domingo, fevereiro 16, 2014

A bicicleta

Primeiro foi a corrida. Depois o ginásio. E por último, agora, a bicicleta. Carinhosamente, e se mo permitem, dirigir-me-ei à mesma (bicicleta) como "bike". No meio ciclístico é como as bicicletas são denominadas. Na minha altura eram as "biclas". 
Durante muitos anos tive "bikes". Primeiro tive uma "bike" com piscas laterais (que funcionavam). Foi logo a primeira. Mais tarde (e quando o buço já me dava algumas dores de cabeça porque os meus pais não mo deixavam tirar), após ter terminado o 2º ano do ciclo preparatório com boas notas consegui ter uma "bike" diferente. Uma "bike" à homem que sabe o que quer. Tive e gostava muito de andar na mesma. Cheguei a ir ter a casa de algumas apaixonadas que tinha nessa altura de bicicleta. E lembro-me de ter perfeito algumas centenas de quilómetros ao guiador da mesma. Muitos deles no meu tão apreciado Alentejo.
Como não podia deixar de acontecer, "bike" minha só podia estar sempre bem limpa e devidamente oleada. Já na altura pensava para mim mesmo que as mulheres olham para a limpeza do meio de transporte em que os machos se deslocam (e esta minha crença convicta explicará algumas manchas de lubrificante que inadvertidamente caíam no soalho quando oleava a corrente e a minha mãe nunca percebeu como apareciam...).
Pouco antes de tirar a carta de condução abandonei as "bikes". Afinal tinha entrado numa dimensão de prazer totalmente diferente e estava no céu - tinha carta de condução e carro. Já podia pegar num carro e ir até...Bissau tomar um café. E que prazer que retirava eu daquela "bike", os brilharetes que fazia e deliciavam o sexo feminino...foi tudo relegado para um segundo plano. Ainda que fosse perfeitamente conciliável a coexistência da prática ciclística com a condução de um automóvel. Mas não foi assim entendido por mim. E mais de 20 anos depois...voltei às "bikes". 
Voltar às "bikes" é para mim uma sensação que se reveste de uma grande ansiedade, carinho e saudosismo. Afinal, eu SEI o que é andar de "bike". Mas volto a fazê-lo com outra idade/maturidade, com outras pessoas e irei percorrer outros locais ao guiador da minha mais recente aquisição. Que naturalmente andará sempre limpa e bem oleada (preferencialmente numa zona onde o óleo possa cair sem manchar nada). Até já e bons quilómetros!

domingo, fevereiro 09, 2014

O mau tempo e as pessoas

Ao longo das últimas semanas o mau tempo tem-se feito sentir por todo o "velho continente" europeu. Em Portugal, desde rajadas de vento com velocidades superiores a 100 km/H, passando pelo aumento considerável dos caudais dos rios - e que tem como consequência as inundações das habitações na zona circundante - muitos serão os danos a considerar e começa-se a fazer contas ao prejuízo causado pelas últimas intempéries.
Das várias várias reportagens que têm passado na televisão e de algumas a que tenho assistido, constato e não sem alguma estranheza, que em alguns casos não há uma apólice de seguro que permita cobrir ou custear os danos causados pelo mau tempo. Aparentemente, e segundo bem percebo, haverá em algum momento um diferendo ou reserva de algumas seguradoras em segurar estabelecimentos cuja construção é ilegal. Na minha cabeça faz todo o sentido. Mas também me leva a pensar quem autorizará (tipicamente a autarquia local) a que determinado estabelecimento se estabeleça (passe-se a redundância) em determinado local. E nesse caso terão/teriam de ser apuradas responsabilidades. E é conhecido o funcionamento do sistema judicial português. No final do dia, há alguém que terá de arcar com o prejuízo para que o "ganha pão" seja de novo edificado e permita a sua subsistência. Mais uma vez, na hora da responsabilização dos vários "actores" não serão encontrados culpados. Como habitual.
Em simultâneo permitam-me tecer um pequeno considerando sobre os espectadores do mau tempo ou das forças da natureza. A ida ao café depois do almoço de Domingo tem nestas últimas semanas sido substituída pela ida ao paredão da praia (devidamente interditada pela Protecção Civil e Autoridade Marítima). Para tirar fotos com o objectivo de reunir 9000 "likes" nas suas páginas do "cada-vez-mais-ridículo-Facebook". Não está em causa a partilha das fotos dignas de prémio e de fazer inveja a um Sebastião Salgado. Está sim na forma e no momento em que as mesmas foram obtidas. Por vezes, e sem exagero, perigando a própria vida ainda que as autoridades competentes muito alertem para a cada vez maior ocorrência deste tipo de comportamentos perigosos.
Desconheço como é a realidade dos outros países que presentemente estão a ser fustigados pelo mau tempo. Sei que em Portugal há muitas pessoas inconscientes e com falta de educação que nutrem um gozo (?!?) pessoal em alimentar a sua curiosidade com a desgraça alheia. Da mesma forma que são causadas filas intermináveis quando há um acidente na estrada...também aqui há um prazer especial em ir assistir aos estragos causados pela forte ondulação ou ventos. Questão: Será que quando o mau tempo se fôr embora..estas mesmas pessoas que lá foram tirar fotografias para partilharem posteriormente....irão "arregaçar as mangas" ou oferecer os seus préstimos para ajudar na reconstrução? A resposta parece-me lógica.

domingo, fevereiro 02, 2014

Dar Formação

Esta será uma daquelas semanas intensas que todos temos de vez em quando. Como tal, e dado que darei formação interna a 6 colegas, terei de me preparar convenientemente e estar preparado para toda e qualquer questão que se me coloque.
Ao longo dos anos e com os cursos de formação que fui assistindo, percebi que um formador seguro e com resposta pronta para todas as questões colocadas pelos formandos determinará o sucesso da acção de formação em causa. Analogamente, formadores que não têm a lição bem "estudada" terão alguma (senão total) dificuldade em cativar a audiência.
Um dos grandes problemas para quem dá regularmente formação, na minha opinião, é adequar o discurso à audiência existente em sala. Bem sei que para algumas pessoas é muito complicado explicar o que lhes parece óbvio. Mas tem de ser mesmo por aí. A acção de formação (ideal) deverá compreender 3 momentos: a) Preâmbulo, b) Desenvolvimento e c) Considerações.
No "Preâmbulo" afere-se o grau de conhecimento que os presentes têm sobre a matéria que irá ser dada. Efectuam-se 2 ou 3 perguntas de despiste para os formandos e ajusta-se mentalmente o que vai ser dito em função das respostas. Este ajuste é particularmente importante porque poderá sugerir que se pode aprofundar um pouco mais o conhecimento técnico - afinal a audiência acompanha - ou por outro lado (situação mais comum) é necessário que seja realizado um "downgrade" no nível de dificuldade adequando o conteúdo da formação ao nível de conhecimento mais baixo e detido pelos espectadores.
E chegamos ao "Desenvolvimento". Pessoalmente, entendo ser a parte principal ou mais importante de uma sessão de formação. É aqui que se diferenciam os "bons" dos "maus" formadores. A interactividade do formador com os formandos. A riqueza do vocabulário utilizado pelo mesmo. A pertinência das observações realizadas pelos formandos devidamente enquadrada. O conseguir "puxar" para si os formandos tidos como elementos anteriormente identificados como "desestabilizadores". O tornar alguém tímido....em alguém participativo entre tantos outros exemplos. O formador "sua" aqui. Bastante. Se fôr realmente bom e tiver a acção bem estruturada.
No final, em "Considerações" é o serenar da acção de formação. É o esclarecimento final de algumas questões. É o rever conteúdos e, no meu caso, pegar no teste de avaliação de conhecimentos e fazê-lo com os presentes. Prefiro assim do que não rever a matéria, entregar testes e depois ter notas más.

domingo, janeiro 26, 2014

As Praxes

Como não podia deixar de ser irei opinar esta semana sobre aquela notícia que mais tinta tem feito correr nos últimos dias: as praxes académicas. Um assunto que creio já ter aqui desenvolvido em tempos.
Neste caso, e em concreto, fá-lo-ei por duas razões concretas: em primeiro lugar porque sou um ex-aluno da faculdade (uma das faculdades que frequentei) à qual pertenciam todos estes alunos e em segundo lugar porque tenho uma opinião concreta e objectiva sobre as praxes académicas.
Refiro acima que esta faculdade em causa foi uma das que frequentei. Não quero com isto dizer que frequentei em várias. Frequentei uma anterior e já chego a esta última com alguma idade e parcialmente grisalho. Julgo que terá sido este factor que me fez passar por "veterano" e como tal nunca me questionaram quantas matrículas tinha ou se era caloiro, donde, o fenómeno das praxes passou-me um pouco ao lado. Um pouco ou mesmo totalmente ao lado. Mas, e se por algum motivo o tivessem feito, a minha resposta teria sido invariavelmente uma: que certamente teria mais matrículas que o meu interlocutor(a) teria de idade. Talvez isto o(a) demovesse de continuar a colocar questões impertinentes, o(a) fizesse retratar à sua condição de imbecil e desaparecesse da minha frente. Aliás, em bom rigor (e este será um exercício que farei um dia destes, com tempo) creio que à altura teria mais matrículas que alguns veteranos que por lá cirandavam....
Mas nem sempre foi assim. Na faculdade anterior as coisas "seguiram outro guião". Um belo dia, aquando das inscrições nessa instituição´, ouvi um grupo a chamar-me. Podia naquele momento ter-me feito de surdo e continuar a andar em direcção à porta de saída (já me tinha inscrito e estava a ir-me embora para o carro). Mas pensei para comigo que raio de engenheiro seria eu futuramente se não fosse praxado. Teria naquela altura uns 19 anos. E mal parei, de costas para este grupo,...senti os passos rápidos, ansiosos e ávidos de sangue do mesmo a correr ao meu encontro. Eram uns 10. Fizeram-me uma roda. Perguntaram-me de que curso era...e eu respondi que era de engenharia mecânica. Fiquei a saber volvidos 2 segundos que qualquer estudante de engenharia mecânica (pelo menos naquela faculdade) tem de ostentar um visível "MEC" na testa. Um tipo mais pequeno que o meu Afonso e com 4 pêlos no buço escreveu "MEC" na minha testa. Orgulhosamente e com uma desmedida valentia por via de ter os restantes 9 amigos cobardolas com ele. Escusado será dizer que nesta altura eu estava já em avançada descompressão interior. Não gosto de muita gente à minha volta e muito menos com o propósito em causa - a ridicularização. E eis que surge, por parte daquele que me parecia ser o "mentor" daquele grupo, o seu primeiro erro. Daquele dia, claro: "Se és de mecânica tens de tirar a t-shirt". Naquela altura eu tinha uma condição física bastante razoável. Estava com o cabelo rapado e um corpo significativamente trabalhado. E é quando o cretino comete o segundo erro do seu dia. Agarrou-me o braço e com o outro tentou tirar-me a "t-shirt". Foi quando me saltou a mola. Analogamente ao que sucede quando um cão é mordido por outro. Qual cascavel consegui fintar o braço que me segurava e dei uma chapada com tanta força no braço do artista que quase consigo jurar que lhe vieram as lágrimas aos olhos. E sumariamente informei que a praxe tinha acabado naquele instante. Subitamente fiquei só eu e "o campeão". Os 9 demais colegas lembraram-se naquele momento que era melhor ir para as aulas que estavam a faltar. E o herói ficou ali a tentar argumentar que era tudo uma brincadeira e que não era preciso ter reagido assim. Este episódio valeu-me a alcunha de "rambo" durante os anos em que estive naquela faculdade.
Não sou contra as praxes académicas. Acho que fazem parte do percurso académico daqueles que chegam à faculdade. Sempre foi assim. Se concordo (e até acho piada) com as praxes que são realizadas em alguns locais (i.e. Coimbra) onde, por exemplo, são feitas serenatas às donzelas, já não acho tanta piada com as praxes em que a tónica está na ridicularização e humilhação dos caloiros. Alguns que nem têm ainda 18 anos. Até porque, sempre defendi esta tese, quem pratica a praxe com esse fito é de alguma forma frustrado e quer infligir nos caloiros o triplo do mal que sofreu na pele quando foi caloiro.
Para terminar, sou apologista de que, como em tudo, tem de haver uma responsabilização dos actos. Um nome. Ou mais que um nome. Alguém, que naquele momento, estava a coordenar a praxe. Tem sido falado um nome. Não sei se será só este. Se fôr, terá de, em local e momento próprio prestar contas do que aconteceu. Sim, porque nas praxes académicas também há um código de conduta e como tal, havia uma pessoa responsável (tipicamente um veterano) responsável pelo desenrolar dos acontecimentos naquele dia em concreto. E que com toda a certeza previu que a praxe se desenrolaria em condições de segurança.
Espero que este infeliz acontecimento sirva para que seja revisto e promova orientações para que as praxes futuras sejam realizadas com outro tipo de cuidados. E com outros objectivos que não os habituais.

