quarta-feira, novembro 23, 2011

Greve Geral

Na altura em que escrevi os textos sobre greves e as convulsões sociais (Fevereiro e Dezembro de 2010, respectivamente), estava longe de imaginar o que o futuro reservava ao meu País. Muito longe.

O direito à greve é algo que está consagrado no artigo 57º da Constituição da República Portuguesa. Trata-se de uma garantia e compete ao trabalhador definir o que quer defender com a greve. Quer isto dizer que todo e qualquer trabalhador pode (e deve) exercer o seu direito à greve, assim tenha perfeitamente definido o que está em causa. O que se reivindica.

Por outro lado, e na mesma Constituição da República Portuguesa, logo a seguir, no artigo 58º está reflectido o "direito ao trabalho". Indo mais longe, no artigo 59º (Direitos dos Trabalhadores), pode ler-se no ponto 2, alínea a):

2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente: 

a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida , o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;(...)

in Constituição da República Portuguesa, VII Revisão Constituicional (2005)

Parece-me claro  que o que está a ser feito, pelo actual Governo não é mais do que o que está destacado a amarelo e neste excerto da Constituição, sendo que esta mesma Constituição decorre da tal revolução do 25 de Abril de 1974. Ou seja, espelha as pretensões do Povo.
Actualmente, o que está a ser feito, não é mais que honrar os compromissos assumidos com a Comunidade Europeia (CE) e objectivamente com o FMI. Estes compromissos foram curiosamente ratificado pelo Governo anterior. E que actualmente está na Oposição. Nota: Já não falo na forma negligente e impune com que se desresponsabilizou de qualquer imputação de culpa pelo estado a que conduziu Portugal. Como seria de esperar.
Para serem atingidos os objectivos propostos e elencados no tal memorando são necessários esforços. Sim, mais esforços ainda. A situação do País não é tão boa quanto aquela que o Governo anterior avançou, e com (entre outros), "buracos da Madeira", alguém tem de pagar a factura. Para que seja paga a factura, é necessário que tenham lugar sacrifícios. E sejam tomadas medidas impopulares, como sejam a retenção de 50% do subsídio de Natal, o aumento dos impostos, a taxação das SCUT, as privatizações, etc. Recordo mais uma vez que quem avançou com as medidas que seriam implementadas (e estão-no a ser) não foi o actual Governo. Foi o anterior. Com a aprovação do actual e do partido com quem governa em coligação. Donde, quero acreditar que de forma lúcida e responsável idealizaram a melhor forma de o fazer.

A actual greve geral é, no meu entender, infrutífera. Não só os grevistas vão logicamente perder um dia de trabalho, como em altura de Portugal mostrar que consegue honrar os compromissos assumidos e que tem em curso uma política de implementação de medidas que visem o enriquecimento da Nação, não o conseguirá. Por um lado, o Governo quer trabalhar, quer governar. Quer mostrar resultados que permitam à CE ganhar confiança no caminho delineado e continuar a abrir os cordões à bolsa e conceder as tão necessárias tranches de dinheiro. Foi exactamente o que não aconteceu com a Grécia e é cada mais mais certo a saída deste país do grupo europeu.

Em tempo de guerra não se limpam armas, já reza o adágio popular. Este não é o momento de se perder tempo com paralisações que não conseguem mais que uma tomada de posição (com toda a legitimidade) mas que consegue empobrecer ainda mais o País. Onde são passados para a CE sinais de instabilidade social, convulsões e uma imagem de não coesão. A situação é grave e exige que durante alguns anos tenham de ser feitos sacrifícios. Contrariamente aos tempos das "vacas gordas" em que Portugal viveu durante cerca de duas décadas, com alternância de poder político entre os dois maiores partidos. 

Seria interessante quantificar o prejuízo infligido a Portugal nesta greve geral. E as consequências que tal poderá ter em termos de cumprimento dos objectivos propostos. De uma coisa se pode estar certo...é um ponto negativo. Não é assim que Portugal sairá da recessão técnica em que se encontra actualmente.

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terça-feira, novembro 22, 2011

Bilhetes do Estacionamento

Tanta coisa que é inventada todos os dias e nunca pensaram em encontrar um substituto para o irritante bilhete do estacionamento. É das piores coisas que há. 

Em primeiro lugar, nem sempre as máquinas dos estacionamentos estão 100% funcionais. Significa isto não raro, há alguém que fica a estupidificar atrás da cancela, pacientemente (ou não), à espera que o sistema decida deixar entrar, abandonando a mensagem de "parque cheio". Ao mesmo tempo que se vêem carros a sair ou lugares vazios, mesmo à frente da cancela. Já me aconteceu.

Em segundo lugar, a probabilidade de alguém como eu esquecer-se do local onde colocou o bilhete do estacionamento tão grande como já me terem tirado parte do subsídio de Natal. Na medida em que na maior parte dos parques o pagamento do estacionamento é efectuado na caixa automática, é natural que não se deixe o bilhete do estacionamento no interior do carro. A menos que se queira fazer uma promessa a algum Santo e se opte por fazer 3 vezes a mesma viagem. E consequentemente perde-se muito facilmente o rasto ao bilhete. Triste sina teve um conhecido meu. Colocou o bilhete de estacionamento no ventilador do ar do seu carro, no tablier, para não se esquecer de onde o tinha deixado. Acontece que o bilhete entrou para dentro da conduta de ar. Resultado: o bilhete ali mesmo, à vista de qualquer pessoa, mas de forma inalcançável. O tablier do carro teve de ser desmontado. E no final teve de pagar "um pouco" mais de parque de estacionamento.

Em terceiro e último lugar, é sabido que hoje em dia há sistemas deu agilizam o pagamento do parque - Via Verde. Contudo, não há corredores dedicados para a saída do parque de quem pagou o estacionamento com o identificador que normalmente usa nas portagens. Significa isto que vale o que vale pagar desta forma. É certo que se evitam alguns minutos nas filas da caixas automáticas, mas também é certo que vão ser compensados na fila para a saída do parque do estacionamento. Além disso, obriga a que exista um identificador deste tipo. 

Devia haver a possibilidade de se ter um identificador que fosse válido em vários parques de estacionamento. Sem vínculo contratual a uma concessionária cujo "negócio" nem sequer são parques de estacionamento. Mas que naturalmente aufere o que aí se paga. Porque disponibiliza o seu know-how..

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segunda-feira, novembro 21, 2011

Os 30 anos dos GNR

No passado Sábado fui ver os GNR ao Coliseu dos Recreios. Quem não conhece os GNR certamente que viveu num buraco algures e deixou passar os acontecimentos dos últimos 40 anos a esta parte. É uma das mais antigas bandas de rock nacional.

Vamos ao que interessa. A última vez que vi (ou tentei ver - porque era baixo) os GNR ao vivo foi mesmo na Alameda, ali colada à tão bonita e de todos conhecida Fonte Luminosa. Estamos a falar de um evento que terá tido lugar há sensivelmente 20 anos. É giro pensar nas coisas nestes termos. Se não foi o primeiro foi certamente um dos primeiros concertos que terei assistido ao vivo.

Para quem já assistiu a concertos ao vivo sabe do que falo. É outro sabor. E confirmou-se isso (aparte do facto de ser o primeiro concerto que assistia ao vivo). Já se imagina que devo ter passado o concerto todo a tremer de excitação e contentamento de viver aquele momento. Foi quando conheci (ou melhor, ouvi) o Rui Reininho pela primeira vez e os demais colegas que fazem parte desta banda de rock portuguesas. Antiga e ainda activa.

Do acima, decorre que foi com bastante expectativa que fui a este concerto. Afinal ia rever amigos de há 20 anos. Quando se gosta de um grupo, sem entrar no domínio complexo do fanatismo, é usual que se trauteiem em modo contínuo umas 5 ou 6 músicas. Faço-o constantemente mas só mesmo a parte da melodia, porque não gasto a minha massa cinzenta a decorar letras. Aliás, na maioria das vezes as letras não fazem qualquer sentido. Convido-o(a) a pensar numa música da sua banda preferida, escreva a letra num papel e depois leia pausadamente. Verá que faz tanto sentido como colocar um rato no aquário de uma "cobra-rateira" e esperar que se reproduzam.

Gostei médio do concerto. De 0 a 20, um esforçado 14. Ficar na plateia deste tipo de concerto é um pouco como ir ao casino num dia em que alguém se sente afortunado. A sorte pode estar do nosso lado ou pode não estar. Como seria de esperar, nunca está do meu lado. E tive de levar com uma bandeira alusiva aos GNR em vários momentos do concerto. Resultado: nesses mesmos momentos, e do local onde estava, só vi mesmo a bandeira. Nada mais.

Num concerto de comemoração de uma efeméride importante, como são os 30 de uma banda de música, não diria que o momento sugere solenidade, mas dá certamente azo a que os cordões à bolsa sejam abertos. Ou muito abertos. Tivesse o "Band Manager" contactado aqui o escriba e certamente que teria feito um trabalho melhor. Em termos de cenário e de envolvente. Achei pobre a projecção de excertos de concertos d abanda ao longo da sua carreira. O "light jockey", por sua vez, pareceu-me um pouco fora de contexto. Ou baralhou-se e pensou que estaria a trabalhar a luz numa rave em Ibiza, de tal forma estavam acelerados os focos de luz. Houve uma altura em que senti o que porventura sentirão aqueles corajosos que fumam os "cigarrinhos para rir"....e ficam a falar como se tivessem engolido Hélio...Não por ter ficado com a voz fina, mas porque me senti a voar, em dado momento. Julgo que não foi só o jogo de luzes..mas também erva que cheirei. Sim...algum malandro levou erva e fumou DENTRO do Coliseu.

