domingo, dezembro 31, 2017

Fim de Ano

E eis que chegamos ao último dia do ano. Mais um ano que passa e mais uma série de recordações, de vivências, de pessoas novas que conhecemos (e outras que deixámos entretanto de ter contacto) e ainda de reencontros com pessoas do nosso passado. 
À semelhança daquilo que fiz nos anos anteriores, também este ano faço aqui um saldo do mesmo. Se preferirem, um sumário daquilo que foi o ano de 2017
Como habitual, o ano que agora termina fica marcado por coisas boas e por coisas menos boas. Destaco, em particular, como coisas menos boas, a perda dos pais por parte de dois dos meus melhores amigos. Falei aqui disso. Mas a vida continua e ambos conseguiram superar a perda - como seria de esperar.
Por outro lado, não consegui trabalhar como queria, em mim, alguns aspectos que tinha identificado  em 2016 como passíveis de melhoramento. Aspectos, penso eu, mais relacionados com o meu feitio. Com a pouca tolerância ao erro (meu e dos outros) associado a um grau de exigência elevado. Continua a fazer parte da minha lista de desejos ou determinações para o ano que entra o trabalho nestes pontos que julgo poderem melhorar-me enquanto pessoa.
Ao que interessa, os pontos positivos. O estar aqui hoje, a escrever--vos estas linhas, é sem dúvida alguma um bom sinal. Quanto mais não seja que estou vivo e ainda consigo organizar as ideias e partilhá-las neste espaço.
Não queria alongar-me muito no texto de hoje. Em boa verdade, a probabilidade de me repetir é elevada. Isto porque há uma regularidade na partilha de textos ao longo do ano. Sobra pouco para acrescentar no dia de hoje. Haverá com toda a certeza coisas que poderiam ser ditas, é certo, mas as mais relevantes foram.
Uma novidade recente tem que ver com o jipe que comprei o jipe no final de 2016 e com o qual fiz alguns passeios. Não sei ainda se continuarei a fazer os mesmos este ano de 2017. A minha ideia passará, se conseguir vender o jipe por um valor próximo do que tenho em mente, investir em imobiliário. A ver vamos se consigo.
Como é sabido, detesto festividades em geral. A festa do fim de ano é apenas mais uma delas. Em que, ridiculamente, se festeja um minuto durante horas. Com muito álcool e pouca comida na barriga. Já dei para esse peditório e daí poder falar com propriedade. Ainda assim, e antes que a "brigada-dos-que-gostam-das-festas"  me venha crucificar, respeito todas as opiniões e gostos. Quem me dera conseguir aguentar noitadas como algumas pessoas que conheço aguentam. Não consigo. E mais, quando o consigo - como aconteceu há dois dias atrás por ocasião de um jantar mais longo - fico mal disposto no dia seguinte. Sim, mais mal disposto - como se tal fosse possível - pelo facto de ficar com os sonos trocados.
Desejo a todos(as) que me seguem, uma excelente entrada em 2018. Para aqueles que viajam para passar este dia com amigos ou família, cuidado redobrado na estrada. Nem todas as pessoas têm a consciência da condição "se beber, não conduza". Ou de praticar uma condução defensiva e antevendo os erros dos outros condutores.
Desejo sinceramente que este novo ano seja repleto de felicidade e que consigam todos os vossos desejos. Saúde, dinheiro e amor. Pela ordem que quiserem.

segunda-feira, dezembro 25, 2017

Dia de Natal

Mais um Natal e mais uma vez a habitual conversa a que já habituei a quem me segue. Sinto que com a idade começo a ser cada vez mais crítico e menos tolerante com as pessoas que se dizem ateus durante 364 dias do ano e no Natal trocam prendas. É só sinónimo de incoerência.
A verdadeira essência do Natal assenta numa premissa de simples entendimento e compreensão: Paz. Reunião da Família à mesa e confraternização. Esquecer as zangas e acima de tudo, praticar e interiorizar o bem.
É triste que as pessoas atribuam a esta quadra o despesismo. A hipocrisia. O consumismo. Que haja filas nas lojas para aqueles(as) que querem - porque querem - comprar uma prenda para alguém. Sendo que essa prenda poderá não ter qualquer outro significado que não seja....uma lembrança tanto mais importante quanto mais se gastar. Apenas e só isso. Sem qualquer valor sentimental ou simbolismo. É preferível ficar na fila e gastar dinheiro do que, por exemplo, escrever um texto ou fazer algo com a mãos e oferecer algo, talvez produzido por uma máquina qualquer numa linha de produção chinesa. 
Também com a idade habituei-me a duas coisas: ao bacalhau e às compras fora do buliço. Quem lê os meus textos e segue há mais de 10 anos  neste espaço, perceberá que comer bacalhau há uns anos era algo próximo a pedir-me que fosse assistir a um concerto do Sérgio Godinho. Ou do Jorge Palma. Que como se sabe, só adoro.
Hoje em dia não é bem assim (quanto ao bacalhau, atenção). Gosto de uma boa posta. De uma batata boa e de uma couve bem cozida e claro, ovos (como sempre dois) cozidos. Um bom azeite. Tive isso tudo na consoada de ontem. Já nos dentes de alho posso partilhar que a diferença entre estes e uma malagueta qualquer do México é nula. Daí ter deitado fumo das orelhas e ter ficado com a voz do Hélio. Típico em mim que não adoro picante. O tinto que abri não era nada de especial. Devia ter percebido que o meu gosto está perfeitamente alinhado com as "pomadas" alentejanas e não com as do Norte! As sobremesas não vou comentar. Posso partilhar que rabanadas com calda me fazem perceber que a carne é fraca. E não sou suficientemente forte para resistir. Fica aqui o meu acto de contrição. 
Na questão das compras, adoptei (e informei devida e antecipadamente as pessoas a quem ofereço prendas) que comecei a seguir, nesta época do ano, o calendário espanhol. Calha bem porque a partir do 25 os preços baixam mais de 50% e fazem-se compras bem melhores, sem pressão. A carteira agradece.
Não me vou alongar muito mais. Apenas quero desejar a todos(as) meus(minhas) seguidores(as) um Santo Natal na companhia de quem gostam. Tudo de bom. 

