domingo, março 31, 2013

Os carros da minha rua (julgo que à semelhança dos carros das outras ruas por esse País fora) têm sido alvo da atenção por parte dos larápios. Assim de memória, e para avançar com números concretos, desde Dezembro do ano passado já vi partidos os vidros de uns 8 carros.
Posto isto, é normal que tenha passado a andar mais atento a movimentos estranhos por aqui. Desde pessoas que nunca vi por aqui e que me levam a parar no meio da rua para ver para onde vão, passando pela memorização das matrículas de carros que nunca vi aqui por estas bandas....entre outras situações que prefiro não relatar por aqui sob pena de engrossar a lista de pacientes de um qualquer hospício da zona da grande Lisboa.
Um larápio esperto não volta ao local do crime. Toda a gente sabe disto. É uma verdade "La Palissiana". A menos que estejamos perante um "gangue" organizado (que não acredito), estou certo que é sempre a mesma pessoa que cá tem vindo. Ou as mesmas duas pessoas (sendo que um fica sempre à coca, por razões óbvias). Outra verdade do género tem que ver com o momento do dia em que dá a "coisa" (furto). Dificilmente acontecerá às "claras". A razão é simples e tem que ver com o facto do(s) larápio(s) também terem amor à sua integridade física, pelo que, a madrugada é mais favorável. Convenhamos que a última coisa que passará na cabeça de um tipo que está na "sua onda", com todas as calmas deste mundo, às 0400H da matina e enquanto subtrai um auto-rádio (ou outro objecto) é levar com um "pé-de-cabra" com toda a força nas costas...Não se faz a ninguém. Mas quando se pretende que a "coisa" se dê às claras (hora do almoço), algo está errado. Ou é coragem ou mais...ou desespero a mais. Eu vou explicar.
Ontem à hora do almoço estava eu a passear a minha fera quando me apercebi de um carro a entrar na minha rua, com dois tipos com um mau aspecto pior que alguns arrumadores que conheço de vista ali do mercado da ribeira. Curiosamente o carro estacionou em frente a um posto de transformação eléctrica que há aqui na rua. Ou seja, com imenso espaço para estacionar, foram escolher um local onde por acaso estavam alguns carros estacionados - e onde também e por acaso alguns desses carros até já foram assaltados - e tinham como vista...o tal "mono" do posto de transformação eléctrico. Uau, que emoção! Claro que tudo isto fez disparar todos os meus alarmes da cabeça. Vim para casa e posicionei-me numa das janelas que dava para ter uma visão "privilegiada" do tal carro (e de eventuais movimentações dos seus ocupantes). 
Para mal dos meus pecados, não percebi muito bem o que acontecia no carro. Encontrava-me a umas boas centenas de metros de distância e a minha "visão de falcão" já teve melhores dias. E foi aqui que decidi exercer o meu dever cívico de zeloso contribuinte. Ligar para o 112 e reportar o que estava a acontecer. Duas vezes. De dois números diferentes. Quanto mais não fosse para que os dois fulanos fossem identificados. Em qualquer uma das vezes não tirei os olhos do carro pelo que não sei precisar concretamente quanto tempo deixei tocar na expectativa de ser atendido. Mas foi seguramente mais de 20 segundos. Resultado? Zero. Nada. "Bola". "Niente". Ninguém me atendeu qualquer uma das chamadas. E sinceramente, cada vez menos acredito na forma como está idealizada a resposta aos pedidos de emergência dos cidadãos. Não acho normal haver não uma, mas duas chamadas para o número nacional de emergência e ninguém atender. Mais, as chamadas devem ficar registadas e ninguém devolveu as mesmas.
Tive de sair de casa passados uns minutos e o carro já se tinha ido embora. Moral da história: Não vale a pena dar uma de "bom samaritano" e tentar ajudar a autoridade policial. Os meios de comunicação não são válidos. Mais...e agora em jeito de confidência / desabafo. Deveriam ser seleccionados agentes que não "dormissem na forma". Literalmente. Como me levanto cedo e passeio a fera também cedo, já encontrei duas vezes o carro da polícia escondido. Certamente que não estão à espera que alguém apareça naquela zona. Ainda para mais com os vidros embaciados e com todo o aspecto de quem dormiu um sono bem tranquilo e merecido. Enfim..o melhor mesmo é deixar os ténis da corrida à porta..e tirar as teias do "pé-do-caprino"!!

segunda-feira, março 25, 2013

Estive há dias em casa do meu irmão a passar uns dias, por ocasião do aniversário do meu afilhado Afonso. Nessa mesma altura esteve também a avó e a bisavó do Afonso (pelo lado da minha cunhada). Um dos quartos da casa do meu irmão era (e é) naturalmente dele  e da minha cunhada. Sobravam dois quartos. Um deles foi ocupado pelas "avós" do Afonso e o outro....foi ocupado por mim. Num escritório improvisou-se um colchão daqueles de ar para que eu pudesse ficar acomodado.
Fui buscar este colchão com o meu irmão a casa de um casal amigo dele. Simpáticos, bonacheirões. Gosto deste tipo de pessoas. Dois dedos de conversa e com o colchão emprestado já no carro lá fomos para casa. E não lhe tocámos até à hora de ir dormir.
Importa referir que o meu irmão é alguém experimentado nestas coisas de colchões de ar. As avós tinham um igual ao meu onde dormiram nesta temporada. O colchão é enchido com uma bomba eléctrica e permite a quem nele dorme um sono relaxante e revigorante durante uma noite inteira. Não permitiu a mim. E passo a explicar porquê.
O colchão foi enchido pelo meu irmão com a tal bomba eléctrica. Contente por ver ali aquele que seria o meu leito durante os próximos dias, deitei-me no mesmo e adormeci. De madrugada comecei a sentir que havia algo que não estava certo. Sou daquelas pessoas que dá voltas na cama. Numa dessas voltas percebi que o meu ombro estava a tocar de vez em quando numa superfície fria e dura. Mas continuei a dormir. Mas fiquei apreensivo. Passado algum tempo (não sei precisar porque tudo isto aconteceu durante o sono atribulado), percebi que estava deitado no chão. E fiquei assim algum tempo. Deitado no chão frio à espera de ouvir passos de alguém para me ajudar. Calhou ser o meu irmão...deviam ser umas 0730H. Chamei baixo para não acordar mais ninguém (e tentanto minimizar o ser visto assim e ser objecto de anedotas durante os próximos 7 anos). Disse-me mais tarde o meu irmão que estranhou porque pensou que fosse o vento ou mesmo impressão auditiva de ouvir o seu nome. Relembro que eu tinha a porta do escritório fechada e só ouvi passados..não sabia quem estava lá do outro lado. Mais atento conseguiu ouvir-me, estando eu quase tapado pelo colchão e com os joelhos na cara...
Percebeu-se no dia seguinte que o colchão tinha um furo lento. Ou seja, enchia-se..mas passado algum tempo, com o pêso do corpo perdia o ar conduzindo ao espectáculo que descrevi acima.
Nos demais dias dormi numa cama articulada comprada propositadamente. Não muito bem...porque é muito próxima do chão..mas melhor. Claro.

