domingo, setembro 08, 2019

Presentes envenenados

Tenho para mim, e partilho a ideia há anos, que não há almoços grátis. Ou seja, ninguém dá nada a ninguém. 
O tema de hoje é precisamente sobre aquilo a que chamo de presentes envenenados. Num País em que os vencimentos são baixos, é importante seguirem-se os modelos adoptados noutros países. Os modelos poderão passar - não sendo exclusivos a - pela "oferta" do PC portátil, do telefone, do carro para usufruto total. No final dia, feitas as contas, estaremos a falar num incremento no vencimento que rondará, em alguns casos, entre 1.500,00€ a 2.000,00€, isto não significa necessariamente que sejam boas notícias. Passo a explicar.
Resume-se tudo a um ponto: o colaborador está sempre contactável e com todas as condições para estar sempre pronto a trabalhar. Sem desculpa absolutamente alguma. Ou seja. Virtualmente pensar-se-á que são condições de trabalho excelentes, na realidade, o que difere é a qualidade do que é oferecido. No final do dia, é tudo para o mesmo objectivo ou compromisso e com o mesmo resultado: sacrifício do tempo de descanso e familiar. E sem desculpas.

domingo, setembro 01, 2019

Treino e Suplementação

Nos últimos dias vieram a público algumas notícias sobre um actor e modelo que está internado com problemas derivados da administração de testosterona no seu organismo. E aparentemente está em estado grave, na medida em que algumas funções vitais estão, no momento, comprometidas. Não irei falar de um caso que não conheço com profundidade e, para o qual, me parece que há algum aproveitamento mediático. Como é usual.
Para quem como eu pratica exercício físico regularmente, é normal e até usual que sinta necessidade de suplementação. Há naturalmente vários tipos de exercício físico, de intensidade e de grau de exigência e consequentemente, há vários tipos de suplementação adequada e produzida para determinados propósitos ou fins que se pretende atingir.
Li bastante sobre este tema há muitos anos. Em particular quando comecei a correr. Foi nessa altura que absorvi muita informação e li alguns artigos de inestimável valor, que de alguma forma desmistificaram a questão da suplementação e me abriram os horizontes e consolidaram opiniões.
O cerne da discussão entre os que fazem suplementação e os que não fazem, assenta no facto de o nosso organismo, por si só, não ser capaz de produzir aquilo que é necessário para que os treinos sejam mais eficientes ou seja melhorada a condição física: aumento da disponibilidade de substrato proteico para um sustentado incremento da massa muscular, disponibilidade de cadeias de macro-nutrientes que permitam, por exemplo, maior resistência da fadiga ou mesmo mais força para treinos específicos (de força, no caso).
Há um claro nicho de mercado neste mundo da suplementação. Se há uns anos, quando comecei a olhar para isto com olhos de ver, já havia uma enorme possibilidade de escolha, hoje em dia é de perder de vista. É a realidade. Também sei que há muito "passa palavra" do(a) amigo(a) no sentido de comprar este ou aquele produto, o que não é necessariamente bom. Poderá haver aqui uma orientação errada e com más consequências. É sempre preferível uma consulta prévia com um nutricionista - preferencialmente que entenda da prática desportiva - para se ter uma opinião profissional ajustada às necessidades individuais. Já não falando na massificação de lojas que iniciaram actividade e que vendem marcas com produtos de qualidade duvidosa, ou seja, que não têm qualquer tipo de vantagem na sua toma. Muito pelo contrário. Começando na carteira!
A qualidade do produto é importante. E a qualidade paga-se. Claro que há muitos produtos caros que não valem um cêntimo, mas se nos abstrairmos desse grupo e nos focarmos na comparação dos rótulos da composição dos produtos (exercício obrigatório) chegamos à conclusão que o que é bom, paga-se (e bem). E aí, com a tal orientação profissional que refiro acima, chegam os resultados pretendidos.
Para terminar. O que refiro acima é suplementação "normal" ou trivial. Algo que qualquer pessoa, minimamente informada e devidamente informada poderá seguir. Há outro mundo. De hormonas animais / esteróides. Injecções de testosterona e por aí fora. Os objectivos são outros. Os resultados são outros. O problema é o "caminho". Os meios não justificam os fins. O esforço do organismo é aumenta substancialmente e há sistemas (e.g. renal) nos quais é induzido um esforço muito maior e que pode culminar na sua falência (deixar de trabalhar). Aqui reside um dos preços a pagar pela exigência que é feita com o organismo. Preço esse, infelizmente, muito alto para algumas pessoas.