Para terminar, e dado que não sou crítico de música - apenas e só alguém que gosta dos "antigos" GNR. Achei de mau tom que a música "Popless",  que é uma daquelas músicas dos GNR que considero ser uma das mais emblemáticas, tenha sido integralmente interpretada por alguém que me era completamente desconhecido. Não só não reflectiu a força que a música tem, como a voz que sempre associei à mesma esteve.....atrás do palco. Não sei a fazer o quê. A música foi um "flop" e nem no final o Rui "foi buscar a música". Foi mau. Muito mau e foi infeliz. Podia ter sido escolhida uma música do novíssimo album...e o estrago não era tão grande!

Não deixou saudades. Ver se melhoram até ao 60º aniversário!
 
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sábado, novembro 19, 2011

Picos de Corrente

Os picos de corrente são daquelas coisas (entre tantas outras) que têm o dom de me fazer perder a pouca paciência que tenho. Assim mesmo. Sem dificuldade alguma.

Naturalmente que não vou entrar no detalhe técnico no porquê de acontecerem os picos de corrente, até porque não conseguiria dar uma justificação consolidada e bem credível. O meu conhecimento de leigo relembra-me que um pico de corrente é a intensidade máxima que um determinado aparelho eléctrico tem e prejuízo pode provocar numa corrente eléctrica lá de casa quando é ligado. Grosso modo é isso. E o resultado é o conhecido. Quando por exemplo se decide ligar um aquecedor que eu cá sei e que existe lá em casa, é certo e sabido que passado um par de minutos, se alguém quiser encontrar-me é percorrer uma qualquer parede lá de casa, onde deverei estar a colado, a tactear para rapidamente chegar ao quadro eléctrico e o voltar a ligar.

Além do doloroso inconveniente que é a probabilidade de dar um pontapé em cheio numa base de um dos móveis lá de casa, subsiste outra questão. Embora tenha os despertadores dos telefones programados para o meu despertar de madrugada, tenho também vários despertadores-rádio lá de casa. Daqueles que têm números bem luminosos e que no meu caso iluminam bem o meu quarto ficando o mesmo quase com a luz solar. Quando há um pico de corrente e o quadro "vem abaixo" os despertadores ficam desregulados. São pelo menos uns 5 despertadores que tenho de acertar. Desconfio que alguns são mais velhos que eu atendendo à complexa conjugação de teclas que tenho de pressionar em simultâneo...E irrita-me este tipo de obrigação. Dá-me vontade de atirar estes despertadores para uma fossa oceânica e nunca mais ouvir falar deles. Ou não ter de os acertar!

Malditos picos de corrente..

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Trocos

Tenho ódio muito grande e de estimação por trocos. Moedas. Detesto-as. Não se sabe por onde andaram ou nas mãos de quem andaram. Um nojo sem igual. Fazem soar os alarmes no raio-X dos aeroportos, obrigando a tirar tudo dos bolsos.

As moedas (nunca ouvi falar de trocos em notas), dão sempre jeito. Gosto quando me questionam, na altura do pagamento de algo, se tenho trocado. Um dia destes respondo que tenho, mas que não me apetece facilitar a vida a ninguém e para se despachar com o troco porque a minha vida não é estar à espera destas coisas. Havia de ser uma coisa esperta...

Tenho vários rituais que cumpro quando chego a casa. Um deles, entre vários, é o de despejar as moedas que me pesam nos bolsos num copo que aqui tenho para este efeito. Com uma regularidade assustadora que me faz ter de o despejar e contar. O copo enche depressa demais e não é um copo pequeno. O que quer dizer que as pessoas têm prazer em dar-me moedas. E que não raro fazem as calças parecer ser de cintura descaída de tão pesados andam os bolsos.

Posto isto, com uma periodicidade mensal (ou talvez um pouco mais), urge fazer a contabilidade do amealhado. Depois de finalizada, é necessário fazer uns rolos de papel identificados com a quantia que têm no seu interior. Coloca-se tudo num saco plástico e leva-se à Dona Teresa do quiosque, para me trocar aqueles 2 quilograma de moedas em....1,5 grama de notas. Magia..

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quinta-feira, novembro 17, 2011

Canivete Suíço

Qualquer elemento do sexo masculino que se preze tem um canivete suíço. Não se trata de algo opcional. É obrigatório ter um. Mesmo que não se ande com ele de um lado para o outro com um canivete deste tipo, como o saudoso e MacGyver...importa ter um. E acredito piamente que qualquer mulher gosta de saber que o seu macho tem este tipo de ferramenta e lhe sabe dar uso com mestria. Ao canivete, não falei "noutras" ferramentas...

O primeiro e genuíno canivete suíço remonta ao ano de 1891. O exército suíço pretendia, para uso exclusivo dos seus soldados, um canivete que fosse versátil, leve e fácil de transportar, mas que simultaneamente fosse bastante resistente. Desta importante e legítima pretensão até à execução do primeiro canivete suíço genuíno primeiro medearam 10 anos, altura em que foi produzido o primeiro protótipo.

Tenho alguns canivetes suíços, como não podia deixar de ser. Desde o modelo mais simples até ao modelo em que "apenas-falta-tirar-cafés". Em qualquer dos casos, sinto-me invariavelmente mais completo. Mais seguro. Sei  perfeitamente e confio cegamente que posso sair ileso de qualquer situação. Por mais complexa que seja. Posso construir bombas e posso quem sabe, construir alguma coisa que me apeteça, tipo uma nave espacial. Não foi à toa que vi várias vezes a série de programas do MacGyver. E tanto que aprendi. De química, da minha tão querida física e da tão necessária biologia. 

Gosto muito deste tipo de artefacto. Ainda que já tenha perdido algum sangue em consequência de me ter cortado em lâminas. Ou de já ter perdido peças de alguns dos caniveste...pinças, por exemplo. Quem diria que as têm...mas é um facto!

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quarta-feira, novembro 16, 2011

Óculos Escuros

Comprei (mais) um par de óculos escuros. Há uns dias atrás. Na medida em que tenho tido algum azar com os pares que tenho tido (e.g.: lentes partidas, hastes que se desconjuntam), tive de comprar mais um par, depois de quase ter ficado cego com a luz solar numa das últimas manhãs em que fui trabalhar.

À semelhança de tantos outros objectos, um par de óculos escuros diz muito da pessoa. Naturalmente que não posso levar a sério uma pessoa que usa um par de óculos de massa branca ou encarnada com dimensões que superam a dimensão da cara. Da mesma forma que não me parece sensato manter uma conversação com alguém que usa uns óculos escuros cuja armação tem o formato de coração ou de gota de água. Há limites para tudo. E nesta matéria são muito facilmente ultrapassados assim se opte pelo esotérico.

Bem sei que cada um tem os seus gostos. Confesso que ainda não consigo pensar em manter uma conversa séria com alguém que fala comigo olhando para mim através de um par de óculos como os que descrevo acima. É mais forte que eu.

Um par de óculos escuros, na minha opinião, deve ser discreto. O máximo possível. Acima de tudo deve dar-se preferência a óculos que proporcionem uma boa protecção dos olhos. No caso das pessoas com olhos claros (tipicamente mais fotossensíveis), a escolha de um bom par de óculos revela-se de extrema importância. No meu caso (e julgo que no caso das demais pessoas com olhos escuros), a escolha de um bom par de óculos tem por objectivo dar resposta  à incontornável dificuldade que há em conduzir de manhã com muita claridade. Ou de sair de casa com essa típica claridade matinal (para quem não conduz, por ex).

Em qualquer dos casos...que impere o bom senso na escolha dos óculos escuros!

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terça-feira, novembro 15, 2011

Desculpas

As desculpas são um mal necessário. Já aqui disse isto. Desde a inconveniente (e oportuna) dor de cabeça ou dor de barriga - que surge mesmo naquele momento e que inviabiliza uma saída com o(a) chato(a) que não pára de nos massacrar - passando pela inevitável e incontornável ajuda que tem de ser dada a alguém que precisa mesmo da nossa ajuda ou apoio ou mesmo a clássica desculpa do "desculpa-me, mas deixei um bolo no forno e tenho de ir a correr para casa".

A desculpa é tão mais credível quanto mais premente for a necessidade de usar a mesma. Ou deveria sê-lo. Quero com isto dizer que há as desculpas socialmente aceitáveis e outras que não o são. Há desculpas inabaláveis e sólidas e há as desculpas frágeis e pouco sustentadas. Já aqui tive oportunidade de desenvolver este tema anteriormente, mas a pertinência do mesmo, bem como as mais variadas desculpas que todos os dias se ouvem, torna necessário o seu repescamento.

Por outro lado, irrita-me sobejamente que as pessoas me tentem enrolar. E eu a ver esse filme. Detesto esse tipo de jogo psicológico em que me "tentam" passar um atestado de débil mental, avançando desculpas mais frágeis que castelos de cartas. E regra geral, também sinto que as pessoas  subestimam a minha inteligência. Porque assim quero. Mas "quando estão a ir...eu já "estou a voltar". Sempre foi assim e nunca falhou. Donde, as desculpas que normalmente me dão têm muita pouca credibilidade. 

Salvo raras excepções, claro.

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segunda-feira, novembro 14, 2011

Teoria do Iceberg

A questão da teoria do iceberg é muito conhecida nas análises financeiras. É também muito aplicável noutro tipo de análises, mas será neste tipo específico de abordagem que é mais utilizada. Imagine-se um iceberg. Há a parte visível (emersa) e parte invisível (submersa). O que sucede é que um iceberg tem por vezes associado um enorme desenvolvimento em profundidade. O que, para um analista, é a parte que interessa explorar, na medida em que é "esta zona" onde estão alocadas as verdadeiras e reais necessidades e pretensões contratuais.