domingo, dezembro 17, 2017

Raríssimas

Para evitar confusões - que sei que vão acontecer - começo por me confessar partilhando que este assunto em concreto me tinha passado um pouco ao lado até que vi a (excelente) reportagem de investigação da jornalista Ana Leal.
Entendo e defendo que há organizações criadas para casos específicos e pouco vulgares. Faz todo o sentido que existam. Concordarão comigo que ter uma "Associação dos Engripados" ou "Unidos contra a Dor de Cabeça" seriam entidades atípicas. Aquando da tentativa de constituição não seriam levadas a sério e tenho grandes reservas se juridicamente poderia ter personalidade jurídica. Por razões óbvias, de resto.
O mais recente caso das "Raríssimas" extrapola com facilidade uma análise fácil das coisas. Porquê? Porque envolve individualidades públicas com responsabilidades perante o País. E revela também, mais uma vez, um crime que grassa o nosso País - o peculato. E que não é culpa das instituições. É culpa de quem as gere. E quem gere são pessoas. Como eu e o/a meu/minha amigo(a) que me lê neste momento.
Este caso em particular, se me permitem a partilha, poderia ter sido uma bonita e bem sucedida história de uma instituição fundada pela mãe de uma criança diferente. Com uma doença rara e que sentiu necessidade de proporcionar uma melhor vida ao filho. Assim seria, se à frente desta instituição não tivesse estado uma responsável que, aparentemente, cometeu uma série de irregularidades na gestão da mesma.
O problema assume uma outra dimensão diferente quando está em causa a alocação de 3M € canalizados por parte de um Ministério. Que por acaso tem um responsável máximo, o seu Ministro. E que curiosamente, ainda não apresentou o seu pedido de demissão até que a história fosse cabalmente esclarecida. Não está em causa a sua assumpção de culpa ou não por parte do mesmo. Mal seria se o mesmo afirmasse que era culpado. Está sim em causa a suspeita pública que os dinheiros públicos são mal geridos. Ou que se assina de cruz quanto ao seu destino. É a ideia que passa.
Como em tudo, seria inédito dizer que um representante do Estado sabe exactamente onde e como é gasto cada cêntimo da verba do seu Ministério. Para isso há funcionários específicos (e.g. Tesouraria). O problema reside na alegação do desconhecimento de qualquer problema. Quando ainda por cima - antes da entrada em funções neste Executivo - o mesmo político foi Vice-Presidente da referida Associação. Ou as sucessivas inspecções não terem detectado desvios / irregularidades nas auditorias / inspecções. E algo estranho acontece porque uma auditoria financeira (realizada a sério) facilmente teria detectado irregularidades. Ou mesmo na contabilidade organizada (obrigatória por Lei). Acho estranho, no mínimo.
Quanto à Presidente demissionária, pouco há a dizer. Para mim, pertence à classe dos invertebrados. Não tem coluna vertebral. Sem mais.

domingo, dezembro 10, 2017

A loja do chinês

Por ocasião do almoço (de um dos 3 dias) do estágio do Krav Maga - sobre o qual escrevi a semana passada - teve lugar a troca de prendas. Aqueles que me conhecem saberão bem o que acho deste tipo de coisas - palhaçada. Ao nível do "amigo secreto" que tantas empresas insistem em perpetuar todos os anos e que me provoca um sentimento próximo das náuseas que costumo ter quando ando de barco.
Contudo, dado que 8 dos meus colegas que foram ao estágio comigo acordaram em levar uma prenda até 5,00€, não quis ser o  "razinga" e aquele que ía furar o esquema. Um pouco contrafeito, concordei em participar.
Confesso que não consigo imaginar muitas coisas que custem tão pouco. Invariavelmente, vem à minha memória os blocos de "post-its" amarelos, afia-lápis ou um conjunto de marcadores fluorescentes. Penso serem os primeiros pensamentos que me ocorrem. Entretanto, a caminho de casa no final do primeiro dia de estágio - o tal almoço era no dia seguinte - lembrei-me do bazar do chinês que há aqui perto de casa.
Depois do merecido e reconfortante banho, lá fui eu ao tal bazar. De memória penso lá ter ido uma vez há uns dois anos. Mas tipo entrar e sair. Desta vez foi diferente.
Entrar num espaço destes é ser imediatamente invadido com uma mescla de cheiros: borracha, incenso e cortinas plásticas das casas de banho. Não me ocorre outra analogia melhor. É um mundo  ou uma dimensão nova, se preferirem. Além dos produtos correntes e de outros que podem ser necessários à última hora, há toda uma variedade que assumimos que aquela loja não teria, mas tem. E faz com que pensemos que se calhar poderá dar jeito em algum momento no futuro. Uma lata de 15 litros de tinta pastel ou por exemplo um tapete a imitar Arraiolos para a sala de jantar.
Depois de ter gasto tempo a explorar 89 coisas que não precisava, e ter dado umas 4 voltas ao espaço comercial, acabei por optar por uma caixa de madeira com um saco de papel. E tudo com um valor total inferior ao valor que referi acima - no dia seguinte, já na troca de prendas, calhou-me um VW carocha preto, de plástico (miniatura) que acabei por me esquecer no restaurante - espero que tenha feito a alegria de alguma criança.
Não quis vir embora da loja sem pregar uma partida ao asiático que estava na loja. Pedir algo que imaginei que não tivesse. Um porta-cartões daqueles com fita, para trazer ao peito um cartão de identificação. Em menos de 3 segundos mostrou-me onde estavam uns 100. Arrumei a viola, paguei os 4,60€ e vim-me embora plenamente convencido que as lojas do chinês têm tudo.

domingo, dezembro 03, 2017

Estágio Krav Maga

Realizou-se mais um estágio de Krav. Desta vez o do Inverno quase em simultâneo com o final do ano.
Os estágios são bons momentos para aperfeiçoamento de técnicas específicas bem como para a confraternização com alunos de outras escolas desta modalidade. No final do dia, penso que ganham todos, com a experiência e partilha de conhecimento.
Este ano foi um pouco atípico, pela carga horária que teve associada. Senão vejamos: tive a aula normal de 5F à noite, na minha escola, e 6F começou o estágio, da parte da tarde. Sábado foi todo o dia e Domingo foi da parte da manhã. Na 2F tive novamente aula normal, à noite, na minha escola. Feitas as contas, treinei mais de 20H e 5 dias seguidos. É dose.
Como não podia deixar de ser, há episódios que marcam estes momentos. Em todos os estágios há alguns minutos dedicados ao combate entre dois atletas. Este, em boa verdade, é aquela altura em que todos os atletas podem pôr em prática o que aprendem nas respectivas escolas e claro, no estágio. Quando nos é dada a instrução de calçar luvas e colocar os protectores das tíbias já sabemos para o que é. E usualmente choca-se com a luva na luva de alguém ao nosso lado, aleatoriamente, para fazer uns minutos de combate connosco.
A primeira pessoa com quem combati foi um rapaz (mais novo e mais pequeno que eu) de uma escola do Algarve. Retraí-me um grande bocado porque tinha medo de acertar e magoar. E não é esse o objectivo, naturalmente. Entretanto, mudança de parceiro de combate. Mais uma vez, choque na primeira luva que encontrei. E calhou-me desta vez um colega angolano. Curiosamente manco e com um olho inchado, possivelmente derivado de um golpe anterior desferido por alguém. Aqui sim, o colega de treino era mais forte, mais encorpado e mais conhecedor. A prova disso foram os dois "milhos" que apanhei logo. Quase de imediato e quase seguidos. Um no olho (de raspão) e outro nos dentes. Sim, é verdade, não tinha a boquilha (protecção dentes) posta. Não me magoou verdadeiramente. Foi mais o impacto que qualquer outra coisa. Mas faz parte. Afinal, se tivesse defendido bem não tinha entrado qualquer um dos golpes.
Para o ano há mais. E espero voltar a participar. Mais forte ainda. E a saber amparar melhor os golpes!

