá-lo(a) para trabalhar. Nunca tal aconteceu. Defendo em alternativa a proactividade. É importante que quem recebe um currículo saiba que há uma pessoa que lho está a  enviar. E como? Entregando o currículo em mão. Primeira recomendação. Faz toda a diferença. Acreditem que o(a) responsável pelos Recursos Humanos recebe diariamente centenas de currículos. Nos dias que correm, naturalmente que receberá mais ainda. Importa pois, marcar a diferença. E tal possível com um pedido de reunião com o(a) tal responsável. É o primeiro passo.

A minha segunda recomendação tem que ver com a inscrição no centro de emprego mais próximo. Muita gente com quem falo diz-me que não vale a pena perder tempo com isso, que é tempo perdido porque há filas enormes desde madrugada além de não dar em nada. Não posso discordar mais. A inscrição nestes locais (representações Estatais), é importante porque permite ao Governo aferir o quão dramática é a realidade de algumas pessoas e garante igualmente uma análise mais fina da percentagem de pessoas sem emprego. São números importantes e que a jusante possibilitarão uma acção específica por parte de quem toma conta do País.  Por outro lado, é viabilizado o complemento à formação do indivíduo. Ou seja, por outras palavras, tenho conhecimento que há sessões de formação organizadas para pessoas sem emprego e onde eventualmente poderá ser encontrado algum conforto psíquico, na medida em que se percebe que não se está sozinho(a). Poderá eventualmente ser um meio de encontrar a paz de espírito que tanta gente começa a não ter.

A terceira e última recomendação alude para algo que hoje em dia dá pelo nome de "engenharia financeira". Em linguagem comum, cortar na despesa. Delicio-me (com todo o respeito) com desempregados que são entrevistados na televisão e estão de cigarro na mão. Ou que continuam a sair todos os finais de semana. Ou que mantêm casas e carros que têm associadas prestações elevadas. Não faz sentido. Têm dinheiro para tudo isto - mantendo um determinado nível de vida - e depois "choram" dizendo que não têm dinheiro para comer e que está tudo caro? É importante que com algum "distância" e muita sensatez seja avaliado o desafogo monetário individual e seja tentada alguma futurologia e sejam feitos cortes imediatos naqueles custos que são dispensáveis (e.g.: tabaco, saídas à noite, etc.). É imperioso que tal aconteça. Nota: Quanto ao tabaco, posso dizer por experiência própria que é tudo uma questão de força de vontade, mental. Fumei durante 16 ou 17 anos anos e deixei de o fazer de um dia para o outro. Desde há 3 anos. E nunca mais tive vontade de fumar. Se custou? Não mais que tirar pedras de alcatrão da palma de uma mão como infelizmente já tive de fazer. E o mesmo se aplica por exemplo à avaliação adulta da necessidade de se viver num T4 quando se pode viver num T2...e assim ser possível renegociar a dívida com o banco. Entre outros tantos exemplos...

Boa sorte e força para os piores dias que estão para vir...

domingo, fevereiro 26, 2012

Há dias de azar, daqueles em que a opção mais sensata seria ficar em casa a ver o "Bom Dia Portugal" ou outro programa interessantíssimo do mesmo género.

Por outro lado, há também os objectos associados ao infortúnio. Posso aqui e agora adiantar que já vou tendo alguns: um par de "boxers" (que por acaso já tinha colocado fora de circulação pela sequência de azares que me provocou) e um "pullover" amarelo, que também desconfiava que me desse azar...sendo que há poucos dias tive a clara e incontornável confirmação. Mas adiante.

Nesse dia, mal cheguei ao escritório dei conta de me ter esquecido da carteira em casa. Este tipo de esquecimento tem o dom de me provocar ansiedade. Fico receoso de ser mandado parar numa operação STOP e não ter nada que me identifique comigo. Sou um cidadão cumpridor que gosta de ter tudo à "mão de semear". Não ter comigo os documentos deixa-me com poucos graus de liberdade. É certo que a nossa Lei prevê um prazo para apresentação dos documentos, mas não gosto de sair de casa sem os mesmos. Ponto final.

Por acaso, nessa data em concreto, tinha de acompanhar uma inspecção a uma aeronave. Para quem não tem essa noção, o acesso à placa do aeroporto (local onde estão parqueados várias aeronaves de várias companhias aéreas) é restrito e validado por um cartão emitido pela Polícia de Segurança Pública (P.S.P.). Naturalmente que se tratará de um cartão pessoal e intransmissível, como facilmente se depreende e alguém ostentar o mesmo ao peito significa que existe um processo criado para o detentor do tal cartão que foi avaliado, tendo sido concedida autorização policial para aceder à placa do aeroporto.

O acesso ao aeroporto é feito através de portas onde há seguranças privados. Consequência das várias inspecções a aeronaves que faço, já conheço alguns deles de vista. Depois de ter passado tudo que se levava nos bolsos (e mãos) pelo "Raio-X" foi necessário mostrar o tal cartão de acesso à placa do aeroporto que garante ao Sr. Segurança que somos pessoas de bem e não vamos fazer explodir o aeroporto. E foi aqui que começou a minha odisseia. 

Tenho sempre ao peito um "porta-cartões" plástico, onde estão dois cartões (arrumados costas com costas): um cartão da empresa e outro cartão de acesso à placa. No tal posto de controlo da empresa de segurança privada, é necessário mostrar a nossa identificação, para aceder à placa do aeroporto. Que por acaso fica a meio metro de distância do local onde está o segurança que olha para os cartões e onde eu também me encontrava. Mecanicamente, virei como sempre o "porta-cartões" para mostrar o cartão de acesso à placa. E quando o fiz...um espaço vazio. Ou seja, tinha o cartão da empresa e não tinha o cartão de acesso à placa. É grave. Ao nível de algo que também me aconteceu há uns meses...atestar o depósito de um dos carros cá de casa e...não ter a carteira comigo (agora que penso nisto..começa a ser recorrente este esquecimento..tenho de tomar mais Fósforo)...Naturalmente que a minha entrada foi barrada e fui delicadamente convidado a ir expôr a minha situação à P.S.P. do aeroporto. 