domingo, janeiro 19, 2014

A Inundação

Sexta-Feira passada tive uma inundação no edifício onde trabalho. Sim, no dia em que o céu caiu. Acho que em todo o nosso Portugal.
Tinha acabado de chegar ao meu gabinete e estava a preparar as coisas para dar início a mais uma jornada de trabalho. À semelhança daquilo que sucede comigo, também uma colega minha "Sofia" (ucraniana) chega cedo ao trabalho. Quando refiro cedo, e para quem me conhece, refiro a qualquer coisa antes das 0800H. Cedo é que se começa o dia, um dos meus lemas de vida.
A dada altura a Sofia veio ter comigo e disse-me que com a chuva intensa que se fazia sentir lá fora tinha começado a chover "cá dentro". Fui ver. Era verdade. Estava a chover intensamente cá dentro. De imediato liguei ao meu Director solicitando autorização para desligar aquela secção onde vi a chuva a cair (no quadro eléctrico) e na medida em que havia água a cair junto a uma unidade de ar condicionado. E assim foi. Adeus ar condicionado para os mais friorentos.
Bom, a partir daqui foi um "Deus nos acuda". Iniciei uma vistoria imediata às salas dos meus outros colegas. Numa delas, um dos painéis do tecto tinha caído e quase que consegui ver a intensidade da chuva no exterior. Sozinho, naquele momento, esvaziei um gabinete tentando "salvar" parte eléctrica (i.e. computadores, impressoras, etc.), papelada que me pareceu importante e ainda mobiliário de escritório. Tive de o fazer em mais duas salas. Entretanto já tinha passado cerca de hora e meia e começaram a chegar colegas que me foram ajudando. Em conjunto conseguimos dar conta do recado e fizémos o melhor que conseguimos.
Não há muito mais a dizer sobre este assunto. Mais um episódio na história da minha vida. E o que valeu foi o facto de começar cedo o dia.

domingo, janeiro 12, 2014

Liberdade de Expressão

Este será um daqueles temas sensíveis. No passado já me chegou a valer uma reportagem numa publicação semanal num tema alusivo à minha posição sobre as greves. Quem me acompanha lembrar-se-á certamente de tal feito épico.
Como em tudo, há o bom e o mau no tema sobre a liberdade de expressão. Já o tenho dito aqui (e fora daqui) que o simples facto de poder exprimir livremente a minha opinião sobre determinados temas se deve, objectiva e particularmente à revolução dos cravos, ou mais conhecida como a revolução do 25 de Abril de 1974. Sem isso não seria possível tornar pública a minha opinião. Note-te, a título de exemplo, que um dos meios óptimos para a disseminação de artigos de opinião e mesmo pontos de partida para tendências ou correntes de pensamento é a "internet". Em alguns países mais conservadores é mesmo usual a restrição à utilização da mesma e mesmo a utilização de certas redes sociais como meios para divulgar informação.
Esta semana foi publicitada a necessidade de legislação específica sobre o exercício da prática jornalística. Mais uma vez, há bons exemplos e maus exemplos. Para mim, tenho que o mau jornalismo tem a capacidade de transformar alguém de "bestial a besta" em menos tempo do que leva um fósforo a arder. Sustentando a minha tese que há meios de comunicação perigosos (assim não haja qualquer tipo de controlo na informação veiculada), estão criadas as condições óptimas para que um simples boato assuma proporções desmesuradamente grandes e consiga denegrir o bom nome de alguém.
Bom, mas assim voltamos ao tempo do "lápis azul" (censura), dirão alguns. Não necessariamente. Até porque da mesma forma que há o mau jornalismo há também o bom jornalismo. Pessoalmente, considero bom jornalismo aquele que traz à luz do dia assuntos que se ouve falar uma vez e depois não se ouve falar mais. Chama-se a isto jornalismo de investigação. De pôr o dedo na ferida. De contactar pessoas que falam para a câmara com imagem desfocada e voz distorcida. Este, meus amigos e amigas, é sem dúvida o jornalismo sério, de coragem e aquele que importa. É para este tipo de jornalismo que não faz sentido falar em escutas telefónicas ou violação do segredo deontológico do profissional que exerce a sua actividade em prol da produção de um artigo com informação útil para a sociedade. Será esta classe de jornalistas que acabo de referir que efectivamente (e com toda a legitimidade) se insurge com os últimos desenvolvimentos propostos no quadro legislativo. Para a classe de jornalistas que não tem qualquer tipo de decoro ou respeito pela carteira que possuir (e restante classe), creio que será igual ao litro. Indiferente. O problema é que este é o grupo mais representativo. E aquele cujas notícias "vendem" .

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Impunidade

Já perdi a conta dos inúmeros textos em que falei acerca do tema "impunidade". Entre milhões de exemplos que aqui poderia elencar agora, ocorre-me, por simpatia e facilitismo, o caso de um ex-governante e que actualmente tem um espaço de opinião num dos canais televisivos. São públicas várias questões que pecam por não ser transparentes ou perceptíveis ao comum dos mortais relativamente a este digníssimo. E para mim, exactamente por ser "mortal", nunca compreenderei o porquê do sentimento presente de impunidade para determinados prevaricadores. E deste em particular.
Há uns tempos atrás houve um membro de um governo de um qualquer país nórdico que foi acusado de plágio. A sua primeira reacção foi colocar o seu lugar à disposição até que a verdade fosse apurada. Cá em Portugal sucede o contrário. E passo a explicar. São tornados públicos verdadeiras vergonhas e atropelos à legislação e Constituição Portuguesa e nada acontece. Deixa-se andar. Até ao esquecimento ou prescrição. Já por diversas vezes manifestei publicamente a minha profunda descrença no actual sistema judicial português que peca por defender os mais fortes e sacrificar os mais fracos, quando a realidade devia ser outra. Mas não é. Costuma dizer o povo que quem é rico arranja forma de pagar a alguém para ajudar a procurar os "meandros" da lei e fugir aos impostos. Quem é pobre não terá esta facilidade. E acabará por pagar sempre a factura no final. E com tendência a um agravamento da mesma porque se o Estado deixa de ter um "encaixe" esperado decorrente da aplicação dos impostos...alguém terá de pagar, em algum momento, muito mais.
Mais uma vez, parafraseando o povo, Portugal é um País de brandos costumes. Com o passar dos anos, e infelizmente, sou obrigado a concordar. Veja-se o casos dos últimos escândalos que fizeram manchetes em todos os jornais portugueses. O que aconteceu aos principais arguidos? Estiveram "dentro" algum tempo e depois saem para um regime de prisão domiciliária com pulseira electrónica. É portanto esta a resposta da nossa justiça a alguém que "torrou" milhões de euros que não eram seus, que matou pessoa e tantos outros casos de flagrante imoralidade e vergonha. E outros exemplos que nunca serão conhecidos.
Há um par de meses recebi uma notificação de pagamento de uma multa por excesso de velocidade. Não tugi nem mugi. Paguei logo. Os dados eram todos coincidentes e facilmente me "colocaram" naquele dia, aquela hora, naquele local. O que 90% dos portugueses faz é tentar adiar. E escreve uma carta para alguém dizendo que trabalha e que precisa da carta de condução. Acho delicioso. Então quando o radar detectou alguém em velocidade excessiva, num Domingo (por exemplo), essa pessoa estaria naquele preciso momento, desempregado(a)? Dizia-me alguém há umas semanas que pelo facto de eu ter pago voluntariamente a multa, assumi a culpa. Questiono-me qual é a lógica de este pensamento tão....peregrino. Prevarico, pago. Assumo com toda a naturalidade a culpa de ter infringido o limite de velocidade máxima permitido naquele local. E então? Não devo dinheiro a ninguém e muito menos sou ou alguma vez fui caloteiro. Por ter infringido o Código da Estrada (CE), eu, que sou "pobre", entendi pagar o devido montante associado à infracção. Ninguém me obrigou, mas paguei voluntariamente. Cerca de 45 minutos depois de ter aberto a notificação e a ter interiorizado o seu conteúdo. Gostava de saber, é um exercício que tenho para mim como importante, quantas pessoas o fariam. Assim, tal e qual eu fiz. E mais interessante ainda será perceber quantas pessoas recebem multas de estacionamento (e não pagam) e impugnam até não conseguirem mais as multas de velocidade. Ou identificam como condutores...a avó ou avô. Que têm carta de condução válida e que estão...num lar de idosos. Mais uma vez a impunidade. E quantas mais centenas de casos podia aqui avançar como excelentes exemplos do que por cá se passa...

domingo, janeiro 05, 2014

Ano Novo

Votos de Bom Ano de 2014

Em primeiro lugar quero felicitar todos(as) os meus(minhas) leitores(as) pelo novo ano que agora entra. Que 2014 traga tudo de bom, especialmente muita saúde e dinheiro. Sem saúde o dinheiro não serve de muito.
Em segundo lugar, os meus mais sinceros votos para que, no campo profissional, tudo melhore. Quer ao nível da remuneração para aqueles que estão no activo (e agora que se fala numa aparente retoma económica), quer ao nível da oferta de mais postos de trabalho possibilitando aqueles que estão no desemprego há muito tempo que ganhem novo alento em 2014.
Em terceiro e último lugar, o amor. Que este ano seja uma referência em termos de consolidação do que já se sente por alguém e que seja também um ponto de partida para aqueles que nada sentem e que querem sentir. E quero acreditar que o ano que agora tem início vai ser um ano rico em boas novidades.