domingo, novembro 26, 2017

Pagamentos devidos

Creio que todos estaremos de acordo que devemos receber o que nos é devido. Crescemos nessa realidade. Se me perguntarem se não corro atrás do dinheiro que me devem, é claro que a resposta só poderá ser uma: sim. Se me perguntarem se não gosto de ver a minha conta bancária com o crédito mensal do meu merecido vencimento, a resposta será igual. Mas o meu ponto não é no que toda a gente sabe ou percebe ou mesmo concorda comigo. É um pouco diferente.
Mais uma vez as promessas eleitorais. O que é dito para angariar votos. Para apelar ao lado humano das pessoas. Para lhes tocar no coração: Quem é que no seu juízo perfeito irá dizer que não quer mais poder de compra (i.e. ganhar mais) ou melhorar a qualidade de vida que tem? Pois. É por aí.
E aqui chegamos a mais uma "bota-complicada-de-descalçar": os professores. Com toda a legitimidade reclamam o que é seu por direito. Contudo, estas manifestações irão ter um efeito similar a um fósforo numa seara bem seca. Sendo a seara todas as outras classes profissionais que perderam direitos durante o período da austeridade e quem foram prometidas benesses, assim que houve a "troca de cadeiras", leia-se "troca de Governo". Assim sendo, não auguro bons ventos para este Governo. Aliás, nem para este nem para o próximo. A questão basilar, neste caso em concreto, será a forma como este Governo vai resolver a questão dos Professores. E, a partir daí, a questão dos militares, das polícias e dos Magistrados. Deus me dê saúde para ver as saídas e soluções encontradas. E começar em quem vou votar. Em breve.

domingo, novembro 19, 2017

Método e Disciplina

Método e disciplina são duas características que me são intrínsecas. Se alguém me perguntasse do nada, sem aviso prévio, que características mais aprecio em mim, estas duas figurariam entre as "top 5". Sem qualquer hesitação ou pestanejar de olhos. Passo a explicar as razões das minhas escolhas. Por favor, acompanhem-me.

Método

Sem método não consigo funcionar. Há pessoas que conseguem. Por método entendo possuir, entre outras características, um raciocínio sistemático. Aqui entrará a parte mais técnica (formação em engenharia). Ficariam surpresos(as) com a facilidade com que um texto corrido pode ser transformado numa tabela de duas entradas para uma mente técnica. Ou como os fluxogramas florescem com toda a pujança. Método, para mim, é isto mesmo. De forma sistemática, com um padrão definido de trabalho, encetar esforços para a consecução de um determinado objectivo ou resultado. Há vários métodos de trabalho. Tenho o meu há muitos anos como outras pessoas terão o seu. Poderá não ser o melhor, mas é aquele com que me identifico e até à data, não me dei mal. É necessário que haja método em tudo o que se faz. Sem método, a probabilidade de ocorrência do "caos" ou desorganização é enorme. Pode ser causada, por exemplo, pela falta de rigor. Pelo desleixo ou mesmo pela não capacidade de definição de uma escala de prioridades. Estranho, não é? Também concordo. Mas acreditem quem 90% das pessoas não conseguem definir uma escala de prioridades diária. E isso tem associada uma falta de método flagrante. Com método (quase) tudo de consegue. Basta saber como usar o mesmo.

Disciplina

Conheço poucas pessoas como eu. Muito poucas, ou nenhumas, na verdade. Desde há muitos anos que esta será, penso eu, "a" característica mais vincada em mim. Falo de horários. Falo de pouca flexibilidade ou uma ínfima capacidade de adaptação ao improviso. Mas uma coisa é certa: missão dada é missão cumprida. Umas vezes com mais facilidade, outras vezes com menos. Mas o que é certo é que as coisas são conseguidas. Com esforço, dedicação, empreendorismo e resiliência. 
Há uns anos atrás escrevi aqui sobre a corrida. Quando comecei a correr. É verdade, há bastante tempo. E lembro-me bem dessa altura. Da(s) aplicação(ões) que saquei para começar a correr. Dos treinos que desenhei para mim mesmo, baseado em artigos escritos por especialistas que li na internet. E comecei a correr. Levado para a corrida por uma das minhas primas...apenas tive a companhia dela uma única vez. Maldito "fungo-da-unha-do-dedão-do-pé" que a atirou para o estaleiro!! E fez-me correr sozinho. Corri muito sozinho. E não foi só na Primavera e com temperaturas amenas. Foi de Verão com temperaturas tórridas. E de Inverno com muita chuva e com temperaturas polares, que em muitos momentos me fez pensar que tinha perdido as pontas dos dedos das mãos e dos pés. No entanto, em momento algum vacilei ou pensei em desistir ou furar o meu plano de treino. Impensável. Seria ser fraco. E seria também o princípio do fim. Na medida em que a partir desse momento, ter-me-ía de alguém sem disciplina.
Falta muita disciplina às pessoas. Vivemos na era do "nacional-porreirismo" em que 5 minutos, na cabeça da generalidade das pessoas, não mata ninguém. É certo que não mata, mas também é certo que as pessoas não têm qualquer respeito pelas pessoas que fazem esperar ou pelas instituições que se regem por horários exactos. É essa mesma falta de disciplina que faz com que alguém que dá um toque acidental num carro se vá embora sem deixar um bilhete a identificar-se e prontificar-se para suportar a reparação. Ou alguém que encontra uma carteira num qualquer centro comercial, primeiro veja se tem dinheiro e só depois entrega ao segurança mais próximo.
Irritam-me as pessoas que nunca têm coragem para enfrentar os problemas de frente. Afinal nunca é nada com elas. Chamo a isto indisciplina mental. Mente retorcida e cheia de filosofias baratas que não levam a lado algum. Fico com babas no corpo inteiro só de pensar nesta falta de disciplina e coragem. Enfim. A lista de situações reveladoras de indisciplina é longa. E levar-me-ía a escrever muito. Mesmo muito. Vou vivendo o melhor que posso. Dentro da minha disciplina.

