A semana passada soube que alguém que conheci em tempos, e com quem cheguei a treinar, morreu num brutal acidente de viação (mota) em Lisboa.
Não o conhecia bem. Mas um dos meus melhores amigos conhecia-o muito bem e nos últimos anos tornou-se muito próximo dele. Também sei que esse meu amigo está (embora não o admita conscientemente) a sofrer. Afinal é o mesmo meu amigo que há vários anos perdeu o irmão num acidente de viação. É, portanto, dose dupla.
Nesse dia e nos outros dias a seguir, coincidência ou não, li nas notícias mais alguns acidentes de viação. O denominador comum acabava por ser sempre o mesmo: mota. E isso mexeu com a minha cabeça e a quase, quase compra de uma mota para me poder deslocar. Mota foi, é e será sempre um meio de transporte perigoso. Digam o que disserem. Os carros também serão, dirão os acérrimos defensores das duas rodas. E até sou capaz de concordar em parte. Mas as motas são mais perigosas porque o nosso corpo funciona como "escudo". Adoro motas (enquanto veículo motorizado), mas tenho muito receio de andar na estrada. Creio que em tempos terei aqui partilhado isso mesmo. Nos meus passeios de bicicleta pela cidade de Lisboa percebi que os carros andam muito depressa, junto das bicicletas e isso fazia-me medo. Já não falando na continuada falta de respeito na estrada para quem anda de duas rodas. Talvez por falta de hábito. Assumo.
Houve um outro aspecto que voltou à minha mente. A morte em idade jovem. É natural que alguém parta deste mundo por idade ou por doença (prolongada ou não). Mas uma pessoa jovem, praticante regular de desporto e tudo mais, não é normal. É anti-natura. Ninguém neste mundo está preparado para receber a notícia da morte de alguém que estima. E muito menos de alguém que partiu de forma violenta. É apodera-se de nós o tal pensamento que a despedida da manhã foi a última. E a última vez que vimos essa pessoa. Paz à sua alma.

