domingo, setembro 16, 2012

Escrevo estas linhas no rescaldo de uma das maiores manifestações que já teve lugar neste "rectângulo de terra à beira-mar plantado". Fala-se em mais manifestantes que a revolução dos cravos do longínquo Abril de 74.

Não é nada que não tenha já aqui sido referido no passado neste humilde espaço. A convulsão social era previsível. As redes sociais e a comunicação social estabelecem continuamente termos de comparação com as realidades de outros países em situação económica (e.g.: Grécia e Espanha) e onde desde o primeiro momento em que foram anunciadas as medidas da austeridade, o povo saiu à rua manifestando o seu desagrado e contestando a mais que certa precaridade da qualidade de vida e perda de direitos adquiridos (e.g.: pensionistas). Em Portugal era uma questão de tempo até que acontecesse o mesmo. Numa escala diferente e com um grau de violência em consonância com o País de brandos costumes a que habituámos a comunidade internacional.

Era inevitável que algumas das medidas da austeridade avançadas fossem impopulares. Mas necessárias. Ninguém coloca isso em causa. Contudo, e não sendo contra a aplicabilidade das mesmas, faz-me alguma confusão que seja sempre o "mexilhão" (parafraseando um conhecido comentador político) a ter de pagar mais, quando os exemplos que deviam "vir de cima" teimam em não aparecer. A título de exemplo (um entre centenas) o gabinete do nosso Primeiro Ministro tem cerca de 33 viaturas automóveis à disposição. Entre carros de segurança, carros para os Secretários de Estado, etc.. Questiono-me..porquê? Há um custo mensal que tem de ser pago: Renda do carro + combustível + seguro + vencimento auferido pelo motorista. Multiplique-se por 30. Giro, não é? É um número francamente elevado e suportado pelos contribuintes. Talvez se pudesse pensar em começar a fazer o corte aqui mesmo. Dar o exemplo como deu o ex-Presidente da República Ramalho Eanes que abdicou do seu vencimento de ex-governante (e que lhe é por Lei) para apenas auferir o vencimento de militar de topo na reforma. Infelizmente não há muitas pessoas assim. Íntegras e verticais. E os muitos exemplos de despesismo replicam-se.

A "gota de água" foi a nota do aumento da contribuição para a "T.S.U" (Taxa Social Única) por parte do contribuinte privado - nós - e a diminuição da mesma contribuição por parte das entidades colectivas - empresas. E a água do copo verteu. Não dava para aguentar mais. Quando referi há pouco (início deste texto) que era de esperar a convulsão política, queria referir-me à serenidade com que os portugueses aceitaram durante largos meses o cumprimento do ratificado no memorando com a "troika". Que lhes fossem subtraídos os subsídios de férias e fosse aumentado o "IVA" na restauração, entre outros exemplos. Pacientemente se percebeu que o montante do "IRS" devolvido foi menor. E pacientemente se ía ouvindo a voz da Oposição. Umas vezes com razão outras sem, sendo que grande parte da responsabilidade do estado a que Portugal chegou...é culpa deste partido político. E curiosamente nunca são avançadas alternativas credíveis ao definido pelo actual Governo.

Assisti às imagens em directo da manifestação em frente à Assembleia da República. Pensei, para mim mesmo, que o direito à manifestação está consagrado na Constituição Portuguesa (Art.º 45º). O que não entendi bem foi o porquê dos polícias terem de ser apedrejados com calhaus da calçada. O polícia que faz parte do cordão policial na base das escadarias da Assembleia...está, a meu ver, a trabalhar. Como esteve a quase totalidade dos manifestantes (os que têm trabalho) durante a semana anterior. Faria sentido que os polícias que foram apedrejados fossem para a porta do trabalho dos manifestantes atirar pedras e tomates? Não. Não fazia. Porque razão o fazem então para com a polícia? Que está em cumprimento do dever e que zela pela ordem pública? Que culpa desta situação tem o polícia (que até tem filhos) e que está ali em trabalho? Sendo que em alguns momentos até vê a sua vida perigada? Não percebo. E menos ainda percebo o porquê dos "heróis" que atiram os tomates e as pedras terem a cara tapada. Têm medo de quê? Não vivemos em regime democrático desde há 38 anos? Então...se são heróis para pegar num calhau e arremessar contra um trabalhador que zela pela segurança e ordem pública...deviam fazê-lo com a cara destapada. É assim que os verdadeiros revolucionários fazem. Defendem uma causa de "peito aberto". Sem medos. Não foi isso que se percebeu no passado Sábado.

A zanga de "comadres" entre o actual Executivo e partido da coligação não é nada boa e muito menos abonatória no presente momento. Há quem avance a tese de que, não sendo verificado o actual momento...o Governo caía. Não faz sentido que em plena crise sócio-económica se aposte na consolidação da política externa. É importante que, na minha opinião e neste momento presente seja dado um sinal de coesão. De unidade. De "estamos juntos mais que nunca para o que der e vier". Afinal não. À semelhança do que já aconteceu no passado (e já habitual na política portuguesa), é tão mais fácil demarcar-se "à posteriori" de determinadas políticas tidas como impopulares e que até provocam a crispação pública do que estoicamente aguentar a onda de consternação pública. A vantagem? Obtenção de votos. E convido quem quiser (e se lembrar de o fazer) a ver os resultados do partido da coligação no próximo acto legislativo... Os números falarão por si. Por outro lado, e para nosso mal, a imagem que passa "para fora" é a pior que podia passar. Se os investidores estrangeiros mantinham até agora o cepticismo relativamente ao investimento por cá....agora mais do que nunca irão manter. Quem é que quererá apostar num negócio no Líbano neste momento? Quem é que quererá abrir um McDonald´s na faixa de Gaza? A ninguém. São realidades voláteis. Adormecidas. E que de um momento para o outro explodem. Com as consequências que todos conhecemos.

Tenho para mim que esta novela ainda agora começou. O facto da Alemanha referir que Portugal tem de continuar a cumprir o acordado com a "troika" ainda que seja conhecida a recessão económica em que vive, atesta bem a realidade que vivemos e com a qual teremos de lidar durante os próximos tempos. É importante perceber que há grupos sociais que estão a ser injustamente massacrados com estas medidas e que começam a perder a paciência. Falo objectivamente dos pensionistas. Pessoas que descontaram uma vida inteira (alguns deles têm de anos trabalho o que o Primeiro Ministro não tem de idade) para ter uma vida aprazível. E agora constatam que o "bolo" no final do mês é sempre inferior. Porquê? Porque o Estado não conseguiu encontrar outra forma de obter dinheiro rápido para cumprir o acordado com a Europa. Infelizmente, teve de sacrificar uma "franja" da nossa sociedade para que pudesse honrar os compromissos - não estou contra o objectivo final, estou contra a forma de o atingir.

Muita coisa fica por dizer. Espero que o Governo recue nas medidas avançadas e de uma vez por todas, e com coragem, mexa nos interesses dos grandes grupos económicos em vez de continuamente sacrificar aqueles que pouco (ou nada) têm para dar. E que são cada vez mais.

domingo, setembro 09, 2012

No meu dia-a-dia profissional dou conta do quão diversas podem ser as prioridades estabelecidas por parte de cada um. Desde que chegam ao local de trabalho até que saem do mesmo.

Um aspecto importante (e com o qual tenho de lidar no meu quotidiano) é a incontornável dependência de elementos que advêm do trabalho de outros. Aqui reside uma das causas da minha já habitual inquietação. Por muito insistente que possa ser e/ou transparecer....só quando me irrito a sério é que as coisas acontecem. E não devia ser assim. Mas suspeito que conheço a razão do problema.

A questão é intrínseca à sociedade portuguesa. Salvo honrosas excepções, o português típico não gosta de seguir um plano ou um cronograma sequencial de eventos com metas "tangíveis" e honestas. Ou seja, por outras palavras, uma forma de trabalhar correcta e conservadora. Ao invés, o "tuga" prefere trabalhar no abstracto, a seu "bel prazer" e ao seu ritmo. É algo que me faz imensa confusão. O ter de haver o tempo para o café (e para a conversa que naturalmente decorre deste(s) importante(s) momento(s) de confraternização), o ter de haver tempo para o(s) cigarro(s) ao longo de um dia de trabalho, para o horário de almoço dilatado, para o horário do lanche e por aí adiante. Já para não falar das várias incursões aos locais de trabalho de outros colegas. E que por vezes, como se sabe, duram bastante mais do que o expectável.

A jusante, há um prazo definido para uma tarefa, de alguém, que vai sendo adiado. Não por vontade daquele que acaba por ser prejudicado, mas sim derivado da falta de capacidade de gestão da agenda diária de algumas pessoas. Ou por outra, também pela não responsabilização das pessoas pelo não cumprimento de metas diárias e produção de volume de trabalho em conformidade com o desejável. A culpa não é das pessoas. É de quem deixa que este tipo de situações tenha lugar.

domingo, setembro 02, 2012

Tenho acompanhado com alguma serenidade o desenrolar da "novela" das medidas da austeridade. Digo "alguma serenidade" porque é complicado, neste momento, que seja mantida a lucidez de espírito que permite perceber a lógica do "corte na despesa e aumento da receita" por parte do Estado Português.

Repetindo-me, reitero o que já disse anteriormente. Não tenho qualquer pretensão a ser economista ou analista político. Contudo, sou um cidadão português com discernimento e com capacidade para perceber algumas coisas. Poucas, mas algumas. Além de poder, naturalmente, exercer livremente o meu direito de voto, consagrado na Constituição Portuguesa. Donde, de forma que me parece ser razoavelmente compreensível e aceitável, posso e devo capacitar-me do que acontece neste momento, perceber os meandros do actual momento, ler opiniões fidedignas e no final, ajuizar.

Para quem não percebe muito bem o que está a acontecer no actual momento, eu ajudo. Entre outras coisas, o plano gizado pelo nosso Governo para o cumprimento das metas acordadas com a "troika" saiu furado. Falhou. Isto sem complicar muito a história. "Assumo que na "data X" terei um aumento da receita de "Y"". Mas tal não se verificou. Por muito boa vontade e empenho que os digníssimos representantes do nosso Governo (incluindo o Presidente da República Portuguesa) tenham, a comunidade internacional não está "alinhada", ou por outras palavras, receptiva à realidade portuguesa. Está, e com razão, céptica. Com receio. Portugal não oferece, no presente momento, segurança ao investidor estrangeiro. A cortiça, o azeite e as praias portuguesas são fórmulas já gastas (e em alguns casos replicadas noutros países com uma situação económica mais apetecível) o que se traduz, "no final do dia", na entrada de menos divisa estrangeira (como aconteceu até há uns anos) e claro, enfraquecimento da economia portuguesa (assim é incrementada a fractura entre receita e despesa de que falo no primeiro parágrafo).

Mas a minha indignação que em breve surgirá não se deve a este parágrafo anterior. Ou seja, não me remeto ao não cumprimento dos objectivos acordados e a uma (quase inevitável) subida dos impostos para justificar a minha indignação. Sustento a minha pouca compreensão com a manifesta incapacidade dos actuais membros do Governo explicarem aos portugueses o que se está a passar. Porque falha Portugal o cumprimento das metas acordadas. Como é possível que ainda se aufiram salários públicos pornográficos em paralelo com uma assustadora e crescente taxa de desempregados? Não entendo. Por um lado o Governo pede mais sacrifícios. Ou seja, o Governo continua conivente com uma situação de completa e mais que conhecida injustiça social. Mais agravada pela actual conjuntura económica. Entre outros exemplos que poderia dar.