domingo, agosto 25, 2019

Cruzadex

Se alguém me perguntasse há, imaginemos, 10 anos atrás, se eu gostava daqueles livrinhos de palavras cruzadas e números - tamanho de bolso - diria que precisavam de ajuda. Urgente.! Mais a sério agora...foi algo que sempre vi os meus pais comprarem durante anos a fio (mais no Verão) para levar para a praia ou por outra, algo que sempre associei a momentos de lazer e descontracção.
Volvidas algumas décadas, é curioso ter experimentado, este ano, este tipo de entretenimento. E por acaso, a primeira experiência, foi um engano. Passo a explicar porquê. As capas destes livros são todas similares. Têm umas donzelas bonitas. Algumas destas damas estão em trajes reduzidos (nunca percebi bem a razão).
O engano que refiro acima resume-se a ter comprado um l livrito destes mas de...números. É verdade. Talvez distraído com a capa do livro, comprei um livro de números. Qual a diferença? Simples. O (quase) ter um ataque de nervos porque se demora quase 1H a descobrir um número numa "sopa de números". Ou o ter de refazer um jogo inteiro porque o número de 5 algarismos que tínhamos escolhido no início....está errado. E tenho de recomeçar tudo. É frustrante. 
Comprei mais dois livritos. Não de números. Desta vez confirmei mesmo que eram de palavras cruzadas / sopa de letras. Era o que queria ter comprado de início. Não tivesse a minha atenção sido roubada para outro foco. Agora é terminar este livro - pelo andar da carruagem vai demorar. Há números que não consigo descobrir. Deve haver engano de tipografia!

domingo, agosto 18, 2019

Férias

Nunca duas semanas de férias me souberam tão bem. Tem sido um ano intenso. Bastante intenso. Trabalhar e estudar, como tem acontecido nos últimos meses, é algo que coloca imensa coisa em perspectiva. Outra forma de ver as coisas. Outra (necessária) gestão do tempo. Mas como em tudo, há um preço a pagar. E esse preço é o chegar a Agosto de "língua de fora". Derreado.
Desde há alguns anos a esta parte que opto por ficar em Lisboa por forma a economizar algum dinheiro, e em particular, nesta altura do ano, altura em que os preços sofrem uma inflacção notória, tipicamente ajustada para o turismo.
Desconheço sinceramente o que o futuro me reserva, mas a alternativa a estas férias por cá, e que mais me agrada será, sem hesitar, uma opção que preveja um sítio calmo, com cheiro a terra e onde possa dormir grandes sestas - Alentejo, portanto.
Não vos vou fazer perder mais tempo hoje, a ler este texto. Bom regresso para os que retornam ao trabalho. Boas férias para quem como eu, iniciam agora o período de descanso.