Gripe

É verdade. Comecei o ano com o pé esquerdo. É a segunda vez que este maldito vírus me apanha desprevenido num tão curto espaço de tempo.  E desta vez conseguiu levar a melhor porque me "atirou ao tapete" durante um dia inteiro...arrepios de frio, dores na cabeça e corpo, dores de garganta, fizeram com que não me conseguisse levantar e ir trabalhar. Ou treinar, naturalmente. Creio que não errarei muito ao avançar a informação de que esta será uma estirpe do vírus diferente e mais resistente. Senão vejamos: eu que faço desporto regularmente terei, à partida, um sistema imunitário mais forte que uma pessoa que não tem uma prática de desporto tão regular, certo? E a virulência do bicho tem mesmo de ser elevada para me ter deixado/deixar derreado. Mas estou a tratar dele... Quem me vai conhecendo percebe as implicações que isso tem para mim, em termos de disciplina e cumprimento de objectivos. Contudo, há uma novidade. Consigo ler tudo isto de outra forma (e que não conseguia ler ou perceber até agora e que é lógico para qualquer pessoa com 2 dedos de testa): É simples. Se eu estiver recuperado e a 100%, mais rapidamente poderei retomar o trabalho e os meus tão queridos e necessários treinos. Confesso que demorei algum tempo a chegar a este ponto e a contornar a questão da disciplina e treino, mas é a realidade. Na questão do trabalho, graças a Deus tenho bons colegas que conseguem fazer as minhas vezes. No treino, tudo se recupera. Com afinco e determinação. E perseverança. Características que não me faltam. Depois, também me é fácil de compreender que uma gripe mal curada tem dois potenciais perigos: a) Para mim mesmo, porque poderá dar origem a outro tipo de maleita mais severa e complicada de resolver (e.g. pneumonia) e b) Contágio dos meus colegas o que significa, só por si, diminuição da produtividade. E como diz o povo "Com a saúde não se brinca". E desta vez não posso mesmo brincar. E só sairei de casa quando estiver a 100%

Eusébio

Não sendo um entusiasta do futebol é com alguma tristeza que vejo partir aquele que foi, considerado por muitos, o melhor jogador de futebol português de todos os tempos. Calhou ser do Benfica, mas podia ter sido de outro clube qualquer. Segundo sei, a sua história não foi diferente de muitos outros jogadores de futebol daquela altura. Alguns tinham sucesso. Outros não. O Eusébio teve. E muito. Numa altura do pós-guerra em que a Alemanha, Reino Unido, França e Itália tinham jogadores do mais alto nível, Portugal mostrou que não ficava atrás por via de ter um jogador importantíssimo - Eusébio. E o Benfica teve dos seus melhores anos. De sempre. Mais um ciclo de vida que se fecha. Paz à sua alma.

domingo, dezembro 29, 2013

Prova S. Silvestre 2013

É com orgulho que posso, aqui e agora, dar nota de ter participado ontem na prova "S. Silvestre 2013", patrocinada pelo "El Corte Inglés" (ECI). Eu e mais 7999 atletas provenientes dos mais variados pontos do nosso Pais. E do mundo, na medida em que ouvi outras línguas que não a nossa.
Esta prova culmina um ano de 2013 recheado de participações noutras provas do género. Igualmente sérias bem entendido, mas não com a grandiosidade e projecção mediática que a prova do "S. Silvestre" tem. Para aqueles que me lêem e acabaram de chegar ao Planeta Terra, a prova do  "S. Silvestre" está para as pessoas que correm como o Vaticano está para os católicos. Ou Meca estará para os muçulmanos.
Confesso que quando me iniciei na corrida há dois anos e pouco não ligava muito a este tipo de evento. Preocupava-me mais em controlar a respiração e não passar a ideia às outras pessoas que corriam no mesmo espaço físico que eu que ía morrer com falta de ar daí a dois minutos. Por outro lado, pensava eu, o que interessa, no final, é a prática desportiva e não tanto o mediatismo desta ou daquela prova em particular. Mas as coisas mudam. Como em tudo, de resto. E claro que ambicioso como sou só podia mesmo participar numa prova destas e validar o resultado do meu treino regular ao longo de todo este tempo.
Na Quinta-Feira passada fui ao "ECI" buscar os "kits" de participante. Refiro o plural porque era para ter corrido com 3 colegas (e amigos)..e acabei por ir correr sozinho. Desistiram. Dos fracos não reza a história, costuma apregoar o adágio popular. E é uma grande verdade. Eu inscrevi-me e fui. Sem desculpas. E sem mais comentários para quem se desculpa com o excesso de trabalho para a não prática do exercício físico. Adiante.
Creio que a prova deste ano registou um recorde histórico de inscrições. Só quem esteve lá poderá atestar o que significa a conjunção de palavras "mar de gente". Das mais variadas idades, sexos e raças. Poderia também dizer "credos" mas isso sugeriria que em algum momento da prova eu tivesse questionado algumas pessoas acerca das suas crenças religiosas! E claro está que não o fiz. Mas gosto deste tipo de pluralidade.
A prova esteve bem organizada justificando o porquê de ser uma das mais conhecidas (e importantes) dentro do género. As saídas dos atletas foram feitas por tempos. Significa isto que havia grupos de pessoas que se inscreveram na prova atestando que perfaziam a distância de 10 quilómetros abaixo do tempo de 40 minutos. Outros inscreveram-se como perfazendo a mesma distância acima dos 60 minutos. Inscrevi-me neste último grupo. Embora a nível de treino esteja a registar tempos significativamente inferiores...teria de evidenciar documentalmente isto aquando da minha inscrição. Porquê? Porque os grupos de pessoas que correm abaixo dos 60 minutos são grupos "rápidos" São pessoas que não estão ali a marcar passo e que têm um objectivo claramente definido - validar publicamente o seu tempo numa prova oficial. E arrependo-me um pouco de não ter feito a inscrição no grupo imediatamente antes daquele em que me inscrevi (acima dos 60 minutos). Ou seja, automaticamente fiquei integrado no grupo de....7000 pessoas. Partindo no final ou a meio deste grupo, nem sei bem,...foi muito complicado ultrapassar e furar os vários grupos de amigalhaços, coxos, pessoas que foram simplesmente ca-m-i-n-h-a-r....etc. Numa prova de corrida!! Mas como refiro acima a responsabilidade foi inteiramente minha. Devia ter pensado nisso e aprendido com a minha corrida anterior (ver meu texto num mês anterior - Night Run).
Como seria de esperar paciência é algo que não se tem quando se treina regularmente e se vai para uma prova destas tentar melhorar tempos. Comecei logo a passar-me logo ao fim de 200 metros após ter sido dada a partida. Não estava a conseguir ultrapassar ninguém e tive de começar a abrir caminho. A maior parte das vezes esgueirando-me entre as várias pessoas...e ao mesmo tempo que saltava (para não ser rasteirado pela passada do atleta que era ultrapassado). Até que cheguei a um ponto em que não conseguia mesmo passar. E tive de "dar um encostozito" a uma menina mais lenta que devia ter joanetes nos pés de tão lentinha era. Importa salientar que este "encostozito" acontece numa altura em que tenho cerca de 80 kg de massa muscular e estou em movimento (segundo as leis da física foi um encosto com quase o dobro do pêso). Claro que a menina deve ter momentaneamente pensado que tinha chegado ao espaço cósmico. Furibunda, o melhor que conseguiu foi fazer-me uma "festazita" nas costas...isto .porque me pulverizei na multidão aos saltos e em corrida. Com o meu gorro preto na cabeça.
O trajecto da prova em si foi muito próximo da última que fiz, no período nocturno, na mesma zona da cidade de Lisboa. Contudo, quase no final, e a subir a Avenida da Liberdade, os meus músculos traíram-me. É verdade. Acontece aos melhores. Quase, quase a chegar ao Marquês de Pombal, e depois de ter corrido quase 9 quilómetros sem parar (aos saltos e com arranques e travagens) tive de parar de correr. Perfiz a distância até ao Marquês a pé e já na rotunda retomei a corrida até à recta da meta sem parar.
Fico contente por ter terminado o ano de 2013 com esta prova exigente. Tirarei algumas conclusões que terei de ter presentes nos meus próximos treinos e porque normalmente corro em plano e nunca com a inclinação que experimentei ontem, na parte final da corrida e depois de ter corrido o que tinha corrido. Mais uma vitória pessoal!

domingo, dezembro 22, 2013

O Circo

Por ocasião da vinda do meu sobrinho a Lisboa consegui arranjar alguns bilhetes para o circo e qual família feliz lá fomos com o diabrete ver os palhaços.
Começo por dizer que o circo de hoje é diferente do circo da minha altura. Ou seja, estou velho. A última vez que fui ao circo deve ter sido há mais de 35 anos. Ou mais ainda. Também não interessa muito para a história. O "meu" circo tinha focas, ursos que se punham em pé e leões que rugiam ao som do chicote do treinador a cortar o ar. Tinha mágicos que desapareciam envoltos em fumaça (se calhar estou a confundir com algum espectáculo de vi na televisão do saudoso David Copperfield..mas também não interessa para o caso). Onde quero chegar é que há diferenças bem grandes entre estas duas épocas.
Ainda não consegui perceber muito bem o motivo pelo qual o Afonso ficou quase todo o espectáculo a olhar para o tecto. Só ele e Deus saberão o que viu lá. Da minha parte...achei que o que aconteceu ali (no chão, portanto) e à minha frente foi...no mínimo....entediante. Em bom rigor e infelizmente, é a mais pura das verdades. A dada altura - e não estivesse ali o pequeno Afonso - teria certamente "passado pelas brasas" como a maior das facilidades. Faz parte de qualquer evento onde tenha de ficar sentado por mais de 45 minutos. Regra geral...adormeço. É frequente.
Não sei muito bem para onde vamos. Um circo sem mágicos é como uma praia sem areia. Fica a faltar alguma coisa. E acredito que eu próprio tenha tomado mais atenção ao espectáculo que tinha lugar à frente dos meus olhos do que o pequeno Afonso. Sim, que continuava a olhar para o tecto.
Não podiam ter escolhido pior a apresentadora do circo. Uma matrona, aí com uns expressivos 2,0 metros de altura por 1 metro de largura e com uma tatuagem no peito. À distância que me encontrava não consegui perceber bem o que simbolizava. Mas não me parece que estivesse muito longe da "clássica" rosa encarnada. Que contrastava com o seu cabelo curto ruivo-fogo. Já não falando da voz que faria a voz do Pavarotti parecer um canário rouco.
Não tenho dúvida que os cães amestrados, as pombas brancas obedientes ou os 15 ginastas de Leste tenham feito a pequenada ficar calada e muitíssimo atenta e consequentemente bem comportada.
Moral da história: voltarei ao circo com o Afonso quando tiver 25 anos. Talvez aí já demonstre algum interesse pelo que se passa "cá em baixo" em vez de passar todas as duas horas a olhar para o vazio.

domingo, dezembro 15, 2013

Concursos Televisivos

Na medida em que os meus treinos terminam não raro após a hora do jantar são muitas as vezes que tenho a felicidade de assistir a alguns concursos televisivos. Destaco entre outros o "Quem quer ser milionário" e o "Hell´s Kitchen". E passo a explicar o porquê de ser mais provável eu mudar de sexo do que alguém me ver como concorrente em qualquer um destes programas de elevado interesse do público em geral.

"Quem quer ser milionário"

Trata-se de um concurso onde são testados exaustivamente os conhecimentos dos concorrentes em vários domínios. É actualmente apresentado pela minha querida amiga e muy estimada Manuela Moura Guedes que faz questão de o relembrar todas as noites, não vá alguém mais distraído esquecer-se. Acho-lhe tanta piada. Também é engraçado constatar que as primeiras perguntas endereçadas pela Nela ao concorrente...seriam respondidas pelo meu Afonso com uma perna às costas e assim já conseguisse o petiz falar: "Quais as cores que não estão na bandeira de Portugal" ou "Organize os graus académicos desde liceu até Doutoramento"...são dois bons exemplos de perguntas de "entrada"..para passar a mão no pêlo dos visados. É claro que a coisa se complica. E às vezes dou comigo a pensar que com o calor do estúdio e o avançar das perguntas seja frequente as camisas se irem colando às costas dos concorrentes. Posso avançar que até já coloquei um "reminder" na minha agenda para não me esquecer de enviar um sms à  Nela para rever o critério de selecção de algumas pessoas que lá vão responder às perguntas da minha amiga. Em alguns casos fico a pensar que saíram debaixo de uma rocha directamente para a cadeira onde são interrogados de tão asnos são a responder. Perguntas básicas e respostas dadas....completamente ao lado. Mas o modelo do concurso é esse mesmo. E é preciso respeitar o mesmo.