Já o referi neste espaço e volto a referir. É importante que os portugueses percebam o porquê das coisas. Onde estamos e para onde queremos ir. Só assim haverá compreensão dos sacrifícios que são pedidos. Só assim será justificado que para breve se ganhe menos e se paguem mais impostos. Ou que se perder qualidade de vida. Realidade (infelizmente) do presente momento.

domingo, agosto 26, 2012

Dei comigo há poucos dias a perder algum tempo acerca de uma situação concreta e absolutamente comum nos dias que correm: a passagem do enredo literário para a tela (cinema). Por outras palavras, passar o que está escrito num livro, um texto qualquer para um filme de cinema.

Confesso não sou uma daquelas pessoas que fica ansiosamente à espera que tenha lugar essa transposição. Por norma, leio um determinado livro e guardo para mim o detalhe existente no mesmo. Defendo que se perde (e muito) o detalhe aquando desta passagem para o filme de cinema. O que acaba por ser expectável. Passo a explicar.

Parece-me "líquido" que quando alguém quer descrever determinado cenário em texto, terá de o fazer com o máximo de detalhe e rigor possível. E escreverá à medida que pensa para que a informação não seja demasiado filtrada - o que poderia fazer com que o interesse se perdesse. A pena deverá fluir à velocidade do pensamento. E assim sendo, o (a) leitor (a) ficará mais (ou menos) "preso" a determinado enredo literário. Há fórmulas de o conseguir com relativa facilidade e os diversos estilos adoptados por vários autores (nacionais e internacionais) apontam nesse sentido.

A questão mais sensível, na minha perspectiva, vem seguidamente. Dar forma a algo que está escrito. Se, como na maioria das vezes acontece, uma pessoa vai ver um filme sem nunca ter lido o livro...óptimo. Sem qualquer problema. Não tem criada qualquer expectativa e o que vê...é o que "compra". O mesmo não acontece quando alguém leu o livro e tem uma expectativa bastante elevada. E que será tanto mais elevada quanto mais descritivo for estilo do autor(a) nas suas narrações. E por vezes...poderá acontecer que essa expectativa seja defraudada.

Diz-me a parca experiência que tenho neste assunto (contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que fui ver um filme em que tivesse lido o livro anteriormente) que para ser produzido um filme com o detalhe do livro...o orçamento seria próximo da dívida externa de Portugal. Ou seja, quanto mais detalhe quisesse ser passado pela realização / produção do filme...mais encarecida seria a conta final. O que não deixa de ser lógico. Imagine-se por exemplo o tipo de detalhe que alguns cenários têm de ter para que possam reflectir cabalmente a realidade actual de uma determinada época. Ocorrem-me por exemplo os filmes relativos à revolução francesa. Ou da 2ª Grande Guerra. Com decoração características e específicas. Há outro aspecto muito sensível e igualmente importante. A caracterização das personagens...e a "condução dos actores". Eu explico.

Entendo que para alguém saber "conduzir actores" tem de estar perfeitamente "embrenhado" no enredo. Tem de o sentir. Tem de o perceber. Tem de encarnar a pele do autor para perceber o que quererá o mesmo transmitir no texto e seguidamente "conduzir" ou instruir os actores nesse mesmo sentido. Neste campo é importantíssima a caracterização dos actores. Quando se lê um livro...a nossa mente vagueia e é naturalmente sugestionada. Imagina (eu consigo imaginar) pessoas, sons, lugares, sabores e cheiros. Os 5 sentidos. E quando se visiona o filme...espera-se que haja esse "match" ou confirmação, como se preferir. O que nem sempre acontece. Ou porque o actor escolhido não tem absolutamente nada a ver com o idealizado ou porque a caracterização do actor é mal conseguida. Ou porque o realizador / produtor não foi feliz na sua função.

Prefiro manter o que leio!

terça-feira, agosto 21, 2012

Mais uma vez venho aqui dizer que há documentários que não deviam passar na televisão. Pela falta de rigor e pela ficção exagerada. Tão exagerada que ridiculariza o programa. E mais. São verdadeiros atestados de burrice aos incautos como eu que ingenuamente pensaram que iam ter a oportunidade de aprender algo. Devia ter percebido logo que era um embuste.

Não retive o nome deste documentário, mas também não interessa muito para o caso. Passou num dos canais privados da televisão no passado Domingo. O que inicialmente me pareceu ser um programa óptimo para passar um serão domingueiro, rapidamente me fez ficar nauseado e com vontade de enviar por carta registada umas linhas duras ao produtor de tamanha falácia. 

A "fórmula" do documentário em si até era interessante. Passava, neste episódio, por deixar um náufrago no alto mar e aferir se era possível que o mesmo conseguisse sobreviver numa ilha, construir uma jangada e fazer-se de novo à vida, ou seja, voltar ao alto mar e daí alcançar ajuda (e.g.: embarcação ou via aérea). Até aqui tudo bem.

Para começar (penso eu), um tipo que nada em camisa, calças e sapatilhas (e presumo que com roupa interior) é algo que por mais que tente perceber, não consigo atingir. Na minha humilde e singela apreciação da situação, quer-me parecer que qualquer pessoa no seu juízo normal desfazer-se-ia de imediato de toda a roupa - que se sabe que ensopada dificulta os movimentos  - e atrasaria a chegada a terra. Talvez seja essa  razão pela qual nunca vi o nadador olímpico mais medalhado de sempre dentro de água...a nadar de fato de treino e sapatilhas. Por alguma razão será. Digo eu.

A partir deste momento perdi toda a credibilidade no documentário e a sequência de eventos deu-me razão para tal. A menos que o "companheiro" tivesse algum problema nos folículos capilares da cara, em todos os dias da filmagem aparecia com a barba feita. Bem escanhoada. Confesso que fiquei com inveja. E dei comigo a pensar se aquelas águas em que o artista nadou teriam alguma combinação de nutrientes que impedisse que os pêlos da barba crescessem. Aqui o escriba, com 3 ou 4 dias de estadia nesta ilha (presumo que terá sido a duração desta filmagem), sem fazer a barba, iria parecer mais peludo que um macaco do Zoo. Mas tudo bem, "aguento" este pequeno detalhe "esquecido" por parte do "senhor-produtor-deste-programa". Mas não "compro" que um tipo depois de sair da água, em coisa de 2 minutos tenha a roupa seca. Ou que consiga subir um coqueiro com uma altura de 20 metros sem ferir as mãos (isto depois de ter nadado quase 3 quilómetros). E que ainda desça o mesmo coqueiro aos saltos (em detrimento de escorregar como fazem os aborígenes). Isto sempre vestido com a roupa com que nadou e as mesmas sapatilhas. Acho que durante os 4 dias não se descalçou nunca...o que deve ter feito parecer que um queijo da Ilha cheirasse a alfazema... 

Já não falando do material necessário para fazer fogo e as jangadas que apareceu "sempre" e muito convenientemente em locais onde o companheiro ía a passar. Ou do facto de ter comido o interior de um ouriço-do-mar e não ter de interromper as filmagens com dores de barriga. Enfim...várias situações que a dada altura me fizeram ficar mais interessado no canal das "televendas" onde era apresentado um aspirador a vapor giríssimo e que cá me quer parecer que ía resolver definitivamente os meus problemas das poeiras cá de casa. Ah, já para não falar que vi logo uma janela de oportunidade de negócio..com sorte, mediante um singelo pagamento de uma inexpressiva quantia monetária, também iriam findar os problemas das poeiras dos meus vizinhos. Especialmente da casa da D.ª Luísa ali do 24. 

Acho que estes programas podem (e devem) passar. Há uma componente teórica que entendo ser lúdica. Mas acho também que deviam ser submetidos a uma espécie de "revisor" antes de irem para o ar. Sob pena de caírem na palhaçada. Como foi o caso!

domingo, agosto 12, 2012

Para quem usualmente me segue neste meu humilde espaço percebe facilmente que sou uma pessoa um adepta da organização e do planeamento atempado. Contudo, há momentos ou programas que pelo inusitado e pela sua não organização se traduzem em situações muitíssimo mais interessantes. 

Há uns dias atrás combinei um jantar com um grande amigo meu. Afinal era final da semana e também um dia "off" na minha rigorosa e disciplinada dieta alimentar. Nada melhor que ir a um conhecido rodízio sul americano empanturrar-me até cair para o lado. Ir a um destes locais, comer carne e "pôr de lado" as batatas fritas...é um pouco como ir ao chinês não comer o "clássico" crepe chinês. E pedir uma sopa da pedra como entrada. Estoicamente consegui resistir a comer as batatas mas já não fui tão forte no que toca às caipirinhas. Deitei 3 "abaixo" o que, para uma pessoa como eu que não está habituada a beber baldes de cachaça (duas delas duvido que tivessem lima ou açúcar em quantidade suficiente), teve como resultado final um natural e lógico estado de ligeira embriaguez.

Não tinha levado carro (sabia que ía beber) o que me libertou substancialmente e além disso consegui passar a ver a caipirinha como a bebida da noite. O que mais tarde também se veio a revelar ter as suas consequências. Afinal, dei comigo a deambular pela Av. Roma com o meu camarada sendo que, a dada altura, nos sentámos naqueles bancos onde tipicamente costuma estar sentada nos finais de tarde (pós-sesta) a "turma da sueca". E caracterizado pelos elementos que terão no mínimo 94 anos. Isto enquanto a nossa boleia (minha prima) não nos vinha apanhar para nos levar para "a noite".

O resto da noite foi passado a dançar. É verdade. Há muito tempo que não abanava este velho esqueleto. Durante tantas horas seguidas. O feito histórico tem que ver com o facto de ter bebido as tais caipirinhas e mais outras tantas "jolas" antes de entrar na discoteca. Resultado: desinibição e vontade enorme de dançar. Cheguei a casa eram 0330H. Isso mesmo "Três e meia da manhã". A loucura total.

Na manhã seguinte fui castigar este corpo de pecador com "nada mais, nada menos" que 6 quilómetros de corrida. Só por causa das "tosses". Venham mais noitadas. Sem serem programadas!

domingo, agosto 05, 2012

Tudo o que são concursos televisivos têm o dom de me deixar nauseado. Seja pela burrice dos concorrentes, seja pelo humor vulgar e fácil dos apresentadores, seja ainda pelo ridículo da generalidade dos concursos em si e que não interessam nada a ninguém.

Mas há um concurso que na minha humilde opinião se destaca dos outros - o euromilhões. Não quero com isto dizer que tenha definido para mim o cumprimento da tarefa semanal de apostar neste jogo da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Mas sendo um jogo que poderá conduzir a uma mudança de 180º na vida de alguém, faz sentido equacionar esta hipótese. E sempre que me lembro jogo. O que é raro, tenho de confessar (o lembrar-me de jogar).

Quando numa semana se ouve falar mais do "jackpot" das centenas de milhões de euros do que os jogos olímpicos que decorrem neste momento em Londres...faz sentido que a minha atenção seja focada neste concurso específico. Ainda por cima com "jackpot". E assim foi. Até ao primeiro sorteio televisivo.

Estava a jantar. Na medida em que não tinha jogado nessa semana estava apenas curioso para saber se o 1º prémio ía sair cá em Portugal. Acho que costumam dizer isso no final de terem saído todas as bolas. E fui assistindo à saída das mesmas. Tudo isto presenciado por, segundo disse a esbelta apresentadora,  "auditores externos" que garantem a idoneidade e legitimidade do concurso. Fiquei muito mais descansado e com a certeza mais que absoluta que dali só viria a verdade e nada mais que isso.