Procurei no jipe, procurei no carro da empresa mas sem êxito. Nada de cartão. Revi mentalmente o percurso que tinha feito no dia anterior e fui aos mesmos sítios. Questionei as pessoas se alguém tinha entregue um cartão com a minha fotografia. É curioso o ar incrédulo que as pessoas fazem quando alguém lhes pergunta algo deste género. Questiono-me se porventura achariam que as ía incomodar se tivesse o cartão comigo! É claro que para colocar a questão...é porque "se calhar" não tenho o cartão...."hello??!"

Entretanto fui a casa buscar a carteira para pedir um acesso pontual ao aeroporto. Pedi a uma colega que me tratasse da formalização dos documentos necessários, e assim que estavam prontos, fui ao aeroporto pedir este acesso pontual. Logicamente que quando a menina segurança colocou o meu nome no sistema informático percebeu que tinha um acesso à placa válido até...2013. E percebeu igualmente que eu ainda não tinha dado baixa do cartão na P.S.P (procedimento obrigatório em caso de extravio destes cartões). Mais uma vez foi-me cortada a possibilidade de entrar na placa. 

Hora do almoço. Toda esta série de acontecimentos deixou-me com um batimento cardíaco próprio de uma chita após ter feito um "sprint" atrás de uma gazela marota. Ao almoço tinha vestido o tal "pullover" amarelo. Escusado será dizer que consegui a proeza histórica de terminar a refeição sem me "medalhar". Até ao momento em que estava a limpar os pratos e consegui o feito inédito (ou não) de salpicar a malha amarela com molho. A sensação foi a mesma de ter dado um pontapé com toda a força no pé de uma das mesas cá de casa. Como se percebe, agradável.

Tinha combinado com o meu colega que me acompanhou nestas andanças que após almoço teríamos de ir à P.S.P. para dar baixa do cartão e solicitar emissão da 2ª via do mesmo. É um processo moroso (entre 3 a 5 dias) e que não é simples, por via de uma série de confirmações que a autoridade policial tem de fazer. Quando voltámos ao aeroporto, e já a pé a caminho da P.S.P., estava a mostrar ao meu colega que não conseguia compreender como tinha perdido o cartão. E que o tinha visto (ao cartão) no dia anterior e não percebia como ou onde o tinha deixado cair. E nisto tirei o cartão da empresa, para lhe mostrar o que costumo fazer quando vou a determinado local, para facilitar a minha identificação. E quando tirei este cartão..vi o cartão de acesso à placa por baixo do da empresa. Engraçado o quão ridículo me senti. Claro que ele desatou a rir às gargalhadas. Durante 10 minutos.

Moral da História: Sempre que tirar o cartão da empresa do "porta-cartões" para facilitar a minha identificação, devo colocá-lo no lugar dele e não encavalitado no lugar do outro cartão. Ainda estou para perceber como não senti eu dificuldade em introduzir o cartão (em consequência de estar a colocar um 2º cartão no lugar destinado a um)...

Ganhei uns 20 cabelos brancos com tudo isto...

domingo, fevereiro 19, 2012

Ensino da Condução em Portugal

Como qualquer pessoa imaginará, o momento de obtenção da carta de condução, há muitos anos atrás, foi revestido de grande alegria aqui para o escriba. Afinal, foi reconhecida a minha competência (e habilitação) para conduzir qualquer viatura ligeira existente na União Europeia (e fora dela, dado que já conduzi noutros países e nunca ninguém me disse nada).

Há poucos dias foi de novo noticiada a questão da corrupção nas escolas de condução, desta feita pelo Presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP). Não obstante o facto de ser associado deste maior clube português e de nele ter tirado a carta de condução, é importante partilhar o meu ponto de vista neste espaço acerca deste assunto.

De há alguns anos a esta parte que defendo que a "causa-raíz" de grande parte dos sinistros rodoviários tem que ver com a falta de formação /  informação dos condutores portugueses. Ou seja, será aí que tem de existir uma intervenção por parte das entidades que regulam o ensino da condução por cá. E tal não acontece, como se sabe. Ou seja, o que retive é que mais uma vez alguém teve a coragem de publicamente assumir que as coisas não estão bem no ensino da condução por cá e calhou ser o Presidente do ACP, instituição que também ministra este tipo de ensino.

Devo ter demorado o dobro do tempo para tirar a carta de condução naquela altura. Sem razão aparente. Basicamente, no ACP demorava-se algum tempo. Vários foram os meus amigos que recorriam a escolas cuja carta de condução era tirada no prazo estupidamente reduzido de uma semana. Nem quero tentar adivinhar quanto tempo será hoje em dia nessas mesmas escolas...Também posso adiantar que devo ser a única pessoa à face do Planeta Terra que fez cerca 40 aulas de código, ou seja, mais 15 aulas do que o obrigatório. Razão? Prazer. Pois é. Talvez por isso não me ter custado absolutamente nada fazer passar no exame de código. Embora me tenha custado um grande bocado a expectativa de ter de esperar que o meu nome fosse o último a ser dito (instruendos aprovados).

Depois do código concluído, e em fase preliminar à passagem para o carro (mundo real), no ACP há os simuladores. Para quem conhece as máquinas de jogos, o simulador do ACP é muito parecido. Tem tudo o que um carro normal tem, mas funciona em meio virtual. Na altura em que tirei a carta tive a felicidade de conduzir um autêntico "espada" norte-americano com mais 40 anos do que eu. O que não deixa de ter a sua piada. Conduzir um carro cujo volante é duas vezes o tamanho de um volante de um autocarro de passageiros. Ah, já para não falar do facto de ter abusivamente "entrado" com o meu "espada" algumas vezes em casas de famílias lá da América. Virtualmente falando.