"Hell´s Kitchen"

Aqui a conversa já é outra. Para começar assumo sem qualquer pudor que não poderia lá ir pelo facto de ter um ódio de estimação com o "chef" Gordon. Porquê? Porque é um pedante arrogante. E mais. Pelo facto de ser reconhecido como alguém que faz um bom "Bacalhau à Braz" não lhe dá o direito de berrar com as pessoas e fazê-las ficar com dor de cabeça. É aqui que reside a minha impossibilidade clara e inequívoca de participar no programa. Ainda que mostrasse ao júri quão delicioso é o meu esparguete com gambas. Ou o meu bife grelhado. Entre outros pitéus que só eu sei confeccionar.
Quero acreditar que há neste programa / concurso uma grande dose de ficção. Ou seja, que as pessoas são maltratadas, mas que é algo "combinado" antes do episódio ser gravado. Se assim não fôr não compreendo como é que ninguém atirou com óleo a ferver para os olhos do "chef". Ou ainda não lhe atirou à tola com um pernil assado no forno com mel e ervas aromáticas! Mas não sendo ficcionado...espero ainda ver isso acontecer um dia. Basta aparecer lá alguém.....como eu!

domingo, dezembro 08, 2013

Certificados de Mérito

Tenho para amanhã uma cerimónia de entrega de certificados de mérito no final do dia. Fui nomeado duas vezes colaborador do mês (uma em 2012 e uma este mês de Dezembro) e como tal é um reconhecimento público por parte da empresa pelos bons serviços por mim prestados.
Nunca trabalhei em função de uma retribuição ou reconhecimento do meu trabalho. Entendo que devemos ser sempre profissionais e tentar em equipa trabalhar em prol do mesmo objectivo - o sucesso global. Costumo parafrasear muitas vezes que o único sítio onde o "sucesso" vem antes do "trabalho" é mesmo no dicionário. Nada se consegue sem o empenho pessoal, sem a dedicação e naturalmente tempo e consolidação de conhecimento (know how se quiserem). São os ingredientes essenciais para a fórmula que conduz ao tal sucesso.
Desde há muitos anos que a minha forma de trabalhar assenta na definição de objectivos diários/semanais/mensais e a constante avaliação da consecução dos mesmos permite redefinir possíveis ajustes em consequência de desvios que possam ter ocorrido. É certo que tudo isto obriga a um esforço bastante grande, a uma capacidade de organização (leia-se disciplina) e ainda a uma contínua monitorização de tudo o que acontece diariamente, mas é também a forma que escolhi para trabalhar e para garantir que nada se perde. Daí ter desenvolvido a rotina diária de adicionar (ou eliminar) tarefas nas páginas do caderno de notas do "ipad". Podia ter escolhido outra forma qualquer, mas aderi às novas tecnologias e dentro da minha limitadíssima utilização das mesmas não me tenho dado mal.
O mérito não será só meu. Será, em última análise, meu e de todas as pessoas com quem tenho o prazer e privilégio de trabalhar. Há dias melhores, dias piores, mas no fundo, não seria tornado possível ser reconhecido se não tivesse havido a contribuição de outros colegas. Um bem haja a todos e parabéns para mim.

domingo, dezembro 01, 2013

Ajudar a Estacionar

No outro dia reparei em algo que certamente já aconteceu reparar a muito boa gente que conduz. As ajudas no estacionamento. Se a memória não me trai já aqui dei nota de ser a única pessoa do mundo inteiro que consegue estacionar logo à primeira (e bem) para "o lado esquerdo". Ou seja, estacionar entre dois carros que estão do "meu lado" da rua ou lado esquerdo da via. Se porventura o lugar estiver situado do lado direito do carro a coisa raramente me corre de feição. E demoro algum tempo entre avanços e recuos até conseguir arrumar o carro. Até hoje, e com quase 20 anos de carta de condução, penso para comigo mesmo como consegui eu estacionar o carro da condução se não tivesse conhecido o truque dos autocolantes no vidro traseiro! E aqui chegamos às tais ajudas nas manobras de estacionamento.
Uma das ajudas ao estacionamento que frequentemente se vê por Lisboa é efectivamente a praga dos arrumadores ou "carochos" (como alguns amigos meus carinhosamente os denominam). Na sua maioria são toxicodependentes ou sem-abrigo que ganham bem mais que eu no final de um dia e não raro, estando naturalmente muito ocupados a arrumar um carro a quilómetros de distância...aparecem para receber a "renda" depois de eu já ter estacionado o carro sozinho...sabe Deus com que esforço. O que os "carochos" não sabem é que aquilo que me faz dar a moeda ou não...é simplesmente o carro que acabei de estacionar. Se estiver com o jipe não dou. Se estiver com a carrinha dou. Simples e "sem espinhas". Uma forma de exterminar esta praga seria licenciar os arrumadores. Como aliás aconteceu em algumas zonas do município do Porto.
Aquilo que quero partilhar é a outra forma de estacionamento e eventualmente mais antiga que o António Sala ou a Olga. Quando alguém que segue connosco de carro prontamente se voluntaria para ajudar no estacionamento. E no meu caso, quando tenho de estacionar para o "tal" lado direito, estar lá uma pessoa a ajudar ou estar um marco do correio...é a mesmíssima coisa. Não dá. Não funciona. Não resulta. Mas sim, assumo que possa dar algum jeito ter alguém a ajudar-nos. Mas vejamos com mais detalhe para ver se consigo explanar a minha tese.
Quando alguém sai do carro e se coloca feito "mono" no passeio, de mãos nos bolsos, a ajudar ao estacionamento não está a ajudar nada. Porquê? Simples. Porque quem está a conduzir está mais preocupado em não encurtar o tamanho do carro em consequência de se ter enfiado debaixo do carro da frente ou de ter galgado o carro estacionado atrás. Por outro lado, duvido que alguém com o frio que se tem feito sentir nos últimos dias vá querer abrir o vidro para ouvir as indicações para estacionar. Patetice. Claro que não abre! Donde, mais uma vez, a diferença entre estar ali alguém com a melhor das intenções a orientar o estacionamento ou estar um guarda-chuva é zero.
Moral da história: o melhor mesmo é ficar dentro do carro e não se voluntariar para ir ajudar no estacionamento ao frio. Nunca o faço. Ou quando o faço normalmente faço num tom de voz próximo da reza... E colar umas borrachas nos pára-choques dianteiro e traseiro para aqueles que estacionam "de ouvido".

domingo, novembro 24, 2013

Manifestações Policiais

Começo por referir o meu mais profundo respeito pelas autoridades que fazem cumprir a Lei e zelam pela manutenção da ordem pública. Seja que autoridade fôr merece o meu respeito incondicional e o meu apreço. Mas há situações que não consigo compreender e/ou aceitar. Passo a explicar.
Já aqui manifestei a minha discordância contra alguns tipos de manifestações e/ou greves. Compreendo o facto de ser um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Aceito e nada posso fazer em contrário. Mas há limites. E um deles, delicado por sinal, é aquele que surge quando tem lugar uma manifestação de polícias...controlada por outros polícias. E aqui há (houve) a possibilidade de que tenha sido aberto um precedente. Porquê?
A razão é simples. Quer de um lado, quer de outro, estão profissionais da polícia. Mas também podem estar amigos. Ou superiores hierárquicos e subordinados. E isso causou uma natural e lógica "bolha" de tensão entre ambos os lados. E essa "bolha rebenta" quando um grupo de polícias sobem a escadaria da Assembleia da República furando o cordão policial. Do que vi da comunicação social não percebi qualquer tipo de resistência do cordão de polícias à tal subida da escadaria depois de o cordão ter sido rompido ou ainda da distribuição de bastonada (ou jacto de água, como em 1989 no Terreiro do Paço numa manifestação também realizada/participada por polícias).
Quando os polícias nesta situação mais recente chegaram ao topo da escadaria pararam. O cordão dos colegas recuou como que a guardar com a vida as portas todas de acesso ao interior da Assembleia. Imagino que alguns deputados que votavam o Orçamento de Estado para 2014 - e estivessem nesse momento a ver imagens da televisão (invasão/subida da escadaria) - tenham começado a fazer alguns telefonemas de despedida para os familiares mais próximos ou tenham ficado subitamente com dor de barriga.
Há dois momentos que entendo serem preponderantes na análise deste evento. Em primeiro lugar o recuo do cordão sem oferecer resistência ao avanço dos manifestantes. Em segundo lugar os manifestantes que atingiram o topo da escadaria...nada fizeram, dirá o comum mortal. Do meu lado entendo que fizeram muito mais do que forçar a entrada na Assembleia. Demonstraram força, determinação e que têm os meios e as armas para o fazer quando (e se) quiserem. Donde, toda a avaliação do evento que possa ser realizada pelo MAI (Ministro da Administração Interna) é...relativa. Com todo o respeito que me merece tal pessoa.
Basicamente foi uma manifestação que ficou marcada pelo melhor (vinco de posição) e pelo pior (na medida em que abriu um precedente). Toda e qualquer manifestação que tenha lugar futuramente...se correr mal (i.e. carga policial) será comparada com esta. E era desnecessário que tal acontecesse.

domingo, novembro 17, 2013

O estojo

De há uns tempos para cá que mudei um pouco a minha forma de estar na vida. Adoptei uma postura mais descontraída. O "cinzentismo" da pasta deu lugar a uma prática mochila e as canetas presas no bolso interior dos casacos passaram a estar dentro de um estojo que transporto no interior da tal mochila. Simples e rápido.
Trata-se de um estojo simples que me foi oferecido numa acção de formação a que assisti ministrada por uma conhecida companhia de aviação. Nada de valioso.
Na passada Segunda-Feira, como de resto acontece semanalmente, teve lugar o "briefing" que dou aos Directores da minha empresa. Como sempre, tirei as coisas da minha mochila para preparar a apresentação semanal (com projector). E devo ter tirado o estojo nessa altura. Assim que terminei o "briefing" arrumei as coisas e fui à minha vida.
Mais tarde precisei do estojo e não o encontrei. A minha cabeça  anda ultimamente cansada e comecei, da melhor forma que consegui e me foi possível, a fazer uma retrospectiva de onde tinha estado. Claro que tive de recuar bem longe - à Sexta-Feira anterior - sem qualquer sucesso.
O que relato aconteceu na Segunda-Feira. Nesse mesmo dia cheguei a casa e revirei a mesma. Tudo. Qual furacão embravecido. Irrita-me perder as coisas. Irrita-me não controlar as coisas e ter-me fugido ao controlo a lembrança do local onde tinha deixado o estojo maldito. 
Vi em ambos os meus carros. Nada. Nem sinal do estojo. E passaram-se 2,3 dias sem sinal do mesmo. Nada.
O estojo em si não era nada de especial como já referi antes. Um estojo normal onde guardava de forma centralizada algumas coisas (e.g.: marcadores de cores diferentes para as minhas formações, um spray para limpeza dos óculos escuros, ecrans do iPad e telefones, uma pequena fita métrica para as minhas inspecções aos aviões, etc.) e uma caneta boa que tenho há alguns anos. E esta era a maior perda que mais me custava. Alguém encontrar o estojo e ficar com esta caneta. Mais que o custo dela...era o facto de ser a minha caneta preferida.
Outro aspecto que em preocupava um pouco é que me recordava bem era o ter fechado à chave o meu "bobby" da secretária - faço-o sempre. E era clara a imagem de ter guardado a chave no estojo. Donde, 3 dias sem abrir o dito "bobby". 
Na Quarta-Feira deixei de ser racional. Cheguei ao escritório e acto reflexo optei por ( e já com alguma impaciência, confesso) arrombar a gaveta. Pensei que por algum motivo a minha mente me tivesse pregado uma partida e o estojo estivesse lá dentro. Pois é... Para alguma coisa serve castigar este corpo 3 vezes por semana no ginásio, certo? E tive de interromper logo que comecei. Ía rasgando o metal da gaveta e não quis estragar aquilo. E assim se passou a Quarta-Feira. E comecei a lamentar a minha perda.
Na Quinta-Feira de manhã, após o duche matinal, rezei ao meu S. António. O clássico responso de S. António. E fui trabalhar. Por descargo de consciência enviei uma mensagem (e-mail) a uma colega para ver se encontrava o estojo no local onde me costumo sentar no "briefing" semanal. E comecei então a trabalhar. Por volta das 0900H (começo a trabalhar sempre antes das 0800H e foi quando enviei a mensagem) recebo um e-mail de volta a dizer que o estojo estava lá e que já tinha sido tudo providenciado para que o mesmo me fosse entregue. Saiu de cima de mim um pêso enorme e ganhei a semana. S. António fez a parte dele. Eu fiz a minha. E ontem fui à missa. Com o estojo já em casa e dentro da mochila!