domingo, novembro 12, 2017

Forças de Segurança

Não há no mundo inteiro ninguém que defenda mais as forças de segurança do que eu. É humanamente impossível. E considero forças de segurança, para que estejamos todos na mesma página, quer as forças armadas e autoridades policiais. Este enorme grupo de profissionais é responsável pela manutenção da ordem, cumprimento da Lei e ainda pela segurança dos cidadãos.
O último acontecimento partilhado nos meios de comunicação social (i.e. agressão a um agente da PSP num conhecido miradouro da cidade de Lisboa) por um tipo já referenciado - conhecido - das autoridades policiais. E isto remete-me para outro tipo de discussão: quem são os actuais agentes policiais?
Não é possível responder à questão acima, sem antes falar das provas de admissão às forças policiais (e mesmo forças armadas). E posso falar com conhecimento de causa, na medida em que num passado longínquo também eu realizei provas de admissão para uma instituição militar. E desde então, se a memória não me falha, continuam as mesmas. Sem qualquer alteração. O que não é necessariamente bom ou abonatório quer para a imagem desta instituição quer para outras similares.
Quando refiro que as provas de admissão são as mesmas, refiro-me objectivamente à questão da não adaptação das provas à realidade contemporânea. Ou seja, se as actuais provas de admissão das autoridades policiais forem as mesmas que eram há 30 ou 40 anos atrás, alguma coisa estará mal. A altura e compleição física de um homem de 20 anos nos dias de hoje é naturalmente diferente da compleição física de um homem com a mesma idade em 1972. Esta é para mim uma realidade incontornável.
As provas de admissão servem precisamente para possibilitar às várias instituições a realização de uma triagem, dos candidatos "aptos" e "não aptos" ao exercício de determinada função. O meu ponto, é que não basta perfazer a corrida dos, 12 elevações e 20 abdominais, ou seja, os mesmos critérios que eram utilizados para avaliar a robustez física de alguém há 40 anos! É preciso mais. A minha prima com 12 anos consegue fazer todas as provas de admissão. Sem qualquer problema. Se calhar até o faz em menos tempo. Mas a realidade é que a minha prima não vai fazer patrulhamento nas (complicadas) ruas da cidade de Lisboa. Nem terá de pontualmente, ter de possuir alguma compleição física para deter um agressor do seu tamanho - melhor dos cenários - e maior, no pior dos cenários.
Enquanto houver uma resposta da Tutela no sentido de formar mais agentes fazendo "vista grossa" ao critério da compleição física, muita coisa vai correr mal. Ou ignorar a necessária formação em disciplinas como seja a defesa pessoal, ministrada de forma continuada, para fazer face às situações do quotidiano.E com isto, a opinião pública irá tendencialmente ficar no domínio do descrédito naquelas forças que são responsáveis pela segurança dos cidadãos portugueses. Com os riscos que daí são advenientes...

domingo, novembro 05, 2017

Liderança

Tenho para mim que para se ser líder, são necessárias duas características nucleares: ter pulso e ter coragem. O resto é acessório.
Já lidei com vários tipos de liderança. Algumas com as quais me identificava mais, outras com as quais me identificava menos. O tema é vasto e obriga-nos, inevitavelmente, a aludir a características intrínsecas das pessoas e que podem ser trabalhadas com treino. 
Por um lado, há os traços de personalidade comuns que encontramos nos líderes. O ter pulso, o ter coragem para liderar em tempos difíceis e com equipas desmotivadas - daí ser preponderante a capacidade de motivação. O conhecimento das características individuais dos membros das suas equipas, o ser elemento agregador, possuir experiência de coordenação de equipas, entre tantas outras características que tipicamente são perceptíveis nos bons líderes.
Por outro lado, não havendo os tais traços "normais" e desejáveis, é necessário que seja tornado possível incutir ou, através de treino específico possibilitar haja meios alternativos para a consecução do mesmo objectivo. Reformulando, se uma determinada pessoa (enquanto líder) não se consegue impôr ou fazer valer o seu ponto de vista perante algumas pessoas com quem trabalha, deverá ter formação ou treino especializado para que lhe seja possível o reforço dessa sua característica.
Questão: o que acontecerá se dermos as chaves de um Ferrari a um macaco? Teoricamente, nada. Refiro propositadamente o "teoricamente", porque com treino talvez pudesse haver uma acção que fosse ao encontro das nossas pretensões.
Como já vem sendo natural em mim, consigo perceber duas formas de abordar a questão: pessoas que não tendo perfil de líder foram designadas como tal - tipicamente pessoas que têm experiência profissional relevante para a função e como tal são elegíveis para a mesma - e que nunca serão bons líderes, por via de não terem as tais características ou o perfil de líder. São bons executantes. Só isso, sem mais. E este é o grosso dos líderes que temos por cá (Portugal). Pessoas que ocupam cargos de responsabilidade só porque...trabalharam em algo parecido (experiência profissional). Mas sem todo o necessário complemento e bagagem para ser líder. Com uma grande probabilidade de até ser a antítese (i.e. tímido, ansioso, inseguro, falta de confiança em si, etc.).
Por outro lado, há pessoas designadas como líderes e que têm experiência profissional nula ou perto disso. Bom, o "caminho das pedras" nestes casos será naturalmente mais complicado. Para começar, designar um líder numa organização em que há outras possibilidades válidas para esse cargo, pode causar algum ruído e mal estar. Ainda derivado desta situação, a aquisição de conhecimento não será fácil porque o conhecimento detido por outras pessoas não será partilhado e consequentemente a conquista do "espaço" e reforço da posição será demorado. Se é que tal será possível.
Hoje em dia há no mercado empresas de formação com profissionais especificamente vocacionados para treino de pessoas que têm atribuições profissionais de líderes. Contudo, há uma fortíssima aversão ou relutância por parte das organizações em cabimentar verba para este tipo de formação. À boa maneira portuguesa, as organizações entendem que as tais características se tiverem de ser melhoradas, que o farão por si. Erro crasso. E está à vista o resultado...

domingo, outubro 29, 2017

Lidar com os imponderáveis

Estou certo que não é a primeira vez que desenvolvo o tema. E mais certo ainda estarei que não será a última.
O ponto é simples. Para pessoas que têm a vida mentalmente organizada ou estruturada - como é o meu caso - lidar com os imponderáveis ou imprevistos da vida, se preferirem a terminologia, revela-se uma tarefa (muito) desafiante. Profissionalmente poderá ser, por exemplo, o pedido de elaboração de um relatório que surge meia hora antes do final do dia de trabalho. Em casa, por exemplo, a necessidade de ir ter com um amigo ou amiga que ficou com o carro avariado às 2330H numa das piores noites do ano, com chuva e frio. Dois pequenos exemplos que poderão espelhar bem o que falo.
É natural que as coisas acabam por ser conseguidas. O relatório é produzido e ajudamos o tal amigo ou amiga. A minha questão é a forma como se lida com isso. Pessoalmente falando, não é fácil. Porque o meu "mindset" terá de ser alterado e adaptado a uma nova situação. A necessidade de produção do tal relatório deveria ter surgido mais cedo. Ou se o carro já estava a ameaçar que ía parar um dia, não deveria ter sido utilizado. Parece simples, esta forma linear e imediata de ver as coisas. Mas não é possível determinar de forma tão peremptória as coisas na nossa vida. E aqui surge a utilização da palavra "imprevisto". Algo que não estávamos à espera.
Ainda que sendo uma pessoa pouco receptiva a mudanças que podem alterar significativamente a minha forma de estar (afinal um relatório produzido em pouco tempo poderá não ser a referência em termos de qualidade ou a probabilidade de apanhar uma gripe das antigas ser enorme, ao sair de casa a desoras com mau tempo), o que é certo é que as coisas acontecem. Pode demorar um pouco mais a "mudar a agulha", mas acontece. Quase sempre bem. Porque o empenho e dedicação acaba por ser o mesmo. Mas conheço pessoas cuja capacidade de dar resposta aos imprevistos é nula. Por via de bloqueios naturais ou incapacidade de se adaptarem a novas situações. Tenho para mim que a nossa sociedade de brandos costumes acaba por "proteger" estas pessoas. Profissionalmente, na medida em que é conhecida a sua incapacidade para dar resposta à tal solicitação do tal relatório, alguém o fará. Na vida pessoal, se todos os amigos(as) souberem que é uma pessoa que dificilmente sairá de casa numa má noite para ajudar, o telefone daquela pessoa não tocará. Infelizmente ocorrem-me vários nomes. E curiosamente de pessoas bem próximas.

domingo, outubro 22, 2017

Caracas e Curaçao

A semana passada, em trabalho tive de me deslocar a Caracas (Venezuela) e a Curaçao. O objectivo era auditar duas empresas de manutenção e ainda dar formação a mecânicos locais.