Nos dias que correm, a generalidade das pessoas, analogamente aos maus analistas, tende a  preocupar-se apenas com a parte visível do iceberg. Não digo que seja uma má abordagem. É sim a mais fácil e tem associada uma elevada probabilidade de erro na medida em que peca pela tal superficialidade.

Importa pois, tentar perceber a dimensão real da parte não visível do iceberg. Não tirar ilacções precipitadas e em consequência da análise fácil e imediata do que é visível.

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domingo, novembro 13, 2011

Peditórios

Há peditórios por tudo e por nada. Esta é uma realidade que me faz repensar continuamente o conceito de peditório, que terá conduzido a que, há algumas largas centenas de anos alguém tivesse a ideia de organizar peditórios.

Desde as 100 associações de bombeiros portuguesas, passando pelas 500 organizações humanitárias (intituladas não governamentais e sem fins lucrativos) há uma miríade de exemplos que aqui podiam  ser referidos. O "denominador comum" acaba por ser um só: o tornar possível serem obtidas contribuições monetárias ou em géneros (bancos alimentares) por partes de "ilustres" desconhecidos que estão num sítio certo e numa determinada hora.

Tal como referi num texto anterior, não dou esmolas. Nem tampouco contribuo para peditórios. E explico o porquê. Nunca me é dado a conhecer o resultado final. Não se trata de desconfiar do trabalho dos outros. Nada disso. Mas sim de esperar uma justificação final , do tipo: "Com os 3 milhões de euros que a associação X conseguiu juntar no peditório que decorreu entre os dias Y e Z foi possível  construir uma série de apartamentos em banda. Ou que destino final terão as 15 tonelada de alimentos que se conseguiu juntar "à boca" das caixas dos hipermercados durante o mês de Abril. Conhecem? Eu também não. 

Todos os anos me entregam os sacos à porta do hipermercado para doar o que quiser e na medida das minhas possibilidades. Invariavelmente declino o saco plástico. Exactamente pela razão que aponto acima. Não sei para quem / onde vão os víveres reunidos. Nunca soube quem foi alimentado. O mesmo se aplica aos peditórios de todas as associações de bombeiros que me interpelam nos semáforos de Lisboa. Curiosamente não vejo camiões dos bombeiros novos. Andam invariavelmente com fardas que me fazem lembrar a guerra dos 100 dias de tão desbotadas estão e laboram em edifícios decrépitos e em más condições de conservação...Enfim. Julgo que o caminho é haver mais informação, mais comunicação, para que as pessoas como eu, que gostam de ver onde o dinheiro é aplicado sejam informadas. É justo.

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sábado, novembro 12, 2011

Quem ri por último...

...ri melhor. Já reza o adágio popular. Tenho constatado isso mesmo em alguns momentos específicos da minha vida. 

Regra geral, quem envereda por caminhos "tortuosos e obscuros" acaba por se dar mal. Mais cedo ou mais tarde tal é percebido. Daí, e na minha opinião, ser perigoso, em algumas situações, rir-se em primeira mão, ou de forma inopinada. Por outras palavras, gozar o prato antes do tempo.

Dou comigo recorrentemente a pensar neste assunto. Ao longo dos tempos, tenho vindo a lidar com pessoas que parecem ser uma coisa, quando na realidade são outra. E tenho vindo a afinar esta minha percepção ao longo dos tempos - a necessidade aguça o engenho...

O caso flagrante será o daquelas pessoas que a dada altura mostram ser amigas, disponíveis e depois não são nada disso. À primeira situação mostram efectivamente ser quem são. Não condeno nem recrimino. As pessoas são o resultado da sociedade. A sociedade de hoje em dia peca pela falta de valores morais e éticos. E pior,  tenho para mim que não vai mudar. A posição mais confortável é alcançada deixando tudo correr ao "ao sabor do vento" e permitir que o destino resolva as coisas.O que é uma abordagem errada. Deixar as coisas andar, na minha visão, é viver acomodado. E como já aqui disse anteriormente, sou radicalmente contra o acomodar-se às situações.

Tenho vivenciado alguns dissabores nos últimos tempos. Alguns vindos de pessoas bem próximas. A vida tem-me vindo a mostrar que volvido algum tempo há males que vêm por bem, e tenho também conhecimento que cada um(a) tem (ou terá) aquilo que merece. 

A minha consciência, como até aqui, está tranquila. Já a dos outros(as)...não sei. Cada um(a) sabe de si. E quem ri por último ri melhor!

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sexta-feira, novembro 11, 2011

Boicotes

De quando em quando recebo e-mails do tipo "corrente" no sentido de boicotar alguma coisa. O mais recente tem que ver com a não utilização da energia eléctrica.

Dois tipos de pensamento me ocorrem de imediato: em primeiríssimo lugar fico muito sensibilizado pelo facto de algum dos meus amigos(as) mais uma vez se ter lembrado de me enviar um destes e-mails interessantíssimo e com um objectivo final claramente definido (que normalmente só consigo ver uns dias mais tarde por entrar directo para a paste de spam). Em segundo lugar, dou comigo a pensar neste boicote. 

Boicotar a utilização da electricidade durante "x" minutos. Se o fizesse, dificilmente conseguiria escrever estas linhas. O banho com água quente seria impossível (painéis solares). Se porventura fosse necessário tirar o carro da garagem teria de o fazer manualmente (portão eléctrico) e teria de arranjar meios alternativos para me transportar ao destino..e por aí adiante, são vários os exemplos da utilização da corrente eléctrica. Já não falo de todos os equipamentos eléctricos que há nas unidades hospitalares e cujas vidas de algumas pessoas dependem. Teriam a sua piada boicotar a utilização da electricidade nestas unidades e já agora desligar também os compressores (fonte de energia alternativa quando há falha de corrente eléctrica).

Acredito que este tipo de boicote tenha sempre em linha de conta a conveniência do horário. Não me parece que as pessoas que têm este tipo de ideia se lembrem de o fazer quando chegam a sua casa para jantar depois de um dia cansativo. Ou se moraram num 18º andar e tiverem de deixar o seu carro no exterior do prédio e a ajudar à festa apanharem uma chuvada daquelas à moda antiga - afinal o portão da garagem também é eléctrico - e tiverem de subir a pé mais de uma centena de degraus (os elevadores também são eléctricos)... ou quando quiserem tomar um banho quente depois da chuvada!!

É tudo muito bonito, mas é importante que a ser feito, seja coerente. Só assim é válido um boicote. Nunca terá o mesmo "alcance" se fôr feito em consonância com os hábitos de cada um.

Peço encarecidamente para não me enviarem este tipo de e-mail! O único e-mail deste tipo que quero que me enviem é o boicote à corrupção política e desgoverno. Aí sim, serei o primeiro a aderir.

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quinta-feira, novembro 10, 2011

Excentricidades

Dentro das minhas possibilidades económicas tenho de convir que sou um excêntrico no presente momento de acentuada crise. Excentricidade será algo que me apetece comprar, não sendo algo que necessite imperiosamente. Não bastando o facto de ser algo tido como dispensável tem ainda associado o facto de ser algo caro.

Bem sei que não há justificação para este tipo de gasto, e especialmente nesta altura conturbada. Mas ainda assim, tento ser coerente e encontrar justificações sólidas que me permitam ver a aquisição como lógica. Encontro sempre alguma teoria que consigo vender a mim mesmo. Sendo de imediato aceite por mim. Curioso, não?

De "mãos dadas" com a excentricidade anda a impulsividade. Havendo disponibilidade (monetária) conduz à compra de algo, sem que seja perdido muito tempo a procurar alternativas mais baratas. É o tipo de pensamento perigoso para quem é "excêntrico" e tem uma série de encargos financeiros que tem de custear. Que não é o meu caso.

Enquanto puder, não deixarei de ser excêntrico. Assim fique mais feliz!

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quarta-feira, novembro 09, 2011

Nomes próprios

Quem já teve a felicidade e sorte em conhecer-me ou privar comigo sabe o quanto gosto do meu nome. Gosto de vários nomes, é certo, mas o meu nome, João, é sem dúvida o meu preferido. João e das conjugações possíveis que daí advêm: Maria João, Joana, além das 900 possibilidades que João pode ter quando conjugado com outros nomes próprios. É usual dizer-se que há um João em cada lar português. E acredito. Tal como haverá uma Maria.

O tema dos nomes próprios é "quente" neste momento. Estou em negociações com o meu irmão e minha cunhada, no sentido de contribuir com as minhas sugestões para nomes. E já o tenho feito, quer para meninos, quer para meninas, na medida em que ainda falta um pouco (semanas) para que se saiba em concreto qual o sexo do "feijão".

Seja qual for o sexo - pouco me interessa - já foi possível definir uma shortlist de 3 nomes masculinos e igual número de sugestões para nomes femininos. Há vários nomes que já fui tendo oportunidade de submeter para aprovação, mas que foram liminarmente rejeitados ou pelo meu irmão ou pela minha cunhada. Prevejo uma tarefa complicada e um desafio engraçado, mas sem dúvida estimulante.

Nota: Infelizmente, e no caso de vir a ser padrinho de um "menino", o meu nome não poderá ser dado ao meu afilhado e sobrinho. A minha cunhada diz que já há muitos Joões na família (pai dela, irmão dela e eu). Donde, terei de guardar este trunfo para quando...tiver o meu! Até lá...não me doa a cabeça!!