domingo, agosto 11, 2019

A Greve dos Camionistas

Tenho acompanhado - penso que à semelhança do que tem acontecido com todos os portugueses nos últimos dias - com atenção a greve dos camionistas de matérias perigosas. Para começar porque se perspectiva que venha a parar o País. E para terminar porque quis desta vez, contrariamente ao que aconteceu no passado recente, perceber melhor as motivações dos sindicatos dos motoristas e que estão subjacentes à realização desta greve.
Importa, para início de partilha, relembrar que há 3 partes interessadas: camionistas, patrões e claro, o Governo.
Camionistas: Na minha opinião, é o primeiro grupo que perde. Porquê? Porque tem como representantes sindicais pessoas que são inflexíveis e que acredito, não representam efectiva e genuinamente os interesses desta classe. Preferem defender a sua agenda pessoal até às últimas consequências. Por outro lado, os camionistas, da maneira como as negociações com os patrões estão a evoluir até ao momento em que escrevo estas linhas, não vão conquistar absolutamente nada mais do que aquilo que foi acordado com os mesmos no início desta semana. Com efeitos, pasme-se, daqui por um e dois anos, respectivamente. Ou seja, a greve que se fala (que começa às 2400H de manhã, é uma greve que será realizada na sequência de direitos já acordados e com as datas de efectividade que refiro acima). Outro aspecto ou argumento utilizado por estes profissionais - assisti a um debate durante a semana passada - é a distribuição da riqueza gerada pela empresa. Que há empresa que têm muito lucro e praticam pouco a distribuição do mesmo. E que isso resolveria esta questão reivindicada. Este argumento peca por ser perigoso e reflecte o desconhecimento de disciplinas da contabilidade ou mesmo da vontade da Gestão de Topo das empresas. O facto da empresa ter lucro não significa que o mesmo tenha de ser distribuído equitativamente pelos empregados. Onde está isso escrito? Se assim fosse, como haveria dinheiro para comprar equipamentos novos ou investir em infra-estruturas? Ou alguém imagina que isso acontece por obra do acaso? É importante perceber que o empregador não tem obrigação alguma para com o empregado, além de pagar o devido salário e garantir as condições laborais acordadas contratualmente. Já o recíproco é aplicável. O empregado tem o dever de honrar o também acordado contratualmente. E claro, ser devidamente ressarcido do período de tempo que gasto em horas extraordinárias.
Patrões: Claramente preocupados com todo o desenrolar e claro, do desfecho deste diferendo. Mas mostraram abertura e boa-fé ao concederem os aumentos salariais para o ano que vem e para o ano seguinte. Poucas pessoas entendem que o grosso da nossa economia depende de mercadoria (perigosa ou não) transportada via rodovia. Com isto, quero dizer que sendo este transporte bloqueado ou interrompido, ou realizado em menor escala, vai ter como consequência imediata que em menos de nada se sinta o impacto na nossa economia. Com tudo isto, os patrões não deixam de ficar bem vistos pela opinião pública na medida em que não cederam aos intentos dos sindicalistas. Demonstraram firmeza e tentaram, propondo via negociação, chegar a um consenso. Sem que tal fosse aceite pelos camionistas.
Governo: O claro e mais que expectável vencedor. Consegue, sem grande esforço, manipular a opinião pública mostrando boa preparação para a greve e claro, capitalizar votos para as eleições de Outubro e com uma aprovação maciça da opinião pública. Tenho de tirar o chapéu à habilidade com que tem gerido tudo. E a dois meses das eleições, gerir este evento com mão de ferro, é seguramente um passo de gigante na direcção da maioria absoluta. A horas de ser iniciada a greve, o Governo criou um grupo de trabalho para gerir esta situação de emergência. Ministros que estavam (e deixaram de estar) em férias constituem esse grupo. Mobilização de militares e polícias (inclusivé polícias à paisana) para que seja garantida a ordem pública e os portugueses possam ter normalidade nas suas vidas. Foi mobilizado o corpo de intervenção da PSP, o grupo de operações especiais PSP e ainda polícia de choque. Nada falta. Foi dada formação às autoridades para poderem conduzir os camiões de transporte de matérias perigosas, caso haja necessidade. "De cima", veio a ordem de disponibilidade total. Veremos se a greve acontece. E a acontecer, se dura. Esperemos que não. A bem de Portugal.

domingo, agosto 04, 2019

Erros ortográficos

Se há algo que me tira verdadeiramente do sério, são os erros ortográficos. A sério. Não consigo deixar de corrigir alguém sempre que vejo um erro. É mais forte que eu. Já aqui escrevi no blogue sobre este tema. Mas é algo que vejo todos os dias...
Há erros que decorrem do teclado do computador ou do teclado do telefone. São os chamados "typos" ou "type errors". Percebo isso. E até me incluo aqui, neste grupo. Já não falo da escrita inteligente que já me deixou em situações delicadas. Depois, há os chamados erros de distracção. Alguém que sabe escrever, mas que por alguma razão, naquele momento, e por estar distraído, erra. Também consigo perceber. Mas há um grupo restrito de pessoas que não entendo.
Em pleno século XXI, o que não entendo são alguns erros gramaticais, de concordância ou o simples e habitual "à 2 anos atrás" que muita gente de forma recorrente e irritantemente insiste em dar. Em alguns casos,  e no caso de me relacionar com essas pessoas, depois de já ter corrigido algumas vezes. O que me deixa transtornado. Porque afinal, o que eu disse, em jeito de ajuda para não se tornar a errar, não surtiu qualquer efeito.
Infelizmente, constato que as pessoas não têm hábitos de leitura. Essa será a principal causa dos erros. Falta de ler. Preguiça em comprar um livro e ler. Não me venham com a treta da falta de tempo. Se têm tempo para estar nas redes sociais, têm tempo para ler um bom livro. Ponham de lado os "tablets" e os telefones. Agarrem num livro. Leiam. Leiam muito. Para vosso bem.