Caracas

Começando pela Venezuela. Caracas tem o típico clima que detesto: muito quente e abafado, juntamente com uma humidade altíssima. Resultado? Basta sair do hotel, de banho tomado, para se ficar a suar de novo. No presente momento, a Venezuela tem uma inflacção que ronda os 800%. Os preços de alguns produtos (i.e. bens essenciais) sofrem aumentos todos os dias. 
A título de curiosidade, no dia 17.10.17, o salário mínimo na Venezuela era de 325.544 Bolívares (Bs) - moeda oficial da Venezuela.  Comparativamente à nossa moeda (€) a correspondência é de 1 € = 39.000 Bs. Isto no mercado oficial. Há um imenso mercado paralelo (ou mercado negro) onde o valor sobe exponencialmente. Agora, e para se ter uma ideia do preço dos produtos: 36 ovos custam 36.000 Bs, 1kg de carne tem um custo de 50.000 Bs, 1 pão são 7.000 Bs, 1 Kg tomates são 15.000 Bs e um 1kg de arroz tem um preço de 15.000 Bs. Por descargo de consciência tentem realizar o exercício de preparar uma refeição (ou duas) com o salário mínimo. Complicado, certo? Também me parece.
A Venezuela vive presentemente um momento complexo. Politicamente complexo. Foi sujeito a um sufrágio (acto eleitoral) muito recentemente sendo que o actual partido político - e responsável pela depressão que o país vive actualmente -  conquistou (curiosamente) 17 dos 23 centros eleitorais. Curioso, não? Pois. O povo venezuelano também acha o mesmo e avança com manipulação de resultados à boca das urnas. O mais grave, e agora falando do meu sector (aviação), é que muitos operadores internacionais que voavam para Caracas, deixaram de o fazer por via da insegurança que se vive e da instabilidade social sentida nas ruas. Como consequência deste êxodo ou não investimento na rota de Caracas há uma natural contribuição para o agravamento da situação económica do País.
O mais curioso é que a Venezuela é um país riquíssimo. Com riqueza natural abundante, como seja petróleo e aço. Entre outros. Com 90,00€ podia-se, à data que referi acima, encher 1.200 vezes o depósito do meu carro. É verdade. O custo do litro de combustível é ridiculamente baixo. 

A arquitectura e as ruas dificilmente poderia ser pior. A zona do nosso hotel era calma e com harmonia arquitectónica na envolvente, mas os demais locais por onde passámos, não o eram. No primeiro dia que chegámos a Caracas fomos aconselhados a não andar a pé pelas ruas para nossa segurança. Para se ter uma ideia, há 12 homicídios diários nesta cidade. E quem já viu o "Narcos", série original da Netflix, irá ver muitos "lugares comuns". Motorizadas com dois ocupantes sem capacete e muita pobreza na rua. Uma réplica da Colômbia, portanto, País com quem a Venezuela faz fronteira. Deixei a Venezuela com sentimento de pena, pelo facto de ser um País com imensas potencialidades, mas onde a corrupção fala mais alto. E daí haver uma disparidade tão grande entre classes sociais e uma inflacção asfixiante. 

Curaçao

Uma ilha. Com mais contras que pontos a favor, naturalmente. Foi uma colónia da Holanda pelo que é usual ver-se muitos holandeses na ilha. Fica a cerca de meia hora de Caracas e não podia ser mais diferente.
Curaçao é sem dúvida um destino turístico. Nota-se bem o investimento em infra-estruturas (i.e. hotelaria) e também no centro da cidade numa tentativa de tornar um destino mais apelativo. Refiro propositadamente o centro da cidade, porque aparte desta zona da ilha, tudo o resto, em redor, é muito similar ao que vi em Caracas. Um pouco melhor, mas igualmente pobre e (quase) abandonado. Ou seja, um pouco diferente das fotos de praia com areia branca e água verde - que há, atenção! Mas..não é só isso que se vê!


Por via de ser um destino de férias dos holandeses, o custo de vida na ilha é substancialmente mais caro que em Caracas. As moedas aceites são o "florim" e o dólar americano e claro que os preços são devidamente ajustados. O hotel em que fiquei hospedado não deixa qualquer saudade. Os quartos mal limpos, a humidade no tecto do WC e uma alcatifa com aspecto de não ser bem limpa desde....que o hotel era novo, ou seja, final da década de 80!

Tive a oportunidade de ir ao centro de Curaçao. Interessante. Salta à vista os edifícios com cores vivas. A razão pela qual isso acontece - e que me venderam - é que houve em tempos um "Governador" (que no caso seria o equivalente ao nosso Presidente da República) uma vez terá dito que sempre que abria as janelas via só branco e que tal o deprimia. Daí, haver as várias cores:

Pessoalmente até consigo achar alguma piada. Notei igualmente uma grande presença de americanos na minha curta estadia. Basicamente, e para estes turistas, trata-se de um destino com bom clima, e com um custo de vida bastante aceitável (para não dizer baixo, tendo em consideração os vencimentos). Para um europeu como eu, e proveniente de um país do Sul da Europa, a realidade não será bem a mesma. Mas mesmo assim, com alguma ponderação é possível passar-se uma boa temporada. Por exemplo, o nosso cicerone disse-nos logo que o hotel em que tínhamos ficado não tinha piada alguma e mais tarde mostrou-nos aquele em que podíamos ter ficado se tivéssemos efectuado a reserva por ele. E...tinha sido bem melhor!! E mais barato.