domingo, março 17, 2013

Nos últimos dias tem-se falado no regresso do Sócrates como comentador residente do (por enquanto) canal público (RTP 1) da televisão portuguesa.
É com alguma curiosidade que aguardo este regresso do Sócrates. Afinal, foram dois anos de absoluta reclusão e silêncio de alguém que deixou o País na penúria. De alguém que com um habitual e reconhecido mau feitio (e intolerância) foi para Paris tirar um curso de Filosofia e onde mantém uma conhecida vida de luxo. Há coisas que não entendo e esta é uma delas. Sócrates deixou Portugal como se vê, foi para Paris estudar, tem o filho a estudar numa das faculdades mais caras da capital francesa e pelo que li, há minutos, comprou um carro de uma marca alemã que custa qualquer coisa como 95.000 € . No dia do seu tão badalado regresso, apresentou-se nos estúdios da RTP com um carro alugado. É gozo, só pode.
Bem sei que há outros políticos que têm o seu espaço para o comentário semanal. Mas nenhum deles consegue reunir tanto ódio e repulsa como consegue o Sócrates. Não consigo assim de repente pensar em nada de bom na sua governação e quando me recordo de dois casos em que foi indiciado (caso Freeport e o caso da sua licenciatura-que-até-hoje-não-entendi-bem-à-semelhança-de-outras) fico verdadeiramente agoniado e (ainda mais) desacreditado no sistema judicial português. Afinal parece-me normal e lógico que me sinta assim. Se fosse uma outra pessoa da sociedade portuguesa, sem a proeminência destes políticos, já teria ido aquecer alguma cela de Monsanto há muito tempo. Sem apelo nem agravo.
Mas há mais. Há outra questão relacionada com o facto do Sócrates ter dito que fará o seu comentário de forma gratuita. Fiquei petrificado e sem expressão a olhar para a televisão. Acaso queria que eu (e mais 10 milhões de portugueses zelosos contribuintes) lhe pagássemos para o fazer? Depois de ter deixado o nosso Portugal depauperado regressa, qual D. Sebastião, da névoa, dizendo que não quer voltar à vida política activa num registo de uma sentida auto-comiseração e vitimização que tão bem sabe fazer. Acredito tanto nisso (quando diz que não volta à política activa) como no facto de até ao final do ano Portugal sair da profunda recessão económica em que se encontra.
A ver vamos nas próximas semanas.....a "narrativa" ainda agora começou....:-)

domingo, março 10, 2013

Concordo em absoluto quando é dito que Portugal é um País de brandos costumes. Facilmente penso em vários exemplos que me permitem avaliar essa situação de forma rápida. Senão vejamos: quem incumpre não é castigado. Quem "tem dinheiro" prefere incumprir em detrimento de cumprir. E por último, quem "não tem dinheiro" e por descuido ou desconhecimento incumpre, paga a conta de todos. É assim que funcionam as coisas por cá. Caso para, mais uma vez se parafrasear que uns são filhos da mãe e outros são filhos da "outra senhora"...
Tenho-me como sendo uma pessoa que se pauta por seguir valores morais e éticos "um pouco" diferentes daqueles que usualmente percebo estarem reflectidos na forma de estar/ser da generalidade das pessoas que conheço ou com quem tenho o prazer de privar. Não quero com isto dizer que sou melhor ou pior que as mesmas. Apenas vejo as coisas e funciono de forma diferente. 
Esses mesmos valores que refiro atrás fazem com que, diariamente seja acometido de um sentimento imenso de revolta quando percebo que, uma pessoa como eu, que tem como grande objectivo o ser "melhor" (prática do altruísmo), não só não sou reconhecido como comummente não vejo esta minha postura nas tais pessoas que conheço. Como resultado há diversas situações com as quais não consigo concordar/pactuar e que tenho de gerir internamente por forma a não permitir que surjam "clivagens".
Por muito que defenda que deverá sempre haver uma forma de estar coerente e consistente, com ideias claras e precisas sobre várias temáticas estruturais, rapidamente chego à conclusão que estou sozinho nessa "senda". Tenho uma grande dificuldade em adaptar-me a novas situações que colidam com a minha forma de estar e com os valores que sigo. Talvez por isso me custe aceitar determinados comportamentos ou atitudes vindos de pessoas a quem reconheço inteligência. No "final do dia", penso eu muitas vezes, a consciência é de cada um. Eu cá durmo descansado. Todas as noites.
Com as notícias tornadas públicas todos os dias relativamente à roubalheira da banca, à impunição dos "mais que conhecidos" culpados, sobre o aumento da carga fiscal (e consequente compromisso da qualidade de vida) entre outros assuntos relacionados, é natural que me sinta particularmente sensibilizado. 
 Terapeuticamente tenho perdido algum tempo na realização de exercícios de "relativização" e "perspectivação" de temas. E de controlo da ansiedade e da hiperventilação. Só assim consigo "avançar" e viver numa sociedade viciada, onde a cada dia que passa o sentimento de injustiça está mais presente. Em paralelo com a constatação da perda de todo um conjunto de direitos e regalias de uma vida inteira. E já não falando do enriquecimento (ainda mais visível) dos grandes grupos económicos por cá instalados...

domingo, março 03, 2013

Desde há uns anos a esta parte que tenho um (entre vários) dilema em mãos. Mais uma vez, dirá quem fielmente me acompanha nesta série de infortúnios que aqui tenho partilhado.
Não tenho de memória se já aqui desenvolvi a minha pouca paciência e jeito para andar na rua quando está a chover. Acredito que ninguém goste de apanhar molhas, mas também não tenho qualquer dúvida que devo ser das poucas pessoas que tem mesmo azar quando anda à chuva. Não só porque chove entenda-se, mas também porque (e mais uma vez) a espiral de azar está sempre "à coca" comigo. E normalmente leva a melhor. Consigo não só ficar molhado mas também, e não raro, magoado. Passo a explicar. Deixei de usar guarda-chuva há muitos anos. Ou porque perdi vários (esquecimento mesmo) ou porque me magooei várias vezes a mim mesmo (e.g.: entalando a pele das mãos no punho do guarda-chuva, ou o punho destacar-se do resto do guarda-chuva que me acertava na testa...), pérolas deste género.
Assim sendo teve lugar o natural abandono de guarda-chuvas. E passei a optar por uma de duas soluções: ou sem nada e aí sim, consciente de que iria apanhar verdadeira molha à moda antiga ou então o recurso ao capucho dos casacos. E é nesta minha segunda solução que me irei tecer algumas considerações.
Moro numa zona onde não raro há ciclones. E especial e concretamente na zona onde eu tenho de andar a pé, porque só assim consigo encontrar justificação para o facto de ser a única pessoa que se queixa das fortes rajadas de vento por estas bandas. Pior que andar a pé com vento...só mesmo com vento e chuva. Aliás, por mais que pense..não encontro cenário pior. Há vários tipos de chuva, tambm sei, mas qualquer chuva é...é invariavelmente"molhada". E ajudada por uma ligeira brisa..por mais pequena que seja...o cenário piora.
É certamente conhecido por quem usa o capucho a sensação claustrofóbica vivenciada. E o ajustar do capucho à cabeça. Aqui também tenho algo a dizer. O meu "corta vento" da corrida por exemplo, não tem capucho. Ou por outra, tem, mas é como se não tivesse. Há uns tempos fui correr com este casaco. Fiz mal porque o próprio nome do casaco alude ao seu propósito claro: "corta-o-vento". Apostei mal e num dia cinzento achei que poderia servir. Mas não. E claro...debaixo de uma bátega forte..a dada altura, a diferença entre ter levado o tal casaco e ter mergulhado num poço era nula. Porquê? Porque o cordão do capucho não apertava. Por mais que o apertasse e desse nós...passadas algumas passadas abria-se. E como sou cabeça dura...não deixei de ir correr por essa mariquice. Claro que paguei a factura com uma constipação...
O cordão do capucho é qualquer coisa de irritante. Se por um lado serve para manter a cabeça protegida da intempérie, por outro lado conduz a figuras ridículas. Já alguém experimentou andar meia hora com o capucho vestido e bem justo? É fantástico. Especialmente se no meio do passeio encontrarmos alguém conhecido. E por deferência tivermos de tirar o capucho, expondo um maravilhoso penteado qual lambidela da vaca Cornélia...já não falando de ser possível aparentar uma côr cianosada por via da fraca irrigação sanguínea ao cérebro....Enfim. Um mal necessário!