domingo, julho 28, 2019

Merecidas férias

A altura do ano mais desejada por todos aqueles que trabalham. Este ano, por via de agenda, quer profissional quer académica, só vou tirar férias em Agosto. Na verdade, serão duas semanas de férias, em que dividirei o dia em praia e estudo.
Não tenho memória de um ano em que tivesse demorado tanto tempo a gozar férias. Talvez o tenha feito na altura em que gozava férias com os meus pais. Há mais de 30 anos, portanto. E claro, por altura das minhas férias escolares. Dos saudosos 3 ou 4 meses que havia na altura e que religiosamente dividia entre a paz do meu tão querido Alentejo e da loucura daquele que nunca dorme Algarve. Pelo meio algumas viagens para fora de Portugal, numa altura em que éramos só 4 lá em casa.
Preciso de gerir bem estes dias. Fazer "reset" mental de tudo. Descansar e orientar estudo para os exames de Setembro. Tem de ser. Sem esforço, nada se consegue. E sem descansar, também não! Boa continuação de férias para quem me lê na praia e boas férias para quem como eu tem de penar ainda um pouco!

domingo, julho 21, 2019

Voltas ao Domingo de Manhã

Depois de um interregno de alguns anos, voltei às voltas de carro clássico nas manhãs de Domingo. Gosto deste expediente. Acordar cedo, tirar o carro da garagem e ir passear em ritmo de passeio.
Na minha rotina de fim de semana, o que muda agora, na verdade, é o ir dar a volta com o clássico. Porque o acordar cedo já acontece naturalmente. No Verão, para que estas voltas possam mesmo acontecer, tem de se escolher horas bem cedo, para evitar o período de mais calor e ou o trânsito do pessoal que vai para a praia.
A volta de hoje foi até ao Cabo da Roca. Em ritmo de passeio com duas ou três toadas mais fortes só para sentir a pujança do motor deste pequeno desportivo irrequieto. Mais Domingos virão...

domingo, julho 14, 2019

Viagem Afonso sozinho

Fui hoje de manhã deixar o Afonso no avião, para voltar para os Açores. Passou estes últimos dias comigo, mas infelizmente não lhe pude dar a atenção que merecia (e que exigia, com os seus 278 porquês diários) na medida em que estou a trabalhar e tenho aulas.
O Afonso está habituadíssimo a viajar. Com os pais. A grande diferença é que hoje faz a sua primeira viagem (com uma duração superior a 1,5H), de avião, sozinho. Não um inter-ilhas - que já fez várias vezes - mas sim do continente para aquele arquipélago. Não conhecia o procedimento e o mesmo pareceu-me robusto. Envolve a designação de uma funcionária do aeroporto que o leva à sala de embarque onde será entregue a uma tripulante do vôo (confesso que tive de controlar uma lágrimazita quando o vi desaparecer com a mochila às costas). À chegada à Ilha a tripulante que recebeu o menino entregará o menino a uma funcionária do aeroporto local que por sua vez entregará ao pai. Com a idade do Afonso (7 anos) jamais viajaria sozinho. Eis que temos um valente!

domingo, julho 07, 2019

Relacionamento com ex's

Penso que nunca desenvolvi o tema neste espaço. Mas não queria deixar de o fazer, um pouco para dar a conhecer mais uma opinião minha sobre o tema.
Há duas formas de terminar uma relação: a bem ou a mal. Raramente terminei as minhas relações mal. Pode ter custado na altura (a ambas as partes), mas foi o melhor. Assim penso eu. 
Penso que as pessoas têm de entender que quando há uma relação há algo que está a ser construído a dois. Falo de pontes de entendimento, por exemplo. Falo de cedências ou de conquistas. E se não dá para continuar a relação - porque uma das partes poderá ter deixado de gostar - pelo menos poderá dar para manter a amizade. Já não falando na necessária continuação do contacto quando há filhos pelo meio ou negócios contraídos a dois durante a relação...
Não vejo impedimento das pessoas se continuarem a dar. Enquanto amigos. Voltar a tentar uma relação, quando houve uma clivagem algures, é algo em que - perdoem-me os que têm uma opinião contrária - não acredito que dê bom resultado. Por alguma coisa a relação terminou. E também é claro para mim que em algum momento as pessoas decidiram seguir o seu caminho sozinhas. Por isso, voltar a tentar uma relação tem tudo para correr mal porque estará sempre presente, não só esse momento menos bom que será sempre lembrado, bem como as causas (todas) que levaram e esse fim.

domingo, junho 30, 2019

Clássicos (de novo)