Findo o período das aulas de simulador (com aproveitamento) - entenda-se não atropelando peões ou provocando estragos em propriedades alheias - chegava o momento de conduzir um carro "à séria". Tive sorte de ter um instrutor todo bem disposto que assumiu que eu já sabia conduzir e como tal, não raro chamava a minha atenção para uma saia mais curta que tinha visto na rua. Ou alguma menina que seguia sozinha num carro. O exame de condução foi feito mais tarde com alguma ansiedade da minha parte, e como não podia deixar de ser com algumas peripécias pelo meio. Mas correu tudo bem e lá obtive a carta.

A partilha desta experiência visa tão somente descrever a sequência de "momentos" que na altura tinham de acontecer no ACP para que fosse possível a proposta a exame. Há poucas escolas de condução assim. Porventura algumas das pessoas que lêem este texto obtiveram a carta de condução recorrendo a uma destas escolas. Não condeno nem recrimino. Apenas e só desejo que menos vidas sejam perdidas na estrada. E que a associação dos acidentes deixe de ser feita a condutores encartados há menos de dois anos.

domingo, fevereiro 12, 2012

Serial Killers

Também conhecidos como assassinos em série (se bem que esta terminologia anglo-saxónica seja de difícil tradução para a língua de Camões)..mas vamos aceitar como sendo o mais próximo. 

Há um anos atrás li um livro sobre este grupo de pessoas. E também de outras (mass killers). A "conversa" para ambos os grupos é quase a mesma e o objecto de prazer, em ambos os casos é similar - prazer de matar. Creio que já referi num qualquer texto passado que me assusta (e faz pensar) a questão de haver uma vida humana num segundo e no outro já não existir. Sendo que nestes casos ser uma bala alojada no coração ou no cérebro que contribui para esta comutação de estados. Entre a vida e a morte.

Perdoem-me os puritanos, mas achei interessante o estudo científico das mentes destas pessoas. Por exemplo, o facto de alguns destes assassinos "brincarem" com as autoridades policiais. Chegam ao ponto de serem capturados quando....querem, disponibilizando previamente as pistas que entendem necessárias e suficientes para tal. Pois é. São indivíduos que não raro têm associado um coeficiente de inteligência (Q.I) superior à média. Quero com isto dizer que, conseguem, com relativa facilidade, antever o que o "comum mortal" poderá pensar e agir em consonância com isso mesmo. E ainda conseguem retirar daqui algum prazer.

Foi noticiado há poucos dias um triplo homicídio por cá. Sim, em Portugal. País de brandos costumes e nada habituado a estes acontecimentos (triviais em terras norte-americanas). A justificação avançada pelo "nosso" homicida, bancário de profissão, e em tribunal, quando questionado acerca das razões que o levaram a cometer tal acto, prenderam-se com o facto de querer proteger a família da actual crise económica. Tenho de confessar que fiquei assustado. Se todos pensarmos assim....não será complicado perceber um aumento exponencial da taxa de homicídios por cá. Já nem falando da Grécia, país que nesta linha de pensamento desaparece sumariamente do "velho Continente"...

Vaga de Frio 2012

Feliz ou infelizmente, posso informar que já experimentei algumas vagas de frio ao longo da minha existência. Uma delas, e eventualmente uma das mais marcantes, foi em Paris, há coisa de sensivelmente 7 ou 8 anos a esta parte. Juntamente com um "extrazito" da chuva. Temperaturas exteriores a rondar os 0º C e chuva forte. E incessante. Nada melhor para calcorrear a capital de francesa.

A actual vaga de frio não é inédita por cá. Trata-se de mais uma passagem pelo País de frentes polares. Noutros países, como no caso da República Checa, as temperaturas mínimas chegam a atingir os -40ºC. Se com as temperaturas que por cá se registam já é notório um consumo muito superior de energia (e.g.: caloríficos a gás, caloríficos eléctricos, etc.) penso o que aconteceria com temperaturas mais extremadas. Aliás, talvez não consiga efectuar este exercício...

Posso adiantar que com esta actual vaga de frio, quando saio de casa às 0600H para dar a volta com o meu Paco, custa-me não raro respirar, sinto também as extremidades do corpo "em pedra" e a caixa craniana a comprimir enormemente o meu cérebro. Que seria com temperaturas mais baixas...

Por outro lado, creio que muitas pessoas não sabem vestir-se para este tipo de temperaturas. Habituadas a um País com temperaturas amenas, claro. Daí a proliferação das constipações. Há também muita falta de informação para as pessoas. Creio que não basta informar que os País está em "alerta amarelo" ou "alerta laranja". Da mesma forma que, contínua, incessante e irritantemente é passado na televisão o anúncio da "televisão digital terrestre" (e que tem associada a aquisição de um descodificador - mais um custo), neste momento crítico deveria ser informada a melhor forma de combate à vaga de frio. Também repetidamente e enquanto perdurassem estas temperaturas. Afinal, um "sem-abrigo-que-fique-em-casa" (como disse uma erudita francófona) pode escolher por não assistir à novela brasileira no seu televisor a plasma....mas não pode naturalmente escolher em aumentar as temperaturas exteriores. Infelizmente.

Para terminar, gostava de mais uma vez, partilhar algo que me foi transmitido ainda na faculdade há alguns anos: " O clima global experimenta mudanças profundas. As temperaturas exteriores aproximam-se dos extremos: Verões mais quentes e áridos e Invernos mais frios e chuvosos". Além de uma completa desregulação das estações do ano..E não é que é verdade? Temos dias chuvosos e frios em Agosto e dias de Verão em Fevereiro....

domingo, fevereiro 05, 2012

A abolição do Carnaval

MardiGrasPaull1897Cover.jpgSem dúvida alguma uma das melhores notícias de 2012. Não podia concordar mais com esta medida. Aliás, trata-se de uma medida impopular e que, a acontecer em plena campanha eleitoral poderia naturalmente ter custado alguns milhares de votos aos candidatos. Os votos dos foliões, pois claro. 
Confesso que tenho memória de mamute para algumas coisas. Não me consigo abstrair do que sucedeu o ano passado. Avivo a memória para quem está esquecido.Por esta altura, o ano passado, e quando a equipa da "troika" mergulhada nos "dossiers quentes" do meu Portugal, os meus conterrâneos celebravam de forma animada e despreocupada o tão clássico Carnaval. Haja alegria e boa disposição. Sempre foi assim e sempre continuará a ser. Para quê preocupar-me se já está tanta gente preocupada? Isto aplica-se a todo e qualquer domínio que se possa imaginar. 