Falta de Idoneidade

Há alguns traços de personalidade que me tiram do sério. Já aqui falei da pontualidade, frontalidade e hoje dissertarei um pouco sobre a falta de idoneidade (ou de verticalidade). Vendo bem as coisas todos os dias oiço ou experimento situações que atestam bem essa realidade.
Darei um pequeno exemplo entre centenas de outros que poderia ter escolhido. Há algum tempo que pretendo trocar de jipe. A razão é simples. Meti na cabeça (o que sugere algo próximo da obstinação) que devo partir para um projecto novo e como tal encetei a minha busca de um novo jipe nesse sentido.
A minha busca foi bem sucedida volvidos 2 ou 3 dias. Afinal também sou filho de Deus e aparentemente a sorte estaria do meu lado. A vida corria-me bem, pensei eu na altura. E contactei o anunciante/vendedor. Sabem quando se contacta alguém telefonicamente e esse alguém não mostra determinação e segurança do outro lado? Assim senti eu. O tipo não me pareceu uma pessoa muito segura. Acontece que eu queria mesmo o jipe e como tal avancei. E contrariando o meu 6º sentido.
Para conseguir "abraçar" este novo projecto tinha naturalmente de tratar de vender o meu actual jipe. Depois de algum tempo dedicado a pensar como o conseguir, percebi que o conseguiria vender dentro da minha família o que me concedeu alguma paz de espírito, segurança e força para continuar a apostar no outro negócio. E foi aqui que comecei a perceber que as minhas primeiras sensações ao telefone não estavam erradas e estava perante uma pessoa sem coluna vertebral e logicamente sem seriedade.
Resumindo a história...mais rapidamente se apanha a escorregadia enguia do que esta pobre alma penada. A minha sensibilidade mais uma vez funcionou e percebi que a determinação e sinceridade não abundavam por aqueles lados. Até que pura e simplesmente deixou de responder às minhas chamadas telefónicas. Embora tenha atendido as de uma boa e paciente Amiga que me ajudou nesta cruzada. E afinal foi alimentando a expectativa até se cansar.
Já se percebe que o negócio não se chegou a concretizar. Passado um dia o anúncio desapareceu. Questionei-me a razão pela qual o rastejante em causa não teve a clarividência e honestidade de dizer que o negócio não se ía realizar e protelou até não conseguir mais. De forma desonesta e evidenciando ser uma pessoa sem escrúpulos. Mas Deus viu tudo e será justo. A seu tempo.

domingo, novembro 10, 2013

A armadura

Comecei a ler um livro chamado "O Cavaleiro da Armadura Enferrujada", da Editorial Presença e do autor " Robert Fisher. Mais uma vez um livro que me foi recomendado. Não chega a 10,00€ e tem-se revelado uma surpresa agradabilíssima.
Ainda que seja um livro com menos de 100 páginas, e como tal perfeitamente passível de ser lido enquanto dou uma volta de meia hora com o Paco, ainda não o terminei. Não falta muito, mas têm-se metido várias coisas pelo meio o que me impossibilita de terminar de ler este livro que tanto me tem feito pensar. Mas passemos ao que interessa.
O livro aflora um assunto que todos conhecemos. Independentemente da idade, sexo e até quem sabe, do credo: as "armaduras". As armaduras que criamos ao longo da vida e que nos impossibilitam de experimentar sensações, vivências e até olhar (com olhos de ver) quem e o quê está  ali mesmo ao nosso lado. É de facto curioso. A forma como o livro aborda esta temática está bem pensada e consegue captar a atenção do leitor. Não me alongarei com detalhes porque estou certo que é um bom livro para se ter na biblioteca de qualquer casa e para se ir relendo de quando em quando. Aliás, como tantos outros como por exemplo o "Principezinho" do Saint-Exupéry. Já devo ter lido o livro deste aviador umas 1000 vezes. E ainda consigo descobrir coisas novas hoje em dia. E parece-me que este livro do cavaleiro que tenho agora em mãos segue pelo mesmo caminho. Sem dúvida alguma. Livros pequenos em tamanho mas grandes em profundidade da mensagem que passam.
Gosto dos livros que me fazem pensar. Que me fazem reflectir durante um dia inteiro sobre uma determinada passagem. Ou várias passagens. Gosto de começar a ler um parágrafo e saber como vai acabar, ou seja, estar de tal forma embrenhado na leitura e em sintonia com o(a) autor(a) que passa a estar patente como que um carácter vidente constante em todo o livro. De cumplicidade, se quiserem. Esse é o tipo de livro que me agrada. Aquele tipo de livro que me faz pensar que afinal não sou o único a pensar de determinada forma e/ou que só a mim me ocorrem questões específicas. Afinal há mais alguém - pelo menos mais uma (autor ou autora) que pensa de forma similar. Este livro é um excelente exemplo disso. A comprar.

domingo, novembro 03, 2013

A multa

Recebi a semana passada um "postal de Boas Festas" antecipado por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR). Tinha acabado de chegar a casa depois de um dia de trabalho e ali estava o envelope da GNR em cima da minha secretária. 
Quando se recebe um envelope da GNR uma de duas situações pode acontecer: a) Ser engano ou b) Alguma coisa de mal fizémos. Assumindo que a probabilidade da opção a) suceder ser tão elevada quanto me sair mais logo o "Euromilhões" restava-me a opção b). E foi com algum nervosismo que, de forma atabalhoada abri o tal envelope (que carinhosamente chamo de postal de Boas Festas). Ou por outra, o pouco que restou do mesmo depois de ter tentado seguir o picotado e ter rasgado mais de metade do envelope.
E confirmou-se o pior. Multa por excesso de velocidade. A minha primeira (e espero que última) coima por excesso de velocidade. 
Passo a explicar para enquadrar quem me segue neste espaço. Aquando do meu regresso a Lisboa (vindo do Algarve no final das férias de Verão deste ano) abusei na velocidade. Lembro-me que devo ter feito toda (ou quase toda) a viagem na faixa da esquerda da autoestrada e a velocidades bem elevadas. Tenho carro para isso e pior, as velocidades elevadas não se percebem. No meio do infortúnio que é ter de pagar uma multa por excesso de velocidade, até estranhei ter sido detectado a uma velocidade consideravelmente mais baixa do que aquelas que foram atingidas durante o percurso...mas aceitei. "Paga e não bufa" reza o adágio popular. Confirmei que os meus dados pessoais estavam correctos, a data do registo do excesso de velocidade idem (correspondente ao meu regresso a Lisboa) e os dados da viatura também correspondiam à realidade. Cheguei a confirmar se o radar estava devidamente calibrado e se tinha o número do certificado de calibração. Mas os meus "amigos" da GNR sabem que há pessoas como eu e sim, estava lá toda essa informação. Confesso que ainda tive uma esperança (pequena) que houve algum engano em algum momento para que pudesse impugnar a coima. Mas não. Tudo correcto.
Efectuei de imediato o pagamento voluntário da coima. Porquê? Porque defendo a ideia de que se prevaricamos (conhecendo as regras do jogo e neste caso as regras do código da estrada) temos de ser sancionados por isso. Já tenho carta há muito tempo e já andei muitas vezes bem acima do limite legal permitido em algumas vias...e como tal, sempre arrisquei (conscientemente) que um dia pudesse acontecer isto. E aconteceu. Toda a gente pagasse atempadamente as suas dívidas para com o Estado e talvez Portugal não estivesse como está. Afinal é uma questão de verticalidade e de honestidade pessoal. Na minha opinião, claro. Só espero que o dinheiro seja bem aplicado pela Direcção Geral de Viação, entidade para quem transferi a quantia em causa. 
Os resultados estão à vista. Passei a ter mais cuidado com o pedal do lado direito (acelerador) desde a semana passada. Ser reincidente numa situação de excesso de velocidade poderá significar receber outro postal solicitando a entrega da carta de condução e sinceramente não é das coisas que mais me apetece. Passei a andar mais com o jipe, onde a velocidade máxima que consigo atingir em segurança e mesmo de 80 km/H. E dentro da cidade ando invariavelmente a 40 km/H. Já o fazia anteriormente...agora faço de forma mais consciente e justificada.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Os erros dos outros

Tenho, como é sabido, centenas de defeitos. Até aqui sem novidade. Quem me segue neste espaço há já algum tempo sabe que repetidamente refiro essas várias limitações nos meus textos. É incontornável. O que me assiste fazer, relativamente a alguns, é tentar "burilar" os mesmos, por forma a que a sua influência não seja tão notória. Noutros, tento melhorar até não conseguir mais e com o firme objectivo de que o efeito dos mesmos também não seja tão evidente. Há um exercício em concreto que tenho vindo a praticar há já algum tempo e que tenho de melhorar pelo facto do caminho ser "muito longo". Aprender a lidar com os erros dos outros.
Importa neste ponto clarificar e para que não haja nenhum mal entendido que quando falo em lidar com os erros das outras pessoas refiro-me objectivamente a questões em que, de alguma forma sou parte interessada. Um bom exemplo é aquele que decorre de eu próprio ter explicado algo a alguém, repetidamente, ter validado no final a compreensão da mensagem e mais à frente constatar que a pessoa erra.
A explicação, na humilde leitura deste vosso escriba, é simples. É mais fácil alguém dizer que entendeu bem algo que foi explicado do que assumir que não entendeu  algo que até parece ser simples (normalmente até é para quem explica). Ciente dessa realidade não me consigo contentar com um simples "entendi sim". Valido uma, duas, três vezes. É importante garantir que a mensagem foi bem passada e entendida do outro lado. E usualmente solicito a quem expliquei algo que me explique o que entendeu. E afino nesse momento um ou outro pormenor. Até à exaustão. Tenho de confessar.
Não consigo entender como é que alguém, depois de algo explicado até à exaustão, erra por distracção. Não me parece que seja razoável. Afinal a pessoa não foi sincera quando me disse ter entendido!!
Mas há exemplos piores. Nos últimos dias tenho percebido situações com as quais muitos de nós nos deparamos no quotidiano (aqueles que andam na estrada) - os erros na estrada. E é conhecida a minha sensibilidade para esta matéria. Se já suo das costas quando alguém erra por distracção depois de ter explicado uma série de vezes, já nos erros comuns que vejo na estrada fico muito perto de entrar em colapso cardíaco. Por exemplo, todos os dias constato que há pessoas que entram nas estradas (cruzamentos) sem sequer parar e como se conduzissem o único carro da estrada. E não me refiro a anciãos que conduzem os carros como se conduzissem há 50 anos atrás (com 1/3 dos automóveis nas nossas estradas). O preocupante é que há pessoas bem novas que cometem erros muito graves na estrada. E que chegam a perigar a vida dos demais utentes da via!
É possível que valorize coisas que as outras pessoas desvalorizam. Também concebo que não desvalorize aspectos que as outras pessoas valorizam. O que sei é que tenho de tentar melhorar. E aceitar os outros como são. Com ou sem suor nas costas. Com ou sem buzinadelas.