O que aconteceu a seguir fez-me lembrar um daqueles filmes do oculto que de vez em quando passam a desoras na RTP2. A apresentadora ía informando os números das bolas que saíam daquela rotativa metálica (cujo nome não me ocorre agora) e não é que todos os números que disse....nenhum correspondia ao número da esfera que tinha saído? Cinco (5) números e ainda os outros dois (2) números  das "estrelas". Nada correspondia ao que eu tinha acabado de ver sair da tal rotativa. Comecei a pensar que talvez estivesse a ouvir mal e que tinha enlouquecido.

Este concurso teve lugar a meio do telejornal. Lembro-me do apresentador ter ficado igualmente estupefacto. Fiquei mais descansado e ele também  - aposto que tinha apostado. É normal que os dez (10) milhões de portugueses que ansiosamente aguardavam o resultado deste concurso e que poderia ter alterado o rumo das suas vidas tivessem ficado pouco satisfeitos. Ainda para mais aqueles que jogam no euromilhões seguindo uma lógica e hábito semanal. 

Entretanto devem ter dito ao apresentador que se tratava de uma gravação de um concurso anterior. Questiono-me: Não terá sido abalada para sempre a credibilidade deste tipo de concurso? Quem me garante que tudo isto não é(foi) uma falácia? Ou que os tais auditores externos são figurantes e que foram apanhados numa paragem de autocarro do Cais do Sodré? Que auditam estas auditores? Que formação têm em auditoria? Não entendo. Não percebo.

Mas também devo ser das poucas pessoas preocupadas com este facto. Aposto.

domingo, julho 29, 2012

Há uns dias atrás vi na televisão uma reportagem sobre uma mãe revoltada com o "sistema". Prestei mais atenção e percebi que era uma revolta dirigida a dois sistemas: o "sistema nacional de saúde" português e o ministério da educação.

Podia ser mais uma reportagem sobre algum português que tivesse sido obrigado a pagar a taxa moderadora depois da habitual consulta quinzenal dos joanetes. Mas não era. Era bem pior e foi isso que captou a minha atenção. Um adolescente deficiente profundo que será em breve integrado numa turma "normal" de alunos sendo interrompido o acompanhamento contínuo que tem desde há uns anos.

Enquanto ouvia com incredulidade a jornalista referindo o que pretendem fazer estes dois respeitosos ministérios - e ao mesmo tempo a mãe ía queixando-se da injustiça e da formalização da contestação que entretanto interpôs - fui-me lembrando de um colega (de outra turma) que andou na minha escola primária. Nunca compreendi muito bem o porquê do pequeno miúdo brincar na ponta oposta do recreio. Sempre sozinho e sempre debaixo da supervisão de algum adulto. Isto enquanto eu e os meus colegas jogávamos à bola. E caíamos. E esfolávamos os joelhos. E abríamos as cabeças - pedradas ou quedas.

O pequeno miúdo do meu recreio era hemofílico. Na altura, a investigação e os tratamentos para esta doença não eram tão avançados quanto o serão hoje. Estamos a falar de mais de 30 anos de diferença a esta parte. Daí os cuidados especiais e as reservas altas em que o miúdo brincasse connosco. Lembro-me de na altura me ter sido dito que o menino não podia magoar-se (hemorragias) e que se tal acontecesse teria de ser imediatamente evacuado para o hospital. Urgentemente. Faz sentido.

Referia-me a algo que teve lugar há mais de 30 anos. Contudo, e ainda que a investigação científica tenha avançado imenso desde então (a probabilidade de cura ou erradicação das doenças oncológicas - assim sejam atempadamente detectadas - ronda os 100%) não está ao alcance de qualquer um. Porquê? Porque embora os bons médicos oscilem entre o "público" e o "privado", é no "público" que fazem carreira. Investigação e docência. No "privado"...compõem o horário e levam mais uns milhares de euros para casa ao final do mês. Pela lógica do que descrevo, seria no tal sistema "público" que toda e qualquer pessoa devia ir. E vai. Mas desiste entretanto. Ou morre. A lista de espera desmotiva o mais paciente. E neste caso em concreto, do adolescente deficiente profundo, é um erro que por via do necessário cumprimento de metas do défice (impostas pela troika) se corte do essencial e necessário custeio do acompanhamento permanente.

Resumindo, alguém que tenha a "infelicidade" de ter a seu cargo alguém com algum distúrbio ou doença que requeira atenção contínua....corre o risco de receber uma carta do Estado informando que não há mais dinheiro para comparticipação e que infelizmente terá de cessar o custeio deste tipo de acompanhamento profissional. Donde, e numa lógica de pensamento discutível e débil, o enfermo será integrado na tal rede pública (onde eu e tantas outras pessoas) pertenci(emos) toda a minha/nossa infância, onde as crianças são cruéis umas com as outras e onde a distracção de um adulto poderá sugerir a morte do tal doente. Não faz qualquer sentido.

domingo, julho 22, 2012

A lamentar a perda da bombeira Paulina Pereira (Bombeiros Municipais de Abrantes) ontem, em missão de socorro / combate a incêndio. Mais uma vez, Portugal dá nota de ser exímio em focar a atenção no "acessório"(e.g.: licenciatura de um político) em detrimento de fazer cumprir a Lei numa altura do ano tão propícia a incêndios, sendo que a preparação / prevenção deveria ter começado há largos meses atrás e não em plena época de fogos.

Remeto ao regulamentado no Decreto-Lei n.º 17/2009 de 14 de Janeiro. Entre outros aspectos, parecem-me claras as competências entre os Municípios e o próprio Estado. Estão muito claras as responsabilidades de cada parte. Importa, na minha humilde opinião, e em momento de rescaldo (eventualmente temporário das frentes de fogo) perceber porque houve tamanha descoordenação no terreno por parte dos orgãos de comando. E, sem me alongar muito nesta partilha, perceber também se irá haver responsabilização judicial de quem tiver de o ser. Afinal trata-se do incumprimento da Lei. Ou mais uma vez os políticos (autarcas, em particular) estão acima da Lei?

domingo, julho 15, 2012

Continuo com a minha prática da corrida. De forma regular e disciplinada. Entendam que é complicado dizer às minhas pernas e ao meu cérebro para vestir os calções e calçar os ténis e ir correr ao final da tarde, quando ainda se fazem sentir uns magníficos 32º ou 34º. Não seria a primeira vez. Mas como diz o adágio (em inglês): "No pain, no gain".

Nos últimos tempos tenho vindo a integrar uma série de conhecimentos que aprendi ao longo dos anos. Não só os adquiridos no liceu (na medida em que venho de uma área de saúde), bem como os da faculdade e ainda os adquiridos aquando da prática de exercício físico em ginásio. O trabalho músculo-esquelético, dietas alimentares e melhores práticas aquando de determinada prática desportiva são assuntos muito abrangentes e tenho tentado perceber onde "se tocam".

Nada melhor do que pensar nisto tudo quando já estou em esforço intenso. Em subida (em que o esforço é superior e próximo de puxar à corda um comboio) e em que sinto as tíbias muito próximo de saltarem das pernas. Ou os joelhos prestes a ganhar vida própria e irem à sua vida. Isto acompanhado de uma sudação generosa e que faz parecer que acabei de despejar dois baldes de água em cima de mim.

Um dos aspectos que refiro acima e de sobeja importância diz respeito à reformulação da dieta alimentar. Ao que eliminei da minha mesma. Fritos. Doces cada vez menos. E muita fruta. Nestas últimas semanas tenho comido tanta fruta e salada como se não houvesse amanhã. Não me recordo de alguma vez ter optado por este tipo de alimento..e não é que o meu organismo se readaptou e com muito menos fico igualmente bem?

Até agora, os resultados são muito consistentes com as novas opções que fiz: exercício físico e dieta alimentar nova. Sinto-me muito empenhado em continuar. E a sofrer!! Mas é por uma boa causa!!

domingo, julho 08, 2012

Finda que é a histeria relacionada com o campeonato europeu de futebol, tornou-se premente encontrar outro tema que tivesse o dom de entreter os portugueses durante as semanas que se avizinham: a discussão pública acerca da credibilidade de uma licenciatura obtida por um político numa universidade privada. Algumas considerações se me oferecem fazer sobre o tema:

Em primeiro lugar, não tenho qualquer dúvida acerca da experiência profissional do político em causa. Este, tal como tantos outros políticos portugueses deverá ter um vasto currículo profissional. Não me ofende, em momento algum, que possa haver alguém que, num conselho cientifico de uma qualquer universidade, quer pública, quer privada, conquanto detenha o conhecimento para tal, possa em consciência e devidamente suportado documentalmente, atribuir créditos (convertidos em equivalências) para as cadeiras de um determinado curso. A questão é que (notícias alusivas à data de hoje), apontam no sentido de que, 3 dos 4 nomes de docentes da tal universidade privada e que avaliaram o processo deste político para atribuição das equivalências ....estavam errados. O que, como se calcula, adensa a curiosidade e suspeita na cabeça dos portugueses. Basicamente houve confusão com o nome de 3 dos 4 docentes que afinal nem leccionaram na tal universidade na altura em que o político teoricamente lá teve aulas. À boa maneira portuguesa, já tardava a surgir a confusão.

Em segundo lugar a forma como este tipo de notícia consegue ocupar o tempo de antena da "prime hour", ou se quiserem, nos vários blocos noticiosos. Não é relevante, para a discussão, que o político "A", "B" ou "C" tenha obtido uma licenciatura de forma menos transparente. Não nesta altura. Numa altura em que há outros temas mais importantes e que podem eventualmente comprometer a continuidade do permite que durante quase uma semana se debata ou seja dada importância a um assunto que nada irá resolver ou contribuir para a resolução da actual crise económica ou do consequente e grave aumento da taxa de desemprego.

Em terceiro lugar é importante que seja feita uma avaliação séria deste assunto. Não é normal que no espaço de 3 ou 4 anos se tenha colocado em causa a credibilidade de instituições de ensino superior privado com temas desta índole. A questão é  opinião pública "bebe" toda a informação que lhe é vendida pelos "media". Tudo, sem questionar. Assume-se sem problema que há um trabalho sério de investigação no sentido de "apurar a mais verdade das verdades". O que nem sempre corresponde à verdade. Há "lobies" de pressão e interesses escondidos. Há notícias ou denúncias efectuadas anonimamente e que levam a que um jornalista sedento de protagonismo consiga uma "capa" ou uma peça televisiva bombástica...que será tão mais grave ou explosiva...quanto mais vísivel fôr a pessoa em causa. Como aliás são os dois casos de licenciaturas de políticos portugueses. Mas afinal...é isto que vende. Mesmo que não seja totalmente verdade!

domingo, julho 01, 2012

Finalmente acabou o campeonato europeu de futebol. Digo finalmente porque não há paciência para se ouvir falar das duas grandes penalidades falhadas ou do facto da selecção portuguesa ter "dado tudo por tudo" para que a vitória portuguesa surgisse. Pelos vistos não foi o suficiente. Faltava mais. Não se esforçou o suficiente.

Irei continuar a dizer (para quem me quiser ouvir) que, se algum dia ganhasse num mês o que um certo e determinado jogador (também conhecido por duas letras e um número) ganha em 10 minutos, esforçava-me com todas as minhas forças para marcar 1 golo por minuto. E por isto mesmo não entendo o porquê dos jogadores pararem de correr. Deviam correr continuamente, sem parar em momento algum e por forma a justificar os vencimentos pornográficos auferidos.