A viagem foi muito cansativa, especialmente no regresso a Lisboa. Viemos via Miami. Depois de Miami, rumámos a Madrid e depois de Madrid, finalmente Lisboa. Com tudo isto, saímos de Curaçao no Sábado às 1600H e chegámos a Lisboa à mesma hora, mas no dia seguinte (hoje). Amanhã terei de folgar para que o meu organismo recupere desta viagem intensa e para retomar o trabalho!  

domingo, outubro 15, 2017

Viagem

Em trabalho, terei de ir à Venezuela e a Curaçao. Não tenho grande expectativa para qualquer um dos destinos. A única coisa que sei é que será uma viagem muito cansativa. Mais detalhes na semana que vem!

domingo, outubro 08, 2017

Troca de carro

É verdade. Mais uma vez. Vou trocar a carrinha por um outro menino. Bonito, "raçudo". Diferente. 
O negócio foi fechado ontem de manhã. Pelo meio, a habitual negociata, quer com vendedores, quer com pessoas conhecidas que desde sempre manifestaram interesse na compra do carro, mas quando confrontadas directamente passaram a achar caro. Acho engraçado. Só engraçado. Nota: Certamente quereriam que o desvalorizasse de tal forma que no final do dia ficasse eu a perder e eles a ganhar. Lindo.
Com o passar dos anos e a experiência de vida capitalizada, negociar automóveis passa a ser uma valência importante (tipicamente) do homem adulto. No sentido de não ser (tão) gamado. Na hora da compra de um carro, os vendedores tornam-se os nossos melhores amigos. Na hora da retoma, nem tanto. A menos que se queira trocar por outro carro que está a vender! Afinal, é tudo uma gestão (hábil) da chamada "margem de lucro". E o quão dispostos estão a esmagá-la para ficar com o negócio.
Informei-me com várias pessoas acerca deste negócio. Se no início pareceu-me pouco interessante, em termos de valor, com alguma tenacidade (e cedência) da minha parte, fui levando a água ao meu moinho. No final do dia não será "o" negócio da minha vida, mas tenho a certeza de ter feito um negócio justo. Avaliando o facto de ser uma retoma e o valor que está a ser pago, é um bom negócio.
A questão que certamente paira neste momento nas vossas cabeças será...porquê trocar um carro (sim, o carro que estou a trocar tem 4 anos). Por várias razões.
Em primeiro lugar porque o carro que estou a entregar tem um bom valor comercial neste momento. Mais baixo do que inicialmente pensei, mas ainda assim um valor simpático. Sendo que estou certo que o não terá daqui por mais 2, 3 anos. Em segundo lugar, porque começa a haver algum tipo de "movimentações" nos grandes fabricantes automóveis no sentido da adopção das tecnologias limpas: veículos híbridos ou eléctricos. O que representará uma mudança de paradigma para entidades que têm estruturas e tecnologia de ponta no desenvolvimento de motores a gasolina e gasóleo. Por imposição da Comissão Europeia, terão os construtores automóveis de começar a pensar em tecnologias limpas e alternativas. Na minha perspectiva, a curto prazo haverá uma aposta dos mesmos nos veículos híbridos, posteriormente 100% eléctricos e mais tarde o recurso ao Hidrogénio.  Tudo faseado. E afirmo isto tendo presente o desenvolvimento tecnológico e as soluções que actualmente há e estão na calha no horizonte temporal dos próximos 2-3 anos.
Consequentemente, e em pouco tempo, as "baterias" vão virar-se para os carros mais poluentes actualmente existentes. Como se sabe, é representada pelos carros a gasóleo. O que acho que vai acontecer é que o mercado de usados vai ficar inundado com estes carros (gasóleo). Excedente. Que acontece quando há muita oferta e pouca procura? O custo baixa. Ou seja, o valor dos carros vai diminuir. Concluindo, um carro a gasóleo que vale hoje "X" não manterá esse valor. Claro que com os anos se perderá sempre valor comercial, é certo, mas a perda será (ainda) mais acentuada, é o que quero dizer.
Em terceiro lugar, a utilização do carro a gasóleo. Aqui realizo um acto de contrição. Também eu embarquei durante muitos anos - houve uma interrupção em 2005 em que tive um carro a gasolina - na febre dos carros a gasóleo. Teve início em início da década de 90 com a importação da sucata automóvel da Alemanha, Bélgica e França. Estes países, principalmente. Contudo, a realidade destes países é naturalmente antípoda à nossa. Extensões geográficas maiores, o que justifica, só por si, a escolha do gasóleo. Em Portugal, e a menos que se faça 20.000 quilómetros / ano, não se justifica esta escolha. São carros mais caros, motores mais pesados e embora visitem menos a oficina, quando o fazem, o preço da manutenção é mais oneroso.
Havia duas vantagens: custo do combustível / consumo e valor de retoma. Quanto ao preço de combustível essa é uma realidade que hoje em dia tende a ficar cada vez menos flagrante. Os preços estão praticamente os mesmos. O mesmo acontece com os consumos. Há inclusive carros a gasolina, do mesmo segmento, que consumem menos que as motorizações a gasóleo. Aliado a um custo de combustível praticamente o mesmo, não será uma escolha racional nos dias que correm. O valor de retoma do carro a gasóleo poderá ser ainda apetecível, mas durante pouco tempo. Mais um ou dois anos. E depois começa a desvalorização (que falo acima) destes carros.
Para concluir, moro perto do local onde trabalho. Os meus carros não aquecem num percurso que com trânsito demora 5 minutos. Carros a gasóleo que perfazem continuamente trajectos curtos vão ter em algum momento da sua vida um problema: filtro de partículas, que não é mais componente dos carros a gasóleo que filtra as partículas em suspensão do fumo de escape). O filtro de partículas actual tem associada uma temperatura de funcionamento que, de forma simplificada, decorre do tempo de utilização ou funcionamento do motor. Se um carro só fizer trajectos curtos ou funcionar em curtos períodos de tempo, é provável (sem ser matemático) que possa vir a ter problemas com este componente.
Estou feliz pela minha escolha. E contente por ter conseguido uma escolha equilibrada e justa.

domingo, outubro 01, 2017

Subserviência

Fui educado no sentido de, entre outras premissas, tentar manter sempre uma base de respeito com os demais. Dirigir-me a pessoas mais velhas com a respectiva e desejável deferência. Ou a pessoas que não conheço e com quem não privo habitualmente. Tentar manter sempre uma distância de respeito. E um nível seguro de educação.
Ao longo dos anos mantive-me fiel a isto. Que sustenta quem sou. Por muito que possa causar incómodo a algumas pessoas. Porquê? Porque digo o que não deve ser dito. Porque incomodo. Porque sou não raro repreendido por ser "fracturante" ou "incisivo" em demasia. 
Contudo, tenho-me deparado com pessoas que vivem a vida de forma diametralmente oposto à minha. Que de forma flagrante e quase obscena prestam vassalagem a outras pessoas. Que são desprovidos de coluna vertebral com o intuito de conseguirem o que querem. Isso "é só" um reflexo de alguém menos honesto. E que naturalmente, em termos de carácter da pessoa em causa, diz tudo. 
As regras, procedimentos e normas da vida quotidiana são para serem cumpridas. Se por exemplo, ao chegar ao carro estiver um polícia a autuar-me por estar mal estacionado - e se estiver numa zona de paragem e estacionamento proibido - na minha concepção das coisas, não tenho absolutamente nada de estabelecer qualquer tipo de conversa com o agente da autoridade. Nem tampouco pedir-lhe desculpa por ter abusado da sua bondade. Não me faltava mais nada! Identifico-me como proprietário do carro e aguardo pacientemente que acabe de passar a multa - esperando que não cometa nenhum erro ortográfico ou imprecisão nos dados. Na primeira oportunidade e no mais curto espaço de tempo pago ao Estado a minha dívida por desleixo. Outras pessoas começariam a apelar ao lado bom do agente da autoridade. Não há paciência. Como este exemplo que dei, há milhões. E muitos deles bem próximos de nós...