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terça-feira, novembro 08, 2011

Sabatinas

Durante a faculdade, uma das formas que encontrei para concluir com aproveitamento algumas cadeiras foi o recurso às sabatinas. Poderá parecer estranho que haja cadeiras num curso de engenharia que convidem à realização de sabatinas, mas é sabido (ou devia ser) que este tipo de cursos técnicos não têm somente cadeiras com números. Há efectivamente algumas que apelam à compreensão, ao desenvolvimento do raciocínio lógico por forma a ser tornado possível, quiçá, emitir um parecer técnico sustentado e profissional numa qualquer Câmara Municipal do País!

Lembro-me de umas 3 ou 4 cadeiras durante o curso em que recorri com o Pedro (meu camarada destas lides) a este tipo de estudo. Especificamente uma cadeira relacionada  com o "solo". Compilámos uma série de exames de anos anteriores, fomos a todas as aulas (teóricas e práticas), trocávamos apontamentos, estudávamos afincadamente para os mini-testes durante o semestre e preparámo-nos para o exame final como se não houvesse amanhã. Acredito que um astronauta que queira concorrer para a NASA não tivesse a preparação que tivémos e conseguisse decorar o que decorámos.

A questão é que, quer eu quer o Pedro éramos repetentes nessa cadeira. A docente era uma pessoa tão acessível quanto será o Obama enquanto homem mais poderoso do mundo, e era detentora de um sentido de humor que fará do ilustre Marechal Ramalho Eanes um verdadeiro humorista de craveira. Donde, reunidas estas condições para um excelente desafio, faria sentido uma grande aplicação da nossa parte.

Desde a sebenta integralmente decorada (sem estar a exagerar, foi toda decorada), bem como foi  desenvolvida a memória fotográfica - conseguindo fazer inveja a espiões da KGB - passando pela elaboração de exames dificílimos onde era inclusive avaliada a colocação da pontuação (em confronto com a sebenta), muitos foram os finais de semana inteiros a estudar para depois questionarmos um ao outro...e claro, fomos presenteados com bons resultados. Merecidos, de resto. Dois 17 valores, sendo que um 13 valores já era uma nota excepcional com esta docente em causa. Nunca imaginou ela que fosse capaz de dar esta nota. Nem tampouco eu e o Pedro tínhamos conhecimento do que somos capazes quando queremos algo. Bastou querer e acreditar!

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segunda-feira, novembro 07, 2011

Panquecas

Se há coisa que me deixa verdadeiramente "água na boca" é o simples facto de pensar que vou comer panquecas. Há anos que é assim e em dias frios, chuvosos e entediantes, sou usualmente "assaltado" por aquela vontade incontrolável de passar uma tarde inteira a fazer uma pilha de panquecas até ao tecto e posteriormente banquetear-me até explodir.

Nas minhas curtas (e breves incursões) na cozinha, fazer panquecas terá sido das primeiras coisas que aprendi com facilidade (e notável prazer). Quem cozinha habitualmente sabe que fazer uma panqueca tem um associado um grau de dificuldade tão complexo como partir os 4 ou 5 ovos necessários para as fazer. Donde, é algo que está perfeitamente ao meu alcance, dado ser fácil e até porque as últimas estadas nesta zona da casa não correram lá muito bem...

Há poucas coisas que me agradam fazer num dia de final de semana à tarde, com chuva lá fora. Já se percebe que quando tenho paciência gosto de pensar em fazer uma pilha de panquecas. Ah...que acaba por nunca ser muito grande porque as vou comendo....

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domingo, novembro 06, 2011

Corta-unhas

Há uns dias atrás aquando da minha viagem a pé numa determinada rua, e profundamente metido com os meus pensamentos, comecei a ouvir um barulho característico. De imediato a minha atenção focou-se na tentativa identificar a origem desse tal barulho. Sem êxito. Imagine-se o filme: uma rua silenciosa durante uns breves instantes (não passava nenhum carro ou mota), eu a deslocar-me e o som do barulho a aumentar - consequência de eu estar a encaminhar-me na direcção do mesmo.

Volvidos alguns segundos consegui finalmente identificar a origem do barulho. Um corta-unhas habilmente utilizado por um taxista, de pé, ao lado do seu bólide mais brilhante que uma salva de prata acabada de polir. Lembro-me de a dado momento ter tido de me desviar, para não ser atingido por um bocado de unha do polegar deste profissional da condução, projectada a uma velocidade e altura consideráveis. Imagino o estrago que teria feito na minha cara se me tem atingido...Dou comigo igualmente a pensar o porquê de ver com muita frequência estes motoristas a arranjar as unhas. Será que conduzir um carro da praça durante várias horas seguidas faz com que as unhas das mãos de alguém cresçam mais do outra pessoa que não conduz tantas horas? Será que a dada altura vão encostar o carro num local qualquer e vão também dar um "jeito" nas unhas dos pés? Penso nisso.

É muito interessante e lúdico assistir a este tipo de espectáculo realizado no meio da via pública. Aliás, ocorre-me de imediato que ninguém me diria nada se um destes dias me apetecesse lavar os dentes ou barbear-me enquanto passeio o Paco. Afinal, são eventos relacionados com a minha higiene pessoal e que atestam que estou perfeitamente integrado numa sociedade que se quer constituída por pessoas com este tipo de preocupação.

A ver se não me esqueço de o fazer amanhã de manhã. E garanto que ninguém vai dizer nada!

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sábado, novembro 05, 2011

Secador de Cabelo

Na expectativa de acompanhar de forma próxima as tendências da moda, também fui utilizador frequente dos secadores de cabelo. Foram vários e muito interessantes penteados que foram conseguidos por mim recorrendo ao secador e ao longo dos tempos, assim a técnica fosse sendo esmerada. Desde a clássica "pala" passando pela demorada e esmerada "popa", vários foram as soluções estudadas por mim para que nunca deixasse de "estar em cima desse importante acontecimento" que é a tão querida moda.

Trabalhar com um secador de cabelo sugere-me mestria. Habilidade manual. Não é qualquer um(a) que sabe direccionar o ar quente para o cabelo por forma a conseguir um resultado final agradável à vista. Pode até achar que sabe manusear este pequeno e importante utensílio..mas daí a saber utilizá-lo, vai um passo. É a diferença entre obter um resultado final próximo de um ninho de ratos e um penteado harmonioso e estilizado. Não é complicado de se adivinhar qual era o resultado por mim obtido na maioria das vezes.

Para quem como eu tem o cabelo rebelde, usar o secador de cabelo tem associada uma dificuldade acrescida. Os cabelos rebeldes têm uma força diferente e usualmente enganam. os mais incautos, ou seja, eu. Não raro, acontece que depois de se ter estado uns 2 minutos com calor apontado nos mesmos, "fingem-se de deitados" ou de terem ficado assentes. Nada mais falso. Assim seja desviado o ar quente, levantam-se e ficam espetados (sequência curiosa de palavras). 

Importa neste momento chamar a atenção para o facto de até aqui me estar a referir apenas e só à parte da frente do cabelo. A parte de trás sempre foi infrutífera, por duas razões simples. Em primeiro lugar porque tenho dois remoinhos na parte de trás do cabelo - sinal de ruindade, segundo a minha mãe - e que rapidamente alude ao  facto que tentar "domar" ou "assentar" o cabelo nesta zona do cabelo é uma tarefa tão simples quanto conduzir um carro sem o volante. Em segundo lugar, e se realmente tivesse tempo (e paciência) para assentar o cabelo nesta zona da cabeça, o resultado final seria algo tipo a "pala" do Siza Vieira ali no Parque das Nações. Sempre poupei as pessoas a este tipo de visão infeliz.

Para terminar, aprendi também à minha custa que o secador não deve permanecer muito tempo apontado na mesma zona da cabeça. Já nem falo de ter queimado vezes sem conta o couro cabeludo (como não podia deixar de ser). Falo sim de um cheiro a cabelo queimado que é em tudo similar ao cheiro dos pelos da entremeada de porco grelhada da Feira do Relógio. 

Desconfio que há algumas zonas do meu cabelo que nunca mais irão crescer da mesma forma... Tudo em nome da moda.

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sexta-feira, novembro 04, 2011

Passwords

Tenho uma relação péssima com as passwords (ou palavras-passe, na língua de Camões). Tenho para mim que isto das palavras "secretas" foi criado para dificultar a vida às pessoas. Quer para aquelas pessoas que realmente querem manter inacessível a informação confidencial, quer para as pessoas que querem ter acesso a essa informação.

Em quase todos os sites da internet onde em algum momento são introduzidos dados pessoais, é necessário definir uma palavra-passe. Trata-se de uma forma de garantir a  inviolabilidade ou o acesso ilícito a este tipo de elementos pessoais por parte de quem não deve. Até aqui tudo bem (ou tudo mal). Contudo, e para alguém como eu que tem acesso a 900 sites, as coisas tornam-se um pouco mais complexas.

Como segurança adicional, há páginas na internet que introduzem a possibilidade de escolher uma pergunta. Entre umas 6 perguntas que lá costumam estar por defeito. Ou seja, não é possível escolher uma pergunta que queira e para a qual saiba de antemão a resposta. Torna-se necessário encontrar uma resposta para uma das perguntas que já lá existe. O que de resto tem a sua piada e um dia destes gostava de saber o que é que o(a) senhor(a) que idealizou as questões tem a ver com a minha cor preferida, o que foi que almocei há dois dias atrás ou mesmo o segundo apelido da minha querida mãe. Não faz sentido. É de toda a conveniência lembrar-me do segundo apelido da mãe, para não ser sumariamente deserdado. Já a cor preferida dependerá de dia para dia e a questão do almoço...bem...com dificuldade consigo lembrar-me do jantar do dia anterior...quanto mais o que almocei há dois dias!