Relativamente às semanas em que decorreu o campeonato (leia-se em que era real a possibilidade de Portugal chegar à grande final), todos os nossos problemas foram esquecidos. Deixaram de existir. O que interessava era efectivamente perceber quem era apurado nos vários jogos decisivos. Porventura ninguém deu importância ao facto de Portugal ter sido alvo muito recentemente de mais uma avaliação por parte da "troika". Entre tantos outros exemplos que podem ser avançados e que certamente me preocupam mais do que festejar (ou não) uma eventual vitória portuguesa face a uma selecção espanhola - que diga-se em abono da verdade que foi a real merecedora da vitória. Nem sei como é que a selecção espanhola não resolveu o jogo imediatamente e teve de ir a prolongamento (e subsequentemente à marcação de grandes penalidades). Agora é deixar a Espanha comemorar a vitória durante os próximos 5 meses. Depois cairá em si e dirá que não aceitam as medidas da austeridade recomendadas pela "troika". Como sempre.

domingo, junho 24, 2012

Mais uma vez um tema que tem o dom de me deixar à beira de um acidente vascular cerebral - desmarcar um compromisso.

Não consigo perceber muito bem o porquê de algumas pessoas não terem o bom senso de, com tempo, desmarcar um encontro ou compromisso ou programa. Porquê o "com tempo"? Porque as outras pessoas com quem se comprometeram também têm vida própria. Também têm (ou podem ter) solicitações. E eventualmente não respondem / aceitam essas suas solicitações por respeito a compromissos anteriormente assumidos com alguém. O que me leva a pensar se será esse mesmo respeito com o qual não se justificam as desmarcações de alguns programas / compromissos. 

Pior que não dizer nada (o que poderá levar a que alguém assuma que não há nada combinada e reprogramar a sua vida) é alguém ter a "distinta lata" de desmarcar em cima da hora. Azares e imprevistos acontecem a qualquer um. Mas...deixei de dar este tipo de benesse. 

Acabou. As regras mudaram, e agora, só me fazem uma. Basta uma vez. Combinação que não é desmarcada atempadamente ou mesmo justificada, dá azo a deixar de ter disponibilidade para combinar o que quer que seja essa pessoa. Talvez assim aprendam a respeitar o próximo.

domingo, junho 17, 2012

Desde há uns dias a esta parte que há uma greve dos trabalhadores que recolhem o lixo aqui da zona. Pelo menos nesta zona da cidade onde habito. E o que faz com que o espectáculo dantesco de sacos de lixo espalhados pelo chão, misturados com outros detritos sólidos tenha passado a ser uma constante.

Há duas questões pertinentes que se me têm colocado. A primeira diz respeito ao facto de, se na rua das pessoas que como actividade profissional têm a recolha do lixo....se o mesmo também fica amontoado. Ou seja, se também haverá greve na recolha do lixo das ruas onde moram estes trabalhadores. Ou por outro lado, se na rua do Coordenador destas equipas se haverá um amontoado de detritos sólidos como há aqui na rua à porta de sua casa. A segunda questão é mais engraçada. Tem que ver com o facto de na altura do Natal estes trabalhadores virem cá bater à porta de casa a "pedir batatinhas", que é como quem diz, pedir uma "contribuiçãozita" para ajudar estes homens que recolhem o lixo. Pois bem, este ano serei eu mesmo a abrir a porta cá de casa. Vou passar o Novembro ou Dezembro à coca na janela para ver quando vêm cá os camaradas. Estou ansioso por esse momento. Para ouvir o porquê de ter de dar essa contribuição. Ouvirei pacientemente e no final, avivarei dos companheiros com a memória desta semana do inferno que presentemente vivo. E  informarei que a minha contribuição é feita para o Governo pelos canais próprios  e legais - através do pagamento dos impostos municipais.

Mais uma vez as greves. É pena que os grevistas não entendam o alcance de determinadas formas de luta. Destas em especial. E pior. É pena que quem "manda" seja conivente com este tipo de luta e, de alguma forma, abra mão de posições mais inflexíveis. Quem quer melhores condições de vida / remuneração num momento em que o País está à beira do colapso económico....só pode estar "noutra página" que não aquela em que estão (ou deviam estar) todas as pessoas responsáveis. Já aqui tive oportunidade de referir que "o presente momento" não é o indicado para re-negociação salarial. O empregador não tem forma de garantir alguns postos de trabalho e muito menos terá de conseguir uma engenharia financeira que permita um aumento salarial. E posições extremadas como a actual, que interfere com a saúde e bem-estar de pessoas que nada têm que ver com os salários...deviam ser exemplarmente sancionadas.

Enquanto os sindicatos "fincam o pé", as condições de salubridade deterioram-se. Com todos os perigos inerentes e que daí advêm para a saúde pública (e.g.: incremento potencial dos veículos / vectores transmissores de doenças como sejam os roedores, insectos vários, etc.). E em alguns casos, agudizando situações já de si débeis.

Ansiosamente aguardarei o desfecho desta novela. Mais uma. Portuguesa, pois então!

domingo, junho 10, 2012

Começou a loucura do campeonato europeu de futebol. Para alguém que, tal como eu, detesta futebol, trata-se de um suplício sem precedentes e que só tem uma data de fim - o tão desejado jogo da final.

Ao longo dos anos tenho vindo a expressar publicamente o meu ponto de vista relativamente aos jogadores de futebol. Não tenho dúvida alguma que serão pessoas excepcionalmente interessantes e de trato delicioso. E também não tenho dificuldade alguma em acreditar que todos (sem excepção) serão pessoas dotadas de um "dom" único - saber chutar "o esférico".

Devo ser a única pessoa à face do Planeta Terra que consegue lesionar-se ao chutar uma bola. É verdade. Há um ano e tal atrás era regularmente convidado pelos meus colegas para ir dar uns pontapés na bola. Embora não goste de jogar à bola (nem o saiba tampouco), sempre achei piada ao convívio e à oportunidade de chamar nomes aos meus colegas de equipa por não saberem "ler o jogo" ou por não passarem a bola para eu marcar golos lindos. Aparte das várias vezes que confundo as regras do futebol com as regras do "rugby" (quando em disputa de bola) as coisas até correm bem. Até esse fatídico dia. Tinha acabado de sair do balneário, devidamente equipado e cheio de moral. Aliás, tinha passado esse dia inteiro a judiar com os meus colegas da equipa adversária. Convém também salientar o facto de algumas das minhas colegas, que nunca tinham ido ver um jogo de futebol dos "machos" lá do sítio o terem feito nesse dia. E sim, foram. Assistiram ao espectáculo do escriba entrar em campo, pontapear a bola com toda a minha força e..cair. Não me foi possível jogar mais. Apenas e só 2 segundos. Lesão muscular. Foi o meu momento de glória.

Como já referi por diversas vezes, é uma temeridade um jogador de futebol auferir 400 vezes mais do que um bombeiro. Um apenas tem de se preocupar em colocar a bola na baliza adversária o outro tem de se preocupar em como irá salvar vidas humanas. E nestes últimos dias...o que mais se tem visto, é efectivamente a "mestria" de alguns europeus em colocar a bola na baliza. 

Que me recorde, não há reportagens sobre o trabalho dos profissionais da saúde ou dos soldados da paz. Entre outras tantas profissões que salvam vidas humanas. É pena.

Sem mais comentários.

domingo, junho 03, 2012

Conheci ao longo da minha curta vivência neste mundo,  algumas pessoas que tal como eu têm o dom de resolver problemas. Para enquadrar quem me segue neste humilde espaço, alguém que resolve problemas é, sem dúvida alguma, alguém que sabe, ou disfarça muitíssimo bem, saber o que fazer em determinado momento. É necessária maturidade, visão e naturalmente, uma "leitura" perfeita do problema. Quer seja no momento em que o mesmo surge, quer seja as consequências do mesmo no curto, médio e longo prazo. Se é um exercício complexo? Claro. Mas só as pessoas com alguma experiência de vida e acima de tudo despachadas conseguem fazê-lo.

Eu sou assim. Felizmente para os demais e infelizmente para mim. Porquê? Porque resolvo muitas vezes questões dos outros  e não fica tempo para resolver os meus próprios problemas. "Em casa de ferreiro espeto de pau", reza o adágio popular. Desde que me conheço sempre foi assim. Se há um "fogo" algures, alguém sabe que eu apago o mesmo. Não digo isto com o intuito de que seja reconhecida esta minha capacidade que poucas pessoas terão. É um facto incontornável e quem me conhece sabe. Os problemas desaparecem (ou são minimizados) e as questões existenciais deixam de existir. Como que...por magia. Basta que a pessoa em causa acredite e compreenda a solução. É meio caminho andado para que tudo corra pelo melhor.

De há uns anos a esta parte desenvolvi uma teoria muito minha de que tenho um papel importante nesta minha passagem neste mundo. Ajudar o próximo. Seja de que forma fôr. Por vezes basta um telefonema, um e-mail, um sms. Enfim, estar presente. Tento não divulgar muito esta teoria, sob pena de ser imediatamente internado numa ala psiquiátrica esquecida de um desses hospícios que ainda estão em funcionamento. Infelizmente, um dos maiores problemas actuais é por mim sobejamente conhecimento. Por muito que gostasse, não tenho (ainda) uma capacidade financeira que me permita, de forma despreocupada e definitiva atender às várias necessidades monetárias que me vão dando nota.

Creio que é em momentos críticos / delicados que é tornado possível perceber quem tem capacidade de resolver ou contornar os mesmos de forma adulta, objectiva e determinada. Nem todas as pessoas o conseguem fazer. É necessário existir o espírito de sacrifício, o sentido do altruísmo que temos em nós (não esperando nunca nada em troca) e naturalmente deter um sentido de espírito de abnegação muitíssimo presente, na medida em que deixamos pura e simplesmente de nos preocupar connosco mesmos..passando a ser prioritário o bem-estar alheio. 

Resumidamente, é isto que tenho em mente quando resolvo um problema. Quer meu, quer de outrem.

domingo, maio 27, 2012

Há "algo" que entendo ser muito importante e que varia de pessoa para pessoa. As "experiências de vida". Que podem ser boas ou más, mas que não deixam de ser isso mesmo, experiências de vida.

Cada um de nós terá a sua experiência ou percurso de vida. Um "trilho" marcado por eventos que nos fizeram crescer enquanto pessoas, que nos deram "calo" para conseguir enfrentar as adversidades e/ou nos permitem obter uma leitura diferente das pessoas que nos rodeiam. Basta utilizar a informação disponível para o que quisermos. Tudo isto proporciona que "no final do dia" as pessoas sejam como um todo, um "ser" constituído por pequenas ou grandes experiências que contribuíram para o molde da sua personalidade e do seu feitio.

Quando se vivencia uma série de experiências atípicas (boas ou más) num curto espaço de tempo (intervalos de tempo - idade - relativamente curtos), passa-se a relativizar as coisas. O que quero dizer? Passo a explicar. Ponha-se de parte aquele "segmento" de vida em que não se consegue manter a cabeça direita, em que se passa da posição horizontal para o gatinhar (e daqui para a posição vertical) e onde não é possível estabelecer uma comunicação fluída. A menos que o(a) interlocutor(a) também palre. Ou seja, elimine-se ou não se tenha em linha de conta o período de tempo de que não há memória. Ou que não é traduzido em experiências memoriáveis.

O "segmento" imediatamente seguinte a este é importante. O infantil. As memórias começam a ser criadas e em menos de nada é possível gravá-las (ou não) no subconsciente. Para todo o sempre ou durante um período de tempo tido como importante (após o qual serão apagadas para sempre - memória selectiva). Estas memórias são aquelas são as primeiras de que há memória e sim, são estas que na minha opinião, e de forma pioneira, ajudam a compreender determinados traços de personalidade tornados evidentes muitas décadas mais tarde. O mesmo raciocínio se aplicará às fases de vida subsequentes: infantil/juvenil, juvenil/pré-adulto e pré-adulto/adulto. Cada um dos períodos inegavelmente "rico" em episódios que por alguma razão marcaram a pessoa.