domingo, setembro 24, 2017

Fim do Verão

É verdade. Para mim, são algumas as coisas que estão intimamente associadas ao final desta estação do ano: o aparecimento dos dias mais pequenos (e da mudança da hora associada), o arrumar a roupa do Verão e os dias mais frescos e húmidos. Mais tarde, chuvosos.
Este Verão, como aqui dei conta, foi marcado pelo meu regresso à praia, depois de 1,5 ano de interregno. É verdade. Lá terei as minhas razões, mas posso referir sem problema algum que encontrei a fórmula de sucesso: ir para a praia mais cedo e voltar à hora de almoço ou ao final do dia, como aconteceu numa das últimas vezes que fui à praia e aqui também partilhei.
Só por si, o regresso à praia era suficiente para "ter ganho" o Verão. Aproveitei melhor os fins de semana com excelentes passeios a pé. À excepção de um fim de semana, consegui, desde finais de Maio até agora (finais de Setembro) usar sempre calções ao fim de semana. E se me soube /sabe bem...
As temperaturas que se fizeram sentir não foram abusivamente altas, o que me agradou particularmente. Foi um bom Verão, este!

domingo, setembro 17, 2017

Falta de tempo

Já aqui escrevi umas linhas sobre a falta de tempo e as nossas prioridades. Para quem me conhece e começa já a dizer que não com a cabeça, o texto também se aplica a mim - um acto de contrição, se quiserem.
Costumo dizer que todos temos uma "agenda": a nossa família, o nosso trabalho e as nossas relações (independentemente do grau de afeição que possa haver nas mesmas). Contudo, a priorização que estabelecemos das nossas agendas é diferente de pessoa para pessoa e não raro, há expectativas que saem goradas.
A palavra certa é essa mesma : expectativas. Por exemplo, o imaginarmos que em algum momento entendemos que uma determinada pessoa vai agir de certa forma. Uma forma que entendemos (na nossa ideia) que seria a correcta. E por alguma razão as coisas não correm dessa forma. Daí advém facilmente o sentimento da frustração. Quem não passou já por isto? Pois.
Intimamente associado a tudo isto está a questão da falta de tempo. Ninguém gere a sua agenda de tal forma eficiente que consiga acudir a todas as solicitações. E acredito que sejam muitas e das mais variadas origens!
As boas notícias são que..é bom que hajam solicitações. Sejam de que tipo forem. Afinal somos importantes e alguém lembra-se de nós. A partir daí, e mais uma vez, "apenas" temos de gerir prioridades. As más notícias é que há um risco enorme de, pelo caminho, defraudarmos as expectativas de alguém. E acredito (e sei) que isso acontece com uma facilidade assustadoramente grande. Pelo facto da ordem de prioridades de duas pessoas não ser necessariamente a mesma. Esta constatação leva-me inevitavelmente a pensar que a vida é curta. Passa depressa. E que nada acontece por acaso. E que por vezes as coisas passam-nos ao lado...para não mais voltar a passar. Dá que pensar. Até ao próximo Domingo!

segunda-feira, setembro 11, 2017

Passeio Douro Vinhateiro

De memória, penso que foram raras as vezes que aqui falei do Norte de Portugal. Devo ter feito uma ou outra alusão ao Porto, mas de resto, pouco ou nada. O que acaba por ser normal, na medida em que mais nada conhecia além do Porto, até este final de semana.
Foram dois dias que dificilmente irei esquecer. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque fiz uma das coisas que mais gosto de fazer: todo-o-terreno. Em segundo lugar, porque pude experimentar a sério o jipe e não podia ter ficado mais contente com as prestações do mesmo, depois de tanto revés, como aqui fui partilhando. Em terceiro e último lugar porque fui brindado não só pela magnífica paisagem, bem como pelo facto de ter estado um fim de semana com um tempo espectacular.
Não tive muita oportunidade de lidar com as pessoas do Douro. Este evento foi milimetricamente organizado e sem grande tempo para se poder socializar com estas pessoas. Imaginem o que seria se cada um dos participantes se pusesse na conversa com os locais...facilmente se percebe que o mesmo talvez durasse até às Janeiras de 2018 - sim, eram muitos participantes!
As paisagens são lindíssimas. A visita a Foz Côa é obrigatória. A subida do Douro a barco e a descida de comboio usando a linha do Tua é obrigatória para quem quer realmente perceber a beleza nas margens do rio. E claro, não podia deixar de falar de Trancoso, que já conhecia do meu passeio a Santiago de Compostela.
Visitar o Douro Vinhateiro e não falar do vinho é quase um sacrilégio. Contudo, e infelizmente, não sou apreciador. Prefiro os vinhos do Alentejo. Se calhar não tão frutados ou não tão encorpados como os vinhos da região do Douro, mas mais do meu agrado. São gostos, no final do dia.
Quando se faz um passeio (bem) organizado, não só não há muito tempo livre - por forma a optimizar a agenda do evento - bem como já está tudo programado. Especialmente os locais onde se vai pernoitar e visitar e onde, naturalmente, se come. E aqui uma pequena nota de tristeza, porque os menús eram simples e daqueles que se podem comer em qualquer parte do País. Ou seja, sem serem de gastronomia típica. Globalmente, adorei o fim de semana. Óptimo e para repetir, com mais calma para poder usufruir em pleno de tudo o que esta região do País nos pode oferecer. Próximo destino...Alentejo! Claro!

domingo, setembro 03, 2017

Programas não programados...

Há programas que fazemos que têm um sabor diferente quando não são combinados. 
ão tenho tantos exemplos quanto isso, mas os que tenho são, sem qualquer sombra de dúvida, únicos.
Tudo começou com uma combinação de uma ida à praia. Sim, é verdade...eu (quem diria) a combinar uma ida à praia com um dos meus melhores amigos (um dos Jõoes - já aqui falei dele).
Muito resumidamente, o que sucedeu foi que em vez de aparecer só o João e a respectiva mulher e filha, apareceram também os irmãos (irmã e irmão e apêndices respectivos). Ou seja, em menos de nada, tinha um grupo na praia como há muito tempo não tinha e na qual fiquei na praia até desoras. Como há muito não ficava e se foi um dia bem passado!
A seguir à praia todo o grupo foi para "o petisco" e cheguei a casa já passava da meia-noite. Excelente programa (não programado) e em excelente companhia!!