É mais forte que eu a minha ligação com os carros. Bem mais forte. Acabei por comprar um automóvel clássico para fazer companhia ao meu económico comercial de dois lugares, branco, com que tenho andado nos últimos tempos.
Trata-se de um carro com da minha geração. E que, tal como a mim, também fez parte do imaginário de muitas pessoas da minha idade. Não será uma escolha racional ou tampouco lógica. Muito motor para a pouca chapa que tem. Típico dos carros dos saudosos anos 90. Tudo isto com um sobejamente conhecido sistema de travagem deficitário...Eis que temos o cartão de visita deste novo menino cá de casa.
Infelizmente tenho conhecimento de algumas histórias que tiveram finais menos felizes. Um carro que, exactamente por fazer parte da "wish list" de muitos jovens, acabava por, em alguns casos, ceifar vidas, derivado do desconhecimento de se perceber bem o que se tinha nas mãos. E, claro, de respeitar a máquina.
Durante muitos anos gozei muito com uma máxima de um dos meus tios, que dizia qualquer coisa do género: " Enquanto o condutor dominar a máquina, está tudo bem. Quando a máquina domina o condutor, está tudo mal." Nunca mais me esqueci destas palavras. E se cheguei a gozar com elas.  Hoje em dia dou-lhe total razão e reconheço as palavras sábias!
A compra deste carro acaba por ser a materialização de um sonho antigo, conseguida com uma idade diferente. Acaba por ser um carro que vem agora para a garagem, mas sobretudo, com a certeza que terá de haver respeito pelo carro. Para o dominar. E não ser o contrário. É preciso é juízo!

domingo, junho 23, 2019

Campanhas Eleitorais

Quem como eu acompanha - de forma despreocupa, mas atenta - o fenómeno das campanhas eleitorais, perceberá rapidamente que 90% das promessas não são exequíveis. São sim, para angariar ou garantir os votos em quadrantes votantes ditos "não normais" ou mesmo para efectivar fotos no - cada vez mais certo e maior - grupo dos indecisos. Ou ainda, e mais remotamente, à abstenção.
Integro uma geração que perdeu a esperança na classe política. Todos os dias, sem excepção, há notícias de corrupção. Tráfico de influências. Peculato. Entre outros. E isso induz um sentimento de descrédito. De desconfiança. De desinteresse. E consequentemente surge a falta de motivação para exercer o dever cívico de voto.
Não é preciso ser-se um génio em matemática (com dois dedos de testa) para realizar que há determinados assuntos que, pela sua complexidade e valores envolvidos, não podem ser tratados de forma leviana. Falo, por exemplo, da promessa eleitoral de aumento dos vencimentos da função pública. Falo, por exemplo, da restituição do que é devido (e prometido eleitoralmente) aos professores. Falo da restituição do cativado à generalidade dos funcionários públicos durante o período da "troika". Acho legítima a pretensão de todas as classes profissionais. Não acho correcto o Governo acenar com a cenoura....sabendo antecipadamente não haver cenouras para todos. Não há dinheiro para todas estas promessas. Não mesmo. Mais simples e directo não é possível ser.
A parte da transparência de utilização dos dinheiros públicos é de capital importância. Quem está no activo e desconta uma percentagem significativa do seu vencimento para o Estado, tem o direito de entender em que é a mesma aplicada. Há, como se sabe, as apresentações dos relatórios de contas. Mas, que deixam sempre muito a desejar, na medida em que não são produzidos por entidades isentas. Ou seja, são apresentados sempre os dados mais convenientes pelas próprias instituições. Sem me alongar em mais considerações...
Tenho dito desde há alguns anos a esta parte que me tornei apartidário. Sem entrar em grande detalhe -  eventualmente enfadonho para quem lê, penso eu - há algumas coisas com as quais concordo nos programas políticos da direita e outras coisas com as quais concordo com os programas políticos da esquerda. Não acho que haja oposição firme e à altura do actual Governo. Sem grande surpresa, imagino que consiga uma maioria absoluta. Com tanta promessa popular é natural e legítimo que os portugueses vejam com bons olhos o não retorno aos tempos da austeridade. Embora, e cada vez mais, entenda que com a adopção de algumas das medidas que têm vindo a ser tornadas públicas, em menos de nada podemos voltar ao mesmo. A continuada injecção de dinheiro público nos vários buracos dos bancos é um bom exemplo disso. Espero sinceramente que o tempo mostre que estou enganado. Para bem de Portugal.