domingo, fevereiro 24, 2013

Como qualquer outra pessoa tenho os meus princípios e valores morais (e éticos). Considero-me um bom profissional, zeloso das minhas responsabilidades e cumpro as minhas obrigações o melhor que sei. Como diz o povo.."Quem dá o que tem a mais não é obrigado". E não me sinto obrigado a dar mais porque dou tudo o que tenho. Por vezes dou demasiado. Mas isso é outra conversa.
Uma das chaves para uma boa liderança é sem dúvida alguma o reconhecimento individual do mérito de um colaborador. Nem todas as pessoas têm a mesma capacidade de executar bem uma tarefa. Por vezes são experimentadas dificuldades por algumas pessoas que as outras não experimentam. Fará parte da própria pessoa e da sua experiência pessoal. E fará parte do líder aperceber-se das dificuldades de progressão dos elementos da sua equipa em determinada matéria. E acompanhar esse elemento. Ajudando-o. Conduzindo-o. Nem todos o fazem porque não sabem. É muito mais fácil de forme "autista" alhear-se da realidade e enfiar-se no seu gabinete. No seu mundo. Onde quem entra (ou tenta entrar) é recebido com uma qualquer observação apática quando aquilo que se pretendia era uma orientação. Não tenho dúvida de que será o que por aí mais há.
Não sou pessoa de pedir favores. Não peço favores para depois não me cobrarem e pedirem também que interceda em determinado campo. Há muitos anos que sou assim. Mas entendo que por vezes tenho de "sair da caixa" e em benefício de terceiros tenho de pedir algo. Algo que até nem seria para mim ou para meu benefício em última análise. Seria sim para o benefício de terceiros. Resumidamente, há pouco tempo foi indeferido um pedido meu. E senti-me um pouco "sem pé". Talvez não tenha sido pelo "não" em si. Foi mais pelo facto de eu, que nunca peço nada o ter feito, e ter visto gorada a minha vontade. Sem que haja uma explicação verosímil.
Bem sei que o actual momento não é propício a gastos . Contudo, é necessário, na minha opinião, que quem de direito saiba avaliar os gastos "versus" benefícios que advêm de determinados investimentos. E parece-me que nesta situação em concreto tal avaliação não foi efectuada de forma exacta e objectiva.
Naturalmente que não deixarei de cumprir as minhas obrigações da melhor forma que sei, como aliás já referi. Mas certamente que não irei esquecer este episódio. Infeliz de resto.

domingo, fevereiro 17, 2013

Quem me conhece há algum tempo sabe que tenho uma paixão imensa por automóveis. Já aqui escrevi no blogue sobre esse assunto variadas vezes e abordando temas relacionadas com esta temática.
Um dos prismas do mundo automóvel é nem mais nem nemos que a transacção comercial. O "compra e venda" de automóveis. Já experimentei ambos os lados (quer de venda, quer de compra) e por isso estou muitíssimo à vontade para falar com conhecimento de causa.
Na qualidade de vendedor...acho que sou justo. Faço o meu trabalho de casa. Há locais na internet onde é possível aferir o valor comercial de um carro por aproximação ou valor médio, se preferirem. Se 10 carros da mesma marca, modelo e ano valem 4 euros não fará sentido eu pedir 14 euros pelo mesmo. Ou por outra, fará sentido se eu quiser morrer com o carro na minha posse. É aqui que se separa "o trigo do joio". Há um grupo de pessoas que não faz o trabalho de casa e atribui a alguns carros um valor desmesuradamente distante da realidade.
Para facilitar, há os vendedores de automóveis conscientes (grupo no qual me insiro) e há também o grupo dos vendedores de automóveis sem consciência. Aqueles que vendem os carros (tipicamente o vendedor de stand) sendo que lhes conhecem problemas ou um historial de problemas que poderá, a seu tempo, comprometer a segurança dos ocupantes daquela viatura..E ainda com outro detalhe: Na minha perspectiva de "crítico acutilante", entendo que alguns vendedores de automóveis deviam abandonar esta actividade profissional para se dedicarem à venda das tão saborosas "Queijadas de Sintra" ou (e porque não) explorar a actividade de apanha nocturna de gambuzinos. Seriam certamente mais bem sucedidos. É um pouco constrangedor quando o vendedor não tem resposta para um comprador mais informado e exigente. Ou quando não demonstra um conhecimento técnico capaz de dar resposta às várias questões que lhe são colocadas. Ou simplesmente porque não sabem e não tem vontade de saber. Ou pior...porque não acredita no que está a vender. E isso percebe-se facilmente. 
Do lado de comprador as coisas não são mais famosas. O trabalho de casa é igualmente feito por mim. Leio muito sobre o que quero comprar. Questiono quem eu sei que conhece o automóvel em causa. Reúno o máximo de informação possível. Vejo os pontos fortes / fracos de determinado carro. Faço a minha avaliação e apreciação do negócio. E mais uma vez, sou justo no valor que atribuo a determinada viatura. Valor esse que posteriormente é confirmado (ou não) quando vejo o carro presencialmente. Contudo, há uma máxima que norteia os negócios dos automóveis: "Pede-se o que se quiser e só paga quem quiser". É uma verdade incontornável. Contudo, é na conversa prazeirosa que tenho com alguns vendedores que invariavelmente vem ao de cima o que de pior tenho em mim. Não suporto pessoas petulantes e acéfalas. Pessoas que acreditam nas suas mentiras e que não são razoáveis. E sinceramente, é o que mais há por aí. Na qualidade de comprador...lido várias vezes com pessoas deste calibre. E até podia desligar-me e seguir em frente...mas fico profundamente irritado e só me dá vontade de querer que esses vendedores me digam algumas coisas na cara, em detrimento de as dizerem ao telefone. Fico fora de mim, sinceramente.
Até lá...vou tentando fazer os melhores negócios que consigo. Uns mais fáceis e outros mais trabalhosos!

domingo, fevereiro 10, 2013

Por ocasião de um infortúnio que tive num dos meus carros há uns dias atrás, tive de aprofundar conhecimento técnico sobre um determinado assunto. Não foi nada de muito grave, mas como sempre gosto de conhecer um pouco mais detalhadamente o porquê das coisas. Desde que me conheço que sou assim. E se assim o pensei, assim o fiz.
Um dos meios de informação mais ricos que existe, actualmente, é o meio virtual. Este, da "internet". Permite-me ler uma opinião técnica de um engenheiro que está no Massassuchets e volvidos 2 minutos a de outro técnico que está na África do Sul. Giro não é? É. E só foi tornado possível devido a várias décadas de aperfeiçoamento desta maravilhoso mundo. Contrariamente ao que acontecia há uns...25 anos atrás. Mas nem tudo é bom.
Um dos grandes problemas apontados a este meio - senão o maior - é precisamente a informação não "validada". Ou seja, e trocando por miúdos, nem toda a informação disponível no meio virtual é fidedigna ou tem uma base científica que sustente a mesma. E assim aparece rapidamente o termo "desinformação". E se a há...
É impossível controlar toda a informação que está disponível à distância de um clicar do botão do nosso rato. Se assim fosse (e fora da esfera dos meios oficiais e canais de informação onde a informação é obrigatoriamente validada) rapidamente surgiriam as acusações de censura e do regresso dos tempos do "lápis azul". 
Uma das formas de partilha de conhecimento é precisamente o espaço público dedicado a um determinado assunto - fórum. O fórum é um local onde qualquer pessoa se pode registar (em alguns é necessário preencher alguns requisitos específicos), para debater um determinado tema. Na generalidade dos fóruns que conheço o registo é simples. Assim seja validado o tal registo é tornada possível a interacção do novo utilizador com outros utilizadores e o cabal (ou não) esclarecimento das dúvidas que levaram esse utilizador a registar-se nesse espaço público. Mas nem tudo corre bem.
Diariamente cruzamo-nos na rua com pessoas dos mais variados estratos sociais. Com as mais variadas experiências de vida. E naturalmente com as mais variadas educações. É uma leitura simplificada do que acontece por analogia no meio virtual. Pode dar-se o caso de registo de um magnata dos diamantes que é um ordinarão e ocorrer simultaneamente o registo de um desempregado extremamente bem educado. Ou vice-versa. O que quero dizer é que no mundo virtual todos podem ser aquilo que quiserem...e dizer o que disseram. Atrás de um monitor.
Em fóruns específicos automóveis - aqueles que frequento numa óptica de aprendizagem e partilha de conhecimento - acontece constatar muitas vezes estas realidades da "educação / não educação" e ainda da tal "desinformação". Ou seja, pessoas que ou por serem mal formadas ou porque abusam do conhecimento "não-fundamentado-cientificamente" e como tal perdem toda e qualquer credibilidade. Uma coisa é alguém não saber onde leu algo e esforçar-se por encontrar alguma referência ao que defende publicamente. Outra aspecto será o de defender algo sem qualquer tipo de sustentação. É isto que tira muita credibilidade à informação no mundo virtual. E há imensa informação baseada em conhecimento empírico e no facto "do-sogro-do-tio-do-primo-da-minha-cunhada-já-ter-feito-assim-e-ter-dado-resultado". E se em fóruns automóveis é um "mal menor", já em noutro tipo de fóruns (médicos, por exemplo) os danos podem ser consideravelmente superiores e os sentimentos de angústia e de preocupação (em alguns casos sem fundamento) serem evitáveis.