Tal como nas caixas multibanco, também as páginas da internet com este nível de segurança (palavras-passe) permitem que sejam introduzidas 3 vezes as palavras-passe erradas. Posto isto, já não será possível uma 4ª tentativa. Surgirá, expectavelmente, a "tão esperada" pergunta: "Qual a cor que mais gosta?". Acontece que eu não gosto de "uma" cor. Gosto de várias. E de igual forma, ou seja, não há uma que goste mais. E claro que não vou saber que cor terei avançado naquele dia. Já para não mencionar o facto de não haver a possibilidade de optar pela "tentativa-erro" e experimentar todas as cores que gosto. 

Outra situação que acontece com frequência, e que tem o condão de me deixar perto da depressão nervosa, é o momento em que o sistema informático detecta que não houve acessos à página durante os últimos tempos, e por motivos de segurança sugere (obriga) à troca da palavra-passe. Acontece que não é uma palavra-passe qualquer. Tem de ser uma palavra-passe que o sistema entenda aceitar. O que acontece regra geral à 67ª tentativa e originando palavras-chave tipo "comboios" de letras e números!

Por esta e por outras, defendo que as palavras-passe mais simples, são as melhores. Fáceis de memorizar e para aquelas pessoas como eu que gostam do que é prático, são o ideal. A questão é quem sempre as coisas são como queremos...

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quinta-feira, novembro 03, 2011

Fósseis

Remonta ao meu longínquo 2º ano do ciclo a paixão pelos fósseis. Lembro-me perfeitamente do momento em que a minha professora de Ciências naturais em desespero ter introduzido o tema numa das várias enfadonhas aulas e ter conseguido cessar a guerra de bolas de papel entre ambos os lados da sala. Se a memória não me trai, durante o resto do "período" até terminarem as aulas, não havia ninguém mais atento que eu naquela aula. Afinal cheguei a defender convictamente que iria encontrar um fóssil intacto de um dinossauro... Daí ter passado a carregar comigo todo e qualquer calhau que encontrava na rua e religiosamente posicionava na varanda lá de casa para minha análise subsequente. Algumas vezes tinha de voltar a levar tudo para a origem. Bastava o olhar zangado da mãe...

Fósseis não são mais que restos de seres vivos (plantas ou animais) preservados em sistemas naturais. Assim sendo, e de forma muitíssimo simplista, torna-se possível encontrar vestígios de seres vivos que habitaram neste planeta há largas centenas de anos. Basta para isso terem sido preservados em meio adequado e em particular longe de alguns agentes erosivos (e.g.: vento e chuva ou mesmo longe da actividade animal). Se assim for é possível obter um legado muito interessante.

A descoberta de fósseis permitiu à comunidade científica a obtenção de vários prémios Nobel. Ou pelo menos ter "substrato" para se candidatar a receber um.  Frequentemente é possível encontrar restos de seres vivos aquando da datação de uma determinada rocha e legitimamente associar a existência desse ser vivo a uma determinada época, tendo como referência a idade da rocha. Será sempre um valor estimado, e não exacto, mas dá para se ter uma ideia. 

Há vários estudos dedicados a esta matéria e não tenho dúvida que a melhor coisa que podem sugerir a um paleontólogo será mesmo pedir-lhe que fale do seu trabalho. Certamente que terão tema de conversa para 3 dias seguidos. E sempre com a mesma emoção na voz e brilho no olhar!

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quarta-feira, novembro 02, 2011

Referendo da Grécia

O referendo da Grécia, na minha opinião, tem um propósito claro e muitíssimo bem definido. Perceber se por um lado a Grécia continua no magnífico e exclusivo grupo dos países da União Europeia (UE) ou, se por outro lado não continua. É claro que haverão outros pormenores importantes que poderão sugerir outros propósitos. Para mim, está claro que o que está em causa é exactamente isso. Se a Grécia quer "continuar em jogo ou se sai nesta paragem".

Aparte do realização do referendo, em que o que se pretende apurar nada mais é que a vontade do povo, a questão tem necessariamente de ser abordada de outras perspectivas. Em primeiro lugar, olhar para a Grécia e a sua realidade actual. Esta análise deverá ser feita sempre em paralelo com todo o resto do mundo, onde também se vivem conturbados momentos no campo económico. O FMI também foi à Grécia, e também com esta nação foi assinado um memorando de compromisso da execução de um plano de austeridade.

Segundo lugar. O não cumprimento do plano de austeridade por parte dos gregos. Basicamente, havendo uma situação económica grave, tornou-se necessário que o Governo grego (e de forma corajosa e impopular) quisesse cumprir o acordado com o FMI. O problema que o governo grego tem presentemente em mãos é "tão somente" a rebelião do povo grego em consequência do tal cumprimento do memorando. Cortes salariais, diminuição dos cargos da função pública, são alguns dos exemplos que levaram a manifestações na Grécia. Ou seja, está em causa o cumprimento de um plano de austeridade. Ou por outro lado,  a tentativa de execução ou do cumprimento dos sucessivos planos de austeridade que a Grécia já teve de apresentar à UE para continuar a receber as ajudas e adiar o já conhecido desfecho da bancarrota.

Em terceiro e último lugar, como deverá a UE avaliar o não cumprimento do acordado por parte da Grécia, com esta sugestão, nestes últimos dias, da realização do referendo. É natural que nalguns países da UE (especialmente Alemanha e França) tenham soado alarmes, e alguns outros digníssimos representantes tenham sido ganho alguns cabelos brancos nos últimos dias. Afinal, esteve em causa a continuidade da Grécia na UE. Imagino que estes altos cargos tenham voltado a poder dormir descansados quando foi dado a conhecer a não realização do dito referendo. 

Pessoalmente, julgo que será uma questão de tempo até que a Grécia, voluntariamente, se desvincule definitivamente da UE. As convulsões sociais vieram para ficar, e duvido que alguma vez algum plano de austeridade venha a ser cabalmente executado pela Grécia. O caminho que vejo é só um. A saída do grupo europeu. O que naturalmente acarretará consequências graves para os demais países. Daí assistir-se a toda uma série de medidas que visam ajudas suplementares a este país. Resta saber até quando.

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Duplo check

O duplo check é comum na aviação. Como o próprio nome indica, não é mais do que uma dupla confirmação de um trabalho efectuado. As tarefas que na aviação são tidas como "críticas", na medida em que podem comprometer a segurança do vôo / passageiros, são usualmente objecto de dupla confirmação.

Desde a preparação do vôo (feita pelo Comandante e pelo Co-Piloto), passando pela confirmação da boa execução de alguma tarefa de manutenção de um inspector, todas as tarefas críticas têm associada esta confirmação, que quando devidamente rubricada pelo inspector atesta que está em conformidade com as boas práticas da aviação.

É lamentável que estas boas práticas não sejam seguidas pelos demais sectores de actividade. Especialmente nas contas públicas. Todos os dias são conhecidos novos "buracos" financeiros, e em menos de nada, um qualquer Emmental assumirá a textura de uma parede lisa. São demasiados buracos financeiros. Legitimamente, o contribuinte questiona-se como é possível que tal aconteça sem que haja um mecanismo de controlo que evite desvio, ao invés de agir reactivamente. 

Invariavelmente chega-se à conclusão que os Ministérios têm carência de recursos humanos. Por sua vez, a carência é justificada pelo "congelamento" das admissões para a função pública..e por aí adiante. No final, interessa saber se as contas são efectivamente duplamente confirmadas. A ideia que passa é que não. Não há uma entidade criada para efectuar auditorias às contas do Estado. Exagerado? Se a fórmula dos arredondamentos definida para uma folha de cálculo (ou outra solução informática) estiver incorrectamente definida, há lugar ao "enriquecimento" dos cofres de Estado. E com valores estupidamente altos.

Que sejam 5.600M (milhões) os portugueses no activo (e que supostamente pagam os seus impostos). Se nas contas de cada um deles o tal arredondamento fôr efectuado "para cima", imagine-se o encaixe financeiro que o Estado realiza. Bem sei que há a figura do "Tribunal de Contas", e que até há lugar ao levantamento de contra-ordenações para o Estado. Resta saber se é dado o devido seguimento e responsabilização estatal...

À semelhança de tantos outros exemplos, este assunto se reveste de sobeja importância. Dote-se os Ministérios de mais pessoas. É preferível contratar mais pessoas, preferencialmente estagiários - que estão com a matéria fresca, sem vícios - para esmiuçar e efectuar o duplo check das contas públicas do que perpetuar o desgoverno a que se assiste actualmente, com resultados à vista...

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segunda-feira, outubro 31, 2011

Lentes de Contacto

Desde sempre que me apeteceu usar lentes de contacto. Não por necessidade, mas sim pela facilidade com que é possível induzir a baralhação nas pessoas. Segunda-Feira com olhos verdes, Terça-Feira com olhos azuis, Quarta-Feira com olhos cinzentos, e por aí adiante. Ou seja, uma côr diferente de olhos para cada dia da semana.

As lentes de contacto são práticas quando alguém como eu desconhece o paradeiro do par de óculos durante meses a fio. Ou inadvertidamente se senta em cima dos mesmos 5 vezes durante o mesmo ano. Para além disto, há duas grandes e conhecidas desvantagens associadas. 

