Nos últimos dias vieram a público algumas notícias sobre um actor e modelo que está internado com problemas derivados da administração de testosterona no seu organismo. E aparentemente está em estado grave, na medida em que algumas funções vitais estão, no momento, comprometidas. Não irei falar de um caso que não conheço com profundidade e, para o qual, me parece que há algum aproveitamento mediático. Como é usual.
Para quem como eu pratica exercício físico regularmente, é normal e até usual que sinta necessidade de suplementação. Há naturalmente vários tipos de exercício físico, de intensidade e de grau de exigência e consequentemente, há vários tipos de suplementação adequada e produzida para determinados propósitos ou fins que se pretende atingir.
Li bastante sobre este tema há muitos anos. Em particular quando comecei a correr. Foi nessa altura que absorvi muita informação e li alguns artigos de inestimável valor, que de alguma forma desmistificaram a questão da suplementação e me abriram os horizontes e consolidaram opiniões.
O cerne da discussão entre os que fazem suplementação e os que não fazem, assenta no facto de o nosso organismo, por si só, não ser capaz de produzir aquilo que é necessário para que os treinos sejam mais eficientes ou seja melhorada a condição física: aumento da disponibilidade de substrato proteico para um sustentado incremento da massa muscular, disponibilidade de cadeias de macro-nutrientes que permitam, por exemplo, maior resistência da fadiga ou mesmo mais força para treinos específicos (de força, no caso).
Há um claro nicho de mercado neste mundo da suplementação. Se há uns anos, quando comecei a olhar para isto com olhos de ver, já havia uma enorme possibilidade de escolha, hoje em dia é de perder de vista. É a realidade. Também sei que há muito "passa palavra" do(a) amigo(a) no sentido de comprar este ou aquele produto, o que não é necessariamente bom. Poderá haver aqui uma orientação errada e com más consequências. É sempre preferível uma consulta prévia com um nutricionista - preferencialmente que entenda da prática desportiva - para se ter uma opinião profissional ajustada às necessidades individuais. Já não falando na massificação de lojas que iniciaram actividade e que vendem marcas com produtos de qualidade duvidosa, ou seja, que não têm qualquer tipo de vantagem na sua toma. Muito pelo contrário. Começando na carteira!
A qualidade do produto é importante. E a qualidade paga-se. Claro que há muitos produtos caros que não valem um cêntimo, mas se nos abstrairmos desse grupo e nos focarmos na comparação dos rótulos da composição dos produtos (exercício obrigatório) chegamos à conclusão que o que é bom, paga-se (e bem). E aí, com a tal orientação profissional que refiro acima, chegam os resultados pretendidos.
Para terminar. O que refiro acima é suplementação "normal" ou trivial. Algo que qualquer pessoa, minimamente informada e devidamente informada poderá seguir. Há outro mundo. De hormonas animais / esteróides. Injecções de testosterona e por aí fora. Os objectivos são outros. Os resultados são outros. O problema é o "caminho". Os meios não justificam os fins. O esforço do organismo é aumenta substancialmente e há sistemas (e.g. renal) nos quais é induzido um esforço muito maior e que pode culminar na sua falência (deixar de trabalhar). Aqui reside um dos preços a pagar pela exigência que é feita com o organismo. Preço esse, infelizmente, muito alto para algumas pessoas.