domingo, fevereiro 03, 2013

Ao longo do tempo tenho percebido algo incontornável - não tenho "ouvido" para a música. Ou por outra, ouvido até tenho. Padeço é de uma "não sincronização" entre a minha actividade cerebral e uma qualquer música que tento trautear. O resultado final é que com minha voz forte e grossa consigo o feito prodigioso de fazer uma betoneira em funcionamento soe como uma melodiosa harpa.
Se quando era miúdo ainda tinha piada porque sabia de cor todas músicas de todos os anúncios televisivos (quem não se lembra do anúncio do Citroen Mehari e do Mokambo) animando assim os serões da família, já hoje em dia as coisas não me correm de feição. Em primeiro lugar porque são raros os anúncios que têm melodia ou música. Em segundo lugar porque ninguém tem paciência para ouvir aqui o "Carreras" cantar. Faz sentido. É mais agradável arranhar mármore do que dar-me 2 minutos de tempo de antena. Mas tudo bem. Vivo bem com isso.
Outro aspecto que entendo ser muitíssimo interessante prende-se com o facto de que reconheceras minhas limitações noutras línguas que não a portuguesa. Sou humilde o suficiente para o assumir sem qualquer desprestígio ou sentimento de culpa. É a minha realidade. E isto após ter considerado os mais de 10 anos de aprendizagem da língua inglesa ou os 4 ou 5 árduos anos que tive de língua gaulesa. Nunca ninguém me ouviu cantar alto músicas em língua estrangeira. Em primeiro lugar porque na generalidade das vezes a letra não faz qualquer sentido - "Nada nos vai salvar e sinto que as ondas nos puxam para cima e para baixo" (letra traduzida de uma música que estou agora mesmo a ouvir). É este tipo de incoerência que falo. E em segundo lugar porque tenho um problema gravíssimo...derivado da tal limitação linguística...o "tempo" da música é severamente comprometido e por vezes já acabou o refrão da música e aqui o escriba continua a cantar. Por estes motivos prefiro o cantar no duche. De forma anónima. De mim para mim.
Se eu próprio me reconheço como mau intérprete de músicas cantadas na língua estrangeira já o mesmo não se aplica aos demais. Daí a ouvir inventar palavras em inglês (ou outra língua) é um "tiro". Ou então estar-se a cantar e como se desconhece a letra avança o "tana-na-na-nna" acompanhado da batocada no volante ou tablier do carro. Tenho visto verdadeiros bateristas no trânsito. E guitarristas. Confesso que me dá um certo gozo e não raro rio-me para dentro. Porque é um facto que a música realmente "flui". E como são raras as pessoas que não percebem a letra e só conhecem a melodia...ninguém repara e todas gostam!!

domingo, janeiro 27, 2013

Há uma questão que me deixa muitas vezes muito contente. Falo daquelas pessoas que melhor do que eu, seguramente, conhecem e têm conhecimento da fortuna que tenho depositada na minha conta bancária. Ou seja, não interessa se sou ou não preocupado com o saldo médio mensal. Não interessa se tenho muito ou pouco dinheiro. Interessa que partilho o conhecimento do pouco que tenho amealhado...com várias pessoas. Eu vou explicar melhor.
Não tenho de memória a última vez que disse a alguém para comprar algo (ou não comprar) por ser barato ou caro. Porquê? Porque essa avaliação do "caro/barato" deverá partir da própria pessoa. Qualquer pessoa concordará que o facto de eu dizer que considero barato um "Porsche" poderá ser ofensivo para um desempregado. Ou analogamente, o facto de eu dizer que considero caro um "Renault Clio" poderá ser anedótico para um qualquer magnata do petróleo. Este tipo de avaliação será sempre relativizada por "defeito" ou por "excesso" tendo em linha de conta o interlocutor. Parece-me óbvio.
Considero-me uma pessoa terrena. Não tenho mais do que aquilo que posso manter. Tenho uma vida serena e considero-me um contribuinte exemplar. Daqueles que para não receber uma carta do Sr. Macedo (lá dos Impostos) paga tudo de imediato assim que recebe a notificação. Ou seja, o dinheiro rende sempre...mas do lado do Estado. Aqui do lado do zeloso e cumpridor contribuinte....apenas rende a consciência mais leve. A par e passo de uma conta bancária igualmente mais leve. 
Voltanto à "vaca fria". Não entendo a razão pela qual alguém que me vende um serviço/bem sente necessidade de adjectivar o mesmo: "Ah, isso é barato" ou "Pois é....vai ser carote". Acaso teve acesso ao meu extracto bancário? Como sabe se eu considero "caro" ou "barato"? As pessoas fazem as avaliações baseadas na "sua" realidade. Mas se é a "sua" realidade...porque razão a partilham? Porque razão sentem necessidade de partilhar com um completo estranho (maioria das vezes) esta sua leitura ou avaliação das coisas? Ainda estou para entender! Alguém que me explique. Se conseguir.

domingo, janeiro 20, 2013

Como em tantos outros finais de semana, ontem de noite calhou ter de ir buscar o jantar fora a um restaurante aqui próximo. 
 Na medida em que o meu Paco há muito tempo não saía de casa para ir passear de carro, acabei por optar levá-lo comigo para dar uma volta e apanhar fresco na ponta do seu nariz.
Os momentos de passeio de carro para o Paco equivalem, julgo eu, e se fosse possível arranjar uma analogia rápida, a qualquer coisa tipo ter saído a terminação da lotaria ou alguém ter acertado em 5 números do "euromilhões". Ou se calhar a algo ainda mais intenso.
Fui buscar o jipe (carro do Paco) que coloquei à porta de casa e abri a porta traseira do mesmo. Natural e logicamente que o Paco viu ali imediatamte mais um dos seus momentos de passagem para o paraíso - mais uma viagem de carro. E como sempre, começou aos pulos e aos saltos (com círculos no ar) do lado de dentro do quintal de casa. A chamada "dança-do-Paco-que-vai-passear-de-carro".
Mal abri o portão o "sacrista" viu ali uma oportunidade única de se esgueirar e abreviar a sua ida para o paraíso. De forma silenciosa e sub-repticiamente tentou passar entre mim e a parede. Claro que me apercebendo de tal feito não deixei e adverti-o para não fazer aquilo ao que obedeceu. Ao mesmo tempo quis segurar o portão para o fechar e impedir que o Paco saísse sem estar devidamente controlado / calmo. Não olhei para onde punha a mão na medida em que não queria que o Paco fugisse. E claro aconteceu o que tinha de acontecer. Entalei o dedo. Mesmo por baixo da unha, naquela zona onde a pele é mais fina. E claro...na zona mais dolorosa de todo o dedo. Tinha mesmo de ser.
Inicialmente pensei que tivesse sido arrancada a cabeça do dedo indicador esquerdo. Posso adiantar que as temperaturas exteriores deviam rondar os 5ºC e como se pode imaginar, a dôr alucinante fez-se sentir ainda mais. Agarrado à ponta do dedo comecei aos saltos. Lógico. Não me lembrei de fazer outra coisa. Podia ter-me dado para começar a cantar em tirolês. Mas não deu. Foi mesmo para começar aos saltos o que levou a que o Paco parasse momentaneamente a sua dança e ficasse a olhar para mim surpreso.
Passados dois minutos de sofrimento intenso achei que era altura de parar com a fita de maricas. O Paco recomeçou com os pulos (e círculos no ar) totalmente indiferente ao meu sofrimento agudo. Resolvi abrir o portão com a minha outra mão sã por forma a permitir a sua saída do quintal e entrada para o jipe.
Dado que o jipe está preparado para fazer "todo-o-terreno" tem uma altura considerável ao solo. Assim sendo, desde sempre que pego no Paco ao colo e coloco-o dentro do compartimento de carga. Se era simples (e obviamente mais leve quando o Paco tinha 4 meses) hoje em dia é um pouco mais complexo. Não só porque se debate ao meu colo com a excitação típica de quem tem a certeza que o mundo vai terminar daí a 3 minutos, bem como pesa 10 vezes mais. A forma de o pegar é relativamente simples: o braço esquerdo passa pela cabeça e vai ter à barriga e o braço direito ampara o resto do corpo, passando pelo lado direito. Mas ontem, como estava dorido da mão esquerda não completei o processo todo a 100%. A primeira parte até executei bem. Já a segunda parte não fiz completamente bem. Resultado: peguei só em metade do Paco a debater-se com toda a força ao meu colo até o colocar no compartimento de carga do jipe. Claro que com este esforço repentino acabei por dar um jeito no peitoral direito que até vi estrelas. Só podia. Conclusão: Paco dentro do carro e eu às voltas ao jipe, com dores no indicador esquerdo e no peitoral direito. Nota: Se alguém tiver tido a oportunidade de ter filmado isto e publicar no "youtube" ainda vai ganhar bom dinheiro à minha conta..
Alguns largos momentos mais tarde lá acabei por partir em rumo ao restaurante. O Paco efusivo, como sempre. Eu contente pelo menino estar bem (e alegre), mas fisicamente dorido. Mas a dor foi largamente compensada pela alegria que se percebe naquela alma. A repetir. Desejavalmente sem dôr..