A primeira desvantagem tem que ver com o facto de uma lente de contacto não ter sido correctamente colocada. Ou haver um(a) amigo(a) brincalhão(ona) que dá "um caldo" com toda a força, daqueles que separam a cabeça do pescoço, e claro a lente de contacto só pode ser projectada na atmosfera indo cair perdida algures, fazendo com que todos os restantes amigos passem o resto do tempo de rabo para o ar à procura da lente. Confesso aqui e agora que sempre fingi procurar. Passo a explicar. Se por vezes mal consigo ver o chão que piso, quanto mais conseguir ver uma lente transparente do tamanho da cabeça do dedo mindinho! O que realmente conta é a intenção. E para fingir que estou realmente compenetrado na busca da lente, sempre me posicionei em posições estratégicas (e visíveis) - nem que fosse a 300 metros do local onde a pessoa estava.

A segunda grande desvantagem prende-se com o facto das pessoas que usam lentes de contacto não poderem fumar. Choram sempre. Afinal, ter fumo entre o olho e lente de contacto deve ser uma sensação tão boa quanto deixar cair uma bigorna de 15 kg no polegar direito.

Hoje em dia há a disponibilidade de lentes de contacto descartáveis, contra as lentes de contacto que não o eram há umas décadas atrás. Ou seja, já ninguém tem a coragem de pedir aos amigalhaços que estavam a dançar no meio da pista de dança para abrirem uma roda e ajudarem na procura da tal lente de contacto. 

Pode até acontecer que se saia da discoteca amparado(a) por amigos (há lentes de contacto com graduações altas e para pessoas que não conseguem ver os atacadores dos sapatos). Mas deixa de haver um prejuízo tão avultado pela perda das lentes. E mal se chegue a casa, é possível voltar a ver. Bastando para isso colocar novas lentes. Preferencialmente de outra côr!

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domingo, outubro 30, 2011

Poder Paternal

Tenho conhecido algumas pessoas que por via das agruras da vida se separaram dos respectivos companheiros. Até aqui nada do outro mundo. Os problemas surgem quando há crianças pelo meio.

Poder paternal, na sua essência, visa a atribuição da responsabilidade da educação do(s) filho(s) a um dos pais. Tipicamente à mãe, e assim seja atestado que a mesma possui os meios financeiros e a necessária estabilidade emocional para o fazer.

O que tenho percebido é que há muita permissividade pelo meio. Infelizmente. Ou seja, uma em cada 5 mulheres deixou de ter esperança que o ex-companheiro se resolva a comparticipar na educação do(s) filho(s). Talvez por ter sido educado numa perspectiva de responsabilização dos meus actos, não entendo duas situações: a) Como pode alguém entender viver com um esforço financeiro perpétuo e consideravelmente maior - os filhos requerem uma despesa grande - sem fazer tudo ao seu alcance para que haja uma divisão de despesas e b) Como é possível que haja homens medíocres o suficiente para negligenciarem o seu papel de pais, sobrecarregando a mãe do(s) seu(s) filho(s)? E em alguns casos tendo outros filhos com outras mulheres. Não entendo. Ultrapassa-me.

É fácil fazer um filho. Já é mais complicado mantê-lo quando uma relação termina. Por isso defendo sanções exemplares e proporcionalmente ao auferido mensalmente pelo pai ou mãe. Sem apelo nem agravo. E se não paga, vê os bens penhorados. Pena que a justiça nem sempre seja célere nestes casos.

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sábado, outubro 29, 2011

Depilação Masculina

A depilação masculina é uma prática que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos. Tenho vindo a conhecer vários elementos do sexo masculino que têm menos pêlos no corpo inteiro do que eu tenho na cara, pela manhã, antes de me barbear. Consigo aceitar isso. Dificilmente, mas aceito. Antes de continuar, e evitando ferir as susceptibilidades dos mais sensíveis, não tenho nada contra contra os homens que se depilam. É mais higiénico, prático e até concordo que em alguns casos a depilação masculina tenha um propósito objectivo (e necessário), assim seja evitada a partilha da visão das "camisolas de pêlo" e que não raro permitem ligar os pêlos do peito ao queixo...

Consigo conviver pacificamente com a existência de cremes, lâminas e outras máquinas específicas, nas prateleiras de artigos masculinos, para que seja possível aos homens terem as "ferramentas" para se aliviarem de algumas incómodas e inestéticas pilosidades dos seus corpos. A mim, apenas me é exigida a atenção redobrada de aquando da troca de qualquer máquina de barbear, não me enganar e meter no carrinho das compras uma daquelas outras máquinas que permite de forma suave e fácil "eliminar pela raiz" os pêlos do peito. E com a particularidade destes produtos para a depilação masculina estarem nestas prateleiras onde se encontram as vulgares e usuais lâminas de barbear que reclamam durezas próximas das pás do reactor de uma nave espacial.

Em verdadeiro abono da verdade tenho de partilhar que já experimentei uma vez a depilação masculina. Uma lesão na virilha direita, em consequência de um qualquer esforço típico de "macho" (não me recordo se terá sido na musculação ou arte marcial), "atirou-me" para a vulnerável e indefesa condição da marquesa do fisioterapeuta. Três vezes por semana durante um mesito. Com direito a  ter a virilha direita mais lisa que o rabo de um bebé e ainda uma toalha húmida mais quente que as profundezas dos infernos (fazia parte do tratamento),  enquanto o fisioterapeuta me massajava os tendões da virilha de forma tão vigorosa (e dolorosa) como se quisesse arrancar o meu fémur direito.

Como referi anteriormente, não tenho nada contra os homens que se depilam, embora, e como em tudo, possa ter a minha opinião. Se aceito que uma mulher se depile, não vejo razão para que um homem, que não gosta de ver pêlos no seu corpo, não o possa também fazer. Agora...se gosto de ver um homem sem pêlos...já é outra conversa. E outra conversa também será o ver "homens-macaco". Tipo na praia. Haja espelhos e respeito pelos outros, que não são obrigados a ver "asas" nas costas de alguns homens!

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sexta-feira, outubro 28, 2011

Lucros das grandes empresas

É complicado fazer-se um negócio rentável com uma pessoa como eu. Porquê? Porque me considero um bom negociador. Tenho gosto na arte de negociar. De pressionar os vendedores a baixarem os preços e a esmagar as suas margens de lucro em prol de um negócio que naturalmente será mais proveitoso para mim.

Quero com este breve preâmbulo partilhar que dificilmente "compro" algo que me pareça pouco sério ou que seja manifestamente pouco consolidado. Por outras palavras, é muito difícil alguém vender-me aquilo a que o povo normalmente denomina de "banha da cobra". E se alguém me disser que já me vendeu a cobra ou mesmo a banha, terei de dizer logo a seguir se o conseguiu fazer com facilidade.

Não consigo "comprar" a máxima que os lucros das grandes empresas sejam devidamente taxadas. Proporcionalmente ao que são taxados os contribuintes em nome individual. Quando questiono alguns amigos e amigas que estão ligados à área financeira sobre esta matéria, inventam sempre qualquer desculpa (tipicamente a do bolo no forno) e fogem. Ou seja, não tenho até hoje uma explicação razoável e que faça com que uma pessoa intelectualmente limitada como eu consiga perceber como podem as empresas grandes (e são sobejamente conhecidas), em tempo de crise, apresentar relatórios de contas em que há alusão à palavra "lucro" numa qualquer página. É criminoso. E fora de contexto.

A culpa não é das grandes empresas. É sim dos sucessivos Governos que durante anos, em consequência de interesses próprios (ou participações nessas empresas) não desenvolveram ferramentas financeiras que permitissem um controlo efectivo e consequente sanção das empresas que não são devidamente tributadas em conformidade com os seus lucros. Importa referir que nem sempre o que é dado a conhecer traduz a realidade empresarial. Por outras palavras, nem sempre o valor do lucro de uma determinada empresa dado a conhecer é efectivamente o real. Normalmente é bem inferior. Conveniente e logicamente.

Esperemos que nesta época caracterizada por tantas medidas da austeridade as "grandes empresas" também sofram a "mão pesada" deste corajoso Governo. Que sejam taxados exemplarmente. Que haja coragem em falar das coisas com frontalidade e que as contas sejam devidamente "esmiuçadas" por forma a serem claras para todos nós, zelosos cumpridores das obrigações fiscais. Que não se tenha medo das ameaças de deslocalização das empresas para países onde a mão-de-obra é mais barata e onde há um maior incentivo à industrialização e empreendedorismo.  Quem pensa muito nisso, e tem isso em mente, não utiliza o artifício da "chantagem". Fá-lo. E por vezes, feitas bem as contas, as deslocalizações são processos muito onerosos. E que não compensam...além de que comprometem as margens de lucro!

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quinta-feira, outubro 27, 2011

Pintar o cabelo

Que fique desde já claro que gosto de ver homens de cabelo grisalho, mas não gosto de ver mulheres com o cabelo grisalho ou também chamado de "sal e pimenta". Chamem-lhe pancada, mas é a minha opinião.

Tenho cabelo branco de há muitos anos a esta parte. Com o avançar da idade começo a ter as "melenas" brancas cada vez mais visíveis e dentro em pouco estarei como o D. José Policarpo. Não falta muito...E com o cabelo mais comprido notam-se muito mais os meus charmosos cabelos brancos.

Confesso que jamais pensei em pintar o cabelo. A ideia de pintar o cabelo é longínqua. Muito longínqua.Ver um homem de cabelo pintado é como ver uma mulher que orgulhosamente ostenta um farto bigode de cofiar ou umas pernas que nunca experimentaram a lisura e precisão de corte de uma lâmina de depilação. Ou seja, é contra-natura.