Empreguei bem o tempo verbal. Celebravam. Não celebrarão mais. Acabou. Infelizmente para eles e felizmente para mim e para pessoas que tal como eu são responsáveis, pagam impostos e não têm para si feriado é sinónimo de não produtividade. E se existe por cá. Mas é importante efectuar uma correcção..Até se pode continuar a celebrar o Carnaval. Mas recorrendo a dias de férias ou com colocando-se a jeito para uma redonda falta ao serviço. Pessoalmente, creio que quem é verdadeiramente folião optará por meter uns dias de férias. Ou não. Parece que os dias de férias também vão diminuir...

A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação da Semana Santa pela Igreja Católica e celebrando os 40 dias que antecedem a Quaresma. Quer uma celebração, quer outra (Páscoa), são celebrações religiosas. Mais uma vez questiono o porquê dos ateus (durante o restante ano) celebrarem mascarados (ainda por cima) esta festividade religiosa que é o Carnaval. A mesma análise aplico aos ateus que celebram o Natal. Mas já falei sobre isso e não me quero repetir.
Diz-me quem eu questiono sobre estas minhas questões existenciais que são costumes enraizados na nossa sociedade. Costumo perguntar se porventura se vingará o costume de passar a abastecer de combustível um dos carros lá de casa. Sem roupa. Será que os outros Clientes acharão piada à ideia e seguirão esta minha excelente e inédita ideia? Veremos. 
Estas teorias "peregrinas" acerca dos costumes deve ser seguido...nunca me convenceram. Nada mesmo. E acabo de dar um exemplo de como os costumes podem ser implementados.

Por outro lado, há a questão do turismo. Há localidades cujas economias "vivem" desta época: Torres Vedras, Sines, Figueira da Foz, Ofir, Loulé, Açores e Madeira. Lembrei-me assim de repente destes exemplos. É claro que estas localidades não vivem exclusivamente desta altura particular do ano. Mas reconheço que é um fenómeno regular (anual) com uma importância significativa nas suas economias ao nível particular / local. 
Discordo da forma de contestação encontrada pelos autarcas e que passa pela realização das festas à revelia e contrariando o deliberado pela Tutela. Ou seja, a concessão de tolerância de ponto. Enquanto os demais portugueses não gozam do feriado e vão trabalhar, por forma a poder contribuir com mais um dia de trabalho para que o País saia do marasmo económico em que se encontram, outros portugueses (os de primeira) vão bailar mascarados. Não faz sentido e revela que estes mesmos autarcas que defendem a não divisão do País em regiões...acabam por agir de forma autónoma e diria mesmo ofensiva para com o Governo da República. Mas quando calha pedir dinheiro...é sempre "ao mesmo". Como aconteceu recentemente com um digníssimo representante do arquipélago das bananas.
Fico feliz pelo facto de alguém com coragem ter abolido o feriado de Carnaval.

domingo, janeiro 29, 2012

O Poder da Informação

Num dos meus textos anteriores falei sobre o poder da informação. Para mim, é pacífica a ideia de que, quem tem informação tem poder. Sim, acredito mesmo que mais poder do que quem tem dinheiro. Ou mesmo muito dinheiro.

Há poucos dias veio à baila a notícia sobre um ex-alto representante da "secreta" portuguesa (e até há bem pouco tempo Administrador de um dos mais grupos económicos que por cá existem), é suspeito de ter utilizado a sua influência para obtenção de informação privilegiada (confidencial) acerca de empresas. Por provar estará essa tese e, acertadamente, este representante optou por se afastar da empresa, possibilitando que as investigações policiais decorram dentro da normalidade e alegando não ser "arma de arremesso" entre os grandes grupos económicos. Julgo que também lhe assiste o direito de ser ouvido e explicar o que significam estas afirmações.

Nos dias que correm, é cada vez mais importante perceber quem tem informação. E que tipo de informação tem. O filme que fui ver ontem ao cinema, "J.Edgar", retrata bem esta questão. E curiosamente, numa altura em que cá por Portugal "deflagra" esta questão do poder que se tem quando se sabem "algumas coisas". Trata-se de um filme que aconselho, na medida em que espelha bem a forma como o FBI conseguiu, aparte do conhecimento de "escapadelas amorosas" e infidelidades de figuras proeminentes da sociedade, travar vários momentos de convulsão sócio-políticos nos Estados Unidos da América. 

Será pois, importante acompanhar o desenrolar dos acontecimentos futuros. Para já, dá para perceber que por cá, neste "pequeno rectângulo", há muita gente com o "rabo preso". E que neste momento já está muito inquieta com esta notícia acerca do facto de terem sido detectados 4.000 contactos pessoais encontrados no telefone deste alto representante. Com muita informação acerca dos mesmos.

Presidenciais Francesas

França tem neste momento em curso a campanha presidencial que tudo indica reconduzirá o Presidente Sarkozy de novo ao poder. E alguns comentários se me oferecem dizer.

Desde há algum tempo que o presidente gaulês é visto junto da "chanceler" alemã. Também eu faria o mesmo. Convenientemente. Afinal, mais vale "cair em graça do que ser engraçado". E cair nas graças daquela que é a responsável pelo país considerado como sendo o "motor" da economia europeia, é obra e também a decisão acertada. Além disso, e na minha opinião, é também sinónimo da "ausência de problemas". Ou seja, constato que em França só agora se fala (timidamente) em medidas da austeridade. E na sequência do "downgrade" atribuído a França por uma conhecida agência de "rating". E que calha muito mal em plena campanha eleitoral.