domingo, junho 16, 2019

Arraiais

Depois de alguns anos, voltei a ir a um arraial. Um dos vários arraiais que por esta altura do ano há na cidade de Lisboa.
Não acho grande piada, confesso. A razão pela qual fui, bem explicado, prende-se com apenas uma razão: comer umas sardinhas assadas com um grupo de amigos. E nada melhor que as comer no espírito de um arraial de bairro.
Estas sardinhas assadas não estavam nada de especial, em boa verdade. Numa escala de 0 a 10, e sendo (muito) benevolente, atribuiria um esforçado 6. E constato que começa a ser uma constante, este ano. Ou estou com azar. Nota: Um dos próximos textos deste meu humilde espaço será dedicado a esta manjar dos Deuses e que, à semelhança dos pastéis de nata e do leitão assado, fazem as minhas delícias.
Findo o jantar, ainda ficámos um pouco pelo bailarico. Na conversa. Uma parte do grupo ainda foi para outro bairro lisboeta e eu acabei por ficar mais um pouco naquele onde estava e posteriormente vim para casa. 
Não tenho nada contra os arraiais. Acho até que são momentos em que é possível a diversão, pode até ser um ponto de encontro de amigos e quem sabe, até dar um "pezinho de dança" imbuídos naquele espírito. Nada contra. Eu é que não gosto. Mas para estar com os amigos....há "cedências" que temos de fazer. E que irão certamente continuar a ser feitas. 

domingo, junho 09, 2019

Relaxar

As técnicas de relaxamento são tão ou mais importantes que os próprios momentos em que estamos mais focados ou precisamos de mais energia. Tenho vivenciado esta realidade nos últimos anos. E cada vez acredito mais nisto que acabo de escrever.
Se há alguns anos a esta parte esta realidade me parecia um pouco fantasiosa, hoje em dia não percebo dessa forma. Os tempos livres são cada vez menos, e efectivamente, os que há, são dedicados ao relaxamento. Para que se consiga atingir o equilíbrio físico e mental. Um dos factores que, entendo que mais contribui para o relaxamento, será, sem sombra de dúvida, uma boa higiene de sono. O "obrigar" o organismo a deitar-se mais cedo. Proporcionar mais uma ou duas horas de sono, faz a diferença toda em termos de reposição de energia. O adoptar uma dieta alimentar equilibrada e regrada. A prática regular de exercício físico. São meios para um objectivo comum que será o relaxamento. Evitar o tabaco e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Bem sei que é fácil falar, e que as nossas vidas, o nosso quotidiano nem sempre permitem que consigamos seguir integralmente estas boas práticas. Contudo, e para o nosso bem estar (e para que consigamos andar por cá mais uns bons anos) é necessário que sigamos estas recomendações. E respeitemos o nosso organismo.

domingo, junho 02, 2019

Frustração

Todos temos o nosso limiar de frustração. Que passa muito pela forma como lidamos com o imponderado. Com o imprevisto. E curiosamente, há quem goste. E que viva bem com essa realidade. Sem receios do que aí vem. E no plano oposto, há quem não goste. E que prefere estar preparado - sempre que possível - para algo que sabe que pode vir a acontecer de forma inusitada. Será este último grupo no qual me insiro.
A questão que se coloca é a forma como lidamos com estas situações. Há quem tenha sorte e lide bem com o facto de não conseguir resolver algo. E há quem não tenha essa sorte e acabe por não lidar bem com esse tipo de situação. Em ambos os casos falo de como se lida com a frustração.
Tenho-me como um excelente conselheiro. Conheço algumas pessoas igualmente boas conselheiras. Mas aqui para nós, sou fantástico a dar conselhos. Só para outras pessoas, não para mim. Lá diz o adágio popular "Em casa de ferreiro, espeto de pau".
É facílimo dizer a alguém que os azares acontecem e que melhores dias virão. Que não vale a pena perder muito tempo a pensar na desgraça. Que a vida continua e que para a frente é que é o caminho. Já o disse milhares de vezes a muitas pessoas. Mas continuo com a minha eterna questão sem solução à vista: lido mal com a frustração. Consome-me. Faz com que tenha de desenvolver um trabalho interior substancialmente superior ao da generalidade das pessoas - em particular as que lidam bem, ou por outra, sabem lidar (melhor) com este tipo de sentimento.
Vou tentando melhorar isto no meu dia-a-dia. Com a ajuda de pessoas que estão perto de mim e que me mostram, por vezes, ângulos diferentes daqueles em que estava focado. Faz parte da aprendizagem. E faz-nos crescer como pessoas. E ajuda-nos a ter (mais) qualidade de vida.