domingo, agosto 27, 2017

Boxe

Há dias teve lugar o tão aclamado "combate de boxe do século". Ainda que alheado do mundo do boxe, resolvi encher-me de coragem e naquele início de madrugada, cheio de vontade, despachei-me cedo (2400H) para começar a seguir atentamente tudo o que se passava.
Os combates de boxe importantes têm algumas particularidades: são caros e movem multidões. Só com estes dois detalhes e rapidamente chegamos a valores movimentados / gerados na casa dos 7 algarismos significativos. Em menos de um fósforo.
Este combate em particular era  nem mais nem menos do que um desafio. Simplificando, um atleta de uma outra modalidade (MMA, desporto que congrega várias artes marciais e não só) desafiou um pugilista profissional com um "curriculum" isento de derrotas. Mais precisamente, 49 vitórias. Algo notório e invejável, portanto. E que naturalmente avivou o mundo das apostas. Muita gente deve ter apostado...e deve ter tido um retorno que lhe permitirá estar com um sorriso proporcional ao montante apostado. Ou seja, durante uns largos meses.
Para quem como eu que muito recentemente começou a treinar boxe (sim, é verdade) e que de forma esforçada tenta apreender as várias técnicas que há, foi com confessa e reconhecida curiosidade que "abanquei" na sala de estar para ver o combate com todo o conforto e calma. 
Pensei eu que conseguia ver nas calmas os 6 ou 7 combates que foram transmitidos antes "do" combate. Combates de somenos importância. Escusado será dizer que não foi possível chegar até às 2430H sem adormecer umas 4 vezes. E ainda não tinha começado a noite....
O combate propriamente dito teve 10 rondas (rounds no inglês) num total máximo de 12 acordados previamente. Ou seja...quem aguentasse mais pancada de pé, ganhava. Claro que o "desafiador" foi previamente avisado quanto à não permissão de utilização de uma série de golpes que utiliza habitualmente nas suas lutas e não são autorizados no boxe profissional. Sob pena de ter de sofrer sanções (e multas). E claro que o "desafiado", macaco velho em final de carreira, geriu o cansaço do outro (que está habituado a resolver as coisas em 2 rounds). E cansou-o até ao 10º. Os resultados são óbvios. 
Para não me adiantar muito mais no texto, vou resumir a minha apreciação. Não gostei do que vi. O combate começou eram 0500H e fui dormir eram 0635H. Nem nas minhas noites mais loucas  em que saía (e isto desde sempre) fiquei acordado até tão tarde. Fui deitar-me com um amargo de boca. Afinal, tanta coisa para nada. Um pugilista em final de carreira, com 40 e poucos anos de idade que quis sair em grande. E trabalhou para isso. Um atleta de "MMA" com 29 anos que quis mostrar ao mundo que era capaz de desafiar o melhor do mundo noutra modalidade. No final do dia, o pugilista encaixou 300 milhões de dólares na sua conta bancária e o outro atleta, 100 milhões de dólares. No meio disto tudo, demorei uma semana inteira a recuperar o sono.

domingo, agosto 20, 2017

Aplicações GPS

Sou uma daquelas pessoas que em décadas deverá ter usado o GPS umas dez vezes. No máximo. Sou do tempo de usar um aparelho que se colocava no vidro da frente do carro, com um "chip" comprado à parte com mapas. E assim eram feitas as viagens.
Alguns anos mais tarde, os próprios carros começaram a disponibilizar este equipamento como extra - hoje em dia a generalidade já traz como equipamento de séria. E já tive alguns carros com GPS. E finalmente o advento dos"smartphones".
Já aqui falei - embora de forma passageira - sobre a potencialidade destes pequenos aparelhos (hoje em dia pequenos outrora do tamanho de tijolos de alvenaria). Falarei com mais profundidade dos mesmos num próximo texto dedicado.
Com a chegada destes aparelhos, e legítimo dizer-se que só se perde quem quer. Ou porque não sabe o que é um GPS ou porque não tem um telefone esperto. Em jeito de acto de contrição, aqui o escriba andou uns bons anos sem perceber a funcionalidade que tinha à distância de 2 cliques e que lhe permite em menos de nada obter as direcções para qualquer ponto no planeta Terra. Estamos a falar de algo que tem associada uma precisão muito elevada (i.e. georeferenciação por satélite) e em alguns casos com um erro inferior a 1 metro!
O texto de hoje é escrito pelo facto de há algumas semanas atrás ter visto um "flash" de velocidade numa conhecida artéria periférica à cidade de Lisboa. É verdade. Não ía muito depressa, mas para aquela via estava em velocidade excessiva. Possivelmente receberei um postal em casa. A ver vamos. Bom, e o que tem uma coisa a ver com outra? Eu explico.
Há actualmente aplicações para os nossos telefones que ajudam (e muito) o condutor. Seguem o princípio de interacção dos condutores com a própria aplicação, em detrimento de uma solução "fechada" como havia no antigamente. Basicamente, os vários condutores que têm este tipo de aplicações instaladas nos telefones, usam-nas para ajudar todos os outros. Todos ganham. Desde segmentos no percurso de "A" para "B" onde é expectável mais trânsito, desde ter uma ideia de qual a hora de chegada tendo em consideração a fluidez do mesmo, eventos durante o trajecto (e.g. carros parados na berma, acidentes, trânsito intenso) e claro, as alternativas propostas para o trajecto inicial, por forma a não demorarmos 2 semanas a chegar ao mesmo, enfim, muitas vantagens.
Mas há uma funcionalidade que também está disponível em algumas destas aplicações e que podia ter evitado que tivesse visto o tal clarão naquela noite: a localização de radares de controlo de velocidade. É verdade. Trata-se nem mais nem menos do que a localização exacta dos pontos onde estão instalados os radares de controlo de velocidade. Não acho mal. O controlo de velocidade é tipicamente realizado em locais onde a probabilidade de ocorrência de acidentes é superior (i.e. histórico de acidentes ao longo dos anos num determinado ponto). Sendo instalados estes radares nestes pontos, há um propósito claro de minimizar a probabilidade de ocorrência dos acidentes nos pontos. No final do dia, se numa determinada zona, o condutor tiver conhecimento que há instalado um radar de controlo de velocidade, abrandará o seu ritmo e consequentemente deixa de haver "tanto" perigo e talvez seja evitado mais um acidente. Pelo menos causado pela velocidade... Mas era necessário a instalação destes radares? Sim. Por um lado pela receita extraordinária que representa para os cofres do Estado. Quem prevarica, paga - e agora fica sem pontos na carta de condução. Por outro lado e sem haver a sanção ou coima associada, ninguém respeita os limites de velocidade. Tem de haver uma responsabilização dos condutores. E já não vai lá com campanhas de sensibilização rodoviária.
Desde o dia em que vi o "flash" passei a usar uma conhecida aplicação. Não vou dizer o nome para não fazer publicidade, mas há várias aplicações que fazem este tipo de serviço. A grande desvantagem é mesmo o consumo de bateria. No caso do meu telefone, que não é certamente uma referência pela autonomia, vai-se num instante. Mas ando informado. Depois de ter "visto a luz". Casa roubada, trancas à porta.

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...