O "escamotear" da realidade francesa assusta-me um grande bocado. Não detenho um conhecimento profundo acerca da economia internacional e que me permita com propriedade avançar a teoria de que a economia francesa, num contexto europeu, não é mais sólida que a economia italiana, espanhola, irlandesa ou portuguesa. Contudo, tenho para mim que não é o facto do Presidente francês se reunir com frequência com a "chanceler" germânica, que faz com que miraculosamente deixe de haver problemas no seu país. E é aqui que reside a minha grande preocupação. Temo que este "namoro" possa estar a dissimular um grande "icebergue". Não do germânico, mas sim do gaulês. E sinceramente, espero que não suceda o que aconteceu por cá. Em que durante anos foi "mascarada" a realidade e quando foi conhecida....já era tarde.

domingo, janeiro 22, 2012

As reformas do Presidente da República

Há poucos dias atrás, num momento em que foi apanhado de surpresa, o Presidente da República do meu Portugal teceu algumas considerações que me deixaram deveras preocupado. Ainda tentei perceber se os seus conselheiros estavam por perto...mas não. Não estavam. O que é grave. Como se sabe, o Presidente gosta de "ouvir" os seus conselheiros. Uma decisão acertada quando o faz e não tão acertada quando dá entrevistas sem estar devidamente preparado.

O caso não é para menos.  Afinal, fiquei a saber que as reformas que recebe da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e referente ao cargo que foi por si ocupado enquanto investigador da Fundação Calouste Gulbenkian rondam os 1.300 euros (o Presidente fez questão de validar se a jornalista tinha percebido bem a sua dicção não fosse a menina estar com a orelha suja). O que não consegui perceber foi se se trata de um valor total de ambos os locais ou se é 1.300 euros de cada um deles. Fiquei muito mais tranquilizado com o seu ar "enigmático-seráfico" que lhe é tão característico. 

Dei-me ao trabalho de pesquisar neste imenso mundo de informação que é a "internet" e realizei que nem eu próprio conseguiria sobreviver com uma reforma três vezes superior ao salário mínimo nacional português. Compreendo e naturalmente que apoio o Presidente nesta sua profunda consternação.

Mas há mais. Uma desgraça nunca vem só. O Presidente teve responsabilidades no Bando de Portugal (BdP). E certamente por esquecimento, não mencionou o montante auferido enquanto colaborador que atingiu o "nível 18" nesta instituição. Acredito que seja um bom nível. Dei-me ao trabalho de fazer novo trabalho de investigação (já me dói a cabeça com tanto texto lido). Estão em causa valores de pensões que apontam "qualquer coisa" entre os 4.000 e os 6.000 euros / mês (quando a pensão máxima nesta instituição atinge o valor de 8.000 euros). 

Feitas as contas, o Presidente acumula duas pensões (tendo abdicado o ano passado do seu vencimento enquanto digníssimo representante da Nação, e que totalizaria o valor de 6.523 euros). Resta-lhe viver com uns míseros 10.000 euros / mês. Também eu quero ser pobre e juntar-me a tantos portugueses que nem pão têm para comer.

Costa Concordia

O mais recente naufrágio de um cruzeiro junto à ilha toscana de Giglio (Itália) deu-me que pensar em vários situações.

Em primeiro lugar, sempre ouvi dizer que "o Comandante do navio é o último a sair". Neste caso, ainda o cruzeiro não tinha tombado, já o Comandante se tinha posto "ao fresco" mais a sua misteriosa "convidada" (e que não constava da lista de passageiros). Foi já na parte exterior do cruzeiro (e devidamente afastado e protegido do mesmo, não fosse o diabo tecê-las)  que entendeu que devia comandar as operações de busca e salvamento das vítimas agonizantes que estavam no interior do mesmo.

Em segundo lugar, não consegui ainda perceber muito bem o que aconteceu. Parece que este cruzeiro, e por forma a garantir uma maior visibilidade comercial, fazia frequentemente esta manobra. Aproximar-se o mais possível de terra e depois afastar-se. Faz-me lembrar aquele adágio popular do "cântaro" e da "fonte". E aconteceu o pior desta vez. Ao que consta, o Comandante terá recebido ordens por parte da empresa proprietária deste cruzeiro (e que lhe pagava o ordenado) para o fazer. O que piora muito mais as coisas.  Porquê? Porque naturalmente que agora pouco há a fazer. Nesta altura do campeonato, nem que tivesse sido sua Eminência "o Papa" a pedir ao Comandante que passasse ao largo de Giglio, tal serviria de atenuante. Há "algo" que está directamente apontado à cabeça deste operacional - o facto de ter abandonado a embarcação. E "isto" não tem perdão possível.

Em terceiro e último lugar, a questão ambiental. O Costa Concordia tem no seu interior toneladas de combustível que (até ao momento) ainda permanecem confinados nos seus tanques. O momento actual é de elevada preocupação e consternação na medida em que as condições climatéricas locais estão a sofrer alterações (para pior), podendo provocar a movimentação da embarcação, dificultando a busca de eventuais sobreviventes e ainda do início dos trabalhos da trasfega (que se prevê durarem meses, na medida em que o combustível deste tipo de barco é espesso, carece de aquecimento para  promover o estado mais líquido e facilitar todo o processo). O que sugere, como se imagina, muitas precauções.

Esperemos que tudo se resolva por bem. E o mais rapidamente possível.

domingo, janeiro 15, 2012

Adopção

Conheço de perto a realidade da adopção. Acompanhei o processo de adopção de uma criança por parte de um casal amigo e consegui perceber a quão complexo pode ser este processo.

Em primeiro lugar, não adopta quem quer. Adopta quem pode, e após ter terminado um escrutínio rigoroso, como é de resto expectável neste tipo de matéria. Compreendo isso. É importante conhecer e avaliar quem se propõe a adoptar, as suas posses, bem como as garantias de sobrevivência / subsistência que terá a criança adoptada no novo lar que a acolherá. Em segundo lugar, constata-se que há uma preferência dos casais pelas crianças mais novas (bebés) em detrimento da adopção de crianças prestes a entrar na complexa etapa da adolescência. Ou pelas crianças saudáveis em detrimento de crianças com alguma deficiência. Também consigo compreender isso. Em terceiro e último lugar, não entendo é a desistência dos casais que adoptaram as crianças e as entregam de novo às instituições de onde as receberam volvido algum tempo de convivência.

