É mais forte que eu a minha ligação com os carros. Bem mais forte. Acabei por comprar um automóvel clássico para fazer companhia ao meu económico comercial de dois lugares, branco, com que tenho andado nos últimos tempos.
Trata-se de um carro com da minha geração. E que, tal como a mim, também fez parte do imaginário de muitas pessoas da minha idade. Não será uma escolha racional ou tampouco lógica. Muito motor para a pouca chapa que tem. Típico dos carros dos saudosos anos 90. Tudo isto com um sobejamente conhecido sistema de travagem deficitário...Eis que temos o cartão de visita deste novo menino cá de casa.
Infelizmente tenho conhecimento de algumas histórias que tiveram finais menos felizes. Um carro que, exactamente por fazer parte da "wish list" de muitos jovens, acabava por, em alguns casos, ceifar vidas, derivado do desconhecimento de se perceber bem o que se tinha nas mãos. E, claro, de respeitar a máquina.
Durante muitos anos gozei muito com uma máxima de um dos meus tios, que dizia qualquer coisa do género: " Enquanto o condutor dominar a máquina, está tudo bem. Quando a máquina domina o condutor, está tudo mal." Nunca mais me esqueci destas palavras. E se cheguei a gozar com elas. Hoje em dia dou-lhe total razão e reconheço as palavras sábias!
A compra deste carro acaba por ser a materialização de um sonho antigo, conseguida com uma idade diferente. Acaba por ser um carro que vem agora para a garagem, mas sobretudo, com a certeza que terá de haver respeito pelo carro. Para o dominar. E não ser o contrário. É preciso é juízo!