Outra ilação que retiro com facilidade, é que existem diferenças na forma como os cabelos são pintados. Falo dos homens e mulheres que pintam o cabelo. Pintar o cabelo tem um inconveniente. Requer manutenção e acima de tudo atenção de quem gosta de ter outra cor de cabelo que não a original. O que constato com uma relativa frequência é que há pessoas que não reconhecem o valor da palavra "atenção" aquando da necessidade em pintar o cabelo. Quero com isto dizer que é pouco bonito ver as raízes do cabelo "original" aparecerem por baixo do cabelo "emprestado". Em alguns casos (e ninguém me contou, eu já vi), é possível ver aquilo a que chamo o "cabelo tricolor". Passo a explicar.

Cabelo "tricolor" é uma mescla entre o cabelo "original", cabelo branco e cabelo "emprestado" ou pintado. É um espectáculo única e através do qual se percebe claramente que há uma zanga séria entre essa pessoa e o seu(sua) cabeleireiro(a). O que não deixa de ser curioso. Nos dias que correm, é mau que as pessoas se zanguem. Por um lado, o cabeleireiro porque tem de pensar na sobrevivência do negócio nesta crise profunda que veio para ficar. Por outro lado, uma avestruz azul chama menos a atenção do que alguma pessoas com o cabelo mal pintado. Ou que não é bem mantido.

Para concluir, uma palavra de apreço aos corajosos(as). Às pessoas que pintam o cabelo em casa. Percebendo tanto de pintura do cabelo como de reprodução dos esporângios, é também este um motivo para umas francas e sonoras gargalhadas. Afinal, quem o faz em casa, consegue fazer "dois em um": pinta o cabelo branco e ainda consegue pintar o couro cabeludo. Tem a sua piada e é original!

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quarta-feira, outubro 26, 2011

Assaltos às caixas multibanco

Nos últimos tempos a esta parte tem-se ouvido falar muito em "assaltos" às caixas multibanco. Para mim, este tipo de crime, o que tem de "comum" tem de "inédito". Senão vejamos.

Quatro em cada cinco notícias publicadas sobre este tipo de ilegalidade deixa-me verdadeiramente surpreso. E um grande bocado preocupado, posso também avançar. Assalto, por definição do dicionário, é definido como sendo um "ataque súbito a alguém ou algo, em geral utilizando a força ou ameaças e com o objectivo de roubar". Já o roubo, ainda no mesmo dicionário, consiste em "acto ou efeito de roubar; subtracção ou imposição de entrega de coisa móvel alheia, com ilegítima intenção de apropriação, cometida com violência ou ameaça". Do atrás percebe-se portanto a minha (legítima) consternação.

Estamos perante um novo tipo de ilícito. Afinal, e segundo o que é publicado, são as pobres (literalmente) caixas multibanco que são "subitamente violentadas" com o firme e claro objectivo de verem ser roubado o seu valioso conteúdo. Sem hipótese de contestação, sem poder ser pedido pedir mais meiguice ou um jeito para ser mantida a fachada do prédio onde estão embutidas....

Desde a utilização de jipes, carrinhas, botijas de gás (técnica que tem vindo a ser aprimorada), tudo serve para causar estragos avultados e, claro está, permitir a consecução do crime e em alguns casos, fazer com a que a caixa multibanco vá arrastada pela estrada fora. 

Ou seja, assiste-se a um verdadeiro "dois em um". Assalto e roubo às caixas multibanco!!

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terça-feira, outubro 25, 2011

Rescisões

Sempre se ouviu falar das rescisões. Rescisão, por definição, é a anulação de um contrato de trabalho. E pode acontecer uma de duas situações: rescisão amigável ou rescisão não amigável.

No mundo ideal todas as rescisões deviam ser amigáveis. Era mesmo excelente. Ganharia o trabalhador,  que levaria para casa o produto equivalente aos anos de trabalho e o seu vencimento mensal. É lógico há 900 anos atrás, em altura de "vacas gordas" esse montante era suficientemente aliciante para que o trabalhador pensasse em mudar-se de armas e bagagens para as Maldivas para beber "mojitos" e procriar qual mamífero orelhudo com os incisivos centrais do tamanho de raquetes de ténis. E claro, nunca mais na sua desafogada vida pensasse em pedir "trocos" à empresa. Durante a actual encarnação e as próximas cinco.

Acontece que as coisas mudaram. O que era realidade há uns anos atrás, hoje em dia, e infelizmente, não o é. Até o pequeno mamífero anda com a seu "nome na lama"... Fruto da crise. E naturalmente da falta de moral para fazer o que quer que seja. No antigamente, por altura do tão desejado e esperado cálculo das rescisões amigáveis, era tido em consideração o melhor vencimento desse trabalhador, bem como outras variáveis necessárias. O resultado final, como referi anteriormente, era suficientemente "generoso" para que o trabalhador não precisasse da reunião familiar para decidir se era o momento certo para "ir para casa" gozar os rendimentos. Hoje em dia não é assim.

Hoje em dia não há rescisões amigáveis. Há rescisões compulsivas. A um ritmo de fecho de 10 empresas por dia, é natural que o número de processos de insolvência que dá entrada nos tribunais seja superior ao número de peregrinos que ruma a Fátima por altura do 13 de Maio. Quando assim é, (e é deliberada judicialmente a insolvência), o processo de indemnização dos trabalhadores é moroso. Aliás, em primeiro lugar há outras partes interessadas - nomeadamente as que terão a haver mais dinheiros (accionistas e Fornecedores). E assim sendo, pessoas que descontaram durante séculos, vêem-se de um momento para o outro sem rumo. O que poderá assumir contornos muito preocupantes em idades a partir dos 40 anos...

Em empresas com a chamada "visão" e que se pautam pela seriedade há lugar para, em tempo devido, ter lugar uma explicação dos acontecimentos aos trabalhadores por parte da Administração. Seja qual for a forma. Escrita ou em plenário. Explicar a sequência de acontecimentos que se sucedem não é vergonha para ninguém e ajuda as pessoas a perceberem aquilo com que podem contar. 

Quando não há mais volta a dar, surge a chamada para ir ao gabinete dos Recursos Humanos (RH). Consigo imaginar o responsável dos recursos humanos consiga mostrar o seu melhor sorriso condescendente e preocupado com aquele tipo que tem à sua frente, que nunca viu na vida e cujo nome sabe porque está escrito numa lista como um dos que irá receber uma quantia simbólica de rescisão. Consigo também perceber que há lugar à "mise-en-scène" do tal clássico papel que surge misteriosamente de uma pasta ao lado da mesa e que é colocado com as letras para baixo em cima da mesa. O "coelho sai da cartola" quando é avançado o valor que irá ser pago, como reconhecimento dos 44 anos que aquele funcionário dedicou à empresa. E que feitas bem as contas, em vez da mudança para a tal ilha no Oceano Índico dá para ir passar um final de semana para dois nas termas do Carvalhal. Com direito ao extra (já na loucura) do banho escocês.

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segunda-feira, outubro 24, 2011

Testemunhas

Acho piada ao facto de testemunhar. A solenidade destes momentos obriga-me não raro a ter de morder a língua com toda a força para não me rir agarrado à barriga e gozar com as caras sérias das pessoas. Bem sei que é feio e falta de educação, mas também sei que nestas coisas não me consigo controlar. Infelizmente. Nota: Julgamentos e funerais são eventos óptimos para não ser convidado...
Já fui convidado a testemunhar em "juízo" algumas vezes. Não "com", mas sim "em". E mais, das vezes que fui a tribunal como testemunha, fiquei com imensas dores de cabeça. Afinal foi-me sempre pedido para o esforço imenso de me tentar situar temporalmente em alguma situações passada. Algumas delas com milénios de distância (morosidades processuais) e naturalmente pouca ou nenhuma possibilidade de lembrança. Claro que não me conseguia recordar. Principalmente naqueles processos no quais fui arrolado como testemunha...e havia a possibilidade de haver um veredicto final contra mim.

Para quem não liga nada a estas coisas das leis, é importante clarificar que as testemunhas têm um papel decisivo na evolução dos julgamentos. Preponderante, diria mesmo. Uma boa testemunha pode significar ganhar um processo. Daí ser necessária uma preparação forte, consolidada e à prova de qualquer tentativa de ridicularização por parte do advogado adversário. O que nem sempre é fácil. Quer seja o trabalhar na boa preparação, quer seja o "desmontar" uma testemunha que aprendeu bem a lição. Análise inversa terá lugar se não houver um bom "trabalho de casa" por parte do advogado da defesa ou se o advogado da acusação tiver decidido ir pagar uns copos na noite anterior com uma loiraça escaldante e aparecer na sala de audiências a tropeçar nas olheiras e com um hálito de bode.

Noutros países, a importância das testemunhas conduz ao desenvolvimento de programas estatais que visam garantir da integridade física (e sobrevivência) das mesmas. Não é à toa que muitos prédios em Itália têm ADN humano nos seus pilares. Ou que alguns carros explodem quando são ligados. Ou que algumas pessoas acordem de manhã com cabeças de cavalo na cama. O que têm todos estes curiosos episódios em comum? Tratarem-se de testemunhas que foram avisados para se esquecerem de alguns pormenores aquando dos seus testemunhos... Bem, em alguns casos bastou um único aviso...e uma bilhete de viagem..só de ida!

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domingo, outubro 23, 2011

Privatizações

Muito se tem falado de algumas importantes privatizações de empresas que terão lugar em breve e nas quais é conhecida uma significativa participação estatal. Para quem "só agora chegou" e não faz ideia do que é uma privatização, é simples. De forma muito simplificada, não é mais que um processo em que tem lugar a compra de uma empresa estatal (ou onde há uma representação expressiva de capital público) por parte de uma empresa privada (ou consórcio de empresas privadas). Em alguns casos, aquando da alienação do capital social há a alusão contratual ao interesse do Estado em alguns negócios. Ou seja, para certos negócios (em que esteja em causa o interesse nacional),  o Estado,  embora sem o poder de veto, (que teria se tivesse uma participação expressiva), exige ser notificado dos mesmos.

