Assisti ontem, à hora do almoço, a um programa no primeiro canal do Estado que tem o nome de "Provedor do telespectador". Para quem não sabe, é um programa dedicado aos telespectadores. Basicamente, opiniões e queixas que podem ser enviadas para esta pessoa (Provedor dos telespectador) que depois escolherá e abordará semanalmente nesta rubrica televisiva.
Já tinha visto este programa há uns meses. Lembro-me na altura de não ter achado nada de especial, mas, por alguma razão que me escapa agora, tinha-me abstido de o comentar aqui. Ou porque me esqueci ou porque simplesmente não tinha intenção de o fazer.
Da primeira vez que assisti ao mesmo, fiquei com a ideia de se tratar de mais um daqueles programas destinados aos telespectadores com (muito) tempo livre e zero preocupações. Ou seja, pessoas tipicamente com idades mais avançadas e para quem a televisão (e este canal em particular) é uma companhia. Pessoas que apontam num papel o que acham que está mal e depois elas mesmas (ou alguém a seu pedido) faz chegar essas anotações a este Provedor dos telespectadores.
A escolha do apresentador deste programa não poderia ser pior. Não sei como o encontraram ou de que prateleira da RTP o foram tirar. Imaginem uma pessoa circunspecta e que não mostra os dentes (não sorri e muito menos ri). Com um modelo de óculos (para ler) mais antigo que os da minha avó Filomena e com um figuro muito, mas muito forçado. Para uma pessoa destas, que parou no tempo, e ser do estilo conservador, ter um "blazer" e uma camisa sem gravata "só" lhe deve causar arrepios durante todas as gravações do programa. Demasiado forçado. E percebe-se claramente que a apresentação televisiva não é o seu forte. Coordenação forçadíssima e péssima com as câmaras. Pouco à vontade. Enfim, sofrível.
O tema do programa de ontem era a utilização dos anglicismos - utilização de termos inglês. Deve ter havido alguém que se queixou, em algum momento, da utilização profusa dos termos ingleses. Houve a participação de uma convidada, professora de línguas, que rapidamente se percebeu que também não estava particularmente à vontade com as câmeras. Mesmo assim melhor que o Provedor.
Por muito que seja defensor da língua portuguesa (escrita e falada), tenho de admitir que utilizo muito, mas muito o inglês no meu léxico. Para começar, derivado da minha profissão e depois porque o inglês facilita a vida às pessoas. Ninguém (no seu juízo normal) diz que comer "comida rápida" faz mal. Ou que perdeu a ligação com "a rede global virtual" (internet). Entre milhões de exemplos que poderia dar de palavras perfeitamente enraizadas na nossa língua.
Com a saída do Reino Unido da União Europeia, não perspectivo que se deixe de recorrer aos anglicismos. Vieram para ficar. E no final do dia...facilitam a nossa vida! See you next week!