domingo, maio 26, 2019

Competição

Ao longo da minha vida - pessoal, académica e profissional - tenho experimentado, ao longo destes anos todos, vários momentos de competição. Não me tenho como sendo uma pessoa naturalmente competitiva, no sentido de querer o mal do próximo, mas tenho constatado que, à excepção de meia dúzia de pessoas que conheço, devo ser caso único.
Creio que a razão para tal estará alicerçado na questão de gostar de ajudar. Ora, se gosto de ajudar, não posso querer que alguém se dê mal. Parece-me lógico. E por dar-se mal, entenda-se, passa por não ser bem sucedido num determinado objectivo pessoal. 
Não obstante o que refiro acima, acredito que todos nós, em algum momento das nossas vidas já tenhamos tido este tipo de pensamento. Mas percebo agora que é um pensamento menos bom. Desejar a nossa sorte suportada no azar do outro, é errado. E mais. Gera más energias. E más energias consomem-nos. Contribuem para que sejamos pessoas piores e, acredito eu, num qualquer dia, sem estarmos à espera, pagamos esse preço. Que poderá ser alto ou não. A vida encarregar-se-á de decidir.
Tudo nesta vida tem uma explicação. À medida que os anos passam, chego cada vez mais rapidamente à conclusão que a nossa passagem por "cá" é curta. E que nada vale desenvolvermos determinado tipo de energias que nos consomem e nos fazem ser pessoas piores. Competição sim, mas com conta, pêso e medida. E sempre, sempre, sempre não perdendo a nossa identidade de ser humano que nos faz, como sendo uma das principais razões de ser, ajudar o próximo.

domingo, maio 19, 2019

Eleições Europeias

A fantochada de sempre. Tenho pensado para mim, que quanto mais avanço na idade, menos credibilidade me merece a classe política. Particularmente falando dos deputados que são eleitos para o Parlamento Europeu (PE). 
O meu ponto é simples. Ninguém sabe o que lá fazem. Se, por exemplo, vão aos grupos de trabalho a que pertencem. E se, como seria de esperar, representam dignamente o País nas votações e nos assuntos que nos interessam em particular. Tenho as minhas dúvidas. Profundas.
Para mim, quem está no PE tem responsabilidades acrescidas. Muito mais exigência do que aquela que é expectável para um deputado que (quando se lembra) vai à nossa Assembleia da República. Imagine-se os deputados que estão lá fora. Sem qualquer controlo. E inseridos num meio de outras pessoas, provenientes de outros Estados Membros, com hábitos diferentes dos nossos. Mas que ainda assim trabalham. Estão deslocados dos seus países de origem, mas acredito que trabalhem justificando a aposta que foi feita pelos eleitores dos seus países bem como o avultado vencimento que auferem. Às tantas não será assim tão avultado para alguns, já que nos seus países receberão quase tanto como no PE!
Esta minha forma de ver as coisas não é inusitada nem descabida de fundamento. São conhecidos casos de deputados que sistematicamente não comparecem na Assembleia da República, bem como são do conhecimento público os casos dos deputados do PE que recebem ajudas de custo para vir a Portugal e que por lá ficam... 
Não obstante tudo isto, bem como o não vislumbrar qualquer tipo de mais valia em qualquer um dos programas eleitorais que já foi apresentado - e exactamente por saber que não são exequíveis - não deixo de ir exercer o meu direito de voto. Para votar em branco. Em sinal de protesto. Vale o que vale.

domingo, maio 12, 2019

Estudo em grupo

Depois de quase 20 anos sem estudar em grupo, volto este Domingo a reunir-me com dois colegas para o fazer. Não faço a mínima ideia como vai correr. Sei que a minha maturidade e foco são diferentes. E que me parecem ser duas pessoas igualmente maduras e focadas. Temos todos o mesmo objectivo.
Há vantagens no estudo em grupo. Começando pela capacidade de explicação de aspectos que sozinhos dificilmente conseguimos. Por outro lado, há a disciplina e obrigação que assumimos com quem estudamos de....estudar. Como desvantagem, o facto de haver pessoas que se "encostam". e vão para um grupo destes para passar o tempo. Causar entropia. E isso atrasa o estudo dos demais. Vamos ver como corre! Foco máximo. O que tem de ser tem muita força!