O processo de adopção não dura menos de um ano. Durante esse ano (e querendo), é possível ao casal saber tudo e mais alguma coisa da criança. Tudo é tudo mesmo. Há inclusive um período de "experiência" em que se percebe se há uma adaptação pacífica (ou não) da criança no seu novo lar e com os pais adoptivos. Com tudo isto, não entendo como é que há crianças que são devolvidas às instituições que sempre as acolheram. As crianças não são objectos, não são electrodomésticos com quem se brinque e depois se chegue à conclusão que não apetece brincar mais. São seres humanos, com passados traumáticos (em alguns casos), com um legado de alguns anos a viver numa família de tantas outras crianças adoptadas. Chegando aos 15 anos, se não estão em erro, deixam de estar disponíveis para adopção. Sem nunca terem tido uma presença paterna ou materna. O que quero dizer, em jeito de conclusão, é que as pessoas devem ser adultas nas suas decisões. Ponderar bem as suas decisões. Pesar os prós e os contras. E claro, dialogar acerca do que realmente querem (e se querem efectivamente) adoptar uma criança.

Miami

Acabo de chegar de Miami há coisa de três dias onde me desloquei em trabalho. Não conhecia ainda esta cidade integrante do estado da Flórida. Miami está para a Flórida como Albufeira está para o Algarve. Grosso modo é isto. Antes de partir, já tinha conhecimento de ser uma zona dos Estados Unidos onde há uma predominância da comunidade hispânica. E também percebi rapidamente que o espanhol é a primeira língua nesta cidade e que são poucos os habitantes da mesma que se esforçam por "hablar" o inglês. Ou "inglês-americano".

Confirmei mais uma vez que a gastronomia em Miami é igual aos outros locais dos EUA que conheço. Grelhados com o famoso e habitual molho de tomate adocicado. Os clássicos jarros de cerveja. E as famosas "chicken wings" que não são mais que várias parte do frango panados e embebidas num molho picante cujo aspecto faz o óleo do meu jipe parecer um néctar dos deuses. Tem mau aspecto mas sabe bem. Até determinado ponto, a partir do qual é enjoativo.


Miami South Beach é um ponto obrigatório de visita para quem visita Miami. Trata-se de uma zona de Miami onde existe uma avenida conhecida - Ocean´s Drive. Estão aqui algumas das lojas mais caras, restaurantes cujo preço final de uma refeição ronda os três algarismos significativos. Sempre para mais. Foi aqui que pude apreciar o parque automóvel mais caro e exclusivo. E claro a "art deco" referente a arquitectura local. Basicamente, "art deco" é um estilo de contrução que remonta ao século passado e se baseia na cópia (ou preservação, em alguns casos) do estilo utilizado nos edifícios da década de 1950-1960.

Aparte de alguns edifícios com uma arquitectura mais contemporânea, a maioria dos edifícios em Miami South Beach segue esta traça, o que reflecte a preocupação em ser mantida uma harmonia arquitectónica e agradável. Pessoalmente acho que o resultado é muitíssimo bom na medida em que aprecio este tipo de edifícios e com este tipo de linha. Por outro lado torna esta zona única e selecta, o que transmite um carácter exclusivo.


Uma das atracções desta avenida de Miami South Beach, é sem dúvida a casa do estilista Versace. Quem não se recorda do mesmo ter sido assassinado à porta da sua mansão em 1997? Pois, é esta a mansão dele. Linda. Majestosa. Luxuosa. Com um bom gosto extremamente refinado e se não estou em erro, com um valor próximo de 3 milhões de USD. Cara portanto. Só podias, nesta zona.



Para um amante do mundo automóvel, como se sabe que sou, é natural que os EUA represente o estandarte máximo nesta matéria. Não pelo facto de existir modelos que não exista em Portugal. Mas sim pelo facto de ter visto dois carros a gasóleo em centenas de carros movidos a gasolina e com os quais me cruzei. Daqui retiro várias conclusões. Em primeiro lugar, a América não está muito interessada em cumprir as metas definidas no longínquo ponto de partida ratificado em Quioto. Aliás, abandonou na altura as negociações para tal. Já lá vão uns 20 anos.
 
 Em segundo lugar, não será de estranhar, que o menor valor da cilindrada que por lá tenha visto fosse..3.000 centímetros cúbicos. Em terceiro lugar, o preço dos combustíveis. E ainda que recentemente tenha aumentado o preço do galão. Um galão equivale sensivelmente a 3,8 litros. E assumindo que o preço do galão nos EUA é inferior ao preço do litro do combustível em Portugal, justifica-se a despreocupação do americano com a eterna preocupação do europeu com a poupança de combustível ou com a procura de carros económicos que lhe permitam economizar a "gota". E fica naturalmente patente o descompromisso ou desinteresse americano para com as metas ambientais que a generalidade dos países industrializados se comprometeram a cumprir, e por parte de uma nação que é conhecida como uma das mais contributivas para a poluição global do planeta, por via da massificação do recurso à indústria pesada.

De resto, um final de semana gasto em tentar recuperar as horas de sono perdidas na troca de fusos horários. E a certeza que a América continuará a ser o que sempre foi....única!

domingo, janeiro 08, 2012

Grupo Jerónimo Martins e Holanda

Veio há poucos dias a público a notícia relacionada com a transferência do controlo do Pingo Doce passar para as mãos de uma empresa com sede na Holanda. Basicamente, o grupo Jerónimo Martins comunicou ter vendido 56,1%  a uma sociedade sua subsidiária na Holanda. De imediato surgiram apelos nas redes sociais para o boicote das compras no Pingo Doce e o assunto chegou a ser debatido no Parlamento, no debate quinzenal, às Sextas-Feiras, como habitual, e contando com a presença do Primeiro-Ministro.