domingo, janeiro 13, 2013

Entre tantas outras coisas em que penso com muita regularidade, tenho dedicado estes últimos dias a matutar em algo curioso, mas não menos peculiar. Os desportos náuticos e especialmente os desportos de mar. Aqueles onde a essência do mesmo está em "apanhar" uma onda. Ou "dropar um set" de ondas. Ou (e porque não) efectuar o tão complexo e artístico "duck diving". Pareço um entendido? Não o sou. Cresci a ouvir estes termos proferidos por amigos/colegas que faziam "bodyboard" ou "surf" enquanto eu falava (sozinho) de ir às Amoreiras no "58" (autocarro que fazia o percurso de Benfica até este magnífico centro comercial inaugurado na ida década de 80). Também tenho de memória o "Heitor", um rapaz que morava lá na rua e que optou por seguir o "windsurf". O Heitor era um tipo diferente de mim e da generalidade dos meus amigos. Mais velho uns anos e um tipo com um reconhecido sucesso junto do sexo oposto. Tinha um cabelo loiro com rabo de cavalo e uma barba de 3 dias. Não raro passava algumas horas a bater a jogar ténis contra uma parede que havia nas traseiras dos nossos prédios. Podia dar-lhe para pior.
Habitualmente, no Inverno não se fala em ondas. Fala-se em "vagas". Fala-se em marés vivas. Fala-se em vagas de 6,7 metros de altura. E é aqui que começa a minha introspecção que referi no início desta partilha. Vejamos: Todo o santo dia, durante os 365/366 dias de um ano, os fanáticos dos desportos marítimos consultam a internet, descobrem onde está o mar mais "crispado" e rumam a essa praia o mais depressa possível como se não houvesse amanhã. Para ter a satisfação de ter "dropado" mais umas dezenas de ondas, quero eu acreditar. Contudo, quando o mar está mesmo revolto e bravo, não se vê ninguém entrar. Aqui reside a minha dúvida: Não deveria ser este um momento único para a prática deste tipo de actividade? Assim estão reunidas as condições óptimas de vento e altura das vagas? Mas não....São raros os aventureiros que se fazem ao mar com estas particularidades atmosféricas....
P.S.: Havia uma lenda que o Heitor ía fazer o seu "windsurf" com condições atmosféricas bem adversas. Quando não jogava ténis, portanto!

domingo, janeiro 06, 2013

Mais um ano que se passou. Altura de efectuar o balanço das resoluções que fiz no início do ano passado e aferir quais aquelas que foram cumpridas e as que não foram cumpridas. Para estas últimas, analisar as razões que impossibilitaram que tal fosse tornado possível.

Lamento que não me tenha saído o euromilhões todos os meses de 2012. Era uma das resoluções do ano passado e que desde já posso adiantar que mantenho para 2013. Sinto-me com imensa sorte e acredito que é este ano que a Santa Casa me vai dar alguma coisa. 

Profissionalmente as coisas correram bem e senti-me útil à empresa durante 2012. Além de ter tido a nítida percepção de ter "crescido". Tornei-me mais autónomo, mais profissional e naturalmente mais exigente quer com o meu trabalho quer com o trabalho de outros. Tentei passar ao lado das quezílias profissionais e de exemplos flagrantes de mau profissionalismo e/ou falta de brio de outras pessoas. Consegui ser superior a isso e com muita calma e serenidade consegui "levar a água ao meu moinho". Ou seja, cumprir os meus objectivos diários, mensais e anuais. Já não falando na sorte de ter tido trabalho durante o ano passado...

Saúde também não faltou, Graças a Deus Nosso Senhor. Aparte das habituais maleitas sazonais, nada mais de extraordinário se verificou. Ah...ok, não falando daquele tralho que dei na corrida (e que falei aqui num dos meus textos). Mas esse não conta. De resto, com um ou outro susto, as coisas foram correndo bem comigo e com os que me são mais queridos. Já que falo no tralho, importa também referir a grande mudança que teve lugar no ano que terminou há dias. O regresso à actividade física - no caso a corrida e ainda parte da musculação.

Espero que este novo ano continue a ser diferente numa série de aspectos. Que se mantenha tudo aquilo que consegui alcançar o ano passado (dispensando o tralho) e que consiga também ter a força e coragem para empreender uma série de esforços para conseguir ainda mais. Assim haja optimismo e determinação. Duas coisas que não me faltam!!

Bom ano!

domingo, dezembro 23, 2012

Eis que somos chegados a mais um Natal. É com uma enorme satisfação e um claro regozijo que escrevo estas linhas para os meus seguidores. Significa, em primeiríssima mão que ainda ando por cá, no mundo dos vivos. E em "segunda mão" tenho mais uma certeza: mais um ano que irei comer várias rabanadas com calda de açucar (muita, de preferência) ou os clássicos e tão saborosos sonhos de abóbora. Para quem não aprecia qualquer uma destas iguarias avanço que não há problema nenhum. Pode enviar para mim que eu trato do assunto em menos de um fósforo.

Tenho também a informar que este ano constitui um marco para a posteridade. Durante algumas semanas andei a preparar um discurso. Um discurso preparadíssimo para esta quadra e para ter lugar com a devida antecedência, não fosse ser mal aceite a mensagem que tinha para dizer e ter de recorrer a um plano de recurso (plano B). Mas passo contar a história toda para que todos entendam.

Como tem vindo a acontecer em anos anteriores, aí por Junho, Julho deste ano decidi começar a pensar e a preparar numa lista de compras de Natal. Não para muita gente. Mas para as 20 a 25 pessoas mais próximas de mim. E comecei desde logo a pensar em pessoas a quem queria oferecer algo. E o que oferecer às mesmas pessoas. Há pessoas que merecem coisas. E "outras" pessoas que merecem "outras" coisas, se é que me entendem. Até meados de Novembro do corrente ano já tinha uma ideia muito aproximada do que oferecer às pessoas (e às outras pessoas) e em início de Dezembro resolvi colocar "mãos à obra" e encetar esta árdua tarefa que é ir procurar (e encontrar) o que com tanto carinho pensei oferecer.

Pois é. Já se imagina. Quem me segue há algum tempo sabe bem que tenho (entre outros) um problema sério (por resolver comigo mesmo) relacionado com as multidões. De, por exemplo, querer ir a um sítio e não haver estacionamento livre: Quem nunca experimentou o entrar num estacionamento subterrâneo nesta altura do ano e ver os vidros do carro ficar imediatamente embaciados e não ser possível ver um palmo à frente do nariz? Para mim é pior que enfiar farpas de madeira debaixo das unhas das mãos e dos pés. Já não falando em ficar próximo de uma apoplexia acompanhada de emudecimento.

Derivado do meu problema acima e que não raro me faz ficar com tremores pelo corpo todo e suores frios só de pensar em ter de ir a uma grande superfície nestas épocas, optei pelo "plano B". E eis que chegamos aquela que é a minha grande novidade de 2012: Não comprei prendas de Natal antes de dia 25 de Dezembro. E foi por isto que foi necessário preparar o meu discurso ao longo de várias semanas. Tinha de ser suficientemente persuasivo e assertivo para justificar o porquê da quebra de uma tradição secular praticada na minha família directa (honrosa excepção feita para com o Afonso com quem cumpri a minha importante e zelosa obrigação atempadamente).