O que as privatizações de empresas têm de bom, têm de mau. Se por um lado há um encaixe de dinheiro "interessante" aquando da venda (que será tanto mais interessante quanto mais lucrativa for a empresa em causa). O mapa das privatizações pode ser planeado, pensado e a pouco e pouco executado. Contudo, na actual conjuntura sócio-económica, a sequência destas acções tem vindo a ser precipitada. Ou seja, o Estado precisa urgentemente de encaixar verba, por forma a dotar os seus cofres de aprovisionamento e para fazer face às várias situações de emergência que terá de fazer no curto / médio espaço de tempo. Por outro lado, e numa óptica meramente economicista, deixa de haver a necessidade de alocação de verba pública para empresas estatais cujo modelo de operação peca por obsoleto e nas para as quais a obtenção do lucro é algo que decorrerá num futuro incerto ou longínquo. Naturalmente que se poderia investir na modernização, dir-me-á o meu/minha caro(a) leitor(a) .Afirmativo. Mas os custos associados são demasiado avultados, e nenhum Governo se atreve a sugerir isso na Assembleia da República. Muito menos nesta altura.

O perigo das privatizações, e agora numa óptica sindicalista, tem que ver com uma máxima endeusada por alguns gestores: "É necessário executar o mesmo trabalho com menos pessoas." Por outro lado, há também gestores que conseguem ir mais longe: "É necessário produzir mais com menos pessoas". O advérbio em causa marca a diferença entre um gestor privado que quer garantir a sobrevivência da  sua empresa à custa do óbvio e expectável despedimento de trabalhadores da empresa adquirida e do outro gestor que quer o mesmo, mas com um incremento na produção.

A realidade de algumas empresas actualmente estatais e em breve privadas, aponta no sentido do defendido pelo segundo gestor. Ou seja, será necessário produzir mais com menos pessoas. Para tal, haverá uma "selecção natural" dos colaboradores mais aptos para enfrentar esta realidade. Em tempo de guerra não se limpa armas, reza o adágio popular, e os investidores estrangeiros exigirão aos trabalhadores portugueses o mesmo índice de produtividade registado nos seus países. O que configura, per se,  uma série de convulsões laborais, alimentadas e instigadas pelos sindicatos. 

Os portugueses não estão habituados a trabalhar com disciplina e rigor. Trabalham muitíssimo bem sob pressão. E isso, para alguns investidores estrangeiros não é forma de trabalhar. Além do mais serão estes últimos quem vai ditar as regras do jogo. E vai a jogo quem quiser...quem não quiser...conhece o caminho para a rua.

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sábado, outubro 22, 2011

Captura de Terroristas

Nos últimos tempos foram conhecidas duas importantes baixas no mundo do terrorismo. Supostamente. A questão, no meu entender, não passa pela mediatização à volta destes (felizes) acontecimentos. Passa sim pela falta de evidências. "Ver para crer" é uma máxima que se adequa perfeitamente.

Tenho em mim o péssimo defeito de gostar de saber o que "compro". Chego a ser irritantemente desconfiado. Gosto de conhecer e perceber bem os detalhes. Na impossibilidade de tocar, sentir ou mesmo presenciar, o trabalho de "venda" é substancialmente dificultado para quem me tenta convencer de algo. Daqui decorre de imediato que não "comprei" a captura, morte e "última homenagem" prestada em alto mar a um dos mais conhecidos terroristas do século. Vou mais longe. 

Acho oportuno que sejam conhecidas estas baixas no mundo terrorista a pouco tempo das eleições presidenciais norte-americanas. Teoria rebuscada? Não, não é. Se pensarmos nas centenas de milhões de dólares dos contribuintes americanos que foram gastos na caça ao homem, não será. É uma das possíveis justificações para que ultimamente tenham sido dadas a conhecer importantes "machadadas" no mundo do crime. Da mesma forma que será importante e reflexo de uma viragem na política belicista dos EUA. Falo da retirada dos 30.000 militares norte-americanos baseados no Iraque. É altura de começar a mostrar trabalho (ainda que como sempre, haja a lamentar a perda de várias vidas). E claro, a contenção. Só assim vejo legitimidade para alguém que é considerado o "homem mais poderoso do mundo" e que ultimamente tem partilhado a sua preocupação com as contas do "velho continente"..quando o seu país é efectivamente aquele ao qual está associado o maior despesismo. Sem controlo.

Quanto às últimas notícias acerca da morte do outro terrorista e ditador, também guardo as minhas reservas. É certo que há filmagens, mas infelizmente tenho algumas dúvidas. Para mim, são demasiado rápidas e pormenores como a "barba", as "vestes", acabam por ser comuns em países como a Líbia. Ou seja, o meu cepticismo está naturalmente em "modo on" e assim sendo, reservo-me ao direito de não acreditar nas notícias. Ou de manter o meu cepticismo, justificado por uma (e muito bem) consolidada mediatização.

Devo ser a única pessoa do mundo que não acredita que dois homens, tidos como os mentores de ataques terroristas e uma imensidão de barbáries tenham sido capturados. Ou tão facilmente capturados, como se tem dito. Dois homens, com inteligência para idealizar, preparar e mandar executar autênticos massacres, não deixariam em momento algum a segurança e o anonimato da sua localização ao acaso. Não faz sentido. 

Ou seja, para terminar, não está em causa que o combate ao terrorismo tenha sido eficaz. Está em causa o secretismo na divulgação das imagens de uma das capturas, e de filmagens confusas e distorcidas na outra. É a minha forma de ver as coisas.

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sexta-feira, outubro 21, 2011

Dramatizações

Desde muito cedo que conheço bem a questão das dramatizações. Porquê, como? De forma simples. Quando eu (ou o meu irmão) nos portávamos mal tínhamos uma conversa com o Sr. Polícia. Basicamente a minha mãe (combinada com o Sr. Polícia), dramatizava uma birra, tornando-a um homicídio massivo e crime punível com prisão até ao fim dos meus dias. Foram várias as vezes que estive para ir preso, por via de responder torto ou de não querer comer a horrorosa sopa de nabo. Ou mesmo o horrível bacalhau cozido.

Dramatizar, inteligentemente, pode ter um bom efeito. Em Portugal prevalece a ideia de quando as coisas estão bem, se deve "aliviar" o empenho, profissionalismo e dedicação. Fazendo jus à máxima "dormir à sombra da bananeira". Não posso discordar mais. Aliás, nunca foi (nem será) essa a minha perspectiva. Contudo, entendo que para algumas pessoas seja necessário um dramatismo das coisas para que sintam a responsabilidade e a necessidade premente de acção.

Por outro lado, o dramatizar excessivamente, numa sociedade como a nossa, não é bom. O alarmismo desnecessário e com uma série de acções associadas, em bom rigor, torna-se desnecessário e vertiginosamente perigoso. O actual momento em que estamos é propício a juízos de valor desse tipo. A profunda recessão económica e a resposta dada pelos grupos sindicais com a instigação das paralisações gerais. Questiono-me...será esta a melhor resposta para o actual momento? Em que os indicadores económicos apontam inequivocamente no sentido da retracção e apatia por parte dos investidores? Não me parece. Donde, a melhor forma de combate é mesmo o dramatismo.

Do acima, decorre que, no meu humilde entendimento, e antevendo algumas análises a médio prazo, as coisas não estarão tão más em Portugal como se tem vindo a dar conhecimento. Não estão boas, é certo, mas tem-se vindo a dramatizar alguns cenários para ver se há a indução da reactividade naqueles(as) que estão mais acomodados(as). É este o momento de reagir. E para isso torna-se necessário o recurso a todos os artifícios disponíveis. Incluindo o dramatismo.

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quinta-feira, outubro 20, 2011

O banana

Ainda hoje não consegui perceber o porquê da associação pejorativa entre esta tão deliciosa fruta e alguém que consegue assistir a algo sem marcar uma posição, emitir uma opinião ou agir de determinada forma quando tal seria desejável. Nota: O "género" é propositado, na medida em que este "mimo" é normalmente associado aos homens...

A explicação para a opção de não marcar uma posição, não emitir uma opinião ou mesmo o alhear-se voluntariamente de algo que lhe toca directamente pode ser o reflexo de uma de duas coisas: a) a voluntária e perpetuada permanência numa "zona de conforto" onde lhe é possível ficar de forma autista sem que ninguém o chateie ou b) uma clara falta de personalidade e uma natural apetência pela subjugação da vontade própria face a outras pessoas. Não só em termos profissionais como também em casa (ocorrem-me vários exemplos de casais que conheço onde tal acontece).

Talvez por ter um feitio antípoda e gostar de tudo claro e muito bem definido...para ontem, este tipo de pessoas me irrite tanto. Assistir à subjugação / submissão, a mudanças de opinião / vontades tem o dom de me fazer procurar rapidamente uma quina viva e bater com a testa até rachar a cabeça em duas metades. É inevitável que comece logo a sentir calor dentro de mim e vontade de dar um chapadão na cara para que o banana acorde e faça valer a sua vontade própria / opinião ou aja de determinada forma.

Lamentavelmente são vários os exemplos de bananas que conheço. Acabam por ser estes que a médio / longo prazo se tornam desinteressantes para quem têm ao lado...o que pode trazer dissabores...Ou não!

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Fumar no século XXI

Começo o texto de hoje por partilhar que fui fumador durante 16 anos. E que deixei de fumar em 2009.  Ou seja, fará este ano que agora co...