domingo, outubro 27, 2013

Como sair de uma relação afectiva

Como já aqui repeti por diversas vezes neste blogue que o que aqui escrevo não é "Lei". Ou seja, baseia-se em experiências pessoais, vivências e algum tacto que fui adquirindo ao longo desta minha curta existência.
As relações afectivas são complexas. Muito complexas, acrescento eu. E quem disser o contrário mente. Ou vive num mosteiro/convento em Marte ou então ainda não descobriu o sexo oposto. 
Duas pessoas são necessariamente diferentes, na medida em que há formas de pensar diferentes e formas de estar na vida diferentes. Também já aqui partilhei a ideia de que, a relação afectiva acontece de forma tão mais suave assim haja ou tenha lugar uma adaptação ou molde das personalidades de ambos em modo contínuo. Até aqui parece-me tudo óbvio e natural. Contudo, e com o evoluir do tempo e/ou experimentação de situações novas, o casal passa a estar perante outro nível de questões que terá de resolver. Questões essas que, para uma das partes do casal serão de somenos importância enquanto que para a outra parte serão fracturantes. E só pode haver um resultado possível: por um lado ser atingida uma solução de consenso, trabalhada a dois ou, por outro lado, não sendo possível atingir esse solução consensual estar-se perante o "início do fim". Passo o pleonasmo. E será aqui, neste momento em que a experiência a dois chega ao fim que importa perceber alguns detalhes.
Uma relação afectiva é feita de momentos, de vivências e de experiências podendo em qualquer um dos casos ser positivas ou negativas. Em paralelo, os momentos podem ser avaliados individualmente ou enquanto casal. Creio que não oferece qualquer dificuldade a assumpção de que não serão os momentos bons vividos em casal que conduzem ao final de uma relação afectiva. Seria o mesmo que dizer que sabendo que beber 1,5 litros de água por dia  faz bem à saúde se deve passar a beber 0,5 litro de óleo para fritar batatas. Parafraseando o adágio popular: "Em equipa vencedora não se mexe" e no neste caso, se as coisas correm bem na relação para quê inventar? É deixar fluir naturalmente. Se até aqui é possível que haja um entendimento e tudo é líquido, o mesmo não acontece quando se avalia a forma como a relação a dois reage aos problemas naturais decorrentes da vida a dois. As naturais vicissitudes de uma vivência conjunta. E é aqui que quero chegar. Quando a relação pode terminar. Quando foram esgotadas todas as tentativas de fazer com que a mesma resultasse. Quando se debateu horas a fio a forma de dar a volta por cima e manter a relação. Sem êxito. E chega o "momento da balança".
O "momento da balança" não é mais do que aquele momento em que se pesam dois pratos: o prato dos momentos bons e o prato dos momentos maus da relação. Esse exercício deverá ser realizado da forma mais honesta e introspectiva possível. Porquê? Porque só assim será possível avaliar o quão exequível e/ou desejável é manter ou tentar retomar o caminho a dois. Se o prato da balança pender para o lado dos momentos menos bons, e não havendo alternativas que permitam repensar o modelo da relação, é então altura de parar para pensar. É um sinal de alarme que não pode nem tampouco deverá ser negligenciado. E neste momento será aconselhável um período de 1 a 2 dias para estrututar o pensamento e separar o que é bom e o que é mau e findo esse período partilhar as conclusões com alguém especial. É aqui que entra o(a) melhor amigo(a). Alguém que acompanha(ou) a relação toda (ou quase toda) e que terá uma visão global da mesma. Alguém que derivado da sua natural posição de isenção conseguirá com relativa facilidade ajuizar se valerá a pena apostar ou desistir da relação e seguir em frente.
Após esta partilha será aconselhável outro período de reflexão, agora com os "inputs" da tal pessoa a quem se reconhece legitimidade para poder aconselhar. E aí sim, com o trabalho individual complementado com um ponto de vista externo e válido, estão reunidas as condições para a decisão final - o sair conscientemente da relação afectiva.
Naturalmente que não será algo simples quanto o escrever esta frase no computador comodamente sentado à secretária. Bem sei que pode acontecer estar em causa anos de relação, filhos pequenos, contas para pagar e por aí adiante. Mas também sei que a felicidade só é atingida quando estamos em sintonia e equilíbrio connosco mesmos. Só assim é possível amadurecer. E seguir em frente.

domingo, outubro 20, 2013

Night Run 2013

Ontem foi ocasião da realização de mais uma prova de corrida. Desta feita a primeira corrida nocturna organizada na cidade de Lisboa. E como não podia deixar de ser tive de participar. Ou não andasse a preparar-me para este tipo de eventos há algum tempo.
Tenho de confessar que tinha a expectativa um pouco baixa. A última prova em que participei correu mal, com uma péssima organização, logística deficitária e não me deixou qualquer saudade. E assim...com aquela lembrança lá fui eu rumo ao Terreiro do Paço (ponto de partida e chegada da prova).
A prova começava às 2100H. Chegámos lá (eu e o João) por volta das 2055H na medida em que fomos de metro e a viagem demorou um pouco mais. O recinto já se encontrava à pinha. Muita gente a correr (exercícios de aquecimento), outras pessoas a alongar e diversas barracas que disponibilizavam águas, bebidas energéticas e outras coisas (não cheguei a ir ver o que distribuíam). Um pouco depois das 2100H foi dado o sinal da partida e começámos a correr pela cidade de Lisboa. À noite.
Não me recordo da última vez que estive na Baixa pombalina à noite. Já passei milhares de vezes à noite de carro...mas a pé não. E muito menos a correr. A prova estava bem organizada. Devidamente policiada e com artérias cortadas ao tráfego para a passagem do magote de atletas. Em toda a sua extensão foi notória e perceptível a  preocupação da organização com a segurança e hidratação (muita água). Outra coisa que me deixou agradavelmente surpreso foi o facto de haver imensos turistas que assistiam à passagem dos corredores. Alguns batiam palmas acompanhando as ovações e incentivos dos espectadores portugueses. Foi giro e serviu, naturalmente, de incentivo para os campeões (grupo no qual me incluo) foram correr ontem à noite. No final, uma sacola com duas peças de fruta e uma medalha. Uma pequena lembrança sem valor monetário mas com valor pessoal.
Esta prova (fiz a de 10 quilómetros) tem lugar após quase dois anos de treino regular de corrida. Emagreci e estou em fase de tonificação muscular (ginásio) como aqui já referi anteriormente. E curiosamente...a prova passou-se sem que tivesse dado por isso. O que significa que o meu nível de "endurance" e resistência aumentou substancialmente. Não estou com isto a querer dizer que fazia mais 10 quilómetros...mas estou a dizer que esta prova mostrou-me que o trabalho que tenho vindo a desenvolver está à vista e com excelentes resultados. Resultado final: posicionamento a meio da tabela e isto porque tive de acompanhar o João que não tem uma preparação física tão boa quanto a minha!

domingo, outubro 13, 2013

"Don Jon"

Há dois dias tive a infelicidade de ir ver o filme "Don Jon" que está presentemente em algumas telas do cinema. Vou tentar não me esquecer futuramente que os críticos de cinema são humanos e que como tal, passíveis de errar. Ou seja, não seguirei mais as opiniões dos críticos de cinema. Tenho de escrever isto 500 vezes numa folha de papel A3 para ter sempre presente quando estiver a escolher um filme.
A escolha deste filme foi feita um pouco atabalhoadamente o que  nem é habitual em mim. Tinha lido qualquer coisa sobre este filme no dia anterior e o facto de ser uma história sobre um ávido consumidor de pornografia deixou-me curioso. Curioso no sentido de perceber como iria quer o realizador quer o produtor do filme abordar esta temática tão sensível numa sociedade fechada como é a portuguesa. Não pelo facto de ser sobre o tema que era. Para isso não preciso de ir ao cinema.
A "fórmula" do filme em si não podia ter sido pior escolhida. Um actor com ar de "drogado que vai ao ginásio" veste o papel de personagem principal. O problema dele é o ser consumidor compulsivo de "porno" da internet" e não conseguir dissociar-se do prazer que retira da realidade virtual onde, segundo ele, terá sempre mais prazer que no mundo "real". Porque no mundo virtual tudo é perfeito, as mulheres têm as mamas perfeitas, os rabos perfeitos e onde não pedem carinhos após o "finalmente". E embora vá tendo os seus engates de discoteca, a quem mais tarde apresenta o seu "ninho do amor", invariavelmente tem de complementar esse envolvimento efémero com algo que vai buscar "online".
Em primeiro lugar, e mais uma vez, trata-se de um tipo de filme roça o ordinário. Não pelo tema que é explorado, repetindo-me. Não por ser sobre um tipo que se julga a "última coca-cola do deserto" e que tem um poder de sedução com o sexo oposto imbatível. Aliás, se virmos as duas personagens  que fazem de melhores amigos da personagem principal, rapidamente se percebe o porquê de ter tanto sucesso: um deles tem ar de ser tarado sexual e que não tem ido às reuniões (de tarados sexuais anónimos), tem cerca de 1,40m e pesa 300 kg.  O outro dá ares de ser acólito, é preto (aqui sem ser racista, mas há sempre um sacrificado nos filmes) e que faz o papel de "amigo-moralista" do "Don Jon". Dei comigo a pensar o quão interessante é pensar se a receita de bilheteira deste filme seria tão grande se fosse o preto a personagem principal do filme..mas adiante. Onde quero chegar é que mais uma vez há a subjugação da mulher à vontade do homem. Ainda que seja ficcionado, mais uma vez a mulher é usada em prol da saciação da necessidade do predador e depois é preterida por outra mulher. Talvez com uma côr de cabelo diferente. Ou com umas mamas maiores. Ou um rabo mais empinado. E isto resume, na óptica de quem escreve a história a forma de pensar masculina. 
Em segundo lugar e último lugar este filme alerta para outro tipo de consideração importante e que certamente será uma realidade bem conhecida pela generalidade dos homens: o consumismo de material "online". Falo dos e-mails que são trocados (E que no meu caso há muitos anos pedi a quem mos enviava para deixar de o fazer. Não só não acho piada como acho entediante. Sem piada.). E tudo isto será  visto como um complemento a uma relação afectiva (sexual) incompleta. Dá que pensar esta abordagem reflectida no filme. Quantos homens / mulheres o farão ainda que mantenham os seus relacionamentos "de pedra e cal"? Não será considerada traição? Dá que reflectir!