Se assim pensei..melhor o fiz. Há coisa de uma semana informei que este ano ía ser experimentado um modelo diferente: seguir o calendário natalício espanhol (para quem anda a dormir na forma passa por abrir as prendas no dia 06 de Janeiro, dia de Reis). Reconheço que talvez tenha dito isto com um estranho e folgado entusiasmo na medida em que os meus pais olharam para mim como se lhes tivesse dito que ía mudar de sexo no dia a seguir. Talvez estivessem à espera de outro tipo de partilha. Ou por outra, talvez não tivesse sido necessário prepará-los mentalmente como se se tratasse de uma comunicação solene...

Valeu-me o facto da minha mãe ser uma pessoa prática e pragmática. E de ter dito que afinal também não tinha comprado prenda alguma. E que esperava pelas boas compras que se podem efectivamente fazer com toda a calma durante a época dos saldos (época em que as pessoas já não vão acorrem tanto porque gastaram o subsídio todo - quando existia - antes do 25 de Dezembro).

Dentro de uma semana pego de novo na minha lista. E aí sim, irei às compras. Agora com calma. E claro, com preços mais em conta. 

Santo Natal.

domingo, dezembro 16, 2012

Tenho pensado variadíssimas vezes na complexidade associada aos relacionamentos afectivos. É curioso constatar que eu próprio já defendi posições extremadas: há uns anos dizia que as relações não eram complicadas. As pessoas é que o eram. E consegui defender essa teoria durante uns anos sem ser apedrejado. Depois, e talvez por cansaço de haver tanta gente a concordar comigo, resolvi passar a defender uma teoria algo oposta. Do contra, se quiserem. Afinal as pessoas eram simples. As relações é que eram complicadas (Nota: Não me admira que resida aqui a razão pela qual algumas pessoas deixaram de me falar (afinal não será assim muito normal uma pessoa defender ideias tão diferentes!!).

Hoje em dia defendo uma teoria ligeiramente diferente. Posso avançar que estou perfeitamente à vontade para partilhar e debater a mesma com alguém interessado (e com paciência) em fazê-lo comigo. Uma relação será tão mais duradoura quanto melhor e mais harmoniosa for a gestão dos conflitos que naturalmente (e obviamente) surgem no quotidiano de duas pessoas. Acredito que com o stress diário (e na maioria das vezes feitios complexos) essa gestão passe a ter de ser praticada rapidamente. E de forma eficiente para que tenha lugar a manutenção da relação.

O que acontece, quando não há filhos (e às vezes quando os há), é que as pessoas têm cada vez menos paciência para falar das coisas. O caminho mais fácil, e aquele comummente seguido, passa por cada uma das partes seguir o seu caminho e tentar ser feliz com outra pessoa qualquer. Refazer a vida e deitando por terra anos de relacionamento, partilha de amigos, familiares, etc. Em menos de nada cai tudo por terra.

Há uns anos atrás não me fazia sentido falar-se em manter uma relação quando a "chama" entre ambas as partes não existia mais. Hoje em dia não penso de forma tão linear e directa. Na minha opinião é importante perceber o porquê das coisas terem chegado a esse ponto e experimentar tudo o que estiver ao alcance para corrigir. Às vezes há soluções que não são logo percepcionadas, mas que após alguma conversa e calma acabam por aparecer. Outro exercício importante passa por pesar ambos os cenários: o que é a vida "nesse momento" (em plena recessão económica) e o que será a vida a partir do "ponto final" na relação. E se calhar perde-se muito se for tomada uma decisão não ponderada e impulsiva de terminar a relação. E invariavelmente chegamos a uma situação cada vez mais frequente: pessoas que terminaram a relação, não têm qualquer sentimento um pelo outro, mas partilham o mesmo tecto. Faz-me uma confusão bastante grande. Mais ainda quando me falam em pessoas que levam os novos companheiros para casa (e o/a ex está lá)!

Talvez seja eu que sou demasiado "quadrado"..ou não!!

domingo, dezembro 09, 2012

Começo por informar que sou completamente a favor da liberdade de expressão em toda e qualquer circunstância e/ou dimensão imaginável. Esta é a minha verdade e agradeço que seja retida ao longo de todo este meu texto.

Os meios de comunicação social mandam no mundo. Creio que não há qualquer dúvida relativamente a este aspecto. Contudo, e para mim, a forma como esse poder é conseguido e gerido faz-me pensar um grande bocado. Poderia aqui elencar vários exemplos que me parecem perfeitamente elucidativos da mensagem que pretendo transmitir, neste texto mas o chamado jornalismo de investigação bastar-me-á.

Já aqui escrevi em tempos umas linhas sobre o facto de nesta profissão (jornalismo) haver os bons e os maus profissionais. Como em tudo, de resto. Contudo, não me parece que pelo facto da Teresa (mulher-a-dias cá de casa) dizer mal de mim venha algum mal especial ao mundo. Certamente terá as suas razões e acredito que na sua esfera pessoal (que será tanto maior quanto maior fôr a sua rede de contactos pessoais e a sua vontade de dizer mal de mim) terá  sua impactância. Mas restringer-se-á a esse domínio da sua esfera pessoal. A Teresa (que eu saiba) não tem pressões ao nível de um Conselho de Administração para obter "share" ou objectivos mensais ao nível dos melhores. Também acho pouco provável que faça um "benchmarking" contínuo para saber o quão mal dizem as suas amigas dos seus patrões para poder conseguir dizer pior. Ou melhor. Tudo isto passa-lhe ao lado e não lhe interessa absolutamente. Apenas e só diz mal...porque sim. À sua dimensão como refiro atrás. É terapêutico dizer mal.

No mundo dos meios de comunicação social as coisas mudam um pouco de figura. O alcance e a fortaleza de determinada notícia poderá ter são francamente diferentes. Falo de um enaltecimento, um reconhecimento de um acto ou do mérito de determinada personalidade ou por outro lado, o enxovalhamento dessa mesma personalidade. E passo de imediato a explicar melhor o meu ponto de vista com uma situação concreta.

Imagine-se um Sr. Ramiro que tem um pequeno talho. Imagine o(a)  leitor(a) que gasta desse talho desde que se conhece como gente. Nunca lhe faltou um chispe ou uma farinheira "5 estrelas" para um cozido de Domingo. Sempre com a maior das delicadezas, trato fino e extremamente educado e pautando-se sempre pela máxima deferência. Afinal é isso que fideliza. Ir-se sempre ao mesmo talho (ou a outro estabelecimento) e ser-se tratado pelo nome. É engraçado.

Num certo e determinado dia o Sr. Ramiro tem, entre outros, um cliente especial. Um jornalista. É Natal, muita gente no interior do talho, muitas encomendas de perús e leitão para aviar além dos pedidos normais de carne / enchidos. Acontece que no meio desta azáfama toda o Sr. Ramiro troca dois recibos e pede ao tal jornalista que pague o leitão assado inteiro que a Dona Maria Virgínia encomendou na semana passada. Resultado: a despesa final das febras finas de porco que o jornalista tinha pedido para aviar quintuplica. Sim, aquelas que ía levar consigo para a cozinha da redacção da revista e pensar no tema que ía desenvolver.  Na mente deste profissional do jornalismo - que poderá ser (ou não) tortuosa  - conclui que tem ali um "furo" e que sem dúvida alguma o Sr. Ramiro é um caloteiro. Mais um tempo de crise. E temos aqui aquilo que poderá ser o mote de uma peça para essa mesma noite consubstanciada num evento único e que poderá marcar o "início do fim" de um talho que existe há mais anos do que aqueles que o jornalista tem de idade.

Analisemos o que sucedeu: o Sr. Ramiro não se enganou deliberadamente (vamos assumir esta tese que tanta vez acontece na operação de dar trocos). A quadra natalícia é sobejamente conhecida como sendo uma época em que toda a gente quer comprar prendas de última hora como se não houvesse amanhã. Igual raciocínio se aplicará a toda a azáfama necessária para aquilo que diz respeito às refeições para a família que lá vai jantar a casa. As pessoas ficam mais sensíveis e muito menos tolerantes com os erros de terceiros. A conjuntura assim o sugere. 

O tal jornalista, raivoso por achar que foi sacaneado / enganado, escreve um artigo sobre os trapaceiros. Genericamente, claro. E conta, na primeira pessoa, destilando o seu mais refinado veneno, o episódio que lhe sucedeu há umas horas atrás. Referindo objectivamente o Sr. Ramiro.