Na minha opinião, importa apenas perceber se as obrigações fiscais do Pingo Doce serão honradas. No tal comunicado distribuído pelo grupo eram clarificadas algumas questões. Uma das quais foi a assumpção de que os compromissos fiscais continuarão a ser respeitados por cá e na medida em que a sede social e residência fiscal do grupo permanecem em Portugal. Fico bem mais tranquilo na medida em que me iria parecer um tanto ou quanto rebuscado que uma empresa obtivesse receita num determinado país (Portugal) e posteriormente pagasse impostos relativamente à mesma receita noutro país (Holanda) com um uma taxa de incidência inferior, ou seja, como resultado final seriam obtidas margens de lucro significativamente superiores para a própria empresa. Parece-me simples a razão pela qual se levantou tanta celeuma...

Perdão da Dívida Grega

Muito se tem falado na Grécia. Foi efectivamente o país, a seguir à Irlanda, onde houve uma intervenção do FMI, sendo que continuamente tem falhado no cumprimento dos objectivos assumidos com a "troika". Pelo meio, um Governo que "caiu". Bem sei, e como já aqui referi num texto passado, a saída da Grécia seria má para a zona euro. É importante perceber que "o-senhor-que-se-segue" é Portugal, e se, neste momento os "focos" de Bruxelas estão apontados pela dupla "Merkozy" para as economias mais fracas (nas quais se inclui Portugal), mais ficarão quando e se a Grécia sair da zona euro. É uma realidade incontornável. 

Por outro lado, a condescendência de Bruxelas com a Grécia deixa-me pouco tranquilo. Alude ao perdão da dívida por parte dos credores, por forma a garantir algum "oxigénio" à Grécia. Parece-me que ninguém terá dúvidas do quão injusto é que aos portugueses seja pedida mais paciência e esforço - sem que haja qualquer tipo de condescendência - e ao povo grego, assim de repente e que me recorde, já lá vão 3 "borlas". Espero que este tipo de avaliação, que quero acreditar que é conseguida por pessoas idóneas e responsáveis, também seja aplicável ao caso português. Relembro que para a consecução dos objectivos assumidos com o FMI, e objectivamente falando do défice, Portugal recorreu ao fundo das pensões. Tratou-se de uma medida algo controversa, na medida em que se trata do dinheiro devido aos contribuintes portugueses que descontaram uma vida inteira, mas foi a solução encontrada para cumprir o acordado. E foi honrado o compromisso. Será que todos os demais países em dificuldades têm esta visão da realidade e do esforço de contenção / sacrifício? O tempo o dirá.

EDP e Investimento Chinês
Com a recente aquisição de 21,5% do capital da EDP por parte de um novo accionista chinês, algumas coisas poderão mudar nesta tão simpática empresa. Começando no limite ao direito de voto, na medida em que "na calha" dos chineses está também a aquisição de mais 4% de capital da EDP detido pelo Estado Português. Não me choca absolutamente nada este tipo de investimento. Muito pelo contrário.

Contudo, importa referir que este negócio me fez pensar nas diferenças de políticas seguidas por este Governo e o demissionário. Há uns anos atrás, quando a uma conhecida empresa portuguesa tentou comprar a PT, a venda foi tornada inviável. Alegou-se a "golden share" e blindagem de direitos, por outras palavras, havia interesse estatal na contínua supervisão desta empresa. E subsequente distribuição dos lucros. Hoje em dia as coisas mudaram. No caso da EDP, por exemplo, fazia parte da lista de empresas a serem privatizadas. E foi vendida uma significativa parte do seu capital, o que permite aos chineses terem 4 representantes seus no conselho de supervisão da empresa. Esperemos para ver como será esta coexistência.

Implantes Mamários (França)

Segundo veiculado nas notícias, parece que o silicone utilizado nos implantes mamários de algumas mulheres tem aplicação usual em indústrias como a do fabrico de pneus, na indústria petrolífera, como anti-mousse, ou ainda no tratamento de águas residuais. A falha de supervisão deste tipo de intervenção cirúrgica / plástica, bem como o recurso a silicone não adequado, já fez com que fossem contabilizadas uma série de reclamações por parte das visadas e que também têm associado um perigo elevado para a saúde das mesmas. Mas há mais. Trata-se de um problema que afectará mulheres "além-fronteiras" do país gaulês, na medida em que há cerca de 10.000 mulheres do país "aqui ao lado" que também optaram pelos implantes mamários desta marca. O responsável clínico da clínica onde eram feitos os implantes mamários encontra-se naturalmente em parte incerta.

Até daqui a uma semana.

sábado, dezembro 31, 2011

Balanço de 2011

Eis que somos chegados ao último dia do ano de 2011. Para muitos terá sido um excelente ano, marcado pelo cumprimento de vários objectivos pessoais e profissionais, propostos no início do ano e para outros nem por isso. Mais do pensar em festividades, nesta altura do ano, importa efectuar o balanço do que foi bom e do que poderia ter sido melhor. De forma honesta e sobretudo interiorizando os resultados para que este novo ano comece da melhor forma.

O ano que termina foi para mim marcado por uma série de "provas". Ao nível pessoal e ao nível profissional. Foram várias as "opções de caminho" a seguir. Alguns terão sido bem escolhidos, outros nem por isso. O tempo o dirá. Foi um ano marcado por mudanças na minha personalidade e no meu feitio. Por vezes percebidas com quem lido, e outras sem que certas pessoas tivessem tempo de perceber. Ou porque não quiseram ou porque eu não quis que percebessem. Muito fica por mudar em mim, e como em tudo, irá sendo mudado, a pouco e pouco, e num processo que antevejo moroso, mas que espero sinceramente que tenha bons resultados.

