Esta semana que agora termina foi marcada pela realização de não uma, não duas, mas quatro auditorias. Auditorias em vôo, ou seja, mais não foram que a avaliação dos procedimentos dos pilotos e dos tripulantes de cabina em operação. Correu tudo optimamente.
Naturalmente que não seria uma viagem minha se não fosse marcada por algumas peculiaridades. Em 4 dias devo ter dormido, no máximo, 14H. Quando se planeia uma viagem olhando para a minimização dos custos e a optimização do tempo de auditoria, é normal que assim seja. Passei pela Holanda, França e EUA. Não irei tomar o v/tempo com detalhes técnicos de auditorias específicas. Nem tampouco poderei partilhar, infelizmente para mim, detalhes das cidades onde estive, tão somente porque não tive (literalmente) tempo para as visitar. A não ser nos EUA onde estive no "ground zero" onde teve lugar o 11 de Setembro de 2001
O pouco tempo sobrante que tinha servia para tomar um duche, encostar um pouco, fazer o "check-out" do hotel e partir para o próximo destino.
A primeira situação, que aconteceu, foi à saída da Holanda e tendo como destino França. Esteve relacionado com o transporte de dois volumes numa companhia aérea "low cost" - devidamente informado no "site" da companhia. Na medida em que era impraticável levar todo o meu material num só "trolley" optei por levar também uma mochila. Fi-lo consciente, quando fiz as malas em Lisboa. Já calculava que pudesse haver confusão. Claro que na altura do embarque para o avião desta companhia aérea, fui barrado. Uma das funcionárias informou que um dos meus volumes teria de ir para o porão. O meu colega (com quem fiz este conjunto de auditorias) já tinha passado estas dupla de funcionárias com apenas e só um "trolley" - sendo que era o dobro da dimensão do meu...E do outro lado da barreira insistia que eu passasse e não fizesse caso do que me tinham dito. Impossível. Não dava. E foi quando ele me disse para colocar o cartão de "crew" (tripulante) que tenho não sendo, porque facilita quando temos auditorias como estas que nos propúnhamos fazer. E de repente, quando a 2ª funcionária olha para mim e percebe que sou "tripulante, mandou-me avançar. Épico, portanto.
A segunda situação sucedeu já na entrada nos EUA. Qualquer pessoa, que pretenda visitar aquele país tem de ter na sua posse o "ESTA", que não é mais que um visto de entrada de passageiro. Na medida em que estive em Outubro passado em solo norte-americano, tive na altura de solicitar a emissão deste visto/autorização. Nota: O "ESTA" é algo que, em caso de haver necessidade, não demora a ninguém mais do que...5 minutos a ter em sua posse. Na medida em que o meu "ESTA" está válido até Maio do próximo ano não me preocupei mais com o tema. A não ser quando viajei de França para a terra da estátua da liberdade.
Neste tipo de auditorias, para acelerar os processos de segurança aeroportuária, entramos com a tripulação, ou seja, vamos fardados como se tripulantes fossemos (daí o tal cartão de tripulante que refiro acima). Será complexo, imagino eu, para quem está a realizar a tarefa de segurança aeroportuária entender alguém que está a entrar com uma tripulação esteja vestido à "civil". Neste caso em particular, todos os tripulantes tinham um visto especial para entrada nos EUA por razões operacionais. E claro que eu não tinha. Resumidamente, tive de preencher um formulário específico, à chegada aquele país (imigração), destinado a passageiros, estando eu fardado. Mais à frente entregar este formulário preenchido a outro segurança do aeroporto que ficou visivelmente baralhado. Ainda tentou dizer algo, mas desapareci no meio dos tripulantes evitando assim uma explicação de 3/4 de hora.
E eis que somos chegados ao hotel em Nova Iorque. Foi algo que nunca me preocupou porque preparei toda a viagem com muito tempo de antecedência, para mim e para o meu colega e tinha comigo todas as confirmações que necessitava. Os dois únicos temas que eu sabia, desde o início, que podiam dar um pouco mais de trabalho, estavam ultrapassados (i.e. bagagem extra e imigração nos EUA), mas aparentemente havia um novo: embora os quartos estivessem reservados, faltava pagar os mesmos. E aquela hora (2230H locais e 0530H em Portugal) pouco podia fazer senão usar o meu cartão de crédito. Optei por não pagar e esclarecer tudo na manhã do dia seguinte com a Directora Comercial do hotel com quem tinha trocado várias mensagens 1 mês e meio antes. Nota: mais tarde acabou por se resolver tudo. Houve um erro da tal Directora que não divulgou a informação recepcionada.
Fui para o quarto descansar. O meu quarto estava situado no 42º andar. É verdade. Bem alto. Carreguei primeiro, não sei bem porquê, para o botão do 4º andar. Mas claro que não era. Era mesmo lá mais para cima. E enquanto tentava decifrar como funcionava o elevador, o mesmo foi puxado primeiro para um 54º andar e depois novamente chamado para o 27º andar. Foi neste andar que entrou uma colega minha (hospedeira) - que já teria feito o "check-in" e já estaria no seu quarto. Transtornada porque tinha percebido que deixado o "trolley" dela na entrada do hotel, por altura do "check in". Curiosamente, como fui o último a subir, tinha reparado em dois "trolleys" e disse-lhe isso mesmo, que estariam dois "trolleys". Um deles, o dela, tinha uma etiqueta vermelha. Ficou visivelmente mais aliviada. E ainda lhe disse que estava ao lado de outro "trolley" que alguém se teria esquecido. Lá cheguei ao quarto, despi-me, tomei um duche e quis pôr o telefone à carga. E eis que verifico que não tinha o "trolley" comigo. Só a mochila. E percebi de quem era o 2º "trolley" que estava na recepção do hotel. Lá vesti a camisa da farda, as calças e os mocassins sem meias. E fui lá abaixo buscar o que lá deixei.
O último dia foi marcado pelo facto de termos conseguido "upgrade" de económica para executiva. Faz toda a diferença em viagens grandes. E porque merecia depois de tanta adrenalina!