Como seria de esperar, são vários episódios que tenho para contar. Para a troca. Situações que vivi ao longo dos anos e ficaram gravadas para sempre na minha memória. Não acho correcta a "comparação" de vivências com outras pessoas, até porque cada pessoa tem o seu percurso de vida. Mas sim. Há experiências análogas e poderá ser debatida a forma como em determinada altura foram encaradas. E vividas. Mas mais que isso não... Até porque esses momentos têm de ser necessariamente enquadrados num todo que é a personalidade da pessoa.

Uma coisa que aprendi nos últimos anos chama-se "relativização" das coisas. Ou seja, aquilo que no passado me tiraria o sono...hoje em dia não tira. Resumidamente, trata-se de gerir a "importância" de determinado episódio no meu percurso e tendo em consideração o curto, médio e longo prazo. 

Acredite-se ou não, por mim, tenho aprendido imenso. E a dar muita importância à máxima "Não mata mas moi". Mas sempre, sempre tirando lições de vida. Que no final...é o que interessa.

domingo, maio 20, 2012

A semana passada tive cá em casa uma demonstração da "Bimby". Bem sei que há uns tempos atrás escrevi aqui no blogue um texto sobre este electrodoméstico, em que fazia menção ao facto de ser um utensílio usualmente preterido por quem gosta de cozinhar "à moda antiga". Pois bem. Derivado do facto de não saber cozinhar nem "à moda antiga" nem à "moda nova", aqui o escriba resolveu comprar uma destas maravilhosas e úteis máquinas. E dar continuidade a um prazer antigo que é o de cozinhar. Dado que na forma "convencional" não fui bem sucedido, espero sê-lo com a minha mais nova aliada.

O conceito da "Bimboca", como carinhosamente a passei a chamar (sendo que há pessoas que pensam que me refiro à minha cara-metade), é simples. Simplificar o que é complexo. Facilitar (e expeditar) o tempo que diariamente se passa na cozinha. Mas é mais que isso. Para quem como eu, gosta de pensar que "gosta de cozinhar" e não sabe...é a solução. Porquê? Simples.

Os refogados, cozer a vapor, cremes, maioneses, molhos, etc., passam a ser feitos com recurso à Bimboca. Tudo no mesmo local. Sem necessidade de andar a sujar loiça, de sujar cozinha e por aí adiante. Quem cozinha sabe do que falo. Não conheço outra forma de conseguir sopas tão cremosas ou de produção de gelado em menos tempo do que demora enviar um e-mail. Em grande parte deve-se à elevada rotação que o motor desta dádiva divina (estou tentado a dizer que se há algo melhor...Deus guardou para si). Para terminar, é óptimo porque o conseguir verdadeiros brilharetes em refeições torna-se simples. À distância de seguir a receita e as quantidades reflectidas na mesma.

Por isso, agora é experimentar receitas. Muitas (já comprei um livro de receitas para a Bimboca na Feira do Livro). E ir aprimorando o "dedo" para a cozinha. Há quem diga que a cozinha é relaxante. Vou experimentar para depois poder opinar com conhecimento de causa!

domingo, maio 13, 2012

Este ano fui duas vezes à tão conhecida Feira do Livro de Lisboa. 82ª edição, se não estou em erro, sendo que já lá vou há muitos anos. Se não estou em erro, nunca falhei uma edição, o que me dá algum conhecimento de causa para avaliar a edição da Feira do Livro de 2012.

O saldo, comparativamente a edições anteriores, é infelizmente, e no meu entender, negativo. Menos "stands"e mais gente. Outra coisa não seria de esperar. As editoras deixam ver este tipo de evento como uma oportunidade agradável para escoar edições de livros a "preços de feira", ou seja, preços mais "em conta". Por outro lado, e à semelhança de outros anos, a Feira do Livro acaba por ter lugar sempre no mesmo lugar, no Parque Eduardo VII, bem no coração da nossa querida cidade de Lisboa e desenvolvendo-se desde a rotunda do Marquês de Pombal até ao topo do Parque Eduardo VII. Ou seja, convidativa a uns longos a prazeirosos passeios pós-jantar. Gosto. Eu e todos os portugueses do meu Portugal. O que como já se vê, provoca aquela típica moldura humana típica que não raro resulta em encontrões, pedidos de licença para passar, etc..

Quem como eu conhece bem a Feira do Livro estabelece rapidamente paralelismos com edições de anos anteriores, e depreende que só os grandes grupos livreiros têm capacidade financeira para montar "stands". E claro, interesse. Estamos a falar de grandes grupos livreiros que actualmente congregam várias editoras, que no passado foram independentes. E curiosidade..este ano a feira desenvolveu-se até....metade do Parque Eduardo VII. Quando há alguns anos me recordo que chegava ao topo superior do Parque com "os bofes de fora". Não só porque havia muitos mais "stands", bem como....a Feira acontecia mais tarde. E explico o porquê desta nota.

Este ano a Feira do Livro aconteceu muito mais cedo. Isto fez-me uma confusão imensa. Não estava mentalmente preparado para ir à Feira no início de Maio. Não faz sentido. Sempre, sempre, sempre...fui à Feira do Livro em meados de...Junho. Posso adiantar que era usual, em edições de anos anteriores, a dada altura, comer uma fartura e sentir o cheiro a sardinhas assadas no ar. Ou ver e sentir o aroma característico de uma ou outra banca de manjericos (na medida em que estava próximo o S. António). E este ano nada. Uma "roulotte" das "Farturas Otário", duas outras com "Farturas à Scalabitano" e dois barracas da ginjinha de Óbidos. Nota: Confesso que nestas barracas tive de parar para "virar" duas ginjas. Uma em cada uma delas. Para ver se a ginja "era da boa"...

O que é certo é que estou lá todos os anos. Mesmo a dizer mal. Mesmo com menos "stands". E com a realização do evento cada vez mais cedo...

domingo, maio 06, 2012

Uma das minhas queridas primas convidou-me a mim (sim, a mim), para começar a correr com ela. Adianto desde já que me senti verdadeiramente lisonjeado pelo facto da minha prima se ter lembrado aqui do escriba. Resta saber o porquê dessa lembrança. Mas quase que aposto que se deve ao facto de não querer ir sozinha (lógico), mas também pelo facto de todas as amigas morarem longe. E o facto de eu morar perto.

É claro que sendo minha prima direita o convite tem outro "pêso". Aliás, desconfio que sabia que a probabilidade de lhe dizer "não" era reduzida ou nula. Afinal trata-se do pedido de uma prima. Não é vindo de qualquer pessoa. E resolvi aceder. Mais a mais era de exercício físico que se tratava. E claro...mal não faz, certo?

Como em tantas outras coisas, foi quando desliguei o telefone que realizei o que tinha feito. Correr sem ter necessidade de o fazer. Onde já se viu? Sem ser para amparar o carro que me esqueci de travar. Sim, também já me aconteceu... Sem ser para apanhar o autocarro que já fechou as portas. Quantas e quantas vezes...Sem ser para ir para a sala de embarque de um desses aeroportos cujo tamanho equivale a 10 estádios de futebol. E com a minha sorte, tenho de calcorrear, de "ponta-a-ponta" para ir apanhar o avião. Mas não se tratava de nenhuma dessas situações.

Das últimas vezes que corri.... senti coisas que nunca tinha sentido. Estranhas. A zona dos gémeos parecia que estava a ser esfaqueada com um cutelo do talho do Sr. Jorge. E que os cortes eram regados com álcool etílico logo o seguir. Vários passos em falso, trôpego, como se fosse cair e depois ganhasse amparo numa qualquer muleta invisível. Um espectáculo giro de se ver, portanto. E certamente para gáudio de muita gente que deverá naturalmente ter pensado quem era aquele tipo que corria de forma tão curiosa. Já para não falar da respiração. Descompassada. Arritmada e claro, em menos de nada, dá lugar à hiperventilação. Como não podia deixar de ser. Isto tudo em 20 metros de corrida. Bem sei que se trata de um espectáculo que não destoaria nada num alinhamento circense...mas é a minha realidade. E tenho de ser respeitado como tal.

Longe vai o tempo em que gostava de correr. Muito. Quando era miúdo, já lá vão umas valentes décadas. Com o tempo (e o inevitável aumento de pêso), deixei de sentir o chamamento para ir correr. Ou por outra, de deixar de fazer figuras tristes como aquelas que referi acima.

Vamos ver como correm este novo desafio lançado pela minha prima. Ou se não a ultrapasso logo...a rebolar!

domingo, abril 29, 2012

O "Dia do Trabalhador" deste ano foi marcado por dois episódios. O primeiro episódio foi marcado pela já tão nossa conhecida contestação popular que acontece por esta altura e que tem como consequência (entre outras) as manifestações na Avenida da Liberdade. Faz-me confusão como é que as pessoas que passam um ano a lamuriar-se porque o Estado lhes está a roubar os feriados....teimam em ir descer a Avenida apregoando o..."que-não-é-apregoável". E num momento em que os responsáveis pela Nação estão a descansar (aproveitando o feriado, como de resto seria de esperar). E os manifestantes estão na rua. Sabe Deus a reclamar o quê. Se cada vez que tivesse lugar um pedido de aumento salarial houvesse a consequente anuência por parte do Governo, em menos de nada as agências de "rating" teriam de redefinir a parte negativa da escala que utilizam para classificar a economia dos países. Especialmente a de Portugal, que como já aqui comentei anteriormente, é péssima.

O segundo episódio foi o do Pingo Doce (PD). Devo desde já confessar que soube deste fenómeno digno de registo nos manuais de estudo para os próximos 45 anos...no final do dia. Com muitíssima pena minha. Afinal, um dia, feriado (em que tipicamente há mais disponibilidade por parte das pessoas) e em que um grupo decide conceder um desconto de 50% no que fôr comprado...é obra. E que obra.

Num momento de crise económica como o que vivemos actualmente e em que muita gente já se desdobra para trabalhar em 3 empregos diferentes, toda a poupança é importante. E faz toda a diferença no final de cada mês, em que novos pacotes de medidas da austeridade são anunciados. O que PD não esperava (ou não equacionou) foi a resposta massiva por parte das pessoas. Não tendo acompanhado todo este processo desde o início, tive conhecimento do mesmo através de fotos e de um ou outro vídeo que alguém amavelmente disponibilizou no meio virtual.

Em teoria, sou contra este tipo de promoção. Se porventura tivesse sido questionada a minha opinião acerca da mesma2 ou 3 dias antes, seria exactamente a mesma. E avançaria de imediato com um possível cenário muitíssimo parecido com o que aconteceu. O ser humano tem um comportamento ou modo de agir condicionado por estímulos. Muito análogo ao que Pavlov mostrou com experiências que fez com os cães - reflexo condicionado (também conhecido por Behaviorismo). Outra coisa não seria de esperar que, com uma redução para metade do preço das compras não houvesse uma afluência tão grande como aquela que foi registada. Em todas as lojas do PD espalhadas por esse País fora. Em algumas destas lojas, segundo consta, chegou mesmo a ter lugar "animação" local, interpretada pelos zelosos clientes, que ainda conseguiram distribuir galhetas e puxões de orelhas a outros clientes menos inteirados desta promoção ímpar e que ousaram retirar uma das 34 latas de sardinha que alguém já tinha reservado visualmente para si.