A revista para a qual o jornalista colabora costuma ter uma tiragem muito expressiva. É líder de mercado, o que "per se" significa que entre aqueles que compram a revista e os que a assinam....o Sr. Ramiro passa naquele momento a ser o talhante caloteiro e que é de evitar. E naturalmente que a clientela deixa de aparecer tanto. Passa a aparecer cada vez menos pessoas...até que só restam aquelas pessoas que não ligam puto a jornalistas cujo nome nem sequer "toca qualquer campaínha" ou simplesmente não leem jornais / revistas.

O que sucedeu ao Sr. Ramiro acontece todos os dias. Por vezes, derivado de enganos, há pessoas que passam de bestiais a bestas em menos de nada (sendo que o recíproco nem sempre acontece). E aquilo que me tira verdadeiramente o sono (aparte do bom nome de determinada pessoa passar a estar na lama) é que quando se chega à conclusão que tudo não passou de um erro...o mal está feito. Em alguns casos com danos irreparáveis e com uma reputação de anos...deitada por terra. Sem um pedido de desculpa.

Qual a solução? Não sei. Mas acho que há muito mau jornalismo nos nossos dias. E consequência dos maus profissionais...há vidas que podem ser severamente prejudicadas. Para sempre. E isto devia acabar.

domingo, dezembro 02, 2012

Toda a gente conhece uns pilaretes que há colocados verticalmente (fixos ao chão) imediatamente antes de se entrar numa escada rolante. Quase todos os centros comerciais têm. Estes monos têm um propósito claro. Impedir que as pessoas transportem para as escadas rolantes os carrinhos de bébé e as cadeiras de roda. Faz todo o sentido para mim. E posso já adiantar que também me fizeram ficar "em sentido" há poucos dias atrás.

O episódio a que me refiro teve lugar há uns dias atrás logo após a hora do almoço e já no regresso ao escritório. Tinha ido almoçar com os meus colegas a uma dessas enormes superfícies comerciais de Lisboa e naturalmente "preocupadas-com-o-risco-de-alguém-se-magoar-em-consequência-de-um-carrinho-de-bébé-ou-cadeira-de-rodas-se-virar-nas-escadas-rolantes". Como tal, o risco naquela maldita escada rolante foi minimizado com a dotação de um trio dos tais pilaretes.

No preciso momento em que entrei na escada rolante ía a conversar animadamente com o meu camarada João Miguel. É claro que ía a olhar para ele (gosto de falar olhos nos olhos). E como não sou "vesgolho" (olhar com um olho para o meu camarada e com o outro para o chão) naturalmente que não dei conta do pilarete. Esqueci-me que existia. Já conseguiram perceber o que aconteceu? Eu também percebi e da forma mais dolorosa, posso desde já assegurar. Estou em crer que o meu camarada João tem razão e que devo ter engravidado aquele pilarete que se pôs à minha frente. Mais. Tudo isto foi acompanhado de um "ouchhhhh" sonoro e perfeitamente audível na Venezuela. Fiz o resto do percurso notoriamente curvado e pensando se alguma coisa teria ficado irremediavalmente afectado para todo o sempre.

Caso para se dizer...perto de umas escadas rolantes....olhos bem abertos!!

domingo, novembro 25, 2012

Há poucos dias dei sangue pela primeira vez na minha vida. Aparte daquelas vezes em que tinha tirado sangue para análises de rotina, nunca tinha dado sangue. Neste momento sou oficialmente dador de sangue.

Dar sangue, na minha perspectiva, não devia ser facultativo. Devia ser obrigatório. Porquê? Porque há sempre necessidade de unidades de sangue nos hospitais (1 doação = 1 unidade de sangue).  Hoje pode ser necessário para salvar a vida de outra pessoa e amanhã poderá ser necessário para nós. É este o tipo de pensamento que deverá nortear este nosso gesto altruísta.

Há naturalmente uma série de condicionantes e restrições para a doação de sangue. Não é qualquer pessoa que pode dar sangue. Desde pêso mínimo, doenças recentes, estado actual de saúde (e.g.: gripes), grupos / comportamentos sexuais de risco, etc., são factores que impossibilitam que alguém que até tenha vontade dar sangue o faça efectivamente. Curiosamente, as demais pessoas que até têm tudo para o fazer, não fazem. Ou seja, tem a sua piada constatar que quem pode dar não dá e que aqueles que não podem dar é que o querem fazer. Por outro lado, o medo das agulhas e a impressão associada à visão do sangue são argumentos comummente usados - na minha óptica algo relativos e pouco razoáveis. Doar sangue é um gesto que pode salvar a vida de um nosso semelhante.

Dar sangue não custa nada. Para aqueles que são facilmente impressionáveis, posso assegurar que nem sequer veem a côr do sangue. Os centros de doação de sangue não são talhos como se possa imaginar. Há um mínimo de decência e a título de exemplo é colocado um pano por cima do braço doador de sangue. O sangue verte para um reservatório plástico (a tal unidade que refiro acima) lateralmente localizado (relativamente à cadeira onde estamos) e sinceramente só me recordo de a ter visto 10 minutos depois de ter tido início a doação. Ou seja, já no final. Quanto à dôr da picada..sem comentários. A dôr da picada de uma melga dói mais. Faz impressão ver a agulha a entrar? Olhe-se para o outro lado.

A reposição dos 480ml de sangue é feita em cerca de 24H. Além disso é efectuada uma análise muito rigorosa ao sangue doado possibilitando assim ao doador ter conhecimento se o seu sangue é bom para ser armazenado enquanto unidade de sangue utilizável - passados uns dias recebe-se um "sms" referindo que o sangue está óptimo e que esperam nova visita volvidos 3 meses (no caso de doadores homem podem fazer doações de sangue até um máximo de 4 vezes durante um ano).

Um gesto que não demora mais do que 10 minutos pode salvar uma vida humana de anos. A ter em mente. Uma das minhas boas acções deste ano!

domingo, novembro 18, 2012

Quero acreditar que toda a minha gente já experimentou aquilo que me acontece com uma frequência assustadora. Vou já passar a explicar o que é até porque é importante para mim perceber rapidamente se há outras pessoas na mesma condição que eu. Se assim fôr, pode-se até pensar em fundar uma "Associação" ou uma "Liga de Amigos" para pessoas que tal como nós vivenciam este tipo de questão. P.S: Gosto especialmente da designação "Liga-de-Amigos-de-qualquer-coisa". Qualquer coisa do estilo "Liga-dos-Amigos-que-apanham-o-metro-para-Entrecampos", ou "Liga-dos-Amigos-que-gostam-de-comer-bolas-de-Berlim". Entre tantos outros exemplos que aqui podiam ser dados.

Acho que já deu para perceber que tenho pouca sorte para algumas coisas. Basta ler os meus extensos textos aqui no blogue. Não utilizo de propósito a palavra "azar", na medida em que se trata de uma palavra demasiado forte. Azar, para mim, é escorregar e partir os dentes todos da frente na entrega dos diplomas da Universidade. À frente de 4 centenas de pessoas. Ou então entornar o gaspacho do almoço em cima da camisa branca e ter de fazer uma intervenção num seminário. E sem camisa para trocar. Isso sim, são azares. Mas não irei tão longe. Falarei mais uma vez da minha relação de ódio com a tecnologia. e em especial com os telemóveis.

Há pouco tempo tive um problema com um dos meus telefones. Não quero dizer nomes, mas é uma marca finlandesa, cujo nome começa por "N" termina em "A" e tem cinco letras. Basicamente, o écran táctil deixou de funcionar e obviamente fiquei incomunicável com o planeta Terra. Dei comigo a pensar se alguém me ligasse naquele dia/momento felicitando-me por ser o contemplado com os números certos do "Euromilhões". Perceberia que tinha o meu telefone desligado e passavam logo ao segundo felizardo. Acho que ía ficar um pouco chateado se isso me acontecesse. Só um pouco. Quase nada.