domingo, outubro 06, 2013

Em tempos escrevi neste espaço sobre um sentimento que tem o dom único de me irritar. De me tirar do sério. A inveja. A inveja é um sentimento perigoso que quando experimentado em demasia pode "desaguar" noutro tipo de sentimento como seja o desejar mal, desejar azar ou outras coisas piores. Nunca invejei nada de ninguém. E se os meus amigos(as) têm algo que os(as) satisfaz fico contente por eles(as).
Consequentemente, ao longo dos anos tenho tentado perceber o porquê das coisas e tenho vindo a realizar variadíssimos exercícios que me conduzem invariavelmente à mesma conclusão - aqueles que invejam foram aqueles(as) que em alguma altura das suas vidas quiseram ter algo e não tiveram (derivado de variadíssimas razões, naturalmente). E nunca conseguiram viver em paz com o que os(as) outros(as) conseguiam. A equação é simples. Mas a vida é feita de oportunidades. E se calhar alguns tiveram mais oportunidades que outros. Ou lutaram para as ter. Trabalharam para as ter. E como tal, e com toda a legitimidade, foram recompensados por isso. Resultado? Por vezes os sonhos foram tornados realidades mais facilmente. Parece-me líquido.
Um clássico exemplo que gosto de abordar é o que se passa comigo no trânsito. Naturalmente e escuso de referir que não acontece quando me passeio no "tractor" (ou tanque como carinhosamente gosto de chamar ao meu bichano com 2,10 metros de altura). Mas acontece quando estou com a minha delicada "princesa". Enquanto que no primeiro caso as regras do trânsito como que se alteram e subitamente passo a ter prioridade nas rotundas e cruzamentos, já no segundo caso as coisas são um pouco diferentes. A razão é simples: como é uma "princesa" lindíssima, faz com que os(as) outros(as) condutores(as) a queiram ter na sua posse para todo o sempre. Mas não podem. Temos imensa pena mas já tem dono. "Moi même". E como tal, não raro, sou obrigado a esperar mais de 5 minutos em cruzamentos porque ninguém me deixa entrar numa qualquer estrada principal. Um bom momento para continuar a bordar a água do "benfas" numa camisolinha gira que estou quase a terminar para o meu Afonso ou mesmo as famosíssimas botinhas em lã para o Paco que as irá usar neste rigoroso Inverno que está aí à porta. O mesmo sentimento de inveja experimentei várias vezes ao longo destes anos em que comprava alguma coisa nova e acidentalmente era vista por algum invejoso. E de um momento para o outro passava a ser o centro das atenções - algo que como se sabe abomino. Como se alguma vez tivesse de justificar perante alguém o dinheiro gasto.
Não foi fácil conseguir ultrapassar esta situação. Foram precisos alguns árduos anos até nunca matei ninguém, nunca andei no autocarro sem título de transporte válido (ok, aqui talvez não corresponda inteiramente à verdade), nunca atirei fisgadas aos gatos lá da rua (bom, aqui também não é totalmente verdade)...mas dá para entender o que quis dizer. O que interessa é que aplico o dinheiro como bem me apetece. Se é um (des)investimento certo ou não..só a mim diz respeito. E era bom que os condutores com quem me cruzo tivessem isso em consideração...ou irei ter tempo para fazer o enxoval do Afonso. Todo!

domingo, setembro 29, 2013

Ao longo do tempo tenho aprendido a tornar-me uma pessoa mais paciente. Ou por outra, mais paciente com umas coisas e menos com outras. Todos nós em alguma altura das nossas vidas temos (devemos) realizar o(s) exercício(s) de introspecção para perceber "onde estamos". Se estaremos realmente bem. E não estando, o que fazer para que passemos a estar.
Uma boa aproximação, para quem não conseguir efectuar este exercício "a solo", será pedir ajuda a alguém próximo. Falo naturalmente de um bom amigo ou uma boa amiga que nos conheça bem e que tenha uma "fotografia global" de quem somos. Esta ajuda é importantíssima e será tanto mais valiosa (ou produtiva, se preferirem) quanto mais próxima fôr esta pessoa. Porquê? Porque terá presente o nosso quotidiano e conseguirá com mais facilidade perceber o porquê de algumas reacções e eventualmente opinar sobre outras ainda não tomadas e para as quais será solicitada a sua opinião.
A questão que refiro no início deste texto (a paciência) é um bom exemplo do quão útil poderá ser uma boa e válida opinão "vinda de fora". Por vezes uma "segunda leitura" poderá ajudar a desvalorizar aquilo que está a ser valorizado em demasia por nós. Isto acontece tipicamente quando se reage de forma impulsiva. A quente. E a tal pessoa terá o condão de, com a sua opinião, contribuir para que a nossa paciência tenha lugar de forma harmoniosa e natural.

domingo, setembro 22, 2013

Acompanhei de perto nas últimas semanas o processo de entrega de uma cadela (cachorra com 2 meses) por via da dona não ter vida para cuidar dela. 
Falo com conhecimento de causa na medida em que acompanhei (ao telefone) o processo de adopção desde o início, a euforia da visita ao criador, os olhos da cachorra que brilhavam e pediam para a levar, etc..O normal. Já naquela altura, e sendo muito incisivo de assertivo como vem sendo hábito, comentei que um cão muda a vida das pessoas e que por muito que esta pessoa gostasse de animais não recomendava (conhecendo a sua vida pessoal/profissional) que levasse a cachorra para casa. Fez exactamente o contrário. Seguiu o seu impulso e vontade do filho. E conseguiu aguentar 2 meses com a cadela em casa. Resultado...entregou agora a cadela com o coração partido e com o filho em lágrimas porque não queria que a cadela se fosse embora. Embora durante o tempo em que a cachorra esteve lá em casa todas as tarefas de cuidar dela fossem responsabilidade da mãe...
Desculpar-me-ão as pessoas mais sensíveis, mas isto é algo que tenho de partilhar na medida em que não consigo entender ou compreender por muito que tente. Valorizo e respeito quem me diz que gosta de animais mas que não tem tempo ou espaço para cuidar dos mesmos Já não entendo muito bem quem vai buscar um cão, "experimenta" dois meses e como dá muito trabalho entrega o mesmo a alguém. Não é correcto. Há laços (bilaterais, na medida em que o animal também os cria com os seus donos) que do nada são quebrados.
O Paco é o meu segundo cão como sabe quem me conhece há uns anos. Tive outro, há alguns anos atrás, o Kaiser (pastor alemão) que muitas alegrias me deu. Partiu para um mundo melhor e deixou muitas saudades cá em casa. Consequentemente durante muitos anos não entrou cá em casa mais nenhum cão porque ainda estava muito presente a dôr da partida do nosso amigo e daquele que foi um membro da nossa família.
Quando decidi ir buscar o Paco fi-lo conscientemente. Sabia que iriam voltar os passeios de madrugada (quer de manhã, quer de noite). Quer fizesse Sol ou chuva. Não me interessa para nada as condições climatéricas. O bicho tem de passear e eu tenho de o fazer com ele. Se está a chover visto um casaco com capuz ou levo um guarda-chuva. Se estiver vento levo um um corta-vento ou uma camisola. O que não faz qualquer sentido é que o cão não seja passeado. E cá em casa o Paco é também tratado como um membro da família. Merecendo todo e qualquer respeito por essa condição. Posso adiantar que o "meu" jipe é afinal dele. É o meio de transporte que gosta (não gosta dos outros carros). Também posso adiantar que há visitas que deixaram de o ser (vir cá a casa) porque o Paco não tem de ficar preso numa divisão da casa quando há visitas. Anda por onde quer. Não dorme (nem nunca dormiu) na rua. Por isso já se percebe onde estamos.
Entendo que as pessoas que têm este tipo de vontades ou que seguem impulsos deviam ponderar melhor as suas decisões. Se não têm vida/tempo para cuidar de um animal...não o vão ver. E mais...não embarquem na ideia idílica de que as coisas "depois arranjam-se". E mais...quem nunca teve um cão deve ler muito sobre a forma como a vida se altera quando a família aumenta. Eu fi-lo e como tal, foi de forma responsável que fui buscar os meus dois cães. E que sempre me mereceram o melhor e total dedicação. Afinal....quem os retirou da companhia da mãe e irmãos(ãs) fui eu. Não foram eles que pediram para vir cá para casa!! É assim que penso. 

domingo, setembro 15, 2013

"Fanfan"

Li em dois dias um livro chamado "Fanfan" que teve o dom de me fazer rever vários modelos que tinha como dogmas. Além disso acordou-me para várias realidades quotidianas que se vivem comummente nos relacionamentos actuais.
Já aqui falei na "chama" da relação entre duas pessoas. Sim, essa "chama" que existe no início das relações até, sensivelmente (assim sejam as relações sérias) ao terceiro, quarto e porque não quinto ano de relacionamento. A partir desse momento...é necessário que haja uma boa dose de criatividade (de parte a parte) para que as coisas continuem e não se vá procurar "fora" de casa o que não se tem "dentro" de casa. E isso pode acontecer quer do lado masculino, quer do lado feminino. Não tenho qualquer dúvida. Talvez as mulheres o façam de forma mais inteligente e não se denunciem de forma tão infantil e estúpida como os homens, mas também o fazem.
O livro aborda vários temas: a traição (consentida), o adultério e um aspecto que nunca tinha pensado, mas que faz algum sentido perpetuar - o prelúdio dos relacionamentos. A fase em que a "chama" está sempre presente.
Na óptica do autor do livro, o prelúdio dos relacionamentos pode (e deve) ser perpetuado para sempre, ou seja, só assim consegue o autor amar de forma igual aquela mulher que deseja para a eternidade cósmica. Nem que para tal tenha de sacrificar violentamente a sua vontade e controlar-se para não ceder às tentações carnais sempre que avista a sua amada. A definição de paixão platónica, pois então.
Como refiro no início deste texto, foi durante este final de semana que passei algum tempo a pensar neste tema. Na realidade, as coisas sucedem a uma velocidade estonteante que pouco ou nada tem de compatível com a mensagem que o livro pretende transmitir. Quantos de nós pensamos nisto quando estamos verdadeiramente interessados em alguém? Poucos ou nenhuns será a resposta honesta e sincera. Porquê? Porque muitas vezes a carência afectiva/física fala mais alto e o envolvimento físico acaba por se precipitar. O que poderá eventualmente conduzir, mais à frente, ao arrependimento e/ou vazio emocional. Mas como diria alguém sábio "faz parte da experiência de vida cair para depois se levantar". E neste caso acho que faz muito sentido esta frase. É necessário que passemos por várias experiências, nos arrependamos, para depois rever todo o percurso realizado e melhorar em certos pontos. O perpetuar do "período de graça" (ou prelúdio da relação) será portanto o grande objectivo. Resta saber quem é que consegue, nos dias que correm, viver relações platónicas...e fazer com que o "outro lado" também compreenda e o queira!