Segundo as últimas notícias, o PD incorre no pagamento de uma multa de cerca de 30.000€. Em causa está o fenómeno de "dumping", que resumidamente consiste na venda de um produto abaixo do preço de custo. Trata-se de uma prática ilegal, na medida em que não promove uma concorrência harmoniosa e transparente. E claro, sacrifica os Fornecedores, situados na "base da pirâmide" e que injustamente acabam por ter de suportar todo o prejuízo. 

Sou de opinião que a regulamentação aplicável deveria ser rapidamente revista, por forma a dar cobro a situações deste tipo. Não só salvaguardando os direitos dos Fornecedores, bem como assegurando uma concorrência transparente, e evitando assim convulsões sociais como a que teve lugar.

domingo, abril 22, 2012

Dei conta precisamente hoje do quão pode uma pessoa ser complexa. Bem sei que até sou uma pessoa complexa, nem sempre com um raciocínio lógico e imediato, mas há coisas que sem dúvida alguma me ultrapassam. Ou para as quais o meu entendimento não será suficiente.

Quem conduz automóveis, sabe (ou deveria saber) que a manobra de marcha-atrás é complicada e é pelas seguradoras considerada como "manobra perigosa"...não vá qualquer condutor distrair-se e passar sem querer por cima de algum peão incauto que atravessou a estrada a escrever um "sms" para a namorada. 

Aqui para o escriba, a manobra de marcha-atrás é bem mais do que isso. Simboliza sofrimento. Piora enormemente quando tenho de estacionar o carro paralelo...ao passeio do lado direito. A razão é sobejamente conhecida. Ainda que haja o retrovisor exterior direito, já tem acontecido tirar um "bife" às jantes deste lado do carro. O que de resto, quem conhece a minha paixão pelos automóveis compreende que isso signifique espetar e rodar uma faca no olho direito.

Imagine-se uma rua larga. Quando escolho o adjectivo "larga", refiro-me a uma rua com uma largura onde um carro normal passaria à vontade. Voltando ao primeiro parágrafo, o que assisti hoje pouco fez-me repensar que afinal até sou bem simples. Estava nessa tal rua estacionado em 2ª fila quando vejo um casal chegar numa carrinha, conduzida por "ele". Deixa -"a" num determinado local. O lógico, havendo vista desafogada, seria que recuasse em marcha-atrás e estacionasse o carro. Mas não. Isso seria fácil de mais. Porque não introduzir uma variável de dificuldade? Vai daí, resolveu fazer inversão de marcha na tal rua. A dada altura pensei que não fosse conseguir tirar a carrinha do meio da estrada (onde ficou atravessada) e a fazer manobras que distavam centímetros de outros carros que já lá estavam. Os carros nem eram meus e comecei a ficar nervoso e sem respiração. Depois percebi o que era pretendido. Afinal era estacionar o carro 2 metros atrás. Mas com a frente virada para a saída!! Tanta complicação quando podia ter puxado o carro atrás e simplesmente ter estacionado.

Há muita gente com os "complicómetros" ligados. Infelizmente. Se pensarmos bem, há vários processos onde o facto de haver alguém complicado, do outro lado...torna os processos ainda mais complicados. Lembro-me por exemplo (e meramente ilustrativo), do que passei aquando do pedido de uma certificação de habilitações na secretaria de uma das faculdades onde estudei. Creio que foi nessa altura que comecei a ter cabelos brancos. Nunca compreendi muito bem como é que uma declaração simples, em que a instituição ateste que fulano "A" teve aproveitamento em meia dúzia de cadeiras "x,y,z..". pode demorar tanto tempo. O que é certo é que a tal certidão, que teoricamente devia ser emitida ANTES de ter sido terminada a frase, demorava não raro um mês. E tenho a certeza absoluta que isto derivava de mentes complexas, quadradas e pouco receptivas à mudança tecnológica que tinham idealizado um sistema infalível..mas moroso. A introdução de um sistema informatizado, actualizado e com informação "up-to-date" pertinente e por aluno tornaria tudo mais célere. Muito mais.

E estes são apenas dois exemplo...entre tantos outros!

domingo, abril 15, 2012

Já aqui devo ter escrito sobre as minhas reuniões de condomínio. Estou certo que já. Seria impensável não ter dedicado algum do meu tempo a escrever algumas linhas sobre estas reuniões tão peculiares. Aliás, e se não estou em erro, escrevo sempre que me obrigo a fazer "corpo presente" numa delas. Um ou dois dias depois.

Como é conhecido, uma das coisas que tem o dom de me deixar fora de mim é a pontualidade. Fico ansioso e começo a suar das costas. As palmas das mãos ficam escorregadias e o suor (tipicamente salgado) entra-me pelos olhos dentro deixando-me quase cego. Não entendo porque não são as pessoas pontuais. Há sempre uma treta de uma desculpa. Pois bem, aparte daqueles casos tipo alguém ter-se engasgado com uma espinha do bacalhau, ter levado com a porta do armário da cozinha na testa e ter aberto um lenho de 5 cm ou ter escorregado na banheira e ter feito um entorse no pé, não há justificações para atrasos.  Pergunto eu...se há uma convocatória para uma reunião às 2100H, porque teimam as pessoas em aparecer mais tarde? Não compreendo. Se a convocatória fosse feita para as 2300H, em alguns casos apareciam no dia seguinte....Mas aposto que para ver uma dessas novelas fajutas que passa à hora do jantar...é um ver se te avias na cozinha!! Já aqui o escriba,  não raro tem comer uma peça de fruta para enganar a fome e chegar a horas à dita reunião. Não acho correcto que os demais condóminos de banqueteiem e dêem um ar da sua graça uma hora depois. Nota: Posso aqui avançar que nas minhas acções de formação é rara a pessoa que chega atrasada. E posso também assegurar que jamais toleraria um atraso superior aos 15 minutos protocolares. Temos pena. Aguente-se e para o ano há mais...

Há uma agenda que é seguida nas reuniões de condomínio. Aliás, como em qualquer reunião que se preze. Essa agenda costuma estar bem clara nas folhas que me são entregues à entrada para a tal reunião (ou colocadas na caixa do correio). Aqui reside outra das minhas questões. Porque razão se demora tanto tempo a debater os pontos? Porque são permitidas discussões "à margem" da reunião? Porque não são as pessoas incisivas, objectivas e sumárias? No final de um dia de trabalho, apetece-me tanto ficar a saber os problemas pessoais de cada condómino como lamber o caule de uma roseira. Pior. Irrito-me comigo mesmo porque invariavelmente sou cavalheiro. Com dois lugares para me sentar, um de cada lado, opto por ficar em pé. Porque há senhoras presentes e porque acho que se podem querer sentar. Afinal, acabamos todos por fazer cerimónia. Ninguém se senta durante toda a reunião. E claro, ao fim de 3 horas (sim, leram bem, três horas de reunião), os meus rins parecem querer explodir. E obviamente começo a ficar impaciente, a olhar insistentemente para o relógio e tento desesperadamente estabelecer contacto visual com o(a) Administrador(a) para que abrevie a sessão para irmos todos embora dormir.

Não preparar uma reunião de condomínio é como ir para um teste à espera que o conhecimento surja durante o mesmo. É mau. E pior. Contrariamente a um teste onde só a asno(a) que não estudou perde o seu tempo (que deve ter a rodos), numa reunião de condomínio há um(a) iluminado(a) que consegue a proeza de fazer perder o tempo do quorum presente. Adoro. Depois de um daqueles meus dias em que só me apetece arrancar o cabelo, uma reunião de condomínio é mesmo a cereja no topo do bolo.

Porque não sou Administrador? Porque não tenho paciência. Nem tampouco tenho tempo ou disponibilidade para estar presente sempre que há uma vistoria à cobertura do telhado ou quando uma das fossas da garagem entope. Tenho para mim a forte suspeita de que, sendo eu Administrador, as coisas não correriam bem para os condóminos faltosos com as suas obrigações. Há carros que pegam fogo misteriosamente. Há tubos de travão que estão sempre a romper. Há pessoas que do nada caem e partem os dentes da frente. Ninguém está livre que um azar lhe bata à porta. E sinceramente, as coisas entravam nos eixos. Se há coisa que detesto...é a tão nossa conhecida "chica espertice" portuguesa. Será que as pessoas não se mancam? Será que acreditam mesmo que toda a gente é desprovida de cérebro e come gelados com a testa? Haja paciência! E menos reuniões destas!!

domingo, abril 08, 2012

Nos últimos tempos tenho andado a ler muito sobre micro e macroeconomia. O que não deixa de ser curioso para quem como eu nunca ligou muito a estas disciplinas (microeconomia dada na faculdade). Para quem anda não sabe, há diferenças entre ambas e que resumidamente, tentarei abordar no seguimento do texto de hoje.

A macroeconomia estuda o comportamento da economia como um todo, analisando os períodos de recuperação (e de recessão), a produção total de bens e os serviços da economia e o crescimento do produto. Analisa as taxas de inflação e sua influência no desemprego, os balanços de pagamentos e as flutuações das taxas de câmbio. Prevê o impacto que as flutuações a curto prazo poderão ter nos ciclos de negócios. Analisa ainda os montantes de dinheiro em circulação, as variações nos preços (com reflexo salarial), volumes de exportação e importação, etc..

A microeconomia adopta outra abordagem. O foco está nos consumidores e nas empresas (ou meio empresarial, se preferirem). Tendo em linha de conta as preferências dos consumidores (e a utilidade que decorre dessas mesmas preferências) poderão ser traçadas as suas tendências de escolha. É estudada a procura de mercado para um determinado bem ou serviço e consequentemente é relacionada essa demanda com a quantidade do bem que certa empresa deve conseguir ofertar. Por outro lado, em paralelo, é também estudada essa mesma quantidade do bem ofertada (preço e adequabilidade ao mercado tendo em conta a procura do mercado para esse bem). 

Mas vai ainda mais longe. Estuda as relações entre consumidores e produtores. Assim sendo, tem presente os monopólios, oligopólios, monopsónios, a concorrência perfeita e a clássica teoria dos jogos. Neste disciplina são também delineadas estratégias de maximização de lucros e minimização de custos para as organizações - que não é mais nem menos que o sonho de qualquer gestor que se preze. Na microeconomia é ainda possível o desenvolvimento de modelos sociais simplificados, o que poderá ser útil antes do lançamento de um novo produto novo no mercado sendo este um dos pilares do estudo da microeconomia.

Tenho aprendido muito com estas minhas leituras. Muito mesmo. Gosto particularmente da microeconomia, por razões óbvias, e claro, porque me parece ser uma realidade mais próxima (micro) e de mais fácil entendimento e assimilação ao invés de uma realidade mais abrangente (macro) para a qual não estarei tão sensibilizado e na medida em que me custa fazer esse tipo de extrapolações.

Mas a escolha deste tema de hoje tem uma razão de ser. Já referi em textos anteriores aquilo que vou dizer seguidamente, mas sem ter recorrido a esta "sustentação" mais técnica / enquadramento que aproveitei hoje para fazer. Basicamente, e mais uma vez, falo dos lucros das empresas que estão situadas em Portugal. Falo daquelas organizações que conseguem vangloriar de  lucros com 6 zeros e ainda manter vencimentos "obscenos" para os Administradores. Ou seja, percebe-se agora o porquê de ter feito a introdução que fiz. Falo de macroeconomia (economia nacional) de "mãos dadas" com um contexto de crise económica internacional e ladeado com uma notória retracção do investimento externo (e interno) e ainda do agravamento das condições económicas para o comum dos mortais. Mas falando da nossa realidade.