domingo, maio 05, 2019

Demissão do Governo

Tenho evitado comentar política neste espaço. Começando e acabando pelo facto de ter ideias fracturantes sobre grande parte dos temas actuais. E exactamente por achar que tenho essa visão mais radical, entendo que devo guardar estas opiniões para mim e não partilhar. Uma questão de bom senso e contenção, se preferirem.
Mas não posso deixar de comentar o tema desta semana: a demissão do Governo. Por muito que discorde das políticas seguidas pelo mesmo, ou da forma como chegou ao poder, não consigo perceber o objectivo de voto a favor por parte da direita parlamentar no sentido de ser pago aos professores aquilo que exigem e por outro lado, da abstenção, relativamente ao mesmo tema, da esquerda que integra a geringonça. Não deveria ser este um momento em que a esquerda (que agora se abstém) se devia manter de "pedra e cal" ao lado daquele que é o partido político que está à frente dos desígnios do nosso País? Será complicado para essa mesma esquerda entender que o facto de os professores verem agora pago o montante relativo aos nove anos, quatro meses e dois dias, vai abrir um precedente gravíssimo? Então e que resposta será dada aos demais funcionários públicos, que viram as suas progressões congeladas, quiserem o mesmo - e que se calhar, por via de entenderem que os cofres do Estado estão a recuperar não exigiram nada desta forma quase autista? Esvaem-se os cofres de Estado? Quem suportará os 800M€ (milhões) anuais que o Executivo terá de suportar, só relativos aos professores? Enfim. A resposta será dada dia 15 do corrente. Mas temo que venha aí grande conturbação. Talvez fosse bom o Presidente dos afectos dar um murro na mesa. Deixar de andar a tirar "selfies" e pusesse ordem na barraca. Para bem de todos.

domingo, abril 28, 2019

Pais separados, educações diferentes

Nos últimos Domingos, e com uma regularidade (quase) semanal, tenho feito umas caminhadas pelo fresco da manhã com um dos meus melhores amigos. Aquilo que começou por ser uma caminhada num Domingo específico, rapidamente se transformou numa rotina, e já temos alguns quilómetros nestas pernas. A andar e a conversar.
Aproveitamos este tempo juntos para, não só pôr a conversa em dia - e já vai sendo muita - como  também para eu assumir o papel de confidente/psicanalista em quem este meu amigo deposita muitas das suas questões existenciais. Em particular as relacionadas com a sua filha de 10 anos.
Não me incomoda absolutamente nada que o faça. Muito pelo contrário. Sinto que tem essa necessidade. A questão é que poderei não ter comigo todos os dados para poder, com propriedade, ajuizar e opinar de forma construtiva. Pelo meio fica uma relação afectiva conturbada que teve, um passado (dele) marcado por algumas situações menos boas que conduziram naturalmente a alguma insegurança da, na altura, cara metade. E uma criança. Até sou capaz de entender todo este "puzzle".
Tenho para mim que os filhos são para a vida. E que, como tal, é imperioso que haja um (obrigatório) entendimento entre os pais. Mais do que o "entendimento-básico-para-tratar-dos-assuntos-relacionados-com-os-filhos". Tem de haver conversa. Debate de ideias. Por outro lado, é importante não esquecer que haverá sempre, mas sempre a questão monetária em que um dos pais sentir-se-á sempre mais prejudicado. E tudo isto importa ser debatido para que, no final do dia, as crianças não apanhem por tabela.
Neste caso específico, estou à vontade para falar porque conheço este meu amigo desde há mais de 30 anos. É daqueles que cresceu comigo e com quem passei muita coisa. Umas melhores e uma ou outra pior. Refiro isto porque sei que é da minha criação. Da minha geração. Vivemos as mesmas experiências, na mesma altura. E sei bem como é aquela cabeça estruturada.
A mãe da criança penso ser um pouco mais nova que nós. E substancialmente mais rica que eu. E que eventualmente o meu amigo. Refiro isto, necessariamente, porque é daqueles casos em que dinheiro não significa necessariamente melhor educação ou saber estar. Conheço a mãe da criança circunstancialmente e de ter estado com ela uma ou duas vezes. E a criança em si (estragada com mimos), estive uma vez. Os desabafos que este meu amigo tem comummente comigo são o reflexto de situações em que há, notoriamente, uma choque de formas de educar. E claro, o normal e expectável choque geracional. A filha consegue com muita facilidade ter coisas que nem o pai não tem e/ou dificilmente teria. E não sabe dar valor. Talvez por não ter sido educada nesse sentido. Enfim. Os passeios matinais irão continuar. E as confidências idem. Afinal, é esse o papel de melhor amigo.

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...