Também no campo profissional é também altura de ser feito um balanço. Há coisas boas e há coisas más. Entendo que as coisas más constituem oportunidades de melhoria. Um dos vários defeitos que tenho, e que terá de ser trabalhado este ano, está relacionado com a expectativa que tenho relativamente a cada pessoa que comigo trabalha. As pessoas têm ritmos de vida (e de trabalho) diferentes umas das outras, formas de estar na vida diferentes e isso condiciona naturalmente a sua forma de estar ao nível profissional. A solução passa por deixar de criar altas expectativas como tenho feito até agora. Na maioria das vezes que o faço sou mal sucedido. Não estou com isto a dizer que sou melhor que alguém. Estou apenas e só a partilhar que não mais o farei . O "feedback" / resultado final não podia ser pior e não o fazendo, talvez signifique que possa conviver de forma mais pacífica e tranquila comigo mesmo.

No ano que entra, este blogue passará a ter outro figurino. Os dois últimos anos tiveram temas desenvolvidos diariamente...o que não é fácil. Quase 800 temas desenvolvidos e com a partilha do "próximo tema" a ser desenvolvido. É um exercício complexo, intrincado, mas nem por isso menos interessante. Mas como em tudo, o modelo que passará agora a ser experimentado será ligeiramente diferente.

Não é um modelo inédito. Basicamente, e analogamente ao que fazem alguns comentadores residentes em alguns canais televisivos, passarei a escrever semanalmente (em princípio ao Domingo). Durante a semana farei para mim mesmo uma escolha de temas que entenda ser interessantes e desenvolverei os mesmos no final de semana. Deixar de haver a "sugestão" do tema a ser desenvolvido no dia seguinte. Ou seja, deixa de haver dia seguinte.

Da minha parte, e para terminar, espero que o ano de 2012 não seja tão mau como o que "pintam" e que para todos nós, seja melhor que o ano que finda. Que todos os projectos pessoais e profissionais se realizem e que haja saúde. E dinheiro. Acima de tudo estes dois aspectos.

Até lá...uma boa semana!

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Falar em Público

Sou uma pessoa que sempre gostou de falar em público. Gosto de me ouvir. Gosto de ter audiência fixa em mim. De comunicar e de me expressar oralmente. A par e passo com a escrita acho que é algo em  que me saio relativamente bem.

Ao longo dos anos tenho tido oportunidade de assistir a várias apresentações em público. Conferências, trabalhos de grupo (na altura da pós-graduação e faculdade) e acções de formação várias. E do que tenho visto, é com muito pesar que digo que, em algumas situações preferia enfiar finas farpas de madeira nas unhas do que estar ali, naquela sala, a perder o meu tempo a assistir a tristes apresentações.

Uma das piores coisas que alguém que fala em público pode fazer, é dar a entender que não estudou a matéria. Não saber do que se vai falar. É o falar de futebol sem saber o que é uma baliza. Não faz sentido. Em menos de nada ganha-se um rótulo de alguém que não percebe nada do que está ali a falar e, daí ao desinteresse colectivo é um fósforo. Normalmente, quando o interlocutor usa e abusa de um registo monocórdico ou torna um tema já de si enfadonho ainda mais desinteressante, entretenho-me a inventar um qualquer jogo de quebra-cabeças ou a pintar as barrigas das letras "a", "e", "p", etc..

Do acima, percebe-se facilmente que não espero mais do que alguém estar devidamente preparado para falar em público. Ter estudado a lição e estar preparado para responder às questões que naturalmente surgirão no decurso da apresentação. Um dos aspectos que normalmente passa despercebido, à maioria das pessoas, é que quando alguém está a falar em público é sem dúvida, o centro das atenções. Quanto mais dirigido e profissional for o discurso, devidamente enquadrado e estudado, melhor. Maior será a credibilidade que qualquer presente na sala atribuirá ao emissor da mensagem. O contrário verificar-se-á se se perceberem partas gagas, um discurso incoerente e a leitura errónea ou dúbia do que se projecta (e.g.: slides do powerpoint).  Das melhores apresentações que já vi, até hoje, nem sequer havia projector. Apenas o "flipchart" em conjugação com o quadro branco. Defendo a utilização de um dos dois. São os que mais uso. Em auditórios, sem dúvida que recorro ao projector, mas apenas e só com tópicos elencados nos slides. Outra coisa que detesto, é falar sentado. Privilegio o andar pela sala. Mostrar dinamismo. E sempre com a ajuda do ponteiro laser.

Para terminar, não podia deixar de referir um marco importante, em que pude aprender algumas técnicas de exposição em público. Curso de formação de formadores. A forma de como deve ser feita a abordagem do público. Saber ler o público em sala. O praticar da "escuta activa". O reforçar positivamente as ideias e sugestões. O estímulo das questões...são tudo técnicas que se discutem e aprendem neste tipo de formação ad hoc. E que acho que toda a gente devia pensar em fazer. Para evitar fazer figuras tristes.

Próximo Tema:  Balanço de 2011

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Libertação

Entendo por libertação o afastar ou deixar / abandonar de vez as "amarras" ou "âncoras" no passado. Recordações, pessoas, cheiros, músicas, lugares, configuram tudo situações / eventos que trazem memórias e que podem ser boas ou más.

Um dos grandes problemas que tem lugar quando alguém enceta um novo relacionamento afectivo prende-se com o facto da outra parte poder não ter feito convenientemente "o luto" da relação anterior. Bem sei que já aqui falei num tema muito próximo deste (e de resto associado). Libertar-se das amarras do socialmente aceite e convencionado é, na minha humilde opinião, meio caminho andado para a libertação do espírito e consequentemente para a felicidade. É uma condição que tem de ser necessariamente satisfeita para que as coisas evoluam no bom sentido.

Não quero com isto dizer que se deve pautar a vida pela "marginalidade" ou afastar-se dos padrões sociais. O ideia que quero reforçar prende-se com a necessidade da libertação do espírito das amarras / âncoras do passado para que se possa evoluir. Enquanto pessoa, enquanto ser humano. E para que as futuras relações afectivas que se venham a ter (se for esse o caso) decorram com o máximo de normalidade e tranquilidade.

Próximo Tema: Falar em Público

Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...