Faz-me confusão que ainda não tenham sido pensada uma forma de taxar à séria os lucros "fabulásticos" das grandes empresas (algumas delas casos de estudo de monopólio). Parece-me muito pouco razoável (e inteligente) que em tempo de crise económica se permitam algumas "honrosas excepções" a organizações cujos Administradores auferem mais que o Primeiro Ministro. Como se costuma dizer, "o sol quando nasce para todos" e em tempo de crise, não deveriam ser concedidas benesses deste tipo. O argumento deficitário de serem organizações que em breve serão privatizadas faz-me revirar os olhos de tão débil que é. Ou seja, e pegando no exemplo da transportadora aérea nacional. Há mais de 10 anos que se ouve falar na privatização. Nenhum Governo até agora teve coragem de avançar com este processo. Afinal é um "pinga-pinga" necessário. E os contribuintes portugueses até mantêm a empresa subsidiada. Assim sendo, e dado que não está ainda definida uma data para a sua consecução (privatização) os Administradores desta empresa (faz parte do tal grupo de excepções) continuarão a receber vencimentos (em alguns casos) dez vezes superior ao nosso esforçado Primeiro Ministro. Valha-nos a tão esperada (e anunciada) privatização que terá lugar. Um dia destes..

Não desfazendo o necessário (e profissional) trabalho por parte do FMI, não entendo como não se olhou para a "prata da casa" e não se delineou uma estratégia que minimizasse o "fosso" entre aquelas empresas que anunciam lucros com vários algarismos significativos e aquelas que são obrigadas a fechar por via do não cumprimento das suas responsabilidades. Ou seja, não se deve pedir emprestado "lá fora" quando ainda há dinheiro (e muito publicitado) cá "dentro". É isto que não entendo. E ninguém me explica.

domingo, abril 01, 2012

Há poucos dias atrás comprei uma mala de viagem. Já há algum tempo que precisava de uma mala para ir no porão do avião, rígida e que me permitisse levar os parcos pertences para cerca de 3 ou 4 dias.

Certamente que não há à venda mala mais discreta do que aquela que comprei. É impossível. Desde sempre que oiço histórias de contrabando de droga, armas e tráfico de orgãos de pessoas que seguem dentro das malas que viajam nos porões dos aviões. Como tal, interiorizei desde o início desta minha compra que a minha mala teria de ser o mais discreta possível para não ser alvo de cobiça por parte dos malfeitores que laboram nesse submundo do carregamento dos porões dos aviões. E se assim o pensei, assim o fiz.

Dificilmente conhecerei uma menina tão prestável e simpática como aquela que me atendeu. Julgo mesmo que a dada altura olhei à minha volta à procura de uma câmara de vídeo. Não é normal alguém ser tão prestável. Tão simpático e ainda conseguir dizer umas piadolas. (Nota: Em 10 piadas, uma teve graça. Mas isso são pormenores).

Quando estamos perante alguém tão simpático, é complicado focarmo-nos nos detalhes técnicos. Como por exemplo, na "definição do código secreto do fecho da mala". Parece simples? Também me pareceu. Talvez por isso mesmo a minha atenção estivesse focada numa pasta de mão que estava em exibição numa zona oposta da loja.

Não conheço muita gente que compre malas de viagem por "desporto". Na generalidade das vezes, quando se compra algo do género, é por necessidade. Também não me admiraria que houvesse um estudo científico encomendado por uma qualquer universidade do Arkansas que reflectisse uma percentagem de 100% de aquisições deste tipo de objecto dois dias antes ou mesmo na véspera da viagem de avião (Nota: Confesso que não me parece muito razoável que alguém compre uma mala deste tipo para levar para o trabalho todos os dias).

Orgulhosamente faço parte da percentagem de pessoas que compra este tipo de mala na véspera da viagem. Já aqui referi anteriormente que não padeço do nervosismo de fazer a mala 3 dias antes. Faço sempre horas antes. É uma questão que tenho bem resolvida interiormente. Mas que tem associadas vantagens e desvantagens. Como vantagens, o não ter mais uma preocupação na minha mente, parece-me ser aquela que mais se destaca. Como desvantagem, o imponderável. 

É também conhecida a minha relação próxima com o imponderável. Aquilo que não se consegue prever. É precisamente nesse vasto e produtivo campo da imponderabilidade que normalmente têm lugar as minhas histórias, como de resto também se sabe. Na véspera de uma viagem de avião, e aquando da definição do tal código secreto do fecho, o mesmo só podia deixar de funcionar. O que, como se imagina, me deixou efusivo de alegria, imaginar de imediato que os tais senhores do "submundo da carga dos porões dos aviões" iriam ficar a conhecer a cor das minhas boxers ou se uso meias de algodão ou de fibra. Isto de madrugada e a poucas horas de embarcar. Ou seja, a mala seguiu "aberta" e sem o código secreto introduzido.

Chegado ao meu destino, liguei para a loja das malas. Atendeu-me uma menina (não era a tal que me tinha atendido da outra vez). Fiquei a pensar se lhe teria interrompido alguma tarefa importante (e.g.: tirar os pelos do buço) pela forma menos correcta e agressiva como falou comigo. Resumidamente, entendeu a menina que se o fecho não funcionava, eu não deveria ter usado a mala. Ou seja, não sei como não me ocorreu de madrugada colocar a minha roupa e artigos de higiene pessoal em sacos plásticos. Aqui o asno, sem alternativas (a não ser os sacos plásticos), entendeu levar a mala, apenas com os fechos laterais funcionais. Serviu o seu propósito, quer na ida, quer no regresso.

Agora veremos como será em breve a troca da mala. O tal "Einstein" disse-me para passar por lá com a mala, como quem diz que aqui o jumento devia estar a fazer algo de errado, na definição do código secreto. Sempre quero ver a cara dela quando perceber que efectivamente não dá. E mais. Quero que me diga que alternativa sugeria ela que eu adoptasse para ir de viagem (sem a mala) e como iria eu experimentar a colocação do código secreto...sem utilizar a mala...Santa Paciência!

domingo, março 25, 2012

Há um fenómeno que seria interessante de constituir objecto de estudo por parte de uma dessas universidades norte-americanas que se dedicam ao estudo de nobres causas. As mesmas que se preocupam com a melhor época para a reprodução do cervo almiscarado negro (que afinal não pertence à família dos cervídeos) ou o ainda com a clássica questão do porquê da gestação do macaco-aranha durar entre 226 e 232 dias. Coisas importantes, portanto.

O tal fenómeno que me refiro no início do texto tem que ver com a "corte". Seria muitíssimo interessante aferir a percentagem de homens que perpetua a corte junto às suas namoradas / mulheres depois de conseguir a sua atenção ou mesmo de ter conseguido encetar um relacionamento afectivo. Não me admiraria que se apurasse um valor percentual inferior ao número de políticos honestos. Rapidamente, e sem grande esforço, é possível perceber o quão ridículos são os homens nesta fase em que estão enamorados / encantados / deslumbrados. Aliás, estou em crer que, se alguns homens vissem as figuras que já fizeram....discretamente procurariam o conforto (e sombra) de um rochedo próximo, para se esconder, e para sair debaixo do mesmo por altura do Natal de 2034. Nota: Em alguns casos deve ser motivo de conversa (leia-se gozo) entre grupos de amigas. É triste a realidade...mas há homens que são ridiculamente óbvios e básicos.

A razão pela qual alguns homens pecam pela falta de inovação / criatividade tem uma explicação. Ou culpa. As mulheres. Pois é, as mulheres são as verdadeiras culpadas. Passo a explicar. Actualmente, a taxa de divórcios é similar à taxa de casamentos. Quer isto dizer que as pessoas casam-se com facilidade e com uma facilidade ainda maior se divorciam. Até aqui nada de novo. A questão é que se cria um défice afectivo. Ou seja, por outras palavras, a razão entre o que se quer "dar" e o que se "recebe", em termos de capital afectivo e naquele momento, é negativa. E assim sendo, em menos de nada chega-se a um estado de carência permanente, quer nos homens, quer nas mulheres.

Se o estado de carência dos homens é marcado por diversas situações que num estado normal não têm lugar (e.g.: a voz ao telefone deixa de ser máscula passando a um irritante timbre de adolescente imberbe - nunca percebi bem o porquê dos homens pensarem que as mulheres gostam de vozes mais finas, estupidamente enviam mais de 5 mensagens de telemóvel no mesmo dia ou ainda enviarem um postal electrónico sem razão aparente, quando nunca o fizeram antes - por não saberem sequer escrever correctamente o seu nome). São situações atípicas na generalidade dos homens. E tudo isto aliado ao facto de pensarem com a "segunda cabeça". A dada altura...passa a comandar uma série de acções, e aqui sim, podem culminar em abordagens básicas, primárias e que em vez de aproximar uma mulher, afastam-na.

No caso das mulheres (quase todas), a questão não é muito diferente. Também há carência nas mulheres. Contudo, as mulheres gerem a sua carência afectiva de outra forma. Primeiro racionalmente e só depois emocionalmente. Como consequência imediata, isto faz com que o "até que enfim", o momento tão desejado pelos homens seja protelado para algum momento futuro. Indefinido. Algures no futuro, sem pressa e sem pressões, pensa conscientemente a mulher. E isto faz com que sejam conhecidos casos de alguns homens que se começam a roçar nas paredes ou descubram prazer no esfregaço de urtigas nas "partes baixas". Enquanto não chega esse tão esperado momento.

Assim sendo, percebe-se que as carências de ambas as partes propiciam que tudo o resto seja "acelerado". São "queimadas" etapas e não raro a mulher passa a achar piada a alguma graçola mais seca que o árido deserto do Sinai. Ou seja, deixa-se "levar" por um tipo que nem sequer é o seu género de homem. Daí eu dizer que a culpa é das mulheres. Facilitam. Deixam-se levar pelas emoções quando em certos momentos deviam ser racionais. Nota: Não me tentem convencer que o aspecto físico de uma pessoa não conta, porque questiono de imediato se alguém consegue ver beleza num homem / mulher sem dentes à frente.

Não conheço a realidade de outras sociedades além da portuguesa. Do que conheço da nossa, reconheço que há efectivamente uma falta de bom senso, cuidado e sobretudo conhecimento do sexo oposto. Embora as pessoas (mais os homens) assumam que conhecem quem têm ao lado, não é verdade. E um dia que questionem a cara-metade se tudo o que lhes fazem lhes agrada, talvez fiquem surpresos com a resposta. E esta situação remete para uma diferença básica no binómio "homem-mulher". A mulher é usualmente mais permissiva e tolerante com os erros dos homens. Por outras palavras, tolera mais. Muito mais. Até ao dia em que uma coisa de somenos importância assume proporções dantescas. E "entorna-se o caldo ".

O período de encantamento é delicioso. Para ambas as partes. A corte, mantida, é algo ímpar e que poderá sugerir uma relação duradoura, verdadeira e acima de tudo, vivida a dois. A questão é que dura pouco. E quando uma das partes sente isso...é complicado que a relação dure. Ou pelo menos dure sem que haja acomodação - pior inimigo da relação.

domingo, março 18, 2012

Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que passeei o Paco sem trela. A razões são simples. O Paco é amalucado e é cachorro. Como tal, tem de ser educado a andar à trela. A respeitar os outros cães e a não querer saltar para cabeça das pessoas com quem se cruza na rua.