Este episódio com o telefone teve lugar num momento em que estava a efectuar um passeio de "Todo-o-Terreno" (TT) com os meus camaradas, e para evitar cair num precipício ou capotar o jipe entendi deixar-me de maluqueiras de tentar ligar aquela coisa. Tentei apenas 12 vezes. E abandonei-o algures no jipe. Isto de andar em piso escorregadio (enlameado), aos saltos e conduzir com uma mão e a outra mão no telefone...não costuma dar bom resultado. Ou podia não ter dado.

Já em casa tentei mais umas 43 vezes ligar o telefone. Ligar até ligava..o problema era conseguir fazer alguma coisa daquilo....O ecrán táctil não funcionava. E decidi ir até à loja onde o tinha comprado. Claro que com a ladaínha toda preparada mentalmente e com uma boa dose de má disposição. Afinal comprei o telefone em Fevereiro último e parece-me pouco razoável que volvidos 9 meses esteja o mesmo com problemas. Era este o meu melhor discurso. E até já tinha um "plano B" se não me quisessem dar um telefone de substituição. Amedrontar com o "Livro das Reclamações". Normalmente resulta. Mas tive então o meu azar....Pego no telefone, mostro ao gerente da loja...e não é que o sacrista do telefone funciona? Pois. Sem problema algum. É claro que fiquei com um melão daqueles enormes. E fiquei sem saber se havia de perguntar o preço de um fato de mergulho ou se debater o porquê das propriedades do açucar mascavado serem incomparavelmente superiores ao aspartame do adoçante vulgar. Qualquer coisa que me fizesse parecer fora da realidade. E o mais rapidamente possível. Fez-me lembrar quando temos uma dor de dentes. Vamos ao dentista e quando lá chegamos..desaparece a dor. Mas aí não é tão fácil "fugir"...

Voltei para casa com a convicção que o telefone estava finalmente bom e que teria sido um "desarranjozito" qualquer que lhe tinha dado. Durou meia hora. Voltou ao mesmo que me tinha feito sair de casa. Saí de novo de casa e fui comprar um telefone. Acabou-se. E voltei a estar ligado ao mundo.

Moral da História: Nunca confiar num telefone.

domingo, novembro 11, 2012

Já aqui tenho escrito algumas linhas sobre a minha periódica, disciplinada e intensa actividade física quase diária que é a corrida (treino cardio). O "quase diária" é justificado na medida em que há relativamente pouco tempo entendi diminuir a periodicidade de treinos de corrida bem como as distâncias percorridas. Porquê? Porque entendi introduzir a componente "musculação" na actividade física. Ou seja, neste momento, coexistem duas componentes: "cardio" (corro 3 vezes por semana) + "musculação" (sigo um plano de flexões executadas também 3 vezes por semana). A ideia é que exista um equilíbrio entre as duas e que me permita o trabalho da parte inferior e superior do corpo. Idealmente. Mas não tem sido bem assim. E explico porquê.

Nesta semana que terminou agora era para ter iniciado o tal "plano das flexões". Um plano que encontrei aqui no mundo cibernáutico. Pareceu-me honesto, bem estruturado e acima de tudo com um objectivo claramente definido - fazer 100 flexões seguidas no espaço de 6 semanas. É verdade...durante 6 semanas treinar várias séries de flexões...até que à 6ª semana iria conseguir perfazer a tal centena de flexões seguidas. Complicado? Parafrasendo uma máxima que me tem acompanhado nos últimos anos.." O único sítio onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". E na Segunda-Feira passada, com esta máxima gravada em mente, dei início ao plano das flexões.

O plano das flexões de que falo é simples. É um plano que naturalmente foi elaborado por alguém que sabe do que escreve. Alguém que acredito já terá muitas horas de ginásio. Que pensou este plano para outras pessoas que têm uma prática desportiva continuada, regular e que certamente já exercitam o corpo há alguns meses / anos. E não para alguém que tal como eu, que não faz musculação há um ano e opta por seguir este plano. O mais caricato está para vir.

Há muitos anos que faço flexões. Mas quis desta vez entender como executar correctamente uma flexão. Não continuar a fazer flexões de qualquer maneira. É executar correctamente uma flexão: corpo "em prancha" paralelo ao solo, palmas das mãos no solo ao nível dos ombros, e depois perfazer o movimento conhecido - para cima e para baixo - demorando um segundo na parte superior e um segundo na parte inferior. E peito a tocar no chão. Nota: estas esperas no ponto superior e inferior da flexão é quando há crescimento muscular efectivo (descobri eu nas minhas buscas). E claro que resolvi aplicá-lo. Mas há mais.

Aquando das minhas buscas para encontrar um plano, descobri outro "site" neste maravilhoso mundo cibernáutico em que fazia alusão a uma forma diferente de fazes as flexões. Basicamente, introduzir um grau de dificuldade superior na coisa. Passo a explicar...em vez da flexão ser executada, como normalmente, com o corpo paralelo ao solo, nesta variante, os pés são colocados numa posição mais elevada (entre 40 e 60 centímetros de altura relativamente ao solo) o que logicamente torna as coisas mais engraçadas. Para se ter uma ideia mais concreta posso avançar que se trata de um coeficiente denominado de "força de reacção do solo". Sem entrar em grande detalhe técnico e explicações físicas, não é mais que um coeficiente que afecta o peso do corpo sendo tanto maior quanto maior fôr a altura do pés. Para se ter uma ideia rápida, estando os pés colocados a uma altura de 60 centímetros, o tal coeficiente é 15% mais elevado. A cerca de 30 centímetros, o tal coeficiente será de 9%. Quem me conhece entenderá rapidamente que o mais puxado é o mais apetecível e como tal aquele que por mim foi escolhido. Ah, e seguindo o tal plano que tinha encontrado no outro "site".

Há muito tempo que não fazia flexões. Da mesma forma que também há muito tempo não trabalhava os músculos do peito e braços. Há coisa de um ano e tal a esta parte. Com a corrida tenho perdido bastante volume corporal (normal) e os músculos do trono não são muito trabalhados. É certo que trabalham, mas também é certo que a corrida não é conhecida como sendo uma actividade óptima para quem quer tonificar e ganhar alguma massa muscular nesta parte do corpo. Muito pelo contrário. Basta pensar que os maratonistas são muito magros e secos.

Com a minha cábula das séries e repetições à frente coloquei os pés no tal plano elevado. Fiz tudo como manda a "cartilha": pés colocados a cerca de 45 centímetros do solo, peito a tocar no chão, espera de um segundo na posição superior da flexão, espera de um segundo na posição inferior da flexão. Tudo isto para primeiro dia e depois de não ter feito nada durante um ano. Fiz 23 flexões à séria neste registo. Aquando da realização da 24ª flexão, as palavras "colapso dos braços", "dentes novos não tarda" e "burro de estalo" começaram a ecoar na minha cabeça. O esforço de estar com a cabeça para baixo fez com que todo o sangue do meu corpo afluísse às minhas têmporas e que não sei até hoje como não rebentaram. Os pulsos de ambos os braços pareceram-me anormalmente pequenos e finos para aquele esforço. E tive de parar. Entendi não continuar aquela série. Fiquei raivoso. Chateado comigo mesmo e deu-me vontade de dar uma cabeçada numa parede qualquer ou no chão. Mesmo que quisesse continuar...não conseguia. Percebi isso passados 3 minutos porque tentei fazer mais duas ou três flexões como anteriormente. Não deu. Isto não sem antes ter tentado, de joelhos, no meio do quarto, ter ainda tentado fazer mais umas 2, de fugida. Nada. Zero. Estava esgotado.

Levantei-me e fiquei a olhar sem expressão para a janela. Rapidamente realizei que se trata de um plano elaborado para pessoas que já têm outro tipo de condição física nesta altura. Alguém que já terá, por exemplo, muito tempo passado em ginásio. Que já trabalhou os músculos do tronco. E cujos músculos estão preparados para serem exercitados. Para receber carga. Para ganhar força e volume. E não no meu caso, em que não fazia nada de nada há muito tempo.

É claro que tinha de levar a melhor. Antes de terminar o treino fiz 15 flexões à "moda antiga". À minha maneira e fiquei um pouco mais contente. Ou por outra, não tão frustrado.

O resultado era o esperado: Nos dias seguintes não conseguia flectir os braços e doía-me o peito. Mas ainda assim tenho vontade de recomeçar o plano. Amanhã. Sem esquemas e sem "inclinações". Será mesmo o normal. Como sempre. E durante uns bons meses. Depois sim...a doer!

Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...