Sou uma daquelas pessoas que em décadas deverá ter usado o GPS umas dez vezes. No máximo. Sou do tempo de usar um aparelho que se colocava no vidro da frente do carro, com um "chip" comprado à parte com mapas. E assim eram feitas as viagens.
Alguns anos mais tarde, os próprios carros começaram a disponibilizar este equipamento como extra - hoje em dia a generalidade já traz como equipamento de séria. E já tive alguns carros com GPS. E finalmente o advento dos"smartphones".
Já aqui falei - embora de forma passageira - sobre a potencialidade destes pequenos aparelhos (hoje em dia pequenos outrora do tamanho de tijolos de alvenaria). Falarei com mais profundidade dos mesmos num próximo texto dedicado.
Com a chegada destes aparelhos, e legítimo dizer-se que só se perde quem quer. Ou porque não sabe o que é um GPS ou porque não tem um telefone esperto. Em jeito de acto de contrição, aqui o escriba andou uns bons anos sem perceber a funcionalidade que tinha à distância de 2 cliques e que lhe permite em menos de nada obter as direcções para qualquer ponto no planeta Terra. Estamos a falar de algo que tem associada uma precisão muito elevada (i.e. georeferenciação por satélite) e em alguns casos com um erro inferior a 1 metro!
O texto de hoje é escrito pelo facto de há algumas semanas atrás ter visto um "flash" de velocidade numa conhecida artéria periférica à cidade de Lisboa. É verdade. Não ía muito depressa, mas para aquela via estava em velocidade excessiva. Possivelmente receberei um postal em casa. A ver vamos. Bom, e o que tem uma coisa a ver com outra? Eu explico.
Há actualmente aplicações para os nossos telefones que ajudam (e muito) o condutor. Seguem o princípio de interacção dos condutores com a própria aplicação, em detrimento de uma solução "fechada" como havia no antigamente. Basicamente, os vários condutores que têm este tipo de aplicações instaladas nos telefones, usam-nas para ajudar todos os outros. Todos ganham. Desde segmentos no percurso de "A" para "B" onde é expectável mais trânsito, desde ter uma ideia de qual a hora de chegada tendo em consideração a fluidez do mesmo, eventos durante o trajecto (e.g. carros parados na berma, acidentes, trânsito intenso) e claro, as alternativas propostas para o trajecto inicial, por forma a não demorarmos 2 semanas a chegar ao mesmo, enfim, muitas vantagens.
Mas há uma funcionalidade que também está disponível em algumas destas aplicações e que podia ter evitado que tivesse visto o tal clarão naquela noite: a localização de radares de controlo de velocidade. É verdade. Trata-se nem mais nem menos do que a localização exacta dos pontos onde estão instalados os radares de controlo de velocidade. Não acho mal. O controlo de velocidade é tipicamente realizado em locais onde a probabilidade de ocorrência de acidentes é superior (i.e. histórico de acidentes ao longo dos anos num determinado ponto). Sendo instalados estes radares nestes pontos, há um propósito claro de minimizar a probabilidade de ocorrência dos acidentes nos pontos. No final do dia, se numa determinada zona, o condutor tiver conhecimento que há instalado um radar de controlo de velocidade, abrandará o seu ritmo e consequentemente deixa de haver "tanto" perigo e talvez seja evitado mais um acidente. Pelo menos causado pela velocidade... Mas era necessário a instalação destes radares? Sim. Por um lado pela receita extraordinária que representa para os cofres do Estado. Quem prevarica, paga - e agora fica sem pontos na carta de condução. Por outro lado e sem haver a sanção ou coima associada, ninguém respeita os limites de velocidade. Tem de haver uma responsabilização dos condutores. E já não vai lá com campanhas de sensibilização rodoviária.
Desde o dia em que vi o "flash" passei a usar uma conhecida aplicação. Não vou dizer o nome para não fazer publicidade, mas há várias aplicações que fazem este tipo de serviço. A grande desvantagem é mesmo o consumo de bateria. No caso do meu telefone, que não é certamente uma referência pela autonomia, vai-se num instante. Mas ando informado. Depois de ter "visto a luz". Casa roubada, trancas à porta.