Por outro lado, um treinador de cães que diga que os cães podem andar na rua sem trela não é um bom treinador. São várias as distracções a que um cachorro é submetido aquando de qualquer um dos seus "passeios higiénicos". Desde outros cães, gatos, pessoas, etc.. O que torna as coisas complicadas, mas não necessariamente menos interessantes. Posso adiantar que não raro levo esticões na trela que vejo estrelas. E consigo "voar" entre os dois lados de uma rua em menos de um fósforo. Mas também tenho para mim que faz parte. Conquanto não queime os dedos com o fio da trela ou caia e parta os dentes da frente...até vejo alguma piada nestas coisas.

Há um programa que dá na televisão aos Domingos de manhã, próximo da hora do almoço. Sou a única pessoa do Planeta Terra que não o viu ainda este programa do homem que faz magia com os cães. Mas não com o Paco. O Paco é um caso muito especial e que certamente faria com que o famoso senhor pensasse em mudar de actividade e se dedicasse a fazer bolas de Berlim sem creme para fora.

Sabendo que o Paco é cachorro e naturalmente insubordinado, ando com ele sempre à trela. A menos que não vislumbre vivalma num raio de 5 quilómetros, não o solto.  E é aqui que precisamente me insurjo. Não entendo a razão pela qual as outras pessoas não pensam / agem assim. Não faz sentido andar com um cão sem trela se o mesmo é brigão e gosta de ir provocar os outros cães que são passeados à trela. E não raro isto acontece comigo, ou seja, quando passeio o Paco (preso). E viro fera com as pessoas que não respeitam esta premissa básica.

E infelizmente acontece muitas vezes. E a culpa não é dos "lulus"...mas sim de quem os passeia!

domingo, março 11, 2012

Brandos Costumes

Não é segredo para ninguém que Portugal é um País de brandos costumes. Qualquer pessoa sabe disso. Devo ser a única pessoa do planeta Terra (e de mais uns quantos antes e depois) que descobriu muito recentemente que por cá, ninguém é preso por não pagar o que deve. É mesmo assim. Pode um dia destes próximos dias apetecer-me comprar uma "villa" inteira num qualquer empreendimento luxuoso algarvio de 10 estrelas, 4 viaturas de uma das mais conhecidas marcas de automóveis bávaras e porque não, vestir-me da cabeça aos pés num das lojas situadas na Avenida da Liberdade. Como fazer? Cartão de crédito. Basicamente, o "salvo conduto" para uma vida despreocupada e feliz. Durante alguns dias, pois claro.

A primeira consideração que se me oferece fazer, do acima exposto, tem que ver com a "permissividade" que existiu ao longo das décadas por cá. Não posso atribuir a culpa a quem consegue o tal cartão de crédito que lhe permite(iu) viver acima das suas humildes possibilidades, em muitos casos. Atribuo a quem o deu. A quem permite que alguém se endivide de tal forma que tenha de ponderar rifar a sogra e chata da cunhada. E acredite-se ou não, são cada vez mais comuns estas situações (não de sogras / cunhadas rifadas, mas sim de situações extremadas de endividamento). Costumo dar o exemplo do crédito à habitação. Há 15 anos atrás, se alguém quisesse comprar uma casa que custasse 50.000 euros naturalmente que não ía obter só esse valor. Expectável e desejavelmente, o gestor de conta encarregar-se-ía de sugerir a contratualização de um montante superior: "Vai precisar de equipar a casa? Tenho um contacto de um cliente meu que vende a marca "XPTO" a preços muitíssimo em conta! É de aproveitar", entre outros argumentos de pêso, que na hora de sair do "ninho" naturalmente pesam. Do outro lado da mesa estariam jovens, sem grande maturidade e com uma enorme vontade de emancipação (leia-se saírem de casa dos pais e terem o seu espaço, individualidade e sem terem de justificar o porquê de chegar a casa de gatas e terem tentado durante 3 horas abrir a porta da entrada do vizinho do lado com a chave do correio).

Do acima, facilmente se percebe que foram muitos os contratos assinados. Assistiu-se ao "boom" imobiliário, muitas casas avaliadas "por baixo" (por forma a permitir a concessão do crédito na totalidade), e claro, como resultado final, muito dinheiro emprestado, sob a forma de crédito. Durante décadas. Se alguém queria comprar uma casa, o banco emprestava. E com o emprestado comprava igualmente um carro. E assim sendo, passou a ser uma forma de estar na vida. Quer para empresas, quer para particulares. No caso das empresas, deixou de haver restrição. Houvesse linhas de crédito viabilizadas, havia troca de automóvel de dois em dois anos, telefones topo-de-gama, viagens para quadros superiores com tudo pago, etc..Naturalmente que quem ficava invariavelmente a ganhar era o banco, na medida em que no final, feitas as contas, contabilizando o "juro acumulado", à taxa contratualizada, o montante em dívida é substancialmente superior ao montante inicialmente acordado. Mas tinha sido acordado e assinado. Até que rebentou a "bolha" no sector imobiliário norte-americano e a vida mudou. E veio para ficar a crise económica, como aliás se tem feito sentir nos últimos tempos.

Segunda consideração. Portugal não está, nem nunca esteve preparado para este choque. Na altura do Estado Novo, o próprio "sistema" garantia que as famílias portuguesas tivessem o mínimo indispensável para sobreviveram. Daí ser também tido como um regime "paternalista". O próprio sistema "cuidava" dos portugueses. E foi um sentimento que perdurou até aos dias de hoje pelas piores razões. A máxima de "arregaçar as mangas e ir trabalhar" é bonita, mas não convence quem está desempregado há mais de 1, 2 ou 4 anos. É treta. E mais ainda nos dias que correm. Por outro lado, aquelas pessoas / empresas familiares que contraíram vários empréstimos para manter um determinado "status" e nível de qualidade de vida, em algumas situações com uma presença incontornável da precariedade, pessoas com habilitações académicas baixas, experimentam agora as dificuldades. A "mão pesada" das Finanças que, obrigadas a cumprir um  exigente plano"troikiano" aumentam a taxação tributária e como tal deixam de conseguir suportar mais encargos. E não são tão poucas famílias / empresas como se possa imaginar.

Utilizei o enquadramento acima para chegar onde quero. À minha terceira e última consideração. Como referi anteriormente, não posso culpar ninguém de ter contraído empréstimos atrás de empréstimos, e hoje estar sufocado(a) em dívidas. Ou de já ter sido encetada uma habilidosa engenharia financeira para poder comprar os livros escolares dos filhos. E com tendência a agravar. Como também se sabe.

Por outro lado, os grandes grupos económicos por cá instalados. É conhecida a sua fuga ao fisco e consequentemente às suas responsabilidades fiscais. Há juristas pagos para encontrar lacunas nas peças legislativas e assim, de forma "legal", legitimar e consolidar os cadernos de encargos, com lucros, em alguns casos, de 6 dígitos. O que de resto dá-me que pensar. Com o País em plena contracção económica, como é possível que seja anunciados lucros? E elevados? Aliás, a palavra "lucro", no actual contexto já destoa..quanto mais o adjectivo acessório (elevados). Mas parece-me que ninguém tem muito interesse em tentar descobrir a causa. Como é hábito. Julgamentos que teimam em não terminar, casos que envolvem ex-representantes do País e que de tão morosos desacreditam o sistema judicial, entre outros exemplos que poderiam ser dados. 

Para quando seriedade e rigor nas contas? Para quando uma equipa de políticos destemida em rever a Lei, "mexer" nos interesses económicos instalados e aumentar a contribuição tributária dos grandes económicos que por cá existem? Para quando a responsabilização pública e severa daqueles que conduziram o País para uma situação de tal forma insustentável que teve de ser necessária a ajuda externa? Questões sem resposta. É por esta e por outras que Portugal é um País de brandos costumes. Onde quem prevarica....sai-se bem. Quem vier atrás que feche a porta.

domingo, março 04, 2012

Desemprego há mais de 6 meses

Infelizmente tenho vindo a "cruzar-me" com várias pessoas desempregadas. E a situação tende a agravar. Das últimas notícias que ouvi (peças televisivas), o número de 14% para população activa sem emprego é já avançado pelo nosso Primeiro Ministro e avançam os orgãos de comunicação social que não será um número assim tão diferente daquele que se verifica na Grécia. O que naturalmente dá que pensar.

Nunca fui, não sou e não me parece que alguma vez venha a ser uma pessoa que dramatize desnecessariamente os cenários. Não faz parte do meu carácter. Pauto a minha vida pelo positivismo, e em vários episódios (recentes) que já experimentei, tentei em todos eles, encará-los com o necessário positivismo. Acima de tudo transmitindo segurança, determinação e a confiança de uma solução breve.

Já aqui recomendei em tempos a quem não tem emprego que deve ficar em casa à espera que liguem ou lhe enviem um e-mail a convidá-lo(a) para trabalhar. Nunca tal aconteceu. Defendo em alternativa a proactividade. É importante que quem recebe um currículo saiba que há uma pessoa que lho está a  enviar. E como? Entregando o currículo em mão. Primeira recomendação. Faz toda a diferença. Acreditem que o(a) responsável pelos Recursos Humanos recebe diariamente centenas de currículos. Nos dias que correm, naturalmente que receberá mais ainda. Importa pois, marcar a diferença. E tal possível com um pedido de reunião com o(a) tal responsável. É o primeiro passo.

A minha segunda recomendação tem que ver com a inscrição no centro de emprego mais próximo. Muita gente com quem falo diz-me que não vale a pena perder tempo com isso, que é tempo perdido porque há filas enormes desde madrugada além de não dar em nada. Não posso discordar mais. A inscrição nestes locais (representações Estatais), é importante porque permite ao Governo aferir o quão dramática é a realidade de algumas pessoas e garante igualmente uma análise mais fina da percentagem de pessoas sem emprego. São números importantes e que a jusante possibilitarão uma acção específica por parte de quem toma conta do País.  Por outro lado, é viabilizado o complemento à formação do indivíduo. Ou seja, por outras palavras, tenho conhecimento que há sessões de formação organizadas para pessoas sem emprego e onde eventualmente poderá ser encontrado algum conforto psíquico, na medida em que se percebe que não se está sozinho(a). Poderá eventualmente ser um meio de encontrar a paz de espírito que tanta gente começa a não ter.

A terceira e última recomendação alude para algo que hoje em dia dá pelo nome de "engenharia financeira". Em linguagem comum, cortar na despesa. Delicio-me (com todo o respeito) com desempregados que são entrevistados na televisão e estão de cigarro na mão. Ou que continuam a sair todos os finais de semana. Ou que mantêm casas e carros que têm associadas prestações elevadas. Não faz sentido. Têm dinheiro para tudo isto - mantendo um determinado nível de vida - e depois "choram" dizendo que não têm dinheiro para comer e que está tudo caro? É importante que com algum "distância" e muita sensatez seja avaliado o desafogo monetário individual e seja tentada alguma futurologia e sejam feitos cortes imediatos naqueles custos que são dispensáveis (e.g.: tabaco, saídas à noite, etc.). É imperioso que tal aconteça. Nota: Quanto ao tabaco, posso dizer por experiência própria que é tudo uma questão de força de vontade, mental. Fumei durante 16 ou 17 anos anos e deixei de o fazer de um dia para o outro. Desde há 3 anos. E nunca mais tive vontade de fumar. Se custou? Não mais que tirar pedras de alcatrão da palma de uma mão como infelizmente já tive de fazer. E o mesmo se aplica por exemplo à avaliação adulta da necessidade de se viver num T4 quando se pode viver num T2...e assim ser possível renegociar a dívida com o banco. Entre outros tantos exemplos...

Boa sorte e força para os piores dias que estão para vir...

Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...