Não sou uma pessoa de casamentos. Não está em causa o ser ou não católico. Não é disso que falo. Compreendo e aceito (mais este) sacramento da Igreja.
A minha questão é outra. A festa. Acho uma seca. A sério. Claro que devo ser a única pessoa do mundo que não acha piada alguma (já estou habituado), mas é um facto perfeitamente líquido e claro para mim.
Para começar, e nem percebo bem o porquê, 99% dos casamentos a que fui, tiveram lugar no Verão. Ora, ir a um casamento no Verão com fato vestido e gravata é só péssimo. Não que tenha qualquer problema em vestir um fato (até gosto). A questão é ter de o vestir o fato e a gravata no Verão. Para uma pessoa como eu, que "adora-o-calor", ir a um casamento no Verão (de fato e gravata) é quase o mesmo que me pedir que vá até à praia de sobretudo. Exactamente ao mesmo nível.
Vou saltar a parte da espera das 2 horas e meia que os noivos demoram a tirar as fotos. Exasperante. Às vezes dou comigo a pensar se serão fotos tiradas apenas com os convivas ou, se por alguma razão, também se tiram fotos com os 90 empregados de serviço no copo d'água. Talvez seja essa uma da(s) razões/razão da demora.
Este texto surge na sequência de um casamento a que fui ontem, no Norte de Portugal. E claro, Verão, embora o tempo estivesse de feição. Quente, mas não abusivamente. E por isso suportei melhor. Mas há detalhes que não consegui abstrair-me.
O facto de, por exemplo, se rasparem os restos de comida dos pratos ao lado das mesmas, quando os mesmos são recolhidos roça o surrealismo. Ou falta de profissionalismo - mas não de simpatia dos empregados, no caso do casamento de ontem. Ou seja, os empregados foram/são ensinados dessa forma (errada) de o fazer. Talvez em todos os casamentos aconteça isto. É uma forma de serem evitadas 900 idas e voltas à cozinha. Mas trata-se apenas um detalhe.
O "melhor", para mim, é precisamente a abertura da pista após a dança dos noivos. Aqui sim. É como se chegasse um novo grupo de pessoas. Transfiguram-se. E vêem-se espectáculos que roçam o ridículo. Não, e não é o meu mau feitio a falar. É mesmo uma questão de bom senso e gosto. No meu caso, particularmente refinado (e crítico) quando o "DJ-de-serviço" aposta em ritmos latinos (i.e. Daniela Mercury, Gipsy Kings, etc.). Já pensei em filmar e colocar no "youtube". Ainda ganhava umas massas valentes com isso.
Moral da história: Espero tão cedo não ter de ir a casamentos.