"Urbanathlon 2013"

Participei ontem numa prova (corrida 10K + 10 obstáculos) organizada pela revista "Men´s Health". Muito grande foi a publicidade aos embaixadores e embaixadoras da prova - caras conhecidas do "jet set" - o que naturalmente me fez criar uma expectativa bastante elevada em torno desta prova à qual cheguei com princípio de taquicardia de tão excitado estava. Confesso que não me preparei especificamente para a mesma, mas dei especial atenção a alguns grupos de músculos que sabia que seriam "recrutados"para a realização da mesma (e.g.: pernas, braços, peito, ombros). 
A prova estava dividida em dois grandes grupos de participantes: os singulares e as equipas. Eu estava integrado no segundo grupo, com uma equipa constituída por 5 elementos. Logicamente que o grupo dos participantes singulares partiu em primeiro lugar e o grupo das equipas em segundo lugar. 
Teoricamente deveria haver uma distância temporal de 10" que separaria a saída dos dois grupos. Acabou por ser de 15", sendo que a espera para a partida do meu grupo foi conseguida debaixo de uma temperatura exterior que rondava os 30ºC. Já se imagina a vontade que tive de enfiar o microfone dos animadores "num-sítio-da-sua-anatomia-onde-o-Sol-não-chega". Mas estoicamente resisti a esta (e outras) ideias dignas de requintes de malvadez e lá comecei a correr. Entre 1000 e poucas pessoas. Um bom exercício que convido o(a) meu/minha amigo(a) a efectuar comigo é imaginar este "magote" de 1000 pessoas a chegar a um obstáculo. Curioso como o verbo "afunilar" surge rapidamente na minha mente. Lógico. Já tinha referido que se tratava de uma prova cronometrada? Não? Mas era. Sendo um prova cronometrada já se imagina que comecei (e todos os outros participantes) logo a bufar porque quem ía à frente não era expedito a saltar para dentro de um contentor de entulho (sendo que era um dos obstáculos) com água pelo joelho...Adiante.
A organização desta prova, de forma muito amadora (diga-se em abono da verdade), não previu que num dia quente (e em esforço físico intenso como é o da corrida e transposição dos obstáculos) a procura da água seria bastante grande. A primeira distribuição da água só teve lugar ao fim de 6,5K e cada concorrente só podia levar uma garrafa pequena de água. A segunda distribuição de água já acontece aos 8,4K, ou seja, na meta. Mas...esperem lá, poderão perguntar...8,4K? Sim, é verdade. Mais uma "partida" da organização. Uma prova que foi "vendida" como sendo de 10K teve uma distância total de menos 1,6K. Faz diferença. Toda, arriscaria a dizer.
Mas há mais (incrível, não é? Um dos obstáculos consistia num camião estacionado a meio de uma pista de areia. Num dos lados de camião havia uma rede de desembarque que permitia subir ao topo do mesmo e do outro lado havia também uma rede que permitia a descida do mesmo. No topo do camião, um contraplacado que cede com o pêso dos participantes. Sem comentários.
Importa referir que há pessoas que independentemente do objectivo da prova ser a confraternização e a prática do exercício físico...levam a mesma muito a sério. É legítimo e compreendo-os(as) perfeitamente. Mas coloquemo-nos "na pele" destas pessoas. Fará algum sentido que uma determinada pessoa que (ainda que participe na prova a título amador), perfaça a mesma com um elevado rendimento, cronometre a sua prova e fique abaixo dos 60" no seu relógio...e apareça na lista geral com um tempo de 240" (4 horas)? É humilhante e francamente frustrante.  A título de exemplo, e para concluir, posso adiantar que numa prova que tive oportunidade de realizar no início deste Verão - e com muito menos publicidade, sem "embaixadores e embaixadoras jet set" as coisas correram na perfeição. Água e fruta (bananas) em abundância e ao longo de todo o percurso da prova. Lembranças com piada oferecidas no final da prova...Enfim...duas provas com o mesmo propósito e com resultados antípodas. 

domingo, setembro 08, 2013

Grande parte do realização do meu objectivo pessoal que aqui tenho referido (o tal de Fevereiro do ano que vem) passa por "fechar a boca". Ou seja, "re-aprender" a comer. Evitar determinados alimentos e naturalmente passar a valorizar a escolha de outros. Faz parte.
A semana que hoje termina é marcada por um evento singular. De uma singularidade tão especial que resolvi partilhá-la neste espaço. E que tem que ver objectivamente com esta questão da alimentação.
Como habitualmente, e desde há uns largos tempos a esta parte, sempre que há peixe ao almoço, opto por esse tipo de prato. Na passada Quarta-Feira foi (mais uma) vez optei pelo salmão grelhado só com salada. Para quem nunca viu salmão é o tal peixe com uma coloração rósea e pele preta. Pode naturalmente cozinhar-se de várias formas, mas sendo um peixe "gordo", torna-se facilmente enjoativo se não fôr grelhado (que é a forma como prefiro).
Certamente que aconteceu a todas as pessoas que comem peixe, quando sentem as espinhas na boca, nterrompem, tiram a espinha e continuam a comer. E era basicamente o que tinha estado a fazer até então. Até ao fatídico momento em que senti que a malvada de uma espinha tinha fugido à minha apurada sensibilidade e foi alojar-se na minha garganta. Para quem não sabe, o salmão tem espinhas finas. Umas maiores e outras menores..mas sempre finas. O que complicou tudo. Ainda comi o miolo de pão ao almoço para tentar que a espinha saísse...mas nada.
Embora não tivesse a sensação de dôr...sentia-me incomodado. Ao engolir resumidamente. E foi um resto de tarde marcada pela sensação de incomodidade. Chegado a casa comi mais miolo de pão continuando sem êxito. E comecei a pensar se iria ficar com a espinha alojada na minha faringe para todo o sempre.
Fui para o ginásio treinar com a espinha espetada na garganta. Bem sei que não é normal. Mas fui. Depois do treino, quando estava a tomar o duche, comecei a sentir uma dôr diferente. Não sendo muito intensa...fazia-se sentir bem o que me fez pensar que com durante o treino a espinha ter-se-ía movimentado e agora sim, estava a surgir mais dôr.
Acabei o duche, vesti-me e fui ao hospital. Nunca tinha necessitado (felizmente) de ir às urgências de um hospital depois do jantar. Mas sentia-me incomodado e fui. Resumindo e concluindo: foi removida uma espinha com um tamanho considerável (ver foto abaixo que reflecte o tamanho da mesma comparativamente com a de um telefone normalíssimo).
Moral da história: Durante os próximos 7 anos não vou comer peixe. Ou peço ao meu sobrinho que mo arranje!!


domingo, setembro 01, 2013

Texto 1 de 3

Preâmbulo

Por via de umas merecidas duas semanas de férias este meu espaço não teve a merecida atenção e assim sendo, 3 textos ficaram por publicar. Dois das duas semanas anteriores e outro relativo à presente semana. Por essa razão, entre hoje e amanhã  desenvolverei os temas respectivos. As minhas desculpas pela interrupção.

Terminado o período de 15 dias de férias aguardo com muita serenidade recomeçar o meu plano de treino. Ou seja, o plano que prevê o retomar das corridas e do ginásio. Posso mesmo avançar que estou ansioso.

Este será um mês marcado pela retoma, com calma, do ritmo em que fiquei há 15 dias. Bem sei que devia ter feito um esforço para fazer algo durante este período, mas entre o "mundo ideal" e a transposição para o "mundo real" vai um grande passo. Optei por descansar a 200% estas férias. Para recomeçar em força. O descanso falou mais alto e ouvi-o.

Esta "reentrèe" nos treinos é muito importante. É o voltar a trabalhar e na expectativa de alterar o plano de treino em meados deste mês. Será "denhado" um plano tornado mais duro e exigente e bem mais focado na obtenção de resultados de acordo com o que pretendo. 

Espero até ao final do presente ano ter atingido cerca de 50% do meu objectivo sendo que o mês de Fevereiro de 2014 foi o mês por mim eleito para ter atingido a plenitude do objectivo a que me propús. Duas novidades: a primeira tem que ver com o facto de ir contar com a ajuda de um "PT" (Personal Trainer) que me ajudará a realizar bem os exercícios durante cerca de uma dúzia de sessões. Posteriormente, já sem a ajuda dele, continuarei a fazer o mesmo nunca perdendo de vista o objectivo. A segunda e última novidade...nos dias da parte "cardio" vou passar a ter companhia...o D. Paco começará a vir correr comigo. Mais notícias em breve....


Texto 2 de 3

Esta semana que termina foi encerrado um ciclo de episódios que uma estação televisiva privada transmitiu sobre um grupo de pilotos portugueses que rumou ao continente africano numa iniciativa de cariz humanitário.

Algumas considerações se me oferecem fazer:

1. Congratulo-me que exista este tipo de iniciativa levada a cabo por pilotos portugueses. Afinal trata-se do continente africano, francamente necessitado como se conhece e onde toda e qualquer ajuda é naturalmente necessária. O que já o que não entendo tão bem é o mediatismo em torno do mesmo. Dado pela estação privada - sendo todos os pilotos portugueses e integrantes da companhia aérea nacional. Será que foram consultados os canais televisivos públicos? Tenho as minhas dúvidas;

2. Não colocando em causa a importância do gesto altruísta que esta iniciativa tem associado, pessoalmente acho descabida a importância que a reportagem tivesse sido transmitida durante 5 dias. Trata-se de um (muy nobre) evento humanitário mas que tem réplicas à dimensão internacional na medida em que muitas outras organizações que não têm a verba que esta teve organizam eventos similares. Eventualmente organizações portuguesas (lembro-me por exemplo das paróquias). Ou seja, porque não publicita esta estação privada esses eventos? Ou outros eventos deste género? Fiquei a pensar nisto. Certamente que  haveria matéria para encher a grelha da estação televisiva durante os próximos meses. Ou anos;

3. Relativamente aos pilotos. Alguns são pilotos comandantes de longo curso, ou seja, auferem naturalmente uma quantia considerável ao final do mês. Acresce o facto de que são todos pilotos da companhia nacional. Da companhia de "bandeira" de Portugal. Essa mesma que é detida pelo Estado. Ou seja, a que tem os vencimentos dos pilotos (e todos os outros seus funcionários) pagos pelo Estado e que por analogia e simplicidade de raciocínio, pagos pelos contribuintes portugueses. Não me recordo de ter sido colocado a discussão pública se o contribuinte português via com bons olhos que 4 pilotos da companhia nacional estivessem envolvidos neste projecto. Ou então, por outro lado, não me recordo que no início do ciclo de episódios transmitidos, tivesse havido uma nota ou referência ao facto dos intervenientes terem aberto mão do seu vencimento (licença sem vencimento). Se é que houve;

4. Num dos últimos episódios transmitidos, um dos "câmaras" focou um dos braços do trem de aterragem de um dos aviões que fizeram este evento. Nenhum dos aviões era português (todos tinham matrícula estrangeira). Porque razão foram feitos "planos" de autocolantes fazendo referência à companhia aérea de "bandeira"? Não será publicitar a mesma e colocando as demais companhias aéreas em desvantagem em termos de imagem e publicidade gratuita em "prime hour"? 

Conclusão: Ainda que reconheça toda a importância deste evento humanitário ficam por esclarecer muitas questões. Quem pagou o aluguer dos aviões? Quem pagou as estadias, alimentação, combustível dos aviões? Quantas pessoas estiveram efectivamente envolvidas neste projecto? Pensei inicialmente que fossem apenas e só 4 pilotos. Afinal, num dos episódios vi mais de 20 pessoas, todos portugueses..Num dos episódios houve um dos motores de um dos aviões que teve um problema num dos motores que o obrigou a uma aterragem forçada. Só a partir daí se falou num mecânico que acompanhava este grupo. Porque razão se fala tanto nos pilotos e não se falou neste mecânico? Terá, porventura, uma importância menor? Não creio...

É de louvar este tipo de iniciativa...mas é importante reter que há perguntas que carecem de resposta. Por forma a que seja tudo claro e transparente. E não, não me parece que o dinheiro dos patrocinadores cobrisse tudo. Mas isso sou eu que penso..baseado na pouca informação veiculada.

Covid-19

Com os últimos desenvolvimentos da actualidade, é praticamente impossível não pensarmos duas vezes sobre o fenómeno que aflige todo o mundo...